quinta-feira, abril 09, 2026

Comfort Zone Songs

De tudo o que eu ouvi até hoje, em termos de música, desde que me reconheço como alguém que realmente gosta de música, daquilo que eu ouvia em casa na infância, o que amigos me indicaram, o que descobri por conta própria, de tudo o que passou por mim até hoje, é natural que tenha algumas preferências. Da mesma forma que determinados sons (bandas, músicas) não me causam interesse ou, em um extremo, até me desagradem.

 

Não quero falar de nenhum desses. Ao menos não agora.

 

Venho há dias com uma música, parte de um álbum, tocando em minha mente quase que o tempo todo, e obviamente está relacionada à viagem que fizemos na segunda quinzena de março, para os Estados Unidos, terminando em Nova York. Não é nova, evidentemente, e há anos está presente em meu imaginário, surgindo e ressurgindo de tempos em tempos, em diferentes situações.

 

Posso dizer que o disco em questão é um dos três ou quatro de que eu mais gosto na vida. Estou em uma fase desse tipo de afirmações definitivas, peremptórias. Mesmo que ainda aberto a aprender e (realmente) aprendendo todos os dias, existem – sim – algumas determinações definitivas.

 

‘The Concert in Central Park’, da dupla Simon and Garfunkel, com o registro do show beneficente realizado em setembro de 1981, em Nova York, e lançado em 1982, em que estiveram presentes mais de quinhentos mil pessoas, é esse disco. Escuto esse disco desde o final dos anos 80, quando pegava ele emprestado na discoteca do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, onde fazia aulas de inglês.

 

Pensando bem sobre o assunto, posso dizer que esse disco se enquadra em uma categoria de músicas que estou criando e chamando de a ‘trilha sonora da minha zona de conforto’, ou músicas que me proporcionam paz, que me deixam feliz. Aliás, essa é uma categoria que existe no Spotify, aprendi, mas acho essa uma definição mais pessoal. Entram – pensei agora – nas ‘músicas de sábado de manhã’, um categoria (minha) já antiga.

 

Não importa.

 

Esse é um dos meus discos favoritos da vida.

 

E você, qual a(s) músicas da sua vida? Me conta.


Até. 

terça-feira, abril 07, 2026

Cruzei a Linha

Já passei, eu sei.

 

Por mais otimista que eu possa, ou pudesse, ser, em virtualmente todas as formas de olhar para vida eu sei que já percorri mais da metade do tempo que tenho. Não vou viver mais cinquenta e quatro anos. Até poderia, como uma exceção à expectativa que se tem hoje, mas estou tranquilo que não vou.

 

Pensando sob esse prisma, de que já percorri (bem?) mais da metade de minha trajetória de existência, e que sinceramente não sei se há algo após a morte, tenho noção de que já tenho muitas histórias vividas e, portanto, para contar. 

 

Abre parênteses.

 

Sempre que alguém, por uma alguma razão qualquer, queixa-se de que “é ruim ficar velho”, eu respondo que quero ficar velho, afinal até hoje ninguém me convenceu que a outra opção é melhor, ninguém voltou para contar...

 

Fecha parênteses.

 

Dizia eu, então, que já vivi mais da metade da vida e que vivi e tenho histórias para contar. E é aí que entra uma questão com a qual tenho me deparado. Existe a tentação de ficar lembrando histórias vividas, revendo caminhos percorridos, lembrando como me tornei quem sou, sendo nostálgico. E o risco associado de parar de viver, de criar novas histórias, de ficar em uma rotina mecânica, sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar...

 

No fundo (ou nem tão no fundo assim), não existe esse risco, por mais que eu goste MUITO de relembrar histórias, rever pessoas que tiveram significado em minha vida. Continuo vivendo e criando histórias. Criando conexões e, como eu costumo dizer, aumentando minha bolha, tornando maior minha zona de conforto.


E não mexam com minha zona de conforto, por favor. 

 

Até.

 

segunda-feira, abril 06, 2026

A Sopa

Cinquenta e quatro anos.

 

Completados ontem, junto com a Páscoa de dois mil e vinte e seis. A última vez que as duas datas – Páscoa e meu aniversário – haviam coincidido foi há onze anos, em dois mil e quinze, quando fomos para Punta del Este para um casamento no dia quatro, e brindamos após a meia noite com Möet & Chandon, em meio à festa do casamento. Foi a única vez que brindei meu aniversário com champanhe...

 

Vivo, quase chegando na metade da década dos cinquenta anos, um certo dilema existencial. Por mais que me afaste a cada minuto que passa do que as pessoas consideram juventude, continuo me sentindo ainda muito jovem, com muito tempo (sei que tenho) pela frente. Mais do que isso, em boa parte das situações – profissionais ou não – sigo me sentindo um aprendiz. Ainda valorizo muito ouvir sobre a experiência dos outros, aprender com os outros.

 

Ao mesmo tempo, em virtude de já ter percorrido muitos caminhos ao longo desses cinquenta e quatro anos, sei que tenho histórias para contar. Vivi boas (e outras nem tão boas assim) histórias, convivi com muita gente, aprendi algumas coisas, já sei aquilo de que não gosto e que não é para mim. Aprendi a dizer não (continuo aprendendo). 

 

Sei, também, de quem quero estar próximo e de quem quero distância, pois não preciso de energia negativa, de pessoas que drenem minha energia. Não quero conviver com gente chata, na medida do possível.

 

Os amigos. 

 

Esses eu quero por perto, pois aí está o sentido da vida.

 

Até.

sábado, abril 04, 2026

Sábado (de manhã)

Brooklyn Bridge


O melhor momento da semana, ainda mais em Nova York...
Semana passada.

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, abril 03, 2026

Não Vou Morrer

Depois da chuva. Como um domingo. Não vou morrer*.

 

A morte é um assunto que me é comum, devo dizer.

 

Sim, por ser médico e lidar com pessoas (pacientes) muitas vezes em seu limite, em seus momentos finais, ou – por outro lado – afastando esse risco, ou possibilidade, ao menos temporariamente, do horizonte de quem me procura em busca de ajuda. De qualquer forma ela está sempre ali, pela volta, rondando e fazendo de tudo para não ser esquecida.

 

Também porque é parte da vida convivermos com o seu fim. Familiares, conhecidos mais ou menos próximos. Pessoas que admiramos. Todos vamos ter nossa experiência com a morte.

 

Eu tive algumas, ao longo do tempo.

 

Quase morte, hospital, vi - pela janela que não existia - um campo verde em um dia de sol intenso, que tudo iluminava, mas não tive vontade de caminhar para essa luz. Não era minha hora, ou era apenas um sonho de uma longa noite de sábado que durou treze dias e que me fez acordar com muita fome há mais de trinta e cinco anos? Não sei, não penso nisso e nem importa mesmo.

 

Lembrei disso agora porque estava lendo em algum lugar sobre o que as pessoas que estavam para morrer mais se arrependiam, e eram os encontros não realizados, as palavras não ditas, os – licença poética minha – churrascos não feitos. Não eram os bens materiais, mas as experiências não vividas, os momentos não compartilhados, as histórias não contadas.

 

Tenho procurado viver para não ter esse tipo de arrependimento. 

 

Memento Mori.


Até. 


* Bebeto Alves, 'Depois da Chuva' 

quinta-feira, abril 02, 2026

Havia um coach no meio do caminho

Estava eu assistindo a uma sessão durante a convenção da School of Rock, em San Diego, há pouco mais de uma semana, quando – durante a apresentação – o speaker falou em intuitive fence. A imagem apresentada era de um círculo, em cujo centro esta o chamado ‘possível’, e – à medida que se afastasse do centro, em direção aos limites do círculo, que tinha outros dois círculos externos a esse inicial, passava-se pelo ‘menos possível’ até, fora do círculo inicial, chegar-se na círculo mais externo onde estava o ‘impossível’. 

 

Deveríamos fazer esse caminho, do possível e seguro, em direção ao menos possível até – quem sabe – o impossível. Percebi, naquele momento, que estava assistindo a um coach (já sabia, na verdade, pois havia se apresentado assim, ele um ator de cinema), e aquele nome bonito, ‘intuitive fence’, era na verdade a famosa zona de conforto. Estava pregando que saíssemos da zona de conforto.

 

Não.

 

Não me levantei e sai da sala como gostaria, e nem questionei o apresentador, como talvez devesse ter feito. Não quis criar polêmica. Sou um cara tranquilo, da paz. Não costumo entrar em polêmicas. Mentira, mas não vem ao caso.

 

Deixem a (minha) zona de conforto em paz, por favor.

 

É uma questão conceitual, eu sei, e a esmagadora maioria das pessoas vê isso de forma diferente, mas vou sempre reafirmar que é a partir da zona de conforto que vamos progredir. É de onde partirmos para evoluir.

 

Crescer, se desenvolver, é alargar, ampliar nossa zona de conforto. Tornar maior nossa bolha.

 

É o que tento fazer.

 

Até.

quarta-feira, abril 01, 2026

Novo Momento

Como eu havia antecipado antes de viajar, voltaria de diferente da viagem que encerrou no último domingo, da qual ainda estamos correndo atrás para ‘recuperar’ o tempo perdido. Voltei. Diferente sim, no mínimo por descansado.

 

Conheci lugares os quais eu nunca havia visitado, revisitei lugares em que já estive várias vezes. Houve encontro viagem em grupo, e encontro de família. Caminhei MUITO, até perdi peso. Foi um baita passeio.

 

Um dos principais pontos foi, sem dúvida, o descanso mental, a fuga da rotina (que é importante, a rotina, mas que pode crescer como planta e engolir metade do caminho). A relatividade da percepção do tempo evidenciada: foi como se estivéssemos viajando por MUITO tempo, enquanto para quem ficou foi muito rápido.

 

Algumas ideias e resoluções.

 

Plano para pôr em prática.

 

Quem sabe o que vem por aí?


Eu não.


Até.