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terça-feira, abril 21, 2026

E choveu

Feriado.

 

Uma chuva fina caía sobre esse meu canto de Porto Alegre quando acordei, mais tarde que o habitual, mas ainda antes das oito horas da manhã. Tomei o café da manhã com calma lendo o jornal entregue na porta de casa, como faziam os antigos Maias e Aztecas. Agora preparo o chimarrão.

 

Ontem, segunda-feira, entre os atendimentos do consultório e uma reunião no final da manhã, parei na Associação dos Médicos do Hospital da PUCRS, local obrigatório (para mim, para mim) de parada diária, para tomar café, mas, principalmente, para encontrar amigos, colegas, eternos professores e mestres que viraram amigos. Parei para um rápido café antes da reunião e encontrei um deles, professor que virou amigo e que costuma me enviar dicas de música e sons frequentemente.

 

Ele não fizera feriadão, assim como eu.

 

Comentamos um pouco sobre isso, sobre o fato justamente de “termos” de trabalhar enquanto muitos outros descansavam, e que sabíamos que – por outro lado – tínhamos outros benefícios que compensavam trabalhar feriados e muitos finais de semana (o que, confesso, já não faço de forma regular há algum tempo, isso de violar a sacralidade do meu final de semana, mesmo que tenha aberto mão de oportunidades e renda, mas isso é outra discussão). As coisas são como são, e está tudo bem, concluímos.

 

A fase em que me encontro é – como podem notar – de reflexão. Enquanto preparo novos projetos, começo a pôr em prática algumas ideias, reviso os caminhos que percorri, e aqueles que percorro agora. Procuro coerência, mas não para explicar ou justificar para quem quer que seja minhas decisões, mas para me certificar de que continuo no caminho que – mesmo sem em algum momento me desviei - um dia concluí que era o certo para mim. Para o bem e para o mal, quero viver as consequências de minhas escolhas, não de minhas omissões.


Até. 

terça-feira, abril 01, 2025

Abril

Sobrevivi a mais um mês de março. 

Me obrigo a falar disso, mesmo sabendo que não existe nenhuma base científica ou racional para esse fato que não é um fato, mas um acaso, uma coincidência, não mais que isso. Falo da lenda (que eu mesmo criei) de que o mês de março é perigoso para minha saúde.

 

Sim, é acaso que por três anos seguidos eu passei por situações de saúde significativas, digamos assim, sempre nesse mês. De dois mil e vinte e um – quando tive uma queda à noite com trauma de crânio sem perda de consciência, mas que evoluiu com uma arritmia que me levou a fazer um estudo eletrofisiológico que foi normal e tudo ficou bem – passando por dois mil e vinte e dois – em que fiz uma hérnia de disco cervical constatada após ter passado quinze dias de férias dirigindo com dores violentíssimas, mas que foi de tratamento conservador – chegando a 2023 - hérnia de disco lombar com cirurgia de urgência por compressão nervosa. Sempre março, parecia maldição.

 

Até que quebrei o encanto.

 

E o braço junto, ao cair de bicicleta em outubro do mesmo ano. Nova cirurgia, colocação de placa no punho direito. Duas cirurgias traumatológicas/ortopédicas no mesmo ano. Sem intercorrências.

 

Apesar de não acreditar em bruxas, passei março do ano passado atento para ver se seria repetida a “maldição”. Não foi e, depois dos cinquenta anos de idade, eu não era (não sou) mais ‘um cara que cai’. Mudei o discurso, mudei a narrativa, mudei a realidade. Quase tão simples quanto parece ao falar.

 

O mesmo aconteceu em outras dimensões da vida. Me aprendi alguém disciplinado, que se dedica ao que se propõe, que ‘dá a cara à tapa’, que – agora e finalmente – não apenas sonha ou deseja ou planeja.

 

Sou (me tornei) alguém que faz.

 

Até.

domingo, novembro 03, 2024

A Sopa

Sobre o terminar.

 

Tudo na vida, inclusive ela própria, tem um fim. Verdade maior, incontestável. De alguma forma, por alguma razão, tudo o que vivemos vai – em algum momento – terminar, queiramos ou não. Temos que saber, ou aprender, a lidar com isso, com as perdas que virão.

 

São relacionamentos, ciclos, fases ruins, fases boas, não importa, devemos manter em perspectiva a ideia de que nada – exceto a morte, claro – é definitivo. Por isso, já falei, ainda não me conformei com a morte: acho um desperdício, mas não é disso que quero falar agora.

 

Durante um tempo, tive a ideia de que eu era uma pessoa que não chegava ao final das coisas, não as encerrava, ou completava. Que era bom em começar – ‘o botador de pilha’- mas não tinha talvez a persistência ou disciplina de seguir e completar. Tinha as ideias, poderia até iniciar múltiplas atividades ou projetos, mas me via como alguém que não era bom em terminar tarefas, ir até o final daquilo que começava.

 

Não sei de onde vem, ou vinha, esse pensamento autodepreciativo, mas sem dúvida era pernicioso para mim mesmo, afinal o discurso molda a realidade, a narrativa é o que conta. Não sei se essa percepção é (era) baseada em fatos objetivos ou não, não faz muita diferença, pois era como eu me via.

 

Quando há quase vinte e cinco anos fui aprovado para o iniciar o Doutorado em Medicina, o primeiro pensamento foi de ‘será que vou terminar?’. Mesmo que na entrevista de seleção, que era para o Mestrado, eu tenha dito – confiante – que não queria fazer Mestrado, mas, sim, Doutorado, e o projeto era original e bom tanto que foi selecionado para Doutorado, no fundo minha maior preocupação era se chegaria ao final.

 

Cheguei.

 

Não só isso, defendi minha tese de Doutorado em uma vinda ao Brasil quando já estava no Canadá iniciando o Pós-Doutorado, que também completei, e depois fui professor de Medicina, e assim por diante. Aos poucos, a ideia de que era alguém que não completava, não ia até o final daquilo que propunha fazer, foi mudando.

 

Sou também alguém que faz o que foi prometido.     

 

Lembrei disso em uma conversa em que dizia que tinha prometido em 2017 que levaria a Marina a um show do Paul McCartney, o que fiz recentemente. A pessoa com quem conversava (minha mãe) lembrou que eu havia prometido levá-la a conhecer a Itália e o fiz, há quase dois anos. Disse ela: “és alguém que cumpre promessas”.

 

Sou, ou me tornei, não importa. 


Até. 

domingo, abril 11, 2021

A Sopa

 (Crônicas de uma Pandemia, Ano Dois, Vigésimo Sétimo Dia)

 

Essa semana que termina hoje ou terminou ontem, dependendo de como se considera o início de cada semana, na segunda-feira dia cinco de abril, para ser mais específico, completei quarenta e nove anos de idade. Foi o segundo aniversário que passei durante a pandemia de COVID-19. Ano passado me referi ao dia como “o aniversário do ano da peste”, acreditando que agora, 2021, já teríamos terminado com isso.

 

Na verdade, imaginei que os aniversários do final de 2020 seriam comemorados presencialmente, já livres da pandemia. Estava redonda e miseravelmente enganado. Assim como outras previsões que fiz com relação à duração da pandemia. Todas erradas.

 

Paciência.

 

Dizia eu, então, que fiz quarenta e nove anos essa semana que termina ou já terminou, o que obviamente quer dizer que entrei no quinquagésimo ano de vida, que completarei no nem tão próximo cinco de abril de dois mil e vinte dois. O que quer dizer isso?

 

Nada, além de que o tempo passa.

 

Para todos nós. 

 

Vamos, desta forma, acumulando estórias para contar. Experiências e memórias, que devem ser compartilhadas, vividas – em sua maioria – em grupo, em nossos grupos sociais, família, amigos, colegas de trabalho. Entre as crueldades da pandemia, a impossibilidade da vida social, de encontros, festas e reuniões, é uma das que mais afeta a todos nós.

 

E não é diminuir a gravidade da situação.

 

Devemos continuar – vacinados ou não, recuperados ou não – com todos os cuidados e precauções para minimizar os riscos. Distanciamento social, máscaras, lavagem de mãos, ambientes arejados, evitar aglomerações, todas essas medidas devem ser tomadas diuturnamente, enquanto a vacinação avança. Em algum momento num futuro não distante, tudo isso vai melhorar, tenho certeza.

 

Temos, acima e apesar de tudo, até em homenagem à memória dos mortos pela e durante a pandemia, de seguir em frente a vida. Por mais cruel que isso possa parecer para alguém (apesar de eu não achar essa afirmação cruel), a vida sempre segue seu curso inexorável, e – como diz a música – não temos tempo a perder. Com cuidado, claro, temos que viver.

 

O que me lembra outra música, ‘Sapatos em Copacabana’, do Vitor Ramil, e o significado que ela teve e ainda tem para mim, e que pode explicar em parte a minha relação com a passagem do tempo. 

 

“Sei que não tenho idade

Sei que não tenho nome

Só minha juventude

O que não é nada mal”

 

Ouço essa música desde quase o lançamento do disco ‘Tango’, em 1987. Esse disco, que ouvi aos 15 ou 16 anos, é um dos que marcaram minha vida, e de certa maneira definiram muito do que eu viria a ouvir e – porque não – pensar a partir daí. Tem músicas que são verdadeiros hinos (para mim, para mim) e que ainda hoje são parte da minha trilha sonora pessoal.

 

São apenas oito músicas nesse trabalho, e ‘Sapatos em Copacabana’ é a primeira do lado A, a abertura do disco, música forte, densa, com o refrão escrito logo acima, espécie de cartão de visitas do que sou, ou fui. Não precisava muito mais que minha juventude. O lado A termina com ‘Joquim’, versão da clássica Joey, do Bob Dylan, contando uma história de alguém que não se encaixava com o que “a sociedade” esperava dele, um outsider, e que sofreu as consequências do modo de viver libertário. Em meio às dificuldades impostas pelo “sistema”, um período especialmente difícil e que termina com:

 

“No final de longa crise depressiva

Ele raspou completamente a cabeça

E voltou à velha forma

Com a força triplicada

Por tudo, tudo o que passou

Louco, Joquim louco

O louco do chapéu azul

Todos falavam e todos sabiam

Que o cara não se entregava”

 

Também eu, confesso, eu um momento de tentativa de virada em meio a uma decepção amorosa quase pós-adolescência, raspei a cabeça como forma de recomeço. Fez diferença, isso de raspar a cabeça? Para mim, sim, pela simbologia.

 

O lado B do disco começa com ‘Passageiro’, e termina com a (para mim, para mim) clássica ‘Loucos de Cara’, definitivamente um hino para a vida inteira, que ainda hoje – aos quarenta e nove anos de idade – volta e meia serve de orientação para o jeito que devo encarar a vida e suas tramas. A mensagem é que – não importa o que houver – fica na tua, seja quem és. A estrofe final da letra, resume tudo.

 

Se um dia qualquer
Tudo pulsar num imenso vazio
Coisas saindo do nada
Indo pro nada

Se mais nada existir
Mesmo o que sempre chamamos real
E isso pra ti for tão claro
Que nem percebas

Se um dia qualquer
Ter lucidez for o mesmo que andar
E não notares que andas
O tempo inteiro
É sinal que valeu
Pega carona no carro que vem
Se ele não vem, não importa
Fica na tua”

 

Voltando a ‘Sapatos em Copacabana’ e aos meus quarenta e nove anos de idade.

 

Já tenho (alguma) idade e (talvez) nome.

 

Minha juventude, então, por onde anda?

 

Ela continua viva, dentro de mim, de onde olho o presente, que é meu tempo, e sempre será. Sigo em frente, ciente que o meu tempo é agora e com profundo respeito pelo que passou e por quem andou comigo nesse tempo, mesmo que agora já não ande mais.

 

Assim é a vida.

 

Assim seguimos.

 

Até. 

sábado, abril 10, 2021

Sábado (e o fundo do meu olho...)


                     O olho direito, e está tudo bem...

                     Bom sábado a todos.

                     Até.

domingo, março 07, 2021

A Sopa

(Crônicas de uma Pandemia – Trezentos e Cinquenta e Sete Dias) 


Ironia.

 

Comecei a Sopa da semana que termina, publicada na segunda (01/03), afirmando que eu estava fisicamente muito bem, apesar do estresse mental desses dias de pandemia. Pois é.

 

Parece que não era bem assim.

 

Descobri isso nessa mesma madrugada. Acordei por volta de 1h30 da manhã de terça-feira, olhei a hora no celular, e decidi ir ao banheiro. Ato contínuo, lembro da Jacque chamando meu nome, eu perguntando o que havia acontecido e prontamente dizendo que eu estava bem, logo antes de perceber o sangue que escorria de trás da minha cabeça.

 

Ajudaram-me – a Jacque e a Marina – a levantar do chão e me sentar em um banco. Estava me sentindo bem, mas o corte no couro cabeludo necessitava de pontos. Nos vestimos, chamamos um Uber, e iniciamos a peregrinação que passou pelo Cruz Azul (fechado àquela hora), Hospital São Lucas da PUCRS (negaram atendimento dizendo que não havia cirurgião de plantão, uma inverdade, eu sabia, mas não quis criar caso, mesmo tendo me identificado como médico do corpo clínico) e que terminou no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, onde foi feita a sutura do corte e fui submetido a uma tomografia de crânio que foi normal.

 

Voltei para casa perto das 5h da manhã.

 

Às 8h30, já estava no consultório para o dia de atendimentos, em sua maior parte casos de COVID. Passei o dia bem, apesar do curativo e a cabeça enfaixada. Contei a história mil vezes, para todos que encontrava e perguntavam o que havia acontecido.

 

Quarta de manhã acordei com vertigem. 

 

Ao abrir os olhos, todo o quarto girava, principalmente quando eu fazia movimentos do pescoço para os lados, para cima ou para baixo. Sem outros sintomas. Por coincidência, não precisei ir ao hospital, então fiquei em casa durante todo o dia, com pequena saída para o supermercado. A quinta-feira foi dia de consultório superlotado novamente, consultas presenciais e online, pacientes extras, como tem sido os últimos meses.

 

Sexta-feira, ao acordar, vertigem novamente.

 

Fui com a Jacque para o hospital, pois tinha alguns assuntos a resolver. Chegando lá, não vi no estacionamento o carro do Valentim, neurocirurgião que me atendeu há trinta anos atrás quando do meu acidente, e que hoje é meu amigo e médico do meu pai (e eu sou médico do Valentim, para completar o círculo). Mandei um WhatsApp para ele para saber se ele estava pelo consultório. Não estava, mas ligou prontamente.

 

Expliquei a ele o que tinha acontecido no início da semana e o que eu ainda sentia. Perguntou por que não havia feito contato com ele antes, mas eu disse que me sentia bem. Disse que eu tinha que fazer uma ressonância de crânio (e cervical), orientou medicação e que eu fizesse o quanto antes e o avisasse, que se preciso ele ia me ver na hora. Respondi que não precisava, me sentia bem. Saí do meu consultório direto para o setor de diagnóstico de imagem, onde expliquei a situação e prontamente, de urgência, fiz o exame. 

 

A duração do mesmo foi de cerca de quarenta minutos, em que fiquei deitado, de olhos fechados, com aquele ruído característico da ressonância. Tempo suficiente para pensar em muitas possibilidades, entre elas a pior, evidentemente. Eu tinha um câncer de sistema nervoso central.

 

Àquela altura, provavelmente não teria mais cura e eu teria pouco tempo de vida. Estranhamente, uma calma baixou sobre mim. Se fosse isso, tudo bem, eu estava preparado. Tudo se resolveria bem.

 

Ao final do exame, ainda com o avental do hospital, fui encaminhado para falar com o radiologista. Tudo certo comigo, tirando umas cicatrizes do meu acidente de mil novecentos e noventa. Não havia chegado a minha hora. Ainda.

 

Ao terminar de me vestir e verificar o celular, havia mensagens do consultório do cardiologista dizendo que já estava me esperando para uma avaliação.  Atendido, constatada uma arritmia cardíaca e a possibilidade de uma alteração estrutural no coração. Foi, então, solicitada uma ecografia do coração, que fiz no final da tarde de sexta e mostrou (dos males o menor) apenas a dita arritmia.

 

Ordem médica, estou em repouso.

 

Sem atividade física intensa, foram vetados meus treinos de bike nas ruas. O final de semana de sol aumentou a frustração, mas não há nada que eu possa fazer a não ser esperar e fazer os exames de avaliação. Em pouco tempo estarei liberado novamente, não estou preocupado. A frustração a que me refiro é que eu completaria, dois dias depois do episódio que desencadeou tudo isso, cento e cinquenta dias consecutivos de prática de atividade física, entre musculação, pedal e caminhadas. 

 

Justamente no meu melhor momento em termos físicos, de como me sentia, ocorre esse contratempo. 

 

Paciência.


Seguimos.

 

Até.

 

quarta-feira, novembro 25, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Duzentos e Cinquenta e Seis Dias

Às vezes, confesso, sou chato. 

 

Mesmo que na esmagadora maior parte do tempo eu seja uma pessoa realmente, digamos assim, emocional, em outras – por outro lado – sou muito prático e racional. De um lado, mesmo que não sejam situações opostas ou mesmo relacionadas, sou fã de comédias românticas e, por outro, há situação em que sou racional ao extremo, ainda mais quando se fala de determinadas crenças populares, digamos assim.

 

Como a crença generalizada no meio médico de que ser médico, ou familiar de médico, é um fator de risco para doenças ou evolução de doenças mais grave. Como se esse fato, ser médico ou familiar de, implicasse em ter chance maior de morrer ou sofrer mais por doença, seja ela qual for. Mesmo médicos experientes, professores, volta e meia se saem com essa afirmação.

 

Não consigo aceitar.

 

Sou obrigado rebater, sempre. Não faz sentido nenhum, não há lógica envolvida nisso. Entendo que médicos tenham essa impressão, mas ocorre simplesmente porque nos chama mais a atenção o fato de um colega ou familiar de um esteja com algum problema de saúde. Estatisticamente, certamente os médicos não são mais propensos a complicar, muito menos seus familiares. Se fizermos um estudo sério sobre isso, veremos que não há relação entre os fatos. Imaginário popular, apenas.

 

Assim como determinadas reações a acontecimentos no mundo, que não entendo. Sei que pode ser incapacidade minha, mas certamente não é falta de empatia, acreditem.

 

Como a morte de Diego Armando Maradona, ocorrida hoje.

 

É a perda de um mito do futebol, um dos maiores da história, sem dúvida nenhuma. Para os argentinos, um mito, quase uma divindade. Idolatrado. Perfeito, sem nenhuma contestação. Lamentamos a morte de uma lenda.

 

Contudo...

 

Ouvia o rádio enquanto voltava para casa, hoje mais cedo, e a apresentadora, em uma entrevista em meio à programação relacionada à morte do Maradona, diz que ‘estamos todos consternados’ e que o futebol ‘perde com a sua morte’. Opa, só um pouquinho... e aí não consigo não ser chato (eu avisei).

 

A história viva do futebol perde, sim, um dos seus grandes personagens, e todos lamentamos e reverenciamos sua memória enquanto jogador brilhante, genial. Mas o futebol perdeu, e muito, quando ele se aposentou, assim como quando Pelé – o maior de todos – parou de jogar. Perde, em maior ou menor grau, quando um grande jogador encerra sua carreira (e nenhuma piada ou insinuação nisso). O mundo do futebol perdeu um dos seus grandes craques do passado, e lamentamos sinceramente sua morte. 

 

Os termos ‘consternados’ e ‘comoção mundial’, contudo, me pareceram meio fortes... mas entendo...

 

O problema sou eu, que às vezes sou muito chato.

 

Até. 

quarta-feira, novembro 27, 2019

Não vou falar (uma declaração de princípios)


Não tenho vontade de falar de atualidades.

Falar de política, sociedade, esportes, religião. Não quero falar de ideologia de gênero, de direita, esquerda, centro, Brexit, Trump ou Bolsonaro. Mudanças climáticas ou terra plana. Nem da Venezuela, Bolívia, Chile ou Equador. Ou do Flamengo. Muito menos da Ucrânia.

Estou sem paciência.

Quero falar de mim.

Do que penso, do que sinto. De quem é importante no meu mundo que, afinal de contas, é o que importa. 

Claro que estou inserido no mundo (impossível não estar), e muitas vezes, para falar de mim, vou falar de atualidades, do mundo, das pessoas, política, religião, esportes. Talvez até de mudança climática, mas não de ideologia de gênero nem de terra plana, porque são bobagens, mas não é hora de entrar em polêmicas.

Ainda.

Além de falar de mim, de emitir opiniões (não tenho e não almejo ter opiniões sobre tudo) pretendo (desejo) fazer ficção nesse espaço. Ou voltar a fazer. Crônicas do cotidiano. Gostaria de voltar a ver poesia no dia-a-dia. Transformar o tédio em melodia, com diria Cazuza.

Ideias, planos.

Escrita, artesanato.

Até.

terça-feira, abril 05, 2016

Cinco de Abril


     A moto não existe, é apenas uma ideia, um desejo
     Talvez um plano, ou uma história
     Isso: uma história. Ficção.
     Assim é a vida,
     Não muito mais que histórias para contar.

     Até.


   

 

quarta-feira, março 06, 2013

Suspicious Minds



Por alguma associação de ideias que não sei explicar, ao falar sobre o show do Elton John ontem, que lamento não ter conseguido ir, fiquei com essa música tocando na minha mente o dia todo.

Foi legal.

Até.

terça-feira, março 05, 2013

Verdade...



Sempre penso neles, os meus inimigos imaginários...

Pois é.

Até.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Não Sou Poeta (ao menos não em público)

Ontem à tarde, enquanto esperava um paciente no consultório, começou a chover com intensidade.

A quarta-feira já havia sido caótica em parte de Porto Alegre devido à chuva que havia caído e alagado parte da cidade, que também ficou sem luz. Quase a cidade parou.

Então quando recomeçou a chuva ontem, lembrei direto de uma música que gosto muito e que fala de chuva e Porto Alegre e despedidas, a (para mim, ao menos) clássica 'Ramilonga', do Vítor Ramil, que postei trechos da letra no Facebook. Nesse momento, eu fui vítima de uma situação que não é nova para mim, que é assumir que todo mundo tem as mesmas referências e/ou habilidades que eu. Como no caso dos recrutas que não sabiam nadar.

Já contei essa história: quando era médico da aeronáutica, fui convocado para ser o médico de plantão no treinamento de campo dos recrutas, que incluia passar por um lago não muito profundo. Para minha total surpresa, metade dos recrutas não sabia nadar. Fiquei chocado. Como assim?! Todo mundo sabe nadar! Descobri que o que achei que era uma habilidade de todos não o era. Surpresa.

O mesmo aconteceu ontem, quando citei trechos da música do Vitor Ramil. É verdade que não creditei os versos ao seu autor, mas jamais iria imaginar que iriam pensar que seriam de minha autoria. Qual não foi minha surpresa quando várias pessoas que me encontraram depois disso comentaram "Virou poeta?". 'Como assim?!', pensei...

Não, não sou poeta (ao menos não em público).

Trancrevo abaixo, por isso, de forma completa o música completa, com a devida autoria:

Ramilonga

(Vitor Ramil)

Chove na tarde fria de Porto Alegre
Trago sozinho o verde do chimarrão
Olho o cotidiano, sei que vou embora
Nunca mais, nunca mais

Chega em ondas a música da cidade
Também eu me transformo numa canção
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga

Sobrevôo os telhados da Bela Vista
Na Chácara das Pedras vou me perder
Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim
Nunca mais, nunca mais

O trânsito em transe intenso antecipa a noite
Riscando estrelas no bronze do temporal
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga

O tango dos guarda-chuvas na Praça XV
Confere elegância ao passo da multidão
Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo
Nunca mais, nunca mais

Do alto da torre a água do rio é limpa
Guaíba deserto, barcos que não estão
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga

Ruas molhadas, ruas da flor lilás
Ruas de um anarquista noturno
Ruas do Armando, ruas do Quintana
Nunca mais, nunca mais

Do Alto da Bronze eu vou pra Cidade Baixa
Depois as estradas, praias e morros
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga

Vaga visão viajo e antevejo a inveja
De quem descobrir a forma com que me fui
Ares de milonga sobre Porto Alegre
Nada mais, nada mais


quinta-feira, janeiro 12, 2012

Sem afeto e outras idéias soltas

Sei lá.

Estava pensando ontem à noite e percebi que não acho o Big Brother uma coisa ruim. Sério. Mesmo. De verdade. E não acho que ele esteja fazendo o telespectador emburrecer, muito menos julgo quem assiste alguém com problemas. Eu simplesmente não acho nada.

Não tenho afeto nenhum pelo programa. Não interessa, não importa. Confesso, porém, que nos outros anos eu ficava, sim, revoltado com o programa (até tentei ver uma vez, para não parecer preconceituoso, mas não consegui).

Agora, nada.

Por outro lado, o que tem me deixado - digamos assim - tenso é uma mania (ou um péssimo hábito) antigo que, em tempos de redes sociais, está tomando proporções gigantescas, que é o de atribuir a conhecidos escritores textos apócrifos, na maioria das vezes de baixa qualidade, ou de auto-ajuda. Luis Fernando Veríssimo, Fernando Pessoa, Caio Fernando Abreu e até o Dalai Lama. É evidente que nem tudo o que atribuem a eles é falso, mas convenhamos que tem alguns escritos que claramente não são de quem se atribuiu a autoria. Se houver dúvida, uma pequena pesquisa (Google) esclarece a verdade.

Como o texto sobre o Big Brother que dizem ser do Veríssimo.


Não é, óbvia e claramente.

Mas, como eu dizia, sei lá, cada um, cada um...

Até.


quarta-feira, setembro 22, 2010

Eu tentei

Asistir ao horário eleitoral.

Não consegui.

E não lamento.

Até.

segunda-feira, junho 28, 2010

Etiqueta online

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Regra:

Quando responderes a um e-mail enviado a ti e a uma lista de pessoas que não sejam parte de um mesmo grupo, JAMAIS optarás pela alternativa "Responder a todos".

Se eu não te conheço, apesar de conhecer a pessoa que enviou o e-mail original, não quero saber a tua opinião sobre o assunto, seja ele qual for.

Até.

segunda-feira, abril 19, 2010

Quando ansioso...

... eu falo. E falo de novo. E repito. E volto a falar.

Exorcizo os meus fantasmas assim, falando.

É terapêutico.

Mas chato para quem precisa ouvir...

Lamento.

Até.

segunda-feira, abril 05, 2010

Envelheço

Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Eu, um limão

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Subia eu por escada rolante ainda ontem quando deparei com o encontro de dois amigos que se viam pela primeira vez em 2010. Um passou pelo outro que, após cumprimentá-lo, perguntou:

"Como foi o ano novo?"

A resposta, mais ou menos óbvia, "Tudo bem, com a família e churrasquinho no dia primeiro". Isso tudo enquanto passavam um pelo outro, um subindo e outro descendo. Eu, que subia, de testemunha, pensava em resposta alternativa à pergunta sobre "como foi o ano novo?":

"Até aqui, tudo bem, mas foram só três dias. Te digo como foi o ano novo no final de dezembro. Abraço!"

Até.

domingo, abril 05, 2009

A Sopa 08/35


Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Não importa
que Deus jogue pesadas moedas do céu
vire sacolas de lixo pelo caminho
Se na praça em Moscou
Lênin caminha e procura por ti
sob o luar do oriente
fica na tua
Não importam vitórias
grandes derrotas, bilhões de fuzis
aço e perfume dos mísseis nos teus sapatos
Os chineses e os negros
lotam navios e decoram canções
fumam haxixe na esquina
fica na tua

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Não importa
que Lennon arme no inferno a polícia civil
mostre as orelhas de burro aos peruanos
Garibaldi delira
puxa no campo um provável navio
grita no mar farroupilha
fica na tua
Não importa
que os vikings queimem as fábricas do cone sul
virem barris de bebidas no Rio da Prata
M'boitatá nos espera
na encruzilhada da noite sem luz
com sua fome encantada
fica na tua

Poetas loucos de cara
Soldados loucos de cara
Malditos loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Parceiros loucos de cara
Ciganos loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Se um dia qualquer
tudo pulsar num imenso vazio
coisas saindo do nada
indo pro nada
se mais nada existir
mesmo o que sempre chamamos REAL
e isso pra ti for tão claro
que nem percebas
se um dia qualquer
ter lucidez for o mesmo que andar
e não notares que andas
o tempo inteiro
É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
se ele não vem, não importa
fica na tua

Videntes loucos de cara
Descrentes loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Latinos, deuses, gênios, santos, podres
ateus, imundos e limpos
Moleques loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Gigantes, tolos, monges, monstros, sábios
bardos, anjos rudes, cheios do saco
Fantasmas loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

(Loucos de Cara, Vitor Ramil)


A Sopa no Exílio hoje silencia para saudar o aniversário do seu criador.

Eu.

Até.