sábado, junho 15, 2024

Sábado (e Eu, escritor)

Autografando 'A Sopa no Exílio', o livro
 

E o blog virou livro depois de 20 anos
Que momento, que momento.

Bom sábado a todos.

Até.

domingo, junho 09, 2024

A Sopa

Tudo isso (3). 


Chegamos em Miami terça-feira à tarde, cerca de 16 horas antes do voo que nos levaria até Guarulhos e depois Florianópolis, de onde sairíamos na quinta-feira de manhã em um carro alugado rumo ao sul, rumo à Porto Alegre, que vivia situação de calamidade pública devido às inundações decorrentes de uma série de circunstâncias que – como em um acidente aéreo – ocorreram simultaneamente ou em sequência para que o desastre ocorresse. Chuvas MUITO acima da média, elevações dos rios que desaguam no Guaíba, falta de manutenção dos sistemas de prevenção às enchentes ao longo de muitos anos, falhas nas bombas de drenagem pelas cidades, entre outros.

 

Nós, a salvo disso, em outro hemisfério, acompanhávamos angustiados os acontecimentos, com a sensação de impotência de quem está longe dos familiares, das pessoas e dos lugares que nos são caros e que estariam sendo afetados. Uma irracional, mas inevitável, culpa.

 

Retornamos o carro na locadora e voltamos caminhando para o hotel, que ficava realmente ao lado do aeroporto, em Miami. A viagem havia acabado, agora só esperávamos a hora de iniciar a volta. Pedimos uma pizza no quarto mesmo, que comemos com um vinho enquanto arrumávamos nossas coisas e acompanhávamos as notícias pela televisão.

 

O voo Miami – São Paulo, que saiu às 11h da quarta-feira, estava com muitos lugares vagos, e conseguimos ficar em assentos de saída de emergência. Vou diurno tranquilo. Pousamos em GRU com pouco mais de duas horas de tempo de conexão, que deveria ser tempo suficiente, mas não seria tão simples como esperado.

 

Primeiro, o desembarque - remoto, maldição! – demorou bem mais tempo do que o previsto. Segundo, as malas nos atrasaram um pouco mais, aumentando a angústia. Antes, ainda, enquanto estávamos embarcados no ônibus que nos levaria até o desembarque, uma senhora de idade indefinida (para mim, para mim), puxou assunto e, quando soube que iríamos para Florianópolis, pediu para ficar junto conosco para “não se perder”. Tudo certo.

 

Seguimos juntos no desembarque, a esperamos retirar sua bagagem e fomos passar pela alfândega. Nesses trajetos, conversando com a Jacque, ele havia contado que era “terapeuta”, mas não diplomada, que era “sensitiva” e que viajava o mundo para atender pacientes. Eu apenas ouvia a conversa, sem participar. Já com nossas malas, ao passar pelo funcionário da alfândega, fez algum comentário que não ouvi, mas ele na hora pediu para ela passar para a revista de malas e perguntou se estávamos juntos. Ela disse que sim, no que eu disse que NÃO, o que não adiantou, fomos, a Jacque e eu, encaminhados para uma nova fila, para a revista, junto a ela.

 

A minha preocupação não era a revista, era o tempo, que passava rápido e se aproximava a hora do embarque para Florianópolis. Pior foi que, esperado que nossas malas passassem pelo raio-x, a “terapeuta” comentou que estava trazendo de volta ao Brasil vinte e dois mil dólares (!) e chegou a sugerir que a Jacque carregasse parte desse dinheiro (!!). Claro que não aceitamos...

 

Foi corrido, mas conseguimos chegar em tempo e embarcar para Florianópolis. Voo tranquilo, chegamos perto da meia-noite em nosso destino. Ainda tentei retirar o carro reservado naquela hora mesmo, mas não foi possível: teria que voltar de manhã ao aeroporto para buscá-lo. De Uber, fomos até o hotel no centro, onde dormimos.

 

Na manhã seguinte, após o café da manhã, voltei para o aeroporto onde retirei o carro. De volta até o hotel, por volta das 9h30 saímos de Florianópolis rumo ao Rio Grande do Sul. A primeira parada foi em um supermercado para comprar água para levar para casa e para quem precisasse.

 

Ainda pararíamos, no trajeto de volta, para comprar cobertores, travesseiros e outros itens para doar aos abrigos montados pelo RS. Com a sensação de atraso, começávamos na prática a ajudar pelo menos um pouco quem estava em necessidade. Entramos no RS com o carro carregado de donativos.

 

Conseguimos chegar em casa no final da quinta-feira, 09/05, dia que era aniversário do meu pai, que nasceu justamente durante a famosa enchente de 1941, e que não viveu – para o bem e para o mal – para ver Porto Alegre novamente embaixo d’água...

Tudo terminado?

 

Ainda não. Teria que devolver o carro alugado em Gravataí, pois as agências da locadora em Porto Alegre estavam sem funcionar, na manhã seguinte.

 

Começava outra epopeia.

 

Até.


sábado, junho 08, 2024

Sábado (e um momento lindo)’


Quinta-feira passada.
Lançamento do livro “A Sopa no Exílio”.
Meus amores.

Que momento, que momento. 

Até.
 

domingo, junho 02, 2024

A Sopa

Tudo isso (2). 

Saíramos de Nashville e, em um longo dia de estrada com paradas regulares para caminhar um pouco, fazer uns alongamentos, ir ao banheiro, comprar algum lanche ou abastecer, rodáramos cerca de mil de cem quilômetros até Orlando, na Flórida. Já noite, ainda antes de chegarmos, recebêramos uma mensagem da LATAM cancelando nosso voo para Porto Alegre, cujo aeroporto estava – como todos sabem – embaixo d’água. Naquele momento, não havia nada que pudéssemos fazer.

 

Chegamos em Orlando próximo às 23h e fomos direto ao hotel em que desejávamos ficar, por “razões sentimentais”: o Cabana Bay Resort, no complexo da Universal, onde ficáramos em 2017 e 2019. Chegando lá, a decepção: estava lotado. Ficaríamos duas noites, de sábado para domingo e domingo para segunda-feira, quando voltaríamos para Miami para nosso voo agora cancelado. Sem possibilidade de ficar ali, pesquisamos no Booking.com e escolhemos outro hotel, não muito longe dali, de preço em conta, o Best Western Orlando Gateway.

 

Fizemos o checkin e fomos dormir, afinal havíamos jantado uma pizza no caminho, comprada em uma pizzaria no meio do nada em uma parada que fizéramos mais cedo naquela noite. Era de descansar para o dia seguinte, ainda sem saber como voltaríamos para casa na semana que viria.

 

Domingo, em Orlando, sem termos como voltar para casa antes de terça ou quarta-feira, optamos por ir a um parque temático, e o escolhido foi o Magic Kingdom, da Disney. Acordamos relativamente cedo e fomos para o parque, onde tomamos café da manhã. Manhã de primavera, tempo bom e temperatura agradável: muitas pessoas no parque, como esperado. 

 

Sempre é bom visitar os parques da Disney, óbvio, mas essa vez teve um gosto meio amargo, principalmente porque fiquei boa parte do dia trocando mensagens com a LATAM tentando resolver a questão do nosso retorno. Aproveitamos, sim, mas fiquei em boa parte focado em responder e esperar o retorno deles. Chegou um momento em que me disseram que teria que ligar para o atendimento, o que não consegui fazer. Voltei às mensagens e, já no final da tarde, enquanto na fila para uma das atrações (Peter Pan, eu acho), recebi proposta de um voo 24h depois, mas que – ao invés de ir para GRU com conexão em Bogotá – iria direto de Miami para GRU e de lá, para Florianópolis, aonde chegaria na madrugada de quarta para quinta-feira.

 

Topamos.

 

Ao retornar para o hotel, já tarde da noite, consegui reservar um hotel em Florianópolis para quando chegássemos e um carro, que usaríamos para fazer o trecho final entre Florianópolis e Porto Alegre. Tudo resolvido. Foi dormir mais tranquilo.

 

Teríamos um dia a mais nos Estados Unidos, e decidimos ficar em Orlando. Saímos do hotel, carregamos o carro, e fomos passear. Paramos em um outlet, onde tomamos café da manhã, para comprar alguns presentes e verificar se havia alguma coisa que “valesse à pena” comprar. Não me interessei por nada, o que é uma prova de que estava realmente tenso com relação ao que acontecia no RS.

 

Após o almoço, tentamos novamente e conseguimos ficar no Cabana Bay, um lugar familiar e de boas lembranças. À noite, fomos andando até o Universal CityWalk, onde jantamos no Bubba Gump, temático do filme Forest Gump. Voltamos ao hotel porque – no dia seguinte – voltaríamos para Miami para devolver o carro e na quarta-feira pela manhã, iniciar a volta ao Brasil.

 

As coisas já estavam organizadas.

 

Era quase hora de voltar para casa.

 

Até. 

sábado, junho 01, 2024

Sábado (e é amanhã!)

 


A partir das 10h, ao vivo no You Tube e presencialmente na School of Rock Benjamin POA.

Vai ser legal, e pretendemos ajudar quantos for possível.

Abraço!

domingo, maio 26, 2024

A Sopa

Tudo isso. 

O quê falar?

 

Dia vinte e sete de abril de manhã, quando embarcamos em Porto Alegre em direção à Miami/USA, com uma conexão em Lima, no Peru, a previsão do tempo para a capital do Rio Grande do Sul era de chuva toda a semana seguinte. Seria uma semana cinza e úmida, imaginava. Em absolutamente nenhum cenário, em minha ingenuidade leiga, o que aconteceu no estado se encaixaria como possível.

 

Estávamos em Nashville, Tenesse, quando o mundo desabou sobre o RS. E, à medida que a gravidade da situação foi sendo entendida, a sensação de angústia, impotência e (uma irracional) culpa por não estar em casa foi crescendo. Quando, da volta, perguntado sobre como havia sido a viagem, respondi que muito boa, mas muito ruim também. Por tudo o que aconteceu, está acontecendo, e ainda vai acontecer. Vamos longe nisso.

 

Antes, a viagem.

 

Como eu dizia, saímos de Porto Alegre em um sábado de manhã rumo à Lima e depois Miami, em dois voos de cerca de 5 horas cada com aproximadamente duas horas e pouco de tempo espera em Lima. Chegamos em Miami por volta das 20h de sábado, hora local. Peguei o carro reservado na locadora, e fomos para um hotel próximo ao aeroporto, onde ficamos essa primeira noite de viagem.

 

Domingo pela manhã, tomamos café em Miami, na La Boulangerie Boul'Mich, antes de pegar a estrada e seguirmos por entre os Everglades até Naples, a 200km de distância, onde fomos visitar as nossas queridas amigas Dani e Lu Casagrande e famílias, que moram lá, e passar o dia juntos. Certamente foi um dos melhores momentos da viagem. Fomos recebidos com muito carinho, fomos “mimados” (desde o churrasco de almoço até os presentes recebidos), praticamente “carregados no colo”. Foi um momento feliz, de se sentir em casa. Reforçou (uma vez mais) uma forte conexão que existe entre nós. Queriam que ficássemos mais tempo, mas não podíamos, infelizmente. A viagem tinha um propósito de trabalho, e a visita a elas foi um presente que nos demos. 

 

Nosso destino era Nashville, no Tenesse, onde ocorreria a convenção da School of Rock, franquia de escola de música com sedes em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, e que sou um dos sócios da unidade de Porto Alegre, como quem me lê já sabe. Estávamos indo os dois sócios e nossas respectivas acompanhantes, mas com logísticas e roteiros diferentes. O Thiago e a Bianca haviam saído dois dias antes e ido para a Costa Oeste, Los Angeles e San Diego, de onde pegariam um voo para Nashville. A Jacque e eu, por outro lado – literalmente – havíamos ido pela Costa Leste, Miami e – de carro – Naples e então até Nashville, onde todos nos encontraríamos na terça-feira, 30 de abril, porque as atividades iniciariam em 1º de maio.

 

Segunda-feira, 29 de abril, saímos de Naples e começamos nossa jornada de 1.525km até Nashville, a ser feita em dois dias. Fomos de Naples a Clearwater, onde paramos para almoçar, e depois pequena parada em um shopping próximo a Gainsville, antes de nosso destino do primeiro dia, Albany, já na Georgia, aonde chegamos no final do dia.

 

Parecia uma cidade deserta, com poucas opções (ao menos na região por onde circulávamos, claro) e – ao parar o carro e pesquisar opções no Booking.com – e escolhemos o Hilton Garden Inn, de preço razoável e, por coincidência, exatamente em frente ao Ray Charles Memorial, um parque em homenagem ao músico. Muito legal! Jantamos no hotel, e fomos descansar, porque ainda faltavam quase 700km de estrada.

 

O dia seguinte foi novamente de estrada, passando por Atlanta e seu trânsito complicado, saindo da Georgia e entrando no Tenesse. Estradas boas, foi tranquilo, inclusive com uma parada em um outlet na Georgia para almoçar e umas pequenas compras...

 

Chegamos em Nashville por volta das 19h30 de terça-feira dia 30/04 e, após deixar as malas no apartamento (Airbnb) em que ficaríamos juntos com o Thiago e a Bianca, fomos encontrá-los em um sports bar bem próximo de onde estávamos. No dia seguinte, pela manhã visitamos o Country Music Hall of Fame and Museum e, também, o RCA Studio B, estúdio histórico do qual falo outro dia. Quinta e sexta-feira foram de trabalho, como congressista. 


Enquanto estávamos em Nashville, acompanhávamos de longe as notícias sobre as chuvas e a enchente que começavam a se agravar no Rio Grande do Sul. Quando fecharam o aeroporto temporariamente por alguns dias, ainda tínhamos a convicção/esperança de que até a nossa volta as águas já teriam baixado. A distância, naquele momento, não nos permitia ter uma visão completa do que estava acontecendo.

 

Terminada a convenção, sexta à noite, havíamos programado para sábado de manhã o início da volta para Miami, de onde embarcaríamos originalmente na terça-feira seguinte para um voo que sairia de Miami, fariam conexões em Bogotá e Guarulhos e estava previsto para chegar em Porto Alegre na quarta-feira dia 08 de maio próximo ao meio-dia. Nos despedimos do Thiago e da Bianca ao deixá-los no hotel onde ocorrera a convenção e iniciamos nossa viagem de retorno.

 

Tínhamos três dias inteiros para chegar no aeroporto de Miami para devolver o carro e embarcar. E, no meio do caminho, entre nós e Miami, estava Orlando. O pensamento era – originalmente – e se desse tempo, obviamente, parar em Orlando ao menos uma noite. Saímos de Nashville, paramos para tomar café, e começamos a viagem.

 

Eu estava preocupado com o fato de dirigir por muitas horas porque estava, desde o trajeto de ida, após a parada em Albany, com dor na perna direita ao caminhar e conforme o movimento que fizesse. Em silêncio, estava preocupado com minha história de hérnia de disco operada há pouco mais de um ano. E teria que dirigir mais de 1500km para devolver o carro antes do voo de volta. Poderia ser uma viagem difícil, pelas muitas horas de direção, afinal a Jacque não dirige.

 

O carro, um sedã Dodge Charger vermelho (a Jacque – que não gosta de sedãs - implicou com ele desde o início), se revelou, após ajeitar a inclinação do banco e a posição para trás, praticamente um assento de classe executiva. Confortável, e com estradas ótimas, revelei para a Jacque uma ideia que havia tido na noite anterior e ela topou: faríamos Nashville a Orlando direto, com pequenas paradas no trajeto. De onde estávamos, ainda faltavam 840km, dos 1100 totais. Seria um longo dia de estrada, mas ganharíamos um dia e poderíamos aproveitar Orlando no domingo. 

 

Tudo ia bem até recebermos uma mensagem da LATAM cancelando nosso voo de volta para casa. Isso no final do dia de sábado. Naquele momento não havia nada a ser feito de onde estávamos, na estrada, entre a Geórgia e a Flórida. Tudo começaria a ser resolvido no dia seguinte.

 

Estava recém começando toda a função de retornarmos para casa em meio à maior tragédia climática da história do Brasil.

  

Na sequência.

 

Até.

sábado, maio 25, 2024

Sábado (e Qual é o Tom?)


 

    Domingo, 02/06, a partir das 10h. Online e presencial.

    Mais detalhes logo, logo.


    Até.