terça-feira, março 03, 2026

O Que Ouvimos

Estudos científicos evidenciam que nosso gosto musical, apesar de evoluir ao longo dos anos, basicamente é formado com o que ouvimos entre os doze e os vinte e dois anos de idade. São essas músicas que serão nossas preferidas ao longo de toda vida, por algumas interessantes razões.

 

Em primeiro lugar, é uma fase de alta plasticidade do cérebro, ainda em formação, absorve muito, e quando as emoções são intensas. Associamos, então, aquilo que ouvimos a alguns momentos marcantes de nosso desenvolvimento pessoal. Eventos que, nesse período da vida, potencialmente viram grandes histórias. O ouvir música, nessa fase da vida, está associado a uma grande liberação de dopamina, o que ajuda a fixar essas memórias permanentemente. 

 

É o que nos faz lembrar e cantar músicas muito antigas como se ainda as ouvíssemos diariamente, as “desencavamos” do fundo de nosso baú de lembranças, de memórias. Não só isso, e aí falo de mim, de algo que ocorre comigo de maneira muito intensa, que é a nítida sensação de voltar no tempo e estar vivendo o(s) momento(s) em que determinada música esteve presente de forma importante na minha vida. Uma máquina do tempo, que ainda hoje me impressiona e fascina.

 

Também a música como identidade pessoal e como forma de identificação e aceitação em grupos de convívio. Nosso gosto musical também é moldado pelos nossos grupos de convívio, grupos dos quais fazemos parte. Se, por um lado, a música serve para afirmarmos nossa individualidade, ela serve da mesma forma para (nos) reconhecermos (n)os iguais. É uma forma de agregar, aglutinar os semelhantes (em gosto musical, ao menos).

 

O gosto musical, então, desenvolvido nesses anos de formação, é de extrema importância, porque define muitas nossas relações sociais e locais de convívio. Uma música errada ouvida nessa época da vida pode determinar um futuro não promissor. Por isso que – minha opinião - temos que cuidar aquilo que apresentamos a nossos filhos, aquilo que ouvimos em casa.

 

O futuro deles também depende disso.


Até.   

segunda-feira, março 02, 2026

Excessos

Excesso de futuro.

 

Entre as definições de ansiedade, essa é mais uma, e – provavelmente como quase todas – está, de uma forma ou outra, correta. Quando passamos muito tempo preocupados com o que vai acontecer, com a incerteza dos desfechos para o que vivemos agora, deixamos de viver o agora. O sofrimento gerado por um futuro (im)provável nos priva o presente.

 

Da mesma forma, diz-se que o excesso de passado, com o foco em culpas, mágoas e arrependimentos é sinal de depressão. Seria um outra forma de ‘fugir’ ou não conseguir viver o presente. Ambos seriam, então, fugas da realidade com consequências ruins para quem vive essas condições. Penso que se é para fugir da realidade, que ao menos seja divertido...

 

Quem me conhece um pouco (não muito) mais profundamente sabe, afinal aparentemente está ‘na cara’, que em mim o pêndulo tende para o lado do excesso de futuro, ou a preocupação com o mesmo, ansiedade. De tempos em tempos, sou ‘atacado’ por pensamentos intrusivos que, se antes não acontecia, recentemente me fizeram despertar (ainda) mais cedo do que o costume algumas vezes.

 

Aprendi a identificar esses episódios, a natureza irracional deles, e o antídoto a esses momentos. Torno os pensamentos racionais, até os verbalizo para que soem o que são, irreais e sem sentido. Tem funcionado, até o próximo episódio em que tenho que fazer o mesmo trabalho mental para ‘voltar aos eixos’.

 

E assim vamos.

 

Até.

domingo, março 01, 2026

A Sopa

Daquela noite em diante.


Quando olhamos para trás, em busca de entender a forma pela qual chegamos aonde estamos e como nos tornamos quem somos, nem sempre é possível identificar um momento único que resultou em uma grande mudança na vida, uma grande mudança em nós. Principalmente porque essas mudanças que ocorrem usualmente ocorrem de forma gradual, de início pequenas e – como juros compostos ou mesmo uma avalanche – resultarão com o passar do tempo em grandes alterações.

 

Eventualmente, claro, conseguimos identificar um ponto de virada ou outro, mesmo que não tenhamos como quantificar o tamanho do impacto do que está acontecendo em tempo real, à medida vivemos esse momento. Quase sempre será em retrospectiva, e encaixaremos os eventos na narrativa que vamos contar, na estória que interessa.

 

Já falei disso, como quando ler um jornal em uma manhã do ano de 1985 me levou a ir fazer minha primeira carteira de identidade para a inscrição do teste de seleção da Escola Técnica de Comércio da UFRGS, curso Operador de Computador, ainda antes da Internet no Brasil, o que me fez conhecer pessoas e que moldou minha forma de ver o mundo. Ou quando sonhei com a Jacque justamente na noite em que havia reatado um outro relacionamento e tínhamos ido para a praia para o carnaval, e acordei no meio da noite e pensei que nunca teria uma chance com ela, a Jacque, com quem nunca tivera nada, e o relacionamento que eu havia retomado acabou no dia seguinte, não porque eu tenha feito algo, mas porque não era para ser e ela (com quem eu tinha reatado) sabia disso, e o caminho ficou livre para eu perguntar para a Jacque, há trinta e um anos, porque ela brincava comigo e ela responder que não era brincadeira, e  tudo é história desde então.

 

Como eu disse, o tempo, quando olhado em retrospectiva, passa rápido e se encaixa em nossa narrativa.

 

Em fevereiro de 2022, em meio à pandemia, já tendo passado sua pior fase, tiramos férias e fomos para o Uruguai em família. Seis em um carro, Karina, Gabriel, Roberta, Marina, Jacque e eu. Eu dirigindo e definindo a trilha sonora, afinal ‘meu carro, minhas regras’. 

 

Comecei a viagem no modo grumpy, como de costume. 

 

Pandemia, tempo sem férias, a saúde do meu pai que não era das melhores naquele momento (morreria em julho daquele ano, infelizmente) eram alguns do fatores que contribuíam para isso. Acontece que as coisas mudaram durante a viagem. Relaxei, me soltei, aproveitei a viagem como poucas vezes fizera na vida, admito. Leve, sorridente, em paz.

 

Foi assim que voltei, e foi assim que fui para ver a Marina fazer show na praia naquele sábado à noite. Litoral norte gaúcho. Chegamos na praia no meio da tarde, e estivemos acompanhando desde a montagem do equipamento até a passagem de som. Um violão passou por minhas mãos, brinquei com ele um pouco.

 

Assistimos (a Jacque e eu) ao show, que foi bem legal. Um clima familiar, de comunidade e mais importante de tudo, de pertencimento. Me senti em casa e acolhido. Em determinado momento, olhei para a Jacque e disse que aquilo era o que eu queria para mim. Era o ambiente onde eu queria estar.

 

Não tinha ideia da magnitude da mudança que viria a partir dali, do quanto eu mudaria a vida a partir daquele momento. Lugares, pessoas, relações. A música como uma constante nos meus dias.

 

Como em toda decisão que tomamos, temos de viver com suas consequências. Perdemos aqui e ali, enquanto ‘ganhamos’ em alguns aspectos. Pessoas chegam e pessoas saem, tudo normal. 

 

A conta final, a ‘fatura do cartão’, essa virá em algum momento, e sempre esperamos que seja positiva para nós. Faremos, com certeza, que ela seja, ou ao menos pareça, coerente como a narrativa que escrevemos de nossa vida. É assim, sempre foi assim.

 

Está sendo assim.

 

Mesmo que eu não soubesse o tamanho do que aconteceria, os caminhos que eu percorreria a partir dali, eu sabia que tudo seria diferente daquela noite na praia em diante, quando eu percebi que era aquilo que eu queria para mim.


Até. 

sábado, fevereiro 28, 2026

Sábado (e mais estudo)

  
E não é bossa nova...
 

Domingo, 08/03.
Espaço 373.

Bom sábado a todos.

Até.


sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Hábitos

Lá em casa ainda recebemos o jornal físico todas as manhãs.

 

Parece um contrassenso, eu sei, em tempos de notícias atualizadas em tempo real no telefone celular, manter o custo que não é barato da assinatura de um jornal que é entregue na nossa porta dos todos dias de manhã com notícias do dia anterior. Reconhecemos isso, não sabemos quanto tempo mais ainda irá durar, mas seguimos.

 

Também porque sou (agora falo de mim, especificamente) uma pessoas de hábitos. Como ler o jornal enquanto tomo café da manhã, o que normalmente faço antes das meninas tomarem seu café. Então é um momento de silêncio, de leitura e sem tecnologia, antes de me conectar com o dia que começa.

 

Nos últimos dias, em meio à leitura, incluí fazer as palavras cruzadas que vem nele. Envelheci uns vinte anos desde então. Mas tem sido bem divertido.


Até 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Escrevo, Logo Existo

Registro da memória e entendimento das coisas.

 

Depois de um ano e meio em que escrevi diariamente como método, como rotina, decidi me conceder uma folga. Em dois mil e vinte e seis escreveria menos, mais relaxado, talvez com mais tempo por não ter a ‘obrigação’ de escrever todos os dias. Poderia escrever textos mais elaborados, mais bem pensados do que o registro diário (quase) contra o relógio, no começo do dia.

 

Não deu certo.

 

Para mim, ao menos. Senti falta de fazer, do compromisso assumido comigo mesmo de manter a rotina, o hábito. Foi estranho, admito. A ideia é, não sei em qual ritmo, voltar a isso.

 

Escrever, já sabia e tive essa certeza reforçada, é uma forma de terapia para mim. Quando escrevo, verbalizo ali o que penso, o que sinto, o que espero e do que tenho medo. Registrar, colocar no papel, mesmo que virtual, as minhas ansiedades, as torna reconhecíveis, quase palpáveis e dá a devida dimensão a elas, que usualmente são menores do que parecem quando permanecem no campo do pensamento ansioso. Também para registrar o que se passa, o que acontece na (minha) vida.

 

Não só escrever tem esse feito para mim, claro. Conversar, falar sobre o que penso e sinto é – desde que consigo lembrar – uma das melhores formas de lidar com o que acontece, de reagir ao mundo e suas demandas que podem gerar angústia. Me ajudam a colocar as coisa em perspectiva, a retirar o hiperfoco em mim e olhar para o todo. 

 

Mas esse sou eu, o meu jeito. Cada um tem sua forma de lidar com as coisas, com o mundo.

 

Até. 

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Esse Mês

Fevereiro está longo demais.

 

Estranho isso, essa sensação de que o mais curto mês do ano está mais longo que os meses mais longos, ainda mais porque é verão e deveria tudo ser mais calmo, mais leve. Até que foi, mas não foi.

 

Não foram realmente férias aqueles dias do começo do mês em que não trabalhamos, não por ficarmos em Porto Alegre, mas por fatores já contados aqui. A Hermione – nossa gatinha – estava internada e não se recuperou, exatamente naqueles dias, que foram de visitas ao hospital veterinário, e alguma atividade física.

 

Tive momentos de pensamentos intrusivos que me acordaram de madrugada e tiraram o sono, e um trabalho mental para superá-los. Fantasmas que rondam e tentam me pegar com a guarda baixa para aterrorizar. Não têm conseguido, desde que detectei essas “tentativas”.

 

Tergiverso, contudo.

 

Só quis dizer que esse fevereiro não foi (para mim, para mim) carnaval. Março, por outro lado, será um mês meio de trabalho e meio de fora, por aí, entre reuniões e algum descanso.

 

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Até.