domingo, outubro 18, 2026

A Sopa

Podemos dizer que a primavera ainda não chegou de verdade aqui no sul do mundo, mesmo que o calendário nos afirme o contrário. Mudanças climáticas, Super El Niño, aquecimento global, todas são explicações válidas para esse fenômeno que se abateu sobre nós esse ano. Que, por sinal, está contrariando minha convicção irracional de que anos pares são melhores que anos terminados em número ímpar, o que realmente não é importante, não quer dizer nada.

 

Estamos a uma semana do segundo turno das eleições brasileiras e tenho cada vez mais certeza de que esse clima chato não vai acabar após a decisão de quem será o novo presidente, independente de quem ganhar.  Eu, cá no meu canto, não gosto nem um pouco de nenhum dos dois candidatos, então qualquer que fosse o meu voto, ele seria (será) constrangido, um voto em quem eu acho que pode atrapalhar menos a minha (nossa) vida. 

 

Uma coisa é certa, entretanto.

 

Se algum dos candidatos se comprometesse a trazer de volta o horário de verão, ele teria o meu voto na hora. Além de seu eleitor, seria entusiasta, sairia por aí com sua bandeira, adesivaria o meu carro, entregaria panfletos, gravaria vídeos, até faria dancinhas no TikTok. 

 

O horário de verão é a solução para a polarização do país.

 

Com mais tempo de luz, de dia claro, no final do dia, junto com dias de temperatura mais amena, as pessoas saem mais, vão para as ruas, se reúnem mais, convivem mais, o que significa menos tempo em redes sociais, menos tempo no WhatsApp, menos teorias da conspiração, menos chance de lerem algo e não entenderem e brigarem por isso. Ninguém é tão agressivo pessoalmente quanto o é em comentários do Instagram, por exemplo. Pessoalmente, tudo é mais fácil de resolver, e é muito mais simples de encontrar pontos de concordância, pontos em comum. Até porque, se pensar só um pouco, todos queremos mais ou menos as mesmas coisas.

 

É mais fácil resolver os problemas do mundo em uma mesa de bar, ou em um churrasco, do que em frente à tela do computador ou do celular, influenciados por um algoritmo que "quer ver o circo pegar fogo".


Até. 

sábado, outubro 17, 2026

Sábado (e vai ter Halloween POA)

 




Prepare sua fantasia e venha.
Entrada gratuita.
Vai ser legal!!

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, outubro 14, 2026

Mudar de Fase?

Fiquei sabendo, há alguns dias, que uma amiga da Marina havia dito que não via a hora de terminar o ensino médio e não mais ser obrigada a conviver com muitos do seus colegas de escola. Que estava na hora de mudar de fase, esse o seu desejo, interpretei eu.

 

Calma lá com seus desejos, minha cara, pois eles se tornam realidade e – quando perceberes – o tempo terá passado rápido demais e sentirás saudades desse tempo. É fácil falar, e difícil de sentir e fazer, mas vive cada momento em toda sua intensidade, porque ele é e será único.

 

Essa ansiedade para que o tempo passe e as coisas aconteçam, se realizem, conheço bem. Muito vivi isso, e ainda de tempos em tempos tenho que me policiar para não esquecer de estar presente, de focar no presente. Me repito, eu sei, mas esse tema está com uma razoável frequência retornando em meus pensamentos: tudo o que temos é o agora, nada mais.

 

O tempo, quando olhado em retrospectiva, passa muito rápido. O que parece uma eternidade ao olharmos em frente – a ano quem vem, daqui a cinco anos – passa ‘em um piscar de olhos’ quando pensamos no que passou. É tanto tempo, mas também tão pouco. Parece que foi ontem, parece que foi há uma eternidade. Olha a pandemia da COVID, por exemplo. Loucura, não?

 

Controlar a ansiedade, focar no hoje, no agora, viver cada momento com a intensidade necessária. Estar junto.

 

É a receita.


Até. 

terça-feira, outubro 13, 2026

Difícil não falar

Difícil não falar de política por esses dias.

 

Os ânimos estão acirrados, há a crença de que, dependendo de quem ganhar a eleição, haverá a ruína ou a redenção. Infelizmente, não há clima para um debate civilizado, uma discussão racional. Esse trem já partiu há tempos...

 

Tento, então, abstrair e silenciar sobre o tema por alguns momentos. Quero olhar para a rua e ver a primavera, mas até ela não está com cara de muitos amigos. Há uma neblina, um ar úmido que é um pouco de chuva, e a previsão não é animadora para os próximos dias.

 

Talvez tivesse sido melhor estender o feriado, ficar um pouco mais em casa, ler ‘Grande Sertão: Veredas’, dormir à tarde, tocar alguma música italiana no violão, cozinhar. Continuar o ritmo lento das manhãs de domingo com chuva.

 

Não é assim, contudo.

 

A semana começa na terça-feira, os compromissos estão batendo à porta e a vida não para (acento diferencial aqui). Seguimos, porque não há outra opção.

 

E porque nem tudo é política.


Até. 

segunda-feira, outubro 12, 2026

Direita ou Esquerda?

Sou de direita, porque prezo a liberdade individual, porém sou de esquerda porque defendo os direitos do trabalhador, e volto a ser de direita porque acho que quem trabalha deve ser livre para negociar a forma, a jornada de trabalho, dias de descanso e remuneração. 

 

Sou de direita, porque valorizo a família, mas sou de esquerda porque não tenho absolutamente nada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que o aborto deve ser de decisão da mulher, e que ‘não é não’.

 

Sou de direita porque defendo a propriedade privada, mas sou de esquerda porque sou favorável ao SUS, mesmo que remunere muito mal quem trabalha nele, o que me torna de direita porque acho que os médicos que trabalham nele deveriam ser mais valorizados e bem melhor remunerados. Sou de direita porque não concordo em ser chamado de trabalhador da saúde, porque somos médicos, enfermeiros, técnicos e outros, todos com funções importantes e fundamentais, mas não todos iguais.

 

Sou de esquerda porque apoio a cultura, mas sou de direita por achar que isso não é pauta exclusiva da esquerda.

 

Sou de direita porque acho que não houve golpe no impeachment da Dilma, mas sou de esquerda porque penso que – sim – houve tentativa de golpe em janeiro de 2022. Sou de esquerda porque acho que os participantes do oito de janeiro deveriam ter sido processados, mas sou de direita porque acho que o STF vem extrapolando seu papel constitucional há um bom tempo. 


Sempre que estou em uma encruzilhada na estrada, e não tenho ideia para onde ir (essa é uma definição pré-GPS) sigo à esquerda, mas a mão que tenho mais habilidade é a direita, mesmo que eu escreva com a esquerda.

 

Não sou de direita e nem de esquerda porque não tenho político de estimação, e porque não tenho saco para discutir política com fanáticos de um lado e de outro. E muito menos em cima do muro, porque sei bem o que quero.

 

Em resumo, meio que sou um extraterrestre, que vai ser taxado de burguês por quem é de esquerda (não vai ser a primeira vez) e de ingênuo por quem é de direita...


Azar.


Até. 

domingo, outubro 11, 2026

A Sopa

Posso me perguntar por que escrevo, com uma razoável frequência, sobre o passado, mas tenho, no mesmo momento, uma resposta a essa pergunta: escrevo para lembrar, escrevo para não esquecer. É minha forma de registrar a vida, de registrar quem fui e quem sou.

 

Tem assuntos que surgem, sobre os quais eu gostaria de escrever, e que têm que entrar “na fila”, dependendo da prioridade definida por mim, evidentemente. E a ordem das prioridades depende do que está acontecendo comigo, de como estou no momento em que vou escrever. Mais reflexivo, menos reflexivo, isso é claramente variável. Depende até se estou escrevendo com tempo, em um domingo lento sem sol ou em uma manhã de segunda-feira antes de começar a atender o consultório. Além de tudo, quanto mais tempo e mais memórias crio, mais tenho sobre o que escrever.

 

Às vezes, então, preciso voltar no tempo para lembrar / não esquecer de eventos de muitos anos. Nem tudo publico, pelos menos não imediatamente.

 

Volto a um onze de outubro, 1996, há trinta anos, sexta-feira. Eu era médico-residente de primeiro ano em pneumologia no Hospital da PUCRS, havia casado há menos de dois meses. Era o dia seguinte ao aniversário da Jacque (o segundo que passamos juntos). 

 

Claramente lembro de, em alguns momentos daquela manhã, de entrar em locais do hospital em que tinha música ambiente, como a agência do Banrisul, e estar tocando músicas da Legião Urbana, o que chamou minha atenção. Um pouco depois, talvez no almoço, fiquei sabendo da morte do Renato Russo.

 

Dentro aqueles que ‘escreveram’ a trilha sonora da minha vida, cuja obra musical esteve em sintonia com o que eu sentia e/ou vivia naquela época, Cazuza e Renato Russo estiveram entre os mais importantes. Fui adolescente cantando e me identificando com a poesia e música que eles faziam. Se na música Ideologia, do Cazuza, ele diz que ‘meus heróis morreram de overdose’, eu posso dizer que os meus, ao menos esses dois, morreram de AIDS, em um tempo em que a doença ainda era uma sentença de morte. Aliás, foi justamente em 1996 que os tratamentos antiretrovirais começaram a ser utilizados.

 

Muito mudou nesses trinta anos.

 

O mundo mudou, eu mudei.

 

É a vida.


Até. 

sábado, outubro 10, 2026

Sábado (e estressado ou não)

Fui pescar


Semana passada, na Argentina, como já falei.

Foi bom, foi bom.

Bom final de semana a todos.

Até.