terça-feira, fevereiro 28, 2023

Perdidos Mãe e Fihos (2)

 A Ideia, O Plano. 

O ano é 2022.

 

Sexta-feira, quinze de julho, final do dia.

 

A noite cai sobre Porto Alegre. Chove, ou ao menos eu acho que chovia. Após terminar meus atendimentos no consultório (em minha nova rotina após me desligar da Universidade onde eu passava minhas sextas-feiras à tarde), vou para casa. A semana havia sido pesada.

 

Começara na segunda-feira de manhã cedo com uma ligação dizendo que minha mãe passara mal, eu indo até a casa dos meus pais – onde estavam, além deles, meu irmão e minha sobrinha que os visitavam vindos de NY – para ver o que havia acontecido. Excetuando-se pela Olívia – que estava isolada – todos estavam com COVID. Na sequência, dois dias depois, meu irmão e eu levamos meu pai para o hospital por não estar bem (não relacionado ao COVID) e internando-o na quarta-feira, depois de duas noites muito ruins em casa, mesmo dia em que depois, à noite, tocaríamos num shopping em celebração ao Dia do Rock. A rotina da semana era chegar no hospital, ver meu pai, atender, vê-lo de novo no intervalo do almoço, e uma vez mais antes de voltar para casa.

 

Na sexta-feira, ainda enquanto me dirigia para casa, a médica responsável pela internação dele, a minha muito querida amiga Cynthia Dullius, que mais cedo me avisara que iriam colocá-lo em ventilação não-invasiva para auxiliar sua respiração, ligou e me disse que ele havia sido entubado e transferido da emergência para a UTI. Ainda dirigindo, chorei pela primeira vez em muitos e muitos anos, algo que aconteceria com certa frequência nas próximas semanas.

 

Eu sabia que estava próximo do fim.

 

Ele vinha, desde o início da pandemia, progressivamente piorando em seu estado geral, com uma qualidade de vida cada vez menor, e – nesse período todo – sendo cuidado vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, pela minha mãe. Era uma rotina pesada, e eu ajudava o quanto podia, mas certamente a gigantesca carga era dela. Como relatei para quem me perguntou na época, ele tinha uma série de condições que – isoladamente – não eram muito graves, mas que – juntas – o faziam viver caminhando em gelo fino, quando qualquer movimento poderia desequilibrar tudo.

 

Quando a Cynthia me ligou e disse que ele estava sendo entubado, tive a convicção de que o fim era iminente, que talvez não passasse do final de semana. Cheguei em casa, me recompus como pude, e comuniquei a notícia e o que eu imaginava ser o que aconteceria em breve para minha mãe e para meu irmão. Foi difícil, eu ia falando e a voz ia sumindo. Conversei também com o Giba, meu tio.

 

Após as ligações, junto à Jacque e à Marina, comuniquei a elas que estava se aproximando rapidamente a hora em que eu faria a tatuagem em homenagem ao meu pai. Além disso, nas próximas férias de verão iríamos para a Itália com minha mãe.

 

O desfecho da internação só ocorreria onze dias depois, após ele ter sido extubado, acordado novamente, saído da UTI e infelizmente piorado de maneira definitiva nos dias subsequentes, falecendo no dia 26 de julho de 2022, no dia em que meu irmão iria retornar aos Estados Unidos (conseguiu trocar a passagem e ficar mais dois dias por aqui).

 

Um mês depois, fiz a prometida tatuagem.


 

Faltava a Itália.

 

Até.

domingo, fevereiro 26, 2023

A Sopa (Perdidos Mães e Filhos)

Ninguém está livre do risco.


Tudo ocorreu aos 49 minutos do segundo tempo, naquele exato momento em que a vitória está consolidada, nada mais parece poder dar errado, o momento em que no jargão automobilístico é a hora de levar “na ponta dos dedos”, justamente ali, e talvez por não ter feito exatamente isso, levado na ponta dos dedos, é que ocorreu o acidente. Ouvimos o ruído forte e o tremor da batida, tudo numa fração de segundo.  


O pior tinha acontecido.

 

Mas ainda não é o momento de falar nisso. Vai ficar cronologicamente para o final, para segundos antes de o juiz apitar e embarcarmos de Milão para São Paulo, sem termos a noção de que haveria a prorrogação, com voo atrasado, conexão curta e um integrante perdido no aeroporto, última chamada para o último voo, e...

 

Calma.

 

Como já sabe quem acompanha os meus relatos de viagem, e mesmo outras histórias que costumo contar, nenhuma estória existe sem um contexto, sem uma outra estória por trás dela, anterior, e ainda outra por trás dessa, em uma série de camadas que servem para aprofundá-la e, mais, para entendê-la completamente. Em resumo, sou prolixo mesmo, transitando na fronteira perigosa entre um contador de estórias e o chato.

 

Não importa.

 

Uma viagem, como não canso de repetir, começa muito antes do seu início efetivo, no embarque doméstico em direção à conexão internacional, ou no ônibus que ruma ao litoral, ou mesmo ao terminar de abastecer o carro para pegar a estrada. Uma viagem começa a nascer bem antes disso, em um tempo variável, no momento em que a ideia da mesma surge. Pode ser no final da viagem anterior, num encontro entre amigos, ou até mesmo quando – por impulso – compra-se a passagem, situações todas essas já vividas por nós aqui em casa.

 

Por outro lado, o nome pelo qual vamos chamar a viagem, e todas elas têm nome, normalmente surge durante ou logo após a viagem, mas – óbvio – pode surgir antes, como os Perdidos na Espace, nome pelo qual viajamos em 1999, viagem que já contei por aqui. Dessa vez, na viagem que terminou por esses dias, o nome surgiu durante a viagem, e se impôs, não deixando dúvidas. Itália 2023, Mães e Filhos. Acrescento aqui o Perdidos, que nos caracteriza desde a nossa primeira grande viagem. Itália 2023, Perdidos Mães e Filhos.

 

 

Os Perdidos (Marina, Marcelo, Tânia, Karina, Jacque e Roberta)


É essa estória que pretendo contar com calma nas próximas semanas.

 

Até.

sábado, fevereiro 25, 2023

Sábado (e uma foto das férias)

 

Início das férias


                Perdidos Mães e Filhos - Itália 2023

                Aeroporto de Porto Alegre.

                05/02/2023


                Bom sábado a todos.

domingo, fevereiro 05, 2023

A Sopa em Férias

Estamos em férias.

Por aí (depois conto mais).

Enquanto não consigo parar para contar a você, estimado leitor, posso dar uma sugestão?

Confere aqui como foram nossas férias do ano passado.

Boa semana a todos.

Mando notícias do caminho.

Até.

sábado, fevereiro 04, 2023

Sábado (e de férias)

 



                        Estaremos nos próximos dias curtindo merecidas férias.

                        Bom sábado a todos.

                        Até.