sábado, maio 23, 2026

Sábado (e eu, multimídia...)

 

Podcast da AMHSL


Está no ar o primeiro episódio do Podcast da AMHSL, Associação dos Médicos do Hospital São Lucas da PUCRS, que tenho a honra de apresentar / moderar. Vamos conversar com professores, colegas e amigos que fizeram e fazem a história da Associação, do São Lucas, da Escola de Medicina, da PUC e, também, da medicina gaúcha e brasileira.

Está bem legal.

Confere aqui.

Bom sábado a todos.



quarta-feira, maio 20, 2026

A Culpa

Sentimo-nos culpado. Sempre.

 

A culpa faz parte das história da religião judaico-cristã, e está lá, viva e forte, desde o início, no Gênesis, desde a perda da inocência de Adão e Eva, desde o pecado original. Desde que criamos consciência, convivemos com a culpa, em maior ou menor grau. Que fique claro: se existe consciência, existe a culpa.

 

Quando falamos de sociedades primitivas, falamos do medo e da culpa coletiva pela violação de regras sagradas e o despertar da ira divina. Sacrifícios, como o do bode expiatório, serviam justamente para limpar a culpa e restabelecer a ordem das coisas. As tragédias gregas falam de culpa, mesmo involuntária. Durante a idade média, a igreja centralizou a culpa na figura do pecado, e como uma forma de manter a ordem social. Mais modernamente, a culpa está ainda entranhada na vida das pessoas.

 

Digo que, na minha, ao menos, está.

 

Uma culpa que carreguei por muito tempo era com relação à minha saúde. Venho superando ao longo tempo. Um exemplo disso é que desde 2019 venho praticando atividade física regularmente, e superei a culpa por ser sedentário, que carreguei por um bom tempo. Os checkups que envolviam exames de sangue e imagem nunca foram uma dificuldade. O meu maior problema e culpa estavam relacionados à minha dificuldade em me organizar para a preparação e realização da colonoscopia e endoscopia digestiva.

 

Sempre havia alguma coisa, algum compromisso que impedia. Ou era trabalho ou eram atividades sociais. Sempre um obstáculo. Não conseguia organizar. E o tempo passando e a culpa crescendo, dizendo que quando fizesse seria tarde demais. Até que decidi romper o ciclo.

 

Eu mesmo solicitei o exame e falei com o colega que faria. Nem consultar consultei. Direto para o exame. Endoscopia e colonoscopia no mesmo dia. Fiz o preparo em casa, e ontem pela manhã, finalmente fiz.

 

Me livrei da culpa, dessa culpa.

 

Vamos para a próxima.

 

Até. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A Sopa

Pandemia feelings.

 

Segunda-feira de manhã em casa sempre traz à memória aquele período maluco (para dizer o mínimo) em que o mundo meio que parou, pois não havia a possibilidade de encontros, eventos sociais, confraternizações ou festas enquanto lidávamos com um vírus e suas consequências, reais e imaginárias. Era de casa ao consultório / hospital e de volta para casa. Havia uma patrulha sobre quem saia de casa por esses dias. Lembro de ter me sentido culpado a primeira vez que saí para pedalar sozinho, ao ar livre, sem máscara. 

 

Loucura mesmo.

 

Não era disso que queria falar, evidentemente.

 

Fiquei em casa hoje, e estranho o silêncio da manhã de segunda-feira enquanto escrevo essas mal traçadas linhas. Estranho, porém bem agradável. Gosto dos silêncios, assim como gosto dos sons, música, mas também conversas e risadas e barulhos. Tudo, claro, a seu tempo.

 

E hoje não é feriado, não estou de férias e nem doente.

 

Estou em preparo para um exame amanhã cedo e aproveitei para, ficando em casa, organizar algumas coisas, pensar outras. Uma pausa (final de semana não conta) bem-vinda e sempre necessária.

 

Até. 

sábado, maio 16, 2026

Sábado (e um dia de trabalho)

Projeto em gestação


De uma manhã de quarta-feira...

Bom sábado a todos.

Até.

 

quarta-feira, maio 13, 2026

As Pequenas Pedras no Caminho

Meu atual esforço está claramente relacionado a aumentar minha resiliência ou, talvez uma forma mais precisa de dizer, tornar-me mais resistente (ou tolerante?) ao meu inimigo imaginário. Que sou eu mesmo. Volto, de tempos em tempos, a ficar encurralado no corner em um ringue de boxe em uma luta em que não há mais ninguém, além de mim.

 

Em passado mais ou menos distante, isso era Síndrome do Impostor, que eu chamava Síndrome da Luta de Boxe Imaginária antes de conhecer o nome pelo qual essa sensação, a de ser uma fraude, é conhecida. Não é mais isso, não é mais esse o problema.

 

É outro, são outros?

 

Identifico, por vezes, pequenos contratempos dos dias que acabam perturbando, tirando – mesmo que temporariamente – a paz interior. Não são os grandes desafios que assustam, mas sim as pequenas pedras que surgem no sapato e que muitas vezes nem estão realmente ali. Não deixar que essas pequenas incomodações afetem o todo, esse o objetivo.

 

Um passo depois do outro, degrau por degrau.

 

Vou tentando, vou tentando.


Até.

segunda-feira, maio 11, 2026

É Outono

Manhã fria de sol em Porto Alegre.

Sensação térmica abaixo de dez graus. 

Desço caminhando uma avenida a caminho do hospital, depois de ter deixado o carro no mecânico (de muita confiança). Amortecedor quebrado, o motivo do barulho que surgiu do nada no sábado à tarde. 

 

A rotina da semana começa alterada.

 

Paciência.

 

Como eu dizia, o que realmente importa é como reagimos ao que nos acontece, e não os acontecimentos em si. E isso não tem nada a ver com um carro que precisa de uma troca de peças.

 

Até.

domingo, maio 10, 2026

A Sopa

Um dito comum sobre inteligência emocional e desenvolvimento pessoal é o que diz que ‘a vida é 10% o que nos acontece e 90% como reagimos ao que nos acontece’. Encontramos essa afirmação entre os estoicos, ‘não é o que acontece com você o que importa, mas sim a forma como você escolhe reagir’. 

 

Foi Epicteto quem cunhou o conceito de que o mundo, tudo, se divide em duas categorias, o que depende de nós e o que não depende de nós. Devemos focar nossos esforços na primeira categoria, porque tentar controlar o que não tem controle gera angústia e frustração. Simples, em tese.

 

Fácil falar, nem tanto praticar.

 

Essa é uma das questões com as quais tenho lidado ultimamente, um balanço entre fazer o que precisa ser feito com relação ao que depende de meus esforços e lidar com o que está fora do meu controle. É o que há para fazer, para todos, mas com frequência isso é, digamos assim, um saco. Cansativo, na verdade. Gostaríamos todos, imagino, de um período de calmaria, com tudo funcionando a contento, e que pudéssemos nos dedicar apenas ao que é importante para nós, sem contratempos ou obstáculos.

 

Ou sem ficarmos incomodados quando ‘dificuldades’ (que, sim, sabemos que acabarão sendo resolvidas) surgem para tirar nosso foco do que realmente importa.

 

Até. 

sábado, maio 09, 2026

quarta-feira, maio 06, 2026

Intromissão

Pensamentos intrusivos vão e vem, me acordando mais cedo do que o habitual de tempos em tempos. Nem tão frequentes que preocupem ou justifiquem o uso de medicamentos, nem tão raros que me deixem esquecer. Entendo que são parte da vida, aprendi (sigo aprendendo) a lidar com isso.

 

Isso talvez seja fruto também de um possível excesso de ideias, planos e projetos que circulam pelos dias. Outro aprendizado em que venho trabalhando é o de priorizar, colocar em diferentes gavetas os diferentes projetos, conforme relevância e timing de execução, e saber que essas definições são fluidas, vão mudando conforme o tempo passa e as prioridades se alteram.

 

Quando ocorrem esses episódios de pensamentos intrusivos, uma forma de lidar é procurar olhar o todo, ter uma visão de perspectiva. A trajetória. De onde vim (viemos), o caminho percorrido, o que foi alcançado e o que está em andamento. Esse é o meu jeito de lidar com as incertezas, e inseguranças.

 

E seguir, como sempre.


Até.

terça-feira, maio 05, 2026

Miojo

O mundo está (muito) melhor.

 

A vida é, objetivamente, muito melhor hoje em dia do que no passado. Menos fome, menos guerras, menor mortalidade infantil, maior conforto, independente do critério que utilizarmos, a conclusão objetiva deve ser essa, mesmo que exista essa sensação geral de que seria o contrário, de que o mundo estaria pior.

 

Existem diversas razões para essa impressão, mas hoje quero focar em um lado dessa questão: a romantização do passado. Temos a tendência de registrar, de memorizar, principalmente o que foi bom ou, melhor, criamos uma narrativa pessoal que torna a maioria de nossas memórias positivas, e que atenua as que não. É humano isso, tudo certo. Lembrar dos ‘Anos Dourados’, como se a vida fosse mais fácil naquela época. 

 

Não era.

 

Como em qualquer situação, havia o que era bom e o que não era, o que era difícil. E não sabíamos viver de outra forma, porque não havia outra forma de viver. Era completamente diferente, assim como a forma que a vida será em cinquenta anos será bem diferente da vida hoje em dia. 

 

Porém...

 

Falávamos disso ontem à noite, em uma conversa que começou com videocassetes que ainda funcionam, avançou para as antigas locadoras de vídeo em que havia alguém que servia de curador, de orientador, que sugeria filmes baseado em nossas preferências, de quando íamos na sexta-feira à tarde retirar filmes que seriam devolvidos na segunda-feira com as fitas rebobinadas. As grandes locadoras e as de bairro, onde éramos conhecidos pelo nome. E comparamos com os dias atuais, que temos um mundo de opções em streaming e muitas vezes acabamos perdendo muito tempo pesquisando filmes, muitas vezes sem escolher nenhum. 

 

Era ritual, isso de assistir filmes em casa, assim como é ritual fazer um churrasco.

 

Todos sabem que churrasco não é apenas uma carne assada no fogo. É, justamente, um ritual, uma liturgia, uma reunião de pessoas que envolve muito mais que apenas uma simples refeição. E respeitamos muito esse ritual.

 

Insisto que a vida não era melhor no passado, porque não era, e esse exemplo das locadoras de vídeo e o ritual provavelmente seja – também – romantização do passado, mas, pensando bem, acho não conseguiremos no futuro romantizar tanto o atual presente, em que não há quase rituais, em que tudo é transitório, tudo é instantâneo.

 

Vivemos em um mundo miojo...


Até. 

domingo, maio 03, 2026

A Sopa

Já há algum tempo, e como muitos por aí, assisto muito mais ao streaming do que à televisão convencional, digamos assim. Sou do tempo em que existia apenas a tevê aberta, com seus poucos canais disponíveis, a RBS TV (subsidiária da Globo), a Bandeirantes, a TVE, o SBT, a Manchete (depois Rede TV) e a TV Guaíba, que hoje em dia é Record. Era isso, e nos verões no litoral norte do RS ficávamos praticamente restritos à programação da Globo.

 

Com o tempo, a TV a cabo foi substituindo a tevê aberta (para mim). Eram muito mais canais que – com o tempo – foram aumentando em termos de disponibilidade. Séries, sitcons, filmes variados, um mundo se abriu. Quando surgiu a possibilidade de deixar gravado os programas, ficou ainda melhor, já não éramos tão “presos” aos horários de transmissão. Warner Channel e Sony estavam entre os favoritos.

 

Mas a Internet, e as Smarts TVs, mudaram tudo, e o streaming colocou ainda mais opções na mão. Além disso, agora podemos acessar o You Tube na televisão. É muito bom (confissão de velho...)!

 

Então dizia que já quase não assisto televisão.

 

You Tube é minha primeira opção quando me sento em frente à tela. Mais especificamente, e isso já vem por um bom tempo, vídeos de casas antigas sendo reformadas pelos próprios donos. Desde casas muito baratas na Sicília ou uma ‘ruína’ sendo transformada em lugar habitável na Costa Amalfitana, até uma propriedade de mais de quarenta anos comprada com tudo dentro em Idaho, nos Estados Unidos. Reafirma minha vontade de comprar uma casa velha e reformá-la eu mesmo, mas – como todos já deveriam saber – eu sou um guri de apartamento, não seria capaz... Ou talvez não tenha surgido a oportunidade e o momento para isso, sei lá.

 

Além desses vídeos, desde o final de março, quando voltamos da viagem que passou por Nova York, ando fixado em vídeos de apartamentos em Manhatan. Principalmente pelas vistas da cidade que esses locais apresentam. São apartamentos de quatro ou cinco milhões de dólares que evidentemente nunca vou comprar, mas que seriam lugares muito legais de morar. Acima desses valores, não olho, como – por exemplo – o apartamento mais caro do mundo, que custa duzentos e cinquenta milhões de dólares. Por uma questão de princípios.  

 

É muito dinheiro, jamais pagaria isso por um apartamento...


Até. 

sábado, maio 02, 2026

sexta-feira, maio 01, 2026

Chuva à Tarde

Chove nesse final de sexta-feira Dia do Trabalhador. Ou é Dia do Trabalho? Não importa, é feriado e é sexta-feira. Um terço de dois mil e vinte e seis já passou. Logo é Copa do Mundo. Depois, eleições. E o ano terminou. Mais um na conta, e menos um restante. Seguimos.

 

E chove... Uma goteira, fora,

Como alguém que canta de mágoa,

Canta monótona e sonora

A balada do pingo d'água.

(Chovia quando foste embora...)

 

Sempre que chove, e paro para ouvir o som da rua, não consigo não lembrar desse poema, que conheci (li e decorei) em 1987, em uma aula de literatura no segundo ano do ensino médio, na Escola Técnica de Comércio da UFGRS, nos fundos da Faculdade de Economia, Centro Histórico de Porto Alegre, curso de Técnico Operador de Computador Manhã. O professor de português e literatura acabou sendo o paraninfo da turma que se formou em dezembro de 1988 em uma cerimônia no Salão de Atos da UFRGS, e o grupo do ‘Fundinho’, do qual eu fazia parte, decidiu não ficar com todos os formandos no palco, como protesto por não sei o quê, mas eu não participei com eles, fiquei com a maioria em cima do palco como deveria ser. O meu ato de rebeldia foi não ir com o grupo como o esperado. Fazer parte do sistema foi ser alternativo... Qual significado disso? 

 

Absolutamente nenhum.

 

Apenas cheguei aqui em uma série de pensamentos paralelos que começaram com o som da chuva lá fora.


Até.