Estudos científicos evidenciam que nosso gosto musical, apesar de evoluir ao longo dos anos, basicamente é formado com o que ouvimos entre os doze e os vinte e dois anos de idade. São essas músicas que serão nossas preferidas ao longo de toda vida, por algumas interessantes razões.
Em primeiro lugar, é uma fase de alta plasticidade do cérebro, ainda em formação, absorve muito, e quando as emoções são intensas. Associamos, então, aquilo que ouvimos a alguns momentos marcantes de nosso desenvolvimento pessoal. Eventos que, nesse período da vida, potencialmente viram grandes histórias. O ouvir música, nessa fase da vida, está associado a uma grande liberação de dopamina, o que ajuda a fixar essas memórias permanentemente.
É o que nos faz lembrar e cantar músicas muito antigas como se ainda as ouvíssemos diariamente, as “desencavamos” do fundo de nosso baú de lembranças, de memórias. Não só isso, e aí falo de mim, de algo que ocorre comigo de maneira muito intensa, que é a nítida sensação de voltar no tempo e estar vivendo o(s) momento(s) em que determinada música esteve presente de forma importante na minha vida. Uma máquina do tempo, que ainda hoje me impressiona e fascina.
Também a música como identidade pessoal e como forma de identificação e aceitação em grupos de convívio. Nosso gosto musical também é moldado pelos nossos grupos de convívio, grupos dos quais fazemos parte. Se, por um lado, a música serve para afirmarmos nossa individualidade, ela serve da mesma forma para (nos) reconhecermos (n)os iguais. É uma forma de agregar, aglutinar os semelhantes (em gosto musical, ao menos).
O gosto musical, então, desenvolvido nesses anos de formação, é de extrema importância, porque define muitas nossas relações sociais e locais de convívio. Uma música errada ouvida nessa época da vida pode determinar um futuro não promissor. Por isso que – minha opinião - temos que cuidar aquilo que apresentamos a nossos filhos, aquilo que ouvimos em casa.
O futuro deles também depende disso.
Até.
