terça-feira, novembro 03, 2026

Conforto

Sigo em minha defesa solitária da zona de conforto.

 

Como já expliquei anteriormente, eu gosto da minha zona de conforto porque ela é – justamente – confortável. É bom estar ali, onde estão os amigos de uma vida, são feitos churrascos e a música que toca é boa. É um lugar onde queremos ficar, porque as noites são longas e de temperatura perfeita, em que podemos dormir sob cobertas macias, e talvez acordemos com o aroma de pão sendo feito na padaria próxima. Pensando assim, minha zona de conforto (excluindo-se a parte dos amigos e dos churrascos) fica em uma pequena cidade de doze mil habitantes no sul da Alemanha, na Bavária, 95km de Munique, quase no final da Rota Romântica, a menos de 40km do Castelo de Neuschwanstein. Minha zona de conforto se chama Alte Post, é um hotel, e fica na Marienplatz, na cidade de Schongau...

 

Me perdi em devaneios, peço desculpas.

 

Fala da zona de conforto, e de sair dela, conceitos conhecidos e que sinceramente entendo, mas prefiro olhar sob outro prisma, outra ótica. É estando confortável que vou poder progredir. Quando as coisas não são assim, estamos em modo sobrevivência, em modo de luta. A zona de conforto – repito e repito – é como a bolha. Estamos nela, e o ideal é ampliá-la e ampliá-la. Esse seria o segredo. Quando maior a zona de conforto (e a bolha), melhor é a vida. O dito ‘desconforto’ é o processo de crescimento delas. Não quero sair da zona de conforto, quero que ela seja cada vez maior.

 

Além disso, o objetivo final de todos, quando tudo estiver terminando, é – justamente – o conforto. 

 

Lembrei disso ao ouvir a discussão de um caso clínico de um paciente com uma doença grave, em fase final de vida, sem chances de tratamento curativo, já em cuidados paliativos (abordagem médica e multiprofissional focada em melhorar a qualidade de vida de pacientes e de seus familiares que enfrentam doenças graves, crônicas ou que ameacem a continuidade da vida), e que – em seus prováveis últimos momento de vida – teve a prescrição de medidas de conforto.

 

É o que todos precisamos sempre.

 

Medidas de conforto.


Até. 

segunda-feira, novembro 02, 2026

A Sopa

Aos dezesseis anos, no exato ano de 1988, terminei o curso técnico em Operador de Computador na Escola Técnica da UFRGS, meu segundo grau, o ensino médio da época. Faria (fiz) dezessete anos apenas em abril de 1989, mas já tinha que ter minha vida definida naqueles dias. Tinha que optar por quem eu seria no futuro, decidir o caminho, a estrada que percorreria pelo resto de minha vida, escolha que teria que ocorrer até determinado dia.

 

Falo da inscrição do vestibular.

 

Via naquela decisão, do curso escolhido e na eventual aprovação no concurso, a abertura da porta que seria o início da vida adulta, no fundo. Essa decisão moldaria o futuro que encontraria em frente. Era, portanto, uma decisão importante, pesada, talvez a mais importante que tomaria na vida, porque todas as outras seriam consequências – diretas ou indiretas – dessa única decisão. 

 

E não tinha volta.

 

Parecia que era um caminho sem volta.

 

Era assim que eu pensava, ao menos. Ninguém – principalmente minha família - nunca me disse isso, mas era como eu via o mundo aos dezesseis anos. Era mais do que os quatorze quase quinze (ou ca-quinze, que eu disse para o porteiro do cinema) quando fomos assistir a um filme pornô no Centro de Porto Alegre em uma manhã sem aula, o que não é relevante agora. O fato é que aos dezesseis anos eu achava que as decisões que eu tomasse naquele momento seriam definitivas. Da mesma forma que a obrigação de ser aprovado e ingressar em um curso superior, pressão que era muito mais minha do que externa. Tempos de encruzilhadas e grandes definições, sem volta.

 

Não eram, não são. 

 

E é isso o que procuro ensinar para minha filha...


Até. 

sábado, outubro 31, 2026

Sábado (e é Halloween de novo)

2025


Vai ter show e evento esse ano, mais uma vez.
 E será em casa! 

2º Halloween POA

A partir das 11h30 na School of Rock Benjamin
Rua Benjamin Flores, 57.

Bora?

Bom final de semana (e feriado) a todos.

Até.

 

sexta-feira, outubro 30, 2026

Atualidades

Eu tinha a ingênua esperança de que, passado o domingo de eleições, poderíamos seguir em frente a vida, livres das alucinadas teorias conspiratórias da direita e sem o histerismo escatológico (escatologia, ramo da filosofia que estuda os eventos finais da história da humanidade, do mundo e do universo) e – sim – intolerância ao pensamento diferente do seu da esquerda. Que poderíamos nos preocupar com e discutir assuntos mais relevantes, fossem eles quais fossem.

 

Ledo engano.

 

Talvez tenha piorado, quando comparado aos últimos dias anteriores ao segundo turno, e o candidato derrotado está colaborando com esse clima. A fuga para os Estados Unidos (eu espero) é o encerramento da história dos Bolsonaros na política brasileira. Em 2030, sem Lula e sem Bolsonaro na disputa, talvez – eu tenho alguma esperança – consigamos discutir ideias e projetos de pais. Até lá, serão quatro anos difíceis, economicamente falando.

 

O que eu penso das eleições que passaram?

 

Não que eu ache que alguém tenha algum interesse, ou mesmo queira ouvir o que penso sobre política no quadro atual, mas falarei mesmo assim, apesar de tudo. 

 

As eleições, então...

 

Foram – para mim – como assistir um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians: gostaria que ambos perdessem... Como isso não era possível, fiquei feliz que o Flávio perdeu e triste que o Lula ganhou. Quem acredita que as eleições foram fraudadas não consegue olhar o mundo além de sua bolha. Se esse fosse um país sério, a chapa de situação teria sido impugnada crime eleitoral por abuso de poder econômico por todas as medidas eleitoreiras nas semanas que antecederam a eleição. De novo, não houve fraude. A mobilização da esquerda foi impressionante. Estender em duas horas o período de votação foi coisa de coisa de republiqueta, mas não mudou em nada o resultado. Eu torço para o que lado que venceu esteja certo em sua escolha, assim como torceria se quem tivesse ganho fosse quem perdeu. Nem todo mundo (quase ninguém, aliás) que votou no Flávio é fascista, golpista, homofóbico, racista ou o que quer seja. Essa agressividade na adjetivação de quem pensa diferente gerou mais votos para o Flávio do que ele próprio dizendo o que pensava e o que pretendia fazer. 

 

O que eu quero, de verdade?

 

Poder trabalhar em paz, fazer por mim.

 

E não brigar por causa de política.


Até. 

quarta-feira, outubro 28, 2026

Viajando por Aí

Viajar amplia nossa visão de mundo.

 

Ter, ou criar, a oportunidade de conhecer lugares diferentes, países, cidades, pessoas, deveria sempre nos tornar mais tolerantes, mais abertos à diversidade, seja de pensamento, de cultura, de modo de vida. Que cada um tem o direito de viver da forma que entende ser a melhor possível para si, e ninguém tem direito de determinar como o outro deve viver. Simples assim, na teoria. Quanto à prática, bom, deixa para lá.

 

Como eu já contei, a primeira vez em que saí do país foi aos vinte e três anos de idade, já médico e namorando a pessoa com quem estou casado até hoje, mais de trinta anos depois. A partir dessa primeira vez, organizamos nossa vida à época priorizando as viagens muito mais que bens materiais. Tivemos o benefício de ter moradia própria desde que nos casamos, então direcionamos muito a vida em poder visitar lugares diversos e revisitar aqueles mais queridos.

 

Todas as viagens foram especiais, claro, umas mais e outras menos, mas sempre nos deixaram com ótimas lembranças, momentos e situações realmente memoráveis. Assim como a vida, não existe uma fórmula única de como melhor viajar.

 

Viajamos muito em grupos de amigos, em família, Jacque, Marina e eu, e apenas a Jacque e eu, de avião, de carro, mas ainda não de navio, infelizmente. Até morei fora do Brasil um tempo. Todas foram boas – não existe viagem ruim, até que se prove em contrário – de sua maneira. Em toda viagem, acredito que voltei um pouco diferente de quando saí, mas nunca perdi o encantamento do processo, da experiência.

 

Talvez isso seja o importante: por mais comum que seja, por mais habituado estejamos com tudo isso, não podemos perder esse encantamento quase infantil (e isso é um elogio) de conhecer um pouquinho mais das pessoas, do mundo.

 

Lembro sempre que, há alguns anos, quase dez, na verdade, estava viajando a trabalho para um congresso na França (era especialista médico de um laboratório da indústria farmacêutica). Estava saindo três dias antes do habitual porque encontraria a Jacque, a Marina e a Karina (minha cunhada) em Paris, onde elas ficariam de férias enquanto eu estaria trabalhando. Saí sozinho de Porto Alegre, com conexões no Rio e em Amsterdam antes de pousar em Paris. Voava de executiva, benefício de se trabalhar no mundo corporativo.

 

Durante a escala em Amsterdam, enquanto circulava pelo terminal do aeroporto de Schiphol em direção ao portão de embarque do voo AMS – CDG, parei por um momento, olhei em volta, de onde eu estava, e sorri. Pensei em minha história, em onde estava naquele momento de vida e em quem eu iria encontrar em Paris antes de começar o trabalho. O que eu já tinha visto, o que eu ainda tinha para ver e as pessoas que eu ainda conheceria.

 

Tinha valido à pena. E tem valido até hoje.

 

Até.

terça-feira, outubro 27, 2026

Ainda o Inferno

Ainda sobre minha primeira viagem para fora do Brasil.

 

Foi em 1995, para os Estados Unidos, no tempo em que os vistos para entrar nesse país eram – ao menos no nosso caso – de três meses, e o Consulado Americano era no Centro Histórico de Porto Alegre quando ainda não o chamavam de Centro Histórico, algum tempo antes de o consulado fechar e permanecer assim por vários anos, tanto é que tive que ir à São Paulo quando precisei de visto na mesma época em que fui morar no Canadá. Minha primeira viagem internacional, meu primeira experiência de voar.

 

Lembro que entramos nos Estados Unidos por Miami, onde ficamos uns dois ou três dias antes de seguirmos para Orlando e seus parques. Ficamos em um hotel em Miami Beach, e logo no primeiro dia fomos à praia e alugamos um jet-ski, também minha primeira vez (e única?). Saímos da praia e ficamos um tempo na piscina com hidromassagem... me sentia um privilegiado...

 

Depois desses talvez dois dias em Miami, seguimos para Orlando pela Florida Turnpike, pedagiada. Eu era o que melhor falava inglês ou, ao menos, eu era quem tinha a ‘cara de pau’ de falar, de interagir, conversar com as pessoas, principalmente em hotéis e restaurantes, meio que uma tradição que continuou por muitos anos em diferentes países e diferentes idiomas, mesmo eu não falando a maioria deles, até ser “substituído” pela Roberta, minha afilhada, no Uruguai em 2022...

 

Na estrada, entre Miami e Orlando, em um tempo antes dos pedágios automáticos, tínhamos que parar para pagar a tarifa (quando não apenas jogar as moedas em um coletor). Em uma dessas paradas, enquanto fazíamos o pagamento, aproveitamos para perguntar sobre uma direção que tínhamos que seguir, e a resposta que entendi na hora foi um estranho ‘Go to Hell’, o que não gerou uma resposta nossa qualquer, exceto estranhamento e seguirmos em frente.

 

Foi só depois que nos demos conta que a resposta havia sido ‘Go ahead’, siga em frente, e a confusão havia sido pelo sotaque de quem falou... 

 

Meu inglês melhorou muito desde então...


Até. 

segunda-feira, outubro 26, 2026

A Sopa

A primeira vez que entrei em um avião, em que fiz minha primeira viagem aérea, foi em 1995. Éramos, a Jacque e eu, namorados há pouco tempo, e tiramos quinze dias de férias juntos em junho daquele ano. Fomos para os Estados Unidos, primeiro para a Flórida, Miami, Orlando com parques, e depois para Nova York, Filadélfia, Washington e de volta à Nova York, de onde voltei ao Brasil, pois minhas férias terminavam, e a Jacque, com a Karina e o Paulo (cunhado dela à época), seguiram por mais alguns dias entre EUA e Canadá.

 

O voo, saindo de Porto Alegre, fez escala (ou conexão, não lembro) no Rio de Janeiro, e lembro de chegar (ou sair) à noite, vendo as luzes da cidade, e cantarolar – eu, com meus botões - Tom Jobim, ‘Samba do Avião’, e lembro de uma sensação de estranheza, de irrealidade, isso de viagens aéreas. Era a primeira vez, entendo, e tornou-se habitual, principalmente quando eu viajava semanalmente a trabalho.

 

Mas queira contar outra história.

 

Em Nova York pela primeira vez, lembro do ‘espanto’ com os edifícios muito altos, as sirenes soando constantemente, uma sessão de cinema ao ar livre sentados na grama do Bryant Park, na 6th Ave com 42nd St, logo atrás da New York Public Library. Obviamente caminhamos muito, como sempre acontece em viagens.

 

Foi nessa primeira vez que subimos no Empire State Building, visita completa, até o mirante do 86º andar (não tenho certeza se fomos até o 102º). Nessa viagem, não visitamos as Torres Gêmeas, ainda de pé, e deixamos para um próxima vez, o que nunca ocorreu, pois voltei para lá apenas somente em 2004, quase três anos depois do 11/09.

 

Na volta ao Brasil, lembro que algum de nós havia comprado um jogo de computador chamado Hell’s Cab, que se passava em Nova York. O jogo incluía uma entrada no Empire State, e cheios de conhecimento, afinal estivéramos ali pouquíssimo tempo antes, entramos (no jogo) nele e certos do que fazíamos, cheios de razão, confiantes, ‘caímos’ no inferno em TODAS as tentativas que fizemos de circular pelo ponto turístico em questão. Todas mesmo. Não sei se foi por isso, mas NUNCA mais tentei subir no Empire State...

 

Lembrei disso ao assistir um vídeo no You Tube de uma brasileira que caminhou por toda Manhatan em um dia, e incluiu o Empire Sate no seu passeio. 

 

Até.