Sobrevivi a mais um mês de março.
Me obrigo a falar disso, mesmo sabendo que não existe nenhuma base científica ou racional para esse fato que não é um fato, mas um acaso, uma coincidência, não mais que isso. Falo da lenda (que eu mesmo criei) de que o mês de março é perigoso para minha saúde.
Sim, é acaso que por três anos seguidos eu passei por situações de saúde significativas, digamos assim, sempre nesse mês. De dois mil e vinte e um – quando tive uma queda à noite com trauma de crânio sem perda de consciência, mas que evoluiu com uma arritmia que me levou a fazer um estudo eletrofisiológico que foi normal e tudo ficou bem – passando por dois mil e vinte e dois – em que fiz uma hérnia de disco cervical constatada após ter passado quinze dias de férias dirigindo com dores violentíssimas, mas que foi de tratamento conservador – chegando a 2023 - hérnia de disco lombar com cirurgia de urgência por compressão nervosa. Sempre março, parecia maldição.
Até que quebrei o encanto.
E o braço junto, ao cair de bicicleta em outubro do mesmo ano. Nova cirurgia, colocação de placa no punho direito. Duas cirurgias traumatológicas/ortopédicas no mesmo ano. Sem intercorrências.
Apesar de não acreditar em bruxas, passei março do ano passado atento para ver se seria repetida a “maldição”. Não foi e, depois dos cinquenta anos de idade, eu não era (não sou) mais ‘um cara que cai’. Mudei o discurso, mudei a narrativa, mudei a realidade. Quase tão simples quanto parece ao falar.
O mesmo aconteceu em outras dimensões da vida. Me aprendi alguém disciplinado, que se dedica ao que se propõe, que ‘dá a cara à tapa’, que – agora e finalmente – não apenas sonha ou deseja ou planeja.
Sou (me tornei) alguém que faz.
Até.