quarta-feira, outubro 28, 2026

Viajando por Aí

Viajar amplia nossa visão de mundo.

 

Ter, ou criar, a oportunidade de conhecer lugares diferentes, países, cidades, pessoas, deveria sempre nos tornar mais tolerantes, mais abertos à diversidade, seja de pensamento, de cultura, de modo de vida. Que cada um tem o direito de viver da forma que entende ser a melhor possível para si, e ninguém tem direito de determinar como o outro deve viver. Simples assim, na teoria. Quanto à prática, bom, deixa para lá.

 

Como eu já contei, a primeira vez em que saí do país foi aos vinte e três anos de idade, já médico e namorando a pessoa com quem estou casado até hoje, mais de trinta anos depois. A partir dessa primeira vez, organizamos nossa vida à época priorizando as viagens muito mais que bens materiais. Tivemos o benefício de ter moradia própria desde que nos casamos, então direcionamos muito a vida em poder visitar lugares diversos e revisitar aqueles mais queridos.

 

Todas as viagens foram especiais, claro, umas mais e outras menos, mas sempre nos deixaram com ótimas lembranças, momentos e situações realmente memoráveis. Assim como a vida, não existe uma fórmula única de como melhor viajar.

 

Viajamos muito em grupos de amigos, em família, Jacque, Marina e eu, e apenas a Jacque e eu, de avião, de carro, mas ainda não de navio, infelizmente. Até morei fora do Brasil um tempo. Todas foram boas – não existe viagem ruim, até que se prove em contrário – de sua maneira. Em toda viagem, acredito que voltei um pouco diferente de quando saí, mas nunca perdi o encantamento do processo, da experiência.

 

Talvez isso seja o importante: por mais comum que seja, por mais habituado estejamos com tudo isso, não podemos perder esse encantamento quase infantil (e isso é um elogio) de conhecer um pouquinho mais das pessoas, do mundo.

 

Lembro sempre que, há alguns anos, quase dez, na verdade, estava viajando a trabalho para um congresso na França (era especialista médico de um laboratório da indústria farmacêutica). Estava saindo três dias antes do habitual porque encontraria a Jacque, a Marina e a Karina (minha cunhada) em Paris, onde elas ficariam de férias enquanto eu estaria trabalhando. Saí sozinho de Porto Alegre, com conexões no Rio e em Amsterdam antes de pousar em Paris. Voava de executiva, benefício de se trabalhar no mundo corporativo.

 

Durante a escala em Amsterdam, enquanto circulava pelo terminal do aeroporto de Schiphol em direção ao portão de embarque do voo AMS – CDG, parei por um momento, olhei em volta, de onde eu estava, e sorri. Pensei em minha história, em onde estava naquele momento de vida e em quem eu iria encontrar em Paris antes de começar o trabalho. O que eu já tinha visto, o que eu ainda tinha para ver e as pessoas que eu ainda conheceria.

 

Tinha valido à pena. E tem valido até hoje.

 

Até.

terça-feira, outubro 27, 2026

Ainda o Inferno

Ainda sobre minha primeira viagem para fora do Brasil.

 

Foi em 1995, para os Estados Unidos, no tempo em que os vistos para entrar nesse país eram – ao menos no nosso caso – de três meses, e o Consulado Americano era no Centro Histórico de Porto Alegre quando ainda não o chamavam de Centro Histórico, algum tempo antes de o consulado fechar e permanecer assim por vários anos, tanto é que tive que ir à São Paulo quando precisei de visto na mesma época em que fui morar no Canadá. Minha primeira viagem internacional, meu primeira experiência de voar.

 

Lembro que entramos nos Estados Unidos por Miami, onde ficamos uns dois ou três dias antes de seguirmos para Orlando e seus parques. Ficamos em um hotel em Miami Beach, e logo no primeiro dia fomos à praia e alugamos um jet-ski, também minha primeira vez (e única?). Saímos da praia e ficamos um tempo na piscina com hidromassagem... me sentia um privilegiado...

 

Depois desses talvez dois dias em Miami, seguimos para Orlando pela Florida Turnpike, pedagiada. Eu era o que melhor falava inglês ou, ao menos, eu era quem tinha a ‘cara de pau’ de falar, de interagir, conversar com as pessoas, principalmente em hotéis e restaurantes, meio que uma tradição que continuou por muitos anos em diferentes países e diferentes idiomas, mesmo eu não falando a maioria deles, até ser “substituído” pela Roberta, minha afilhada, no Uruguai em 2022...

 

Na estrada, entre Miami e Orlando, em um tempo antes dos pedágios automáticos, tínhamos que parar para pagar a tarifa (quando não apenas jogar as moedas em um coletor). Em uma dessas paradas, enquanto fazíamos o pagamento, aproveitamos para perguntar sobre uma direção que tínhamos que seguir, e a resposta que entendi na hora foi um estranho ‘Go to Hell’, o que não gerou uma resposta nossa qualquer, exceto estranhamento e seguirmos em frente.

 

Foi só depois que nos demos conta que a resposta havia sido ‘Go ahead’, siga em frente, e a confusão havia sido pelo sotaque de quem falou... 

 

Meu inglês melhorou muito desde então...


Até. 

segunda-feira, outubro 26, 2026

A Sopa

A primeira vez que entrei em um avião, em que fiz minha primeira viagem aérea, foi em 1995. Éramos, a Jacque e eu, namorados há pouco tempo, e tiramos quinze dias de férias juntos em junho daquele ano. Fomos para os Estados Unidos, primeiro para a Flórida, Miami, Orlando com parques, e depois para Nova York, Filadélfia, Washington e de volta à Nova York, de onde voltei ao Brasil, pois minhas férias terminavam, e a Jacque, com a Karina e o Paulo (cunhado dela à época), seguiram por mais alguns dias entre EUA e Canadá.

 

O voo, saindo de Porto Alegre, fez escala (ou conexão, não lembro) no Rio de Janeiro, e lembro de chegar (ou sair) à noite, vendo as luzes da cidade, e cantarolar – eu, com meus botões - Tom Jobim, ‘Samba do Avião’, e lembro de uma sensação de estranheza, de irrealidade, isso de viagens aéreas. Era a primeira vez, entendo, e tornou-se habitual, principalmente quando eu viajava semanalmente a trabalho.

 

Mas queira contar outra história.

 

Em Nova York pela primeira vez, lembro do ‘espanto’ com os edifícios muito altos, as sirenes soando constantemente, uma sessão de cinema ao ar livre sentados na grama do Bryant Park, na 6th Ave com 42nd St, logo atrás da New York Public Library. Obviamente caminhamos muito, como sempre acontece em viagens.

 

Foi nessa primeira vez que subimos no Empire State Building, visita completa, até o mirante do 86º andar (não tenho certeza se fomos até o 102º). Nessa viagem, não visitamos as Torres Gêmeas, ainda de pé, e deixamos para um próxima vez, o que nunca ocorreu, pois voltei para lá apenas somente em 2004, quase três anos depois do 11/09.

 

Na volta ao Brasil, lembro que algum de nós havia comprado um jogo de computador chamado Hell’s Cab, que se passava em Nova York. O jogo incluía uma entrada no Empire State, e cheios de conhecimento, afinal estivéramos ali pouquíssimo tempo antes, entramos (no jogo) nele e certos do que fazíamos, cheios de razão, confiantes, ‘caímos’ no inferno em TODAS as tentativas que fizemos de circular pelo ponto turístico em questão. Todas mesmo. Não sei se foi por isso, mas NUNCA mais tentei subir no Empire State...

 

Lembrei disso ao assistir um vídeo no You Tube de uma brasileira que caminhou por toda Manhatan em um dia, e incluiu o Empire Sate no seu passeio. 

 

Até.

sábado, outubro 24, 2026

Sábado (e Por aí, Porto Alegre)

 

Um sábado qualquer...


Um noite de sábado, em que não chovia, no Viaduto da Borges.

Bom final de semana a todos... 

E  juízo!

Até.


quinta-feira, outubro 22, 2026

Muito Barulho por Nada

O problema do mundo são as minorias barulhentas.

 

E não estou falando (apenas) de política.

 

Não tenho nenhuma dúvida que essa sensação ruim que temos com relação às pessoas, esse mal-estar coletivo, ele decorre apenas como reação às minorias barulhentas, que – com suas pautas diversas, que não vem ao caso – acabam dominando o ambiente. Quem grita mais alto ganha mais atenção, pensam. 

 

Só que a maioria não é assim.

 

Nós, a maioria, nós somos quem respeita os outros, que aceita que as pessoas vivam suas vidas conforme suas crenças pessoais, conforme suas opções, nós que estamos presentes, e sempre no horário marcado, que mantemos a palavra e os compromisso assumidos, nós que respeitamos contratos firmados, nós que não tentamos nos aproveitar da boa vontade das pessoas, nós que pregamos que a liberdade individual é um princípio básico da existência. Somos nós que fazemos o mundo funcionar.

 

Os que gritam demais, brigam demais, aqueles que tentam levar vantagens pessoais em tudo que fazem, mesmo ou principalmente em detrimento de outros, aqueles que não estão no jogo para todos ganharem, esses – apesar de parecerem ser muitos – não predominam. 

 

Nós, a maioria silenciosa, é quem tornamos a vida boa.

 

Muitas vezes, corremos o risco de generalizar e pensar que é a maioria que está gritando, e que as pessoas são assim, ruins. 


Não é, não são.


Até. 

quarta-feira, outubro 21, 2026

Quase lá

O fim está próximo, e isso é bom.

 

Do período eleitoral, do mês, do ano. A sensação que tenho ou, talvez, a vontade, seja de apenas colocar o carro em ponto morto (do tempo em que carros automáticos eram raros) e seguir ‘na ponta dos dedos’ (outra referência automobilística) até o final de dezembro. Terminar logo dois mil e vinte e seis.

 

Esse foi, até aqui, um ano difícil.

 

E agora amplio o meu olhar para pensar sobre o que significa um ano difícil e o que esse tem de diferente dos outros para que possamos afirmar com convicção o maior grau de dificuldade do atual. Todos os anos são, de um jeito ou outro, difíceis, desafiadores. E isso aqui não é uma retrospectiva antecipada. É que parei um pouco para pensar.

 

Por que dois mil e vinte e seis foi complicado? Aliás, e volto a falar disso, quais critérios uso (usamos) para avaliar a vida? Fatores econômicos, políticos, os relacionamentos, as pessoas que entram e saem de nossas vidas, os medos que surgem no caminho, as ansiedades que se abatem em maior ou menor grau? Aquilo que fizemos, o que vivemos, e aquilo que deixamos de fazer, as palavras não ditas, para o bem e para o mal? As epifanias que tivemos, as conversas que tivemos e as que não temos como ter novamente?

 

Os livros lidos, as músicas ouvidas (e aquelas tocadas), os filmes que não vimos? As comidas que fizemos e as refeições que compartilhamos? Os inimigos reais e os imaginários? Quem nos ajudou e quem ajudamos? Cada um tem seus critérios e suas aspirações. Eu?

 

Sigo em busca da simplicidade.


Até. 

terça-feira, outubro 20, 2026

No consultório

O exame físico é parte fundamental da consulta médica, evidentemente. Verificar os sinais vitais, pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, auscultar o tórax, coração e pulmões, além do resto do exame, não menos importante, é o que complementa o processo de avaliação do que levou o paciente à consulta. Na rotina dos dias, muitas vezes esquecemos do quão fantástico é o corpo humano em funcionamento, uma máquina quase perfeita.

 

Parece tão banal, isso de parar em silêncio e ouvir o bater cardíaco, sístole e diástole, movimento involuntário e constante. Na verdade, não é, mas nem sempre nos damos conta disso.

 

Estava eu esses dias concentrado em ouvir o ritmo regular, em dois tempos, as bulhas cardíacas normofonéticas, nem muito fortes e nem abafadas, B1 e B2, que não são bananas de pijamas como os personagens infantis do final dos anos noventa, quando – depois de mais de trinta anos fazendo isso, ouvindo pessoas, suas histórias, seus pulmões e corações – como em uma epifania, fiquei encantado em ouvir o bater ritmado do coração de quem eu examinava, fiquei – posso dizer – espantado de novo em ouvir a vida em sua comprovação mais básica, mais raiz. Desde lá, como uma criança descobrindo o mundo, fico admirado ao ouvir o bater do coração e, também, o ar que entra e sai do peito. 

 

Que responsabilidade é manter esse sistema em perfeito funcionamento, e que felicidade saber que posso (podemos) ajudar e melhorar aqueles que precisam.


Até.