terça-feira, março 05, 2019

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Quase Carnaval

Vivo dias sabáticos.

Após as mudanças em minha vida profissional do último ano, parte delas voluntárias e outra parte involuntária, me dei alguns dias para não pensar. Estou vivendo alguns dias sabáticos, como falei. Claro que não totalmente, afinal as atividades outras (remuneradas, como o consultório, e não, como o serviço de pneumologia da PUCRS) continuam a todo vapor, levando-se em conta que é final de fevereiro no Rio Grande do Sul, o que não é um 'a todo vapor' de abril ou de junho.

Quero dizer que ainda não pensei/planejei como será a partir de agora, em que me tornei profissional liberal, sem nenhum vínculo empregatício. O que farei, além de continuar no consultório, agora sem os muitos cancelamentos dos últimos anos decorrentes de viagens a trabalho. Como será, enfim?

Não sei. De verdade.

(Ainda) Não me preocupo.

Passando o carnaval, aí sim, o plano é avaliar/planejar/pensar/criar novos rumos e possibilidades.

Agora não, agora vou não pensar.

Alalaô.

Até.

domingo, fevereiro 24, 2019

Dormir

Sobre o dormir.

Há muitos anos (muitos, sim, na escala em que medimos a vida olhando os dias que passam em meio às atividades comezinhas - no sentido de caseiras, domésticas - que é o comum e normal, mas não muitos anos de olharmos em perspectiva, na escala de tempo do universo) acordo cedo. Desde os anos em que nos verões do litoral norte do Rio Grande do Sul eu acordava para caminhar na praia logo cedo, antes de ir jogar vôlei de praia para, só depois, encontrar os amigos no final da manhã.

Segui assim, dormindo tarde (nem sempre) e acordando cedo, independente da hora que dormisse, independente do que o dia seguinte fosse exigir de mim. Quando estava com um débito de sono muito grande, compensava com um descanso à tarde, quando possível, claro.

Ao longo do tempo descobri, ainda, que sete horas de sono era o ideal - para mim, caro - para uma ótima noite de sono. Se dormisse mais, melhor, mas esse era o alvo. Sete horas. Acordava recuperado, descansado. Como o horário de acordar era sempre o mesmo, a melhor forma de fazer isso era indo dormir para que conseguisse esse objetivo.

O que quase nunca era possível.

Principalmente nos últimos quase dois anos e meio, de viagens semanais, ou quase, a trabalho. A maioria dos eventos era à noite, aula e jantar após antes de voltar para o hotel. E o dia seguinte era de retorno para Porto Alegre, o mais cedo possível para poder trabalhar ainda. Ou acordava muito cedo par ir ao aeroporto, ou - como fiz algumas vezes - saía do evento para o aeroporto (ou rodoviária) para viajar durante a noite e estar em casa/consultório no dia seguinte logo cedo. Funcionava bem.

Mas o sono certamente ficava prejudicado.

Nem sempre, por exemplo, conseguia chegar de volta ao hotel de um evento e dormir direto. Adrenalina, pensamentos diversos, planos (e preocupações/"encucações") impediam de dormir logo. Virava uma potencial bola de neve de pouco sono e cansaço progressivo.

Claro, havia outros fatores que contribuíam para o deficit de sono (ou qualidade ruim do mesmo), como uso do celular e o tablet antes de dormir, que pioram tudo. Muitas vezes, como em viagens de avião noturnas, fiz uso de medicações indutoras do sono. Funcionava bem, confesso.

E a questão do sono não tinha necessariamente a ver com o trabalho, confesso.

Em férias, a rotina continuava igual.

E a certeza disso se dava pelo monitoramento do sono fornecido pelo relógio, que mostra as horas de sono dormidas, a qualidade do mesmo, frequências cardíaca, etc. O meu déficit de sono, se não era gigante, era maior bem que eu gostaria.

Pois isso mudou.

Desde as férias últimas, agora no início de fevereiro, e descontando a noite noite no avião na volta de Orlando, tenho dormido muito melhor, em termos de horas dormidas e qualidade do sono. Não tenho uma explicação clara e lógica para isso, mas é muito bom.

As mudanças profissionais, com toda a carga de - podemos dizer - incerteza sobre como serão as coisas ao longo desse ano, não tiveram nenhum efeito sobre a qualidade do sono. Pelo contrário, talvez. Quase posso dizer que tenho dormido ainda melhor a última semana.

Sei lá.

Até.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Novo Ano Novo

Dois mil e dezenove.

Sempre me foi simpática a simbologia do novo ano que inicia como momento de renovação e de dar início a novos projetos e ideias. Sempre objetivo ser um novo eu. Aperfeiçoado, melhorado. Nada mais natural, óbvio.

Além disso, o verão - começo de ano no hemisfério sul - é época mais tranquila em termos de trabalho, que reduzo também para dar conta de compromissos familiares. Torna-se o verão - portanto - um tipo de "pré-temporada" preparatória para o ano de trabalho que se desenha à frente. Sem falar nas curtas férias de verão, dez dias, para curtir a família 100% do tempo.

Esse ano foi um pouco diferente.

Fizemos férias em grupo, três famílias cuja ligação inicial foram as filhas, melhores amigas da escola. Foram dez dias de muitas caminhadas, muitos parques, muita diversão. Valeu muito à pena, principalmente pelos laços reforçados e as relações consolidadas.

A volta foi lenta, um início gradual de retorno às atividades que culminou no final da semana passada por um fechamento de ciclo: em virtude de uma restruturação, comum no mundo corporativo, encerrei/foi encerrado o meu vínculo com a empresa multinacional do ramo farmacêutico para qual eu desempenhava a função de Internal Expert, especialista contratado para apoio a atividades científicas e promocionais do laboratório.

Foram dois anos e meio muito produtivos, em termos de crescimento profissional, atualização científica, exposição perante aos pares, convívio com colegas de fora do país, e - acima de tudo - criação e fortalecimento de relações muito legais com colegas com quem tive a chance de conviver. Saí - tenho convicção - deixando pontes e amigos.

Bola para frente, então.

Confesso que já vislumbrava no horizonte essa possibilidade, esse caminho. Imaginava, ainda antes da virada do ano, que era bem possível que dois mil e dezenove terminasse comigo não mais nessa função que exercia. O plano era me preparar para isso. Veio um pouco antes do esperado, mas "vida é o que acontece enquanto fazemos planos", não?

Por isso, também, não foi um choque o que ocorreu.

Lamentei (e lamento) a perda da convivência frequente com pessoas que aprendi a admirar e que viraram bons amigos, mas sei que vez que outra vamos nos encontrar por congressos e eventos e que vai ser legal. Que as relações pessoais não se encerram com o final de um contrato de trabalho.

Por outro lado, confesso - também - uma certa sensação de liberdade, que é muito interessante.

E muitos caminhos em frente, muitas possibilidades.

O ano novo promete.

Até.

sexta-feira, novembro 30, 2018

Histórias de Aeroporto (3)

Ninguém é infalível.

Mesmo os Viajantes Frequentes experientes são passíveis de erros relacionados às suas viagens. Eu, que começo a ser considerado um Viajante Frequente, previsivelmente sou ainda mais propenso a cometê-los.

Quinta-feira, ontem.

Após ter viajado para Belo Horizonte, onde daria uma aula na quarta à noite, acordei às 4h30 da manhã de quinta-feira porque meu voo para São Paulo, onde daria outra aula, ao meio-dia, sairia às 7h10 e o aeroporto de Confins, como o nome já antecipa, fica nos confins do mundo. Longe. Cerca de uma hora ou mais do centro de BH, me avisaram. 

Tudo tranquilo, estava eu no aeroporto tomando café às 6h10.

Após, dirigi-me para as proximidades do portão de embarque, onde cheguei ainda meio cedo – ao meu ver – para fazer fila para o embarque que começaria às 6h30. Sentei, então, na área de um sushi que fica ao lado do portão e que – obviamente – estava fechada aquela hora. Abri o notebook para aproveitar os poucos minutos que tinha, mas estava sem bateria. Fiquei conferindo o celular, quando aconteceu.

Um viajante frequente.

Rapidamente, antes de eu sequer fazer menção de me movimentar, um cidadão iniciou a fila de embarque das prioridades premium. No mesmo instante, levantei e parti em direção à fila. Mas não fui ágil o suficiente: quando cheguei, já era algo como o oitavo ou nono da fila. Vacilei, pensei, mas o voo das 7h10 de Belo Horizonte para São Paulo é um voo de viajantes frequentes. Mais experientes e/ou ágeis que eu. 

Tudo bem, foi um voo tranquilo.

Desde cedo em São Paulo, fiquei esperando no aeroporto para encontrar a colega com que eu iria dar a aula ao meio-dia. Ela chegaria vinda do Rio de Janeiro cerca de uma hora após a minha chegada. Aproveitei para carregar a bateria do notebook e escrever o relatório sobre a aula da noite anterior.

Chegou e decidimos pegar um Uber e sair, ao invés de ficar no aeroporto fazendo tempo antes de ir para o local da aula conjunta que daríamos. Boa ideia, pois o trânsito de São Paulo estava pior que o normal, e levamos cerca uma hora para chegar no local. Ainda tínhamos cerca de uma hora até o horário marcado. Aproveitamos para alinhar nossa apresentação e fazer um lanche.

Pouco antes do meio-dia, chegamos onde seria a aula, momento em que descobrimos que o horário real era 12h30. Com o “tempo de tolerância”, iniciei a aula às 12h40. Ambos falamos, houve um momento de discussão e perguntas e respostas, e terminamos às 13h40. Tudo bem, fomos direto para o Uber para voltarmos ao aeroporto. Assim que entramos no carro, voltamos a falar – havíamos comentado na ida – em antecipar nossos voos. O dela, das 18h para às 16h, e o meu, veja bem, das 16h para às 14h55.

Foi nesse momento que a história tomou ares de drama.

A previsão de chegada no aeroporto pelo aplicativo era 14h15, momento em que começaria – em tese – o embarque. Como estava sem bagagem despachada, era só chegar e embarcar. Chegaria em cima da hora no aeroporto, mas chegaria em casa uma hora antes do previsto (o que vale ouro para quem passa tempo viajando).

Valia correr o risco.

O carro tentava avançar pelo trânsito de São Paulo, e decidi tentar antecipar o voo pelo aplicativo da companhia aérea. Testei, apareceu a opção do voo que queria como disponível, confirmei a troca, passei para a escolha do assento, havia apenas um assento disponível, pagando por ser conforto. Aceitei, fui marcar... e disse que já havia sido escolhido. E não havia mais nenhum disponível! Nenhum mesmo!

Não conseguia fazer o checkin por não haver assentos disponíveis e não estava mais no meu voo original! Tentei ligar para a companhia aérea e a mensagem era de que devia ir ao balcão no aeroporto.

Sabia que – como chegaria em cima da hora – ir ao balcão da companhia significava não pegar o voo das 14h55, mas aquela altura só queria garantir o voo original. Tensão. Ao mesmo tempo, o trânsito não fluía, e o motorista do Uber, solidário, dava força e tentava chegar logo. O que me restava, nesse momento?

Culpar alguém, claro...

Olhei para a Gabriela, colega com quem dividia o Uber, e disse:

- A culpa é tua!

- Minha? Eu não fiz nada!

- Claro que fez, quem começou com a ideia de antecipar voos?

- Mas era o meu voo, das 18h para às 16h!

- Não importa, alguém tem que ser culpado caso eu perca o meu voo...

Nisso o motorista do Uber explodiu rindo.

Todos rimos... rir é o melhor nesses momentos...
Ao nos aproximar de Congonhas, combinamos que eu desceria e não a esperaria para poder correr até o balcão e tentar salvar o meu voo original. Assim foi. Saí do Uber e saí em desabalada carreira pelo aeroporto até a loja da Gol. Fila enorme.

Cheguei no balcão, me desculpei com quem estava sendo atendido, e pedi informação de como proceder. Tinha que ir até o checkin, para tentar – veja bem – tentar me recolocar no voo original. Fui até o checkin, mesmo procedimento, envergonhado por atrapalhar o atendimento em ocorrência, e expliquei o caso. Disse que voo estava fechado. Estou sem bagagem, argumentei com cara de cachorro carente.

Perguntou para o supervisor.

Que disse sim!

Me deu o cartão de embarque, saída de emergência meio, e disse para eu correr, porque era embarque imediato. Nova corrida, inspeção de segurança, painel de voos dizendo “Embarque próximo”. Havia conseguido!

Caminhei até o portão – o mais distante da entrada do embarque – e ainda não havia iniciado. Fila das prioridades, penúltimo lugar da fila, mas – muito mais importante que isso – chegando em casa mais cedo. Embarcado, até o último momento com o assento do corredor vago.

Estavam quase fechando as portas quando entrou o último passageiro que, ao chegar olhou para mim e disse “estava pensando que ia ficar vago, não? Lamento, mas vai alguém ao teu lado ”.

Olhei para ele e disse que se ele soubesse da minha história, saberia que eu iria sentado no chão, no fundo, de tão feliz por estar indo à aquela hora. E contei a minha história. E éramos os três, na mesma fila, janela, meio e corredor, passageiros que haviam antecipado seu voo e quase não conseguido embarcar.

Ainda antes de colocar o celular no modo avião ainda tive tempo de enviar uma mensagem para a Gabriela, só para agradecer pela ideia de antecipar o voo...

Somos gratos, também, nós os viajantes frequentes.

Até.