terça-feira, abril 21, 2026

E choveu

Feriado.

 

Uma chuva fina caía sobre esse meu canto de Porto Alegre quando acordei, mais tarde que o habitual, mas ainda antes das oito horas da manhã. Tomei o café da manhã com calma lendo o jornal entregue na porta de casa, como faziam os antigos Maias e Aztecas. Agora preparo o chimarrão.

 

Ontem, segunda-feira, entre os atendimentos do consultório e uma reunião no final da manhã, parei na Associação dos Médicos do Hospital da PUCRS, local obrigatório (para mim, para mim) de parada diária, para tomar café, mas, principalmente, para encontrar amigos, colegas, eternos professores e mestres que viraram amigos. Parei para um rápido café antes da reunião e encontrei um deles, professor que virou amigo e que costuma me enviar dicas de música e sons frequentemente.

 

Ele não fizera feriadão, assim como eu.

 

Comentamos um pouco sobre isso, sobre o fato justamente de “termos” de trabalhar enquanto muitos outros descansavam, e que sabíamos que – por outro lado – tínhamos outros benefícios que compensavam trabalhar feriados e muitos finais de semana (o que, confesso, já não faço de forma regular há algum tempo, isso de violar a sacralidade do meu final de semana, mesmo que tenha aberto mão de oportunidades e renda, mas isso é outra discussão). As coisas são como são, e está tudo bem, concluímos.

 

A fase em que me encontro é – como podem notar – de reflexão. Enquanto preparo novos projetos, começo a pôr em prática algumas ideias, reviso os caminhos que percorri, e aqueles que percorro agora. Procuro coerência, mas não para explicar ou justificar para quem quer que seja minhas decisões, mas para me certificar de que continuo no caminho que – mesmo sem em algum momento me desviei - um dia concluí que era o certo para mim. Para o bem e para o mal, quero viver as consequências de minhas escolhas, não de minhas omissões.


Até. 

segunda-feira, abril 20, 2026

Hoje Não é Vinte de Julho

Tenho pensado nos meus amigos.

 

Não que alguma vez eu tenha deixado de pensar neles, assim, de uma forma geral, e em como participam da vida em maior ou menor intensidade e ou frequência. Como todos, tenho amigos com quem convivo mais e outros (não menos importantes) com quem convivo menos.

 

E tenho pensado em ambas as situações de amizades, tanto os novos quanto os antigos, com quem tenho uma longa estrada em comum. Um fato que ainda me impressiona é que não imaginava que ainda seria possível fazer novos amigos na fase atual de vida em que estou, não haveria mais disposição e energia mental para criar vínculos fortes e verdadeiros depois da adolescência.

 

Me enganei.

 

Tem acontecido, com a música como fator catalisador disso, o que confirma ainda mais o acerto que tive ao me (re) aproximar da música nos últimos anos. Novas e fortes conexões foram criadas, e outras continuam sendo reafirmadas. 

 

Quanto às conexões que persistiram ao longo dos anos, e chegaram até aqui, sabem que são especiais e que as valorizo. Preciso, quero, e vou fazer movimentos para encontros, conversas, momentos juntos e novas histórias.

 

Até.

 

domingo, abril 19, 2026

A Sopa

Sem querer, eu desci para o play. 

Existe um dito popular que diz que “se não sabe brincar, não desce pro play”. Significa que se não estás preparado para ser contradito, nem começa uma discussão, ou se não queres ser vítima de brincadeiras, então é melhor não fazer.

 

Pois bem.

 

Antes, contudo, e para contextualizar o assunto, quero falar da minha relação com o mundo digital e redes sociais, em especial. Sou da geração que cresceu em um mundo analógico e viu o mundo se transformar em digital, para o bem e para o mal. Aprendemos a usar as tecnologias enquanto surgiam, basicamente fomos cobaias delas. 

 

Escrevi cartas que enviei pelo correios, datilografei crônicas em uma máquina de escrever, viajei com máquina fotográfica e voltei como rolos de filme a serem revelados. Usávamos orelhão para ligações quando não estávamos em casa. Era impossível para os nossos pais saberem por onde andávamos quando saímos de casa. Agora temos mensagens instantâneas, aplicativos de geolocalização, acesso à música de forma muito mais fácil, as redes sociais, que nos conectam e permitem que acompanhemos a vida de nossos amigos facilidade. 

 

A tecnologia melhorou muito a vida, e o mundo está muito melhor que no passado, por mais que as pessoas possam pensar o contrário. Problemas sempre existirão, evidentemente, mas não é essa a discussão agora.

 

Todos temos nossa própria forma de encarar e lidar com as redes sociais. Eu, por exemplo, uso muito como um mural de memórias. Um grande álbum de coisas que vivi, pessoas com quem dividi momentos. Nunca, de forma alguma, faço manifestações políticas ou declarações de princípios. É meu jeito, pessoal, de homenagear a vida e quem está ou esteve comigo.

 

Só isso.

 

Dias atrás, postei uma foto de quando eu estava no último no último ano da Faculdade de Medicina, o ano da formatura, 1994, alguns colegas e eu, felizes, na boa. Como legenda, escrevi “Doutorandos: alunos do 6º ano de Medicina, 1994”. Só isso, publicado no meu Instagram pessoal, que publica automaticamente também no Threads, o ‘Twitter’ do Instagram, digamos assim. Doutorando, forma de chamar os alunos de sexto ano de medicina, quase médicos, desde sempre. Uma homenagem aos meus colegas, um lembrança do meu passado.

 

Uns dois dias depois, por acaso, descobri que havia uma ‘polêmica’ por causa do uso do termo doutorando na legenda. Muitos comentários, a maioria negativa, nos chamando até de mediciners, um termo que nunca tinha ouvido falar. Muito rancor, muito desconhecimento, muita mágoa e despeito. Tempo desperdiçado destilando raiva e desprezo.

 

Tudo por uma foto de trinta e dois anos atrás.

 

Claro que eu não respondi a nenhuma potencial ofensa, porque desconhecimento e rancor não me ofendem, e diz muito mais de quem está “atacando” do que de mim.


Estou no play, e essa "brincadeira" é nos meus termos...

 

Até.

sábado, abril 18, 2026

Sábado (e um dia de trabalho)

Trabalhando...


Uma manhã de quarta-feira qualquer de trabalho.
Gestando uma ideia, um projeto.

Bom sábado a todos.

Até.

quarta-feira, abril 15, 2026

E o Passado?

Houve, em algum momento - como sempre há de ser - inesperada, súbita, quase como um susto, uma epifania, a compreensão repentina de algo que estava à vista, na cara, e não havia notado. Do nada, aparentemente, notei essa verdade.

 

Eu havia mudado.

 

Eu estava diferente, mesmo que quem eu visse no espelho fosse a mesma pessoa de semanas, quem sabe meses, atrás. Estava me vendo, e vendo o mundo sob outra ótica, com um perspectiva diferente. 

 

Talvez as pessoas tenham notado antes de mim, não sei ao certo, mas claramente eu não era a mesma pessoa ali, me olhando no espelho. E aqui não há nenhum julgamento moral: não quero dizer que quem eu via era melhor do que a versão anterior ou não, não é o caso, apesar de entender que – sim – a essa nova versão é melhor que a anterior. Como a próxima será melhor que a atual, pois é da vida. Older than I once was, younger than I’ll be...

 

Ao notar esse que já não era tão estranho assim no espelho, sabia que próximo passo era partir para a ação, resultado natural do incômodo causado por uma roupa que já não nos serve mais...

 

E assim foi. Está sendo.

 

Até. 

segunda-feira, abril 13, 2026

O Luto Nosso de Cada Dia

Eu não desço mais escada com as mãos nos bolsos.

Nunca foi algo prudente de se fazer, eu sei. Da mesma forma, procuro sempre que possível – ao descer ou ao subir – fazer uso do corrimão. Experiência, podemos dizer. Também, em ocorrência aparentemente sem relação, parei de jogar futebol.

 

Tudo isso faz parte dos lutos diários que vivemos à medida que o tempo passa. Acontece com todos. De uma forma ou outra, vamos vivendo limitações que a vida nos impõe conforme a ela avança. Nossa missão é aceitar e nos adaptar a elas. Quanto mais rápido aceitarmos essas limitações, melhor será. Ao menos o sofrimento será menor.

 

É o que chamo de lutos diários.

 

Conversava sobre isso ontem com o meu o sogro, Alfredo, do alto dos seus 87 anos, que me falava sobre isso, de algumas atividades que ainda pensava em fazer, mas que sentia que era cada vez mais difícil. Disse que entendia, e que era nossa ‘missão’ aceitar e nos adaptar a elas. Em menor proporção, claro, pela nossa diferença de idade, disse que também vivia isso. 

 

Foi quando me veio essa ideia, que não é nova e nem inédita, de que vamos vivendo diferentes lutos todos os dias, que estamos sempre nos despedindo de algo ou alguém, pessoas, bens materiais, relacionamentos, e que viver é estar sempre reajustando a vida após uma perda.

 

E que o belo da vida é que sempre há algo novo a ser vivido.

 

Até.

domingo, abril 12, 2026

A Sopa

O sábado, ontem, foi como os sábados deveriam ser, pelo menos para mim. Sei que cada um tem seu próprio ideal de final semana, sua própria versão de como as coisas deveriam ser, e que existe o final de semana possível, pois nem sempre (quase nunca?) será como gostaríamos. Trabalho e outros tipos de compromisso comumente se impõem sobre nosso desejo, e seguimos.

 

Uma das escolhas que fiz para mim foi que os finais de semana seriam meus, sempre. Salvo exceções – que sempre podem acontecer – sábados e domingos seriam dias em que não teria compromissos que não fossem de caráter pessoal. Família, amigos, tempo para mim. 

 

E assim tem sido.

 

Como todas as escolhas que se faz na vida, há ganhos e perdas, ônus e bônus, obviamente. Perco dinheiro por não trabalhar mais (como médico) aos finais de semana, e estou confortável com essa ideia. 

 

Falando de ontem, a manhã começou com atividade física, bicicleta pelo tempo estar bom. Trinta quilômetros pedalados, e ainda sentindo que estou retomando o ritmo desde que voltei a pedalar depois do braço quebrado e cirurgia (há mais de dois anos). Depois, supermercado para a semana e volta para casa para fazer o almoço. À tarde, depois de um bom tempo, dormi após o almoço enquanto a Jacque foi dar uma aula em um evento médico.

 

Ao anoitecer, fomos – Marina, Jacque e eu – caminhando até o Parque da Redenção para um Festival de Vinhos que ocorria, mas que, ao chegarmos, já não tinha mais taças e acabamos só passeando e voltando para casa.

 

Foi tranquilo, e bom.

 

Até. 

quinta-feira, abril 09, 2026

Comfort Zone Songs

De tudo o que eu ouvi até hoje, em termos de música, desde que me reconheço como alguém que realmente gosta de música, daquilo que eu ouvia em casa na infância, o que amigos me indicaram, o que descobri por conta própria, de tudo o que passou por mim até hoje, é natural que tenha algumas preferências. Da mesma forma que determinados sons (bandas, músicas) não me causam interesse ou, em um extremo, até me desagradem.

 

Não quero falar de nenhum desses. Ao menos não agora.

 

Venho há dias com uma música, parte de um álbum, tocando em minha mente quase que o tempo todo, e obviamente está relacionada à viagem que fizemos na segunda quinzena de março, para os Estados Unidos, terminando em Nova York. Não é nova, evidentemente, e há anos está presente em meu imaginário, surgindo e ressurgindo de tempos em tempos, em diferentes situações.

 

Posso dizer que o disco em questão é um dos três ou quatro de que eu mais gosto na vida. Estou em uma fase desse tipo de afirmações definitivas, peremptórias. Mesmo que ainda aberto a aprender e (realmente) aprendendo todos os dias, existem – sim – algumas determinações definitivas.

 

‘The Concert in Central Park’, da dupla Simon and Garfunkel, com o registro do show beneficente realizado em setembro de 1981, em Nova York, e lançado em 1982, em que estiveram presentes mais de quinhentos mil pessoas, é esse disco. Escuto esse disco desde o final dos anos 80, quando pegava ele emprestado na discoteca do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, onde fazia aulas de inglês.

 

Pensando bem sobre o assunto, posso dizer que esse disco se enquadra em uma categoria de músicas que estou criando e chamando de a ‘trilha sonora da minha zona de conforto’, ou músicas que me proporcionam paz, que me deixam feliz. Aliás, essa é uma categoria que existe no Spotify, aprendi, mas acho essa uma definição mais pessoal. Entram – pensei agora – nas ‘músicas de sábado de manhã’, um categoria (minha) já antiga.

 

Não importa.

 

Esse é um dos meus discos favoritos da vida.

 

E você, qual a(s) músicas da sua vida? Me conta.


Até. 

terça-feira, abril 07, 2026

Cruzei a Linha

Já passei, eu sei.

 

Por mais otimista que eu possa, ou pudesse, ser, em virtualmente todas as formas de olhar para vida eu sei que já percorri mais da metade do tempo que tenho. Não vou viver mais cinquenta e quatro anos. Até poderia, como uma exceção à expectativa que se tem hoje, mas estou tranquilo que não vou.

 

Pensando sob esse prisma, de que já percorri (bem?) mais da metade de minha trajetória de existência, e que sinceramente não sei se há algo após a morte, tenho noção de que já tenho muitas histórias vividas e, portanto, para contar. 

 

Abre parênteses.

 

Sempre que alguém, por uma alguma razão qualquer, queixa-se de que “é ruim ficar velho”, eu respondo que quero ficar velho, afinal até hoje ninguém me convenceu que a outra opção é melhor, ninguém voltou para contar...

 

Fecha parênteses.

 

Dizia eu, então, que já vivi mais da metade da vida e que vivi e tenho histórias para contar. E é aí que entra uma questão com a qual tenho me deparado. Existe a tentação de ficar lembrando histórias vividas, revendo caminhos percorridos, lembrando como me tornei quem sou, sendo nostálgico. E o risco associado de parar de viver, de criar novas histórias, de ficar em uma rotina mecânica, sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar...

 

No fundo (ou nem tão no fundo assim), não existe esse risco, por mais que eu goste MUITO de relembrar histórias, rever pessoas que tiveram significado em minha vida. Continuo vivendo e criando histórias. Criando conexões e, como eu costumo dizer, aumentando minha bolha, tornando maior minha zona de conforto.


E não mexam com minha zona de conforto, por favor. 

 

Até.

 

segunda-feira, abril 06, 2026

A Sopa

Cinquenta e quatro anos.

 

Completados ontem, junto com a Páscoa de dois mil e vinte e seis. A última vez que as duas datas – Páscoa e meu aniversário – haviam coincidido foi há onze anos, em dois mil e quinze, quando fomos para Punta del Este para um casamento no dia quatro, e brindamos após a meia noite com Möet & Chandon, em meio à festa do casamento. Foi a única vez que brindei meu aniversário com champanhe...

 

Vivo, quase chegando na metade da década dos cinquenta anos, um certo dilema existencial. Por mais que me afaste a cada minuto que passa do que as pessoas consideram juventude, continuo me sentindo ainda muito jovem, com muito tempo (sei que tenho) pela frente. Mais do que isso, em boa parte das situações – profissionais ou não – sigo me sentindo um aprendiz. Ainda valorizo muito ouvir sobre a experiência dos outros, aprender com os outros.

 

Ao mesmo tempo, em virtude de já ter percorrido muitos caminhos ao longo desses cinquenta e quatro anos, sei que tenho histórias para contar. Vivi boas (e outras nem tão boas assim) histórias, convivi com muita gente, aprendi algumas coisas, já sei aquilo de que não gosto e que não é para mim. Aprendi a dizer não (continuo aprendendo). 

 

Sei, também, de quem quero estar próximo e de quem quero distância, pois não preciso de energia negativa, de pessoas que drenem minha energia. Não quero conviver com gente chata, na medida do possível.

 

Os amigos. 

 

Esses eu quero por perto, pois aí está o sentido da vida.

 

Até.

sábado, abril 04, 2026

Sábado (de manhã)

Brooklyn Bridge


O melhor momento da semana, ainda mais em Nova York...
Semana passada.

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, abril 03, 2026

Não Vou Morrer

Depois da chuva. Como um domingo. Não vou morrer*.

 

A morte é um assunto que me é comum, devo dizer.

 

Sim, por ser médico e lidar com pessoas (pacientes) muitas vezes em seu limite, em seus momentos finais, ou – por outro lado – afastando esse risco, ou possibilidade, ao menos temporariamente, do horizonte de quem me procura em busca de ajuda. De qualquer forma ela está sempre ali, pela volta, rondando e fazendo de tudo para não ser esquecida.

 

Também porque é parte da vida convivermos com o seu fim. Familiares, conhecidos mais ou menos próximos. Pessoas que admiramos. Todos vamos ter nossa experiência com a morte.

 

Eu tive algumas, ao longo do tempo.

 

Quase morte, hospital, vi - pela janela que não existia - um campo verde em um dia de sol intenso, que tudo iluminava, mas não tive vontade de caminhar para essa luz. Não era minha hora, ou era apenas um sonho de uma longa noite de sábado que durou treze dias e que me fez acordar com muita fome há mais de trinta e cinco anos? Não sei, não penso nisso e nem importa mesmo.

 

Lembrei disso agora porque estava lendo em algum lugar sobre o que as pessoas que estavam para morrer mais se arrependiam, e eram os encontros não realizados, as palavras não ditas, os – licença poética minha – churrascos não feitos. Não eram os bens materiais, mas as experiências não vividas, os momentos não compartilhados, as histórias não contadas.

 

Tenho procurado viver para não ter esse tipo de arrependimento. 

 

Memento Mori.


Até. 


* Bebeto Alves, 'Depois da Chuva' 

quinta-feira, abril 02, 2026

Havia um coach no meio do caminho

Estava eu assistindo a uma sessão durante a convenção da School of Rock, em San Diego, há pouco mais de uma semana, quando – durante a apresentação – o speaker falou em intuitive fence. A imagem apresentada era de um círculo, em cujo centro esta o chamado ‘possível’, e – à medida que se afastasse do centro, em direção aos limites do círculo, que tinha outros dois círculos externos a esse inicial, passava-se pelo ‘menos possível’ até, fora do círculo inicial, chegar-se na círculo mais externo onde estava o ‘impossível’. 

 

Deveríamos fazer esse caminho, do possível e seguro, em direção ao menos possível até – quem sabe – o impossível. Percebi, naquele momento, que estava assistindo a um coach (já sabia, na verdade, pois havia se apresentado assim, ele um ator de cinema), e aquele nome bonito, ‘intuitive fence’, era na verdade a famosa zona de conforto. Estava pregando que saíssemos da zona de conforto.

 

Não.

 

Não me levantei e sai da sala como gostaria, e nem questionei o apresentador, como talvez devesse ter feito. Não quis criar polêmica. Sou um cara tranquilo, da paz. Não costumo entrar em polêmicas. Mentira, mas não vem ao caso.

 

Deixem a (minha) zona de conforto em paz, por favor.

 

É uma questão conceitual, eu sei, e a esmagadora maioria das pessoas vê isso de forma diferente, mas vou sempre reafirmar que é a partir da zona de conforto que vamos progredir. É de onde partirmos para evoluir.

 

Crescer, se desenvolver, é alargar, ampliar nossa zona de conforto. Tornar maior nossa bolha.

 

É o que tento fazer.

 

Até.

quarta-feira, abril 01, 2026

Novo Momento

Como eu havia antecipado antes de viajar, voltaria de diferente da viagem que encerrou no último domingo, da qual ainda estamos correndo atrás para ‘recuperar’ o tempo perdido. Voltei. Diferente sim, no mínimo por descansado.

 

Conheci lugares os quais eu nunca havia visitado, revisitei lugares em que já estive várias vezes. Houve encontro viagem em grupo, e encontro de família. Caminhei MUITO, até perdi peso. Foi um baita passeio.

 

Um dos principais pontos foi, sem dúvida, o descanso mental, a fuga da rotina (que é importante, a rotina, mas que pode crescer como planta e engolir metade do caminho). A relatividade da percepção do tempo evidenciada: foi como se estivéssemos viajando por MUITO tempo, enquanto para quem ficou foi muito rápido.

 

Algumas ideias e resoluções.

 

Plano para pôr em prática.

 

Quem sabe o que vem por aí?


Eu não.


Até. 

terça-feira, março 31, 2026

O Belo da Vida

A vida corriqueira, o dia a dia, continuam enquanto viajamos, evidentemente, e nossa ausência em eventos e acontecimentos muitas vezes nos deixam em ‘desvantagem’ em comparação a se estivéssemos presentes. Perdemos direito de escolha, perdemos o direito de opinar. É o (mais um) preço que pagamos pelos dias de viagem. Paciência, é da vida.

 

A volta, então, é de retomada e reconquista de espaço, do espaço perdido, de correr atrás das tarefas que ficaram para trás e estão acumuladas. Corremos agora porque paramos alguns dias, porque saímos da rotina. Como disse, tudo certo, valeu à pena.

 

E as voltas são muitas, além da física, além da nossa presença. Por mais que sejamos os mesmos, voltamos diferentes, da mesma forma que somos diferentes a cada dia que passa, após cada interação que temos com outras pessoas.

 

O mundo muda todos os dias, nós mudamos todos os dias.

 

Isso é o belo da vida.


Até. 

segunda-feira, março 30, 2026

A Sopa

Sobre voltar.

 

Como repetidas vezes dito (por mim, por mim), voltar é parte importante de uma viagem, tão importante quanto a preparação e a viagem em si. Se não voltássemos, não seria viagem: seríamos nômades. O retorno para casa, para o lar, para o mundo de todos os dias, para a rotina, é que faz tudo ter sentido.

 

Na virada do século e milênio passados, no último mês do século vinte, dezembro de dois mil, viajamos. Chamamos a viagem de ‘Natal na Neve’, pois esse era o objetivo principal da viagem, ter uma experiência de passar o Natal em um lugar frio, onde houvesse neve. O lugar escolhido foi o norte da Itália, quase fronteira com a Áustria. Ainda não havia telefones com internet, então utilizávamos mapas físicos para nos guiar pela estradas nos Alpes. Tínhamos reservado os hotéis da chegada (em Roma), do Natal (em Rasun di Sopra, uma grata surpresa, que reservamos pensando ser em Brunico) e para a última semana, em Paris. Fizemos todo esse trajeto de carro, incluindo a passagem pelos Alpes entre a Itália e a Áustria, pela passagem de Brenner.

 

Foi uma longa viagem, trinta dias, e – nos últimos dias – já sonhava com a volta para casa, por melhor que estivessem esses dias de férias. Depois, acho que nunca mais fizemos alguma viagem tão longa, por diferentes razões.

 

Chegamos de volta de viagem ontem, quinze intensos e divertidos dias (entre trabalho e férias) depois de sairmos, fisicamente cansados pelo maratona de aeroportos e noite mal dormida no avião, mas mentalmente descansados e prontos para o restante do ano. Confesso que a vontade de voltar já era grande, já sentia falta da rotina.

 

Como se estivesse há bem mais tempo longe de casa.

 

Viajar é MUITO bom, mas voltar para casa é ainda melhor.


Até. 

sábado, março 28, 2026

Sábado (e Por Aí, New York)

Central Park


Manhã, início de primavera.
Março/2026.

Bom sábado a todos.

Até.

 

quinta-feira, março 26, 2026

Do Aeroporto

Aguardo o red eye.

 

Esse é o voo que sai de Los Angeles às dez para as onze horas da noite, tem uma duração de cinco horas e meia e chega às sete horas da manhã em Nova York. O fuso horário, claro, é a razão disso. São três horas de diferença. Independente do que dormirmos no voo, o dia será longo e de caminhadas.

 

Temos pouco tempo, então vamos fazer valer.

 

Além, é claro, de ficar junto com a família, curtir minha cunhada e sobrinha (meu irmão não, infelizmente, pois está trabalhando literalmente do outro lado do mundo).

 

Quinta, sexta e parte de sábado.

 

Aí voltamos.

 

Direto para o School Day, lá na School of Rock Benjamin, domingo (29/03) das 13h às 20h.

 

Aparece por lá.


Até. 

quarta-feira, março 25, 2026

Quarta-feira (e por aí, dinossauros)

Jurassic World


Universal Studios.
Los Angeles
, Califórnia.
Março/2026.

 

Direto da Califórnia

Ouvimos Beatles, enquanto a Jacque prepara nosso jantar e escrevo essa atualização de viagem. Estamos em Garden Grove, na parte norte de Orange County, Califórnia. Chegamos aqui domingo porque ontem foi o dia de parques da Disney, uma maratona que começou antes das oito da manhã e terminou após o show de fogos das 21h30, com mais de vinte e cinco mil passos no dia. 

 

O dia começou lento, após toda intensidade de ontem.

 

Comprei pão em um supermercado próximo para o café de todos. Enquanto o pessoal que voltava hoje para o Brasil ajeitava suas coisas, fomos – Thiago e eu – na Guitar Center aqui perto. Almoçamos, então, em Newport Beach. Após o almoço, por volta das 16h, nos separamos: o grupo que volta agora à noite para o Brasil e nós – Jacque, Marina e eu – que ainda ficamos hoje e amanhã à noite vamos para o leste, para uma rápida passagem por Nova York.

 

Os dias foram intensos até aqui. 

 

Houve a convenção da School of Rock, motivo principal da viagem, a jam na House of Blues, em San Diego. Viagem em grupo. Parques.

 

Depois escrevo sobre tudo isso.

 

Hoje, enquanto ouvimos Beatles, a Jacque prepara nosso jantar e tomamos um vinho, faço um descanso de um noite em meio à viagem, que termina logo ali.


Até. 

quarta-feira, março 18, 2026

Voltei

Dois mil e vinte e seis começou confuso.

 

Começou devagar, mais devagar do seria esperado para um verão de um pneumologista no Sul do Mundo, ao menos para mim, claro. As tradicionais férias de verão do começo de fevereiro, nossa rotina de muitos anos, não aconteceu, ao mesmo tempo em que a Hermione, nossa gata, adoeceu, foi internada, foi para UTI, e – tristeza – não resistiu. Foram dias difíceis, confesso. 

 

Houve um momento em que tive crises de ansiedade, com muitos pensamentos intrusivos e a sensação de todo peso do mundo em minhas costas. Foram poucos dias assim, de sono agitado e despertares de madrugada com fantasmas me rondando. Respirava fundo para tentar voltar à superfície, sair do pântano, da areia movediça imaginária em que estava.

 

Durou uns três dias.

 

Uma noite, saímos -a Jacque e eu – para jantar e contei a ela o que estava sentindo. Que eu sabia que estava ‘preso’ em uma crise imaginária, que não estava conseguindo sair e que a forma pela qual eu usualmente lidava com isso era conversando, era falando, e ela sabia disso. Sempre fora assim comigo, desde que me conheço, ou desde que fiz terapia, no começo dos anos noventa, depois do meu acidente.

 

Foi como tirar com a mão.

 

Jantamos, conversamos, voltamos para casa caminhando. Dormi melhor, acordei tranquilo. A nuvem que pairava sobre minha cabeça se dissipou. Os fantasmas se foram.

 

Voltei.


Até. 

terça-feira, março 17, 2026

Let it Go and Let Them

Nunca fui de guardar rancores.

 

Sempre tive, contudo, uma memória muito boa, e um mantra: “Perdoar é uma coisa, esquecer é outra. Eu não esqueço nada, nunca”. E vivi muito bem (sob minha própria ótica, com toda parcialidade a meu favor) desse jeito.

 

Fui, também, ao longo do tempo, progressivamente deixando de dar importância ao quê e a quem não justificasse ou não merecesse o meu tempo e o meu afeto. Mesmo com recaídas, com energia gasta de maneira desnecessária com assuntos e pessoas que não são, ou tornaram-se não importantes, fui (venho) melhorando nesse aspecto.

 

É um longo caminho, esse, de abrir mão daquilo e de quem abriu mão de ti, de aprender a deixar para lá, a renunciar e seguir a vida, porque essa não espera por ninguém.

 

Até 

segunda-feira, março 16, 2026

Ir e Voltar

 Viajar é – para mim, para mim – sempre uma forma de me reinventar. Clichê dos clichês, nunca voltamos iguais de uma viagem. Não é exatamente isso a que me refiro, mas sim a intencionalmente ser diferente ao completar uma viagem.

 

Como se sumisse por um tempo e voltasse diferente.

 

Não como Robert Johnson, lá nos primeiros anos do século passado, que era um músico medíocre que implorava para tocar no intervalo de outros shows era vaiado e expulso dos lugares, e que sumiu por um ano e meio e, retornar ao convívio das gentes, havia se tornado um exímio músico, de técnica refinadíssima. Por isso, a lenda de que havia feito um pacto com o diabo. O que aconteceu realmente, segundo contam, é que ele passou esse tempo tendo aulas e praticando, muitas vezes em cemitérios, onde era mais calmo. Morreu envenenado por um marido ciumento aos 27 anos. Havia se tornado ele mesmo uma lenda.

 

Não é desse tipo de mudança que falo, mas até que seria bom passar uns dias fora e voltar um músico virtuoso. Quero dizer que os dias de viagem, mesmo que relativamente poucos e intensos em atividades, servem para – com o distanciamento da vida diária – repensar algumas coisas e planejar o que será colocado em prática na volta, em breve.

 

Até.

domingo, março 15, 2026

A Sopa

O caráter circular da vida.

 

Há muitos anos, nem sei precisar quantos, fato incomum para mim, em uma noite em casa, assisti a um filme na televisão, talvez na Sessão de Gala da Globo, chamado ‘O Reencontro’ (The Big Chill, de 1983). Como o nome em português diz, mostra o reencontro de colegas de faculdade após dez anos, para o funeral de um amigo em comum. Não lembro detalhes do filme, mas uma música da trilha sonora foi impactante para mim, se tornando uma das músicas da minha vida.

 

The Weight.

 

Lançada em 1968, esse clássico da The Band foi também parte da trilha sonora de Easy Rider (Sem Destino), clássico do cinema de 1969. Está em 41º lugar na lista da 500 Melhores Canções de Todos os Tempos, de 2004 da revista Rolling Stone. Está entre – para mim, para mim – as, talvez, dez melhores, mesmo sabendo que esse é um ranking impossível.

 

Desde que a ouvi pela primeira vez, no final dos anos oitenta ou meados dos noventa, em um época em que o acesso à música não era fácil como hoje, sempre que tocava no rádio era uma emoção, confesso. Anos mais tarde, comprei um CD duplo da The Band por causa dessa música.

 

Quando, então, há três anos, iniciamos uma temporada de Southern Rock na School of Rock Benjamin, fiquei muito feliz por saber que essa música estava no repertório que tocaríamos, o que se tornou frustração por descobrir que não estaria no elenco que a tocaria, e depois virou insistência para aprendê-la e tocá-la, mesmo que originalmente ela não estivesse no meu repertório.

 

Consegui, e foi um momento mágico para mim, uma volta de – sei lá – quase quarenta anos entre eu a ouvir pela primeira vez e tocá-la em show. Foi um círculo completo de vida.

 

Atualmente, ao começarmos uma nova temporada, percebi que vai acontecer de novo, outro circulo vai se completar com outra música, de outro tempo e outras histórias, outros simbolismos.

 

Outro dia conto, outro dia conto.

 

Até. 

sábado, março 14, 2026

Sábado (e sobre um show...)

Domingo, 08/03...*


Foi nosso show de temporada.
Foi bonito e estava muito legal.

Bom final de semana a todos.

Até.

* Photo by Ze Carlos de Andrade
 

sexta-feira, março 13, 2026

Uma Dúvida

Falando da vida em geral, aquela do dia a dia, em que estamos em contato com diferentes ambientes e diferentes pessoas, algumas vezes me pergunto sobre onde traçar a linha demarcatória, sobre onde colocar um limite. E falo aqui da fronteira civilizatória (exagero, eu sei).

 

Respeito.

 

Em que momento, ou situações, em que devemos – independente de potenciais consequências – dar um basta, não permitir que sejamos desrespeitados? Claro que esse é um conceito muito pessoal. Somos nós quem definimos esses limites, e cada um tem o seu.

 

Meus limites vêm se tornando cada vez menores, cada vez tolero menos aquilo que considero desrespeitoso. Melhor dizendo, a linha está cada vez mais clara.

 

É só não cruzá-la que tudo fica bem.

 

Até.


OBS – não, isso não é um recado ou indireta a ninguém... 

quinta-feira, março 12, 2026

Eu falo, e Escrevo

Se você não se importa, se está tranquilo com isso, consegue conviver sem maiores problemas, tudo bem. Eu me importo, e – mais – me irrito com o fato.

 

Comunicação.

 

Um dos pilares da vida em sociedade é a comunicação entre as pessoas, a forma com a qual interagimos. É fundamental em todos os aspectos. Dependemos da comunicação para nossa sobrevivência, em todos os níveis. E, para nos comunicarmos bem, precisamos – antes de tudo – estarmos dispostos a isso.

 

A primeira premissa é ouvir o que o teu interlocutor tem a dizer. Deixar o outro falar, e ouvir para entender, para ponderar, e não para responder, para retrucar. Isso é cada vez mais difícil e raro nesses tempos de verdades absolutas, posicionamentos políticos radicais e falsos moralismos. A opinião do outro é tomada como uma agressão a quem ouve, não se tolera o contraditório, o diferente.

 

Não se aceita o pensar, o que é triste e desanimador.

 

Mas não era nem isso o que eu queria falar.

 

O que me irrita mesmo é a escrita ruim.

 

Quem, por desconhecimento (ausência de letramento) ou desleixo, escreve mal. Pontuação, concordâncias nominal ou verbal, acentuação, abreviaturas. Não se respeita mais nada mesmo. A língua falada é diferente da escrita, devemos lembrar sempre. Podem achar que não, mas faz diferença saber escrever. Espero que faça, ou pelo menos deveria fazer.


Até. 

quarta-feira, março 11, 2026

Sobre Ser Feliz

Felicidade.

 

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, diz a canção, lançada em 2004 no álbum ‘Paraquedas do Coração’ do Wander Wildner. Um dos, podemos dizer, clássicos do rock gaúcho. Não consigo estar feliz o tempo todo, e talvez realmente não devesse, assim como você.

 

Aliás, ninguém quer isso, por mais que esse seja um ‘objetivo’ do mundo moderno. Assim como ninguém gostaria de viver em um local onde o tempo, no sentido meteorológico, fosse sempre o mesmo, sem variações, sem oscilações. Em um estado permanente de felicidade, a vida perderia a graça.

 

Porque estar feliz não é um condição por isso só, não existe em si mesma. Estava lendo esses dias sobre isso. É a comparação com algo, com um estado anterior próprio, ou uma situação e/ou uma sensação prévia que não era tão boa. É essa variação, de um estado de menos para mais energia, o que dá a sensação que chamamos de felicidade.

 

É a diferença entre um momento que não é como queremos, ou desejamos, com um em que nos sentimos em sintonia com o Universo, em que nos sentimos parte, pertencemos. Uma vida sem essas variações não tem graça, podemos dizer.

 

E é uma forma de também aceitarmos aquilo que acontece conosco e que não temos controle. 

 

Até.

 

terça-feira, março 10, 2026

Entre Temporadas

Domingo foi o show de temporada da School of Rock Benjamin, no Sgt. Peppers. Foi um dia longo e especial, como são todos quando temos shows. Muitas pessoas, correria, encontros, música. É também o que faz valer à pena.

 

Ontem, segunda-feira, ao menos para mim, foi o dia entre temporadas, como diz o título desse texto. Terminou a temporada de Latin Rock, hoje começa a próxima. 

 

Foi um dia, então, basicamente de silêncio. 

 

A rotina normal, mais cansado, não consegui fazer a atividade física regular das segundas-feiras. Paciência, eventualmente acontece. Hoje já me sinto mais em condições...

 

O final do dia de ontem foi – como toda segunda-feira – de dar carona de ida e volta para a Marina, Ana e Theo em seu curso de teatro musical. Ao ir buscá-los, perto das 21h, dirigi ouvindo Tom Jobim ‘Inédito’ uma coletânea de 2007, com algumas das suas principais canções. Noite, pelas ruas de Porto Alegre e, entre outras, ‘Samba do Avião’ e ‘Retrato em Petro e Branco’. 

 

Foi bom, foi bom.

 

Hoje, começa tudo de novo.

 

Até.

segunda-feira, março 09, 2026

Mais Um


 

Começo de semana lento após uma noite de pouco sono.

 

Mais um show de temporada, mais um uma vez no palco, ainda a mesma satisfação e realização. Esses momentos servem para reafirmar a permanência no caminho certo, aquele que escolhi também percorrer.

 

Já escrevi e ainda vou escrever sobre isso.

 

Agora não, porque ainda estou cansado da noite pouco dormida.

 

Até.

domingo, março 08, 2026

A Sopa

Dirijo por Porto Alegre às três horas da manhã, buscando a Marina e uma amiga em festa e – antes de voltar – deixar essa amiga em sua casa. Quase não falo, e torço para que não falem no carro pois, apesar de acordado, não quero ficar acordado a ponto de ter dificuldade de dormir quando voltar para casa.

 

Não funciona.

 

Ao me deitar novamente com a intenção de logo dormir, não consigo. Ausência de sono, apenas.  Sem pensamentos intrusivos, sem ansiedade. Talvez com fome, apesar de estar sem dor de cabeça (já falei isso, sempre que tenho dor de cabeça acho que é fome). Três e pouco da manhã e sem sono. Vou dormir em breve, sei, mas se não fizer nada naquele momento, o meu domingo estará comprometido.

 

Já está, afinal de contas.

 

Está estabelecido que não vou pedalar logo cedo para não correr o risco de estar cansado e me colocar em risco. É o momento em que decido tomar um remédio para induzir o sono. Durmo até por volta das oito horas.

 

Acordo lentamente, e começo o domingo, que será longo.

 

É dia de show. 

 

Sgt. Peppers Pub. Tudo começa às 17h. Mais um show de temporada, o meu décimo primeiro desde 2022, se não engano. É sempre uma experiência memorável, essa de estar no palco, entre amigos, em comunidade. É o espírito que me fez mergulhar de cabeça e me tornar inclusive sócio da School. É o pertencer, o fazer parte.

 

E isso não tem preço.


Até.