Felicidade.
Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, diz a canção, lançada em 2004 no álbum ‘Paraquedas do Coração’ do Wander Wildner. Um dos, podemos dizer, clássicos do rock gaúcho. Não consigo estar feliz o tempo todo, e talvez realmente não devesse, assim como você.
Aliás, ninguém quer isso, por mais que esse seja um ‘objetivo’ do mundo moderno. Assim como ninguém gostaria de viver em um local onde o tempo, no sentido meteorológico, fosse sempre o mesmo, sem variações, sem oscilações. Em um estado permanente de felicidade, a vida perderia a graça.
Porque estar feliz não é um condição por isso só, não existe em si mesma. Estava lendo esses dias sobre isso. É a comparação com algo, com um estado anterior próprio, ou uma situação e/ou uma sensação prévia que não era tão boa. É essa variação, de um estado de menos para mais energia, o que dá a sensação que chamamos de felicidade.
É a diferença entre um momento que não é como queremos, ou desejamos, com um em que nos sentimos em sintonia com o Universo, em que nos sentimos parte, pertencemos. Uma vida sem essas variações não tem graça, podemos dizer.
E é uma forma de também aceitarmos aquilo que acontece conosco e que não temos controle.
Até.
