Bom final de semana a todos.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
Assumi.
Semestre novo, vida nova.
Vai ser assim, a partir de agora. Vou dividir o meu ano em duas partes que serão bem divididas, vou zerar o meu calendário de projetos e expectativas a cada seis meses. Não decidi até agora se vou fazer algum tipo de celebração da passagem de semestre, da mesma forma que não sei se celebrarei um aniversário a cada novo ciclo. Aumentar minha idade duas vezes por ano não parece a melhor estratégia...
Por outro lado, o meu foco atual é outro. Preciso, quero, cada vez mais, viver o presente, estar presente. Há um tempo, superei viver do ou viver no passado (menos quanto ao café, que alterno entre o passado e o espresso). A questão é aprender a viver em um balanço adequado entre o presente e o futuro. Como falei, estar presente, aproveitar o presente, ao invés de antecipar as angústias de um possível futuro. Planejá-lo, sim, projetá-lo, mas o que for feito agora é o que determinará o que virá.
Preparando o futuro, mas vivendo muito o agora.
Até.
Essa não é uma crônica motivacional.
Poderia ser, contudo. Tenho, por vezes, essa coisa meio, assim, coach. Acontece quando tenho algum tipo de epifania e percebo, ou me dou conta, de algo que pode mudar o forma que vejo as coisas, a forma como encaro o mundo, ou a vida.
Todo final e todo início de ano eu tenho a ideia de recomeço, de zerar as coisas, “recomeçar do zero”. Novo ano, vida nova. Deixar para lá o que precisa ser deixado para trás, começar um novo momento, um novo eu. Sei que não sou o único, que isso não é inédito, e está tudo bem.
Pois bem.
Está terminando o primeiro semestre de dois mil e vinte seis. Tem sido um ano desafiador, confesso. Chegando em sua metade, me vi semana passada olhando para a segunda parte do ano e vendo como uma folha em branca cheia de possibilidades. Por que então não zerar o cronômetro após meio ano? Iniciar julho como se fosse um novo momento de vida. Ou mesmo a cada início de mês? Ou – extremo – ver cada manhã, cada dia que começa como um novo mundo de probabilidades em frente?
Não...
Essa não é uma crônica motivacional.
Até.
Uma pergunta que é feita com frequência, não necessariamente para mim, é sobre o que eu (ou quem quer que seja) faria na vida se dinheiro não fosse uma variável a ser considerada. Algo como, “se não precisasse de dinheiro para sobreviver, o que você faria, quem você seria?”. Isso diz muito sobre como vai a vida (de cada um).
Essa questão, ou dilema, é da mesma natureza daquela relacionada a uma hipotética volta ao passado para mudar algo feito, dito, ou não feito, não dito. Sempre foi tranquilo para mim: eu não mudaria nada no passado para não correr o risco de não estar onde estou e com quem estou na vida. Não mudaria o passado para não afetar o presente, não correria o risco de uma realidade paralela diferente da que vivo. Entendo que não é exatamente a mesma coisa.
Porém...
Não consigo não pensar nisso quando a pergunta aparece, e mesmo que a questão financeira seja primordial, básica e urgente para todos, ou a maioria de nós, pensar em que eu seria, ou o que eu faria se tirássemos o dinheiro da equação, me deixa tranquilo perceber que eu seria quem sou, faria o que faço e viveria como vivo.
Humildemente, sigo.
Inverno.
Nunca tive aquela coisa de ‘não gostar’ do inverno, ou do verão, que seja, como alguns (muitos?) costumam manifestar com ênfase. Minhas preferências, digamos assim, já variaram ao longo do tempo. Mas não gostar de uma estação inteira, um quarto do ano, é muita coisa (para mim, para mim).
Eu prefiro, confesso, os dias longos de temperaturas amenas, usar camisetas, bebidas geladas e estar ao ar livre. Prefiro sair do trabalho e ainda ter dia claro pela frente, o que me torna favorável ao saudoso horário de verão. O inverno, contudo, tem suas (muitas) características positivas, que aprecio também. E olha que nem falo do consultório, que claramente prefere o inverno...
É a estação da introspecção, dos silêncios, do dormir mais e melhor, mas também dos encontros, das sopas, das comidas quentes, das conversas em torno do fogo. Do vinho, do dividir o pão. Enquanto o verão é o tempo da extroversão, o inverno é o momento de estarmos próximos, reflexivos e aquecidos.
Durante muito tempo, procuramos, a Jacque e eu, viajar para o inverno, em busca da neve, dos dias curtos e noites longas. Uma das grandes férias que tivemos, há mais de vinte anos, foi para a montanha, no norte da Itália, e dias olhando a neve lá fora enquanto assistíamos às Olimpíadas de inverno na televisão. Claramente preferíamos o inverno.
O que mudou depois que morei no Canadá, onde o inverno – muito mais que frio, que já é muito – é longo, foi que passei a gostar muito mais do verão do que antes, sem desmerecer o inverno, claro. Tudo a seu tempo, curtindo cada momento.
E sopas, muitas sopas.
Até.