quarta-feira, outubro 07, 2026

Preciso Falar

Não resisto.


Vou falar de política...

 

Terminado o primeiro turno das eleições, a grande derrotada é – sem sombra de dúvida – a esquerda brasileira. E não é a primeira grande derrota, todos sabemos. Em 2018 já havia acontecido e, não se enganem, o atual presidente só ganhou a eleição de 2022 porque o presidente que tentava se reeleger conseguiu a façanha de ter maior rejeição por não ter ficado mais tempo de boca fechada. Agora, se repetiu a rejeição ao atual governo, por uma série de razões. Quero focar minha análise apenas em um fator.

 

A arrogância.

 

A esquerda brasileira (que é de quem posso falar, porque acompanho de perto há anos), independente de suas virtudes (que são muitas) e seus defeitos (tantos quanto as virtudes, como todos na vida), tomou para si a convicção de que é moralmente superior, e quem discorda dela, quem pensa diferente, está errado e, pior, é limitado intelectualmente, não tem caráter, além de todos os adjetivos negativos usualmente vociferados por quem se considera melhor. Que todos os que não pensam da mesma forma – atualmente mais da metade da população do país – é de alguma forma misógina, homofóbica, racista, fascista ou outra designação negativa.

 

Ao invés de procurarem cooptar corações e mentes, que muito bem fizeram durante anos, passaram a ‘segregar’ quem tinha a mínima discordância de ideias, tornaram-se intolerantes ao contraponto. Tudo isso ao mesmo tempo que relativizaram as suas próprias contradições, seus próprios problemas.

 

Com isso, colocaram-se em um pedestal de virtudes autoproclamadas e se afastaram do mundo real, das pessoas que trabalham de sol a sol em busca de seu sustento, de melhorar de vida, das pessoas que buscam, por conta própria, resolver sua vida. Vilanizaram esses trabalhadores, vilanizaram a classe média que lutas todos os dias e quer liberdade para vencer na vida, o que é um conceito individual, já disse isso uma vez.

 

Isso é uma generalização, claro.

 

Existem pessoas e ideias boas de ambos os lados do espectro político. Ter visões de mundo diferentes e debater ideias é produtivo. Os extremismos é que são ruins. Como quem olha em um espelho, adjetivar negativamente quem apenas pensa diferente de ti, como tem se visto muito por aí nesses dias de clima eleitoral, diz muito mais sobre quem faz isso do que sobre a quem está sendo dito.

 

Pois é.


Até. 

terça-feira, outubro 06, 2026

Da Turma

Um dos problemas de se viver em uma grande bolha, que engloba pessoas muito diferentes, com opiniões e posições políticas opostas, o que é diferente do que normalmente viver em uma bolha significa, é muitas vezes ‘pisar em ovos’ para evitar incomodações, principalmente em termos de política e em dias atuais. Ainda mais que admiro, e sou amigo, de pessoas que pensam de maneira diversa, que inclusive se posicionam de maneira diferente da minha.

 

E tudo bem. Somos amigos, não é um time de futebol ou partido político que vai nos separar, causar brigas. A conversa será olho no olho, e tudo deve ficar tranquilo. 

 

O problema são as redes sociais.

 

Porque se eu compartilhar alguma coisa que acho pertinente, que reflete de alguma forma o que penso, certamente vai ter alguém que, à distância, vai ler, provavelmente interpretar de maneira equivocada, tirar conclusões definitivas sobre mim e me rotular como isso ou aquilo. Em resumo, vai ser um saco.

 

Se realmente quiserem saber, me perguntem pessoalmente. Até porque a maioria das pessoas não quer saber o que penso desse ou daquele candidato ou partido político. Querem mesmo é saber de que lado estou, se a favor ou contra suas posições, se sou da sua turma e contra a outra ou não. E mesmo sendo um entusiasta de turmas e de fazer parte, desse tipo de associações eu não quero fazer parte... 

Até. 

segunda-feira, outubro 05, 2026

A Sopa

Antes que perguntem, a resposta é não.

 

Não houve peixes pescados por mim, apesar de um ter sido fisgado e escapado e outro – grande, supomos – fez a linha estourar, na pescaria em que estive semana passada. Certamente o comentário a ser feito por quem convive comigo é “não sabia que eras pescador”. Pois é.

 

Não sou. Ou não era, ao menos.

 

Depois de muito tempo e uma pandemia, finalmente consegui – por questões logísticas – participar do grupo de pesca que incluiu alguns dos parceiros de hospital, em especial dos que almoçamos juntos ao menos três vezes por semana no restaurante aqui ao lado do hospital. Vinham insistindo que eu fosse junto há bastante tempo e, lá em 2019, havia me programado e iniciado a pagar a pescaria que seria em agosto ou setembro de 2020, mas aí houve o COVID e ficou em suspenso. Esse ano, tudo se encaixou e pude, finalmente, ir.

 

Saímos na terça-feira à noite de ônibus leito e fomos até Esquina, Argentina, às margens do rio Paraná para três dias de pescaria, que acabaram sendo dois porque no sábado choveu (muito) e decidimos – minha dupla de barco e eu – ficar no hotel. Valeu muito, como já disse.

 

Ao final das contas, e sinceramente não racionalizando por não ter pegado nada, pescar – no fundo - era o de menos. O importante era – tema recorrente em meus escritos – a turma, o grupo, o fazer parte, o pertencimento. A convivência no ônibus, as refeições juntos, as histórias, os risos, os vinhos (que nem tomo tanto assim). Os assados (churrasco, outro tema recorrente meu). Também os momentos de silêncio e reflexão no barco, o ruído da água, a quase meditação. As memórias de infância, quando velejávamos e pescávamos e eu era o mais novo junto com meu pai e seus amigos, e lembro das histórias ouvidas à noite em torno da fogueira (‘e aí aproximei meu esqueleto do cadáver dela, e ela toda melosa, toda babosa...’).

 

Voltando ao presente, o companheiro de quarto de barco e de quarto, que foi meu professor, quase com idade para ser meu pai, dividiu comigo esses silêncios, mas também conversamos sobre o passar do tempo, religião, morte, e o que se leva da vida, que são esses momentos, a convivência.

 

Estórias para contar.

 

Até.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Dos rolês aleatórios

Estou aqui, em Esquina, na Argentina, com um grupo de amigos em uma pescaria. Quem poderia imaginar, não?

Nem eu, nem eu…

Está MUITO legal!

Domingo, publico foto.

Até.




domingo, setembro 27, 2026

A Sopa

Hoje é sobre política. 

 

Por isso, já se sabe que é um crônica datada.

 

Não, não interessa o que eu penso sobre isso e muito menos em quem vou votar. Quem quiser conversar sobre isso, que fale pessoalmente comigo. Posso ouvir suas razões e posso mostrar meus argumentos, assim, de boa. Ou não, se seu clima for meio bélico quanto a isso.

 

Bom, estamos a uma semana das eleições no Brasil e, no fundo, ninguém tem certeza do que vai acontecer, qual será o resultado, para qual lado vai pender a balança dessa vez. Ambos os lados estão com os nervos a flor da pele que até beijo de novela os faz chorar (referência musical em meio a um assunto sério) e procuram (e até encontram) razões para justificar uma possível derrota.

 

Todos têm a certeza do apocalipse caso a sua linha de pensamento saia derrotada no final do processo, que terá dois turnos. Todos têm a certeza de que a única saída possível é o seu candidato vencer, independente do que o outro lado fale dele, de quem sejam seus aliados, ou cúmplices, se foi condenado ou não, se foi beneficiado por esse ou aquele esquema. Se está do mesmo lado que eu, ignoro tudo que me convém ignorar. Em meio a todo esse debate intenso, às diversas bolhas que não se tocam, uma coisa me impressiona.

 

É ver pessoas extremamente inteligentes, cultas, centradas, que têm minha admiração, com bons e fortes argumentos defendendo suas posições, se posicionarem de um lado e outro do espectro político com convicção admirável, com certezas definitivas. Terem para si a certeza de que sua linha, digamos, ideológica é a única saída possível.

 

E eu, o que penso?

 

Que a “minha bolha” é ampla o bastante para abrigar pessoas e pensamentos muito variados, e que me faz pensar e ver o mundo sob diferentes ângulos no momento de decidir. O que é muito bom, devo dizer.

 

E, se me estressar, vou pescar...


Até. 

sábado, setembro 26, 2026

Sábado (e eles no palco)

 

It's only rockn'roll and I like it...


House Band School of Rock Benjamin.
Sábado passado no Sette Gastropub.

Bom final de semana a todos.

Até.

segunda-feira, setembro 21, 2026

A Sopa

Não é sobre política, mais uma vez.

 

Sou um cara conservador, já devem imaginar. Tenho, para comprovar isso, um apreço especial por hábitos e tradições, principalmente aquelas próximas, familiares. Sou um entusiasta dessas.

 

Falando de hábitos, de conservadorismo e de quase terceira idade, virei alguém que faz as palavras cruzadas do jornal. Não lembro exatamente quando foi que aconteceu, mas já é definidamente um hábito, um ritual. Começa que somos dos poucos que ainda assinam jornal impresso, que é entregue em nossa porta todos os dias por volta da seis e pouco da manhã. Acordo cedo, e tomo o café da manhã lendo o jornal e aproveito para fazer as palavras cruzadas do dia. No sábado, em que a edição é para os dois dias, as faço dos dois dias, e “folgo” no domingo...

 

Outra tradição que remonta a minha infância são os almoços de domingo em família. Lembro claramente os domingos na casa de meus avós maternos, em Montenegro, quando todos se reuniam para o almoço, meus avós, meus pais e meus tios. O cardápio era mais ou menos o mesmo, e sempre começava pela sopa, canja de galinha. A sopa antes da comida era uma tradição, ou hábito, do meu avô.

 

Depois, a tradição virou o almoço na casa de meus pais, e durante muitos anos foi assim, todo o domingo almoçávamos na casa deles. Depois que meu pai morreu, em 2022, esses almoços na casa da mãe ficaram mais eventuais, começamos a almoçar em restaurantes, até para não dar tanto trabalho assim para ela, mas continuamos almoçando juntos aos domingos.

 

De um tempo para cá, percebi que era hora de retomar (recriar, estabelecer) essa tradição, mas em uma versão mais atual. Chegara a minha (nossa, da Jacque e minha) vez de estabelecermos, de nos responsabilizarmos pelos encontros de domingo. Decidi, então, que os almoços de domingo serão – sempre que possível – lá em casa, e vou serei eu o cozinheiro. Não precisa ser algo super elaborado ou sofisticado. Precisamos apenas estar juntos, conviver. Agora, a coisa é comigo.

 

Até que chegue a hora do próximo(a) assumir esse posto.


Até. 

sábado, setembro 19, 2026

Sábado (e foi legal...)

 

Eu, escritor


Lançamento e sessão de autógrafos do meu terceiro livro, realizada na quinta-feira dia 17/09. Foram amigos, e foi legal...

Bom final de semana a todos.

Até.


quinta-feira, setembro 17, 2026

Sobre hoje

Um colega contou a história de um paciente que foi consultar com ele e, ao ser perguntado sobre sua profissão / ocupação, disse que era escritor. Entusiasmado com a resposta, esse colega perguntou qual o estilo do que ele escrevia, e a resposta foi de que ‘ainda não havia escrito nada’ porque estava se preparando... Detalhe, o paciente tinha trinta e três anos e, me pergunto: será que ainda morava com os pais?

 

Nada contra, evidentemente, afinal cada um sabe de si, e ninguém deve julgar a vida alheia. Admirei, contudo, a autoestima dele. Sabia que era escritor, era sua profissão e ou ocupação, mas ainda não tinha escrito nada, segundo ele próprio. Talvez, admito, escrevesse e ainda não tivesse sido publicado, e não precisasse de uma chamada validação externa (no caso publicar um livro) para se saber e se anunciar escritor.

 

Comigo não foi assim.

 

Sim, eu me considero um escritor há muito anos, no mínimo uns vinte e cinco desde que comecei a escrever regularmente, primeiro em um semanário virtual que era enviado por e-mail para alguns amigos e conhecidos, e depois em um blog que mantenho desde o ano de 2004. Ainda assim, nunca me assumi publicamente como escritor até há pouco mais de dois anos, quando publiquei o meu primeiro livro de crônicas, ‘A Sopa no Exílio’, justamente nome do blog. No ano seguinte, publiquei o segundo livro, ‘Eu Pai, Eu Filho’, com histórias sobre a paternidade e sobre, como o título diz, ser filho. E então, sim, me assumi publicamente, saí do armário.

 

Sou escritor.

 

E posso dizer isso com uma razoável dose de satisfação, de realização pessoal. Eu nutria um ‘sonho’ de muito tempo, que era autografar na Feira do Livro de Porto Alegre, realizado em dois anos consecutivos, 2024 e 2025.

 

Esse ano, contudo, não vou estar na Feira do Livro como autor. O que não quer dizer que parei de escrever, evidentemente. Aliás, e essa crônica é para dizer isso, estou lançando um novo livro de crônicas, o meu terceiro (!) livro, justamente hoje no final da tarde, a partir das 18h30 lá na School of Rock Benjamin (Rua Benjamin Flores, 57, atrás do Shopping Total), e – se quiser e puder – será bem legal encontrar você por lá.   

 

Vai ser (mais) um momento memorável para mim.

 

Estórias para contar.


Até. 

terça-feira, setembro 15, 2026

De Fora

Não me convidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer, a pagar sem ver, toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer. Sensação comum essa, não?

 

Pois é.

 

Esse sentimento de que não somos parte, que não fomos – realmente – convidados para eventos que gostaríamos de participar, de ser da turma, da ‘patota’ (quem é que usa esse termo hoje em dia?!) muitas vezes incomoda. Ninguém que gosta de se sentir excluído, claro. E acontece o tempo todo, com todo mundo, em maior ou menor grau, em diferentes situações.

 

Comigo também, obviamente, como muitas vezes já contei. E já me senti excluído muitas vezes antes, em locais em que não gostaria de me sentir assim e, pior, em situações em que não estava sendo excluído, era tudo fruto da minha imaginação. E o (meu) trabalho sempre foi no sentido de me sentir parte, me sentir conectado.

 

O problema era (ainda é?) comigo, eu sei.


A ilha, a ilha...

 

 Estou bem melhor, estou bem melhor.

 

Até. 

domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até. 

segunda-feira, setembro 07, 2026

A Sopa

O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.

 

Vou fazer chimarrão daqui a pouco.

 

Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.

 

No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me 
E intorno a me girava il mondo come sempre

 

Gira, il mondo gira 
Nello spazio senza fine 
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti 
Con la gioia e col dolore 
Della gente come me

 

Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo 
Nel tuo silenzio io mi perdo 
E sono niente accanto a te…

 

Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há  quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.

 

Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.

 

Vou fazer chimarrão.


Até.   

sábado, setembro 05, 2026

Sábado (e o novo livro)


Lançamento e Sessão de Autógrafos 
Data: 17/09/2026, a partir das 18h30.
Local: School of Rock Benjamin
           Rua Benjamin FLores, 57

Espero todos lá.

Bom final de semana e bom feriado a todos.

Até.

 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Um Resumo de Alguns Anos

Quando, em fevereiro de 2019, foi encerrado o meu contrato de trabalho com uma multinacional da indústria farmacêutica, o que eu planejava fazer, mas alguns meses antes do que eu imaginava, o que é outra história, como parte do pacote de rescisão contratual, me foi proporcionada uma consultoria de carreira e recolocação profissional. Eram sessões semanais com uma psicóloga com essa especialização, por – pelo que lembro – uns seis meses, e depois teríamos uma consulta de seguimento seis meses depois da última, mas aí entrou a pandemia e nunca houve essa atualização.

 

O nosso primeiro encontro foi interessante, afinal eu não era um desempregado em busca de novos desafios, ou oportunidades, profissionais. Eu era um médico que agora não estava mais trabalhando no mundo corporativo. Então, nesse primeiro dia, eu disse que não sabia se queria voltar a trabalhar no mundo corporativo. E nem sabia se queira voltar a ser professor. Claro que os benefícios eram muitos, como segurança financeira, férias remuneradas, décimo-terceiro salário, as viagens para congressos, o fato de estar em contato com colegas de diversos países, entre outros, mas havia – evidentemente – um preço a pagar por isso, e eu não sabia se estava disposto a, vamos dizer, vender minha autonomia e liberdade por esses benefícios.

 

Foi um período muito bom, não se enganem, profissional e pessoalmente. Estabeleci relações com muitas pessoas legais, algumas nem tanto, estudei muito, participei de discussões científicas em alto nível. Cresci profissionalmente. O lado que não foi tão bom esteve ali, e me fez depois pesar o que valia mais à pena, o que eu realmente queria para minha vida.

 

Depois desses anos todos, olhando para trás e olhando para como as coisas são agora, estou satisfeito com minhas escolhas, com minha vida, com quem faz parte dela. 

 

Era isso que eu queria dizer.


Até. 

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

Agosto, mês cujo significado para mim mudou muito ao longo dos anos, migrando do mês difícil e chuvoso de inverno representado pelo acidente que tive, e que me deixou em uma UTI por treze dias, no longínquo ano de mil novecentos e noventa, para o mês em que nos casamos, a Jacque e eu, há trinta anos completados ontem, e em que nasceu a Marina, há dezoito, terminou. Normalmente, eu celebraria o final de agosto e depositaria minhas mais altas expectativas no mês de setembro e na primavera que chega por esses dias.

 

Não mais, ao menos no que se refere ao mês de agosto, que esse ano me pareceu passar muito rápido, afinal tornou-se um mês de celebrações pessoais, tornou-se um mês festivo, pessoalmente falando. Ainda assim, sempre é bom iniciar setembro com a promessa de vida em meu coração, como cantaram Tom e Elis, sabendo que, e talvez até porque, não é o final do verão, é o recomeço do ciclo que vai – justamente – desembocar no verão (de que gosto bem mais desde que voltei do inverno do Canadá, há vinte anos).

 

Gosto, como já disse, dessas simbologias, desses reinícios, desses novos olhares sobre a vida. Da perspectiva, da possibilidade que a vida proporciona, ou que criamos, de fazer diferente, de – na medida do possível – moldar a realidade, a nossa realidade, conforme desejamos ser, ou já somos.

 

Em breve, em breve.


Até. 

domingo, agosto 30, 2026

A Sopa

1996.

 

Em janeiro do ano de mil novecentos e noventa e seis foi lançado o Motorola Star Tac, o primeiro telefone celular tipo flip (dobrável em concha) do mundo, além de ser o menor e o mais leve da época. Estranhamente para os dias atuais, ele só fazia e recebia ligações. Naquela época, eu tinha um Motorola PT 550, o ‘tijolão, que muito andou em minha cintura e que servia também para responder o bipe da pneumologia do Hospital da PUC, já que eu era Médico-Residente de 1º ano.

 

Foi nesse ano que nasceu a ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado, assim como foram desenvolvidos os primeiros coquetéis de drogas combinadas de alta eficácia contra o HIV, e o Brasil foi pioneiro na saúde pública ao iniciar a distribuição desses medicamentos de forma gratuita pelo SUS. Em fatos relacionados à música, foi o ano do acidente com os Mamonas Assassinas e da morte do Renato Russo, vocalista e líder da Legião Urbana, banda referência na minha história pessoal.  

 

Era outro mundo.

 

Trinta de agosto de mil novecentos e noventa e seis foi uma sexta-feira, em que ainda trabalhei pela manhã e, à tarde, fomos, a Jacque, eu e – literalmente – testemunhas, a um cartório no centro de Porto Alegre onde nos casamos no civil, pois no dia seguinte nos casaríamos na Igreja e festejaríamos com um festa (modesta, nos padrões de hoje) lá no clube Veleiros do Sul. Casamos no cartório, e fomos celebrar entre alguns pouquíssimos amigos (e testemunhas) no café da Casa de Cultura Mário Quintana. 

 

Não muito tarde, a larguei na casa de um tio dela, e voltei para casa porque o dia seguinte, sábado, trinta e um de agosto, seria um longo e feliz dia.

 

Como vêm sendo os dias há 30 anos...


Até. 

sábado, agosto 29, 2026

Sábado (e em um domingo desses)

Churrasqueiro freelancer*


 
 * Aquele que não tem churrasqueira em casa e faz churrascos cada vez em um local diferente...


Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, agosto 26, 2026

A Fragilidade das Coisas

Tenho pensado na fragilidade da vida.

 

O ano de agosto de mil novecentos e noventa ficou marcado, em minha história pessoal, por um acidente automobilístico que me deixou em coma em uma UTI por doze dias seguidos por mais dias internado antes de voltar para casa. Estava no segundo ano da faculdade de medicina e já circulava pelo mesmo hospital em que fiquei internado e onde até hoje trabalho.

 

Eu tinha dezoito anos.

 

Após a recuperação física, o que realmente pegou foi o momento em que me dei conta que estive muito próximo da morte, e que minha vida teria acabado ali, assim, estupidamente, porque pegamos no sono, o motorista e eu, e o carro em que estávamos voltando para casa após uma noite de festa bateu (batemos) em um outro que estava estacionado, bem do meu lado, e bati a cabeça e acabei ‘dormindo’ por doze dias, como falei. O fato de ainda não ter feito muito do que eu imaginava na vida e a possibilidade de ter tudo acabado realmente me perturbou.

 

Foi um período confuso, para mim, e fui auxiliado na terapia, que me fez pensar ainda mais em tudo, um ainda ‘guri’ de dezoito, dezenove anos que lia Sartre, e olhar a vida sob uma perspectiva diferente. Nem sempre consegui, mas a ideia de que ‘o que são pequenos problemas do cotidiano frente ao grande plano da existência?’ esteve presente em momentos da vida. Como eu disse, nem sempre consegui ter essa visão de perspectiva, mas sigo tentando até hoje ter isso em mente.

 

Porque tudo pode mudar em uma fração de segundos. O que estava bem e parecia certo e imutável não é mais no momento seguinte. E temos que lidar com isso o tempo todo. Muito da ansiedade tem a ver com isso, a antecipação do desastre que não aconteceu (e, na maioria das vezes, não acontecerá).

 

Viver o agora, aproveitar o hoje. Encarar um dia após o outro.

 

Não vos inquieteis, pois, com o dia de amanhã. O amanhã cuidará de si mesmo. Basta, a cada dia, o seu mal.

 

(Uma citação bíblica para terminar).


Até. 

segunda-feira, agosto 24, 2026

A Sopa

Velho.

 

Não tenho problema com o envelhecer. Tenho questões com a ideia da morte, isso sim, mas isso é conversa para outro momento. O foco aqui e agora é o envelhecer.

 

Como disse, e esse é um fato com o qual lido diariamente como médico de muitas doenças associadas à idade, envelhecer é parte da vida, e sempre reforço a ideia de que quero chegar lá, afinal a outra opção, o não chegar a envelhecer, até hoje ninguém – ao menos de minhas relações – voltou para dizer que é melhor. Então, fato da vida, vou envelhecer. Biologicamente, ao menos.

 

Já fui muito mais velho que sou hoje em dia, admito.

 

Mais sério, mais circunspecto, me sentindo menos parte das coisas. O que não tem a ver com idade, eu sei, mas o fato é que, sim, já fui mais velho. Sempre acordei – e continuo acordando – cedo e de sempre gostei de dormir cedo. Em uma ou outra vez, adormeci em meio a festas, até ao lado de caixas de som. Era conhecido por isso.

 

Os últimos anos, contudo, testemunharam o fato de eu ter estado progressivamente me tornando mais jovem, mais leve muitas vezes. Com relação ao sono, ainda curto muito a ideia de dormir cedo, ainda mais no inverno, mas – no geral – tenho sido mais flexível neste aspecto, digamos assim.

 

Como comentei por esses dias, tenho agora uma filha de dezoito anos. Comemorou isso no final de semana passado, e quero falar do sábado à noite, em que alguns amigos dela foram lá em casa e, entre outras coisas, fizeram um karaokê. Foi divertido para eles, e a Jacque e eu demos espaço para que eles ficassem à vontade.

 

Por volta das vinte e três horas, fui dormir. Fechei a porta do quarto, deitei e apaguei a luz. Na sala, eles cantavam e riam, e o que eu mais ouvia eram as risadas deles. Antes do pegar sono, percebi que havia me tornado o pai que vai dormir enquanto os jovens se divertem na sala.

 

Velho, velho...

 

Foi bem legal.

 

Até.

 

sábado, agosto 22, 2026

Sábado (e ela fez 18 anos essa semana)

 

Nós três...


A vida é muito boa com ela e também por causa dela.

Bom final de semana a todos.

Até.

sexta-feira, agosto 21, 2026

Errei

Ontem cedo, no trânsito, saindo de casa, fechei um carro que estava logo atrás de mim. Foi um vacilo, um erro, um descuido, uma afobação. Estava distraído. Logo eu, que procuro ser o mais correto e cortês no trânsito, logo eu, que me incomodo ao testemunhar as pessoas cometendo infrações voluntariamente pelas ruas diariamente. Logo eu...

 

Não tem justificativa.

 

Não provoquei nenhum acidente, não interrompi o trânsito, não houve consequências aparentes, exceto irritar – justificadamente – o motorista que foi fechado justamente ali, na esquina da André Puente com a Ramiro Barcelos. O nosso caminho era em parte o mesmo, então ele foi atrás de mim uma parte do caminho até passar ao meu lado, lentamente, baixar o vidro e me olhar com ares de reprovação, no que eu, atrás do vidro com película, apenas fiz sinal de me desculpar, de que eu havia errado. O pior: ao me desculpar, constrangido, eu o reconheci. Vizinho de rua, figura conhecida do rádio gaúcho, a quem ouço com frequência. Já estivemos juntos em eventos, mas sei que ele não lembra de mim.

 

O que não faz diferença no fato de que eu errei no trânsito e tentei me desculpar como faria com qualquer outro motorista a quem eu tivesse causado algum desconforto. Entendo a irritação dele ao ser ‘fechado’, porque eu também me incomodo quando acontece comigo, e é por isso que procuro sempre dirigir com todo o cuidado do mundo.

 

Ontem não, ontem eu vacilei, ontem eu errei...


Até. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Dezoito

Há muitos – muitos mesmo - anos, ouvi – provavelmente – em aula que nossas artérias começavam e “envelhecer” aos dezoitos anos de idade. Nem sei mesmo se era isso, mas foi a mensagem que gravei. Fui para casa e escrevi um poema que terminava com ‘... a vida acaba aos dezoito’.

 

Bom, a Marina completa dezoito anos hoje.

 

E preciso dizer que aprendi, desde que escrevi o tal poema, que a vida não acaba – evidentemente – quando completamos essa idade, apesar desta ser a melhor fase de todas. Assim como os vinte serão a melhor fase de todas, e depois os vinte e cinco, os trinta, os trinta e cinco anos e assim por diante. A melhor fase da vida é agora, é hoje.

 

A melhor idade é a que estamos no momento.

 

Posso te dizer, além disso, de que a vida é melhor quando vivemos no presente, não presos ao que passou e não apenas na expectativa do que virá. O que virá depende exclusivamente do que fazemos hoje, de como vivemos o agora. A vida é melhor hoje do que ontem, e amanhã será melhor.

 

E preciso te dizer mais: contigo, filha, a vida é cada dia uma surpresa boa e uma felicidade. Somos muito felizes contigo e também por tua causa.

 

Feliz Aniversário.


Te amo. 

quarta-feira, agosto 19, 2026

Quieto, vendo a banda passar

É melhor ser feliz do que ter razão.

 

Acho que a expressão é essa, com variações do tipo ‘é melhor beijar do que ter razão’, por exemplo, mas a mensagem é clara: existem situações em que não vale à pena se indispor com outros, mesmo que estejam errados, ou que insistam em que tudo seja exatamente do jeito que querem, se não ficarão como crianças mimadas. Talvez até se joguem no chão e esperneiem, não sei, não tenho ficado para testemunhar...

 

O fato é que tem brigas que não valem serem compradas. Quase nada, ou muito pouca coisa, na vida é tão importante - e estou ainda aprendendo - a ponto de nos “obrigar” a “lutar” por ela. Hoje em dia, eu sei quais são as brigas que quero comprar. As outras, deixo para os outros.

 

Fico quieto, dou um passo atrás, deixo que discutam. Se parece importante para elas, quem sou eu para contrariá-las? Só não me peçam para compactuar com tudo. Fiquem bem, mas longe de mim.

 

Abraço e até.

 

PS – Esse texto não é um indireta para ninguém, pode chamá-lo de (mais uma) declaração de princípios. Ou não... 

domingo, agosto 16, 2026

A Sopa

Uma das vantagens do inverno, em minha opinião, claro, são as noites de sono. Durmo MUITO melhor no inverno. Aliás, se dependesse exclusivamente da minha vontade, hibernar seria mandatório. Apreciemos a sabedoria dos ursos...

 

Falando sério agora, enquanto chove lá fora – o que reforça meu argumento – fico aqui lembrando que quando morei no Canadá era diferente. A melhor época para dormir era o início do outono, quando as temperaturas já caíam à noite e a calefação ainda não estava ativa. No verão era muito quente (e não tinha ar-condicionado, apenas ventilador de teto) e no inverno também era quente, justamente pela calefação. Dessa forma, aquele breve período de temperaturas um pouco mais baixas em que dormia com a janela parcialmente aberta e podia me tapar com o edredom era a melhor.

 

Aqui no Sul do Mundo, onde vivo, a melhor época para dormirmos é o inverno.

 

Com o barulho da chuva, então, melhor ainda, mas sem exageros, como a noite passada em que tive de levantar de madrugada para me certificar se estava tudo fechado, e relâmpagos iluminavam e trovões ribombavam na noite em meio à chuva. Quase a ponto de perder o sono. Quase, porque – sim – voltei a dormir.

 

Como sempre, acordei cedo, por volta das sete horas da manhã para tomar café, ler o jornal impresso na edição do final de semana em silêncio enquanto as meninas ainda dormiam. Aproveitar o domingo de descanso porque a semana termina com a Marina completando dezoito anos de idade, e agosto, quando terminar, teremos completado – a Jacque e eu – trinta anos de casados.

 

O tempo passa rápido. Sigamos vivendo.


Até. 

sábado, agosto 15, 2026

Sábado (e um túnel do tempo)

 

(Felipe, Salamí, Baldi, eu e Tarso) 


Sexto ano de medicina na PUCRS.
Lançamento da ACTA Médica 94.

Bom final de semana a todos.

Até.

quinta-feira, agosto 13, 2026

Em uma Tarde de Chuva

De repente, parece que fiquei sem assunto.

 

Como se tivesse dito tudo o que precisava dizer, como se não tivesse nada de novo a comentar. Como, arrisco a dizer, fosse a hora de me calar, de silenciar, de me recolher ao meu canto e apenas observar a passagem do tempo. Subir para o alto da montanha, para ver a planície, os homens pequeninos, a aldeia de longe, longe, longe... 

 

Talvez deixar a convivência entre os mortais e me recolher à meditação e à contemplação da natureza. Passar dias ensimesmado, recolhido em meus pensamentos, avaliando cada ação já tomada, cada caminho seguido, cada porta deixada para trás, cada possibilidade pensada.


Talvez precisasse fazer isso, posso ter pensado.

 

Não por muito tempo, contudo.

 

Logo retornei ao momento presente e às pessoas com quem convivo, com quem vivo. Olhei o dia chuvoso, a umidade, as calçadas molhadas e as folhas caídas. Olhei para os dias que vem por aí. Um pouco mais adiante, olhei para a primavera que chega em pouco mais de um mês e – depois de muito tempo – antecipei a alegria da estação de dias progressivamente mais longos, de temperaturas amenas, e manhãs de sábado com sol. 


Até. 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Ainda sobre minha bolha (e zona de conforto)

Entre leituras que tenho feito por esses dias, li um texto que dizia que devemos ‘abandonar os locais que nos causam desconforto’. Onde não nos sentimos à vontade, onde não nos sentimos parte do todo. 

 

Contrasta com aqueles que dizem que devemos ‘sair de nossa zona de conforto’, pois estão nos orientando a – justamente – migrar de um lugar onde estamos bem, tranquilos, para um que nos deixa desconfortáveis. Seguindo as duas orientações, estaremos sempre de um lado a outro, do conforto para o desconforto, e vice e versa, num ciclo infinito, em um movimento constante, pendular, entre nos sentirmos em casa e nos sentirmos fora de nosso lugar.

 

Não sei.

 

Eu gosto da minha zona de conforto. É bom, confortável, como o nome diz. Por isso a ideia de sair voluntariamente dela me é estranha. Por que eu sairia de onde estou bem para um lugar que não é bom ou, no mínimo, não é confortável? Prefiro ficar no conforto da minha casa, obrigado.

 

O que não significa estagnação e tédio.

 

Como já escrevi antes, é da minha zona de conforto que vou crescer, vou progredir. Não vou sair da minha bolha, vou ampliá-la para incluir todos aqueles que eu considero significativos e importantes. Se eles não quiserem, paciência. A perda será deles...

 

Até.

 

segunda-feira, agosto 10, 2026

A Sopa

Que estar e querer ficar em nossa zona de conforto é uma atitude inteligente, além de saudável, porque é a partir dela que vamos progredir, evoluir, e que quem pensa diferente – um direito de cada um – está errado, já ficou bem estabelecido, ao menos para mim. Podemos avançar e desmascarar outras desserviços que as pessoas tem difundido por aí.


Não vou falar do café com ou em açúcar ou adoçante. 


Quero, isso sim, levantar a voz contra todos aqueles que pregam por aí os benefícios do banho frio. Aqueles que promovem o que chamam de desafio dos trinta dias para ‘resetar’ a vida, para que nos tornemos ‘irreconhecíveis’ e incluem na lista de afazeres um banho gelado todas as manhãs.

 

Por quê?!

 

Perderam a razão?

 

Está errado, não é bom. Passar um mês tomando banho frio no inverno gaúcho só vai tornar alguém irreconhecível através do mau humor e da perda da vontade de viver. No verão, e apenas no verão, tudo bem, é realmente bom. Fora isso, NÃO. Não tem porque. A menos que seja para começar o dia tão mal que qualquer coisa que aconteça depois vai ser melhor que um banho frio logo ao acordar.

 

Algo do tipo, ‘tive problemas no trabalho, ou em casa?, pelo menos não é o banho frio que tomei hoje mais cedo”... Talvez seja isso, seja terapêutico no sentido de que a pior coisa que poderia acontecer no teu dia foi logo ao acordar, com um banho gelado. Nada será pior que isso. Depois de um banho frio logo de manhã, até um café puro sem adoçar é bom, ou pelo menos aceitável...

 

Vamos acabar com essa bobagem de que banho frio (quando não estamos no verão) é bom.

 

Não é.

 

Até.

sexta-feira, agosto 07, 2026

Sábado (e é dia de trabalho...)

 

Encontro dos Pneumologistas do RS


Em Bento Gonçalves, para o encontro com colegas e atualização científica.

Saiu sexta porque me passei...

Bom final de semana a todos...

Até.

quinta-feira, agosto 06, 2026

Dinâmica

Ainda sobre o pertencimento.


Uma questão que não é só minha, mas humana e ancestral, é – por mais que nem todos reconheçam – a necessidade de, justamente, pertencer a algo maior que si mesmo. Pode ser um grupo de amigos ou semelhantes, um partido político, uma ideologia ou religião, o participar é um imperativo humano. Com suas exceções, evidentemente.

 

Li ou ouvi, esses tempos, alguém dizendo que “se estivermos sempre procurando razões para não pertencer, sempre vamos encontrá-las”.  O que fez todo o sentido para mim, olhando para o meu próprio umbigo, refletindo sobre mim, sobre quem e como sou. O - não sei se realmente o é - paradoxo entre querer fazer parte e a necessidade reafirmar a individualidade, de seguir o próprio caminho individual, eventualmente se afastando do que seria esperado pelo tal grupo de que se faz parte.

 

Tergiverso, eu sei.

 

Estava apenas pensando que essa sensação de pertencer pode ser, e é, algo dinâmico, que pode mudar com o tempo, e nos sentimos mais ou menos parte de determinados grupos e/ou lugares com o passar do tempo. Talvez seja um balanço, talvez haja um equilíbrio: quando, por qualquer razão, nos sentimos menos parte de um grupo, acabamos nos sentindo mais parte de outro, mais acolhidos por outros grupos.

 

É da vida.

Até.

domingo, agosto 02, 2026

A Sopa

Assim como os astecas e os maias, ou uma forma de se perceber a mudança do mundo em um sábado à noite. Do sofá de casa, em família.

 

Por um rara conjunção de astros, estávamos, a Marina, a Jacque e eu em casa em uma noite de sábado. Sem programas, sem festas, sem compromissos. Apenas jantamos e então paramos em frente à televisão. 

 

Depois de muito tempo, decidimos “zapear” pelos canais da tevê a cabo ao invés de buscar algo no streaming. Olhando sem muito interesse em nada do que estava passando, acabamos nos deparando com uma maratona de filmes do Harry Potter. Paramos para assistir.

 

Temos história com os filmes e livros do Harry Potter. Apresentamos à Marina quando ela tinha sete anos de idade, nós com receio de que – pela idade – se assustasse (o primeiro que vimos foi o segundo filme, “Harry Potter e a Câmara Secreta”). Nem um pouco. Aliás, virou, à época, meio que uma obsessão. Assistimos juntos a todos os filmes diversas vezes, virou um lance nosso. Temos em casa todos os DVDs e todos os livros, e de tempos em tempos. Teve até um aniversário temático, além de algumas idas aos parques da Universal em Orlando (e até Los Angeles, em março passado).

 

Com o tempo, claro, isso ficou para trás.

 

Quando, ao assistir televisão em um sábado à noite, nos deparamos com uma maratona de filmes do Harry Potter, decidimos assistir. Já estava no sexto filme, já mais da metade, e ainda faltariam dois filmes na sequência. Cogitamos a possibilidade de ir até o fim, mas algo aconteceu.

 

Os comerciais.

 

O filme era interrompido de tempos em tempos por intervalos comerciais, que eram sempre os mesmos, panelas ‘Red alguma coisa’, entre outros (Red Silver, pesquisamos). Malditas panelas que cortavam o filme. Malditos comerciais.

 

Lembrei então de como era a vida quando não havia outra opção além da televisão aberta e os poucos canais disponíveis, o dois, o quatro, o cinco, o dez e o doze. Dirão os saudosistas que era outros tempos, melhores, e associarão isso a doces memórias de tempos vividos.

 

Não eram.

 

A vida, o mundo, são muito melhores agora.

 

Até.