terça-feira, julho 02, 2024

Zona de Conforto

Ansiedade?

 

Quem me conhece, e convive comigo, certamente em algum momento já ouviu o que eu penso sobre a recomendação de “sair da zona de conforto”, que muitos coachs fazem por aí, como se fosse o início da solução (quando não a solução completa) de nossos problemas. Sou contra essa história de sair da zona de conforto.

 

Eu gosto da minha zona de conforto, já falei muito isso, e é verdade.

 

Não vou me estender no tema, afinal já escrevi sobre isso com mais detalhes. O que reparei, contudo, é que tenho conseguido identificar mais frequentemente os momentos em que sou retirado da minha, que sou desafiado a lidar com situações que alteram o estado das coisas que não gostaria que fossem alteradas. Identifico, sei que vou me adaptar em um tempo mais ou menos longo, dependendo da situação. Acontece algo, interpreto como ‘desconfortável’, e agora verbalizo isso, ao menos para mim, o que já é o início do processo de aceitação.

 

Sou meu próprio terapeuta.

 

Até.   

segunda-feira, julho 01, 2024

Segunda-feira, Inverno

Manhã fria de segunda-feira.

 

Estava eu em 1988, absorto em pensamentos paralelos – expressão/conceito que me é simpático –, quando o sinal abriu e segui em direção ao hospital. Mais uma semana começava.

 

A música que eu ouvia era ‘Ideologia’, do Cazuza, que tocava enquanto dirigia para o trabalho. Ela é a primeira música do lado A (os mais jovens não vão conhecer o conceito, eu sei) do trabalho de mesmo nome, e que foi lançado em 1987. Também fazem parte desse disco outras músicas que me são caras, como ‘Blues da Piedade’, ‘Boas Novas’ (eu vi a cara da morte e ela estava viva), ‘Um Trem Pra as Estrelas’, ‘Obrigado (Por Ter se Mandado)’ e ‘Faz Parte do Meu Show’. Um disco sensacional, na minha opinião. E que tem o poder de me fazer voltar no tempo.

 

Músicas transportadoras, como ensinou o Professor Jaderson Costa da Costa, quando conversamos há algumas semanas no ‘Qual é o Tom’, podcast/programa que apresentamos às segundas-feiras direto da School of Rock Benjamin POA, e que são aquelas que nos fazem ter essa sensação, de voltar no tempo. Em uma manhã fria, aquece o coração.

 

Iniciamos hoje o segundo semestre de 2024.

 

Um ano intenso e louco.

 

Seguimos firmes. 


Até. 

domingo, junho 30, 2024

A Sopa

O meu livro.

Ainda sobre o fato de eu ter, depois de vinte anos escrevendo no blog ‘A Sopa no Exílio’, conseguido transformá-lo em livro. Imagino que seja natural, mas nos últimos dias (meses) tenho estado envolvido no processo da sua publicação, e estado menos focado em escrever. Poderia dizer que a fase é de colher os frutos desse trabalho, e até é um pouco disso, mas também existem outros fatores envolvidos.

 

Cresceu a pressão sobre mim. Vinda de onde? De mim mesmo, claro. Estou me cobrando mais porque agora eu sei que as pessoas vão ler. Elas compram o livro e o leem. É pessoal. Eu conheço aqueles que estão comprando e lendo, não é apenas um texto colocado em um site (ou blog, para ser mais preciso) para quem se interessar ler, de maneira impessoal.  Parece que a responsabilidade aumentou. 

 

E não era isso que eu queria?

 

Definitivamente, sim. 

 

Mais um dos desejos, sonhos até, que eu tinha era esse mesmo, ser um autor publicado, fazer sessões de autógrafos (quinta-feira tem sessão, na AMHSL/PUCRS, 18h), autografar na Feira do Livro de Porto Alegre (em novembro, em novembro). E não para aqui. Tenho material para outro(s) livro(s), para o(s) próximo(s) ano(s). Entre outras atividades em que estou envolvido, tanto na medicina quanto fora dela. O dilema agora é voltar a produzir material inédito. Para publicar aqui, mas também para os próximos projetos. 

 

Que existem e são vários.

 

Aí lembro do amigo Daniel Wildt, a quem admiro muito, que fala de projetos paralelos, e de como organiza e coloca energias diferentes em momentos diferentes em projetos diferentes, e que estabeleceu a rotina e disciplina de escrever diariamente, o que estou tentando fazer também, conciliando com as outras atividades, intelectuais e não. Organizando a minha rotina, abrindo espaço para novas demandas que surgem e que crio.


Até.

 

 

sábado, junho 29, 2024

Sábado (e quarta-feira foi lindo...)

Encerramento do show, agradecimento ao público
 

Show de temporada Beatles da School of Rock Benjamin POA.
Foi muito legal.

Que momento, que momento!

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, junho 28, 2024

Mais Correto

A vida parece e, de certa forma, é complicada, todos sabemos.

 

Mas não muito, e isso não importa agora.

 

As pessoas (nós) têm a tendência (natural?) à simplificação na hora de entender o mundo, de entender os fatos e consequências associados. Tende-se, de maneira maniqueísta, dividir tudo nas dualidades habituais, bom e mau, preto e branco, vermelho e azul e chimangos e maragatos (específico aqui do Sul do mundo). Quando pensamos bem, na maioria das vezes, não funciona assim. Há nuances, sombras, outras cores intermediárias. Dizem, inclusive, que a virtude está no meio termo, nunca nos extremos.

 

E o certo e o errado?

 

São conceitos variáveis? Existem aquelas verdades absolutas, inquestionáveis? Em tempos de questionamentos múltiplos, em que inclusive a biologia é muitas vezes questionada e contrariada, existem aqueles conceitos indiscutíveis?

 

Pensei isso quando recentemente, ao ouvir uma conversa que ocorria no mesmo ambiente em que eu estava em que disseram que alguém havia dito que determinada informação (ou conceito) era ‘mais correta’ do que outra. Imediatamente questionei: existe algo mais correto do que outro, ou – na verdade - algo é correto ou não é? E isso levou as outros conceitos e outras ideias (ou uma ideia e um conceito semântico).

 

Ser familiar de médico não é fator de risco para pior evolução de doenças ou para quadros mais estranhos ou difíceis, assim com uma doença nunca é severa. O correto é doença grave, não severa. Da mesma forma que não existe “princípio de pneumonia” (ou é pneumonia ou não é) e alguém estar “mais ou menos grávida” (ou está grávida ou não está).

 

E você, acha que o conceito de certo e errado é fluido, dinâmico?

 

Até.

  

quinta-feira, junho 27, 2024

Vinte Anos

Como quase todos que me conhecem agora sabem, neste mês de junho de 2024 esse blog completa 20 anos (!) de existência. Surgiu em – façamos as contas – 2004, cerca de dois meses antes de ir viajar para ficar dois anos no Canadá, fazendo um fellow na University of Toronto que viria a ser o meu pós-doutorado. Foi a transição de um semanário que eu enviava a alguns “assinantes” e que havia começado devido à minha vontade/necessidade de escrever. Se chamava ‘A Sopa’, referência à Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo, uma outra história. 

 

Alguns meses antes de me mudar temporariamente para Toronto, então, eu criei o blog, com dois objetivos básicos. Seria uma forma de continuar escrevendo regularmente e, também, uma maneira de me comunicar com o Brasil, dar notícias minhas a quem tivesse o interesse em saber. O exílio da Sopa seria o meu tempo de Canadá. Durante o tempo em que estive lá, consegui ter a disciplina da escrita diária. Contribuiu para isso, evidentemente, o fato de estar lá basicamente para estudar / trabalhar, e morando sozinho.  

 

Após a volta ao Brasil, em 2006, o momento foi de recomeçar a vida profissional e focar o no trabalho. Com isso, a escrita (e o blog) ficaram meio de lado, com alguns “surtos de escrita”, como as histórias de viagem e durante a pandemia, naquele período em que o movimento do consultório caiu muito, e não havia interações sociais.  Desde então, tenho procurado manter uma regularidade mínima de escritos, com maior ou menor sucesso. Ao longo de todo esse tempo, porém, permaneceu mais ou menos “no ar” o desejo que eu tinha de publicar um livro, sair do digital e ter uma evidência “física” de que sou um escritor. Em dezembro do ano passado decidi que esse ano seria o ano em que publicaria o meu primeiro livro.

 

Era chegada a hora.

 

Criei cronograma de trabalho bem conservador para o ‘projeto livro’. 

 

Iniciei o ano fazendo uma primeira seleção de crônicas e contos que potencialmente entrariam no livro. Meu plano era fazer – durante os meses de janeiro e fevereiro – essa seleção, e, também, a revisão dos textos e reescrita daqueles que pedissem ajustes. Eliminaria aqueles datados, os que eu considerasse inadequados ou fracos, e aqueles que não tivessem mais sentido em 2024.

 

Seguiria com mais uma revisão em março (planejava imprimir os textos para revisá-los e rabiscá-los se necessário) e apenas depois disso, já em abril, passaria a estudar a forma de publicação. Se faria com editora, se financiaria eu mesmo a publicação ou faria um financiamento coletivo. Imaginava um lento processo.

 

Não foi.

 

Selecionei o material (para até três livros, na verdade), organizei, reescrevi o que precisava e, no início de março estava pronto para iniciar a busca pela publicação. Busca essa que durou pouco mais de vinte e quatro horas. Enviei e-mail para uma editora que haviam me recomendado (Ed. Bestiário) e logo me responderam positivamente com relação a publicar meu livro. Confesso que levei um tempo para acreditar que estava acontecendo.

 

O livro ‘A Sopa no Exílio’ foi lançado no início desse mês de junho de 2024, quase no mesmo dia em que o blog havia sido lançado, em 2004. Quando me perguntaram como a publicação do livro, respondo que foi rápido.

 

Vinte anos de preparação (ou para tomar coragem de colocar a cara à tapa...).  

 

Até. 

quarta-feira, junho 26, 2024

Ontem e Hoje

 O passado, e mais uma vez e como sempre falo de mim, está sempre tentando uma forma diferente de estar presente. Não com a intenção de se viver novamente, de voltar no tempo, mas de não ser esquecido. O que pode ser bom ou não.

 

Definitivamente há certos acontecimentos/pessoas que eu gostaria de esquecer, mas não consigo. E, mesmo que seja de tempos em tempos, retornam a martelar minha cabeça, trazendo de volta sensações que eu não pretendia mais sentir, ao menos não relacionadas ao fato ocorrido, se é que me entendem. Reviver situações traumáticas, independente da intensidade do trauma, nunca é bom.

 

Por outro lado, e sigo nessa tendência dessa semana, reencontrar pessoas, relembrar de histórias das quais guardamos boas lembranças, é sempre muito legal.  Não sei nem se o termo ‘reconectar’ é o mais adequado, mas é o único que me vem agora, e não deixa de ser isso mesmo, reencontrar as conexões que foram criadas em passado mais ou menos distante e que podem ser restabelecidas. Ou não, devo sempre reforçar. Talvez não tenha mais a ver, talvez não faça sentido, e está tudo bem. Encontrar pessoas que foram importantes no passado é – sim – como olhar no espelho e ver quem éramos à época e quem somos agora. Exercício interessante esse, de comparar quem fui com quem sou.

 

Eu gosto, até porque gosto de quem sou e onde estou.

 

O que é o mínimo que espero de mim.

 

Até.