segunda-feira, julho 20, 2026

Ao Amigos, com Carinho

(tradicional texto do Dia do Amigo...)

Sou um espírito primitivo, confesso.

Ainda tenho muito que evoluir para poder aceitar algumas das inevitabilidades da vida. 

A morte, por exemplo.

A ideia da morte ainda me perturba, por ser um desperdício. Quanta história, quanta experiência, quanta – obviedade - vida se perde quando da morte de alguém, seja lá quem for. Sei, contudo, que essa inconformidade é como ser contra a lei da gravidade ou negar a evolução: inútil, infantil até. Paciência.

Pode me chamar de espírito infantil, então.

Essa característica ajuda a definir quem sou, e é a base de diversas outras características que me definem. Como acreditar nas pessoas. Como regra, eu acredito nas pessoas, e procuro as valorizar. Todos – até prova em contrário – merecem meu respeito e consideração. A sua história pessoal, e a nossa história em comum.

Falo, então dos meus amigos, do presente e do passado, os que são e os que foram e não são mais. Todos tem sua devida importância porque fazem parte do que me tornei e do que continuo me tornando. Falo até daqueles de  quem eu queria ser amigo (ou mais amigo), mas a vida não permitiu. Falo também daqueles a quem tenho a pretensão de ensinar alguma coisa, me sentindo como um irmão mais velho, apesar de já ter idade para ser pai de muitos, sempre torcendo por eles e querendo ser mais próximo. Muitos são os amigos, claro que uns mais e outros menos. Muitos, mas alguns poucos. Sabem como é, sabem quem são.

E então entra a relação, às vezes tranquila e outras vezes conflituosa que tenho com o tempo, melhor, com o passar do tempo. Mais uma batalha inútil que volta e meia travo, como Quixote lutando com moinhos de vento, ou como quando me sinto empurrado para o corner e fico a me defender de um inimigo imaginário num improvável luta de boxe. O tempo às vezes se confunde, e volto no tempo ao ouvir uma música antiga e lembro de pessoas e chego a pensar que devo voltar – não para refazer caminhos ou mudar o que passou – mas para reencontrar pessoas e lembrar, recontar histórias, agradecer por terem sido importantes naquele momento que passou.

Mas o tempo não volta, avança.

E novas referências são criadas, novas estórias são vividas e contadas (a vida não é muito mais que isso mesmo, estórias para contar). E os amigos estão aí, e é disso que falo. São eles essa conexão com o passado e com o futuro. 

Eles são a referência.

O norte.

Até.  

domingo, julho 19, 2026

A Sopa

Não costumo falar de futebol.

 

Principalmente porque – como costumo dizer - não gosto de futebol, eu torço para o Inter, o que são coisas diferentes. O que significa que não costumo parar para olhar jogos de futebol em geral, e até os do Inter não tenho assistido muito (assisto enquanto está bem, se não está não vejo).

 

Desenvolvi um atitude de não sofrimento com relação ao tema. Se meu time ganha, ótimo, consumo conteúdos relacionados (jornal, rádio, You Tube, etc). Se não está bem, apenas não estou nem aí. Ou entro em negação, se preferirem. O resultado é que não sofro, como acontecia no passado, quando eu era mais novo e mais ingênuo.

 

Passei a valorizar, também, a jornada. Se meu time faz bons jogos, mas – no final – não é campeão, puxa, que merda, queria ser campeão, mas me diverti enquanto estava legal de assistir. Tem um quê de racionalidade nisso, por isso me intitulei há alguns anos como ‘O Pior Torcedor”.

 

Em Copas do Mundo, por outro lado, estou bem mais sujeito a assistir a jogos nos quais não tenho interesse direto, curtir o ‘espetáculo’. O fato de, ao longo do tempo, a seleção brasileira ter se desconectado com o torcedor, não impede que eu a assista e até torça, mas outros jogos também são (até mais) legais de assistir.

 

Chegamos ao final da Copa do Mundo, jogarão Argentina e Espanha, e todos estão se posicionando quanto a quem torcer e – mais importante – quem secar. E é aí que é interessante observar de fora isso tudo, e pensar a respeito. A pender para o lado da rivalidade com nossos vizinhos ou pesaria mais a proximidade, principalmente aqui no Sul do Mundo?

 

Eu não sei.

 

Tenho argumentos para as duas posições, e são esportivos e humanos. Não querer que mais um adversário seja quatro vezes campeão do mundo, o que seria mais uma seleção perto do ‘penta’, valorizar o bom futebol jogado pela Espanha, ou ainda focar no Messi, um dos maiores da história? Bons argumentos, bons argumentos para ambos os lado. O que não existe – para mim, para mim – é essa coisa de não gostar da Argentina por ser Argentina. Não sou eu, não sou assim.

 

Aliás, eu curto a Argentina. Gostei muito e fui bem recebido em todas as vezes que estive lá. Mesmo em Buenos Aires, mesmo com os portenhos. Apenas boas lembranças. A proximidade geográfica, o clima parecido, somos todos gauchos.

 

Pensei que essa rivalidade fosse algo criado ao longo do tempo pela imprensa do centro do país, mas estava errado. Vem bem de antes, antes ainda do futebol. 

 

Começou com os colonizadores, Portugal e Espanha, e a disputa pela região do Rio da Prata. A Colônia de Sacramento, enclave português em frente à Buenos Aires, levou – depois de Brasil e Argentina tornarem-se independentes - à Guerra da Cisplatina, cujo resultado foi que nenhum dos dois ficou com ela, com a criação do Uruguai.

 

No período da ditaduras de Brasil e Argentina, houve algo como uma “Guerra Fria”, com os dois países paranoicos com uma possível invasão militar um do outro. Com o tempo, e o surgimento do Mercosul, essa rivalidade migrou para o futebol, e dura – de certa forma – ainda hoje. Estilos diferentes, modos de ver o jogo.

 

Aqui no Sul do Mundo, somos mais próximos e parecidos com os argentinos (geográfica e animicamente) do que com o resto do Brasil. Aqui faz frio, e até neva.

 

Quanto ao jogo de hoje, eu não sei para quem vou torcer.

 

E você?

 

Até. 

sábado, julho 18, 2026

Sábado (e Eu, IA)

 

Gostei...



Da série "Brincando com a Inteligência Artificial".
Versões minhas...

Bom sábado a todos.

Até.


domingo, julho 12, 2026

A Sopa

Sou das manhãs dessa cidade, na meia estação... cantou Nei Lisboa em ‘Pronta-Entrega’, do álbum Cena Beatnik, lançado no ano de 2000. Fala de Porto Alegre, da Redenção e do pôr-do-sol. Também em maré vermelha a festejar, que pode ser o Inter ou a esquerda, mas não vem ao caso. O tema central aqui – para mim, para mim - são as manhãs. 

 

Sou das manhãs.

 

Desde os meus dezoitos anos, ao menos, independente da hora que vou dormir, sempre acordo e me levanto cedo. Sem sofrimento. Ao contrário, com prazer. Eu realmente gosto de acordar cedo, de aproveitar a manhã. Se for sábado, e tiver sol, então, vocês já devem saber: é o melhor momento da semana.

 

Esses dias – mentira, hoje – acordei um pouco mais tarde do que o meu horário habitual de domingo, no inverno, algo como oito e meia da manhã. Tomei café da manhã como sempre faço, afinal sou um homem de hábitos, e quando me dei conta – ao me sentar para escrever essa Sopa – a manhã já se aproximava do final. Por uma hora a mais de sono, a sensação de uma manhã perdida...

 

O som que toca enquanto escrevo e tomamos chimarrão, a Jacque e eu, tentando evitar que D’Artagnan, nosso gato, consiga derrubar a cuia e derramar a erva pensando que é brinquedo, é um vinil do Neil Young, Comes a Time, e sei que não é, ou foi, uma manhã perdida. Uma manhã de domingo lenta antes da correria e trabalho que começa pouco depois do meio-dia e vai até tarde, porque seremos os últimos a subir no palco, por volta das 23h, no GREZZ, para tocar Beatles encerrando mais um show de temporada da School of Rock Benjamin.


E amanhã, 13/07, Dia do Rock, acordo cedo, médico.

 

Como sempre.


Até. 

sábado, julho 11, 2026

Sábado (e amanhã tem de novo)

E é no Grezz...


Show de temporada School of Rock Benjamin.
Amanhã, domingo, no GREZZ.

Bom sábado a todos.

Até.



 

quinta-feira, julho 09, 2026

Não

Áudios não, por favor.

 

Desde o advento dos smartphones e aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, a facilidade de comunicação, de acesso às pessoas, melhorou de forma colossal. A vida certamente ficou mais fácil sob esse ponto de vista. Mas nem tudo são flores, evidentemente. Ainda mais para alguém que preza muito pela linguagem escrita, como eu.

 

Incomoda muito ser obrigado a ler mensagens mal escritas, com erros grosseiros de gramática, desde concordâncias verbal e nominal até pontuação. Sobretudo pontuação, acima de tudo pontuação. Incomoda a ponto de causar irritação. Mesmo assim, toleramos textos não tão bem escritos (desconto sempre para gírias e abreviações, claro) porque faz parte, tudo certo.

 

O que incomoda, confesso, são áudios.

 

E afirmo que entendo a praticidade de se gravar um áudio ao invés de escrever uma mensagem, e que existem situações em que o melhor é fazer dessa forma. Ainda assim, e pode me chamar de rabugento e chato, me desagradam áudios de formal geral. Casos – e pessoas – específicos, tudo certo, sem problemas. 

 

Se é importante, ou urgente, e deve ser falado, não escrito, por favor me liga. Se eu não puder falar na hora, combinamos de ligar depois. Simples assim.

 

Áudios de WhatsApp não são uma forma pessoal de comunicação, exceções à parte. Ou talvez eu seja uma pessoa mal-humorada mesmo...


Pode ser, pode ser.

 

Até.

quarta-feira, julho 08, 2026

Sobre as Ideias

As ideias, as inspirações, estão por aí, etéreas, no ar, esperando para serem transformadas em realidade. Não adianta absolutamente nada ser a pessoa mais criativa do mundo se isso não for traduzido em algo do mundo real, concreto. 

 

Vale para ideias de negócios, vale para a arte, vale para o que imaginarmos... Ideias não postas no papel e não executadas não servem de nada. Não só isso, se demorarmos muito para executá-las, alguém pode ter a mesma ideia e seguir em frente. É da vida.

 

Voltei a pensar nisso ao assistir – nos últimos dias – em dois momentos diferentes, falada por dois grandes nomes do standup brasileiro, a mesma coisa que falo há anos sobre a ‘Zona de Conforto’. Sobre como é bom estar na chamada zona de conforto e a pergunta sobre qual a razão para sair dela. A mesma abordagem. Fui pesquisar e descobri um texto meu publicado no blog em 2022 falando disso, com esse enfoque.

 

Não estou dizendo que sou o autor original e nem que copiaram ou plagiaram uma ideia minha. Claro que não. Até porque – se pensarmos um pouco – essa ideia parece óbvia. 

 

Vejo como justamente aquela coisa de que a ideia está aí, no ar, esperando que alguém a coloque no papel, e a divulgue.

 

Isso é o legal da arte, da vida.


Até.