quarta-feira, outubro 14, 2026

Mudar de Fase?

Fiquei sabendo, há alguns dias, que uma amiga da Marina havia dito que não via a hora de terminar o ensino médio e não mais ser obrigada a conviver com muitos do seus colegas de escola. Que estava na hora de mudar de fase, esse o seu desejo, interpretei eu.

 

Calma lá com seus desejos, minha cara, pois eles se tornam realidade e – quando perceberes – o tempo terá passado rápido demais e sentirás saudades desse tempo. É fácil falar, e difícil de sentir e fazer, mas vive cada momento em toda sua intensidade, porque ele é e será único.

 

Essa ansiedade para que o tempo passe e as coisas aconteçam, se realizem, conheço bem. Muito vivi isso, e ainda de tempos em tempos tenho que me policiar para não esquecer de estar presente, de focar no presente. Me repito, eu sei, mas esse tema está com uma razoável frequência retornando em meus pensamentos: tudo o que temos é o agora, nada mais.

 

O tempo, quando olhado em retrospectiva, passa muito rápido. O que parece uma eternidade ao olharmos em frente – a ano quem vem, daqui a cinco anos – passa ‘em um piscar de olhos’ quando pensamos no que passou. É tanto tempo, mas também tão pouco. Parece que foi ontem, parece que foi há uma eternidade. Olha a pandemia da COVID, por exemplo. Loucura, não?

 

Controlar a ansiedade, focar no hoje, no agora, viver cada momento com a intensidade necessária. Estar junto.

 

É a receita.


Até. 

terça-feira, outubro 13, 2026

Difícil não falar

Difícil não falar de política por esses dias.

 

Os ânimos estão acirrados, há a crença de que, dependendo de quem ganhar a eleição, haverá a ruína ou a redenção. Infelizmente, não há clima para um debate civilizado, uma discussão racional. Esse trem já partiu há tempos...

 

Tento, então, abstrair e silenciar sobre o tema por alguns momentos. Quero olhar para a rua e ver a primavera, mas até ela não está com cara de muitos amigos. Há uma neblina, um ar úmido que é um pouco de chuva, e a previsão não é animadora para os próximos dias.

 

Talvez tivesse sido melhor estender o feriado, ficar um pouco mais em casa, ler ‘Grande Sertão: Veredas’, dormir à tarde, tocar alguma música italiana no violão, cozinhar. Continuar o ritmo lento das manhãs de domingo com chuva.

 

Não é assim, contudo.

 

A semana começa na terça-feira, os compromissos estão batendo à porta e a vida não para (acento diferencial aqui). Seguimos, porque não há outra opção.

 

E porque nem tudo é política.


Até. 

segunda-feira, outubro 12, 2026

Direita ou Esquerda?

Sou de direita, porque prezo a liberdade individual, porém sou de esquerda porque defendo os direitos do trabalhador, e volto a ser de direita porque acho que quem trabalha deve ser livre para negociar a forma, a jornada de trabalho, dias de descanso e remuneração. 

 

Sou de direita, porque valorizo a família, mas sou de esquerda porque não tenho absolutamente nada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que o aborto deve ser de decisão da mulher, e que ‘não é não’.

 

Sou de direita porque defendo a propriedade privada, mas sou de esquerda porque sou favorável ao SUS, mesmo que remunere muito mal quem trabalha nele, o que me torna de direita porque acho que os médicos que trabalham nele deveriam ser mais valorizados e bem melhor remunerados. Sou de direita porque não concordo em ser chamado de trabalhador da saúde, porque somos médicos, enfermeiros, técnicos e outros, todos com funções importantes e fundamentais, mas não todos iguais.

 

Sou de esquerda porque apoio a cultura, mas sou de direita por achar que isso não é pauta exclusiva da esquerda.

 

Sou de direita porque acho que não houve golpe no impeachment da Dilma, mas sou de esquerda porque penso que – sim – houve tentativa de golpe em janeiro de 2022. Sou de esquerda porque acho que os participantes do oito de janeiro deveriam ter sido processados, mas sou de direita porque acho que o STF vem extrapolando seu papel constitucional há um bom tempo. 


Sempre que estou em uma encruzilhada na estrada, e não tenho ideia para onde ir (essa é uma definição pré-GPS) sigo à esquerda, mas a mão que tenho mais habilidade é a direita, mesmo que eu escreva com a esquerda.

 

Não sou de direita e nem de esquerda porque não tenho político de estimação, e porque não tenho saco para discutir política com fanáticos de um lado e de outro. E muito menos em cima do muro, porque sei bem o que quero.

 

Em resumo, meio que sou um extraterrestre, que vai ser taxado de burguês por quem é de esquerda (não vai ser a primeira vez) e de ingênuo por quem é de direita...


Azar.


Até. 

domingo, outubro 11, 2026

A Sopa

Posso me perguntar por que escrevo, com uma razoável frequência, sobre o passado, mas tenho, no mesmo momento, uma resposta a essa pergunta: escrevo para lembrar, escrevo para não esquecer. É minha forma de registrar a vida, de registrar quem fui e quem sou.

 

Tem assuntos que surgem, sobre os quais eu gostaria de escrever, e que têm que entrar “na fila”, dependendo da prioridade definida por mim, evidentemente. E a ordem das prioridades depende do que está acontecendo comigo, de como estou no momento em que vou escrever. Mais reflexivo, menos reflexivo, isso é claramente variável. Depende até se estou escrevendo com tempo, em um domingo lento sem sol ou em uma manhã de segunda-feira antes de começar a atender o consultório. Além de tudo, quanto mais tempo e mais memórias crio, mais tenho sobre o que escrever.

 

Às vezes, então, preciso voltar no tempo para lembrar / não esquecer de eventos de muitos anos. Nem tudo publico, pelos menos não imediatamente.

 

Volto a um onze de outubro, 1996, há trinta anos, sexta-feira. Eu era médico-residente de primeiro ano em pneumologia no Hospital da PUCRS, havia casado há menos de dois meses. Era o dia seguinte ao aniversário da Jacque (o segundo que passamos juntos). 

 

Claramente lembro de, em alguns momentos daquela manhã, de entrar em locais do hospital em que tinha música ambiente, como a agência do Banrisul, e estar tocando músicas da Legião Urbana, o que chamou minha atenção. Um pouco depois, talvez no almoço, fiquei sabendo da morte do Renato Russo.

 

Dentro aqueles que ‘escreveram’ a trilha sonora da minha vida, cuja obra musical esteve em sintonia com o que eu sentia e/ou vivia naquela época, Cazuza e Renato Russo estiveram entre os mais importantes. Fui adolescente cantando e me identificando com a poesia e música que eles faziam. Se na música Ideologia, do Cazuza, ele diz que ‘meus heróis morreram de overdose’, eu posso dizer que os meus, ao menos esses dois, morreram de AIDS, em um tempo em que a doença ainda era uma sentença de morte. Aliás, foi justamente em 1996 que os tratamentos antiretrovirais começaram a ser utilizados.

 

Muito mudou nesses trinta anos.

 

O mundo mudou, eu mudei.

 

É a vida.


Até. 

sábado, outubro 10, 2026

Sábado (e estressado ou não)

Fui pescar


Semana passada, na Argentina, como já falei.

Foi bom, foi bom.

Bom final de semana a todos.

Até.


 

quinta-feira, outubro 08, 2026

Dois mil e vinte e seis

Esse ano tem sido difícil.

 

Sob vários aspectos, sob diferentes perspectivas. Como sempre, e não poderia ser de outra forma, seguimos em frente, cabeça erguida, olhar no horizonte, mas cuidando para não tropeçar nas pedras do caminho.

 

Sou um otimista, e sigo acreditando – como sempre - que coisas boas estão a caminho, e que a luz ao final do túnel não é um trem... Independente disso, da expectativa de um porvir melhor, o importante é estar presente e aproveitar a jornada. E fazer as coisas agora que garantirão o desfecho desejado lá na frente. Apreciar o caminho (to enjoy the ride), o hoje, que é tudo o que temos.

 

Sei lá, rápidas reflexões de uma manhã chuvosa.

 

Até. 

quarta-feira, outubro 07, 2026

Preciso Falar

Não resisto.


Vou falar de política...

 

Terminado o primeiro turno das eleições, a grande derrotada é – sem sombra de dúvida – a esquerda brasileira. E não é a primeira grande derrota, todos sabemos. Em 2018 já havia acontecido e, não se enganem, o atual presidente só ganhou a eleição de 2022 porque o presidente que tentava se reeleger conseguiu a façanha de ter maior rejeição por não ter ficado mais tempo de boca fechada. Agora, se repetiu a rejeição ao atual governo, por uma série de razões. Quero focar minha análise apenas em um fator.

 

A arrogância.

 

A esquerda brasileira (que é de quem posso falar, porque acompanho de perto há anos), independente de suas virtudes (que são muitas) e seus defeitos (tantos quanto as virtudes, como todos na vida), tomou para si a convicção de que é moralmente superior, e quem discorda dela, quem pensa diferente, está errado e, pior, é limitado intelectualmente, não tem caráter, além de todos os adjetivos negativos usualmente vociferados por quem se considera melhor. Que todos os que não pensam da mesma forma – atualmente mais da metade da população do país – é de alguma forma misógina, homofóbica, racista, fascista ou outra designação negativa.

 

Ao invés de procurarem cooptar corações e mentes, que muito bem fizeram durante anos, passaram a ‘segregar’ quem tinha a mínima discordância de ideias, tornaram-se intolerantes ao contraponto. Tudo isso ao mesmo tempo que relativizaram as suas próprias contradições, seus próprios problemas.

 

Com isso, colocaram-se em um pedestal de virtudes autoproclamadas e se afastaram do mundo real, das pessoas que trabalham de sol a sol em busca de seu sustento, de melhorar de vida, das pessoas que buscam, por conta própria, resolver sua vida. Vilanizaram esses trabalhadores, vilanizaram a classe média que lutas todos os dias e quer liberdade para vencer na vida, o que é um conceito individual, já disse isso uma vez.

 

Isso é uma generalização, claro.

 

Existem pessoas e ideias boas de ambos os lados do espectro político. Ter visões de mundo diferentes e debater ideias é produtivo. Os extremismos é que são ruins. Como quem olha em um espelho, adjetivar negativamente quem apenas pensa diferente de ti, como tem se visto muito por aí nesses dias de clima eleitoral, diz muito mais sobre quem faz isso do que sobre a quem está sendo dito.

 

Pois é.


Até.