sexta-feira, maio 01, 2026

Chuva à Tarde

Chove nesse final de sexta-feira Dia do Trabalhador. Ou é Dia do Trabalho? Não importa, é feriado e é sexta-feira. Um terço de dois mil e vinte e seis já passou. Logo é Copa do Mundo. Depois, eleições. E o ano terminou. Mais um na conta, e menos um restante. Seguimos.

 

E chove... Uma goteira, fora,

Como alguém que canta de mágoa,

Canta monótona e sonora

A balada do pingo d'água.

(Chovia quando foste embora...)

 

Sempre que chove, e paro para ouvir o som da rua, não consigo não lembrar desse poema, que conheci (li e decorei) em 1987, em uma aula de literatura no segundo ano do ensino médio, na Escola Técnica de Comércio da UFGRS, nos fundos da Faculdade de Economia, Centro Histórico de Porto Alegre, curso de Técnico Operador de Computador Manhã. O professor de português e literatura acabou sendo o paraninfo da turma que se formou em dezembro de 1988 em uma cerimônia no Salão de Atos da UFRGS, e o grupo do ‘Fundinho’, do qual eu fazia parte, decidiu não ficar com todos os formandos no palco, como protesto por não sei o quê, mas eu não participei com eles, fiquei com a maioria em cima do palco como deveria ser. O meu ato de rebeldia foi não ir com o grupo como o esperado. Fazer parte do sistema foi ser alternativo... Qual significado disso? 

 

Absolutamente nenhum.

 

Apenas cheguei aqui em uma série de pensamentos paralelos que começaram com o som da chuva lá fora.


Até. 

quinta-feira, abril 30, 2026

A Melhor Fase da Vida

Há algum tempo, enquanto atendia a um paciente de cerca de cinquenta anos no consultório, ele comentou durante nossa conversa que vivia a melhor fase de sua vida, e elencou as circunstâncias e razões para esse pensamento, que eram basicamente as mesmas que eu, que tinha a mais ou menos a menos idade dele. Essa conclusão era a mesma para nós dois. Os cinquenta anos eram, para nós, a melhor fase da vida.

 

E ela seguiu. A vida, no caso.

 

Há poucos dias, uma semana ou duas atrás, atendi um paciente em primeira consulta, sessenta anos passados, em boa forma física e que comentou que comemorara o seu sexagésimo aniversário pedalando na Suíça, mais especificamente nos Alpes Suíços. Concluiu que estava ‘na melhor fase de sua vida’. Era alguém bem resolvido em termos de família, trabalho, relações pessoais. Não só isso.

 

Contou que, enquanto pedalava em trecho de subida ainda na Suíça, em determinado momento – em um pausa para descanso – passou por ele um ciclista claramente mais velho, subindo em um ritmo bom, constante. Ficou sabendo depois que o tal ciclista tinha oitenta anos, ou quase isso, e que vivia ‘o melhor momento de sua vida’.

 

Na hora não falei nada, apenas sorri cá com meus botões. A verdade (aquela...) estava na minha (nossa) frente o tempo todo, clara, cristalina, impávida que nem Muhammad Ali, apaixonadamente como Peri, tranquila e infalível como Bruce Lee*. Para não deixar dúvidas, peremptória.

 

A melhor fase da vida é agora.

 

Até.

* 'Um Indio', Caetano Veloso

quarta-feira, abril 29, 2026

A Verdade

Há muito tempo, provavelmente bem no início dos anos dois mil, eu costumava dizer que ‘enquanto as pessoas podem ter suas opiniões, meu compromisso era com a verdade’. Em algum momento até acho que foi o slogan de algum jornal, mas não vem ao caso. Era brincadeira, claro, mas até ali. Eu tinha o objetivo pessoal de falar a verdade.

 

A minha verdade.

 

E podemos entrar em uma discussão filosófica sobre o que é a verdade, ou A Verdade, aquela em escrita com letra maiúscula, única, definitiva, peremptória. Ela existe, realmente? Como a encontramos? Precisamos, queremos encontrá-la? 

 

Aliás, alguém pensa nisso, em encontrar A Verdade?

 

Já pensei, não penso mais.

 

Sigo o fluxo da vida, vivendo as minhas verdades e procurando ser tolerante com e respeitar as verdades dos outros. Se cada um vivesse a sua vida, a sua verdade, sem querer interferir, sem “se atravessar” nas verdades e nas vidas dos outros, tudo seria mais fácil. O mesmo com a liberdade. A tua acaba quando começa a minha.

 

Respeitar os limites do outros.

 

Não é difícil.

 

Até.

segunda-feira, abril 27, 2026

Sobre Certezas

Talvez seja cíclico, não sei ao certo, mas durante um tempo eu tinha certezas sobre a vida e o mundo, até o momento em que deixar de ter. Assim, de repente, humildemente. Viver sem certezas absolutas foi viver em um mundo novo, de aprendizados diários e uma ânsia de conhecer.

 

Contudo, tudo tem seu tempo, e chegou a hora de reestabelecer alguma segurança, alguma estabilidade na vida. De caminhar tranquilo por aí sabendo que certos fatos não mudam, que podemos sempre confiar. Fiquei feliz ao voltar conviver com algumas verdades inabaláveis (para mim, para mim). Como o caso dos vegetais comestíveis excluindo-se as frutas. Tenho a minha escolha.

 

A cebola.

 

Sou fã inconteste da cebola. Em molhos, saladas, qualquer que seja seu uso ao cozinhar, sempre é bom.

 

Era isso o que eu precisava dizer.


Até. 

domingo, abril 26, 2026

A Sopa

Esses dias, enquanto buscava uma fotografia para publicar em minha galeria do Instagram, como parte do projeto #phootooftheday, em que durante um ano publicarei uma foto aleatória – como o nome diz – por dia. Faltam agora cerca de vinte dias, aliás.

 

Mas dizia que procurava uma foto e pensava em uma música como tema para a publicação. Normalmente escolho a imagem e depois a música temática, digamos assim. Essa vez, contudo, tinha uma música em mente, que claramente estava associada a determinada fotografia.

 

A música em questão era ‘Produção Urgente’, do Nei Lisboa, que tem um verso que diz:

 

 ‘O mundo é quem sobrar no fim da noite dos amigos’.

 

A fotografia em questão é de mais de vinte anos atrás, quando eu estava morando no Canadá e vim comemorar meu aniversário em Porto Alegre, e era o final de noite, quando todos haviam ido embora e sobramos poucos, em volta de uma mesa, contando histórias e falando da vida. Não pude publicar, pois metade dos casais nela havia se separado.

 

Não ia pegar bem.

 

Decidi, então procurar outra que representasse o mesmo, e tive dificuldades de encontrar. Não que não existam outras que representem o mesmo sentimento, é claro que existem, até bem mais recentes, mas pensei naqueles amigos que te acompanham há muito tempo, passaram por quase todas as fases de tua vida, estiveram sempre ali, a um toque de distância. Existem também, mas são poucos e vão diminuindo ao longo do tempo.

 

E retorna outro pensamento mais ou menos recorrente: conforme o tempo passa, vamos ficando sozinhos, e algumas conversas não podem mais acontecer porque quem entenderia (por conhecer a história completa, desde o início) já não está mais por perto ou não entende mais.

 

Ilhas, vamos nos tornando cada vez mais ilhas.

 

Até.

sábado, abril 25, 2026

Sábado (e eu acho que vi um gatinho...)

O novo membro da família...


Dartagnan (ou Dart, de onde derivo Darth Vader, mas esse sou eu, O Estranho).

MUITO pequeno ainda, mas muito fofinho...

Bom sábado a todos.

Até.

 

quarta-feira, abril 22, 2026

Não Vamos Saber de Tudo

Conversava esses dias com minha mãe, e lembrávamos do meu tempo de adolescente, quando – durante os verões na praia – saía quase todas as noites, e eles - meus pais - não tinham a menor ideia de onde meu irmão e eu andávamos. Por outro lado, em Porto Alegre, saía pouco até entrar na faculdade. Por isso, diferente de mim, não lembro do meu pai ter me levado ou buscado de festas ou shows. Era outro tempo, claro.

 

Lembro do show do Sting no Estádio Olímpico, em 1987, quando eu tinha quinze anos. Até acho que já contei essa história por aqui, mas vamos lá... Fui ao show com amigos, e foi muito legal. Quando terminou, saindo do estádio, todos moravam na zona norte e apenas eu na zona sul. Fiquei sozinho, quase meia-noite, pensando em como voltar para casa. Teria que caminhar, ou pegar um ônibus, até o centro de Porto Alegre e daí para a zona sul. Era o que eu tinha de fazer, e ia fazer de forma mais ou menos tranquila. Era o final dos anos oitenta, eu tinha quinze anos, tudo ia dar certo. Eu imaginava, ou torcia para que fosse assim.

 

Saí do estádio, segui pela Av. Carlos Barbosa até a Av. Azenha, onde em frente a uma agência de um banco que existia ali, quase ao lado de onde fora (ou era, não lembro) a Ferragem Toledo, de que meu pai de um dos donos, bem ali, esperando suas filhas, estava um grande amigo do meu pai. Ao vê-lo, não tive dúvidas: fui falar com ele e acabei arranjando uma carona para casa. Sorte, acaso.

 

Comentei com ela essa história, que não lembrava (ou não sabia). Assim como várias histórias que vivi que nunca chegaram ao conhecimento deles, para o seu próprio bem... Lembrando que eram tempos diferentes, e que a relação entre pais e filhos era diferente. Que nós, pais de hoje em dia, sabemos bem mais da vida de nossos filhos que nossos pais sabiam da nossa. 

 

É evidente que existem acontecimentos e histórias que acontecem com a Marina que eu não fico sabendo, e está tudo bem, deve ser mesmo assim. O importante é que ela sabe que estaremos sempre presentes quando ela precisar. Que confiamos nela e que ela pode contar conosco.


Até.