segunda-feira, setembro 21, 2026

A Sopa

Não é sobre política, mais uma vez.

 

Sou um cara conservador, já devem imaginar. Tenho, para comprovar isso, um apreço especial por hábitos e tradições, principalmente aquelas próximas, familiares. Sou um entusiasta dessas.

 

Falando de hábitos, de conservadorismo e de quase terceira idade, virei alguém que faz as palavras cruzadas do jornal. Não lembro exatamente quando foi que aconteceu, mas já é definidamente um hábito, um ritual. Começa que somos dos poucos que ainda assinam jornal impresso, que é entregue em nossa porta todos os dias por volta da seis e pouco da manhã. Acordo cedo, e tomo o café da manhã lendo o jornal e aproveito para fazer as palavras cruzadas do dia. No sábado, em que a edição é para os dois dias, as faço dos dois dias, e “folgo” no domingo...

 

Outra tradição que remonta a minha infância são os almoços de domingo em família. Lembro claramente os domingos na casa de meus avós maternos, em Montenegro, quando todos se reuniam para o almoço, meus avós, meus pais e meus tios. O cardápio era mais ou menos o mesmo, e sempre começava pela sopa, canja de galinha. A sopa antes da comida era uma tradição, ou hábito, do meu avô.

 

Depois, a tradição virou o almoço na casa de meus pais, e durante muitos anos foi assim, todo o domingo almoçávamos na casa deles. Depois que meu pai morreu, em 2022, esses almoços na casa da mãe ficaram mais eventuais, começamos a almoçar em restaurantes, até para não dar tanto trabalho assim para ela, mas continuamos almoçando juntos aos domingos.

 

De um tempo para cá, percebi que era hora de retomar (recriar, estabelecer) essa tradição, mas em uma versão mais atual. Chegara a minha (nossa, da Jacque e minha) vez de estabelecermos, de nos responsabilizarmos pelos encontros de domingo. Decidi, então, que os almoços de domingo serão – sempre que possível – lá em casa, e vou serei eu o cozinheiro. Não precisa ser algo super elaborado ou sofisticado. Precisamos apenas estar juntos, conviver. Agora, a coisa é comigo.

 

Até que chegue a hora do próximo(a) assumir esse posto.


Até. 

sábado, setembro 19, 2026

Sábado (e foi legal...)

 

Eu, escritor


Lançamento e sessão de autógrafos do meu terceiro livro, realizada na quinta-feira dia 17/09. Foram amigos, e foi legal...

Bom final de semana a todos.

Até.


quinta-feira, setembro 17, 2026

Sobre hoje

Um colega contou a história de um paciente que foi consultar com ele e, ao ser perguntado sobre sua profissão / ocupação, disse que era escritor. Entusiasmado com a resposta, esse colega perguntou qual o estilo do que ele escrevia, e a resposta foi de que ‘ainda não havia escrito nada’ porque estava se preparando... Detalhe, o paciente tinha trinta e três anos e, me pergunto: será que ainda morava com os pais?

 

Nada contra, evidentemente, afinal cada um sabe de si, e ninguém deve julgar a vida alheia. Admirei, contudo, a autoestima dele. Sabia que era escritor, era sua profissão e ou ocupação, mas ainda não tinha escrito nada, segundo ele próprio. Talvez, admito, escrevesse e ainda não tivesse sido publicado, e não precisasse de uma chamada validação externa (no caso publicar um livro) para se saber e se anunciar escritor.

 

Comigo não foi assim.

 

Sim, eu me considero um escritor há muito anos, no mínimo uns vinte e cinco desde que comecei a escrever regularmente, primeiro em um semanário virtual que era enviado por e-mail para alguns amigos e conhecidos, e depois em um blog que mantenho desde o ano de 2004. Ainda assim, nunca me assumi publicamente como escritor até há pouco mais de dois anos, quando publiquei o meu primeiro livro de crônicas, ‘A Sopa no Exílio’, justamente nome do blog. No ano seguinte, publiquei o segundo livro, ‘Eu Pai, Eu Filho’, com histórias sobre a paternidade e sobre, como o título diz, ser filho. E então, sim, me assumi publicamente, saí do armário.

 

Sou escritor.

 

E posso dizer isso com uma razoável dose de satisfação, de realização pessoal. Eu nutria um ‘sonho’ de muito tempo, que era autografar na Feira do Livro de Porto Alegre, realizado em dois anos consecutivos, 2024 e 2025.

 

Esse ano, contudo, não vou estar na Feira do Livro como autor. O que não quer dizer que parei de escrever, evidentemente. Aliás, e essa crônica é para dizer isso, estou lançando um novo livro de crônicas, o meu terceiro (!) livro, justamente hoje no final da tarde, a partir das 18h30 lá na School of Rock Benjamin (Rua Benjamin Flores, 57, atrás do Shopping Total), e – se quiser e puder – será bem legal encontrar você por lá.   

 

Vai ser (mais) um momento memorável para mim.

 

Estórias para contar.


Até. 

terça-feira, setembro 15, 2026

De Fora

Não me convidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer, a pagar sem ver, toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer. Sensação comum essa, não?

 

Pois é.

 

Esse sentimento de que não somos parte, que não fomos – realmente – convidados para eventos que gostaríamos de participar, de ser da turma, da ‘patota’ (quem é que usa esse termo hoje em dia?!) muitas vezes incomoda. Ninguém que gosta de se sentir excluído, claro. E acontece o tempo todo, com todo mundo, em maior ou menor grau, em diferentes situações.

 

Comigo também, obviamente, como muitas vezes já contei. E já me senti excluído muitas vezes antes, em locais em que não gostaria de me sentir assim e, pior, em situações em que não estava sendo excluído, era tudo fruto da minha imaginação. E o (meu) trabalho sempre foi no sentido de me sentir parte, me sentir conectado.

 

O problema era (ainda é?) comigo, eu sei.


A ilha, a ilha...

 

 Estou bem melhor, estou bem melhor.

 

Até. 

domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até.