sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Hábitos

Lá em casa ainda recebemos o jornal físico todas as manhãs.

 

Parece um contrassenso, eu sei, em tempos de notícias atualizadas em tempo real no telefone celular, manter o custo que não é barato da assinatura de um jornal que é entregue na nossa porta dos todos dias de manhã com notícias do dia anterior. Reconhecemos isso, não sabemos quanto tempo mais ainda irá durar, mas seguimos.

 

Também porque sou (agora falo de mim, especificamente) uma pessoas de hábitos. Como ler o jornal enquanto tomo café da manhã, o que normalmente faço antes das meninas tomarem seu café. Então é um momento de silêncio, de leitura e sem tecnologia, antes de me conectar com o dia que começa.

 

Nos últimos dias, em meio à leitura, incluí fazer as palavras cruzadas que vem nele. Envelheci uns vinte anos desde então. Mas tem sido bem divertido.


Até 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Escrevo, Logo Existo

Registro da memória e entendimento das coisas.

 

Depois de um ano e meio em que escrevi diariamente como método, como rotina, decidi me conceder uma folga. Em dois mil e vinte e seis escreveria menos, mais relaxado, talvez com mais tempo por não ter a ‘obrigação’ de escrever todos os dias. Poderia escrever textos mais elaborados, mais bem pensados do que o registro diário (quase) contra o relógio, no começo do dia.

 

Não deu certo.

 

Para mim, ao menos. Senti falta de fazer, do compromisso assumido comigo mesmo de manter a rotina, o hábito. Foi estranho, admito. A ideia é, não sei em qual ritmo, voltar a isso.

 

Escrever, já sabia e tive essa certeza reforçada, é uma forma de terapia para mim. Quando escrevo, verbalizo ali o que penso, o que sinto, o que espero e do que tenho medo. Registrar, colocar no papel, mesmo que virtual, as minhas ansiedades, as torna reconhecíveis, quase palpáveis e dá a devida dimensão a elas, que usualmente são menores do que parecem quando permanecem no campo do pensamento ansioso. Também para registrar o que se passa, o que acontece na (minha) vida.

 

Não só escrever tem esse feito para mim, claro. Conversar, falar sobre o que penso e sinto é – desde que consigo lembrar – uma das melhores formas de lidar com o que acontece, de reagir ao mundo e suas demandas que podem gerar angústia. Me ajudam a colocar as coisa em perspectiva, a retirar o hiperfoco em mim e olhar para o todo. 

 

Mas esse sou eu, o meu jeito. Cada um tem sua forma de lidar com as coisas, com o mundo.

 

Até. 

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Esse Mês

Fevereiro está longo demais.

 

Estranho isso, essa sensação de que o mais curto mês do ano está mais longo que os meses mais longos, ainda mais porque é verão e deveria tudo ser mais calmo, mais leve. Até que foi, mas não foi.

 

Não foram realmente férias aqueles dias do começo do mês em que não trabalhamos, não por ficarmos em Porto Alegre, mas por fatores já contados aqui. A Hermione – nossa gatinha – estava internada e não se recuperou, exatamente naqueles dias, que foram de visitas ao hospital veterinário, e alguma atividade física.

 

Tive momentos de pensamentos intrusivos que me acordaram de madrugada e tiraram o sono, e um trabalho mental para superá-los. Fantasmas que rondam e tentam me pegar com a guarda baixa para aterrorizar. Não têm conseguido, desde que detectei essas “tentativas”.

 

Tergiverso, contudo.

 

Só quis dizer que esse fevereiro não foi (para mim, para mim) carnaval. Março, por outro lado, será um mês meio de trabalho e meio de fora, por aí, entre reuniões e algum descanso.

 

Start spreading the news...


Até. 

terça-feira, fevereiro 24, 2026

El Inimigo

Não vou falar sobre vinhos.


Convivo com um inimigo na trincheira.

 

Alguém que está volta e meia rondando, esperando qualquer potencial vacilo, qualquer revés, para logo dizer “eu avisei...”. Como se estivesse torcendo contra mim o tempo todo. Um chato. Cansativo.

 

Até lhe dei um apelido, ‘Sabotador’.

 

Já conseguiu me tirar o sono, atrapalhar minha rotina, me irritar. Sou, contudo, obrigado a conviver com ele, não tenho como fugir, infelizmente. Por outro lado, admito que tenho partido para o conflito aberto, o tenho encarado de frente. Dizer seu nome, olhar no olho, mostrar quem está com a razão, ser racional. É um forma de lidar com essa situação.

 

É uma forma de lidar comigo mesmo.

 

Sim, eu muitas vezes sou meu próprio inimigo, aquele que tenta me botar para baixo, quem duvida do meu próprio potencial. Aquele que acha que as coisas não vão dar certo, que olha para o próprio umbigo e pode esquecer de olhar o todo, de perceber o caminho percorrido e a ser percorrido.

 

Minha sorte é que ele (o eu negativo) não está (mais) presente tão frequentemente, e – por esses dias – quando ele surge eu rapidamente reconheço e estou melhor nos meios de anular seus efeitos.

 

Seguimos.


Até. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

A Sopa

 É como se voltasse no tempo. 

Depois de mais de vinte anos, como foi em seu início, quando a enviava por e-mail para uns poucos “assinantes”, publico uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Ainda antes de ser blog, antes de ir para o exílio e muito antes de ser livro, era nas segundas-feiras em que eu escrevia a sopa semanal, o que inicialmente chamei de ‘Sopa News’, e que – ainda antes de eu ir para o Canadá (celebro vinte anos desde que voltei no dia 30 de junho próximo) – virou o blog ‘A Sopa no Exílio’. Em 2024, em meio aos efeitos da enchente, lancei meu primeiro livro, de mesmo nome.

 

Mudou o mundo, mudei eu, desde maio de 2004, na provável última vez que enviei uma Sopa em uma segunda-feira de manhã. Pessoas entraram e outras saíram da (minha) vida nesse período, circulei por alguns ambientes tóxicos, mas – principalmente – vivi histórias com pessoas que valeram à pena conhecer.

 

Tive momentos em que me senti uma ilha, isolado em meio à multidão. Por outro lado, foram MUITOS momentos em que estive – como dizem – em sintonia com o Universo, onde tudo está bem, e sabemos que estamos no lugar certo com as pessoas certas. Parece um resumo da vida, de qualquer vida, isso, e provavelmente é mesmo.

 

Não sei se vou escrever outras Sopas em segundas-feiras, mas não importa. O que vale é estar com quem realmente importa.

 

Até.

sábado, fevereiro 21, 2026

Sábado (e uma noite de verão)

 

Ramblas, Atlântida/RS


No palco, Pai e Filha...
Que momento!

Bom sábado a todos.

Até.



quinta-feira, fevereiro 19, 2026

O Último

Nem sempre, melhor, quase nunca, sabemos quando será a última vez de algo ou alguma coisa que iremos viver. O último encontro, a última refeição, o último abraço. A última vez que brincamos de esconder ou passamos a noite conversando com amigos esperando o sol nascer.

 

Sempre será a lembrança, a constatação em retrospectiva daquilo que vivemos sem saber que seria uma despedida. Se soubéssemos, talvez não fosse natural, ou talvez tornássemos um ritual, uma cerimônia.

 

O último carnaval com os amigos da praia. O último churrasco ou xis antes de tomarem um rumo diferente na vida.

 

Por isso acho sensacional isso de – bem diferente de quando passei por essa fase da vida – celebrarem o último primeiro dia de aula da escola. Quando vai se iniciar o terceiro ano do ensino médio, as turmas do “terceirão” fazem uma festa na noite anterior, em que passam a noite juntos e, na sequência, vão para a escola para marcar o ‘Último Primeiro Dia de Aula’.

 

Fotos e vídeos. Registros desse momento.

 

Criar memórias, histórias para contar.

 

Fico feliz de acompanhar isso, assim, sem interferir, meio de longe, que a Marina está vivendo por esses dias.

 

Até.