Já passei, eu sei.
Por mais otimista que eu possa, ou pudesse, ser, em virtualmente todas as formas de olhar para vida eu sei que já percorri mais da metade do tempo que tenho. Não vou viver mais cinquenta e quatro anos. Até poderia, como uma exceção à expectativa que se tem hoje, mas estou tranquilo que não vou.
Pensando sob esse prisma, de que já percorri (bem?) mais da metade de minha trajetória de existência, e que sinceramente não sei se há algo após a morte, tenho noção de que já tenho muitas histórias vividas e, portanto, para contar.
Abre parênteses.
Sempre que alguém, por uma alguma razão qualquer, queixa-se de que “é ruim ficar velho”, eu respondo que quero ficar velho, afinal até hoje ninguém me convenceu que a outra opção é melhor, ninguém voltou para contar...
Fecha parênteses.
Dizia eu, então, que já vivi mais da metade da vida e que vivi e tenho histórias para contar. E é aí que entra uma questão com a qual tenho me deparado. Existe a tentação de ficar lembrando histórias vividas, revendo caminhos percorridos, lembrando como me tornei quem sou, sendo nostálgico. E o risco associado de parar de viver, de criar novas histórias, de ficar em uma rotina mecânica, sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar...
No fundo (ou nem tão no fundo assim), não existe esse risco, por mais que eu goste MUITO de relembrar histórias, rever pessoas que tiveram significado em minha vida. Continuo vivendo e criando histórias. Criando conexões e, como eu costumo dizer, aumentando minha bolha, tornando maior minha zona de conforto.
E não mexam com minha zona de conforto, por favor.
Até.
