sábado, abril 22, 2023

Sábado (e uma foto de férias 9)

 

Hu Camping in Town Firenze


Acampando em Firenze.
Perdidos Mães e Filhos.
Fevereiro/2023

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, abril 21, 2023

Perdidos Mães e Filhos (28)

 A Viagem (16).

 

Havíamos chegado em Florença, almoçado no simpático Blend Eat, localizado na Corso dei Tintori, e agora começaríamos nosso passeio pela cidade, caminhando, como dever ser. Apesar de estarmos bem próximos à Basílica de Santa Croce (que visitaríamos no dia seguinte), decidimos começar pela Piazza della Signoria, quinhentos metros de onde estávamos.

 

Piazza della Signoria é, nada mais, nada menos que a praça central de Florença, sede da prefeitura, o Palazzo della Signoria (chamado de Palazzo Vecchio), e “coração da vida social da cidade”. É uma praça em forma de “L”, e fica ao sul da Duomo e próxima ao rio Arno e à famosa Ponte Vecchio. A praça é, além de tudo, praticamente um museu a céu aberto. 


Piazza della Signoria à noite


Ao lado do Palazzo Vecchio temos a Fontana del Nettuno (o tio Vicente quando mais jovem, segundo crença familiar...) próxima à estátua equestre de Cosimo I, obra de Giambologna, além de uma cópia do David, de Michelangelo. Formando um ângulo de 90º com o Palazzo Vecchio temos a Loggia dei Lanzi, construída entre 1376 e 1381 para cerimônias oficiais e recepções, sendo posteriormente transformada em um museu a céu aberto. Ali estão, entre outras, as esculturas ‘Hércules e o centauro’, um dos dois leões de Medici, de Flaminio Vacca, e ‘Perseu e a cabeça da Medusa’. 

 

Passando entre o Palazzo Vecchio e a Loggia dei Lanzi, entra-se na Piazzale degli Uffizi,onde fica, justamente, a entrada da Galeria degli Uffizi, e que segue até a beira do Arno. Visitaríamos a Uffizi também no dia seguinte. Passeamos pela Piazza della Signoria e seguimos pela Via dei Calzauolli e Via Porta Rossa até o Mercato Nuovo (ou del Porcellino), onde – além de vendedores dos mais variados produtos – está a estátua em bronze ‘Il Porcellino’, um javali.

 

Il Porcellino

É um atrativo turístico de Florença - turistas põem uma moeda dentro da boca do Porcellino com a intenção de deixá-la cair no gradil inferior da estátua para pedir por boa sorte e esfregam o focinho do javali para assegurar que retornarão a Florença, em um ritual cheio de ciência envolvida, e nenhum pensamento mágico. O viajante literário escocês Tobias Smollett registrou essa tradição em 1766, notando que o focinho do Porcellino possuía uma aparência polida, em contraste com o marrom-esverdeado do restante da estátua. É claro que quase todos nós fizemos o ritual (não eu, que estava registrando e fotos e vídeos). Jacque, Marina, Karina e Mãe colocaram a moeda na boca do javali e conseguiram que a moeda caísse no local certo na primeira ou, no máximo, na segunda tentativa. Já a Roberta, por outro lado, quando fez, na primeira tentativa, teve sua moeda praticamente cuspida pelo javali, caindo para fora da fonte, na rua, quase como quando ela foi jogar a moeda na Fontana de Trevi e errou... 

 

A segunda tentativa foi frustrada também, mas a moeda ao menos caiu próxima ao gradil. Nesse momento, tivemos que dar lugar a outras pessoas que esperavam. Após um tempinho, mais uma tentativa e finalmente teve sucesso. Garantiu retorno à Florença (afinal, esse é um método certificado...).

 

Passamos pela Piazza dela Repubblica e seu carrossel e visitamos ali a LaFetrinelli, livraria onde a Roberta fez uma compra para poder utilizar o banheiro (foi informada da senha para entrar e repassou para todo o resto do grupo que precisou utilizar...). Dali, seguimos para a região da Duomo, aonde chegamos cerca de sete minutos depois de encerrar o horário de visitação... Deixaríamos para o dia seguinte, e perderíamos o horário mais uma vez... vai ficar para uma próxima vez...

 

Piazza della Republica


Em um rápido debate, foi decidido – contra minha vontade, que estava errado, admito – visitarmos naquele momento a Galleria dell’Accademia, onde está – como atração principal – o David de Michelangelo. Eu havia visitado esse museu na primeira vez em que estivera em Florença, com a Jacque, há mais de vinte anos, e confesso que me impressionou dessa vez ainda mais do que eu tinha lembrança. Mesmo inicialmente contrariado, foi muito bom ter ido e realmente aproveitamos todos a visita.

 

David de Michelangelo


Ao sairmos da Accademia, voltamos em direção à Duomo, Piazza della Signoria, fomos até ao rio Arno, e até a Ponte Vecchio, antes ainda de voltamos em direção ao carro. Mas ainda tínhamos que jantar, e por estarmos longe do carro, nossa decisão foi procurar um lugar no Centro Storico para jantar. Caminhamos, caminhamos e encontramos um local que não estava lotado (era Dia dos Namorados, lembram?). Ao conseguirmos uma mesa, o primeiro comentário – da Karina, eu acho - foi de que não estava com muita fome. Quem sabe apenas pedirmos umas entradas, uns petiscos. Enquanto ela falava isso, eu olhava o cardápio e me fixei num item, decidindo que deveria ter aquela experiência.

 

Ponte Vecchio


Bistecca alla fiorentina.

 

Bistecca alla Fiorentina é um prato típico da Toscana, e seu preparo é quase um ritual. É uma carne espessa com pouca capa de gordura, mas marmorizada. A peça é cortada com 3 cm de altura, com aproximadamente 1,3 Kg. Por isso, no cardápio, o preço é por quilo. Era o que eu queria comer. E “convenci” os outros, exceto a Roberta (que é meio que vegetariana) e a Mãe, a comer comigo.


Bistecca alla fiorentina, metade dela...


Conversando meio em italiano e meio em inglês com o garçom, pedi a Bistecca para nós quatro, imaginando que viria um quilo para nós quatro. Engano meu (ou ‘o golpe está aí, cai quem quer’). Vieram dois quilos e pouco de carne para os quatro. A carne estava maravilhosa, mas comemos como se fosse a nossa última refeição, ou se fosse a primeira depois de muito tempo. Saímos do restaurante – após pagar uma conta compatível com tanta carne e vinho – caminhando lentamente, “cheios”, de volta ao carro.

 

De volta ao camping, tivemos uma espetacular noite de sono.

   

Teríamos ainda um outro dia inteiro de caminhadas e visitas em Florença.

 

Até.

quinta-feira, abril 20, 2023

Perdidos Mães e Filhos (27)

A Viagem (15).

 

Dia dos Namorados, Valentine’s Day, Dia de San Valentino.

 

Valentine's Day, Cortona


Acampamos em Florença.

 

Mais ou menos, posso dizer. Acho que fica melhor dizer que “acampamos”, assim, entre aspas, em Florença. Sim, era um camping, mas – não – não ficamos em barracas. Já falo disso. Antes, vamos começar o dia saindo de Assis em direção à Cortona.

 

 São aproximados setenta quilômetros entre Assis e Cortona, passando por Perugia e, contornando parte do Lago Trasimeno, por Passignano Sul Trasimeno, em um trajeto de cerca de uma hora e pouquinho. Trânsito tranquilo, boa parte do tempo com vista e montanhas ao fundo com alguns picos nevados.

 

A primeira vez que ouvi falar em Cortona acho que foi quando vimos o filme ‘Sob o sol da Toscana’, de 2004. A história de uma escritora americana que se divorcia, vai para Itália e compra uma casa em Cortona. No filme, há imagens da cidade, inclusive com uma fonte na Piazza dela Reppublica que na verdade não existe. Havíamos estado lá duas vezes antes, em 2005, quando fizemos a viagem ‘Milão – Sicília’ que, como o nome diz, começou em Milão, fez o caminho ao sul até a Sicília, de onde voltou para Napoli, Costa Amalfitana e terminou em Roma, que a Jacque e eu fizemos com meus sogros, e, também, em 2014, na viagem do Alfredo, meu sogro, com a família (esposa, filhas, netos e genro, eu).



Piazza Signorelli


Ao chegar em Cortona pela SP34, contornando o muro da cidade, dirigi e consegui uma vaga de estacionamento no parcheggio Piazza Mazzini, junto à Porta Colonia, acessando a pé por essa entrada. Pela Via Dardano, seguimos até a Piazza Signorelli, onde está o teatro de mesmo nome, e até a Piazza dela Reppublica, a praça central da cidade. Não é uma praça grande, e era ali que o cardo e o decumanus, se cruzavam, formando um eixo Norte-Sul, Leste-Oeste na época romana, e era ali também onde ficava o Fórum Romano, em toda sua majestade. Para quem não sabe, e eu não sabia até estudar o assunto, uma explicação.

 

Um decúmano (em latim: decumanus; plural: em latim: decumani) era uma rua ou via, orientada no sentido leste - oeste nas povoações romanas, castros (acampamentos militares), ou colônias. O nome deriva do fato de via decumana ou decimana (décima) separar a Décima Coorte (grupo de quinhentos homens armados) da Nona Coorte num acampamento das legiões romanas, à semelhança da via quintana, que separava a Quinta Coorte da Sexta. Quando havia mais que uma via orientada no mesmo sentido, uma delas, a mais importante, passava a ser designada por Decúmano Máximo (em latim: Decumanus Maximus), que habitualmente ligavam a Porta Pretória (nos acampamentos militares a porta mais próxima do potencial inimigo) à Porta Decumana (a porta mais afastada do potencial inimigo). A meio do seu comprimento, ou groma, a Decúmano Máximo cruzava-se perpendicularmente com a cardo ou Cardo Máximo (em latim: Cardus Maximus), a principal via norte-sul, tradicionalmente a via principal. O Fórum estava normalmente localizado próximo desta intersecção.


Palazzo Del Capitano Del Popolo


Voltando à Cortona e à praça.

 

Na Praça fica também o Palazzo Del Capitano Del Popolo, que no século XVI serviu como residência para o Cardeal Passerini e, hoje, ali mesmo, funciona uma agência dos correios. Próximo dali, na mesma Praça, fica o Palazzo Comunale, que no século XII aconteciam reuniões políticas, econômicas e sociais. Passamos pela praça, e seguimos pela Via Nazionale, a principal do Centro Histórico de Cortona, até a Piazza Garibaldi, onde há um belvedere com uma bela vista da região, e onde a Jacque – em 2005 – teve seu cantucci (famoso biscoito italiano extremamente crocante, recheado com amêndoas e com perfume de laranja) roubado por um corvo. Próxima à Piazza Garibaldi, ainda, está a Chiesa de San Domenico e um parque onde está o Monumento ai cadutti, lembrando os mortos nas grandes guerras, monumento comum em várias cidades italianas. 


Belvedere na Piazza Garibaldi

 

Fizemos o caminho de retorno pela Via Nazionale e paramos para um café no Café Vittoria, já de volta à Piazza Signorelli. Capuccinos, água, antes de irmos em direção ao carro. Para nosso próximo destino, havíamos reservado duas noites de camping. De Cortona até Florença, e até o HU Firenze Camping in Town, onde ficaríamos, via A1, autoestrada, são pouco mais de 110km e cerca de uma hora de vinte e poucos de distância.   

 

Chegamos e pudemos fazer o checkin.

 

hu Firenze Camping in Town, localizado Via Generale C. A. dalla Chiesa, 1/3, aproximadamente a 6km do centro de Firenze, mostrou-se uma excelente opção de estadia na cidade, com estacionamento gratuito, lugar para barracas, trailers e motorhomes, além de – nossa óbvia opção – cabanas, com banheiro privativo, ar-condicionado, Wi-Fi. Alugamos duas cabanas para três pessoas, com diárias muito em conta. Há também um mercado com boas opções e um restaurante / cervejaria junto a ele, no mesmo local em que é servido o café da manhã, pago à parte, mas que vale totalmente.


Camping

 

Os quartos eram realmente confortáveis, o aquecimento funcionou muito bom, o chuveiro tinha á quente e com boa pressão, apesar do Wi-Fi não ser nenhuma maravilha. Mesmo assim, não tivemos nenhuma crítica com relação à nossa estadia. Foi eleita, em votação, a melhor estadia da viagem...

 

A distância de cerca de seis quilômetros do centro nos deixava com duas opções, a saber, ir de carro ou ir de transporte público. Como éramos seis, ir de ônibus nos custaria dezoito euros, mais caro do que estacionamento público e estaríamos dependentes dos horários dos ônibus. A decisão de ir com o carro foi unânime. Nossa/minha única preocupação era com relação ao local onde estacionaríamos e as ZTL e suas multas associadas. Conversando com uma funcionária da recepção do camping, estabelecemos um plano. Deixaria o carro no parcheggio Beccaria, próximo à praça de mesmo nome, na Viale Giovanni Amendola, e faríamos a pé o resto do caminho. 

 

Funcionou bem. Deixamos o carro nesse estacionamento, que fica a quatro quilômetros do camping, e saímos caminhando até a Lungarno (avenida que segue o curso do rio Arno), por onde caminhando algumas quadras procurando um lugar para almoçar, afinal já passavam das 15h. Desviando para longe do rio, encontramos o Blend Eat, na Corso dei Tintori, que fica aberto o dia todo (fecha à 1h da manhã). Ambiente legal, comida muito boa (comemos burgers e massas).


Blend Eat, Firenze

 

Após o almoço, começamos a visitar Florença.

 

A seguir.

 

Até. 

terça-feira, abril 18, 2023

Perdidos Mães e Filhos (26)

 A Viagem (14).

 

Eu caio.

 

Se tivermos que encontrar uma definição para a minha pessoa, e se dissermos que eu sou uma pessoa que cai, estaremos corretos. Com disciplina, consistência, quase regularidade, até. Mas não só isso: eu tenho uma especialidade, uma peculiaridade, podemos dizer: ao longo dos anos, eu fui desenvolvendo uma queda por quedas em e de banheiras... De verdade.

 

Começou no ano de 2000, na Itália mesmo, no Hotel Marguta, bem pertinho na Piazza del Popolo. Ali foi minha primeira vez. Em pleno banho, escorreguei e caí, parte dentro e parte fora dela, mas sem maiores consequências imediatas (segundo teoria da Jacque, foi aí que começou a série de eventos que resultou em minha hérnia de disco operada em vinte de março de dois mil e vinte e três, mas não sei).

 

Depois dessa vez, foram episódios esporádicos ao longo dos anos, com episódios (não quero me exibir) em Florença, Paris e, também, em um hotel na Euro Disney (quando a cortina de plástico amorteceu minha queda), entre outras. A mais fantástica de todas, em minha humilde opinião, foi em 2018 em Óbidos, Portugal, em um hotel chamado The Literary Man, em que escorreguei e caí estendido fora, no chão do banheiro, a centímetros de um degrau que poderia ter me matado caso caísse em cima dele enquanto a Jacque fazia uma ligação de vídeo com sua família, que teve que largar com a Marina para invadir o banheiro para ver o que havia acontecido... O curioso disso tudo é que – nos anos em que morei sozinho no Canadá – o apartamento tinha banheira e eu NUNCA caí neste período.

 

Também não caí de banheira nenhuma durante nossa viagem.

 

O que não quer dizer que não caí nenhuma vez, é claro.

 

O quarto de nosso hotel em Assis, o Il Duomo, tinha uma conformação curiosa, para dizer o mínimo. Subíamos uma escada de poucos degraus para entrar nele, que era composto por uma sala com sofá-cama, um quarto com cama de casal, e um banheiro. Ficaríamos ali, a Mãe, a Marina a Jacque e eu. Por justiça, como a Jacque e eu havíamos dormido em cama em Roma e elas em sofá-cama, decidimos inverter.

 

A entrada no quarto era pela salinha do sofá-cama, e – dentro do quarto – tínhamos que subir uma escada para acessarmos o local em que estava a cama de casal e outra, diferente, para o banheiro. Mais: dentro banheiro, o vaso estava um degrau abaixo do resto do banheiro. Receita para desastre.

 

Após o jantar, havíamos voltado para o hotel para dormir. Antes de todos dormirmos, a Jacque avisou que deixaria a luz do banheiro acesa para evitar acidentes. Todos dormimos. O sofá-cama era muito ruim, infelizmente, mas tínhamos que passar por isso. Por volta das três ou quatro horas da manhã, em meio a sonhos estranhos, acordei e decidi ir ao banheiro. Subi a escada parcialmente iluminada pela luz deixada acesa pela Jacque no banheiro. Entrei no banheiro em segurança e – porque achei que iria perder o sono pela luz forte – decidi (um ERRO monumental) apagar a luz para usar o banheiro, confiante de que havia decorado a arquitetura do banheiro.

 

Não decorara.

 

Esqueci, sonolento, do maldito degrau dentro do banheiro, e acabei pisando em falso, batendo na parede, a caindo sentado no vaso, não me pergunte como. Com o barulho, a Jacque perguntou se estava tudo certo. Respondi que sim, ela poderia voltar a dormir. Meio dolorido, mas sem maiores lesões aparentes, saí do banheiro sem deixar de acender a luz e me deitei novamente. A Jacque perguntou se eu havia caído, e respondi que ela deveria dormir. Pela manhã, confessei que havia caído, mas o detalhe da luz apagada só fui confessar ao grupo vários dias depois...

 




Pela manhã, meio doído ainda (os hematomas apareceriam dias depois). Tomamos café, fizemos o checkout, e saímos andando com nossas bagagens até o carro. Pela noite fria, o para-brisas estava coberto de gelo. Tirei a camada de gelo com uma luva e um pano, e pudemos seguir adiante.


Passaríamos por Cortona e acabaríamos o dia em Firenze.

 

No camping.

 

Até.

domingo, abril 16, 2023

A Sopa (Perdidos Mães e Filhos 25)

A Viagem (13).

 

Apesar de já possuirmos experiência em viagens, inclusive em viagens pela Itália, viagens pela Itália em grupo, viagens pela Itália em grupo de carro e, mais, viagens pela Itália em grupo de carro grande, ainda assim todos estamos passíveis a cometer erros ao planejar viagens pela Itália em grupo de carro grande. Somos humanos, afinal de contas.

 

Eu errei.

 

Conto isso um pouco adiante, em breve.

 

Estávamos em Roma, onde passáramos um agradável final de semana de muitos passos e muitos quilômetros percorridos. Acordamos para o último café da manhã no apartamento, arrumamos nossas coisas e, conforme o combinado, fechamos o apartamento e fomos até o parking Via Giulia pegar o carro, que passara o final de semana ali.

 

Na porta de casa, Roma


Manobra meio chata para tirá-lo da vaga em uma segunda-feira pela manhã de carros entrando enquanto manobrava nosso “ônibus”, mas tudo certo. Saímos, já com o Waze nos orientando nosso destino do dia: Assis. Optamos por seguir pela SS 3, que passa por dentro de Rieti (onde a Jacque e eu dormíramos numa noite de dezembro de 2000) e por Spoleto (que havíamos visitado também em 2000). Almoçaríamos quando chegássemos em Assis.


Pausa para um café

 

Saímos por volta das 10h de Roma, paramos para um café em um Posto de Gasolina na estrada logo após passar por Rieti por volta do meio-dia, e chegamos em Assis após às 13h30. Com a indicação do Duomo Hotel, segui contornando a cidade murada até que o meu erro foi revelado a todos nós: contrariando todos meus os princípios de escolha de hotéis na Itália quando se está de carro, e de carro grande, eu havia reservado um hotel DENTRO do muro. Como se eu fosse um viajante de primeira viagem!


A Porta Perlici

 

Chegamos no ponto onde deveríamos entrar no muro, na Via Porta Perlici, em busca do estacionamento do hotel, porque certamente não seria pela passagem a minha frente que entraríamos. Acessei um estacionamento apenas para descobrir que era privado e tive que manobrar para sair. A Roberta desceu e foi descobrir onde ficava o hotel. Enquanto ela ia procurar, um senhor que estava sentado em frente a uma pousada me indicou que era aquele o caminho, no que respondi que o carro não passaria ali. Ele disse que passaria. Eu achei que não, mas – lembrando de experiências passadas – decidi tentar. 

 

A Via Porta Perlici (por onde tive que passar)


Manobrando com todo o cuidado do mundo (sou um motorista cuidadoso), consegui passar e chegar até o hotel, que fica nessa rua estreita. Descarregamos o carro, e a Jacque e eu fomos levar o carro até um estacionamento público FORA DO MURO, onde ficaria até o dia seguinte. Tudo certo para visitarmos Assis. Primeira providência: almoço.


Em frente ao hotel...

 

A Duomo a que se refere o nome do hotel não é – como poderia pensar algum desavisado – nem a Basílica de Santa Chiara e nem a de São Francisco, as mais “famosas” de Assis, mas sim Catedral de San Rufino, mais antiga do que as já citadas. Foi nessa igreja que foram batizados São Francisco e Santa Clara. Ficava a poucos metros de distância do hotel. E foi pela via de mesmo nome, San Rufino, que seguimos em busca de um restaurante para almoçar, afinal já eram mais de duas da tarde neste momento. Encontramos nessa mesma rua o Restaurante e Pizzaria La Lanterna, quase fechando o horário do almoço, e decidimos ficar. Pelo horário, estávamos apenas nós no restaurante e estavam servindo apenas pizzas. Por nós, tudo certo. Ótimas pizzas, por sinal.

 

Após o almoço realizado com um misto de calma (para uma melhor refeição) e agilidade, digamos assim, para sair para passear logo, seguimos até a Piazza del Comune, como o nome diz, a principal praça de Assis, onde estão restaurantes, algumas lojas, a Igreja de Santa Maria Sopra Minerva. Após Roma, pouco movimento de pessoas na rua. Visitamos a igreja e nos direcionamos para a Basílica de São Francisco, pouco menos de um quilômetro dali.

 

Chegando na Basílica de São Francisco

A Basílica de São Francisco, em Assis, é a igreja-mãe da Ordem Franciscana e Patrimônio da Humanidade desde o ano 2000. Fica a oeste da cidade e Assis, num lugar chamado Colina do Paraíso (chamava-se antigamente ‘colina do inferno’, pois era o lugar onde eram executados criminosos, antes da área ser doada para a construção da Basílica, a partir do ano de 1228). É composta por duas Basílicas, na verdade, a Superior e a Inferior. A Basílica Inferior, representaria a penitência, e é de onde se desce para a cripta onde está enterrado São Francisco, enquanto a Superior representaria a glória. Ambas foram bastante danificadas durante o terremoto de 1997. 

 

Basílica de San Francisco


A visita, entra as Basílica inferior e a superior, passa em uma loja de produtos religiosos, da qual fomos virtualmente “expulsos”, pois estava na hora de fechar, 16h. Ainda assim, as meninas conseguiram comprar algumas lembrancinhas.

 

O nosso passeio continuou, saindo da Basílica de São Francisco, até a igreja de Santa Maria Maggiore, onde está o corpo do Beato Carlo Acutis, do qual – confesso – nunca havia ouvido falar antes. De lá, mais um pouco e chegamos na Basílica de Santa Chiara.

 

Santa Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas. Dois anos após a morte foi proclamada Santa Clara de Assis, pelo Papa Alexandre IV. A sua Basílica fica na extremidade oposta da de São Francisco, não muito longe da Puorta Nova, na Piazza Santa Chiara.

 

A praça, por sinal, de onde se tem uma bela vista da parte mais baixa da cidade e da região, a Úmbria, é um ótimo para se estar no final do dia, ao por do sol, pois as cores do poente proporcionam um espetáculo à parte. E fizemos questão de estar lá nesse momento, após visitar a Basílica. Mais um momento memorável.


Fim de dia...


Voltamos ao hotel, descanso, a acabamos o dia jantando no restaurante Nonna Nini, perto de onde estávamos. Estava boa, comemos toda comida pedida e a Roberta, além, comeu todo o parmesão ralado que tinha na mesa... o que dizer?

 

O dia seguinte seria de deixar Assis, visitar Cortona e terminar o dia em Firenze, num camping, o que motivava certo temor/curiosidade nas meninas. Eu estava tranquilo, afinal eu havia feito a reserva. Eu estava confiante, nada me derrubaria.

 

Exceto um banheiro.


Adiante.


Até.

sábado, abril 15, 2023

Sábado (e uma foto de férias 8)

Praça de São Pedro
 

Vaticano, 11/02/2023
Perdidos Mães e Filhos.


Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, abril 14, 2023

Perdidos Mães e Filho (24)

 A Viagem (12).

 

Domenica.

 

Roma, Città Eterna.

 

Café da manhã (iogurte, frutas vermelhas, pães, queijos e frios) em casa, antes de iniciarmos mais um dia de longas caminhadas pela capital italiana. Passando, claro, logo ao sair de casa, pelo Campo dei Fiori já com sua feira bem movimentada.

 

Nossa primeira parada foi na Piazza Venezia, para visitar o Monumento a Vittorio Emanuelle II, que ficava mais ou menos a um quilômetro e meio de onde estávamos. Manhã, um vez mais, de céu azul e sol.

 

A Piazza Venezia fica no final (ou início, não sei exatamente) da Via de Corso, via que a conecta com a Piazza de Popolo. E é ali que está, desde sua inauguração em 1911, o Monumento Nazionale, ou Monumento a Vittorio Emanuelle II, primeiro rei da Itália após a unificação do país. Desde 1921, abriga a tumba do soldado desconhecido, onde há uma chama eterna que está sempre guardada por dois soldados.



Monumento a Vittorio Emanuelle II


É um imenso monumento em mármore branco de 135 metros de largura e 70 metros de altura, composto por dezenas de majestosas colunas coríntias e intermináveis escadas (estudei isso...). Uma escultura equestre de Vittorio Emanuelle feita em bronze preside o conjunto e duas quadrigas (carros antigos, de duas rodas, puxados por quatro cavalos, no qual os romanos faziam sua entrada nas terras conquistadas) guiadas pela deusa Vitória coroam o pórtico de 16 colunas. No seu interior, ainda, estão o Instituto para a História do Ressurgimento e o Museu Central do Ressurgimento.


A loba, Rômulo e Remo


Foi muito criticado desde a sua construção, já que foi necessário derrubar diversos edifícios de grande valor para deixar o espaço suficiente livre, e os italianos não gostaram da ideia de instalar um edifício tão chamativo e carregado junto aos edifícios clássicos que o rodeiam, tanto que o chamavam (chamam?) jocosamente de “máquina de escrever do Papa”. Possuiu terraço panorâmico que permite vista e fotos da própria Piazza Venezia e, atrás dele, do Fórum Romano. Fizemos a visita ao Monumento e a seguir fomos visitar, ao lado dele, a Piazza del Campidoglio.


Situada no topo do antigo Monte Capitolino, a Piazza del Campidoglio, cujo acesso se dá através de uma escadaria, inclui três edifícios principais, os Museus Capitolinos, o Palazzo Senatorio e o Palazzo Nuovo.  O Palazzo Senatorio é, atualmente, a sede da prefeitura de Roma. A praça tomou sua configuração atual na metade do século XVI, quando o Papa Paulo III contratou Michelangelo para renová-la. Em seu centro, há uma estátua equestre de Marco Aurélio e, ao lado de um dos edifício, há a estátua de Rômulo e Remo com a loba. Segundo a lenda romana, Rômulo e Remo teriam sido encontrados por uma loba, às margens do rio Tibre, e amamentados por ela. São os protagonistas de um dos mitos mais importantes da história romana e considerados os fundadores da cidade.

 

Do Campidoglio, seguimos para o Fórum Romano por um caminho desde a Piazza até a Via dei Forum Imperiali, passando em frente, antes de chegar nela, do Cárcere Mamertinum, lugar onde ficaram presos os apóstolos Pedro e Paulo. O caminho entre o Monumento a Vittorio Emanuelle II e o Coliseu, nosso próximo destino, estava tomado por pessoas caminhando, músicos de rua, vendedores ambulantes. Domingo de sol de inverno, de temperatura agradável, não poderia estar melhor.

 

Via dei Fori Imperiali


A região próxima ao Coliseu, para quem chega por onde vínhamos, está cheia de tapumes e desvio devido a obras de uma (nova?) linha do metrô de Roma. Contornando os mesmos, chegamos em frente ao Coliseu, uma visão sempre grandiosa. Muita gente em frente, mesmo. Decidimos que não entraríamos para visitá-lo. Circundando-o para encontrar os melhores ângulos para fotos, fui abordado por um grupo de escoteiras perguntando (em inglês) se eu poderia dar uma entrevista. Claro que poderia.

 

Coliseu


Fizeram várias perguntas sobre de onde éramos, por que de estávamos visitando a Itália, o que estávamos achando do país, e qual nossos planos de viagem. Eu respondendo e a Marina junto a mim, respondendo também. No final, acabaram elogiando a roupa da Marina e a mochila do Friends (era da mesma idade dela). Se acharam: depois a Marina voltou e trocaram contatos no Instagram... Bem legal.

 

Era hora, agora, de almoçar.

 

Consultando o Trip Advisor, acho, a Roberta encontrou e nos guiou até um pub irlandês, o Shamrock Pub Roma (Via de Colosseo, 1/C). Burgers, cerveja (eu tomei caipirinha...). Descansamos e almoçamos, antes da tarde de caminhadas e mais visitas. Próximo destino: Santa Maria Maggiore.

 

A Basílica de Santa Maria Maggiore é uma das primeiras igrejas dedicadas à Virgem Maria, e foi erigida logo depois do Primeiro Concílio de Éfeso (431), que proclamou Maria como "Mãe de Deus". É uma Basílica Maior. Fato interessante: basílicas são igrejas que possuem características e estrutura para receber o papa, cardeal ou patriarca. São submetidas à jurisdição eclesiástica do Vaticano e não à jurisdição local. Por isso, essas igrejas têm status internacional, tipo – podemos dizer? – embaixadas do Vaticano... É na Santa Maria Maggiore onde está enterrado Gian Lorenzo Bernini, escultor de muitas obras por Roma e Vaticano, como já falado anteriormente. Quase ao lado dela, apenas atravessando uma rua, encontramos uma Upim, loja de departamentos, na qual entramos após visitar a Basílica. Longo tempo para elas olharem e comprarem alguns itens, enquanto eu ficava sentado em um confortável poltrona (ao menos isso...).


Santa Maria Maggiore

 

Após a visita e as compras, passamos a caminhar em direção – de certa forma – de casa. Passamos ao lado da Termini, principal estação de trens de Roma, onde – em 2005 – me despedi da Jacque (que voltaria para o Brasil) quando peguei o trem em direção ao aeroporto de Fiumucino onde embarcaria de volta a Canadá, cantando:

 

Rivedo ancora il trenoAllontanarsi e tuChe asciughi quella lacrimaTorneròCom'è possibileUn anno senza te

Adesso scrivi, aspettamiIl tempo passeràUn anno non é un secoloTorneròCom'è difficileRestare senza te

  

O tempo passará, um ano não é um século, voltarei, diz a letra. 


Passando pela Termini, seguimos até a Piazza della Repubblica, de onde entramos na Via Nazionale, que percorremos quase toda, entrando em lojas, parando para um sorvete, até estarmos de volta na Piazza Venezia e então de volta ao apartamento, passando pelo Largo di Torre Argentina e Campo dei Fiori. Rápido descanso antes de sairmos para nossa última noite em Roma, quando iríamos jantar no Trastevere.

 

Trastevere, do latim ‘além do Tevere’ ou além do Tibre, o rio que atravessa Roma, como o nome já diz, está do outro lado do rio, o lado contrário à maior parte dos principais pontos de Roma (exceto o Vaticano que, tecnicamente, não é Roma) apesar de bem perto deles. É o bairro “mais boêmio” da cidade, e conta com bares, restaurantes e lojinhas em suas ruas estreitas. Em 2014, o apartamento que alugáramos ficava ali, e até tem a famosa história da tentativa de ver o Papa Francisco em um missa na Basílica de Santa Maria in Trastevere em meio a uma chuva torrencial (da qual não participei, por estar em casa, abrigado e assistindo pela televisão).

 

Jantaríamos ali.

 

Saímos de casa pela Lungotevere em direção contrária ao estacionamento onde havíamos deixado o carro. Pretendíamos atravessar o rio na Ponte Garibaldi, junto à Isola Tiberina, ilha em meio ao Tevere, e que é uma das menores ilhas habitadas do mundo e cujas histórias remetem às origens de Roma, o que não vem ao caso agora. Iríamos atravessá-la, mas, antes de podermos chegar nela, quando passávamos próximos à Ponte Sisto, fomos atraídos com o que parecia ser uma festa sobre ela.


Entramos na ponte, nos aproximamos do que seria a “festa’, e descobrimos que era mais ou menos isso: havia um músico de rua, com sua guitarra, tocando e aproximadamente uma centena de pessoas em volta cantando enquanto ele tocava clássicos, desde Beatles, Oasis, Queen, até um ‘Don’t worry, be happy”, do Bob McFerrin. Muito legal mesmo. Ficamos ali acompanhando, cantando e filmando o “evento”. Após um tempo ali, seguimos para o “interior” do Trastevere a procura de um local para jantar

 

O Tevere (Tibre)


Após a janta, saímos caminhando lentamente de volta, mas fomos abordados pelo garçom do restaurante que correu atrás de nós para devolver a minha mochila que eu havia esquecido lá... 

 

Hora de descansar e para na manhã seguinte dizer, agora para valer, ‘Arrivederci Roma’, e iniciar o caminho em direção ao norte novamente.

 

Até.