A Sopa no Exílio
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sábado, outubro 10, 2026
Sábado (e estressado ou não)
quinta-feira, outubro 08, 2026
Dois mil e vinte e seis
Esse ano tem sido difícil.
Sob vários aspectos, sob diferentes perspectivas. Como sempre, e não poderia ser de outra forma, seguimos em frente, cabeça erguida, olhar no horizonte, mas cuidando para não tropeçar nas pedras do caminho.
Sou um otimista, e sigo acreditando – como sempre - que coisas boas estão a caminho, e que a luz ao final do túnel não é um trem... Independente disso, da expectativa de um porvir melhor, o importante é estar presente e aproveitar a jornada. E fazer as coisas agora que garantirão o desfecho desejado lá na frente. Apreciar o caminho (to enjoy the ride), o hoje, que é tudo o que temos.
Sei lá, rápidas reflexões de uma manhã chuvosa.
Até.
quarta-feira, outubro 07, 2026
Preciso Falar
Não resisto.
Vou falar de política...
Terminado o primeiro turno das eleições, a grande derrotada é – sem sombra de dúvida – a esquerda brasileira. E não é a primeira grande derrota, todos sabemos. Em 2018 já havia acontecido e, não se enganem, o atual presidente só ganhou a eleição de 2022 porque o presidente que tentava se reeleger conseguiu a façanha de ter maior rejeição por não ter ficado mais tempo de boca fechada. Agora, se repetiu a rejeição ao atual governo, por uma série de razões. Quero focar minha análise apenas em um fator.
A arrogância.
A esquerda brasileira (que é de quem posso falar, porque acompanho de perto há anos), independente de suas virtudes (que são muitas) e seus defeitos (tantos quanto as virtudes, como todos na vida), tomou para si a convicção de que é moralmente superior, e quem discorda dela, quem pensa diferente, está errado e, pior, é limitado intelectualmente, não tem caráter, além de todos os adjetivos negativos usualmente vociferados por quem se considera melhor. Que todos os que não pensam da mesma forma – atualmente mais da metade da população do país – é de alguma forma misógina, homofóbica, racista, fascista ou outra designação negativa.
Ao invés de procurarem cooptar corações e mentes, que muito bem fizeram durante anos, passaram a ‘segregar’ quem tinha a mínima discordância de ideias, tornaram-se intolerantes ao contraponto. Tudo isso ao mesmo tempo que relativizaram as suas próprias contradições, seus próprios problemas.
Com isso, colocaram-se em um pedestal de virtudes autoproclamadas e se afastaram do mundo real, das pessoas que trabalham de sol a sol em busca de seu sustento, de melhorar de vida, das pessoas que buscam, por conta própria, resolver sua vida. Vilanizaram esses trabalhadores, vilanizaram a classe média que lutas todos os dias e quer liberdade para vencer na vida, o que é um conceito individual, já disse isso uma vez.
Isso é uma generalização, claro.
Existem pessoas e ideias boas de ambos os lados do espectro político. Ter visões de mundo diferentes e debater ideias é produtivo. Os extremismos é que são ruins. Como quem olha em um espelho, adjetivar negativamente quem apenas pensa diferente de ti, como tem se visto muito por aí nesses dias de clima eleitoral, diz muito mais sobre quem faz isso do que sobre a quem está sendo dito.
Pois é.
Até.
terça-feira, outubro 06, 2026
Da Turma
Um dos problemas de se viver em uma grande bolha, que engloba pessoas muito diferentes, com opiniões e posições políticas opostas, o que é diferente do que normalmente viver em uma bolha significa, é muitas vezes ‘pisar em ovos’ para evitar incomodações, principalmente em termos de política e em dias atuais. Ainda mais que admiro, e sou amigo, de pessoas que pensam de maneira diversa, que inclusive se posicionam de maneira diferente da minha.
E tudo bem. Somos amigos, não é um time de futebol ou partido político que vai nos separar, causar brigas. A conversa será olho no olho, e tudo deve ficar tranquilo.
O problema são as redes sociais.
Porque se eu compartilhar alguma coisa que acho pertinente, que reflete de alguma forma o que penso, certamente vai ter alguém que, à distância, vai ler, provavelmente interpretar de maneira equivocada, tirar conclusões definitivas sobre mim e me rotular como isso ou aquilo. Em resumo, vai ser um saco.
Se realmente quiserem saber, me perguntem pessoalmente. Até porque a maioria das pessoas não quer saber o que penso desse ou daquele candidato ou partido político. Querem mesmo é saber de que lado estou, se a favor ou contra suas posições, se sou da sua turma e contra a outra ou não. E mesmo sendo um entusiasta de turmas e de fazer parte, desse tipo de associações eu não quero fazer parte...
Até.
segunda-feira, outubro 05, 2026
A Sopa
Antes que perguntem, a resposta é não.
Não houve peixes pescados por mim, apesar de um ter sido fisgado e escapado e outro – grande, supomos – fez a linha estourar, na pescaria em que estive semana passada. Certamente o comentário a ser feito por quem convive comigo é “não sabia que eras pescador”. Pois é.
Não sou. Ou não era, ao menos.
Depois de muito tempo e uma pandemia, finalmente consegui – por questões logísticas – participar do grupo de pesca que incluiu alguns dos parceiros de hospital, em especial dos que almoçamos juntos ao menos três vezes por semana no restaurante aqui ao lado do hospital. Vinham insistindo que eu fosse junto há bastante tempo e, lá em 2019, havia me programado e iniciado a pagar a pescaria que seria em agosto ou setembro de 2020, mas aí houve o COVID e ficou em suspenso. Esse ano, tudo se encaixou e pude, finalmente, ir.
Saímos na terça-feira à noite de ônibus leito e fomos até Esquina, Argentina, às margens do rio Paraná para três dias de pescaria, que acabaram sendo dois porque no sábado choveu (muito) e decidimos – minha dupla de barco e eu – ficar no hotel. Valeu muito, como já disse.
Ao final das contas, e sinceramente não racionalizando por não ter pegado nada, pescar – no fundo - era o de menos. O importante era – tema recorrente em meus escritos – a turma, o grupo, o fazer parte, o pertencimento. A convivência no ônibus, as refeições juntos, as histórias, os risos, os vinhos (que nem tomo tanto assim). Os assados (churrasco, outro tema recorrente meu). Também os momentos de silêncio e reflexão no barco, o ruído da água, a quase meditação. As memórias de infância, quando velejávamos e pescávamos e eu era o mais novo junto com meu pai e seus amigos, e lembro das histórias ouvidas à noite em torno da fogueira (‘e aí aproximei meu esqueleto do cadáver dela, e ela toda melosa, toda babosa...’).
Voltando ao presente, o companheiro de barco e de quarto, que foi meu professor, quase com idade para ser meu pai, dividiu comigo esses silêncios, mas também conversamos sobre o passar do tempo, religião, morte, e o que se leva da vida, que são esses momentos, a convivência.
Estórias para contar.
Até.
sexta-feira, outubro 02, 2026
Dos rolês aleatórios
Estou aqui, em Esquina, na Argentina, com um grupo de amigos em uma pescaria. Quem poderia imaginar, não?
Nem eu, nem eu…
Está MUITO legal!
Domingo, publico foto.
Até.
domingo, setembro 27, 2026
A Sopa
Hoje é sobre política.
Por isso, já se sabe que é um crônica datada.
Não, não interessa o que eu penso sobre isso e muito menos em quem vou votar. Quem quiser conversar sobre isso, que fale pessoalmente comigo. Posso ouvir suas razões e posso mostrar meus argumentos, assim, de boa. Ou não, se seu clima for meio bélico quanto a isso.
Bom, estamos a uma semana das eleições no Brasil e, no fundo, ninguém tem certeza do que vai acontecer, qual será o resultado, para qual lado vai pender a balança dessa vez. Ambos os lados estão com os nervos a flor da pele que até beijo de novela os faz chorar (referência musical em meio a um assunto sério) e procuram (e até encontram) razões para justificar uma possível derrota.
Todos têm a certeza do apocalipse caso a sua linha de pensamento saia derrotada no final do processo, que terá dois turnos. Todos têm a certeza de que a única saída possível é o seu candidato vencer, independente do que o outro lado fale dele, de quem sejam seus aliados, ou cúmplices, se foi condenado ou não, se foi beneficiado por esse ou aquele esquema. Se está do mesmo lado que eu, ignoro tudo que me convém ignorar. Em meio a todo esse debate intenso, às diversas bolhas que não se tocam, uma coisa me impressiona.
É ver pessoas extremamente inteligentes, cultas, centradas, que têm minha admiração, com bons e fortes argumentos defendendo suas posições, se posicionarem de um lado e outro do espectro político com convicção admirável, com certezas definitivas. Terem para si a certeza de que sua linha, digamos, ideológica é a única saída possível.
E eu, o que penso?
Que a “minha bolha” é ampla o bastante para abrigar pessoas e pensamentos muito variados, e que me faz pensar e ver o mundo sob diferentes ângulos no momento de decidir. O que é muito bom, devo dizer.
E, se me estressar, vou pescar...
Até.
