Não costumo falar de futebol.
Principalmente porque – como costumo dizer - não gosto de futebol, eu torço para o Inter, o que são coisas diferentes. O que significa que não costumo parar para olhar jogos de futebol em geral, e até os do Inter não tenho assistido muito (assisto enquanto está bem, se não está não vejo).
Desenvolvi um atitude de não sofrimento com relação ao tema. Se meu time ganha, ótimo, consumo conteúdos relacionados (jornal, rádio, You Tube, etc). Se não está bem, apenas não estou nem aí. Ou entro em negação, se preferirem. O resultado é que não sofro, como acontecia no passado, quando eu era mais novo e mais ingênuo.
Passei a valorizar, também, a jornada. Se meu time faz bons jogos, mas – no final – não é campeão, puxa, que merda, queria ser campeão, mas me diverti enquanto estava legal de assistir. Tem um quê de racionalidade nisso, por isso me intitulei há alguns anos como ‘O Pior Torcedor”.
Em Copas do Mundo, por outro lado, estou bem mais sujeito a assistir a jogos nos quais não tenho interesse direto, curtir o ‘espetáculo’. O fato de, ao longo do tempo, a seleção brasileira ter se desconectado com o torcedor, não impede que eu a assista e até torça, mas outros jogos também são (até mais) legais de assistir.
Chegamos ao final da Copa do Mundo, jogarão Argentina e Espanha, e todos estão se posicionando quanto a quem torcer e – mais importante – quem secar. E é aí que é interessante observar de fora isso tudo, e pensar a respeito. A pender para o lado da rivalidade com nossos vizinhos ou pesaria mais a proximidade, principalmente aqui no Sul do Mundo?
Eu não sei.
Tenho argumentos para as duas posições, e são esportivos e humanos. Não querer que mais um adversário seja quatro vezes campeão do mundo, o que seria mais uma seleção perto do ‘penta’, valorizar o bom futebol jogado pela Espanha, ou ainda focar no Messi, um dos maiores da história? Bons argumentos, bons argumentos para ambos os lado. O que não existe – para mim, para mim – é essa coisa de não gostar da Argentina por ser Argentina. Não sou eu, não sou assim.
Aliás, eu curto a Argentina. Gostei muito e fui bem recebido em todas as vezes que estive lá. Mesmo em Buenos Aires, mesmo com os portenhos. Apenas boas lembranças. A proximidade geográfica, o clima parecido, somos todos gauchos.
Pensei que essa rivalidade fosse algo criado ao longo do tempo pela imprensa do centro do país, mas estava errado. Vem bem de antes, antes ainda do futebol.
Começou com os colonizadores, Portugal e Espanha, e a disputa pela região do Rio da Prata. A Colônia de Sacramento, enclave português em frente à Buenos Aires, levou – depois de Brasil e Argentina tornarem-se independentes - à Guerra da Cisplatina, cujo resultado foi que nenhum dos dois ficou com ela, com a criação do Uruguai.
No período da ditaduras de Brasil e Argentina, houve algo como uma “Guerra Fria”, com os dois países paranoicos com uma possível invasão militar um do outro. Com o tempo, e o surgimento do Mercosul, essa rivalidade migrou para o futebol, e dura – de certa forma – ainda hoje. Estilos diferentes, modos de ver o jogo.
Aqui no Sul do Mundo, somos mais próximos e parecidos com os argentinos (geográfica e animicamente) do que com o resto do Brasil. Aqui faz frio, e até neva.
Quanto ao jogo de hoje, eu não sei para quem vou torcer.
E você?
Até.
