domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até. 

segunda-feira, setembro 07, 2026

A Sopa

O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.

 

Vou fazer chimarrão daqui a pouco.

 

Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.

 

No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me 
E intorno a me girava il mondo come sempre

 

Gira, il mondo gira 
Nello spazio senza fine 
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti 
Con la gioia e col dolore 
Della gente come me

 

Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo 
Nel tuo silenzio io mi perdo 
E sono niente accanto a te…

 

Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há  quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.

 

Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.

 

Vou fazer chimarrão.


Até.   

sábado, setembro 05, 2026

Sábado (e o novo livro)


Lançamento e Sessão de Autógrafos 
Data: 17/09/2026, a partir das 18h30.
Local: School of Rock Benjamin
           Rua Benjamin FLores, 57

Espero todos lá.

Bom final de semana e bom feriado a todos.

Até.

 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Um Resumo de Alguns Anos

Quando, em fevereiro de 2019, foi encerrado o meu contrato de trabalho com uma multinacional da indústria farmacêutica, o que eu planejava fazer, mas alguns meses antes do que eu imaginava, o que é outra história, como parte do pacote de rescisão contratual, me foi proporcionada uma consultoria de carreira e recolocação profissional. Eram sessões semanais com uma psicóloga com essa especialização, por – pelo que lembro – uns seis meses, e depois teríamos uma consulta de seguimento seis meses depois da última, mas aí entrou a pandemia e nunca houve essa atualização.

 

O nosso primeiro encontro foi interessante, afinal eu não era um desempregado em busca de novos desafios, ou oportunidades, profissionais. Eu era um médico que agora não estava mais trabalhando no mundo corporativo. Então, nesse primeiro dia, eu disse que não sabia se queria voltar a trabalhar no mundo corporativo. E nem sabia se queira voltar a ser professor. Claro que os benefícios eram muitos, como segurança financeira, férias remuneradas, décimo-terceiro salário, as viagens para congressos, o fato de estar em contato com colegas de diversos países, entre outros, mas havia – evidentemente – um preço a pagar por isso, e eu não sabia se estava disposto a, vamos dizer, vender minha autonomia e liberdade por esses benefícios.

 

Foi um período muito bom, não se enganem, profissional e pessoalmente. Estabeleci relações com muitas pessoas legais, algumas nem tanto, estudei muito, participei de discussões científicas em alto nível. Cresci profissionalmente. O lado que não foi tão bom esteve ali, e me fez depois pesar o que valia mais à pena, o que eu realmente queria para minha vida.

 

Depois desses anos todos, olhando para trás e olhando para como as coisas são agora, estou satisfeito com minhas escolhas, com minha vida, com quem faz parte dela. 

 

Era isso que eu queria dizer.


Até. 

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

Agosto, mês cujo significado para mim mudou muito ao longo dos anos, migrando do mês difícil e chuvoso de inverno representado pelo acidente que tive, e que me deixou em uma UTI por treze dias, no longínquo ano de mil novecentos e noventa, para o mês em que nos casamos, a Jacque e eu, há trinta anos completados ontem, e em que nasceu a Marina, há dezoito, terminou. Normalmente, eu celebraria o final de agosto e depositaria minhas mais altas expectativas no mês de setembro e na primavera que chega por esses dias.

 

Não mais, ao menos no que se refere ao mês de agosto, que esse ano me pareceu passar muito rápido, afinal tornou-se um mês de celebrações pessoais, tornou-se um mês festivo, pessoalmente falando. Ainda assim, sempre é bom iniciar setembro com a promessa de vida em meu coração, como cantaram Tom e Elis, sabendo que, e talvez até porque, não é o final do verão, é o recomeço do ciclo que vai – justamente – desembocar no verão (de que gosto bem mais desde que voltei do inverno do Canadá, há vinte anos).

 

Gosto, como já disse, dessas simbologias, desses reinícios, desses novos olhares sobre a vida. Da perspectiva, da possibilidade que a vida proporciona, ou que criamos, de fazer diferente, de – na medida do possível – moldar a realidade, a nossa realidade, conforme desejamos ser, ou já somos.

 

Em breve, em breve.


Até.