domingo, julho 19, 2026

A Sopa

Não costumo falar de futebol.

 

Principalmente porque – como costumo dizer - não gosto de futebol, eu torço para o Inter, o que são coisas diferentes. O que significa que não costumo parar para olhar jogos de futebol em geral, e até os do Inter não tenho assistido muito (assisto enquanto está bem, se não está não vejo).

 

Desenvolvi um atitude de não sofrimento com relação ao tema. Se meu time ganha, ótimo, consumo conteúdos relacionados (jornal, rádio, You Tube, etc). Se não está bem, apenas não estou nem aí. Ou entro em negação, se preferirem. O resultado é que não sofro, como acontecia no passado, quando eu era mais novo e mais ingênuo.

 

Passei a valorizar, também, a jornada. Se meu time faz bons jogos, mas – no final – não é campeão, puxa, que merda, queria ser campeão, mas me diverti enquanto estava legal de assistir. Tem um quê de racionalidade nisso, por isso me intitulei há alguns anos como ‘O Pior Torcedor”.

 

Em Copas do Mundo, por outro lado, estou bem mais sujeito a assistir a jogos nos quais não tenho interesse direto, curtir o ‘espetáculo’. O fato de, ao longo do tempo, a seleção brasileira ter se desconectado com o torcedor, não impede que eu a assista e até torça, mas outros jogos também são (até mais) legais de assistir.

 

Chegamos ao final da Copa do Mundo, jogarão Argentina e Espanha, e todos estão se posicionando quanto a quem torcer e – mais importante – quem secar. E é aí que é interessante observar de fora isso tudo, e pensar a respeito. A pender para o lado da rivalidade com nossos vizinhos ou pesaria mais a proximidade, principalmente aqui no Sul do Mundo?

 

Eu não sei.

 

Tenho argumentos para as duas posições, e são esportivos e humanos. Não querer que mais um adversário seja quatro vezes campeão do mundo, o que seria mais uma seleção perto do ‘penta’, valorizar o bom futebol jogado pela Espanha, ou ainda focar no Messi, um dos maiores da história? Bons argumentos, bons argumentos para ambos os lado. O que não existe – para mim, para mim – é essa coisa de não gostar da Argentina por ser Argentina. Não sou eu, não sou assim.

 

Aliás, eu curto a Argentina. Gostei muito e fui bem recebido em todas as vezes que estive lá. Mesmo em Buenos Aires, mesmo com os portenhos. Apenas boas lembranças. A proximidade geográfica, o clima parecido, somos todos gauchos.

 

Pensei que essa rivalidade fosse algo criado ao longo do tempo pela imprensa do centro do país, mas estava errado. Vem bem de antes, antes ainda do futebol. 

 

Começou com os colonizadores, Portugal e Espanha, e a disputa pela região do Rio da Prata. A Colônia de Sacramento, enclave português em frente à Buenos Aires, levou – depois de Brasil e Argentina tornarem-se independentes - à Guerra da Cisplatina, cujo resultado foi que nenhum dos dois ficou com ela, com a criação do Uruguai.

 

No período da ditaduras de Brasil e Argentina, houve algo como uma “Guerra Fria”, com os dois países paranoicos com uma possível invasão militar um do outro. Com o tempo, e o surgimento do Mercosul, essa rivalidade migrou para o futebol, e dura – de certa forma – ainda hoje. Estilos diferentes, modos de ver o jogo.

 

Aqui no Sul do Mundo, somos mais próximos e parecidos com os argentinos (geográfica e animicamente) do que com o resto do Brasil. Aqui faz frio, e até neva.

 

Quanto ao jogo de hoje, eu não sei para quem vou torcer.

 

E você?

 

Até. 

sábado, julho 18, 2026

Sábado (e Eu, IA)

 

Gostei...



Da série "Brincando com a Inteligência Artificial".
Versões minhas...

Bom sábado a todos.

Até.


domingo, julho 12, 2026

A Sopa

Sou das manhãs dessa cidade, na meia estação... cantou Nei Lisboa em ‘Pronta-Entrega’, do álbum Cena Beatnik, lançado no ano de 2000. Fala de Porto Alegre, da Redenção e do pôr-do-sol. Também em maré vermelha a festejar, que pode ser o Inter ou a esquerda, mas não vem ao caso. O tema central aqui – para mim, para mim - são as manhãs. 

 

Sou das manhãs.

 

Desde os meus dezoitos anos, ao menos, independente da hora que vou dormir, sempre acordo e me levanto cedo. Sem sofrimento. Ao contrário, com prazer. Eu realmente gosto de acordar cedo, de aproveitar a manhã. Se for sábado, e tiver sol, então, vocês já devem saber: é o melhor momento da semana.

 

Esses dias – mentira, hoje – acordei um pouco mais tarde do que o meu horário habitual de domingo, no inverno, algo como oito e meia da manhã. Tomei café da manhã como sempre faço, afinal sou um homem de hábitos, e quando me dei conta – ao me sentar para escrever essa Sopa – a manhã já se aproximava do final. Por uma hora a mais de sono, a sensação de uma manhã perdida...

 

O som que toca enquanto escrevo e tomamos chimarrão, a Jacque e eu, tentando evitar que D’Artagnan, nosso gato, consiga derrubar a cuia e derramar a erva pensando que é brinquedo, é um vinil do Neil Young, Comes a Time, e sei que não é, ou foi, uma manhã perdida. Uma manhã de domingo lenta antes da correria e trabalho que começa pouco depois do meio-dia e vai até tarde, porque seremos os últimos a subir no palco, por volta das 23h, no GREZZ, para tocar Beatles encerrando mais um show de temporada da School of Rock Benjamin.


E amanhã, 13/07, Dia do Rock, acordo cedo, médico.

 

Como sempre.


Até. 

sábado, julho 11, 2026

Sábado (e amanhã tem de novo)

E é no Grezz...


Show de temporada School of Rock Benjamin.
Amanhã, domingo, no GREZZ.

Bom sábado a todos.

Até.



 

quinta-feira, julho 09, 2026

Não

Áudios não, por favor.

 

Desde o advento dos smartphones e aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, a facilidade de comunicação, de acesso às pessoas, melhorou de forma colossal. A vida certamente ficou mais fácil sob esse ponto de vista. Mas nem tudo são flores, evidentemente. Ainda mais para alguém que preza muito pela linguagem escrita, como eu.

 

Incomoda muito ser obrigado a ler mensagens mal escritas, com erros grosseiros de gramática, desde concordâncias verbal e nominal até pontuação. Sobretudo pontuação, acima de tudo pontuação. Incomoda a ponto de causar irritação. Mesmo assim, toleramos textos não tão bem escritos (desconto sempre para gírias e abreviações, claro) porque faz parte, tudo certo.

 

O que incomoda, confesso, são áudios.

 

E afirmo que entendo a praticidade de se gravar um áudio ao invés de escrever uma mensagem, e que existem situações em que o melhor é fazer dessa forma. Ainda assim, e pode me chamar de rabugento e chato, me desagradam áudios de formal geral. Casos – e pessoas – específicos, tudo certo, sem problemas. 

 

Se é importante, ou urgente, e deve ser falado, não escrito, por favor me liga. Se eu não puder falar na hora, combinamos de ligar depois. Simples assim.

 

Áudios de WhatsApp não são uma forma pessoal de comunicação, exceções à parte. Ou talvez eu seja uma pessoa mal-humorada mesmo...


Pode ser, pode ser.

 

Até.

quarta-feira, julho 08, 2026

Sobre as Ideias

As ideias, as inspirações, estão por aí, etéreas, no ar, esperando para serem transformadas em realidade. Não adianta absolutamente nada ser a pessoa mais criativa do mundo se isso não for traduzido em algo do mundo real, concreto. 

 

Vale para ideias de negócios, vale para a arte, vale para o que imaginarmos... Ideias não postas no papel e não executadas não servem de nada. Não só isso, se demorarmos muito para executá-las, alguém pode ter a mesma ideia e seguir em frente. É da vida.

 

Voltei a pensar nisso ao assistir – nos últimos dias – em dois momentos diferentes, falada por dois grandes nomes do standup brasileiro, a mesma coisa que falo há anos sobre a ‘Zona de Conforto’. Sobre como é bom estar na chamada zona de conforto e a pergunta sobre qual a razão para sair dela. A mesma abordagem. Fui pesquisar e descobri um texto meu publicado no blog em 2022 falando disso, com esse enfoque.

 

Não estou dizendo que sou o autor original e nem que copiaram ou plagiaram uma ideia minha. Claro que não. Até porque – se pensarmos um pouco – essa ideia parece óbvia. 

 

Vejo como justamente aquela coisa de que a ideia está aí, no ar, esperando que alguém a coloque no papel, e a divulgue.

 

Isso é o legal da arte, da vida.


Até. 

segunda-feira, julho 06, 2026

A Sopa

Julho de 2012.

 

Estou no Aeroporto de Carrasco, em Montevideo, aguardando o voo da GOL que me levaria direto para Porto Alegre após o Congresso da ALAT, Associação Latino-Americana de Tórax. Naqueles dias, a PLUNA, companhia aérea uruguaia havia decretado falência (ou algo assim) e muitos colegas que tinha ido para o congresso por essa companhia estavam tendo dificuldades em coordenar sua volta. Eu, não, afinal estava – como falei - voando GOL. 

 

Após realizar o checkin, estava aguardando o momento de embarcar quando vi, comprando um lanche, eu acho, em sua cadeira de rodas, músico Herbert Viana, guitarrista e vocalista dos Paralamas do Sucesso, uma das bandas que escreveu a trilha sonora de minha vida. Ali, muito próximo de onde eu estava. Lembrei que havia lido que eles haviam feito um show em Punta del Este, e certamente esse era o momento da volta.

 

Queria dar um alô, quem sabe tirar uma foto, mas – confesso – fiquei constrangido em parecer muito fã (o que eu realmente era). Então cheguei ao lado, e perguntei para ele, como se fosse um velho conhecido, “Como foi o show em Punta?”, no que ele respondeu que havia sido bom, e acabou ali a conversa. Saí frustrado comigo mesmo, pelo que eu considerei depois uma abordagem ridícula. Nunca mais faria isso.

 

Um tempo depois, não sei quanto, estava na Santa Casa, no Laboratório de Função Pulmonar, quando percebi que quem estava fazendo exame era o Humberto Gessinger, de quem também sou fã e quem também escreveu parte da trilha sonora da minha vida, com os Engenheiros do Hawaii e depois em carreira solo. Dessa vez, agi diferente. Me apresentei a ele e disse o que eu precisava dizer: obrigado por tudo. Só isso, simples assim. Essa, a mensagem.

 

Passa mais um bom tempo, e chegamos ao final de semana dos dias 26 e 27/06 de 2026. Show do Barão Vermelho em Porto Alegre, com a formação original (com o Frejat nos vocais e guitarra). Através de um querido amigo, ganhei dois ingressos cortesia com acesso ao backstage após o show, e fomos a Jacque e eu. Show maravilhoso, e – no final – ficamos lá para conversar (mesmo que por breves instantes) com a banda.

 

A fila terminava no Frejat, quem mais tirava fotos. Enquanto esperávamos, pude conversar rapidamente e tirar foto com o Dé, o baixista, e depois com o Frejat. O que disse a eles, o que precisava dizer a eles? O que eu devia ter dito para o Herbert e disse para o Humberto. “Obrigado, a vida seria menor sem a música de vocês”.

 

Esse é o poder da música, ele torna a vida maior e o mundo melhor.


Até.