Sigo em minha defesa solitária da zona de conforto.
Como já expliquei anteriormente, eu gosto da minha zona de conforto porque ela é – justamente – confortável. É bom estar ali, onde estão os amigos de uma vida, são feitos churrascos e a música que toca é boa. É um lugar onde queremos ficar, porque as noites são longas e de temperatura perfeita, em que podemos dormir sob cobertas macias, e talvez acordemos com o aroma de pão sendo feito na padaria próxima. Pensando assim, minha zona de conforto (excluindo-se a parte dos amigos e dos churrascos) fica em uma pequena cidade de doze mil habitantes no sul da Alemanha, na Bavária, 95km de Munique, quase no final da Rota Romântica, a menos de 40km do Castelo de Neuschwanstein. Minha zona de conforto se chama Alte Post, é um hotel, e fica na Marienplatz, na cidade de Schongau...
Me perdi em devaneios, peço desculpas.
Fala da zona de conforto, e de sair dela, conceitos conhecidos e que sinceramente entendo, mas prefiro olhar sob outro prisma, outra ótica. É estando confortável que vou poder progredir. Quando as coisas não são assim, estamos em modo sobrevivência, em modo de luta. A zona de conforto – repito e repito – é como a bolha. Estamos nela, e o ideal é ampliá-la e ampliá-la. Esse seria o segredo. Quando maior a zona de conforto (e a bolha), melhor é a vida. O dito ‘desconforto’ é o processo de crescimento delas. Não quero sair da zona de conforto, quero que ela seja cada vez maior.
Além disso, o objetivo final de todos, quando tudo estiver terminando, é – justamente – o conforto.
Lembrei disso ao ouvir a discussão de um caso clínico de um paciente com uma doença grave, em fase final de vida, sem chances de tratamento curativo, já em cuidados paliativos (abordagem médica e multiprofissional focada em melhorar a qualidade de vida de pacientes e de seus familiares que enfrentam doenças graves, crônicas ou que ameacem a continuidade da vida), e que – em seus prováveis últimos momento de vida – teve a prescrição de medidas de conforto.
É o que todos precisamos sempre.
Medidas de conforto.
Até.
