Houve, em algum momento - como sempre há de ser - inesperada, súbita, quase como um susto, uma epifania, a compreensão repentina de algo que estava à vista, na cara, e não havia notado. Do nada, aparentemente, notei essa verdade.
Eu havia mudado.
Eu estava diferente, mesmo que quem eu visse no espelho fosse a mesma pessoa de semanas, quem sabe meses, atrás. Estava me vendo, e vendo o mundo sob outra ótica, com um perspectiva diferente.
Talvez as pessoas tenham notado antes de mim, não sei ao certo, mas claramente eu não era a mesma pessoa ali, me olhando no espelho. E aqui não há nenhum julgamento moral: não quero dizer que quem eu via era melhor do que a versão anterior ou não, não é o caso, apesar de entender que – sim – a essa nova versão é melhor que a anterior. Como a próxima será melhor que a atual, pois é da vida. Older than I once was, younger than I’ll be...
Ao notar esse que já não era tão estranho assim no espelho, sabia que próximo passo era partir para a ação, resultado natural do incômodo causado por uma roupa que já não nos serve mais...
E assim foi. Está sendo.
Até.
