De repente, parece que fiquei sem assunto.
Como se tivesse dito tudo o que precisava dizer, como se não tivesse nada de novo a comentar. Como, arrisco a dizer, fosse a hora de me calar, de silenciar, de me recolher ao meu canto e apenas observar a passagem do tempo. Subir para o alto da montanha, para ver a planície, os homens pequeninos, a aldeia de longe, longe, longe...
Talvez deixar a convivência entre os mortais e me recolher à meditação e à contemplação da natureza. Passar dias ensimesmado, recolhido em meus pensamentos, avaliando cada ação já tomada, cada caminho seguido, cada porta deixada para trás, cada possibilidade pensada.
Talvez precisasse fazer isso, posso ter pensado.
Não por muito tempo, contudo.
Logo retornei ao momento presente e às pessoas com quem convivo, com quem vivo. Olhei o dia chuvoso, a umidade, as calçadas molhadas e as folhas caídas. Olhei para os dias que vem por aí. Um pouco mais adiante, olhei para a primavera que chega em pouco mais de um mês e – depois de muito tempo – antecipei a alegria da estação de dias progressivamente mais longos, de temperaturas amenas, e manhãs de sábado com sol.
Até.

