quarta-feira, outubro 28, 2026

Viajando por Aí

Viajar amplia nossa visão de mundo.

 

Ter, ou criar, a oportunidade de conhecer lugares diferentes, países, cidades, pessoas, deveria sempre nos tornar mais tolerantes, mais abertos à diversidade, seja de pensamento, de cultura, de modo de vida. Que cada um tem o direito de viver da forma que entende ser a melhor possível para si, e ninguém tem direito de determinar como o outro deve viver. Simples assim, na teoria. Quanto à prática, bom, deixa para lá.

 

Como eu já contei, a primeira vez em que saí do país foi aos vinte e três anos de idade, já médico e namorando a pessoa com quem estou casado até hoje, mais de trinta anos depois. A partir dessa primeira vez, organizamos nossa vida à época priorizando as viagens muito mais que bens materiais. Tivemos o benefício de ter moradia própria desde que nos casamos, então direcionamos muito a vida em poder visitar lugares diversos e revisitar aqueles mais queridos.

 

Todas as viagens foram especiais, claro, umas mais e outras menos, mas sempre nos deixaram com ótimas lembranças, momentos e situações realmente memoráveis. Assim como a vida, não existe uma fórmula única de como melhor viajar.

 

Viajamos muito em grupos de amigos, em família, Jacque, Marina e eu, e apenas a Jacque e eu, de avião, de carro, mas ainda não de navio, infelizmente. Até morei fora do Brasil um tempo. Todas foram boas – não existe viagem ruim, até que se prove em contrário – de sua maneira. Em toda viagem, acredito que voltei um pouco diferente de quando saí, mas nunca perdi o encantamento do processo, da experiência.

 

Talvez isso seja o importante: por mais comum que seja, por mais habituado estejamos com tudo isso, não podemos perder esse encantamento quase infantil (e isso é um elogio) de conhecer um pouquinho mais das pessoas, do mundo.

 

Lembro sempre que, há alguns anos, quase dez, na verdade, estava viajando a trabalho para um congresso na França (era especialista médico de um laboratório da indústria farmacêutica). Estava saindo três dias antes do habitual porque encontraria a Jacque, a Marina e a Karina (minha cunhada) em Paris, onde elas ficariam de férias enquanto eu estaria trabalhando. Saí sozinho de Porto Alegre, com conexões no Rio e em Amsterdam antes de pousar em Paris. Voava de executiva, benefício de se trabalhar no mundo corporativo.

 

Durante a escala em Amsterdam, enquanto circulava pelo terminal do aeroporto de Schiphol em direção ao portão de embarque do voo AMS – CDG, parei por um momento, olhei em volta, de onde eu estava, e sorri. Pensei em minha história, em onde estava naquele momento de vida e em quem eu iria encontrar em Paris antes de começar o trabalho. O que eu já tinha visto, o que eu ainda tinha para ver e as pessoas que eu ainda conheceria.

 

Tinha valido à pena. E tem valido até hoje.

 

Até.

terça-feira, outubro 27, 2026

Ainda o Inferno

Ainda sobre minha primeira viagem para fora do Brasil.

 

Foi em 1995, para os Estados Unidos, no tempo em que os vistos para entrar nesse país eram – ao menos no nosso caso – de três meses, e o Consulado Americano era no Centro Histórico de Porto Alegre quando ainda não o chamavam de Centro Histórico, algum tempo antes de o consulado fechar e permanecer assim por vários anos, tanto é que tive que ir à São Paulo quando precisei de visto na mesma época em que fui morar no Canadá. Minha primeira viagem internacional, meu primeira experiência de voar.

 

Lembro que entramos nos Estados Unidos por Miami, onde ficamos uns dois ou três dias antes de seguirmos para Orlando e seus parques. Ficamos em um hotel em Miami Beach, e logo no primeiro dia fomos à praia e alugamos um jet-ski, também minha primeira vez (e única?). Saímos da praia e ficamos um tempo na piscina com hidromassagem... me sentia um privilegiado...

 

Depois desses talvez dois dias em Miami, seguimos para Orlando pela Florida Turnpike, pedagiada. Eu era o que melhor falava inglês ou, ao menos, eu era quem tinha a ‘cara de pau’ de falar, de interagir, conversar com as pessoas, principalmente em hotéis e restaurantes, meio que uma tradição que continuou por muitos anos em diferentes países e diferentes idiomas, mesmo eu não falando a maioria deles, até ser “substituído” pela Roberta, minha afilhada, no Uruguai em 2022...

 

Na estrada, entre Miami e Orlando, em um tempo antes dos pedágios automáticos, tínhamos que parar para pagar a tarifa (quando não apenas jogar as moedas em um coletor). Em uma dessas paradas, enquanto fazíamos o pagamento, aproveitamos para perguntar sobre uma direção que tínhamos que seguir, e a resposta que entendi na hora foi um estranho ‘Go to Hell’, o que não gerou uma resposta nossa qualquer, exceto estranhamento e seguirmos em frente.

 

Foi só depois que nos demos conta que a resposta havia sido ‘Go ahead’, siga em frente, e a confusão havia sido pelo sotaque de quem falou... 

 

Meu inglês melhorou muito desde então...


Até. 

segunda-feira, outubro 26, 2026

A Sopa

A primeira vez que entrei em um avião, em que fiz minha primeira viagem aérea, foi em 1995. Éramos, a Jacque e eu, namorados há pouco tempo, e tiramos quinze dias de férias juntos em junho daquele ano. Fomos para os Estados Unidos, primeiro para a Flórida, Miami, Orlando com parques, e depois para Nova York, Filadélfia, Washington e de volta à Nova York, de onde voltei ao Brasil, pois minhas férias terminavam, e a Jacque, com a Karina e o Paulo (cunhado dela à época), seguiram por mais alguns dias entre EUA e Canadá.

 

O voo, saindo de Porto Alegre, fez escala (ou conexão, não lembro) no Rio de Janeiro, e lembro de chegar (ou sair) à noite, vendo as luzes da cidade, e cantarolar – eu, com meus botões - Tom Jobim, ‘Samba do Avião’, e lembro de uma sensação de estranheza, de irrealidade, isso de viagens aéreas. Era a primeira vez, entendo, e tornou-se habitual, principalmente quando eu viajava semanalmente a trabalho.

 

Mas queira contar outra história.

 

Em Nova York pela primeira vez, lembro do ‘espanto’ com os edifícios muito altos, as sirenes soando constantemente, uma sessão de cinema ao ar livre sentados na grama do Bryant Park, na 6th Ave com 42nd St, logo atrás da New York Public Library. Obviamente caminhamos muito, como sempre acontece em viagens.

 

Foi nessa primeira vez que subimos no Empire State Building, visita completa, até o mirante do 86º andar (não tenho certeza se fomos até o 102º). Nessa viagem, não visitamos as Torres Gêmeas, ainda de pé, e deixamos para um próxima vez, o que nunca ocorreu, pois voltei para lá apenas somente em 2004, quase três anos depois do 11/09.

 

Na volta ao Brasil, lembro que algum de nós havia comprado um jogo de computador chamado Hell’s Cab, que se passava em Nova York. O jogo incluía uma entrada no Empire State, e cheios de conhecimento, afinal estivéramos ali pouquíssimo tempo antes, entramos (no jogo) nele e certos do que fazíamos, cheios de razão, confiantes, ‘caímos’ no inferno em TODAS as tentativas que fizemos de circular pelo ponto turístico em questão. Todas mesmo. Não sei se foi por isso, mas NUNCA mais tentei subir no Empire State...

 

Lembrei disso ao assistir um vídeo no You Tube de uma brasileira que caminhou por toda Manhatan em um dia, e incluiu o Empire Sate no seu passeio. 

 

Até.

sábado, outubro 24, 2026

Sábado (e Por aí, Porto Alegre)

 

Um sábado qualquer...


Um noite de sábado, em que não chovia, no Viaduto da Borges.

Bom final de semana a todos... 

E  juízo!

Até.


quinta-feira, outubro 22, 2026

Muito Barulho por Nada

O problema do mundo são as minorias barulhentas.

 

E não estou falando (apenas) de política.

 

Não tenho nenhuma dúvida que essa sensação ruim que temos com relação às pessoas, esse mal-estar coletivo, ele decorre apenas como reação às minorias barulhentas, que – com suas pautas diversas, que não vem ao caso – acabam dominando o ambiente. Quem grita mais alto ganha mais atenção, pensam. 

 

Só que a maioria não é assim.

 

Nós, a maioria, nós somos quem respeita os outros, que aceita que as pessoas vivam suas vidas conforme suas crenças pessoais, conforme suas opções, nós que estamos presentes, e sempre no horário marcado, que mantemos a palavra e os compromisso assumidos, nós que respeitamos contratos firmados, nós que não tentamos nos aproveitar da boa vontade das pessoas, nós que pregamos que a liberdade individual é um princípio básico da existência. Somos nós que fazemos o mundo funcionar.

 

Os que gritam demais, brigam demais, aqueles que tentam levar vantagens pessoais em tudo que fazem, mesmo ou principalmente em detrimento de outros, aqueles que não estão no jogo para todos ganharem, esses – apesar de parecerem ser muitos – não predominam. 

 

Nós, a maioria silenciosa, é quem tornamos a vida boa.

 

Muitas vezes, corremos o risco de generalizar e pensar que é a maioria que está gritando, e que as pessoas são assim, ruins. 


Não é, não são.


Até. 

quarta-feira, outubro 21, 2026

Quase lá

O fim está próximo, e isso é bom.

 

Do período eleitoral, do mês, do ano. A sensação que tenho ou, talvez, a vontade, seja de apenas colocar o carro em ponto morto (do tempo em que carros automáticos eram raros) e seguir ‘na ponta dos dedos’ (outra referência automobilística) até o final de dezembro. Terminar logo dois mil e vinte e seis.

 

Esse foi, até aqui, um ano difícil.

 

E agora amplio o meu olhar para pensar sobre o que significa um ano difícil e o que esse tem de diferente dos outros para que possamos afirmar com convicção o maior grau de dificuldade do atual. Todos os anos são, de um jeito ou outro, difíceis, desafiadores. E isso aqui não é uma retrospectiva antecipada. É que parei um pouco para pensar.

 

Por que dois mil e vinte e seis foi complicado? Aliás, e volto a falar disso, quais critérios uso (usamos) para avaliar a vida? Fatores econômicos, políticos, os relacionamentos, as pessoas que entram e saem de nossas vidas, os medos que surgem no caminho, as ansiedades que se abatem em maior ou menor grau? Aquilo que fizemos, o que vivemos, e aquilo que deixamos de fazer, as palavras não ditas, para o bem e para o mal? As epifanias que tivemos, as conversas que tivemos e as que não temos como ter novamente?

 

Os livros lidos, as músicas ouvidas (e aquelas tocadas), os filmes que não vimos? As comidas que fizemos e as refeições que compartilhamos? Os inimigos reais e os imaginários? Quem nos ajudou e quem ajudamos? Cada um tem seus critérios e suas aspirações. Eu?

 

Sigo em busca da simplicidade.


Até. 

terça-feira, outubro 20, 2026

No consultório

O exame físico é parte fundamental da consulta médica, evidentemente. Verificar os sinais vitais, pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, auscultar o tórax, coração e pulmões, além do resto do exame, não menos importante, é o que complementa o processo de avaliação do que levou o paciente à consulta. Na rotina dos dias, muitas vezes esquecemos do quão fantástico é o corpo humano em funcionamento, uma máquina quase perfeita.

 

Parece tão banal, isso de parar em silêncio e ouvir o bater cardíaco, sístole e diástole, movimento involuntário e constante. Na verdade, não é, mas nem sempre nos damos conta disso.

 

Estava eu esses dias concentrado em ouvir o ritmo regular, em dois tempos, as bulhas cardíacas normofonéticas, nem muito fortes e nem abafadas, B1 e B2, que não são bananas de pijamas como os personagens infantis do final dos anos noventa, quando – depois de mais de trinta anos fazendo isso, ouvindo pessoas, suas histórias, seus pulmões e corações – como em uma epifania, fiquei encantado em ouvir o bater ritmado do coração de quem eu examinava, fiquei – posso dizer – espantado de novo em ouvir a vida em sua comprovação mais básica, mais raiz. Desde lá, como uma criança descobrindo o mundo, fico admirado ao ouvir o bater do coração e, também, o ar que entra e sai do peito. 

 

Que responsabilidade é manter esse sistema em perfeito funcionamento, e que felicidade saber que posso (podemos) ajudar e melhorar aqueles que precisam.


Até. 

segunda-feira, outubro 19, 2026

Tempo Perdido

É semana de eleição, e, infelizmente, não consigo fugir – por mais que eu queira – do assunto nessa manhã de segunda-feira após o debate de ontem à noite. Como o título desse crônica é autoexplicativo, deveria ter assistido a um filme ou série, ao invés de tentar extrair algo de bom da discussão estéril entre o futuro presidente, seja ele quem for, e o seu adversário da disputa.

 

Ninguém – e afirmo isso com tranquilidade – vai mudar sua intenção de voto a partir do que falaram ontem os candidatos. Ausência de propostas, acusações não respondidas por ambos os lados. Falta de habilidade, não respostas, mudanças convenientes de assunto.

 

Vimos tudo isso, e não vimos nada de produtivo.

 

Metade do Brasil tem a certeza do caos se um deles ganhar, e a outra metade tem a mesma convicção caso o vencedor seja o outro. Todos têm certezas, todos sabem tudo.

 

Eu?

 

Tudo o que sei é que nada sei.

 

Até.

domingo, outubro 18, 2026

A Sopa

Podemos dizer que a primavera ainda não chegou de verdade aqui no sul do mundo, mesmo que o calendário nos afirme o contrário. Mudanças climáticas, Super El Niño, aquecimento global, todas são explicações válidas para esse fenômeno que se abateu sobre nós esse ano. Que, por sinal, está contrariando minha convicção irracional de que anos pares são melhores que anos terminados em número ímpar, o que realmente não é importante, não quer dizer nada.

 

Estamos a uma semana do segundo turno das eleições brasileiras e tenho cada vez mais certeza de que esse clima chato não vai acabar após a decisão de quem será o novo presidente, independente de quem ganhar.  Eu, cá no meu canto, não gosto nem um pouco de nenhum dos dois candidatos, então qualquer que fosse o meu voto, ele seria (será) constrangido, um voto em quem eu acho que pode atrapalhar menos a minha (nossa) vida. 

 

Uma coisa é certa, entretanto.

 

Se algum dos candidatos se comprometesse a trazer de volta o horário de verão, ele teria o meu voto na hora. Além de seu eleitor, seria entusiasta, sairia por aí com sua bandeira, adesivaria o meu carro, entregaria panfletos, gravaria vídeos, até faria dancinhas no TikTok. 

 

O horário de verão é a solução para a polarização do país.

 

Com mais tempo de luz, de dia claro, no final do dia, junto com dias de temperatura mais amena, as pessoas saem mais, vão para as ruas, se reúnem mais, convivem mais, o que significa menos tempo em redes sociais, menos tempo no WhatsApp, menos teorias da conspiração, menos chance de lerem algo e não entenderem e brigarem por isso. Ninguém é tão agressivo pessoalmente quanto o é em comentários do Instagram, por exemplo. Pessoalmente, tudo é mais fácil de resolver, e é muito mais simples de encontrar pontos de concordância, pontos em comum. Até porque, se pensar só um pouco, todos queremos mais ou menos as mesmas coisas.

 

É mais fácil resolver os problemas do mundo em uma mesa de bar, ou em um churrasco, do que em frente à tela do computador ou do celular, influenciados por um algoritmo que "quer ver o circo pegar fogo".


Até. 

sábado, outubro 17, 2026

Sábado (e vai ter Halloween POA)

 




Prepare sua fantasia e venha.
Entrada gratuita.
Vai ser legal!!

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, outubro 14, 2026

Mudar de Fase?

Fiquei sabendo, há alguns dias, que uma amiga da Marina havia dito que não via a hora de terminar o ensino médio e não mais ser obrigada a conviver com muitos do seus colegas de escola. Que estava na hora de mudar de fase, esse o seu desejo, interpretei eu.

 

Calma lá com seus desejos, minha cara, pois eles se tornam realidade e – quando perceberes – o tempo terá passado rápido demais e sentirás saudades desse tempo. É fácil falar, e difícil de sentir e fazer, mas vive cada momento em toda sua intensidade, porque ele é e será único.

 

Essa ansiedade para que o tempo passe e as coisas aconteçam, se realizem, conheço bem. Muito vivi isso, e ainda de tempos em tempos tenho que me policiar para não esquecer de estar presente, de focar no presente. Me repito, eu sei, mas esse tema está com uma razoável frequência retornando em meus pensamentos: tudo o que temos é o agora, nada mais.

 

O tempo, quando olhado em retrospectiva, passa muito rápido. O que parece uma eternidade ao olharmos em frente – a ano quem vem, daqui a cinco anos – passa ‘em um piscar de olhos’ quando pensamos no que passou. É tanto tempo, mas também tão pouco. Parece que foi ontem, parece que foi há uma eternidade. Olha a pandemia da COVID, por exemplo. Loucura, não?

 

Controlar a ansiedade, focar no hoje, no agora, viver cada momento com a intensidade necessária. Estar junto.

 

É a receita.


Até. 

terça-feira, outubro 13, 2026

Difícil não falar

Difícil não falar de política por esses dias.

 

Os ânimos estão acirrados, há a crença de que, dependendo de quem ganhar a eleição, haverá a ruína ou a redenção. Infelizmente, não há clima para um debate civilizado, uma discussão racional. Esse trem já partiu há tempos...

 

Tento, então, abstrair e silenciar sobre o tema por alguns momentos. Quero olhar para a rua e ver a primavera, mas até ela não está com cara de muitos amigos. Há uma neblina, um ar úmido que é um pouco de chuva, e a previsão não é animadora para os próximos dias.

 

Talvez tivesse sido melhor estender o feriado, ficar um pouco mais em casa, ler ‘Grande Sertão: Veredas’, dormir à tarde, tocar alguma música italiana no violão, cozinhar. Continuar o ritmo lento das manhãs de domingo com chuva.

 

Não é assim, contudo.

 

A semana começa na terça-feira, os compromissos estão batendo à porta e a vida não para (acento diferencial aqui). Seguimos, porque não há outra opção.

 

E porque nem tudo é política.


Até. 

segunda-feira, outubro 12, 2026

Direita ou Esquerda?

Sou de direita, porque prezo a liberdade individual, porém sou de esquerda porque defendo os direitos do trabalhador, e volto a ser de direita porque acho que quem trabalha deve ser livre para negociar a forma, a jornada de trabalho, dias de descanso e remuneração. 

 

Sou de direita, porque valorizo a família, mas sou de esquerda porque não tenho absolutamente nada contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acho que o aborto deve ser de decisão da mulher, e que ‘não é não’.

 

Sou de direita porque defendo a propriedade privada, mas sou de esquerda porque sou favorável ao SUS, mesmo que remunere muito mal quem trabalha nele, o que me torna de direita porque acho que os médicos que trabalham nele deveriam ser mais valorizados e bem melhor remunerados. Sou de direita porque não concordo em ser chamado de trabalhador da saúde, porque somos médicos, enfermeiros, técnicos e outros, todos com funções importantes e fundamentais, mas não todos iguais.

 

Sou de esquerda porque apoio a cultura, mas sou de direita por achar que isso não é pauta exclusiva da esquerda.

 

Sou de direita porque acho que não houve golpe no impeachment da Dilma, mas sou de esquerda porque penso que – sim – houve tentativa de golpe em janeiro de 2022. Sou de esquerda porque acho que os participantes do oito de janeiro deveriam ter sido processados, mas sou de direita porque acho que o STF vem extrapolando seu papel constitucional há um bom tempo. 


Sempre que estou em uma encruzilhada na estrada, e não tenho ideia para onde ir (essa é uma definição pré-GPS) sigo à esquerda, mas a mão que tenho mais habilidade é a direita, mesmo que eu escreva com a esquerda.

 

Não sou de direita e nem de esquerda porque não tenho político de estimação, e porque não tenho saco para discutir política com fanáticos de um lado e de outro. E muito menos em cima do muro, porque sei bem o que quero.

 

Em resumo, meio que sou um extraterrestre, que vai ser taxado de burguês por quem é de esquerda (não vai ser a primeira vez) e de ingênuo por quem é de direita...


Azar.


Até. 

domingo, outubro 11, 2026

A Sopa

Posso me perguntar por que escrevo, com uma razoável frequência, sobre o passado, mas tenho, no mesmo momento, uma resposta a essa pergunta: escrevo para lembrar, escrevo para não esquecer. É minha forma de registrar a vida, de registrar quem fui e quem sou.

 

Tem assuntos que surgem, sobre os quais eu gostaria de escrever, e que têm que entrar “na fila”, dependendo da prioridade definida por mim, evidentemente. E a ordem das prioridades depende do que está acontecendo comigo, de como estou no momento em que vou escrever. Mais reflexivo, menos reflexivo, isso é claramente variável. Depende até se estou escrevendo com tempo, em um domingo lento sem sol ou em uma manhã de segunda-feira antes de começar a atender o consultório. Além de tudo, quanto mais tempo e mais memórias crio, mais tenho sobre o que escrever.

 

Às vezes, então, preciso voltar no tempo para lembrar / não esquecer de eventos de muitos anos. Nem tudo publico, pelos menos não imediatamente.

 

Volto a um onze de outubro, 1996, há trinta anos, sexta-feira. Eu era médico-residente de primeiro ano em pneumologia no Hospital da PUCRS, havia casado há menos de dois meses. Era o dia seguinte ao aniversário da Jacque (o segundo que passamos juntos). 

 

Claramente lembro de, em alguns momentos daquela manhã, de entrar em locais do hospital em que tinha música ambiente, como a agência do Banrisul, e estar tocando músicas da Legião Urbana, o que chamou minha atenção. Um pouco depois, talvez no almoço, fiquei sabendo da morte do Renato Russo.

 

Dentro aqueles que ‘escreveram’ a trilha sonora da minha vida, cuja obra musical esteve em sintonia com o que eu sentia e/ou vivia naquela época, Cazuza e Renato Russo estiveram entre os mais importantes. Fui adolescente cantando e me identificando com a poesia e música que eles faziam. Se na música Ideologia, do Cazuza, ele diz que ‘meus heróis morreram de overdose’, eu posso dizer que os meus, ao menos esses dois, morreram de AIDS, em um tempo em que a doença ainda era uma sentença de morte. Aliás, foi justamente em 1996 que os tratamentos antiretrovirais começaram a ser utilizados.

 

Muito mudou nesses trinta anos.

 

O mundo mudou, eu mudei.

 

É a vida.


Até. 

sábado, outubro 10, 2026

Sábado (e estressado ou não)

Fui pescar


Semana passada, na Argentina, como já falei.

Foi bom, foi bom.

Bom final de semana a todos.

Até.


 

quinta-feira, outubro 08, 2026

Dois mil e vinte e seis

Esse ano tem sido difícil.

 

Sob vários aspectos, sob diferentes perspectivas. Como sempre, e não poderia ser de outra forma, seguimos em frente, cabeça erguida, olhar no horizonte, mas cuidando para não tropeçar nas pedras do caminho.

 

Sou um otimista, e sigo acreditando – como sempre - que coisas boas estão a caminho, e que a luz ao final do túnel não é um trem... Independente disso, da expectativa de um porvir melhor, o importante é estar presente e aproveitar a jornada. E fazer as coisas agora que garantirão o desfecho desejado lá na frente. Apreciar o caminho (to enjoy the ride), o hoje, que é tudo o que temos.

 

Sei lá, rápidas reflexões de uma manhã chuvosa.

 

Até. 

quarta-feira, outubro 07, 2026

Preciso Falar

Não resisto.


Vou falar de política...

 

Terminado o primeiro turno das eleições, a grande derrotada é – sem sombra de dúvida – a esquerda brasileira. E não é a primeira grande derrota, todos sabemos. Em 2018 já havia acontecido e, não se enganem, o atual presidente só ganhou a eleição de 2022 porque o presidente que tentava se reeleger conseguiu a façanha de ter maior rejeição por não ter ficado mais tempo de boca fechada. Agora, se repetiu a rejeição ao atual governo, por uma série de razões. Quero focar minha análise apenas em um fator.

 

A arrogância.

 

A esquerda brasileira (que é de quem posso falar, porque acompanho de perto há anos), independente de suas virtudes (que são muitas) e seus defeitos (tantos quanto as virtudes, como todos na vida), tomou para si a convicção de que é moralmente superior, e quem discorda dela, quem pensa diferente, está errado e, pior, é limitado intelectualmente, não tem caráter, além de todos os adjetivos negativos usualmente vociferados por quem se considera melhor. Que todos os que não pensam da mesma forma – atualmente mais da metade da população do país – é de alguma forma misógina, homofóbica, racista, fascista ou outra designação negativa.

 

Ao invés de procurarem cooptar corações e mentes, que muito bem fizeram durante anos, passaram a ‘segregar’ quem tinha a mínima discordância de ideias, tornaram-se intolerantes ao contraponto. Tudo isso ao mesmo tempo que relativizaram as suas próprias contradições, seus próprios problemas.

 

Com isso, colocaram-se em um pedestal de virtudes autoproclamadas e se afastaram do mundo real, das pessoas que trabalham de sol a sol em busca de seu sustento, de melhorar de vida, das pessoas que buscam, por conta própria, resolver sua vida. Vilanizaram esses trabalhadores, vilanizaram a classe média que lutas todos os dias e quer liberdade para vencer na vida, o que é um conceito individual, já disse isso uma vez.

 

Isso é uma generalização, claro.

 

Existem pessoas e ideias boas de ambos os lados do espectro político. Ter visões de mundo diferentes e debater ideias é produtivo. Os extremismos é que são ruins. Como quem olha em um espelho, adjetivar negativamente quem apenas pensa diferente de ti, como tem se visto muito por aí nesses dias de clima eleitoral, diz muito mais sobre quem faz isso do que sobre a quem está sendo dito.

 

Pois é.


Até. 

terça-feira, outubro 06, 2026

Da Turma

Um dos problemas de se viver em uma grande bolha, que engloba pessoas muito diferentes, com opiniões e posições políticas opostas, o que é diferente do que normalmente viver em uma bolha significa, é muitas vezes ‘pisar em ovos’ para evitar incomodações, principalmente em termos de política e em dias atuais. Ainda mais que admiro, e sou amigo, de pessoas que pensam de maneira diversa, que inclusive se posicionam de maneira diferente da minha.

 

E tudo bem. Somos amigos, não é um time de futebol ou partido político que vai nos separar, causar brigas. A conversa será olho no olho, e tudo deve ficar tranquilo. 

 

O problema são as redes sociais.

 

Porque se eu compartilhar alguma coisa que acho pertinente, que reflete de alguma forma o que penso, certamente vai ter alguém que, à distância, vai ler, provavelmente interpretar de maneira equivocada, tirar conclusões definitivas sobre mim e me rotular como isso ou aquilo. Em resumo, vai ser um saco.

 

Se realmente quiserem saber, me perguntem pessoalmente. Até porque a maioria das pessoas não quer saber o que penso desse ou daquele candidato ou partido político. Querem mesmo é saber de que lado estou, se a favor ou contra suas posições, se sou da sua turma e contra a outra ou não. E mesmo sendo um entusiasta de turmas e de fazer parte, desse tipo de associações eu não quero fazer parte... 

Até. 

segunda-feira, outubro 05, 2026

A Sopa

Antes que perguntem, a resposta é não.

 

Não houve peixes pescados por mim, apesar de um ter sido fisgado e escapado e outro – grande, supomos – fez a linha estourar, na pescaria em que estive semana passada. Certamente o comentário a ser feito por quem convive comigo é “não sabia que eras pescador”. Pois é.

 

Não sou. Ou não era, ao menos.

 

Depois de muito tempo e uma pandemia, finalmente consegui – por questões logísticas – participar do grupo de pesca que incluiu alguns dos parceiros de hospital, em especial dos que almoçamos juntos ao menos três vezes por semana no restaurante aqui ao lado do hospital. Vinham insistindo que eu fosse junto há bastante tempo e, lá em 2019, havia me programado e iniciado a pagar a pescaria que seria em agosto ou setembro de 2020, mas aí houve o COVID e ficou em suspenso. Esse ano, tudo se encaixou e pude, finalmente, ir.

 

Saímos na terça-feira à noite de ônibus leito e fomos até Esquina, Argentina, às margens do rio Paraná para três dias de pescaria, que acabaram sendo dois porque no sábado choveu (muito) e decidimos – minha dupla de barco e eu – ficar no hotel. Valeu muito, como já disse.

 

Ao final das contas, e sinceramente não racionalizando por não ter pegado nada, pescar – no fundo - era o de menos. O importante era – tema recorrente em meus escritos – a turma, o grupo, o fazer parte, o pertencimento. A convivência no ônibus, as refeições juntos, as histórias, os risos, os vinhos (que nem tomo tanto assim). Os assados (churrasco, outro tema recorrente meu). Também os momentos de silêncio e reflexão no barco, o ruído da água, a quase meditação. As memórias de infância, quando velejávamos e pescávamos e eu era o mais novo junto com meu pai e seus amigos, e lembro das histórias ouvidas à noite em torno da fogueira (‘e aí aproximei meu esqueleto do cadáver dela, e ela toda melosa, toda babosa...’).

 

Voltando ao presente, o companheiro de barco e de quarto, que foi meu professor, quase com idade para ser meu pai, dividiu comigo esses silêncios, mas também conversamos sobre o passar do tempo, religião, morte, e o que se leva da vida, que são esses momentos, a convivência.

 

Estórias para contar.

 

Até.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Dos rolês aleatórios

Estou aqui, em Esquina, na Argentina, com um grupo de amigos em uma pescaria. Quem poderia imaginar, não?

Nem eu, nem eu…

Está MUITO legal!

Domingo, publico foto.

Até.




domingo, setembro 27, 2026

A Sopa

Hoje é sobre política. 

 

Por isso, já se sabe que é um crônica datada.

 

Não, não interessa o que eu penso sobre isso e muito menos em quem vou votar. Quem quiser conversar sobre isso, que fale pessoalmente comigo. Posso ouvir suas razões e posso mostrar meus argumentos, assim, de boa. Ou não, se seu clima for meio bélico quanto a isso.

 

Bom, estamos a uma semana das eleições no Brasil e, no fundo, ninguém tem certeza do que vai acontecer, qual será o resultado, para qual lado vai pender a balança dessa vez. Ambos os lados estão com os nervos a flor da pele que até beijo de novela os faz chorar (referência musical em meio a um assunto sério) e procuram (e até encontram) razões para justificar uma possível derrota.

 

Todos têm a certeza do apocalipse caso a sua linha de pensamento saia derrotada no final do processo, que terá dois turnos. Todos têm a certeza de que a única saída possível é o seu candidato vencer, independente do que o outro lado fale dele, de quem sejam seus aliados, ou cúmplices, se foi condenado ou não, se foi beneficiado por esse ou aquele esquema. Se está do mesmo lado que eu, ignoro tudo que me convém ignorar. Em meio a todo esse debate intenso, às diversas bolhas que não se tocam, uma coisa me impressiona.

 

É ver pessoas extremamente inteligentes, cultas, centradas, que têm minha admiração, com bons e fortes argumentos defendendo suas posições, se posicionarem de um lado e outro do espectro político com convicção admirável, com certezas definitivas. Terem para si a certeza de que sua linha, digamos, ideológica é a única saída possível.

 

E eu, o que penso?

 

Que a “minha bolha” é ampla o bastante para abrigar pessoas e pensamentos muito variados, e que me faz pensar e ver o mundo sob diferentes ângulos no momento de decidir. O que é muito bom, devo dizer.

 

E, se me estressar, vou pescar...


Até. 

sábado, setembro 26, 2026

Sábado (e eles no palco)

 

It's only rockn'roll and I like it...


House Band School of Rock Benjamin.
Sábado passado no Sette Gastropub.

Bom final de semana a todos.

Até.

segunda-feira, setembro 21, 2026

A Sopa

Não é sobre política, mais uma vez.

 

Sou um cara conservador, já devem imaginar. Tenho, para comprovar isso, um apreço especial por hábitos e tradições, principalmente aquelas próximas, familiares. Sou um entusiasta dessas.

 

Falando de hábitos, de conservadorismo e de quase terceira idade, virei alguém que faz as palavras cruzadas do jornal. Não lembro exatamente quando foi que aconteceu, mas já é definidamente um hábito, um ritual. Começa que somos dos poucos que ainda assinam jornal impresso, que é entregue em nossa porta todos os dias por volta da seis e pouco da manhã. Acordo cedo, e tomo o café da manhã lendo o jornal e aproveito para fazer as palavras cruzadas do dia. No sábado, em que a edição é para os dois dias, as faço dos dois dias, e “folgo” no domingo...

 

Outra tradição que remonta a minha infância são os almoços de domingo em família. Lembro claramente os domingos na casa de meus avós maternos, em Montenegro, quando todos se reuniam para o almoço, meus avós, meus pais e meus tios. O cardápio era mais ou menos o mesmo, e sempre começava pela sopa, canja de galinha. A sopa antes da comida era uma tradição, ou hábito, do meu avô.

 

Depois, a tradição virou o almoço na casa de meus pais, e durante muitos anos foi assim, todo o domingo almoçávamos na casa deles. Depois que meu pai morreu, em 2022, esses almoços na casa da mãe ficaram mais eventuais, começamos a almoçar em restaurantes, até para não dar tanto trabalho assim para ela, mas continuamos almoçando juntos aos domingos.

 

De um tempo para cá, percebi que era hora de retomar (recriar, estabelecer) essa tradição, mas em uma versão mais atual. Chegara a minha (nossa, da Jacque e minha) vez de estabelecermos, de nos responsabilizarmos pelos encontros de domingo. Decidi, então, que os almoços de domingo serão – sempre que possível – lá em casa, e vou serei eu o cozinheiro. Não precisa ser algo super elaborado ou sofisticado. Precisamos apenas estar juntos, conviver. Agora, a coisa é comigo.

 

Até que chegue a hora do próximo(a) assumir esse posto.


Até. 

sábado, setembro 19, 2026

Sábado (e foi legal...)

 

Eu, escritor


Lançamento e sessão de autógrafos do meu terceiro livro, realizada na quinta-feira dia 17/09. Foram amigos, e foi legal...

Bom final de semana a todos.

Até.


quinta-feira, setembro 17, 2026

Sobre hoje

Um colega contou a história de um paciente que foi consultar com ele e, ao ser perguntado sobre sua profissão / ocupação, disse que era escritor. Entusiasmado com a resposta, esse colega perguntou qual o estilo do que ele escrevia, e a resposta foi de que ‘ainda não havia escrito nada’ porque estava se preparando... Detalhe, o paciente tinha trinta e três anos e, me pergunto: será que ainda morava com os pais?

 

Nada contra, evidentemente, afinal cada um sabe de si, e ninguém deve julgar a vida alheia. Admirei, contudo, a autoestima dele. Sabia que era escritor, era sua profissão e ou ocupação, mas ainda não tinha escrito nada, segundo ele próprio. Talvez, admito, escrevesse e ainda não tivesse sido publicado, e não precisasse de uma chamada validação externa (no caso publicar um livro) para se saber e se anunciar escritor.

 

Comigo não foi assim.

 

Sim, eu me considero um escritor há muito anos, no mínimo uns vinte e cinco desde que comecei a escrever regularmente, primeiro em um semanário virtual que era enviado por e-mail para alguns amigos e conhecidos, e depois em um blog que mantenho desde o ano de 2004. Ainda assim, nunca me assumi publicamente como escritor até há pouco mais de dois anos, quando publiquei o meu primeiro livro de crônicas, ‘A Sopa no Exílio’, justamente nome do blog. No ano seguinte, publiquei o segundo livro, ‘Eu Pai, Eu Filho’, com histórias sobre a paternidade e sobre, como o título diz, ser filho. E então, sim, me assumi publicamente, saí do armário.

 

Sou escritor.

 

E posso dizer isso com uma razoável dose de satisfação, de realização pessoal. Eu nutria um ‘sonho’ de muito tempo, que era autografar na Feira do Livro de Porto Alegre, realizado em dois anos consecutivos, 2024 e 2025.

 

Esse ano, contudo, não vou estar na Feira do Livro como autor. O que não quer dizer que parei de escrever, evidentemente. Aliás, e essa crônica é para dizer isso, estou lançando um novo livro de crônicas, o meu terceiro (!) livro, justamente hoje no final da tarde, a partir das 18h30 lá na School of Rock Benjamin (Rua Benjamin Flores, 57, atrás do Shopping Total), e – se quiser e puder – será bem legal encontrar você por lá.   

 

Vai ser (mais) um momento memorável para mim.

 

Estórias para contar.


Até. 

terça-feira, setembro 15, 2026

De Fora

Não me convidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer, a pagar sem ver, toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer. Sensação comum essa, não?

 

Pois é.

 

Esse sentimento de que não somos parte, que não fomos – realmente – convidados para eventos que gostaríamos de participar, de ser da turma, da ‘patota’ (quem é que usa esse termo hoje em dia?!) muitas vezes incomoda. Ninguém que gosta de se sentir excluído, claro. E acontece o tempo todo, com todo mundo, em maior ou menor grau, em diferentes situações.

 

Comigo também, obviamente, como muitas vezes já contei. E já me senti excluído muitas vezes antes, em locais em que não gostaria de me sentir assim e, pior, em situações em que não estava sendo excluído, era tudo fruto da minha imaginação. E o (meu) trabalho sempre foi no sentido de me sentir parte, me sentir conectado.

 

O problema era (ainda é?) comigo, eu sei.


A ilha, a ilha...

 

 Estou bem melhor, estou bem melhor.

 

Até. 

domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até. 

segunda-feira, setembro 07, 2026

A Sopa

O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.

 

Vou fazer chimarrão daqui a pouco.

 

Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.

 

No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me 
E intorno a me girava il mondo come sempre

 

Gira, il mondo gira 
Nello spazio senza fine 
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti 
Con la gioia e col dolore 
Della gente come me

 

Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo 
Nel tuo silenzio io mi perdo 
E sono niente accanto a te…

 

Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há  quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.

 

Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.

 

Vou fazer chimarrão.


Até.