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sábado, maio 13, 2023

Sábado (e os Perdidos 2023)

(Karina, Tânia, Roberta, Marcelo, Marina e Jacque)
 

Os viajantes.
Perdidos Mães e Filhos, Itália 2023.

Foi muito bom.
Esperamos a próxima.

Até.

terça-feira, maio 09, 2023

Perdidos Mães e Filhos (Epílogo)

A Viagem (Final). 

Terça-feira, 21 de fevereiro de 2023. Porto Alegre.

 

Termináramos nossa viagem à Itália, intitulada Perdidos Mães e Filhos. O nome veio da constatação de que, mais que tudo, foi uma viagem família. Férias de verão com os pais, para a Marina. Reencontro da mãe com a filha que mora longe, e da filha que foi morar longe com a mãe, para a Karina e a Roberta, e, finalmente, do filho que quis apresentar um pouco da Itália para sua mãe, este que vos escreve. Foi, como podem ver, uma viagem cheia de simbologias.

 

Olhando retrospectivamente, não estive tão relaxado e descontraído como na viagem do ano anterior, para Uruguai, quando – após os anos de pandemia, que não haviam acabado, eu sei – pude realmente descansar. Não tem uma explicação clara para isso, mas – de qualquer forma – de maneira nenhuma isso reduz o quanto foi boa a viagem, mais uma vez. Todos estivemos numa sintonia boa, num astral legal. Visitamos novos lugares e revisitamos locais queridos por nós. Novos pontos de vista, a boa sensação de estar um lugar especial mais uma vez. 

 

Como toda viagem, valeu muito.

 

A chance de – depois de muito tempo – passar muito tempo junto com a minha mãe foi muito especial, depois dos anos pesados (principalmente para ela) em que meu pai (que por sinal estaria de aniversário hoje, 09/05, quando publico esse último capítulo da viagem) esteve doente. Estávamos leves. Conversamos sobre ele, da falta que ele faz, e das boas memórias que temos dele, que é o que fica, no final das contas. Foi muito legal ter a chance estar com ela em lugares tão especiais. E, mais, uma sensação de felicidade que persiste ao lembrar de todos nós na viagem.

 

As atividades de trabalho e escola foram retomadas na Quarta-Feira de Cinzas, e a vida seguiu. A única pendência que havia ficado, sem dúvida, eram os mil e seiscentos e sessenta euros que eu havia pagado no cartão de crédito cujo vencimento era no dia 17/03, quase um mês depois do ocorrido. Apenas após o pagamento é que eu poderia pedir o reembolso do valor, evidentemente. Eu estava tranquilo, mas sempre pairava uma pequena dúvida no ar: será que eles realmente pagariam? Bom, se não pagassem, paciência, eu iria arcar com o prejuízo. Tranquilo. Em nenhum momento passou pela minha cabeça a possibilidade de dividir o prejuízo de uma bobagem minha com o resto do grupo.

 

O dia em que venceu a fatura foi em uma sexta-feira, a mesma em que fiz uma ressonância magnética de coluna lombar cujo resultado levou o meu ortopedista especialista em coluna me mandar uma mensagem que dizia apenas “precisamos conversar”, sinal de que algo não estava bem. Eu tinha uma grande hérnia de disco lombar que estava praticamente ocluindo o forame por onde sai a inervação para o perna esquerda, e essa era a causa das dores que eu vinha sentido, e que havia piorado nos últimos dias após ter ido à São Paulo para assistir ao show do The Black Crowes, quando fiquei mais de oito horas de pé, num noite memorável, que será lembrada como “a noite em que um morador em situação de rua nos deu dinheiro” uma história que contarei um dia desses.

 

O final de semana após o pagamento a fatura foi horroroso por causa da dor devido à hérnia. Na madrugada de sábado para domingo acordei para tomar água, mas no caminho entre o quarto e a cozinha tive MUITA dor, e parei no sofá para ver se aliviava. Piorou. Deitei-me no chão, e não fez diferença, mas aí o problema é que a dor não me deixava levantar. A muito custo, voltei ao sofá e deitei de lado, onde dormi das quatro às seis horas da manhã.

 

Em destaque, a hérnia de disco L4-L5


Foi quando, num esforço extremo, consegui me levantar e caminhar até o quarto, quando caí na cama, com dor e suando frio. As meninas acordaram assustadas. Tomei TODOS os analgésicos e anti-inflamatórios que havia na casa. Dormi um pouco mais e acordei praticamente sem dor. Ao sair da cama, notei que havia perdido a força na perna esquerda, além da sensibilidade no local. Não havia volta: o tratamento teria de ser cirúrgico. Conversei, ainda no domingo, com o ortopedista, que disse para eu ir na clínica dele na segunda-feira à tarde que ele faria um bloqueio para aliviar a dor para eu poder aguardar os trâmites da cirurgia.

 

Cancelei o consultório para a semana seguinte enquanto aguardava as definições. Na manhã de segunda-feira mesmo, logo cedo, ele me mandou uma mensagem avisando que eu seria submetido à cirurgia na noite de terça-feira, de urgência. Na tarde daquele dia, após o bloqueio fiquei sem dor, mas ainda caminhando com dificuldade pela perda de forço. Em casa, já na espera pela cirurgia, acessei o site da seguradora e submeti o pedido de reembolso do valor da franquia, junto com os documentos e relato do caso.


A manhã seguinte, já no dia da cirurgia, foi de ir até o hospital (sem dor, e com cuidado, conseguia dirigir) para fazer um eletrocardiograma apenas por descargo de consciência. Enquanto aguardava pelo exame, feito por um amigo cardiologista, recebi o e-mail da seguradora dizendo que minha solicitação de reembolso havia sido aprovada, e que o pagamento ocorreria em até 24 horas. Surpresa boa!

 

Após o exame, por volta das 11h30, fui almoçar onde tradicionalmente almoço nas terças-feiras, porque a partir do meio-dia deveria entrar em NPO (sem comer ou beber nada) para a cirurgia da noite. Após o almoço fui em casa largar o carro e voltei de Uber para o hospital. Internei via emergência para ser operado. Fui encaminhado para o setor de pré-operatório bem cedo, tipo 16h30, para a cirurgia das 20h. Me deixaram em uma poltrona confortável, com o celular comigo e uma tomada ao lado caso precisasse carregá-lo. Ali fiquei até a hora de ir para a sala de cirurgia. Quando estava na espera, contudo, recebi uma notificação de recebimento de PIX. 

 

Era o pagamento do reembolso pela seguradora!

 

Agora, sim, a viagem havia terminado, e de forma muito boa...

 

A próxima etapa seria operar a coluna e começar a recuperação para pensar na próxima viagem dos Perdidos na Espace.

 

Foi muito bom!

 

Até.

domingo, maio 07, 2023

A Sopa (Perdidos Mães e Filhos 35)

O dia em que perdi minha mãe no aeroporto.

 

Antes, uma correção.

 

Eu havia dito que a franquia do carro em caso de acidentes era de mil seiscentos e sessenta euros, mas me enganei. A franquia era de dois mil euros, “um pouco a mais” ...

 

De qualquer forma, eu estava em parte – em parte – tranquilo, pois, ao alugar o carro com o seguro e a dita franquia, eu havia também feito um seguro a mais, completo, sem franquia, com uma segunda seguradora, o que fui me dar conta mais tarde. Dessa forma, eu tinha cobertura total, não tinha dúvida, mas também sabia que teria que pagar a franquia e depois solicitar reembolso do valor pago. Tudo certo, em princípio, mas sempre existe aquele “pé atrás” e uma certa insegurança do tipo “será mesmo que vão pagar?”. Só saberia depois, quando solicitasse o reembolso.

 

Acordamos, tomamos café da manhã, fizemos o checkout do hotel e fomos até o estacionamento da locadora para entregar o carro. O funcionário que nos esperava recebe a chave e perguntou se havia corrido tudo bem. Eu disse que sim, exceto por um pequeno “problema”, e mostrei o “estrago”. Ao ver o estrago, começou a fazer o registro do incidente, chamou um colega para auxiliá-lo. Tirou fotos, eu descrevi o ocorrido, e – num tablet – registrou tudo e automaticamente registrou o valor a ser pago: mil seiscentos e sessenta euros... Pagos com o cartão de crédito, e teria que pedir reembolso posteriormente.

 

O estrago


Liberados dessa burocracia, fizemos o checkin para o longo voo diurno da LATAM de Milão para Guarulhos. No horário correto, partimos de volta ao Brasil.

 

Agora não haveria mais correria e nem estresse.

 

Ou haveria?

 

O voo transcorreu tranquilo. Ainda havia a obrigatoriedade do uso de máscaras durante todo o voo, o que era – por um lado – chato, mas que foi providencial para a Jacque, que foi num assento ao lado de um italiano que exalava um cheiro de cigarro quase insuportável. Muitos filmes vistos para passar o tempo depois, aterrissamos em Guarulhos. Foi quando começaram os momentos de emoção para fazer a conexão para Porto Alegre. O nosso voo era às 23h, o último do dia para Porto Alegre.

 

Começando a volta, em Milão


Desembarcamos, passamos pela imigração brasileira e fomos esperar nossa bagagem. Que demorou. MUITO. Esperávamos enquanto o tempo passava, e o tempo da conexão ficando cada vez menor. Após um tempo excessivamente longo, chegaram. Passamos pela alfândega sem sermos parados e fomos para a fila do checkin de conexão. E o tempo passando. Longa fila, atendimento demorado, pessoas furando a fila, discussões, vozes alteradas. E nós, quietos, aguardando.

 

Feito o checkin, tivemos que sair correndo do terminal 3 para o terminal 2, onde seria o embarque. Ao chegar na fila para a inspeção, nos separaram, e a Mãe foi para a fila de prioridades, a Marina e a Karina para uma e a Jaque e eu para uma terceira fila. Passamos e, a sair dessa área para irmos para o portão de embarque, não encontramos a Mãe. O nosso portão ficava num extremo do terminal, e concluímos que – pelo tempo escasso – ela já havia ido para o portão. Enquanto caminhávamos rápido, funcionários da LATAM nos apressavam. Chegando no portão, descobrimos que a minha Mãe nunca havia chegado até ali. Além de tudo, ela estava sem o celular funcionando (não havíamos recolocado o chip nele).

 

Eu havia perdido a minha Mãe no aeroporto de Guarulhos.

 

O que fazer?

 

Disse para que eles esperassem que eu iria buscá-la.

 

Saí praticamente correndo em direção de volta ao local da inspeção, procurando por ela e já imaginando que ela e eu iríamos perder o voo e acabar dormindo em São Paulo e só chegando em casa bem mais tarde no outro dia. Cheguei ao ponto de início e ela não estava lá. O que fazer, nesse momento?

 

Foi quando a vi, junto com outra pessoa, vindo da direção contrário de onde era o nosso portão. As duas, passageiras do mesmo voo, haviam sido informadas por engano de que o portão era no extremo oposto de portão correto, e foram até lá. Chegando lá, informadas do erro, estavam fazendo o caminho de volta. Nos reunimos, e fomos caminhando para o portão certo, mesmo com a histérica pressão de funcionários da LATAM para que corrêssemos (ainda havia tempo até a hora de sair o voo).

 

Embarcamos, e ainda esperamos um tempo até o voo realmente sair.

 

Voo, finalmente, tranquilo. 

 

Chegamos em Porto Alegre por volta de 0h40 da terça-feira de carnaval. Despedidas no aeroporto e fomos – em três carros diferentes para regiões diferentes da cidade – para casa. Dormimos por volta das duas horas da manhã, cansados e felizes.

 

Havia sido uma ótima e inesquecível viagem.

 

Até. 

quinta-feira, maio 04, 2023

Perdidos Mães e Filhos (34)

 A Viagem (22).

 

Dia de começar a volta.

 

Estava terminando a viagem. Domingo de carnaval, era hora de descer a montanha e retornar ao ponto de partida italiano de nossa viagem, o aeroporto de Malpensa, onde tínhamos chegado do Brasil e encontráramos a Roberta, que nos esperava lá. Hoje seria o dia em que a deixaríamos lá para sua viagem de volta à Barcelona.

 

Amanhecer nos Alpes italianos


Acordamos no lugar em que pensamos ser Meltina. A noite havia sido uma ótima noite de sono nos Alpes, aconchegante, confortável. Imaginávamos uma grandiosa vista de onde estávamos, porém uma densa neblina impedia qualquer visão além de poucos metros a frente. Paciência. Tomamos um bom café com o que ainda tínhamos de alimentos, nos arrumamos, tiramos algumas fotos do local e nos despedimos da família de proprietários. Era hora de descer a montanha.

 

Iniciando a despedida da Itália


A distância entre onde estávamos até o Terminal do Aeroporto de Malpensa, onde “largaríamos” a Roberta, era de aproximados 340km, entre 3h30 e 4h de viagem, sem contar com as “paradas técnicas”, alguns desvios, e almoço. Saímos pouco depois das dez horas da manhã.

 

O trajeto saindo de Meltina envolveu retornar pelo caminho que fizéramos na noite anterior, via SP11 e depois SS38 até entrar na A22 no sentido sul, em direção à Verona, até o acesso Affi-Largo di Garda Sud, onde trocamos para a SR 450, depois SR 11 e então a E70, e, ainda a A4 (rodovia Milão – Trieste). Passamos bem perto de Peschiera de Garda e fomos até Sirmione, balneário do Lago di Garda em que já estivéramos antes, mas – por ser domingo - estava absolutamente lotada. Não conseguimos lugar para estacionar. Ato contínuo, seguimos viagem.

 

A parada para almoço foi em um desses postos de parada na estrada, meio que lanche (paninis), pata podermos seguir viagem.

 

Foi um trajeto percorrido sem incidentes até o Terminal 1 do Aeroporto de Malpensa, onde largamos a Roberta para que pegasse seu voo de volta para sua casa em Barcelona. Nos despedimos imaginando quando seria nosso próximo encontro presencial, fizemos filminho da despedida e fomos para o nosso hotel, ali próximo. Havíamos reservado no Holiday Inn Aeroporto de Malpensa, perto do aeroporto, com estacionamento e café da manhã. Eram dois quartos contíguos, onde ficaram a Karina e a Mãe em um quarto e a Jacque, a Marina e eu em outro. Nos instalamos e decidimos sair para algumas compras de “final de festa”.


Nos despedindo da Roberta

 

Conversando com o funcionário da recepção, pedimos dicas de algum shopping center próximo, e ele nos recomendou o Gigante, supermercado e centro de compras ali perto. Era o que tinha, e decidimos ir até para conhecer. Era um grande supermercado mesmo, com algumas poucas lojas junto, nada muito diversificado. Ficamos um bom olhando as coisas do supermercado (sempre uma diversão fora do Brasil) e com as meninas fazendo as últimas compras antes de viagem de volta. Até cogitamos procurar algum outro shopping, mas desistimos. Resolvemos voltar para o hotel para depois sair novamente para jantar. Na hora de hora de sair do estacionamento do centro de compras foi quando aconteceu o acidente, que – infelizmente - teve uma vítima quase fatal.

 

O meu orgulho.

 

Ao sair do estacionamento, ao acessar a rampa para descer do segundo andar, ao fazer uma curva, já relaxado por ter passado por lugares muito mais estreitos, errei e raspei a lateral do carro em um corrimão de metal, fazendo um “rasgo”. Parei para avaliar o estrago apenas no estacionamento do hotel, e achei bem feio (e culpado e um péssimo motorista, sensação que eu sabia que iria “macular” minha impressão da viagem por alguns dias). 


Fazer o quê? 


Paciência.

 

“Abalado” pela barbeiragem, ainda saímos com o carro para jantar, e foi uma lenda encontrar um lugar que tivesse estacionamento em que eu me sentisse “confortável” em estacionar, traumatizado que eu estava. A dica de pizzaria que o meu irmão havia nos dado foi impossível por estar lotada. Acabamos num restaurante de motivação texana (?), o Old Wild West, comendo hamburgers. Voltamos para o hotel e dormimos bem, mesmo eu com meu orgulho ferido, e na manhã seguinte teria que entregar o carro e explicar o ocorrido. 

 

Segunda-feira, 20 de fevereiro, seria o dia de nossa volta ao Brasil.

 

Antes, porém havia uma franquia de $1660,00 (MIL, SEISCENTOS E SESSENTA EUROS) a ser paga.

 

Pois é...


Até.

terça-feira, maio 02, 2023

Perdidos Mães e Filhos (33)

 A Viagem (21).

 

Relembrando...

 

Já era aproximadamente 16h quando começamos a realmente subir a montanha, em direção ao Passo Sella, o ponto alto, em termos de altitude, do dia e da viagem, até onde iríamos para depois descermos e irmos para Meltina, como eu já disse, meio que no meio do nada.

 

Ortisei está situada a 1230m de altitude, e o Passo Sella a 2218m, e a distância que os separa é de pouco menos de dezessete quilômetros. Subiríamos, então, praticamente um mil metros numa distância relativamente curta, o que significa, estradas estreitas e várias tornantes.

 

A tornante, curva também chamada de torniquete ou curva de retorno, é a seção curvilínea de uma via rodoviária ou ferroviária, cuja projeção horizontal tem um ângulo central próximo a 180 °, com uma média similar a uma semicircunferência. Ela se faz necessária em caminhos que se juntam a lugares com uma grande diferença de altitude, para juntar duas linhas retas sem aumentar excessivamente a inclinação longitudinal. Também chamada de hairpin (e lembro da Fórmula 1) deriva do fato de que as duas curvas juntas por este tipo de curva possuem um padrão aproximadamente paralelo e, consequentemente, aqueles que seguem o padrão estão em cada retângulo na direção oposta à anterior, com a impressão de retornar ao ponto de partida....


No alto da montanha

 

De qualquer forma, independente disso, ou apesar disso, sempre que foi possível, e aconteceu algumas vezes, circulamos por esses caminhos e subimos a montanha. Foi o que fizemos essa vez, com um trânsito intenso e muita gente chegando e saindo das pistas de esqui. Subimos, com todo o cuidado até o Passo Sella.

 

No alto da montanha (2) 


O Passo Sella, passagem de montanha a 2218m de altitude, forma, junto com os Passos Pordoi, Gardena e Campolongo, um quadrângulo em volta do Grupo Sella, maciço montanhoso nos Dolomitas, no Südtirol. Ele conecta o Val Gardena (de onde vínhamos) com Canazei. É uma região lindíssima (mas sou suspeito, pelo meu fascínio pela montanha).

 

Chegamos lá pouco depois das 16h30 (a volta seria bem mais lenta).


Perdidos Mães e FIlhos
 

Uma infinidade de fotografias, individuais, em duplas, em grupo, apenas da paisagem, do final de tarde, afinal era inverno e a noite caia mais cedo. Estava frio, algo como 6ºC, e o vento baixava a sensação térmica. Ficamos um tempo na rua e decidimos, então, entrar para um café. O local escolhido, e único, foi o Hotel Maria Flora, situado exatamente ali, e é uma das possibilidades de estadia na região, e que serve de base para quem quer esquiar ou fazer trilhas (no verão). Tomamos chocolate quente, antes de começarmos o retorno montanha abaixo em direção à Ortisei e depois Bolzano, porque nosso destino para a noite era Meltina, cerca de meia hora de distância de Bolzano.  

 

O retorno foi bem mais demorado do que o esperado porque, além de nós, todos os turistas que haviam subido para as estações e/ou pistas de esqui da região retornavam para suas “bases” à medida que o final do dia se aproximava. Levamos um longo tempo para cruzar Ortisei, presos no trânsito. Quando conseguimos, já era noite.

 

Havia avisado por mensagem os proprietários da casa em que ficaríamos a provável hora em que chegaríamos, por volta das 20h, segundo nos informava o Waze, e eles disseram que tudo bem, mas que não estariam em casa (iam à missa, aparentemente). O percurso entre Passo Sella e Meltina tem cerca de 94km de distância, e acabamos levando duas horas, descendo a montanha e retornando à autoestrada A22 (Verona-Bennero) no sentido à Verona, praticamente entrando em Bolzano para então cruzar para o outro lado da rodovia e acessar a SS38 e depois a SP11 e novamente subir uma montanha, com as já conhecidas tornantes. À noite, sem grande iluminação e sem muitas habitações por esse caminho.

 

Por quê Meltina, você pode se perguntar.

 

Hospedagens alternativas, respondo eu. Mas, na verdade, quando começamos a procurar opções naquela região, entre Ortisei, Santa Cristina de Val Gardena e Selva di Val Gardena, todas as opções de hotéis estavam extremamente caras, afinal era um sábado em plena estação de esqui. Locais em que já ficáramos por preços razoáveis agora cobravam fortunas por uma noite de estadia. Durante minhas pesquisas, então, encontrei essa casa em tese mais ou menos isolada na montanha, mas não próxima às estações de esqui. Preço bom, uma casa inteira para nós. Poderíamos cozinhar e aproveitar o tempo lá. Só que, sim, não sabíamos absolutamente nada da cidade onde deveríamos ficar.

 

Só que estávamos chegando lá à noite, e o plano de parar em um supermercado no caminho para comprar o necessário para – se preciso – fazer um jantar e, também, para o café da manhã foi deixado de lado em virtude horário. O Gasserhof Chalets, situado na Via Meltina, 82, ficava na localidade de Vallesina, município de Meltina, na beira da estrada.

 

Entramos com o carro na propriedade e havia, em primeiro plano, uma casa principal e, ao fundo, dois chalés com vista para o que imaginei ser o vale, onde ficaríamos. Estava escuro. Desci do carro, e caminhei em direção à casa principal, que tinha uma luz acesa. Quase ao mesmo tempo saiu da casa um senhor que certamente tinha mais de setenta anos, e que certamente não falava inglês, apenas italiano e alemão. Por alguma razão que não sei explicar, lembrei do Helmut, o caseiro do sítio que o eu sogro possuía, vendida há muito tempo.

 

De alguma forma, como o meu italiano muito meia boca, conseguimos nos entender e ele explicou que a chave estava na porta do chalé em que estaria um bilhete com o meu nome. E me mostrou onde deixar o carro. Deu certo. Entramos chalé, que era bem confortável, tudo novo e de boa qualidade. Sobre a mesa, um espumante de boas-vindas. Havíamos chegado! Era hora de providenciarmos a janta.

 

O caminho até ali, pela estrada, não havia sido pródigo locais que parecessem movimentados. Aliás, tudo parecia deserto. Decidimos, naquele momento, após instalados, que a Jacque e eu iríamos procurar um local para jantarmos. Com a ajuda do aplicativo TripAdvisor, encontramos três locais com potencial de ser o escolhido para a janta. Dos três, dois estavam fechados. O terceiro, em uma rua paralela à estrada, estava aberto. Estacionamos o carro, descemos e entramos no lugar.

 

Logo na entrada, uma funcionária veio e perguntei se estava aberto. A menina disse que sim, mas quando eu falei para a Jacque que havíamos achado o lugar para jantar, a menina disse que, na verdade, eles iriam fechar, e a cozinha já estava fechada... Perguntei, então, se eu poderia comprar uma garrafa de vinho e duas de água. Sim, e compramos. Havia, além de dois ou três funcionários, uns dois clientes que bebiam sentados junto ao balcão, e pareciam se divertir – por alguma razão que não sei explicar – com a nossa situação.

 

Saímos dali e decidimos seguir até a verdadeira cidade de Meltina, alguns poucos quilômetros adiante de onde estávamos. Ali, certamente encontraríamos algum lugar para jantar num sábado à noite, afinal todo mundo (e nós, em especial, naquele momento) espera alguma coisa de um sábado à noite.

 

Nada, absolutamente nada.

 

Demos uma volta por toda cidade de Meltina, ou o que imaginamos ser essa cidade à noite e não encontramos nada nem ninguém, não havia nenhum estabelecimento aberto e nenhuma pessoa pelas ruas. Parei em frente a um posto policial, manobrei o carro e retornamos, entre incrédulos e derrotados de volta para o Gasserhof Chalets, onde os outros Perdidos nos esperavam. A noite seria de acampamento, improvisaríamos o jantar com o que tínhamos disponível entre o que havíamos trazido de nossa estada em Peschiera del Garda, uma garrafa de espumante, uma de vinho tinto e duas águas minerais, um com e outra sem gás.

 

Quando pensamos em comida improvisada de acampamento, ou mesmo dos tempos de ir de turma para a praia no inverno, pensamos em massa com sardinha, ou salsicha, ou mesmo massa na manteiga (tenho trauma dessa última). Mas tínhamos entre nós a Chef Jacqueline, e ela salvaria a noite. Aproveitando o que havíamos trazido do dia anterior, mais o que havíamos comprado em Ortisei, ela elaborou o menu do nosso jantar.

 

Risoto di funghi porcini com speck temperado com sal de trufas e regado com espumante.

 

Comida de acampamento 


Ficou ótimo. 

 

Comemos, tomamos o vinho, e rimos muito antes de ir dormir.

 

Amanhã seria o último dia de viagem, dia de retornar para Milão, pois a Roberta tinha seu voo de retorno para Barcelona no final da tarde, e nosso retorno seria na segunda-feira de manhã. Seria um dia de estrada, basicamente, e ficaríamos num hotel perto do aeroporto de Malpensa. Seria um dia meio sem graça, já terminando a viagem.

 

Mas foi o dia do acidente.

 

Até. 

domingo, abril 30, 2023

A Sopa (Perdidos Mãe e Filhos 32)

A Viagem (20).

 

Eu subi para o alto da montanha, para ver a planície, os homens pequeninos, a aldeia de longe, longe, longe, e pra esquecer Rosa, principalmente pra esquecer... não, não é verdade. Nem sei que é Rosa... deixa para lá...

 

A Montanha.

 

Como já falei outrora, tenho um enorme respeito e admiração pela montanha, desde – principalmente – a minha primeira e única vez em Turim. Os Alpes, em especial, são motivo de encantamento. E hoje seria o dia de subirmos a montanha. 

 

Sábado de carnaval. Acordamos, tomamos café da manhã no apartamento, organizamos nossas coisas e esperamos a responsável pelo apartamento chegar para fazermos o checkout. Após o checkout, saímos de Peschiera de Garda e seguimos em direção ao acesso à rodovia SS12 e depois E45/A22. Nosso rumo no sábado de carnaval era o norte, e a autoestrada A22 vai até a passagem de Brenner, já na fronteira da Itália com a Áustria, passando por Trento e Bolzano, entre outras cidades, na região chamada também de Südtirol (o Tirol do Sul). Ali, os idiomas “oficiais” são o italiano e o alemão.

 

Nossa primeira parada foi em uma estação de abastecimento ao norte da entrada de Trento, para tomar um café e usar banheiro. Após a parada, seguimos para o primeiro destino do dia: Verla di Giovo, a cidade onde – no fundo – parte da história dessa viagem (do grupo) começou. Foi de lá, em 1949, que Alfredo Rizzolli, pai da Karina e da Jacque, avô da Roberta e da Marina e meu sogro saiu rumo à Gênova e depois em um navio para o Brasil. Sem esse fato, a migração desse braço da família RIzzolli para o Brasil, e Porto Alegre como destino final após chegar por Santos, passar um tempo no Paraná e depois em Bento Gonçalves/RS, esse grupo não existiria, e essa história não seria contada.

 

Seria minha terceira vez em Verla, município (comune) de Giovo, localizada no Val di Cembra. Desde antes do Waze, sabíamos que, passando por Trento, deveríamos ir em direção à Lavis e a partir dali subir até Verla. Com o advento do GPS e/ou o Waze (melhor ainda), a chegada lá é bem fácil. Durante o caminho de subida passamos por diversos campos com parreiras, afinal a agricultura é a uma das principais, se não a principal, atividade econômica da cidade.


Chegando em Verla
 


A partir de Lavis, o trajeto até Verla é feito pela SS612 indo até chegar ao viaduto com a Via ai Molini, quando – ao invés de passar por baixo do mesmo – entramos no acesso à direita que vai nos levar ao centro de Verla. Logo após o viaduto ao qual não passamos por baixo, há um túnel que não existia nas primeiras vezes em que estive lá e que leva não sei para onde...  O acesso que pegamos nos leva à própria Via ai Molini por onde seguimos, entrando à esquerda na Via Principe Umberto e novamente à esquerda na Via dei Boscatti, junto à Igreja de Santa Maria Assunta, passando em frente ao cemitério e, subindo mais um pouco, em frente à Scuola di Giovo. Fomos até a Via del Dos Pules, onde paramos.

 

A Igreja ao fundo, vista do Dos Pules


Estávamos acima da pequena cidade, e a Karina e a Jacque lembravam do lugar porque havia ali um hotel, o Dos Pules, onde ficaram em uma visita no final dos anos 1980, quando foram conhecer a cidade natal do seu pai e conhecer os familiares locais. Havia ali um parque, com uma praça infantil, e o prédio do hotel agora estava abandonado, fechado. Observamos a vista, nos esticamos e alongamos um pouco, algumas fotografias, e fomos ao centro.

 

Retornamos pelo mesmo caminho até a esquina da Igreja de Santa Maria Assunta e viramos à esquerda na Via Principe Umberto, a principal de Verla. Paramos num estacionamento público e fomos caminhar. Como era meio-dia, as ruas estavam desertas. Elas tentaram ligar para Porto Alegre (eram 8h da manhã, hora de Brasilia), mas ninguém atendeu. Procuravam a casa onde meu sogro nascera e vivera até migrar para o Brasil, e fizeram vídeo e fotos em frente a casa para mostrar. 

 

Só que era a casa errada...

 

Descobrimos na volta que a casa não existia mais, pois havia sido reformada ou demolida. Valeu a intenção, certamente...


Não é essa casa...

 

Hora de seguir.

 

Nosso próximo destino, onde pretendíamos almoçar, era Ortisei, já na província de Bolzano (estávamos na província de Trento), cerca de 100km de onde estávamos. Saímos de Verla por Palú, e era hora de vermos neve. Até ali, nessa viagem, não tínhamos tido quase nenhum (ou nenhum mesmo) contato com neve, mas – como estávamos no inverno, e subindo os Alpes – tínhamos essa intenção.

 

Como falado, após Verla di Giovo, nosso plano era visitar Ortisei e – primeira ideia – percorrer a Grande Strada delle Dolimiti até Cortina D’Ampezzo e voltar, pois terminaríamos o dia em Meltina, cidade próxima à Bolzano, mas chegamos à conclusão de que não teríamos tempo de fazer todo esse trajeto. Decidimos, então, ir à Ortisei para almoçar e depois subir até o Passo Sella, de onde voltaríamos até Meltina. Certamente encontraríamos neve em alguns lugares nesses trajetos.

 

O trajeto de Verla até Ortisei, principalmente ao nos aproximarmos de Ortisei, foi realmente de crescente visão de montanhas e neve, tudo animado por música do Tirol, o tradicional yodel. Mas o que é yodel, afinal de contas? O yodel é uma forma de cantar, e consiste justamente em fazer uma quebra vocal de maneira intencional. Tal quebra pode ocorrer entre um registro e outro, ou até com a mesma nota, quando transita de firme para soprosa. Outra possibilidade é que isso aconteça entre notas diferentes de um mesmo registro. É o “yodelei-iô”, que se canta, que é típico de lá, dessa área que vai do Sul da Alemanha, Áustria e essa parte do norte da Itáia. Fomos ouvindo até chegar em Ortisei, onde – sim – havia neve.

 

Ortisei (St. Ulrich, em alemão) é uma estação de esqui de 4500 habitantes, cuja população aumenta muito no inverno devido às suas pistas de esqui e outros esportes de inverno. Como já falado, foi ali minha primeira experiência com temperaturas realmente negativas (-10ºC) na vida. A Jacque e eu havíamos dormido ali na noite de 23 de dezembro do ano 2000. O hotel era o Garni Snaltnerhof, na Piazza San Antonio, bem no centro da cidade, e jantado no restaurante no térreo do hotel.

 

Chegando agora ali, já mais do que na hora de almoçar, em rápida pesquisa escolhemos exatamente esse restaurante para comer... Foi uma boa refeição, de verdade, exceto para a Karina, que pediu algo como uma seleta de legumes e – segunda ela – parecia uma sopa bem rala para ser servida a crianças, e não de uma forma positiva... Após o almoço, por volta das 15h, saímos para visitar o pequeno centro de Ortisei e parar para comprar algumas lembrancinhas.

 

Ortisei


Paramos também em uma – podemos dizer – delicatessen, mistura de padaria, mercadinho de produtos típicos também junto ao hotel em que havíamos ficado em dezembro de 2000 para comprar alguns produtos para trazer para casa, como arroz com cogumelos para risoto, farinha de polenta, entre outros produtos, o que se revelaria providencial mais adiante naquele mesmo dia...

 

Já era aproximadamente 16h quando começamos a realmente subir a montanha, em direção ao Passo Sella, o ponto alto, em termos de altitude, do dia e da viagem, até onde iríamos para depois descermos e irmos para Meltina, como eu já disse, no meio do nada.

 

Nada mesmo.

 

A seguir.

 

Até.





sábado, abril 29, 2023

quinta-feira, abril 27, 2023

Perdidos Mães e Filhos (31)

A Viagem (19).

 

Veneza. Carnaval.

 

A origem do carnaval é incerta. Dizem que tem suas primeiras raízes na Antiguidade, entre o Egito e a Grécia, em uma comemoração popular que vibrava com a chegada da primavera. A festa marcava o fim do longo inverno e suas vegetações mortas, o renascer da vida. Também se associa carnaval com o carnis levale, ou carne vale, um período para as pessoas extravasarem seus desejos antes de iniciarem a Quaresma. A expressão significaria “retirar a carne” e representaria o carnaval exatamente como o momento de preparação para que os prazeres carnais fossem retirados precedendo a quaresma.

 

O famoso Carnaval de Veneza tem suas origens quando a nobreza da época se disfarçava com fantasias e máscaras com o objetivo de não serem reconhecidos e depois se misturavam com o povo para se divertir durante o festival. Desde então as máscaras são os elementos mais importantes deste carnaval. As máscaras do carnaval e os trajes que se usam são característicos do século XVIII, e são comuns as maschera nobile, ou seja, máscaras nobres, caretas brancas com roupa de seda negra e chapéu  de três pontas. Desde 1797 (!) foram sendo somadas outras cores aos trajes, embora as máscaras continuem a ser brancas, prateadas e douradas.


Maschera nobile 

Em 1797, Veneza passou a fazer parte do Reino Lombardo-Vêneto, quando Napoleão Bonaparte assinou o tratado de Campo Formio, e os festivais foram proibidos. No ano em seguinte, os austríacos tomaram conta da cidade. Os festejos de carnaval só foram teriam restabelecidos de forma oficial em 1980.

 

Bom, era sexta-feira, início de carnaval, e estamos a caminho de Veneza após tomar café da manhã em nosso apartamento em Peschiera del Garda. 

 

Cerca de centro e quarenta quilômetros separam Peschiera del Garda e Veneza, via A4/E70, rodovia com pedágio, depois acessando a Tangenziale di Mestre e a A57 em direção à Veneza/aeroporto, para então pegar a saída SS309, a Rotonda Romea e a Via della Libertà (SR11) até a Ponte della Libertà, por onde entramos na cidade. Ali estão os grandes estacionamentos onde as pessoas deixam os carros para ir ao “centro” de Veneza, a Piazza San Marco.

 

Por pouco conhecimento de geografia local, desde a primeira vez que estivera em Veneza, no começo dos anos 2000, tivera a impressão de que deixáramos o carro em Mestre, cidade vizinha de Veneza, de onde pegáramos o ferry até a Piazza San Marco. Anos depois, já em 2014, aprendi que íamos de carro até a ilha mesmo, deixávamos o carro no estacionamento, e pegávamos o ferry. Ou deixávamos o carro e poderíamos ir a pé, a partir do – acho – extremo oeste da cidade. Dessa forma, íamos visitando Veneza de um estacionamento até a Piazza San Marco.

 

Descobri isso ao procurar um hotel próximo de um estacionamento, e percebi que podia ir com carro até quase o hotel, que era na beira de um canal, e podíamos ir caminhando dele até a Piazza San Marco. Aquela vez, ficamos no Hotel Arlechino, próximo a Piazzale Roma. Mais interessante, contudo, ao menos para mim, foi que – depois da nossa viagem – revisitando o nosso roteiro para esse relato, aprendi que o Parking Tronchetto, onde deixamos o carro (e já havia deixado em viagens em 2000 e 2003) fica em uma ilha artificial de nome Tronchetto, criada em 1960, também chamada Isola Nuova, uma informação sem utilidade prática, mas curiosa, no mínimo.

 

Deixamos o carro estacionamento e iniciamos nosso dia em Veneza cruzando a Ponte Tre Ponti, e seguindo por via estreitas, com canais que – naquele momento estavam com o nível de água normal (notícias de estarem secos apareceriam na imprensa uma semana depois, quando já estávamos em casa). Muitas pessoas pelas ruas, e - à medida que nos aproximávamos da Piazza San Marco – mais e mais pessoas com as tradicionais fantasias de carnaval. Sem pressa, passeamos parando para fotos em alguns dos quase infinitos pontos muito fotogênicos do caminho.

 

Por Veneza


Quando decidimos almoçar, e enquanto pensávamos em possibilidades, olhei para cima e vi uma placa e em uma fechada que dizia ‘Pizza e Jazz’. Foi o suficiente para chamar minha atenção.  Fomos até o local para conferir, e valeu a pena. 

 

Era a Pizzeria e Jazz Club 900.


Localizado na Campiello del Sansoni, número 900, é – como o nome diz – uma pizzaria e um clube de jazz. À noite, tem apresentações de música. Como fomos almoçar, apenas música ambiente, jazz (óbvio) e um clima meio ‘Meia Noite em Paris’, o filme do Woody Allen. Muito legal, além de uma das melhores pizzas que comemos em toda viagem. 

 

Após o almoço, seguimos nossa jornada em direção Piazza San Marco, a mais importante de Veneza. Na verdade, é a única piazza de Veneza, pois as outras são piazzales ou campos... É considerada uma das praças mais bonitas do mundo, e Napoleão Bonaparte a definiu como “O Salão mais Bonito da Europa”. Contudo, é o lugar mais baixo de Veneza e, quando sobem as águas é o primeiro lugar a ficar abaixo d’água. É na praça, ainda que está a Basílica de São Marco, além do Palácio Ducal, o campanário e a Torre dell’Orologio. No verão, a praça fica movimentada, com muitas pessoas circulando por entre os cafés com música ao vivo, e a noite vai longe. No carnaval, também estava cheia de vida.

 

"Carnavalzinho"


À medida que nos aproximávamos dela, aumentava – claro – o movimento de pessoas e, mais, de pessoas fantasiadas que circulavam por entre os passantes, que paravam e tiravam fotos. Todas aqueles trajes do século XVIII, máscaras do carnaval (as já faladas maschera nobile) ou seja, máscaras nobres, caretas brancas com roupa de seda negra e chapéu de três pontas. Havia, realmente, muita gente na praça, muitos em fantasias, outros sem, mas em um clima de carnaval. Havia mais de um palco com diferentes apresentações teatrais também.

 

Para não parecermos estranhos, compramos máscaras para todos e nos juntamos à festa. Também compramos confetes, que – de tempos em tempos – eram jogados para cima enquanto a Roberta e a Marina cantavam “carnavalzinho, carnavalzinho” no ritmo de ‘Mamãe eu quero”, e dançavam em círculos. Era, sem dúvidas, engraçados.


Carnaval


Circulamos pela praça, e seguimos pela Riva degli Schiavoni, passando pela Ponte dos Suspiros e por onde os barcos de transporte chegam e saem. Caminhamos até encontrar um café para fazer uma pausa. Nesse momento, ocorreu um fenômeno semelhante ao que ocorre em Gramado, onde – em determinada hora do dia – baixa uma neblina de aspecto invernal, não importando se é verão ou inverno (e que sempre digo que é artificial, que deve haver uma máquina que eles ligam e faz isso). 

 

As gôndolas


Como eu dizia, nesse momento a temperatura caiu e baixou uma neblina densa, o que foi perfeito por combinar com o chocolate quente que havíamos pedido para tomar. Após o café, iniciamos o longo caminho de retorno para o carro, com paradas em lojinhas para as meninas comprarem lembrancinhas... A neblina era tanta, e a noite caía, que quase nos perdemos quando íamos em para o estacionamento, e a volta para Peschiera foi com atenção redobrada devido a ela.

 

A neblina


Decididos a jantar em casa, fomos até o supermercado do dia anterior para comprar o necessário, mas chegamos minutos depois de fechar. Corremos até um outro, e conseguimos (a menina do caixa inclusive era brasileira).

 

A Jacque fez o jantar. A Roberta seguiu com seu home office.

 

Fomos dormir relativamente cedo, pois o dia seguinte seria de subir a montanha e terminar no que imaginávamos seria “no meio do nada”, sem ter ideia de quão verdadeiro seria esse “nada”...    

 

Até.