O exame físico é parte fundamental da consulta médica, evidentemente. Verificar os sinais vitais, pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, auscultar o tórax, coração e pulmões, além do resto do exame, não menos importante, é o que complementa o processo de avaliação do que levou o paciente à consulta. Na rotina dos dias, muitas vezes esquecemos do quão fantástico é o corpo humano em funcionamento, uma máquina quase perfeita.
Parece tão banal, isso de parar em silêncio e ouvir o bater cardíaco, sístole e diástole, movimento involuntário e constante. Na verdade, não é, mas nem sempre nos damos conta disso.
Estava eu esses dias concentrado em ouvir o ritmo regular, em dois tempos, as bulhas cardíacas normofonéticas, nem muito fortes e nem abafadas, B1 e B2, que não são bananas de pijamas como os personagens infantis do final dos anos noventa, quando – depois de mais de trinta anos fazendo isso, ouvindo pessoas, suas histórias, seus pulmões e corações – como em uma epifania, fiquei encantado em ouvir o bater ritmado do coração de quem eu examinava, fiquei – posso dizer – espantado de novo em ouvir a vida em sua comprovação mais básica, mais raiz. Desde lá, como uma criança descobrindo o mundo, fico admirado ao ouvir o bater do coração e, também, o ar que entra e sai do peito.
Que responsabilidade é manter esse sistema em perfeito funcionamento, e que felicidade saber que posso (podemos) ajudar e melhorar aqueles que precisam.
Até.