A Sopa no Exílio
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sábado, maio 30, 2026
segunda-feira, maio 25, 2026
A Sopa
Última semana de maio e estou com todas as pendências que potencialmente me tiravam o sono resolvidas. Imposto de renda, recadastramento em convênio e colonoscopia feitos e entregues. Agora é só esperar pelo Natal.
Brinco, claro.
Mas, sim, essas pendências tinham o poder de (eu permitia isso) me incomodar, mesmo sendo rotineiras e parte de vida, e me tirar o foco daquilo que é realmente importante. Sei que não deveria ser assim, mas esse ano não consegui evitar. Independente de tudo, seguimos.
Após resolver as questões mundanas referidas previamente, pude (posso) voltar minha atenção ao que acho que preciso, que é pensar (fugindo do que chamam de overthinking) a vida como um todo. Refletir, analisar, ponderar quem tenho sido, se estou sendo quem eu deveria ou gostaria de ser. Mais do que isso, mais do que pensar, planejar a vida, o foco é estar presente, viver o momento.
Conversava com um grande amigo esses dias, e uma verdade que rondava nossa conversa era de que – seja lá o que estejas fazendo, ou passando, ou vestindo – não importa nada disso, pois as pessoas não estão nem aí para nós, no sentido de que cada um está focado em sua vida e em seus problemas. Nada do que parece tão grave e importante na verdade o é, e nos preocupamos muito mais com o que poderia acontecer do que com o que realmente acontece.
A mensagem que sempre vem para mim é ‘Fica na tua’.
Não importa nada disso.
Fica na tua.
Até.
sábado, maio 23, 2026
Sábado (e eu, multimídia...)
Está no ar o primeiro episódio do Podcast da AMHSL, Associação dos Médicos do Hospital São Lucas da PUCRS, que tenho a honra de apresentar / moderar. Vamos conversar com professores, colegas e amigos que fizeram e fazem a história da Associação, do São Lucas, da Escola de Medicina, da PUC e, também, da medicina gaúcha e brasileira.
Está bem legal.
Confere aqui.
Bom sábado a todos.
quarta-feira, maio 20, 2026
A Culpa
Sentimo-nos culpado. Sempre.
A culpa faz parte das história da religião judaico-cristã, e está lá, viva e forte, desde o início, no Gênesis, desde a perda da inocência de Adão e Eva, desde o pecado original. Desde que criamos consciência, convivemos com a culpa, em maior ou menor grau. Que fique claro: se existe consciência, existe a culpa.
Quando falamos de sociedades primitivas, falamos do medo e da culpa coletiva pela violação de regras sagradas e o despertar da ira divina. Sacrifícios, como o do bode expiatório, serviam justamente para limpar a culpa e restabelecer a ordem das coisas. As tragédias gregas falam de culpa, mesmo involuntária. Durante a idade média, a igreja centralizou a culpa na figura do pecado, e como uma forma de manter a ordem social. Mais modernamente, a culpa está ainda entranhada na vida das pessoas.
Digo que, na minha, ao menos, está.
Uma culpa que carreguei por muito tempo era com relação à minha saúde. Venho superando ao longo tempo. Um exemplo disso é que desde 2019 venho praticando atividade física regularmente, e superei a culpa por ser sedentário, que carreguei por um bom tempo. Os checkups que envolviam exames de sangue e imagem nunca foram uma dificuldade. O meu maior problema e culpa estavam relacionados à minha dificuldade em me organizar para a preparação e realização da colonoscopia e endoscopia digestiva.
Sempre havia alguma coisa, algum compromisso que impedia. Ou era trabalho ou eram atividades sociais. Sempre um obstáculo. Não conseguia organizar. E o tempo passando e a culpa crescendo, dizendo que quando fizesse seria tarde demais. Até que decidi romper o ciclo.
Eu mesmo solicitei o exame e falei com o colega que faria. Nem consultar consultei. Direto para o exame. Endoscopia e colonoscopia no mesmo dia. Fiz o preparo em casa, e ontem pela manhã, finalmente fiz.
Me livrei da culpa, dessa culpa.
Vamos para a próxima.
Até.
segunda-feira, maio 18, 2026
A Sopa
Pandemia feelings.
Segunda-feira de manhã em casa sempre traz à memória aquele período maluco (para dizer o mínimo) em que o mundo meio que parou, pois não havia a possibilidade de encontros, eventos sociais, confraternizações ou festas enquanto lidávamos com um vírus e suas consequências, reais e imaginárias. Era de casa ao consultório / hospital e de volta para casa. Havia uma patrulha sobre quem saia de casa por esses dias. Lembro de ter me sentido culpado a primeira vez que saí para pedalar sozinho, ao ar livre, sem máscara.
Loucura mesmo.
Não era disso que queria falar, evidentemente.
Fiquei em casa hoje, e estranho o silêncio da manhã de segunda-feira enquanto escrevo essas mal traçadas linhas. Estranho, porém bem agradável. Gosto dos silêncios, assim como gosto dos sons, música, mas também conversas e risadas e barulhos. Tudo, claro, a seu tempo.
E hoje não é feriado, não estou de férias e nem doente.
Estou em preparo para um exame amanhã cedo e aproveitei para, ficando em casa, organizar algumas coisas, pensar outras. Uma pausa (final de semana não conta) bem-vinda e sempre necessária.
Até.
sábado, maio 16, 2026
quarta-feira, maio 13, 2026
As Pequenas Pedras no Caminho
Meu atual esforço está claramente relacionado a aumentar minha resiliência ou, talvez uma forma mais precisa de dizer, tornar-me mais resistente (ou tolerante?) ao meu inimigo imaginário. Que sou eu mesmo. Volto, de tempos em tempos, a ficar encurralado no corner em um ringue de boxe em uma luta em que não há mais ninguém, além de mim.
Em passado mais ou menos distante, isso era Síndrome do Impostor, que eu chamava Síndrome da Luta de Boxe Imaginária antes de conhecer o nome pelo qual essa sensação, a de ser uma fraude, é conhecida. Não é mais isso, não é mais esse o problema.
É outro, são outros?
Identifico, por vezes, pequenos contratempos dos dias que acabam perturbando, tirando – mesmo que temporariamente – a paz interior. Não são os grandes desafios que assustam, mas sim as pequenas pedras que surgem no sapato e que muitas vezes nem estão realmente ali. Não deixar que essas pequenas incomodações afetem o todo, esse o objetivo.
Um passo depois do outro, degrau por degrau.
Vou tentando, vou tentando.
