segunda-feira, agosto 24, 2026

A Sopa

Velho.

 

Não tenho problema com o envelhecer. Tenho questões com a ideia da morte, isso sim, mas isso é conversa para outro momento. O foco aqui e agora é o envelhecer.

 

Como disse, e esse é um fato com o qual lido diariamente como médico de muitas doenças associadas à idade, envelhecer é parte da vida, e sempre reforço a ideia de que quero chegar lá, afinal a outra opção, o não chegar a envelhecer, até hoje ninguém – ao menos de minhas relações – voltou para dizer que é melhor. Então, fato da vida, vou envelhecer. Biologicamente, ao menos.

 

Já fui muito mais velho que sou hoje em dia, admito.

 

Mais sério, mais circunspecto, me sentindo menos parte das coisas. O que não tem a ver com idade, eu sei, mas o fato é que, sim, já fui mais velho. Sempre acordei – e continuo acordando – cedo e de sempre gostei de dormir cedo. Em uma ou outra vez, adormeci em meio a festas, até ao lado de caixas de som. Era conhecido por isso.

 

Os últimos anos, contudo, testemunharam o fato de eu ter estado progressivamente me tornando mais jovem, mais leve muitas vezes. Com relação ao sono, ainda curto muito a ideia de dormir cedo, ainda mais no inverno, mas – no geral – tenho sido mais flexível neste aspecto, digamos assim.

 

Como comentei por esses dias, tenho agora uma filha de dezoito anos. Comemorou isso no final de semana passado, e quero falar do sábado à noite, em que alguns amigos dela foram lá em casa e, entre outras coisas, fizeram um karaokê. Foi divertido para eles, e a Jacque e eu demos espaço para que eles ficassem à vontade.

 

Por volta das vinte e três horas, fui dormir. Fechei a porta do quarto, deitei e apaguei a luz. Na sala, eles cantavam e riam, e o que eu mais ouvia eram as risadas deles. Antes do pegar sono, percebi que havia me tornado o pai que vai dormir enquanto os jovens se divertem na sala.

 

Velho, velho...

 

Foi bem legal.

 

Até.

 

sábado, agosto 22, 2026

Sábado (e ela fez 18 anos essa semana)

 

Nós três...


A vida é muito boa com ela e também por causa dela.

Bom final de semana a todos.

Até.

sexta-feira, agosto 21, 2026

Errei

Ontem cedo, no trânsito, saindo de casa, fechei um carro que estava logo atrás de mim. Foi um vacilo, um erro, um descuido, uma afobação. Estava distraído. Logo eu, que procuro ser o mais correto e cortês no trânsito, logo eu, que me incomodo ao testemunhar as pessoas cometendo infrações voluntariamente pelas ruas diariamente. Logo eu...

 

Não tem justificativa.

 

Não provoquei nenhum acidente, não interrompi o trânsito, não houve consequências aparentes, exceto irritar – justificadamente – o motorista que foi fechado justamente ali, na esquina da André Puente com a Ramiro Barcelos. O nosso caminho era em parte o mesmo, então ele foi atrás de mim uma parte do caminho até passar ao meu lado, lentamente, baixar o vidro e me olhar com ares de reprovação, no que eu, atrás do vidro com película, apenas fiz sinal de me desculpar, de que eu havia errado. O pior: ao me desculpar, constrangido, eu o reconheci. Vizinho de rua, figura conhecida do rádio gaúcho, a quem ouço com frequência. Já estivemos juntos em eventos, mas sei que ele não lembra de mim.

 

O que não faz diferença no fato de que eu errei no trânsito e tentei me desculpar como faria com qualquer outro motorista a quem eu tivesse causado algum desconforto. Entendo a irritação dele ao ser ‘fechado’, porque eu também me incomodo quando acontece comigo, e é por isso que procuro sempre dirigir com todo o cuidado do mundo.

 

Ontem não, ontem eu vacilei, ontem eu errei...


Até. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Dezoito

Há muitos – muitos mesmo - anos, ouvi – provavelmente – em aula que nossas artérias começavam e “envelhecer” aos dezoitos anos de idade. Nem sei mesmo se era isso, mas foi a mensagem que gravei. Fui para casa e escrevi um poema que terminava com ‘... a vida acaba aos dezoito’.

 

Bom, a Marina completa dezoito anos hoje.

 

E preciso dizer que aprendi, desde que escrevi o tal poema, que a vida não acaba – evidentemente – quando completamos essa idade, apesar desta ser a melhor fase de todas. Assim como os vinte serão a melhor fase de todas, e depois os vinte e cinco, os trinta, os trinta e cinco anos e assim por diante. A melhor fase da vida é agora, é hoje.

 

A melhor idade é a que estamos no momento.

 

Posso te dizer, além disso, de que a vida é melhor quando vivemos no presente, não presos ao que passou e não apenas na expectativa do que virá. O que virá depende exclusivamente do que fazemos hoje, de como vivemos o agora. A vida é melhor hoje do que ontem, e amanhã será melhor.

 

E preciso te dizer mais: contigo, filha, a vida é cada dia uma surpresa boa e uma felicidade. Somos muito felizes contigo e também por tua causa.

 

Feliz Aniversário.


Te amo. 

quarta-feira, agosto 19, 2026

Quieto, vendo a banda passar

É melhor ser feliz do que ter razão.

 

Acho que a expressão é essa, com variações do tipo ‘é melhor beijar do que ter razão’, por exemplo, mas a mensagem é clara: existem situações em que não vale à pena se indispor com outros, mesmo que estejam errados, ou que insistam em que tudo seja exatamente do jeito que querem, se não ficarão como crianças mimadas. Talvez até se joguem no chão e esperneiem, não sei, não tenho ficado para testemunhar...

 

O fato é que tem brigas que não valem serem compradas. Quase nada, ou muito pouca coisa, na vida é tão importante - e estou ainda aprendendo - a ponto de nos “obrigar” a “lutar” por ela. Hoje em dia, eu sei quais são as brigas que quero comprar. As outras, deixo para os outros.

 

Fico quieto, dou um passo atrás, deixo que discutam. Se parece importante para elas, quem sou eu para contrariá-las? Só não me peçam para compactuar com tudo. Fiquem bem, mas longe de mim.

 

Abraço e até.

 

PS – Esse texto não é um indireta para ninguém, pode chamá-lo de (mais uma) declaração de princípios. Ou não... 

domingo, agosto 16, 2026

A Sopa

Uma das vantagens do inverno, em minha opinião, claro, são as noites de sono. Durmo MUITO melhor no inverno. Aliás, se dependesse exclusivamente da minha vontade, hibernar seria mandatório. Apreciemos a sabedoria dos ursos...

 

Falando sério agora, enquanto chove lá fora – o que reforça meu argumento – fico aqui lembrando que quando morei no Canadá era diferente. A melhor época para dormir era o início do outono, quando as temperaturas já caíam à noite e a calefação ainda não estava ativa. No verão era muito quente (e não tinha ar-condicionado, apenas ventilador de teto) e no inverno também era quente, justamente pela calefação. Dessa forma, aquele breve período de temperaturas um pouco mais baixas em que dormia com a janela parcialmente aberta e podia me tapar com o edredom era a melhor.

 

Aqui no Sul do Mundo, onde vivo, a melhor época para dormirmos é o inverno.

 

Com o barulho da chuva, então, melhor ainda, mas sem exageros, como a noite passada em que tive de levantar de madrugada para me certificar se estava tudo fechado, e relâmpagos iluminavam e trovões ribombavam na noite em meio à chuva. Quase a ponto de perder o sono. Quase, porque – sim – voltei a dormir.

 

Como sempre, acordei cedo, por volta das sete horas da manhã para tomar café, ler o jornal impresso na edição do final de semana em silêncio enquanto as meninas ainda dormiam. Aproveitar o domingo de descanso porque a semana termina com a Marina completando dezoito anos de idade, e agosto, quando terminar, teremos completado – a Jacque e eu – trinta anos de casados.

 

O tempo passa rápido. Sigamos vivendo.


Até. 

sábado, agosto 15, 2026

Sábado (e um túnel do tempo)

 

(Felipe, Salamí, Baldi, eu e Tarso) 


Sexto ano de medicina na PUCRS.
Lançamento da ACTA Médica 94.

Bom final de semana a todos.

Até.