terça-feira, setembro 15, 2026

De Fora

Não me convidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer, a pagar sem ver, toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer. Sensação comum essa, não?

 

Pois é.

 

Esse sentimento de que não somos parte, que não fomos – realmente – convidados para eventos que gostaríamos de participar, de ser da turma, da ‘patota’ (quem é que usa esse termo hoje em dia?!) muitas vezes incomoda. Ninguém que gosta de se sentir excluído, claro. E acontece o tempo todo, com todo mundo, em maior ou menor grau, em diferentes situações.

 

Comigo também, obviamente, como muitas vezes já contei. E já me senti excluído muitas vezes antes, em locais em que não gostaria de me sentir assim e, pior, em situações em que não estava sendo excluído, era tudo fruto da minha imaginação. E o (meu) trabalho sempre foi no sentido de me sentir parte, me sentir conectado.

 

O problema era (ainda é?) comigo, eu sei.


A ilha, a ilha...

 

 Estou bem melhor, estou bem melhor.

 

Até. 

domingo, setembro 13, 2026

A Sopa

Desapegar.

 

Temos (tenho, para ser sincero) a tendência de querer conservar aquilo que nos é agradável, que nos causou boas sensações e criou boas memórias. Não queremos (eu não quero) – evidentemente – esquecer o que foi bom e, mais, existe essa vontade de reviver bons momentos, essa já faladas boas sensações. Então muitas vezes nos fixamos (não sei se essa é a melhor palavra) em momentos do passado. E a pessoas também.

 

Sempre digo que tenho o maior respeito e valorizo aquelas pessoas que participaram da minha vida, que tiveram importância em determinado momento, e que são parte da minha história. O erro talvez ocorra quando quero (ou tento) fazer com que elas permaneçam quando já não faz mais sentido, quando o tempo que tinham em minha vida (e eu na delas) acabou, quando não existe mais conexão, o que é normal da vida.

 

Demoro, muitas vezes, em desapegar.

 

Não que a vida não siga seu fluxo, não siga em frente. Segue, sigo. Só que existem essas janelas, esses momentos em que tenho vontade de recuperar, reanimar relações que se perderam com o tempo. Erro meu, eu sei. É parte de quem sou, paciência. Também, por outro lado, vou aprendendo a reconhecer essas situações cada vez mais rápido, e – sim, a como já disse, a desapegar.

 

Pessoas, e coisas.


Até. 

sábado, setembro 12, 2026

Sábado (e cenas de um casamento)


 

Há 30 anos...


Parece título de filme italiano do século vinte...
Éramos tão jovens.

Bom final de semana todos.

Até.

quarta-feira, setembro 09, 2026

Não Quero Mais

Política.

 

Não vou falar de política. Se eu decidisse fazer, me indisporia com todo mundo, de um lado e de outro do espectro político, dependendo do que estivéssemos falando especificamente naquele momento. E aqui não é lugar para polêmicas com relação à política. Se vou criar polêmicas e comprar brigas, o que faço de tempos em tempos, certamente não será por política.

 

O que dá para dizer com toda tranquilidade do mundo, e isso não é apenas sobre política, é que - se você diz que está entendendo tudo o que acontece, que sabe de tudo – você está enganado, iludido. Ou você quer, ou precisa, de um grau de certeza que definitivamente não é possível de ter. Se você acha que está por dentro de tudo, você vive uma ilusão, uma fantasia.

 

Se você se posiciona com convicção sobre determinado assunto atual – e aí, sim, pode ser um pouco sobre política – você está mais para torcedor do que para analista da realidade. Lamento dizer, lamento estragar sua fantasia (sim, eu sei que não vou mudá-la...).

 

Já eu, tudo o que sei é que nada sei.

 

Já quis entender tudo, estar por dentro, participar de tudo.

 

Não quero, nem tento mais entender.

 

Simplesmente não sei, e está tudo bem.


Até. 

segunda-feira, setembro 07, 2026

A Sopa

O céu dessa manhã de segunda-feira é plúmbeo, e a temperatura lá fora está abaixo dos dez graus centígrados. Feriado, vou ficar por aqui, quieto, no meu canto. O silêncio predomina na casa, apenas quebrado pelo ruido da fonte de água dos gatos ao fundo e pelas teclas do notebook enquanto digito essa Sopa que não saiu ontem pelo sol que me fez ir para rua de bicicleta e depois pelas atividades em casa, na cozinha.

 

Vou fazer chimarrão daqui a pouco.

 

Vou pegar o violão ou a guitarra e fazer meus exercícios diários, praticar na tentativa de melhorar minhas habilidades motoras, escalas, riffs, o nosso repertório atual, as novas músicas, alguns trechos de solos que tenho que melhorar a fluência, e algumas músicas com absolutamente nenhuma relação com o que estamos tocando atualmente, como Cartola e Jimmy Fontana com sua ‘Il mondo’, música recorrente que não paro de pensar / cantar nas últimas semanas, sem uma razão aparente.

 

No
Stanotte amore non ho più pensato a te
Ho aperto gli occhi per guardare intorno a me 
E intorno a me girava il mondo come sempre

 

Gira, il mondo gira 
Nello spazio senza fine 
Con gli amori appena nati
Con gli amori già finiti 
Con la gioia e col dolore 
Della gente come me

 

Oh mondo
Soltanto adesso io ti guardo 
Nel tuo silenzio io mi perdo 
E sono niente accanto a te…

 

Sim, confesso, tenho um gosto especial por música italiana dos anos sessenta, algumas até de antes, do Festival de San Remo, cidade praiana que visitamos há  quase vinte anos, e ficamos em um hotel que, apesar de muitos carros no estacionamento não víamos pessoas circulando, onde tivemos a sensação de que teríamos nossos rins extraídos durante a noite, e que – durante o café da manhã – do nada entrou um padre e um policial (ou foi só o padre e estou citando uma música do Caetano?). Já faz tempo, não tenho certeza.

 

Enfim, é segunda-feira, feriado, olho para o céu plúmbeo lá fora e aqui em casa o silêncio ainda predomina.

 

Vou fazer chimarrão.


Até.   

sábado, setembro 05, 2026

Sábado (e o novo livro)


Lançamento e Sessão de Autógrafos 
Data: 17/09/2026, a partir das 18h30.
Local: School of Rock Benjamin
           Rua Benjamin FLores, 57

Espero todos lá.

Bom final de semana e bom feriado a todos.

Até.

 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Um Resumo de Alguns Anos

Quando, em fevereiro de 2019, foi encerrado o meu contrato de trabalho com uma multinacional da indústria farmacêutica, o que eu planejava fazer, mas alguns meses antes do que eu imaginava, o que é outra história, como parte do pacote de rescisão contratual, me foi proporcionada uma consultoria de carreira e recolocação profissional. Eram sessões semanais com uma psicóloga com essa especialização, por – pelo que lembro – uns seis meses, e depois teríamos uma consulta de seguimento seis meses depois da última, mas aí entrou a pandemia e nunca houve essa atualização.

 

O nosso primeiro encontro foi interessante, afinal eu não era um desempregado em busca de novos desafios, ou oportunidades, profissionais. Eu era um médico que agora não estava mais trabalhando no mundo corporativo. Então, nesse primeiro dia, eu disse que não sabia se queria voltar a trabalhar no mundo corporativo. E nem sabia se queira voltar a ser professor. Claro que os benefícios eram muitos, como segurança financeira, férias remuneradas, décimo-terceiro salário, as viagens para congressos, o fato de estar em contato com colegas de diversos países, entre outros, mas havia – evidentemente – um preço a pagar por isso, e eu não sabia se estava disposto a, vamos dizer, vender minha autonomia e liberdade por esses benefícios.

 

Foi um período muito bom, não se enganem, profissional e pessoalmente. Estabeleci relações com muitas pessoas legais, algumas nem tanto, estudei muito, participei de discussões científicas em alto nível. Cresci profissionalmente. O lado que não foi tão bom esteve ali, e me fez depois pesar o que valia mais à pena, o que eu realmente queria para minha vida.

 

Depois desses anos todos, olhando para trás e olhando para como as coisas são agora, estou satisfeito com minhas escolhas, com minha vida, com quem faz parte dela. 

 

Era isso que eu queria dizer.


Até. 

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

Agosto, mês cujo significado para mim mudou muito ao longo dos anos, migrando do mês difícil e chuvoso de inverno representado pelo acidente que tive, e que me deixou em uma UTI por treze dias, no longínquo ano de mil novecentos e noventa, para o mês em que nos casamos, a Jacque e eu, há trinta anos completados ontem, e em que nasceu a Marina, há dezoito, terminou. Normalmente, eu celebraria o final de agosto e depositaria minhas mais altas expectativas no mês de setembro e na primavera que chega por esses dias.

 

Não mais, ao menos no que se refere ao mês de agosto, que esse ano me pareceu passar muito rápido, afinal tornou-se um mês de celebrações pessoais, tornou-se um mês festivo, pessoalmente falando. Ainda assim, sempre é bom iniciar setembro com a promessa de vida em meu coração, como cantaram Tom e Elis, sabendo que, e talvez até porque, não é o final do verão, é o recomeço do ciclo que vai – justamente – desembocar no verão (de que gosto bem mais desde que voltei do inverno do Canadá, há vinte anos).

 

Gosto, como já disse, dessas simbologias, desses reinícios, desses novos olhares sobre a vida. Da perspectiva, da possibilidade que a vida proporciona, ou que criamos, de fazer diferente, de – na medida do possível – moldar a realidade, a nossa realidade, conforme desejamos ser, ou já somos.

 

Em breve, em breve.


Até. 

domingo, agosto 30, 2026

A Sopa

1996.

 

Em janeiro do ano de mil novecentos e noventa e seis foi lançado o Motorola Star Tac, o primeiro telefone celular tipo flip (dobrável em concha) do mundo, além de ser o menor e o mais leve da época. Estranhamente para os dias atuais, ele só fazia e recebia ligações. Naquela época, eu tinha um Motorola PT 550, o ‘tijolão, que muito andou em minha cintura e que servia também para responder o bipe da pneumologia do Hospital da PUC, já que eu era Médico-Residente de 1º ano.

 

Foi nesse ano que nasceu a ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado, assim como foram desenvolvidos os primeiros coquetéis de drogas combinadas de alta eficácia contra o HIV, e o Brasil foi pioneiro na saúde pública ao iniciar a distribuição desses medicamentos de forma gratuita pelo SUS. Em fatos relacionados à música, foi o ano do acidente com os Mamonas Assassinas e da morte do Renato Russo, vocalista e líder da Legião Urbana, banda referência na minha história pessoal.  

 

Era outro mundo.

 

Trinta de agosto de mil novecentos e noventa e seis foi uma sexta-feira, em que ainda trabalhei pela manhã e, à tarde, fomos, a Jacque, eu e – literalmente – testemunhas, a um cartório no centro de Porto Alegre onde nos casamos no civil, pois no dia seguinte nos casaríamos na Igreja e festejaríamos com um festa (modesta, nos padrões de hoje) lá no clube Veleiros do Sul. Casamos no cartório, e fomos celebrar entre alguns pouquíssimos amigos (e testemunhas) no café da Casa de Cultura Mário Quintana. 

 

Não muito tarde, a larguei na casa de um tio dela, e voltei para casa porque o dia seguinte, sábado, trinta e um de agosto, seria um longo e feliz dia.

 

Como vêm sendo os dias há 30 anos...


Até. 

sábado, agosto 29, 2026

Sábado (e em um domingo desses)

Churrasqueiro freelancer*


 
 * Aquele que não tem churrasqueira em casa e faz churrascos cada vez em um local diferente...


Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, agosto 26, 2026

A Fragilidade das Coisas

Tenho pensado na fragilidade da vida.

 

O ano de agosto de mil novecentos e noventa ficou marcado, em minha história pessoal, por um acidente automobilístico que me deixou em coma em uma UTI por doze dias seguidos por mais dias internado antes de voltar para casa. Estava no segundo ano da faculdade de medicina e já circulava pelo mesmo hospital em que fiquei internado e onde até hoje trabalho.

 

Eu tinha dezoito anos.

 

Após a recuperação física, o que realmente pegou foi o momento em que me dei conta que estive muito próximo da morte, e que minha vida teria acabado ali, assim, estupidamente, porque pegamos no sono, o motorista e eu, e o carro em que estávamos voltando para casa após uma noite de festa bateu (batemos) em um outro que estava estacionado, bem do meu lado, e bati a cabeça e acabei ‘dormindo’ por doze dias, como falei. O fato de ainda não ter feito muito do que eu imaginava na vida e a possibilidade de ter tudo acabado realmente me perturbou.

 

Foi um período confuso, para mim, e fui auxiliado na terapia, que me fez pensar ainda mais em tudo, um ainda ‘guri’ de dezoito, dezenove anos que lia Sartre, e olhar a vida sob uma perspectiva diferente. Nem sempre consegui, mas a ideia de que ‘o que são pequenos problemas do cotidiano frente ao grande plano da existência?’ esteve presente em momentos da vida. Como eu disse, nem sempre consegui ter essa visão de perspectiva, mas sigo tentando até hoje ter isso em mente.

 

Porque tudo pode mudar em uma fração de segundos. O que estava bem e parecia certo e imutável não é mais no momento seguinte. E temos que lidar com isso o tempo todo. Muito da ansiedade tem a ver com isso, a antecipação do desastre que não aconteceu (e, na maioria das vezes, não acontecerá).

 

Viver o agora, aproveitar o hoje. Encarar um dia após o outro.

 

Não vos inquieteis, pois, com o dia de amanhã. O amanhã cuidará de si mesmo. Basta, a cada dia, o seu mal.

 

(Uma citação bíblica para terminar).


Até. 

segunda-feira, agosto 24, 2026

A Sopa

Velho.

 

Não tenho problema com o envelhecer. Tenho questões com a ideia da morte, isso sim, mas isso é conversa para outro momento. O foco aqui e agora é o envelhecer.

 

Como disse, e esse é um fato com o qual lido diariamente como médico de muitas doenças associadas à idade, envelhecer é parte da vida, e sempre reforço a ideia de que quero chegar lá, afinal a outra opção, o não chegar a envelhecer, até hoje ninguém – ao menos de minhas relações – voltou para dizer que é melhor. Então, fato da vida, vou envelhecer. Biologicamente, ao menos.

 

Já fui muito mais velho que sou hoje em dia, admito.

 

Mais sério, mais circunspecto, me sentindo menos parte das coisas. O que não tem a ver com idade, eu sei, mas o fato é que, sim, já fui mais velho. Sempre acordei – e continuo acordando – cedo e de sempre gostei de dormir cedo. Em uma ou outra vez, adormeci em meio a festas, até ao lado de caixas de som. Era conhecido por isso.

 

Os últimos anos, contudo, testemunharam o fato de eu ter estado progressivamente me tornando mais jovem, mais leve muitas vezes. Com relação ao sono, ainda curto muito a ideia de dormir cedo, ainda mais no inverno, mas – no geral – tenho sido mais flexível neste aspecto, digamos assim.

 

Como comentei por esses dias, tenho agora uma filha de dezoito anos. Comemorou isso no final de semana passado, e quero falar do sábado à noite, em que alguns amigos dela foram lá em casa e, entre outras coisas, fizeram um karaokê. Foi divertido para eles, e a Jacque e eu demos espaço para que eles ficassem à vontade.

 

Por volta das vinte e três horas, fui dormir. Fechei a porta do quarto, deitei e apaguei a luz. Na sala, eles cantavam e riam, e o que eu mais ouvia eram as risadas deles. Antes do pegar sono, percebi que havia me tornado o pai que vai dormir enquanto os jovens se divertem na sala.

 

Velho, velho...

 

Foi bem legal.

 

Até.

 

sábado, agosto 22, 2026

Sábado (e ela fez 18 anos essa semana)

 

Nós três...


A vida é muito boa com ela e também por causa dela.

Bom final de semana a todos.

Até.

sexta-feira, agosto 21, 2026

Errei

Ontem cedo, no trânsito, saindo de casa, fechei um carro que estava logo atrás de mim. Foi um vacilo, um erro, um descuido, uma afobação. Estava distraído. Logo eu, que procuro ser o mais correto e cortês no trânsito, logo eu, que me incomodo ao testemunhar as pessoas cometendo infrações voluntariamente pelas ruas diariamente. Logo eu...

 

Não tem justificativa.

 

Não provoquei nenhum acidente, não interrompi o trânsito, não houve consequências aparentes, exceto irritar – justificadamente – o motorista que foi fechado justamente ali, na esquina da André Puente com a Ramiro Barcelos. O nosso caminho era em parte o mesmo, então ele foi atrás de mim uma parte do caminho até passar ao meu lado, lentamente, baixar o vidro e me olhar com ares de reprovação, no que eu, atrás do vidro com película, apenas fiz sinal de me desculpar, de que eu havia errado. O pior: ao me desculpar, constrangido, eu o reconheci. Vizinho de rua, figura conhecida do rádio gaúcho, a quem ouço com frequência. Já estivemos juntos em eventos, mas sei que ele não lembra de mim.

 

O que não faz diferença no fato de que eu errei no trânsito e tentei me desculpar como faria com qualquer outro motorista a quem eu tivesse causado algum desconforto. Entendo a irritação dele ao ser ‘fechado’, porque eu também me incomodo quando acontece comigo, e é por isso que procuro sempre dirigir com todo o cuidado do mundo.

 

Ontem não, ontem eu vacilei, ontem eu errei...


Até. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Dezoito

Há muitos – muitos mesmo - anos, ouvi – provavelmente – em aula que nossas artérias começavam e “envelhecer” aos dezoitos anos de idade. Nem sei mesmo se era isso, mas foi a mensagem que gravei. Fui para casa e escrevi um poema que terminava com ‘... a vida acaba aos dezoito’.

 

Bom, a Marina completa dezoito anos hoje.

 

E preciso dizer que aprendi, desde que escrevi o tal poema, que a vida não acaba – evidentemente – quando completamos essa idade, apesar desta ser a melhor fase de todas. Assim como os vinte serão a melhor fase de todas, e depois os vinte e cinco, os trinta, os trinta e cinco anos e assim por diante. A melhor fase da vida é agora, é hoje.

 

A melhor idade é a que estamos no momento.

 

Posso te dizer, além disso, de que a vida é melhor quando vivemos no presente, não presos ao que passou e não apenas na expectativa do que virá. O que virá depende exclusivamente do que fazemos hoje, de como vivemos o agora. A vida é melhor hoje do que ontem, e amanhã será melhor.

 

E preciso te dizer mais: contigo, filha, a vida é cada dia uma surpresa boa e uma felicidade. Somos muito felizes contigo e também por tua causa.

 

Feliz Aniversário.


Te amo. 

quarta-feira, agosto 19, 2026

Quieto, vendo a banda passar

É melhor ser feliz do que ter razão.

 

Acho que a expressão é essa, com variações do tipo ‘é melhor beijar do que ter razão’, por exemplo, mas a mensagem é clara: existem situações em que não vale à pena se indispor com outros, mesmo que estejam errados, ou que insistam em que tudo seja exatamente do jeito que querem, se não ficarão como crianças mimadas. Talvez até se joguem no chão e esperneiem, não sei, não tenho ficado para testemunhar...

 

O fato é que tem brigas que não valem serem compradas. Quase nada, ou muito pouca coisa, na vida é tão importante - e estou ainda aprendendo - a ponto de nos “obrigar” a “lutar” por ela. Hoje em dia, eu sei quais são as brigas que quero comprar. As outras, deixo para os outros.

 

Fico quieto, dou um passo atrás, deixo que discutam. Se parece importante para elas, quem sou eu para contrariá-las? Só não me peçam para compactuar com tudo. Fiquem bem, mas longe de mim.

 

Abraço e até.

 

PS – Esse texto não é um indireta para ninguém, pode chamá-lo de (mais uma) declaração de princípios. Ou não... 

domingo, agosto 16, 2026

A Sopa

Uma das vantagens do inverno, em minha opinião, claro, são as noites de sono. Durmo MUITO melhor no inverno. Aliás, se dependesse exclusivamente da minha vontade, hibernar seria mandatório. Apreciemos a sabedoria dos ursos...

 

Falando sério agora, enquanto chove lá fora – o que reforça meu argumento – fico aqui lembrando que quando morei no Canadá era diferente. A melhor época para dormir era o início do outono, quando as temperaturas já caíam à noite e a calefação ainda não estava ativa. No verão era muito quente (e não tinha ar-condicionado, apenas ventilador de teto) e no inverno também era quente, justamente pela calefação. Dessa forma, aquele breve período de temperaturas um pouco mais baixas em que dormia com a janela parcialmente aberta e podia me tapar com o edredom era a melhor.

 

Aqui no Sul do Mundo, onde vivo, a melhor época para dormirmos é o inverno.

 

Com o barulho da chuva, então, melhor ainda, mas sem exageros, como a noite passada em que tive de levantar de madrugada para me certificar se estava tudo fechado, e relâmpagos iluminavam e trovões ribombavam na noite em meio à chuva. Quase a ponto de perder o sono. Quase, porque – sim – voltei a dormir.

 

Como sempre, acordei cedo, por volta das sete horas da manhã para tomar café, ler o jornal impresso na edição do final de semana em silêncio enquanto as meninas ainda dormiam. Aproveitar o domingo de descanso porque a semana termina com a Marina completando dezoito anos de idade, e agosto, quando terminar, teremos completado – a Jacque e eu – trinta anos de casados.

 

O tempo passa rápido. Sigamos vivendo.


Até. 

sábado, agosto 15, 2026

Sábado (e um túnel do tempo)

 

(Felipe, Salamí, Baldi, eu e Tarso) 


Sexto ano de medicina na PUCRS.
Lançamento da ACTA Médica 94.

Bom final de semana a todos.

Até.

quinta-feira, agosto 13, 2026

Em uma Tarde de Chuva

De repente, parece que fiquei sem assunto.

 

Como se tivesse dito tudo o que precisava dizer, como se não tivesse nada de novo a comentar. Como, arrisco a dizer, fosse a hora de me calar, de silenciar, de me recolher ao meu canto e apenas observar a passagem do tempo. Subir para o alto da montanha, para ver a planície, os homens pequeninos, a aldeia de longe, longe, longe... 

 

Talvez deixar a convivência entre os mortais e me recolher à meditação e à contemplação da natureza. Passar dias ensimesmado, recolhido em meus pensamentos, avaliando cada ação já tomada, cada caminho seguido, cada porta deixada para trás, cada possibilidade pensada.


Talvez precisasse fazer isso, posso ter pensado.

 

Não por muito tempo, contudo.

 

Logo retornei ao momento presente e às pessoas com quem convivo, com quem vivo. Olhei o dia chuvoso, a umidade, as calçadas molhadas e as folhas caídas. Olhei para os dias que vem por aí. Um pouco mais adiante, olhei para a primavera que chega em pouco mais de um mês e – depois de muito tempo – antecipei a alegria da estação de dias progressivamente mais longos, de temperaturas amenas, e manhãs de sábado com sol. 


Até. 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Ainda sobre minha bolha (e zona de conforto)

Entre leituras que tenho feito por esses dias, li um texto que dizia que devemos ‘abandonar os locais que nos causam desconforto’. Onde não nos sentimos à vontade, onde não nos sentimos parte do todo. 

 

Contrasta com aqueles que dizem que devemos ‘sair de nossa zona de conforto’, pois estão nos orientando a – justamente – migrar de um lugar onde estamos bem, tranquilos, para um que nos deixa desconfortáveis. Seguindo as duas orientações, estaremos sempre de um lado a outro, do conforto para o desconforto, e vice e versa, num ciclo infinito, em um movimento constante, pendular, entre nos sentirmos em casa e nos sentirmos fora de nosso lugar.

 

Não sei.

 

Eu gosto da minha zona de conforto. É bom, confortável, como o nome diz. Por isso a ideia de sair voluntariamente dela me é estranha. Por que eu sairia de onde estou bem para um lugar que não é bom ou, no mínimo, não é confortável? Prefiro ficar no conforto da minha casa, obrigado.

 

O que não significa estagnação e tédio.

 

Como já escrevi antes, é da minha zona de conforto que vou crescer, vou progredir. Não vou sair da minha bolha, vou ampliá-la para incluir todos aqueles que eu considero significativos e importantes. Se eles não quiserem, paciência. A perda será deles...

 

Até.

 

segunda-feira, agosto 10, 2026

A Sopa

Que estar e querer ficar em nossa zona de conforto é uma atitude inteligente, além de saudável, porque é a partir dela que vamos progredir, evoluir, e que quem pensa diferente – um direito de cada um – está errado, já ficou bem estabelecido, ao menos para mim. Podemos avançar e desmascarar outras desserviços que as pessoas tem difundido por aí.


Não vou falar do café com ou em açúcar ou adoçante. 


Quero, isso sim, levantar a voz contra todos aqueles que pregam por aí os benefícios do banho frio. Aqueles que promovem o que chamam de desafio dos trinta dias para ‘resetar’ a vida, para que nos tornemos ‘irreconhecíveis’ e incluem na lista de afazeres um banho gelado todas as manhãs.

 

Por quê?!

 

Perderam a razão?

 

Está errado, não é bom. Passar um mês tomando banho frio no inverno gaúcho só vai tornar alguém irreconhecível através do mau humor e da perda da vontade de viver. No verão, e apenas no verão, tudo bem, é realmente bom. Fora isso, NÃO. Não tem porque. A menos que seja para começar o dia tão mal que qualquer coisa que aconteça depois vai ser melhor que um banho frio logo ao acordar.

 

Algo do tipo, ‘tive problemas no trabalho, ou em casa?, pelo menos não é o banho frio que tomei hoje mais cedo”... Talvez seja isso, seja terapêutico no sentido de que a pior coisa que poderia acontecer no teu dia foi logo ao acordar, com um banho gelado. Nada será pior que isso. Depois de um banho frio logo de manhã, até um café puro sem adoçar é bom, ou pelo menos aceitável...

 

Vamos acabar com essa bobagem de que banho frio (quando não estamos no verão) é bom.

 

Não é.

 

Até.

sexta-feira, agosto 07, 2026

Sábado (e é dia de trabalho...)

 

Encontro dos Pneumologistas do RS


Em Bento Gonçalves, para o encontro com colegas e atualização científica.

Saiu sexta porque me passei...

Bom final de semana a todos...

Até.

quinta-feira, agosto 06, 2026

Dinâmica

Ainda sobre o pertencimento.


Uma questão que não é só minha, mas humana e ancestral, é – por mais que nem todos reconheçam – a necessidade de, justamente, pertencer a algo maior que si mesmo. Pode ser um grupo de amigos ou semelhantes, um partido político, uma ideologia ou religião, o participar é um imperativo humano. Com suas exceções, evidentemente.

 

Li ou ouvi, esses tempos, alguém dizendo que “se estivermos sempre procurando razões para não pertencer, sempre vamos encontrá-las”.  O que fez todo o sentido para mim, olhando para o meu próprio umbigo, refletindo sobre mim, sobre quem e como sou. O - não sei se realmente o é - paradoxo entre querer fazer parte e a necessidade reafirmar a individualidade, de seguir o próprio caminho individual, eventualmente se afastando do que seria esperado pelo tal grupo de que se faz parte.

 

Tergiverso, eu sei.

 

Estava apenas pensando que essa sensação de pertencer pode ser, e é, algo dinâmico, que pode mudar com o tempo, e nos sentimos mais ou menos parte de determinados grupos e/ou lugares com o passar do tempo. Talvez seja um balanço, talvez haja um equilíbrio: quando, por qualquer razão, nos sentimos menos parte de um grupo, acabamos nos sentindo mais parte de outro, mais acolhidos por outros grupos.

 

É da vida.

Até.

domingo, agosto 02, 2026

A Sopa

Assim como os astecas e os maias, ou uma forma de se perceber a mudança do mundo em um sábado à noite. Do sofá de casa, em família.

 

Por um rara conjunção de astros, estávamos, a Marina, a Jacque e eu em casa em uma noite de sábado. Sem programas, sem festas, sem compromissos. Apenas jantamos e então paramos em frente à televisão. 

 

Depois de muito tempo, decidimos “zapear” pelos canais da tevê a cabo ao invés de buscar algo no streaming. Olhando sem muito interesse em nada do que estava passando, acabamos nos deparando com uma maratona de filmes do Harry Potter. Paramos para assistir.

 

Temos história com os filmes e livros do Harry Potter. Apresentamos à Marina quando ela tinha sete anos de idade, nós com receio de que – pela idade – se assustasse (o primeiro que vimos foi o segundo filme, “Harry Potter e a Câmara Secreta”). Nem um pouco. Aliás, virou, à época, meio que uma obsessão. Assistimos juntos a todos os filmes diversas vezes, virou um lance nosso. Temos em casa todos os DVDs e todos os livros, e de tempos em tempos. Teve até um aniversário temático, além de algumas idas aos parques da Universal em Orlando (e até Los Angeles, em março passado).

 

Com o tempo, claro, isso ficou para trás.

 

Quando, ao assistir televisão em um sábado à noite, nos deparamos com uma maratona de filmes do Harry Potter, decidimos assistir. Já estava no sexto filme, já mais da metade, e ainda faltariam dois filmes na sequência. Cogitamos a possibilidade de ir até o fim, mas algo aconteceu.

 

Os comerciais.

 

O filme era interrompido de tempos em tempos por intervalos comerciais, que eram sempre os mesmos, panelas ‘Red alguma coisa’, entre outros (Red Silver, pesquisamos). Malditas panelas que cortavam o filme. Malditos comerciais.

 

Lembrei então de como era a vida quando não havia outra opção além da televisão aberta e os poucos canais disponíveis, o dois, o quatro, o cinco, o dez e o doze. Dirão os saudosistas que era outros tempos, melhores, e associarão isso a doces memórias de tempos vividos.

 

Não eram.

 

A vida, o mundo, são muito melhores agora.

 

Até.

sábado, agosto 01, 2026

Sábado (e minha voz...)

Extensão, tessitura, e...



Avaliação da minha voz.
Julho/2026.

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, julho 29, 2026

Estóico?

Um forma prudente de viver com menos ansiedade é aceitar que nada, nunca, vai ser exatamente o quê e como imaginamos. Quanto menos expectativas de que algo saia da forma que gostaríamos, menor a potencial frustração quando as coisas saírem de uma maneira diversa.

 

E não estou falando que nada vai dar certo ou que será ruim, não estou aqui sendo um urubu sobrevoando, esperando tudo virar carniça para – do alto de algo, arrogância, talvez – sorrir irônico. É exatamente o oposto.

 

O fato de nada sair exatamente como pensamos é apenas a constatação de que não devemos ficar fixos em uma ideia. Temos que ser capazes de nos adaptar às circunstâncias, ser flexíveis e tolerantes. Acredito que – se agirmos assim, encararmos a vida dessa forma – tudo sairá até melhor do que imaginávamos. Não sem dificuldades, ou sem percalços, não sem algum sofrimento, mas (ainda) acredito que tudo se resolve.

 

Então, quando tudo parece desmoronar, ou ir em direção oposta ao que imaginávamos, nunca é tão grave como possa parecer e talvez o desfecho que esperávamos não era o melhor. 

 

Sei lá.

 

Pensamento perdidos em uma manhã sem sol.


Até. 

terça-feira, julho 28, 2026

Vamos nos permitir

Olhando para trás, o tempo passa muito rápido, como um piscar de olhos, como em um bater de asas. Descobri isso após os primeiros três meses morando sozinho no Canadá, que foram bem longos, e – ao chegar aqui – foi como se nunca tivesse saído. Da mesma forma quando voltei, após dois anos.

 

Então quarenta anos se passaram desde 1986, quando iniciei o ensino médio (segundo grau), trinta anos desde que nos casamos, a Jacque e eu – mês que vem, mês que vem – vinte anos desde que voltei ao Brasil, justamente do Canadá. Assim, esse tempo passou voando. E temos vivido.

 

Pra que chorar?’, perguntou Cazuza, ‘a vida é bela e cruel despida, tão desprevenida e exata, que um dia acaba’. Importa o que fazemos, o quanto não esperamos, o quanto não deixamos de viver na expectativa de um dia que talvez nunca chegue. 

 

Temos que viver tudo o que há para viver.


Até. 

domingo, julho 26, 2026

A Sopa

Assim, aparentemente do nada, houve dois momentos nos últimos dias em que o tema de conversas em que participei esteve relacionado à aposentadoria e a vida após. É possível que pensem que isso tem relação com a minha idade e a faixa etária das pessoas com as quais convivo. 

 

Sim e não.

 

É uma discussão um pouco mais ampla, na verdade. Tenho amigos que já se aposentaram e outros que estão se aproximando disso, mas não é essa a razão do assunto ser esse. A primeira foi a partir de um caso de um paciente de um colega que tinha um emprego bom e estável, bem remunerado, e se programou financeiramente para ‘aproveitar a vida’ quando da aposentadoria.

 

Tudo certo, exceto pelo fato que adoeceu, e ficou cego antes disso...

 

A segunda conversa foi mais próxima, com um amigo de mais de quarenta anos, e discutimos isso, o problema de quem ‘espera’ para viver, ou aproveitar – independente do que isso signifique para cada um, entre desejos e possibilidades - a vida. Em resumo, o que – ou como – vivemos nossas vidas.

 

Tenho por objetivo próprio, pessoal, ser e fazer exatamente isso: não esperar um possível futuro, que não existe, e viver intensamente dentro das minhas verdades, do que considere o importante e o melhor para mim. Experiências muito mais do que bens materiais. É um processo, um caminho, esse que percorro.

 

Tento me desapegar para apenas ser.


Até. 

sábado, julho 25, 2026

Sábado (e uma banda)

Final de show


Final de show referente ao Dia do Rock.
Grezz, 12/07/2026.

Bom final de semana a todos.

Até.

 

terça-feira, julho 21, 2026

Inverno e a Luz

Dias de chuva por aqui, no Sul do Mundo.

 

Inverno, tempo de introspecção, de silêncios, de recolhimento. Ao longo dos anos, mudei minha percepção ou, melhor, minha preferência sobre as estações do ano, se é que faz algum sentido ter preferência sobre algo que não temos controle ou influência.

 

Eu gosto (mais) do verão.

 

Dos dias mais longos, de usar camisetas, de estar ao ar livre. É evidente que os extremos não são bons. Muito calor ou muito frio, excesso de umidade, tempo seco demais, nada disso é bom. A virtude está no meio termo, aprendi ao longo do tempo. 

 

Ainda assim, os dias mais leves que associo às temperaturas mais amenas, às manhãs de sol (sábados!), e à promessa de vida no meu coração, mesmo não sendo março e suas águas, como cantaram Elis e Tom, ainda assim tendo a preferir o verão, a luz, o sol (mesmo que fuja da exposição exagerada a ele). O que não quer dizer que o inverno não tenho seu valor. 

 

Tento (mesmo que nem sempre consiga, ou queira, para ser sincero) ser solar, ser luz, ser energia positiva. E acho que isso tem tudo a ver com os dias claros, longos e quentes.


Sei lá.


Até. 

segunda-feira, julho 20, 2026

Ao Amigos, com Carinho

(tradicional texto do Dia do Amigo...)

Sou um espírito primitivo, confesso.

Ainda tenho muito que evoluir para poder aceitar algumas das inevitabilidades da vida. 

A morte, por exemplo.

A ideia da morte ainda me perturba, por ser um desperdício. Quanta história, quanta experiência, quanta – obviedade - vida se perde quando da morte de alguém, seja lá quem for. Sei, contudo, que essa inconformidade é como ser contra a lei da gravidade ou negar a evolução: inútil, infantil até. Paciência.

Pode me chamar de espírito infantil, então.

Essa característica ajuda a definir quem sou, e é a base de diversas outras características que me definem. Como acreditar nas pessoas. Como regra, eu acredito nas pessoas, e procuro as valorizar. Todos – até prova em contrário – merecem meu respeito e consideração. A sua história pessoal, e a nossa história em comum.

Falo, então dos meus amigos, do presente e do passado, os que são e os que foram e não são mais. Todos tem sua devida importância porque fazem parte do que me tornei e do que continuo me tornando. Falo até daqueles de  quem eu queria ser amigo (ou mais amigo), mas a vida não permitiu. Falo também daqueles a quem tenho a pretensão de ensinar alguma coisa, me sentindo como um irmão mais velho, apesar de já ter idade para ser pai de muitos, sempre torcendo por eles e querendo ser mais próximo. Muitos são os amigos, claro que uns mais e outros menos. Muitos, mas alguns poucos. Sabem como é, sabem quem são.

E então entra a relação, às vezes tranquila e outras vezes conflituosa que tenho com o tempo, melhor, com o passar do tempo. Mais uma batalha inútil que volta e meia travo, como Quixote lutando com moinhos de vento, ou como quando me sinto empurrado para o corner e fico a me defender de um inimigo imaginário num improvável luta de boxe. O tempo às vezes se confunde, e volto no tempo ao ouvir uma música antiga e lembro de pessoas e chego a pensar que devo voltar – não para refazer caminhos ou mudar o que passou – mas para reencontrar pessoas e lembrar, recontar histórias, agradecer por terem sido importantes naquele momento que passou.

Mas o tempo não volta, avança.

E novas referências são criadas, novas estórias são vividas e contadas (a vida não é muito mais que isso mesmo, estórias para contar). E os amigos estão aí, e é disso que falo. São eles essa conexão com o passado e com o futuro. 

Eles são a referência.

O norte.

Até.  

domingo, julho 19, 2026

A Sopa

Não costumo falar de futebol.

 

Principalmente porque – como costumo dizer - não gosto de futebol, eu torço para o Inter, o que são coisas diferentes. O que significa que não costumo parar para olhar jogos de futebol em geral, e até os do Inter não tenho assistido muito (assisto enquanto está bem, se não está não vejo).

 

Desenvolvi um atitude de não sofrimento com relação ao tema. Se meu time ganha, ótimo, consumo conteúdos relacionados (jornal, rádio, You Tube, etc). Se não está bem, apenas não estou nem aí. Ou entro em negação, se preferirem. O resultado é que não sofro, como acontecia no passado, quando eu era mais novo e mais ingênuo.

 

Passei a valorizar, também, a jornada. Se meu time faz bons jogos, mas – no final – não é campeão, puxa, que merda, queria ser campeão, mas me diverti enquanto estava legal de assistir. Tem um quê de racionalidade nisso, por isso me intitulei há alguns anos como ‘O Pior Torcedor”.

 

Em Copas do Mundo, por outro lado, estou bem mais sujeito a assistir a jogos nos quais não tenho interesse direto, curtir o ‘espetáculo’. O fato de, ao longo do tempo, a seleção brasileira ter se desconectado com o torcedor, não impede que eu a assista e até torça, mas outros jogos também são (até mais) legais de assistir.

 

Chegamos ao final da Copa do Mundo, jogarão Argentina e Espanha, e todos estão se posicionando quanto a quem torcer e – mais importante – quem secar. E é aí que é interessante observar de fora isso tudo, e pensar a respeito. A pender para o lado da rivalidade com nossos vizinhos ou pesaria mais a proximidade, principalmente aqui no Sul do Mundo?

 

Eu não sei.

 

Tenho argumentos para as duas posições, e são esportivos e humanos. Não querer que mais um adversário seja quatro vezes campeão do mundo, o que seria mais uma seleção perto do ‘penta’, valorizar o bom futebol jogado pela Espanha, ou ainda focar no Messi, um dos maiores da história? Bons argumentos, bons argumentos para ambos os lado. O que não existe – para mim, para mim – é essa coisa de não gostar da Argentina por ser Argentina. Não sou eu, não sou assim.

 

Aliás, eu curto a Argentina. Gostei muito e fui bem recebido em todas as vezes que estive lá. Mesmo em Buenos Aires, mesmo com os portenhos. Apenas boas lembranças. A proximidade geográfica, o clima parecido, somos todos gauchos.

 

Pensei que essa rivalidade fosse algo criado ao longo do tempo pela imprensa do centro do país, mas estava errado. Vem bem de antes, antes ainda do futebol. 

 

Começou com os colonizadores, Portugal e Espanha, e a disputa pela região do Rio da Prata. A Colônia de Sacramento, enclave português em frente à Buenos Aires, levou – depois de Brasil e Argentina tornarem-se independentes - à Guerra da Cisplatina, cujo resultado foi que nenhum dos dois ficou com ela, com a criação do Uruguai.

 

No período da ditaduras de Brasil e Argentina, houve algo como uma “Guerra Fria”, com os dois países paranoicos com uma possível invasão militar um do outro. Com o tempo, e o surgimento do Mercosul, essa rivalidade migrou para o futebol, e dura – de certa forma – ainda hoje. Estilos diferentes, modos de ver o jogo.

 

Aqui no Sul do Mundo, somos mais próximos e parecidos com os argentinos (geográfica e animicamente) do que com o resto do Brasil. Aqui faz frio, e até neva.

 

Quanto ao jogo de hoje, eu não sei para quem vou torcer.

 

E você?

 

Até.