quinta-feira, setembro 17, 2026

Sobre hoje

Um colega contou a história de um paciente que foi consultar com ele e, ao ser perguntado sobre sua profissão / ocupação, disse que era escritor. Entusiasmado com a resposta, esse colega perguntou qual o estilo do que ele escrevia, e a resposta foi de que ‘ainda não havia escrito nada’ porque estava se preparando... Detalhe, o paciente tinha trinta e três anos e, me pergunto: será que ainda morava com os pais?

 

Nada contra, evidentemente, afinal cada um sabe de si, e ninguém deve julgar a vida alheia. Admirei, contudo, a autoestima dele. Sabia que era escritor, era sua profissão e ou ocupação, mas ainda não tinha escrito nada, segundo ele próprio. Talvez, admito, escrevesse e ainda não tivesse sido publicado, e não precisasse de uma chamada validação externa (no caso publicar um livro) para se saber e se anunciar escritor.

 

Comigo não foi assim.

 

Sim, eu me considero um escritor há muito anos, no mínimo uns vinte e cinco desde que comecei a escrever regularmente, primeiro em um semanário virtual que era enviado por e-mail para alguns amigos e conhecidos, e depois em um blog que mantenho desde o ano de 2004. Ainda assim, nunca me assumi publicamente como escritor até há pouco mais de dois anos, quando publiquei o meu primeiro livro de crônicas, ‘A Sopa no Exílio’, justamente nome do blog. No ano seguinte, publiquei o segundo livro, ‘Eu Pai, Eu Filho’, com histórias sobre a paternidade e sobre, como o título diz, ser filho. E então, sim, me assumi publicamente, saí do armário.

 

Sou escritor.

 

E posso dizer isso com uma razoável dose de satisfação, de realização pessoal. Eu nutria um ‘sonho’ de muito tempo, que era autografar na Feira do Livro de Porto Alegre, realizado em dois anos consecutivos, 2024 e 2025.

 

Esse ano, contudo, não vou estar na Feira do Livro como autor. O que não quer dizer que parei de escrever, evidentemente. Aliás, e essa crônica é para dizer isso, estou lançando um novo livro de crônicas, o meu terceiro (!) livro, justamente hoje no final da tarde, a partir das 18h30 lá na School of Rock Benjamin (Rua Benjamin Flores, 57, atrás do Shopping Total), e – se quiser e puder – será bem legal encontrar você por lá.   

 

Vai ser (mais) um momento memorável para mim.

 

Estórias para contar.


Até. 

terça-feira, setembro 15, 2026

De Fora

Não me convidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer, a pagar sem ver, toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer. Sensação comum essa, não?

 

Pois é.

 

Esse sentimento de que não somos parte, que não fomos – realmente – convidados para eventos que gostaríamos de participar, de ser da turma, da ‘patota’ (quem é que usa esse termo hoje em dia?!) muitas vezes incomoda. Ninguém que gosta de se sentir excluído, claro. E acontece o tempo todo, com todo mundo, em maior ou menor grau, em diferentes situações.

 

Comigo também, obviamente, como muitas vezes já contei. E já me senti excluído muitas vezes antes, em locais em que não gostaria de me sentir assim e, pior, em situações em que não estava sendo excluído, era tudo fruto da minha imaginação. E o (meu) trabalho sempre foi no sentido de me sentir parte, me sentir conectado.

 

O problema era (ainda é?) comigo, eu sei.


A ilha, a ilha...

 

 Estou bem melhor, estou bem melhor.

 

Até. 

domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até. 

segunda-feira, setembro 07, 2026

A Sopa

O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.

 

Vou fazer chimarrão daqui a pouco.

 

Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.

 

No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me 
E intorno a me girava il mondo come sempre

 

Gira, il mondo gira 
Nello spazio senza fine 
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti 
Con la gioia e col dolore 
Della gente come me

 

Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo 
Nel tuo silenzio io mi perdo 
E sono niente accanto a te…

 

Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há  quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.

 

Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.

 

Vou fazer chimarrão.


Até.   

sábado, setembro 05, 2026

Sábado (e o novo livro)


Lançamento e Sessão de Autógrafos 
Data: 17/09/2026, a partir das 18h30.
Local: School of Rock Benjamin
           Rua Benjamin FLores, 57

Espero todos lá.

Bom final de semana e bom feriado a todos.

Até.