Podemos dizer que a primavera ainda não chegou de verdade aqui no sul do mundo, mesmo que o calendário nos afirme o contrário. Mudanças climáticas, Super El Niño, aquecimento global, todas são explicações válidas para esse fenômeno que se abateu sobre nós esse ano. Que, por sinal, está contrariando minha convicção irracional de que anos pares são melhores que anos terminados em número ímpar, o que realmente não é importante, não quer dizer nada.
Estamos a uma semana do segundo turno das eleições brasileiras e tenho cada vez mais certeza de que esse clima chato não vai acabar após a decisão de quem será o novo presidente, independente de quem ganhar. Eu, cá no meu canto, não gosto nem um pouco de nenhum dos dois candidatos, então qualquer que fosse o meu voto, ele seria (será) constrangido, um voto em quem eu acho que pode atrapalhar menos a minha (nossa) vida.
Uma coisa é certa, entretanto.
Se algum dos candidatos se comprometesse a trazer de volta o horário de verão, ele teria o meu voto na hora. Além de seu eleitor, seria entusiasta, sairia por aí com sua bandeira, adesivaria o meu carro, entregaria panfletos, gravaria vídeos, até faria dancinhas no TikTok.
O horário de verão é a solução para a polarização do país.
Com mais tempo de luz, de dia claro, no final do dia, junto com dias de temperatura mais amena, as pessoas saem mais, vão para as ruas, se reúnem mais, convivem mais, o que significa menos tempo em redes sociais, menos tempo no WhatsApp, menos teorias da conspiração, menos chance de lerem algo e não entenderem e brigarem por isso. Ninguém é tão agressivo pessoalmente quanto o é em comentários do Instagram, por exemplo. Pessoalmente, tudo é mais fácil de resolver, e é muito mais simples de encontrar pontos de concordância, pontos em comum. Até porque, se pensar só um pouco, todos queremos mais ou menos as mesmas coisas.
É mais fácil resolver os problemas do mundo em uma mesa de bar, ou em um churrasco, do que em frente à tela do computador ou do celular, influenciados por um algoritmo que "quer ver o circo pegar fogo".
Até.
