O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.
Vou fazer chimarrão daqui a pouco.
Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.
No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me
E intorno a me girava il mondo come sempre
Gira, il mondo gira
Nello spazio senza fine
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti
Con la gioia e col dolore
Della gente come me
Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo
Nel tuo silenzio io mi perdo
E sono niente accanto a te…
Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.
Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.
Vou fazer chimarrão.
Até.
