sexta-feira, agosto 21, 2026

Errei

Ontem cedo, no trânsito, saindo de casa, fechei um carro que estava logo atrás de mim. Foi um vacilo, um erro, um descuido, uma afobação. Estava distraído. Logo eu, que procuro ser o mais correto e cortês no trânsito, logo eu, que me incomodo ao testemunhar as pessoas cometendo infrações voluntariamente pelas ruas diariamente. Logo eu...

 

Não tem justificativa.

 

Não provoquei nenhum acidente, não interrompi o trânsito, não houve consequências aparentes, exceto irritar – justificadamente – o motorista que foi fechado justamente ali, na esquina da André Puente com a Ramiro Barcelos. O nosso caminho era em parte o mesmo, então ele foi atrás de mim uma parte do caminho até passar ao meu lado, lentamente, baixar o vidro e me olhar com ares de reprovação, no que eu, atrás do vidro com película, apenas fiz sinal de me desculpar, de que eu havia errado. O pior: ao me desculpar, constrangido, eu o reconheci. Vizinho de rua, figura conhecida do rádio gaúcho, a quem ouço com frequência. Já estivemos juntos em eventos, mas sei que ele não lembra de mim.

 

O que não faz diferença no fato de que eu errei no trânsito e tentei me desculpar como faria com qualquer outro motorista a quem eu tivesse causado algum desconforto. Entendo a irritação dele ao ser ‘fechado’, porque eu também me incomodo quando acontece comigo, e é por isso que procuro sempre dirigir com todo o cuidado do mundo.

 

Ontem não, ontem eu vacilei, ontem eu errei...


Até. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Dezoito

Há muitos – muitos mesmo - anos, ouvi – provavelmente – em aula que nossas artérias começavam e “envelhecer” aos dezoitos anos de idade. Nem sei mesmo se era isso, mas foi a mensagem que gravei. Fui para casa e escrevi um poema que terminava com ‘... a vida acaba aos dezoito’.

 

Bom, a Marina completa dezoito anos hoje.

 

E preciso dizer que aprendi, desde que escrevi o tal poema, que a vida não acaba – evidentemente – quando completamos essa idade, apesar desta ser a melhor fase de todas. Assim como os vinte serão a melhor fase de todas, e depois os vinte e cinco, os trinta, os trinta e cinco anos e assim por diante. A melhor fase da vida é agora, é hoje.

 

A melhor idade é a que estamos no momento.

 

Posso te dizer, além disso, de que a vida é melhor quando vivemos no presente, não presos ao que passou e não apenas na expectativa do que virá. O que virá depende exclusivamente do que fazemos hoje, de como vivemos o agora. A vida é melhor hoje do que ontem, e amanhã será melhor.

 

E preciso te dizer mais: contigo, filha, a vida é cada dia uma surpresa boa e uma felicidade. Somos muito felizes contigo e também por tua causa.

 

Feliz Aniversário.


Te amo. 

quarta-feira, agosto 19, 2026

Quieto, vendo a banda passar

É melhor ser feliz do que ter razão.

 

Acho que a expressão é essa, com variações do tipo ‘é melhor beijar do que ter razão’, por exemplo, mas a mensagem é clara: existem situações em que não vale à pena se indispor com outros, mesmo que estejam errados, ou que insistam em que tudo seja exatamente do jeito que querem, se não ficarão como crianças mimadas. Talvez até se joguem no chão e esperneiem, não sei, não tenho ficado para testemunhar...

 

O fato é que tem brigas que não valem serem compradas. Quase nada, ou muito pouca coisa, na vida é tão importante - e estou ainda aprendendo - a ponto de nos “obrigar” a “lutar” por ela. Hoje em dia, eu sei quais são as brigas que quero comprar. As outras, deixo para os outros.

 

Fico quieto, dou um passo atrás, deixo que discutam. Se parece importante para elas, quem sou eu para contrariá-las? Só não me peçam para compactuar com tudo. Fiquem bem, mas longe de mim.

 

Abraço e até.

 

PS – Esse texto não é um indireta para ninguém, pode chamá-lo de (mais uma) declaração de princípios. Ou não... 

domingo, agosto 16, 2026

A Sopa

Uma das vantagens do inverno, em minha opinião, claro, são as noites de sono. Durmo MUITO melhor no inverno. Aliás, se dependesse exclusivamente da minha vontade, hibernar seria mandatório. Apreciemos a sabedoria dos ursos...

 

Falando sério agora, enquanto chove lá fora – o que reforça meu argumento – fico aqui lembrando que quando morei no Canadá era diferente. A melhor época para dormir era o início do outono, quando as temperaturas já caíam à noite e a calefação ainda não estava ativa. No verão era muito quente (e não tinha ar-condicionado, apenas ventilador de teto) e no inverno também era quente, justamente pela calefação. Dessa forma, aquele breve período de temperaturas um pouco mais baixas em que dormia com a janela parcialmente aberta e podia me tapar com o edredom era a melhor.

 

Aqui no Sul do Mundo, onde vivo, a melhor época para dormirmos é o inverno.

 

Com o barulho da chuva, então, melhor ainda, mas sem exageros, como a noite passada em que tive de levantar de madrugada para me certificar se estava tudo fechado, e relâmpagos iluminavam e trovões ribombavam na noite em meio à chuva. Quase a ponto de perder o sono. Quase, porque – sim – voltei a dormir.

 

Como sempre, acordei cedo, por volta das sete horas da manhã para tomar café, ler o jornal impresso na edição do final de semana em silêncio enquanto as meninas ainda dormiam. Aproveitar o domingo de descanso porque a semana termina com a Marina completando dezoito anos de idade, e agosto, quando terminar, teremos completado – a Jacque e eu – trinta anos de casados.

 

O tempo passa rápido. Sigamos vivendo.


Até. 

sábado, agosto 15, 2026

Sábado (e um túnel do tempo)

 

(Felipe, Salamí, Baldi, eu e Tarso) 


Sexto ano de medicina na PUCRS.
Lançamento da ACTA Médica 94.

Bom final de semana a todos.

Até.

quinta-feira, agosto 13, 2026

Em uma Tarde de Chuva

De repente, parece que fiquei sem assunto.

 

Como se tivesse dito tudo o que precisava dizer, como se não tivesse nada de novo a comentar. Como, arrisco a dizer, fosse a hora de me calar, de silenciar, de me recolher ao meu canto e apenas observar a passagem do tempo. Subir para o alto da montanha, para ver a planície, os homens pequeninos, a aldeia de longe, longe, longe... 

 

Talvez deixar a convivência entre os mortais e me recolher à meditação e à contemplação da natureza. Passar dias ensimesmado, recolhido em meus pensamentos, avaliando cada ação já tomada, cada caminho seguido, cada porta deixada para trás, cada possibilidade pensada.


Talvez precisasse fazer isso, posso ter pensado.

 

Não por muito tempo, contudo.

 

Logo retornei ao momento presente e às pessoas com quem convivo, com quem vivo. Olhei o dia chuvoso, a umidade, as calçadas molhadas e as folhas caídas. Olhei para os dias que vem por aí. Um pouco mais adiante, olhei para a primavera que chega em pouco mais de um mês e – depois de muito tempo – antecipei a alegria da estação de dias progressivamente mais longos, de temperaturas amenas, e manhãs de sábado com sol. 


Até. 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Ainda sobre minha bolha (e zona de conforto)

Entre leituras que tenho feito por esses dias, li um texto que dizia que devemos ‘abandonar os locais que nos causam desconforto’. Onde não nos sentimos à vontade, onde não nos sentimos parte do todo. 

 

Contrasta com aqueles que dizem que devemos ‘sair de nossa zona de conforto’, pois estão nos orientando a – justamente – migrar de um lugar onde estamos bem, tranquilos, para um que nos deixa desconfortáveis. Seguindo as duas orientações, estaremos sempre de um lado a outro, do conforto para o desconforto, e vice e versa, num ciclo infinito, em um movimento constante, pendular, entre nos sentirmos em casa e nos sentirmos fora de nosso lugar.

 

Não sei.

 

Eu gosto da minha zona de conforto. É bom, confortável, como o nome diz. Por isso a ideia de sair voluntariamente dela me é estranha. Por que eu sairia de onde estou bem para um lugar que não é bom ou, no mínimo, não é confortável? Prefiro ficar no conforto da minha casa, obrigado.

 

O que não significa estagnação e tédio.

 

Como já escrevi antes, é da minha zona de conforto que vou crescer, vou progredir. Não vou sair da minha bolha, vou ampliá-la para incluir todos aqueles que eu considero significativos e importantes. Se eles não quiserem, paciência. A perda será deles...

 

Até.