terça-feira, março 31, 2026

O Belo da Vida

A vida corriqueira, o dia a dia, continuam enquanto viajamos, evidentemente, e nossa ausência em eventos e acontecimentos muitas vezes nos deixam em ‘desvantagem’ em comparação a se estivéssemos presentes. Perdemos direito de escolha, perdemos o direito de opinar. É o (mais um) preço que pagamos pelos dias de viagem. Paciência, é da vida.

 

A volta, então, é de retomada e reconquista de espaço, do espaço perdido, de correr atrás das tarefas que ficaram para trás e estão acumuladas. Corremos agora porque paramos alguns dias, porque saímos da rotina. Como disse, tudo certo, valeu à pena.

 

E as voltas são muitas, além da física, além da nossa presença. Por mais que sejamos os mesmos, voltamos diferentes, da mesma forma que somos diferentes a cada dia que passa, após cada interação que temos com outras pessoas.

 

O mundo muda todos os dias, nós mudamos todos os dias.

 

Isso é o belo da vida.


Até. 

segunda-feira, março 30, 2026

A Sopa

Sobre voltar.

 

Como repetidas vezes dito (por mim, por mim), voltar é parte importante de uma viagem, tão importante quanto a preparação e a viagem em si. Se não voltássemos, não seria viagem: seríamos nômades. O retorno para casa, para o lar, para o mundo de todos os dias, para a rotina, é que faz tudo ter sentido.

 

Na virada do século e milênio passados, no último mês do século vinte, dezembro de dois mil, viajamos. Chamamos a viagem de ‘Natal na Neve’, pois esse era o objetivo principal da viagem, ter uma experiência de passar o Natal em um lugar frio, onde houvesse neve. O lugar escolhido foi o norte da Itália, quase fronteira com a Áustria. Ainda não havia telefones com internet, então utilizávamos mapas físicos para nos guiar pela estradas nos Alpes. Tínhamos reservado os hotéis da chegada (em Roma), do Natal (em Rasun di Sopra, uma grata surpresa, que reservamos pensando ser em Brunico) e para a última semana, em Paris. Fizemos todo esse trajeto de carro, incluindo a passagem pelos Alpes entre a Itália e a Áustria, pela passagem de Brenner.

 

Foi uma longa viagem, trinta dias, e – nos últimos dias – já sonhava com a volta para casa, por melhor que estivessem esses dias de férias. Depois, acho que nunca mais fizemos alguma viagem tão longa, por diferentes razões.

 

Chegamos de volta de viagem ontem, quinze intensos e divertidos dias (entre trabalho e férias) depois de sairmos, fisicamente cansados pelo maratona de aeroportos e noite mal dormida no avião, mas mentalmente descansados e prontos para o restante do ano. Confesso que a vontade de voltar já era grande, já sentia falta da rotina.

 

Como se estivesse há bem mais tempo longe de casa.

 

Viajar é MUITO bom, mas voltar para casa é ainda melhor.


Até. 

sábado, março 28, 2026

Sábado (e Por Aí, New York)

Central Park


Manhã, início de primavera.
Março/2026.

Bom sábado a todos.

Até.

 

quinta-feira, março 26, 2026

Do Aeroporto

Aguardo o red eye.

 

Esse é o voo que sai de Los Angeles às dez para as onze horas da noite, tem uma duração de cinco horas e meia e chega às sete horas da manhã em Nova York. O fuso horário, claro, é a razão disso. São três horas de diferença. Independente do que dormirmos no voo, o dia será longo e de caminhadas.

 

Temos pouco tempo, então vamos fazer valer.

 

Além, é claro, de ficar junto com a família, curtir minha cunhada e sobrinha (meu irmão não, infelizmente, pois está trabalhando literalmente do outro lado do mundo).

 

Quinta, sexta e parte de sábado.

 

Aí voltamos.

 

Direto para o School Day, lá na School of Rock Benjamin, domingo (29/03) das 13h às 20h.

 

Aparece por lá.


Até. 

quarta-feira, março 25, 2026

Quarta-feira (e por aí, dinossauros)

Jurassic World


Universal Studios.
Los Angeles
, Califórnia.
Março/2026.

 

Direto da Califórnia

Ouvimos Beatles, enquanto a Jacque prepara nosso jantar e escrevo essa atualização de viagem. Estamos em Garden Grove, na parte norte de Orange County, Califórnia. Chegamos aqui domingo porque ontem foi o dia de parques da Disney, uma maratona que começou antes das oito da manhã e terminou após o show de fogos das 21h30, com mais de vinte e cinco mil passos no dia. 

 

O dia começou lento, após toda intensidade de ontem.

 

Comprei pão em um supermercado próximo para o café de todos. Enquanto o pessoal que voltava hoje para o Brasil ajeitava suas coisas, fomos – Thiago e eu – na Guitar Center aqui perto. Almoçamos, então, em Newport Beach. Após o almoço, por volta das 16h, nos separamos: o grupo que volta agora à noite para o Brasil e nós – Jacque, Marina e eu – que ainda ficamos hoje e amanhã à noite vamos para o leste, para uma rápida passagem por Nova York.

 

Os dias foram intensos até aqui. 

 

Houve a convenção da School of Rock, motivo principal da viagem, a jam na House of Blues, em San Diego. Viagem em grupo. Parques.

 

Depois escrevo sobre tudo isso.

 

Hoje, enquanto ouvimos Beatles, a Jacque prepara nosso jantar e tomamos um vinho, faço um descanso de um noite em meio à viagem, que termina logo ali.


Até. 

quarta-feira, março 18, 2026

Voltei

Dois mil e vinte e seis começou confuso.

 

Começou devagar, mais devagar do seria esperado para um verão de um pneumologista no Sul do Mundo, ao menos para mim, claro. As tradicionais férias de verão do começo de fevereiro, nossa rotina de muitos anos, não aconteceu, ao mesmo tempo em que a Hermione, nossa gata, adoeceu, foi internada, foi para UTI, e – tristeza – não resistiu. Foram dias difíceis, confesso. 

 

Houve um momento em que tive crises de ansiedade, com muitos pensamentos intrusivos e a sensação de todo peso do mundo em minhas costas. Foram poucos dias assim, de sono agitado e despertares de madrugada com fantasmas me rondando. Respirava fundo para tentar voltar à superfície, sair do pântano, da areia movediça imaginária em que estava.

 

Durou uns três dias.

 

Uma noite, saímos -a Jacque e eu – para jantar e contei a ela o que estava sentindo. Que eu sabia que estava ‘preso’ em uma crise imaginária, que não estava conseguindo sair e que a forma pela qual eu usualmente lidava com isso era conversando, era falando, e ela sabia disso. Sempre fora assim comigo, desde que me conheço, ou desde que fiz terapia, no começo dos anos noventa, depois do meu acidente.

 

Foi como tirar com a mão.

 

Jantamos, conversamos, voltamos para casa caminhando. Dormi melhor, acordei tranquilo. A nuvem que pairava sobre minha cabeça se dissipou. Os fantasmas se foram.

 

Voltei.


Até.