quarta-feira, agosto 07, 2024

Bird’s Eye View

O termo Bird’s Eye View significa olhar algo a partir de um lugar muito alto, de forma que se consiga ver uma grande área abaixo de onde se está. Pode significar também o olhar de perspectiva, o olhar o todo para se ter uma noção completa da paisagem, ou situação.

 

Sempre traço um paralelo com a praia: do ponto de vista do oceano, de sua imensidão, toda praia é pequena, insignificante, independente de sua beleza para quem olha a partir dela, a praia. É um ensinamento para a vida. Quando possível, devo (devemos) olhar para o todo, o contexto, a história, e não apenas para aquilo que se apresenta bem em nossa frente.

 

Pequenos contratempos da rotina não devem (não deveriam) nos afastar do plano maior, do nosso alvo, o objetivo a longo prazo. De nos tornarmos que devemos (queremos) ser. Li e compartilhei há alguns dias que ‘levamos muito tempo para nos tornar quem somos’.

 

É um trabalho, uma luta diária, e – como tal – sujeita a altos e baixos, a episódios de euforia e desânimo, de êxtase e ansiedade. Trabalhar para que uns não afetem os outros, e que não nos tirem do rumo, do nosso rumo, é fundamental.

 

Tenho tentado, tenho trabalhado (e vamos bem, posso dizer).

 

Até.

terça-feira, agosto 06, 2024

Conexões

O ‘Qual é o Tom’, programa/podcast que o Thiago Vitola e eu apresentamos semanalmente direto da recepção da School of Rock Benjamin POA e que é transmitido pelo You Tube, iniciou oficialmente em abril desse ano, e é o resultado de uma ideia que eu tinha e que foi aprimorada e lapidada por todos nós que estamos envolvidos. A ideia inicial era conversar com pessoas, ouvir suas histórias. É um programa sobre pessoas, conexões e música, não necessariamente nessa ordem.

 

Tenho dito, em alguns episódios, que a inspiração para o programa é bem egoísta: originalmente, o que eu queria era conversar, conhecer pessoas, reconhecer as conexões que certamente existem entre nós. Ter a chance de saber de suas histórias e, sim, compartilhar alguma das minhas.

 

E tem sido, devo dizer, EXATAMENTE como eu imaginava.

 

Consigo reconhecer, nas conversas, pontos de conexão entre o que penso e o que o convidado pensa, independente da recíproca, mesmo que quem conversa comigo não sinta exatamente o mesmo. Ainda assim, amplio o que se chamaria de minha bolha... E fico genuinamente FELIZ por saber que outros, além do meu círculo próximo de relações, tem visões de mundo semelhantes às minhas, além de outras diferentes e que me fazem refletir justamente sobre as minhas. Questionar convicções, estar aberto a ouvir diferentes pontos de vista, aprender.

 

Dialogar, algo tão difícil nos dias de hoje, onde muitos querem falar e poucos admitem ouvir.

 

Até. 

segunda-feira, agosto 05, 2024

Em controle

Uma semana.

 

Completo hoje uma semana de “tratamento” do meu uso abusivo de redes sociais. Até aqui, tudo bem, mas sei que – assim como o tabagismo, o tipo de dependência que lido quase diariamente tratando os meus pacientes – tenho que ficar vigilante, porque o risco de recaídas é grande. Reduzi, nessa primeira semana, o meu tempo de telas em 67%, ou seja, usei o celular, e isso incluindo trabalho, como responder mensagens de pacientes, comunicações diversas, e as postagens de redes sociais minhas e do Qual é o Tom, por um tempo dois terços menor que vinha usando.

 

E o mais impressionante efeito disso foi o tempo que ganhei.

 

A partir do momento em que não permiti mais que as redes sociais sequestrassem meu tempo, voltei a ter em minhas mãos um grande poder que não tinha noção que havia perdido. Esse tempo recuperado tornou meu dia – nessa primeira semana, ao menos – mais produtivo. Pude ler, tocar, escrever e até dormir mais por esses dias. O fato de prestar atenção e tornar consciente para mim o uso do celular me fez perceber o quanto vinha usando em excesso.

 

Se vou continuar nessa pegada, de reduzir o uso ao mínimo possível de redes sociais, não tenho certeza. Tenho a intenção, mas sei que é um dia após o outro. É quebrar um ciclo e, melhor ainda, criar um hábito, uma nova rotina.  

 

Seguimos em frente, resolutos.


Até. 

domingo, agosto 04, 2024

A Sopa

Casamento.

 

Entre as muitas razões para eu permanecer casado (muitas, mesmo), me sinto obrigado a falar de uma em especial, em um domingo cinza e úmido: não teria disposição (“saco”) para voltar a frequentar “a noite”. Não é mais para mim. Se quiser me chamar de velho, fique à vontade.

 

Quando falo em noite, quero dizer sair com o objetivo de encontrar relacionamentos, sejam de uma noite ou mesmo mais duradouros. Isso caso alguma catástrofe acontecesse e a Jacque e eu não estivéssemos mais juntos. Sair com amigos para conversar, assistir a shows, isso é claro que é muito bom. E começo a entender quem usa os aplicativos de namoro para conhecer pessoas que potencialmente podem se tornar relacionamentos.

 

Aconteceu de – nos últimos dois meses – a Jacque e eu sairmos para nos divertir (um aniversário de uma amiga dela e uma noite com um grupo de amigos) em casas noturnas de Porto Alegre. Foram experiências (para mim, para mim) reveladoras.

 

A primeira, em uma casa noturna sem música ao vivo, que funciona como restaurante que depois se torna uma festa. Era uma sexta-feira à noite, e fomos em um aniversário. Jantamos, conversamos com outros convidados, e observei o comportamento dos frequentadores do local, de faixa etária bem variada naquele momento. Para a turma de faixa etária semelhante à minha, um padrão feminino: loiras em grupo, de preto, botox e o tempo todo no celular. O que mais se via era o rosto iluminado pela luz azul do celular. 

 

A segunda experiência foi em uma outra casa noturna, que tem música ao vivo, e é antiga em Porto Alegre, caracterizada por boa música (ou o que eu considero boa música). Talvez por isso, pelo que eu considero boa música, frequentado aos sábados à noite por pessoas de faixa etária semelhante à minha e ainda maior. 

 

Fomos em um grupo de amigos, e ficamos em mesa em frente ao bar, junto ao balcão, próximo de onde as pessoas ficam em pé, a sós ou em duplas, e sabemos com qual intenção. Estava dirigindo, porque mais tarde buscaria a Marina em uma festa, então foi uma noite sem ingerir absolutamente nada de álcool, o que nunca foi problema para mim, e que serviu, então, para uma observação mais apurada e crítica do ambiente, o que reforçou tudo o que eu disse sobre querer continuar casado...

 

Começamos pela constatação de que havia muitos mais velhos do que eu, e que talvez eu prefira ir a lugares onde eu estou entre os mais velhos. A “questão capilar” não era uma questão: a maioria, se não quase isso, dos homens por lá estavam em situação de pouco ou nenhum cabelo. Eu, com o (pouco) que tenho, não chamava à atenção. Sentado onde estava, de encostado no balcão e de frente para o resto da casa, eu acompanhava as dinâmicas acontecendo em volta, e, por estar no caminho dos banheiros e próximo ao caixa, via (quase) todo mundo que se dirigia a esses locais.

 

Quando começou o show da banda da casa, passei – além de acompanhar a música – a prestar atenção a alguns grupos próximos de onde estávamos em seus rituais de acasalamento. Desde o “fortinho” de pouca altura de camiseta “mamãe sou forte” dançando com movimentos rígidos e conversando ao ouvido de uma mulher próxima, até aquele que parecia ser seu wingman, já alcoolizado, “dando tiros” para todo lado e vendo suas tentativas de aproximação serem rejeitadas, mas ficando à volta, na expectativa de que algo aparecesse.

 

Enquanto estivemos lá, não apareceram.

 

Me perguntei como seria, ou como eu seria visto, se fosse eu naquela situação, de estar na noite em busca de companhia, se haveria alguém prestando atenção em mim e possíveis movimentos voltados a esse objetivo. Fiquei com vergonha ao pensar. Não tenho mais idade para isso (não tem a ver com idade, claro, mas com espírito, ou talvez tenha, não sei). Seria eu, nessa hipotética situação, o tiozão inconveniente?

 

Serei eu o tiozão que não admite que envelheceu?

 

A saber.


Até. 

sábado, agosto 03, 2024

Sábado (e as câmeras...)

Em gravação
 

Às vezes é como médico...

;-)

Bom sábado a todos.

Até.

 

   

sexta-feira, agosto 02, 2024

Diário da Abstinência

Dormi bem a noite que passou.

 

As anteriores haviam sido conturbadas, com alguns despertares mais longos e uma certa dificuldade de retomar o sono após. Em uma das noites, cogitei tomar um indutor de sono por volta das três da manhã, mas desisti. A sensação de que não dormira pelo tempo suficiente persistiu nas primeiras noites da semana.

 

Não acredito que a alteração do sono tenha relação com a minha diminuição de tempo de telas e redes sociais, mas não posso negar a associação temporal. Não é síndrome de abstinência, mas – como em qualquer tipo de dependência – esses são dias de esforço e uma maior autoconsciência. Algumas situações que era regulares, feitas ‘no automático’ agora requerem minha atenção.

 

Lembro então o período logo após a cirurgia de coluna que fiz, devido a uma hérnia de disco lombar. A cirurgia foi meio de urgência porque acordei um domingo com perda de força na perna esquerda, após uma crise de dor insuportável que havia tido na madrugada. Ao acordar já com a dor controlada, percebi que caminhava com dificuldade. A cirurgia foi dois dias depois, e foi como tirar a dor com a mão.

 

Após a cirurgia, mas decorrente da compressão nervosa resultante do período em que a hérnia esteve evoluindo, quando voltei a caminhar depois do período de repouso, notei que o movimento natural, automático, de andar, já não o era com relação à perna esquerda. Eu tinha que pensar e conscientemente movimentar. Se com a perna direita era natural, com a esquerda era pensado. Durou um tempo, até que percebi que eu não pensava em caminhar, eu caminhava.

 

Algo semelhante tem acontecido nesses primeiros dias de “abstinência” ao celular e redes sociais (lembrando: apenas reduzi o tempo passado em redes sociais, não estou e nem quero estar 100% offline, ao menos não agora). Existem diversas situações em que automaticamente vou pegar o celular e tenho que pensar, e recuar na intenção. 

 

Se eu fosse tabagista, eu diria que esses são os gatilhos não nicotínicos, aqueles relacionados a atividades que – mesmo inconscientemente – associa-se ao, no caso dos fumantes, fumar. No meu caso, ao ato de pegar o celular e olhá-lo, seja para conferir as redes sociais ou jogar um jogo qualquer que roubasse / prendesse minha atenção ou que me proporcionasse liberação rápida de dopamina.

 

Concluo, nesse momento, em uma reviravolta do que vinha pensando e escrevendo, que – sim – a minha alteração de sono das noites anteriores provavelmente tenha sido por síndrome de abstinência à dopamina. Eu sou (era) um abusador de redes/mídias sociais. Por mais que achasse não, parece mesmo que sou (era). 

 

O reconhecimento do problema é o primeiro passo para a cura.

 

Seguimos.

 

Até.

quinta-feira, agosto 01, 2024

Agosto

Sigo em meu plano de reduzir o meu tempo de telas.

 

Desde segunda-feira tenho acessado o mínimo possível o meu celular, principalmente as redes sociais, assim como excluí os joguinhos que havia nele, para os quais tinha muito do meu tempo e atenção “roubados” por eles. Está sendo tranquilo, até.

 

Como eu falei, e fiz um paralelo com outro tipo de adicção, o tabagismo, não posso “baixar a guarda”, caso contrário uma recaída é inevitável. As redes sociais, assim como o cigarro, são o “demônio”, estão à espreita para nos atacar ao menor vacilo nosso.

 

Apesar do que disse acima, não demonizo as redes sociais. Eu as acho muito legais, divertidas. O problema é que elas vão “sugando” nossa atenção e energia, e corremos o risco de nos ficarmos por aí tipo zumbis, andando de cabeça baixa apenas focados no celular. E falo por mim. 

 

E falo mesmo de mim.

 

Descobri, ao longo do tempo, esse traço compulsivo. De tempos em tempos, assumo alguma atividade ou comportamento que se tornam quase obsessivos por um tempo. Quase, eu disse quase. Exemplos, eu tenho vários, mas vale falar sobre um deles.

 

A atividade física.

 

Por um período, na pandemia e logo após, comecei a praticar, indo à academia e de bicicleta na rua, registrar isso em um aplicativo e me desafiar. A cada semana, cada mês, eu tinha que superar a anterior, em termos de tempo, distância, etc. Perdi peso, melhorei muito meu condicionamento físico. Fiz 152 dias consecutivos de atividades, até que não consegui em um dia, o que foi motivo de frustração. Tinha que seguir, apesar de ser muito mais que o necessário para a saúde e estar em forma, os objetivos por trás disso. Comecei e, de certa forma, me tornei obsessivo nisso.

 

Não sou mais, superei essa fase, e estou tranquilo.


O celular, as redes sociais, começaram, então a me “sequestrar” e, como um adolescente fui me tornando dependente. Antes de dormir e ao acordar, em momentos diversos para evitar o tédio. Como um junkie, seguia por aí com minha droga. Chega. Não que eu pretenda me afastar 100%, até porque não posso (trabalho, projetos paralelos), mas não quero ser escravo do meu iPhone.

 

Decidi interromper o ciclo.


Até.