Viajar amplia nossa visão de mundo.
Ter, ou criar, a oportunidade de conhecer lugares diferentes, países, cidades, pessoas, deveria sempre nos tornar mais tolerantes, mais abertos à diversidade, seja de pensamento, de cultura, de modo de vida. Que cada um tem o direito de viver da forma que entende ser a melhor possível para si, e ninguém tem direito de determinar como o outro deve viver. Simples assim, na teoria. Quanto à prática, bom, deixa para lá.
Como eu já contei, a primeira vez em que saí do país foi aos vinte e três anos de idade, já médico e namorando a pessoa com quem estou casado até hoje, mais de trinta anos depois. A partir dessa primeira vez, organizamos nossa vida à época priorizando as viagens muito mais que bens materiais. Tivemos o benefício de ter moradia própria desde que nos casamos, então direcionamos muito a vida em poder visitar lugares diversos e revisitar aqueles mais queridos.
Todas as viagens foram especiais, claro, umas mais e outras menos, mas sempre nos deixaram com ótimas lembranças, momentos e situações realmente memoráveis. Assim como a vida, não existe uma fórmula única de como melhor viajar.
Viajamos muito em grupos de amigos, em família, Jacque, Marina e eu, e apenas a Jacque e eu, de avião, de carro, mas ainda não de navio, infelizmente. Até morei fora do Brasil um tempo. Todas foram boas – não existe viagem ruim, até que se prove em contrário – de sua maneira. Em toda viagem, acredito que voltei um pouco diferente de quando saí, mas nunca perdi o encantamento do processo, da experiência.
Talvez isso seja o importante: por mais comum que seja, por mais habituado estejamos com tudo isso, não podemos perder esse encantamento quase infantil (e isso é um elogio) de conhecer um pouquinho mais das pessoas, do mundo.
Lembro sempre que, há alguns anos, quase dez, na verdade, estava viajando a trabalho para um congresso na França (era especialista médico de um laboratório da indústria farmacêutica). Estava saindo três dias antes do habitual porque encontraria a Jacque, a Marina e a Karina (minha cunhada) em Paris, onde elas ficariam de férias enquanto eu estaria trabalhando. Saí sozinho de Porto Alegre, com conexões no Rio e em Amsterdam antes de pousar em Paris. Voava de executiva, benefício de se trabalhar no mundo corporativo.
Durante a escala em Amsterdam, enquanto circulava pelo terminal do aeroporto de Schiphol em direção ao portão de embarque do voo AMS – CDG, parei por um momento, olhei em volta, de onde eu estava, e sorri. Pensei em minha história, em onde estava naquele momento de vida e em quem eu iria encontrar em Paris antes de começar o trabalho. O que eu já tinha visto, o que eu ainda tinha para ver e as pessoas que eu ainda conheceria.
Tinha valido à pena. E tem valido até hoje.
Até.


