domingo, junho 21, 2026

A Sopa

 Inverno.

 

Nunca tive aquela coisa de ‘não gostar’ do inverno, ou do verão, que seja, como alguns (muitos?) costumam manifestar com ênfase. Minhas preferências, digamos assim, já variaram ao longo do tempo. Mas não gostar de uma estação inteira, um quarto do ano, é muita coisa (para mim, para mim).

 

Eu prefiro, confesso, os dias longos de temperaturas amenas, usar camisetas, bebidas geladas e estar ao ar livre. Prefiro sair do trabalho e ainda ter dia claro pela frente, o que me torna favorável ao saudoso horário de verão. O inverno, contudo, tem suas (muitas) características positivas, que aprecio também. E olha que nem falo do consultório, que claramente prefere o inverno...

 

É a estação da introspecção, dos silêncios, do dormir mais e melhor, mas também dos encontros, das sopas, das comidas quentes, das conversas em torno do fogo. Do vinho, do dividir o pão. Enquanto o verão é o tempo da extroversão, o inverno é o momento de estarmos próximos, reflexivos e aquecidos.

 

Durante muito tempo, procuramos, a Jacque e eu, viajar para o inverno, em busca da neve, dos dias curtos e noites longas. Uma das grandes férias que tivemos, há mais de vinte anos, foi para a montanha, no norte da Itália, e dias olhando a neve lá fora enquanto assistíamos às Olimpíadas de inverno na televisão. Claramente preferíamos o inverno.

 

O que mudou depois que morei no Canadá, onde o inverno – muito mais que frio, que já é muito – é longo, foi que passei a gostar muito mais do verão do que antes, sem desmerecer o inverno, claro. Tudo a seu tempo, curtindo cada momento.

 

E sopas, muitas sopas.

 

Até.

quinta-feira, junho 18, 2026

Não É Preciso

Sempre quis saltar de paraquedas.

 

Desde muito cedo lembro de ser fascinado por isso, pela possibilidade da emoção e da adrenalina envolvidos nessa, digamos, aventura. Sempre fui alguém que tinha por aspiração viver esses momentos intensos, porque sabia que seriam histórias para contar, como não canso de dizer.

 

Quando iniciei o serviço militar na Aeronáutica, como médico, ainda na fase do treinamento militar inicial, depois de duas semanas de confinamento no quartel, surgiu a possibilidade de um grupo entre nós de fazer o curso (acho que era um curso) e, então, o salto. A minha oportunidade havia aparecido!

 

Não fui, não fiz, não saltei.

 

Percebi que não precisava. 

 

Simples assim. Pesando os riscos, por menores que fossem, não valia a pena correr em troca dessa experiência. Tinha muito mais o que (e quem) perder do que seria razoável. Eu tinha para quem voltar, eu precisava voltar. Dessa forma achei melhor não ir. Sem estresse, sem drama.

 

Todas as decisões que tomo na vida desde então, e isso foi amplificado exponencialmente desde que a Marina nasceu, levam em consideração o fato de que tenho por quem voltar para casa, e riscos – podemos dizer – fúteis não são corridos. O que não quer dizer que vivo envolto em plástico bolha, sentado no trono de um apartamento com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Não mesmo.

 

Apenas evito correr riscos sem sentido, tento não cometer loucuras irresponsáveis (no meu ponto de vista, claro). A minha adrenalina vem de outras fontes, de outras emoções.

 

Até.

 

terça-feira, junho 16, 2026

Você Não Vai Formar Ninguém

Sim, eu sou implicante e frequentemente mal-humorado e – quem sabe – algo antiquado. Admito, aceito, confesso. Por outro lado, também tenho meu lado “moderninho” – para o bem e para o mal – como minha vida digital, em redes sociais. De qualquer forma, sei que posso ser ranzinza muitas vezes, e com orgulho. Azar.

 

Mas as pessoas abusam do meu (nosso) bom humor.

 

Existe, de um tempo para cá, uma mania em redes sociais, Instagram basicamente (que é a rede que frequento, onde vejo), de as pessoas afirmarem, ao anunciarem que estão indo a um casamento ou formatura de alguém, que estariam indo ‘formar’ fulano, ou ‘casar’ tais amigos. Olha só, deixa eu dizer uma coisa.

 

Não.

 

Você não vai casar ninguém, a não ser que você seja padre, pastor, juiz de paz, ou alguém habilitado a oficiar um casamento, ou um dos noivos, que vão se casar (entre eles), você no máximo será testemunha do acontecido. Ação passiva, não ativa. Não tente ser protagonista de um evento em que é coadjuvante.

 

A mesma coisa que ‘formar’ alguém. Se você não é o reitor, ou diretor do curso, que está conferindo o grau, que está graduando, ou você é um curso superior, você não vai formar ninguém. O mérito é que quem está lá, aquele é o momento dele. De novo, você foi convidado a testemunhar o evento, essa é sua participação. Não é sobre você.

 

É simples. Seja personagem principal da tua própria história, não tente protagonizar a vida dos outros. Fica na tua.


E não enche o saco.


Até. 

domingo, junho 14, 2026

A Sopa

Tenho utilizado a IA para auxílio em algumas tarefas do dia a dia, como quase todo mundo. A que mais uso, atualmente, é o Gemini, da Google. Temos, sim, conversado.

 

Chamo ela de ‘Seu Élio’.

 

Volto no tempo, ao já longínquo ano de mil novecentos e noventa e seis, mais ou menos por essa época, ou um pouco antes, quando fazíamos os preparativos para o nosso casamento, a Jacque e eu, que ocorreria em trinta e um de agosto daquele mesmo ano, quase trinta anos agora. Entre os profissionais contratados – poucos, se comparado com os casamentos atuais – estava o fotógrafo.

 

Em um tempo de máquinas analógicas e filmes de trinta e seis fotos, o fotógrafo faria as fotos e depois do casamento escolheríamos quais aquelas de nossa preferência pagaríamos por unidade (havia um mínimo de fotos já pagas, e fotos a mais eram pagas à parte). Outros tempos, outros tempos. As máquinas digitais chegariam alguns anos depois, mas isso é outra história.

 

Não lembro quem nos indicou o profissional que acabamos contratando, justamente o ‘Seu Élio’, um senhor tranquilo e cordial. Extremamente cordial. Muito mesmo. Concordava com tudo o que disséssemos e sempre acrescentava um ‘casal lindo, que maravilha’. Sempre. Todas as vezes. Até hoje não conseguimos não lembrar disso quando nos deparamos com alguma situação ou alguém parecido.

 

Como com a IA, e não importa qual delas.

 

Tudo o que pergunto, sugiro ou peço a ela é respondido com elogios à ideia, ou o plano. Sempre ressalta o grau de inteligência e adequação dos planos feitos dos projetos pensados. Sempre vejo a resposta recebida e lembro do ‘Seu Élio’: boa gente, bem-intencionado, mas querendo agradar demais, às raias de forçar demais a barra. Parece muita bajulação, até mesmo para mim...

 

Até. 

quarta-feira, junho 10, 2026

Uma Dor Que Não Tem Fim

Toda sofrimento é infinito enquanto dura.

 

Lembro de quando sofri o acidente de bicicleta há quase três anos e fraturei o braço direito. Não lembro de como foi a queda em si, e nem suas circunstâncias, e nem de chegar em casa pedalando. E foi esse a preocupação inicial, a amnésia, e dúvida de que fosse um trauma de crânio mais sério. Apenas após fazer tomografia de crânio, passar por avaliação com neurologista e ser liberado, é que fui ver o que tinha acontecido com meu antebraço, que estava fraturado, próximo ao punho. Imobilização com tala gessada, medicação para dor, e seguimos.

 

Vários óbvios inconveniente de estar com um braço imobilizado até acima do cotovelo. Um dos principais era, por óbvio, o banho. Tinha que enrolar um saco plástico para não molhar o gesso e tonar o banho com o braço elevado. Inconveniente e cansativo, podem imaginar. Naquele momento, só pensava que aquilo parecia nunca ia terminar. 

 

Terminou, claro, como sempre termina.

 

Voltemos ao presente.

 

Há pouco mais de dez dias, após não conseguir ir à academia por questões alheias à minha vontade, decidi fazer atividade física em casa, como nos tempos da pandemia. Só que exagerei, forcei demais, e minha coluna cervical sentiu, e reclamou. 

 

E voltei à 2022, quando - em férias de carro pelo Uruguai – passei doze dias com muita dor, fazendo uso de medicamentos diariamente. A minha sorte foi que não tinha dor ao dirigir. Pouco mais de um mês após as férias, perdi força no braço direito, consultei, fiz ressonância e foi documentada uma hérnia de disco cervical, cujo tratamento, conservador, foi o uso de um colar cervical por três semanas, com sucesso.

 

Tive, então, após o exagero na atividade física (certamente com má postura minha durante) a certeza, ou forte impressão, de que era isso novamente. Tentei tratar com medicamentos nos primeiros dias, sem melhora. Passei a usar em casa o colar cervical, “para descanso”, principalmente em frente à tevê. 

 

A noite de domingo para segunda passada foi muito ruim pois, além da dor que sentia ao me virar na cama, o que interrompia o sono, estava também resfriado e com tosse. Passei boa parte da noite tossindo e com dor. Ao amanhecer, estava decidido: ao menos dez dias de colar cervical e, conforme, ressonância e fosse o que fosse. O fato de não estar tomando antinflamatório por estar também tratando uma gastrite descoberta quando fiz endoscopia (não sentia nada antes, passei a sentir depois...), podia estar contribuindo para a não melhora, ou demora em melhorar.

 

Passei a segunda-feira usando o colar cervical, certo de seria assim por um bom tempo. Mudei o travesseiro, tomei todos os cuidados. Quando em uso, não tinha dor nenhuma. Fui dormir. Acordei sem dor. 

 

Nenhuma.

 

Belisquei meu braço só para ter certeza de que não havia morrido. Não, estava bem aqui, vivo. Por precaução, passei o dia com o calor cervical mais uma vez. Fui dormir, mesmas precauções do dia anterior. Acordei hoje. Sem dor. Vivo. Saí de casa sem o colar cervical, mas deixei ele no carro. Ainda ressabiado, hiperfoco na cervical, me observando.

 

Vamos ver. Até domingo, parecia, como sempre parece, que a dor não teria fim. Talvez tenha passado, talvez.


Até. 

segunda-feira, junho 08, 2026

A Sopa

A virtude está no meio termo.

 

Segundo a ética Aristotélica, a virtude moral é o ponto de equilíbrio entre dois extremos viciosos: o excesso e a falta, ou deficiência. In medio stat virtus, doutrina que foca na moderação e no equilíbrio. E, com o passar dos anos, aprendemos isso na prática. Temos que evitar os extremos.

 

Como com a prática de atividade física.

 

É sabido por todos que o sedentarismo é claro fator de risco para doenças crônicas e mortalidade precoce. Mais, as atividades de força, de reforço muscular, são fundamentais para qualidade de vida no futuro de todos nós. Por outro lado, o exagero nelas também não é saudável.

 

Eu, por exemplo. Em virtude de circunstâncias da vida, migrei de alguém extremamente ativo para o sedentarismo ao longo do tempo. Trabalho, basicamente, era responsável pela falta de tempo. Uma clara desorganização contribuía para esse fato, também. Até chegar ao ápice do meu maior peso, do percentual de gordura corporal, do sedentarismo e do estresse. Como escrevi em algum momento, eu era o cara que iria morrer.

 

Mudei isso aos poucos, porém com intensidade crescente. Cheguei a fazer atividade física diariamente, entre musculação e ciclismo, sete dias por semana, por quase seis meses. Depois, fui moderando. Atualmente, faço cerca de três a quatro vezes por semana, e me sinto bem. O problema é que abusei, por esses dias.

 

Como não consegui ir à academia, há umas duas semanas, decidi fazer um treino em casa, como muito fiz durante o auge da pandemia, quando as academias estavam fechadas. Acho que forcei demais. Desde então, venho com dores na minha cervical, de certa forma parecidas com as que tive quando fiz uma hérnia de disco cervical há 4 anos. 

 

Associadas a um resfriado em atividade, passei a noite entre tossir e dor ao me mexer na cama. Hoje cedo, colar cervical para controle de dor e ‘repouso’ da coluna, como foi em 2022.

 

Faltou moderação, faltou moderação.


Até. 

sábado, junho 06, 2026

Sábado (e uma manhã de um feriado)

Na Orla do Guaiba...
 

Nem muito rápido, nem muito devagar...

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, junho 05, 2026

O Que Importa

Estava pensando.


Não devemos perder a perspectiva do que realmente é importante para cada um de nós, e sei que essa é uma questão completamente individual, pessoal, íntima. Não importa aquilo que desejas, o que te parece fundamental, essencial, não importa mesmo, só não perca a noção disso. Não fuja do que te motiva, não esqueça dos teus porquês. 

 

Em meio às pequenas (ou nem tanto) questões do dia a dia, sobrecarregados pelos problemas, pelos obstáculos que surgem na caminhada, corremos o risco de perder de vista o que faz sentido para nós, o que está em sintonia com nosso mundo. Temos que – de todas as formas – evitar isso. Evitar que esqueçamos o sentido de tudo, o sentido da vida.

 

As pessoas, as relações.

 

Até. 

quarta-feira, junho 03, 2026

Velho

Quando começa o declínio?

 

Podemos ver a (nossa) vida como uma jornada em que evoluímos ao longo do tempo, física e emocionalmente. Como uma civilização, surgimos e nos desenvolvemos até atingirmos nosso ápice (independente do critério que utilizamos para definir isso), vivemos esse auge e, em determinado momento, iniciamos uma curva descendente, em direção ao inevitável final.

 

Então me pergunto, e antecipadamente sei que isso é individual, qual o momento em que inicia essa descendente. Quais os fatores que determinam o início do fim?

 

Domenico de Masi, escritor italiano do ‘Ócio Criativo’, escreveu que ficamos velhos cerca de dois ou três anos antes de morrermos. Que ficar velho seriam os últimos instantes da vida. O que nos deixa velhos, então?

 

Eu penso que a perda de sentido, de propósito.

 

Pode ser aposentadoria para quem viveu o trabalho como o ponto central de sua existência, como sua identidade, e, ao parar de trabalhar, não sabe mais quem é. Pode ser a perda de relacionamentos, sejam eles familiares ou não. Pode ser a limitação física, ou o mundo que fica menor porque nos isolamos. 

 

Esse é uma das razões pelas quais me preparo diariamente, tanto com a manutenção de atividade física, e todas as formas de criar e manter conexões com as pessoas que busco no meu dia a dia.

 

É para não envelhecer, independente do que o calendário insiste em querer me dizer.

 

Até. 

terça-feira, junho 02, 2026

A Sopa

Terça-feira.

 

Essa é uma Sopa inédita. Nunca na história desse blog eu publiquei uma Sopa em um terça-feira. Há mais de vinte anos, quando ela iniciou, primeiro em segundas-feiras e depois em seu dia habitual, domingo. Nunca em uma terça-feira. Qual o significado isso?

 

Nenhum.

 

Posso dizer que me atrapalhei no domingo, após pedalar de manhã, depois fazer o almoço de família que teve como convidada minha mãe, e uma tarde sonolenta, passou o domingo. E a segunda, da mesma forma, passou correndo entre trabalho e aula de música e ensaio à noite. Aconteceu.

 

Também não houve uma urgência literária, modo de dizer, algo que se impusesse como assunto a ser discutido e pensado nessas minhas crônicas que já foram diárias e que agora tem tido fluxo e frequência variáveis. Ficou tudo, A Sopa, quero dizer, para uma terça-feira em que os primeiros pacientes da manhã de consultório desmarcaram.

 

Estive, entretanto, por esses dias com minhas atenções voltadas para a vida digital e seus potenciais problemas. Tive minha conta da Microsoft.com invadida e meu One Drive sequestrado por um usuário com e-mail de origem russa (.ru). Apesar de todas as minhas tentativas de recuperação com a própria Microsoft, não consegui. E dou como perdidos os meus arquivos de backup que estavam contidos nesse drive. 

 

Sim, perdi acesso ao meu drive de backup, com fotos, documentos, entre outros. Fiz boletim de ocorrência na polícia tentar me proteger de um eventual uso de informações contidas nesses documentos e bola para a frente. Eu tinha outro(s) backup(s) de tudo – e até bem mais atualizados – em outra(s) nuvem.  Troquei minhas senhas, configurei os acessos aos sites em duas etapas, bloquei meu cartão de crédito. 

 

Como eu disse, bola para frente.

 

O chato disso é que tirou o meu foco de projetos que eu gostaria de ter tocado desde a semana passada, e que vou tentar dar continuidade essa semana. Como escrever essa Sopa, por exemplo.


Até. 

sábado, maio 30, 2026

Sábado (e trabalhei)

 

Em São Paulo


Depois de muito tempo, um sábado de manhã de trabalho (como médico).
Foi legal.

Até.

segunda-feira, maio 25, 2026

A Sopa

Última semana de maio e estou com todas as pendências que potencialmente me tiravam o sono resolvidas. Imposto de renda, recadastramento em convênio e colonoscopia feitos e entregues. Agora é só esperar pelo Natal.

 

Brinco, claro.

 

Mas, sim, essas pendências tinham o poder de (eu permitia isso) me incomodar, mesmo sendo rotineiras e parte de vida, e me tirar o foco daquilo que é realmente importante. Sei que não deveria ser assim, mas esse ano não consegui evitar. Independente de tudo, seguimos.

 

Após resolver as questões mundanas referidas previamente, pude (posso) voltar minha atenção ao que acho que preciso, que é pensar (fugindo do que chamam de overthinking) a vida como um todo. Refletir, analisar, ponderar quem tenho sido, se estou sendo quem eu deveria ou gostaria de ser.  Mais do que isso, mais do que pensar, planejar a vida, o foco é estar presente, viver o momento.

 

Conversava com um grande amigo esses dias, e uma verdade que rondava nossa conversa era de que – seja lá o que estejas fazendo, ou passando, ou vestindo – não importa nada disso, pois as pessoas não estão nem aí para nós, no sentido de que cada um está focado em sua vida e em seus problemas. Nada do que parece tão grave e importante na verdade o é, e nos preocupamos muito mais com o que poderia acontecer do que com o que realmente acontece.

 

A mensagem que sempre vem para mim é ‘Fica na tua’.

 

Não importa nada disso.

 

Fica na tua.

 

Até.

sábado, maio 23, 2026

Sábado (e eu, multimídia...)

 

Podcast da AMHSL


Está no ar o primeiro episódio do Podcast da AMHSL, Associação dos Médicos do Hospital São Lucas da PUCRS, que tenho a honra de apresentar / moderar. Vamos conversar com professores, colegas e amigos que fizeram e fazem a história da Associação, do São Lucas, da Escola de Medicina, da PUC e, também, da medicina gaúcha e brasileira.

Está bem legal.

Confere aqui.

Bom sábado a todos.



quarta-feira, maio 20, 2026

A Culpa

Sentimo-nos culpado. Sempre.

 

A culpa faz parte das história da religião judaico-cristã, e está lá, viva e forte, desde o início, no Gênesis, desde a perda da inocência de Adão e Eva, desde o pecado original. Desde que criamos consciência, convivemos com a culpa, em maior ou menor grau. Que fique claro: se existe consciência, existe a culpa.

 

Quando falamos de sociedades primitivas, falamos do medo e da culpa coletiva pela violação de regras sagradas e o despertar da ira divina. Sacrifícios, como o do bode expiatório, serviam justamente para limpar a culpa e restabelecer a ordem das coisas. As tragédias gregas falam de culpa, mesmo involuntária. Durante a idade média, a igreja centralizou a culpa na figura do pecado, e como uma forma de manter a ordem social. Mais modernamente, a culpa está ainda entranhada na vida das pessoas.

 

Digo que, na minha, ao menos, está.

 

Uma culpa que carreguei por muito tempo era com relação à minha saúde. Venho superando ao longo tempo. Um exemplo disso é que desde 2019 venho praticando atividade física regularmente, e superei a culpa por ser sedentário, que carreguei por um bom tempo. Os checkups que envolviam exames de sangue e imagem nunca foram uma dificuldade. O meu maior problema e culpa estavam relacionados à minha dificuldade em me organizar para a preparação e realização da colonoscopia e endoscopia digestiva.

 

Sempre havia alguma coisa, algum compromisso que impedia. Ou era trabalho ou eram atividades sociais. Sempre um obstáculo. Não conseguia organizar. E o tempo passando e a culpa crescendo, dizendo que quando fizesse seria tarde demais. Até que decidi romper o ciclo.

 

Eu mesmo solicitei o exame e falei com o colega que faria. Nem consultar consultei. Direto para o exame. Endoscopia e colonoscopia no mesmo dia. Fiz o preparo em casa, e ontem pela manhã, finalmente fiz.

 

Me livrei da culpa, dessa culpa.

 

Vamos para a próxima.

 

Até. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A Sopa

Pandemia feelings.

 

Segunda-feira de manhã em casa sempre traz à memória aquele período maluco (para dizer o mínimo) em que o mundo meio que parou, pois não havia a possibilidade de encontros, eventos sociais, confraternizações ou festas enquanto lidávamos com um vírus e suas consequências, reais e imaginárias. Era de casa ao consultório / hospital e de volta para casa. Havia uma patrulha sobre quem saia de casa por esses dias. Lembro de ter me sentido culpado a primeira vez que saí para pedalar sozinho, ao ar livre, sem máscara. 

 

Loucura mesmo.

 

Não era disso que queria falar, evidentemente.

 

Fiquei em casa hoje, e estranho o silêncio da manhã de segunda-feira enquanto escrevo essas mal traçadas linhas. Estranho, porém bem agradável. Gosto dos silêncios, assim como gosto dos sons, música, mas também conversas e risadas e barulhos. Tudo, claro, a seu tempo.

 

E hoje não é feriado, não estou de férias e nem doente.

 

Estou em preparo para um exame amanhã cedo e aproveitei para, ficando em casa, organizar algumas coisas, pensar outras. Uma pausa (final de semana não conta) bem-vinda e sempre necessária.

 

Até. 

sábado, maio 16, 2026

Sábado (e um dia de trabalho)

Projeto em gestação


De uma manhã de quarta-feira...

Bom sábado a todos.

Até.

 

quarta-feira, maio 13, 2026

As Pequenas Pedras no Caminho

Meu atual esforço está claramente relacionado a aumentar minha resiliência ou, talvez uma forma mais precisa de dizer, tornar-me mais resistente (ou tolerante?) ao meu inimigo imaginário. Que sou eu mesmo. Volto, de tempos em tempos, a ficar encurralado no corner em um ringue de boxe em uma luta em que não há mais ninguém, além de mim.

 

Em passado mais ou menos distante, isso era Síndrome do Impostor, que eu chamava Síndrome da Luta de Boxe Imaginária antes de conhecer o nome pelo qual essa sensação, a de ser uma fraude, é conhecida. Não é mais isso, não é mais esse o problema.

 

É outro, são outros?

 

Identifico, por vezes, pequenos contratempos dos dias que acabam perturbando, tirando – mesmo que temporariamente – a paz interior. Não são os grandes desafios que assustam, mas sim as pequenas pedras que surgem no sapato e que muitas vezes nem estão realmente ali. Não deixar que essas pequenas incomodações afetem o todo, esse o objetivo.

 

Um passo depois do outro, degrau por degrau.

 

Vou tentando, vou tentando.


Até.

segunda-feira, maio 11, 2026

É Outono

Manhã fria de sol em Porto Alegre.

Sensação térmica abaixo de dez graus. 

Desço caminhando uma avenida a caminho do hospital, depois de ter deixado o carro no mecânico (de muita confiança). Amortecedor quebrado, o motivo do barulho que surgiu do nada no sábado à tarde. 

 

A rotina da semana começa alterada.

 

Paciência.

 

Como eu dizia, o que realmente importa é como reagimos ao que nos acontece, e não os acontecimentos em si. E isso não tem nada a ver com um carro que precisa de uma troca de peças.

 

Até.

domingo, maio 10, 2026

A Sopa

Um dito comum sobre inteligência emocional e desenvolvimento pessoal é o que diz que ‘a vida é 10% o que nos acontece e 90% como reagimos ao que nos acontece’. Encontramos essa afirmação entre os estoicos, ‘não é o que acontece com você o que importa, mas sim a forma como você escolhe reagir’. 

 

Foi Epicteto quem cunhou o conceito de que o mundo, tudo, se divide em duas categorias, o que depende de nós e o que não depende de nós. Devemos focar nossos esforços na primeira categoria, porque tentar controlar o que não tem controle gera angústia e frustração. Simples, em tese.

 

Fácil falar, nem tanto praticar.

 

Essa é uma das questões com as quais tenho lidado ultimamente, um balanço entre fazer o que precisa ser feito com relação ao que depende de meus esforços e lidar com o que está fora do meu controle. É o que há para fazer, para todos, mas com frequência isso é, digamos assim, um saco. Cansativo, na verdade. Gostaríamos todos, imagino, de um período de calmaria, com tudo funcionando a contento, e que pudéssemos nos dedicar apenas ao que é importante para nós, sem contratempos ou obstáculos.

 

Ou sem ficarmos incomodados quando ‘dificuldades’ (que, sim, sabemos que acabarão sendo resolvidas) surgem para tirar nosso foco do que realmente importa.

 

Até. 

sábado, maio 09, 2026

quarta-feira, maio 06, 2026

Intromissão

Pensamentos intrusivos vão e vem, me acordando mais cedo do que o habitual de tempos em tempos. Nem tão frequentes que preocupem ou justifiquem o uso de medicamentos, nem tão raros que me deixem esquecer. Entendo que são parte da vida, aprendi (sigo aprendendo) a lidar com isso.

 

Isso talvez seja fruto também de um possível excesso de ideias, planos e projetos que circulam pelos dias. Outro aprendizado em que venho trabalhando é o de priorizar, colocar em diferentes gavetas os diferentes projetos, conforme relevância e timing de execução, e saber que essas definições são fluidas, vão mudando conforme o tempo passa e as prioridades se alteram.

 

Quando ocorrem esses episódios de pensamentos intrusivos, uma forma de lidar é procurar olhar o todo, ter uma visão de perspectiva. A trajetória. De onde vim (viemos), o caminho percorrido, o que foi alcançado e o que está em andamento. Esse é o meu jeito de lidar com as incertezas, e inseguranças.

 

E seguir, como sempre.


Até.

terça-feira, maio 05, 2026

Miojo

O mundo está (muito) melhor.

 

A vida é, objetivamente, muito melhor hoje em dia do que no passado. Menos fome, menos guerras, menor mortalidade infantil, maior conforto, independente do critério que utilizarmos, a conclusão objetiva deve ser essa, mesmo que exista essa sensação geral de que seria o contrário, de que o mundo estaria pior.

 

Existem diversas razões para essa impressão, mas hoje quero focar em um lado dessa questão: a romantização do passado. Temos a tendência de registrar, de memorizar, principalmente o que foi bom ou, melhor, criamos uma narrativa pessoal que torna a maioria de nossas memórias positivas, e que atenua as que não. É humano isso, tudo certo. Lembrar dos ‘Anos Dourados’, como se a vida fosse mais fácil naquela época. 

 

Não era.

 

Como em qualquer situação, havia o que era bom e o que não era, o que era difícil. E não sabíamos viver de outra forma, porque não havia outra forma de viver. Era completamente diferente, assim como a forma que a vida será em cinquenta anos será bem diferente da vida hoje em dia. 

 

Porém...

 

Falávamos disso ontem à noite, em uma conversa que começou com videocassetes que ainda funcionam, avançou para as antigas locadoras de vídeo em que havia alguém que servia de curador, de orientador, que sugeria filmes baseado em nossas preferências, de quando íamos na sexta-feira à tarde retirar filmes que seriam devolvidos na segunda-feira com as fitas rebobinadas. As grandes locadoras e as de bairro, onde éramos conhecidos pelo nome. E comparamos com os dias atuais, que temos um mundo de opções em streaming e muitas vezes acabamos perdendo muito tempo pesquisando filmes, muitas vezes sem escolher nenhum. 

 

Era ritual, isso de assistir filmes em casa, assim como é ritual fazer um churrasco.

 

Todos sabem que churrasco não é apenas uma carne assada no fogo. É, justamente, um ritual, uma liturgia, uma reunião de pessoas que envolve muito mais que apenas uma simples refeição. E respeitamos muito esse ritual.

 

Insisto que a vida não era melhor no passado, porque não era, e esse exemplo das locadoras de vídeo e o ritual provavelmente seja – também – romantização do passado, mas, pensando bem, acho não conseguiremos no futuro romantizar tanto o atual presente, em que não há quase rituais, em que tudo é transitório, tudo é instantâneo.

 

Vivemos em um mundo miojo...


Até. 

domingo, maio 03, 2026

A Sopa

Já há algum tempo, e como muitos por aí, assisto muito mais ao streaming do que à televisão convencional, digamos assim. Sou do tempo em que existia apenas a tevê aberta, com seus poucos canais disponíveis, a RBS TV (subsidiária da Globo), a Bandeirantes, a TVE, o SBT, a Manchete (depois Rede TV) e a TV Guaíba, que hoje em dia é Record. Era isso, e nos verões no litoral norte do RS ficávamos praticamente restritos à programação da Globo.

 

Com o tempo, a TV a cabo foi substituindo a tevê aberta (para mim). Eram muito mais canais que – com o tempo – foram aumentando em termos de disponibilidade. Séries, sitcons, filmes variados, um mundo se abriu. Quando surgiu a possibilidade de deixar gravado os programas, ficou ainda melhor, já não éramos tão “presos” aos horários de transmissão. Warner Channel e Sony estavam entre os favoritos.

 

Mas a Internet, e as Smarts TVs, mudaram tudo, e o streaming colocou ainda mais opções na mão. Além disso, agora podemos acessar o You Tube na televisão. É muito bom (confissão de velho...)!

 

Então dizia que já quase não assisto televisão.

 

You Tube é minha primeira opção quando me sento em frente à tela. Mais especificamente, e isso já vem por um bom tempo, vídeos de casas antigas sendo reformadas pelos próprios donos. Desde casas muito baratas na Sicília ou uma ‘ruína’ sendo transformada em lugar habitável na Costa Amalfitana, até uma propriedade de mais de quarenta anos comprada com tudo dentro em Idaho, nos Estados Unidos. Reafirma minha vontade de comprar uma casa velha e reformá-la eu mesmo, mas – como todos já deveriam saber – eu sou um guri de apartamento, não seria capaz... Ou talvez não tenha surgido a oportunidade e o momento para isso, sei lá.

 

Além desses vídeos, desde o final de março, quando voltamos da viagem que passou por Nova York, ando fixado em vídeos de apartamentos em Manhatan. Principalmente pelas vistas da cidade que esses locais apresentam. São apartamentos de quatro ou cinco milhões de dólares que evidentemente nunca vou comprar, mas que seriam lugares muito legais de morar. Acima desses valores, não olho, como – por exemplo – o apartamento mais caro do mundo, que custa duzentos e cinquenta milhões de dólares. Por uma questão de princípios.  

 

É muito dinheiro, jamais pagaria isso por um apartamento...


Até. 

sábado, maio 02, 2026

sexta-feira, maio 01, 2026

Chuva à Tarde

Chove nesse final de sexta-feira Dia do Trabalhador. Ou é Dia do Trabalho? Não importa, é feriado e é sexta-feira. Um terço de dois mil e vinte e seis já passou. Logo é Copa do Mundo. Depois, eleições. E o ano terminou. Mais um na conta, e menos um restante. Seguimos.

 

E chove... Uma goteira, fora,

Como alguém que canta de mágoa,

Canta monótona e sonora

A balada do pingo d'água.

(Chovia quando foste embora...)

 

Sempre que chove, e paro para ouvir o som da rua, não consigo não lembrar desse poema, que conheci (li e decorei) em 1987, em uma aula de literatura no segundo ano do ensino médio, na Escola Técnica de Comércio da UFGRS, nos fundos da Faculdade de Economia, Centro Histórico de Porto Alegre, curso de Técnico Operador de Computador Manhã. O professor de português e literatura acabou sendo o paraninfo da turma que se formou em dezembro de 1988 em uma cerimônia no Salão de Atos da UFRGS, e o grupo do ‘Fundinho’, do qual eu fazia parte, decidiu não ficar com todos os formandos no palco, como protesto por não sei o quê, mas eu não participei com eles, fiquei com a maioria em cima do palco como deveria ser. O meu ato de rebeldia foi não ir com o grupo como o esperado. Fazer parte do sistema foi ser alternativo... Qual significado disso? 

 

Absolutamente nenhum.

 

Apenas cheguei aqui em uma série de pensamentos paralelos que começaram com o som da chuva lá fora.


Até. 

quinta-feira, abril 30, 2026

A Melhor Fase da Vida

Há algum tempo, enquanto atendia a um paciente de cerca de cinquenta anos no consultório, ele comentou durante nossa conversa que vivia a melhor fase de sua vida, e elencou as circunstâncias e razões para esse pensamento, que eram basicamente as mesmas que eu, que tinha a mais ou menos a menos idade dele. Essa conclusão era a mesma para nós dois. Os cinquenta anos eram, para nós, a melhor fase da vida.

 

E ela seguiu. A vida, no caso.

 

Há poucos dias, uma semana ou duas atrás, atendi um paciente em primeira consulta, sessenta anos passados, em boa forma física e que comentou que comemorara o seu sexagésimo aniversário pedalando na Suíça, mais especificamente nos Alpes Suíços. Concluiu que estava ‘na melhor fase de sua vida’. Era alguém bem resolvido em termos de família, trabalho, relações pessoais. Não só isso.

 

Contou que, enquanto pedalava em trecho de subida ainda na Suíça, em determinado momento – em um pausa para descanso – passou por ele um ciclista claramente mais velho, subindo em um ritmo bom, constante. Ficou sabendo depois que o tal ciclista tinha oitenta anos, ou quase isso, e que vivia ‘o melhor momento de sua vida’.

 

Na hora não falei nada, apenas sorri cá com meus botões. A verdade (aquela...) estava na minha (nossa) frente o tempo todo, clara, cristalina, impávida que nem Muhammad Ali, apaixonadamente como Peri, tranquila e infalível como Bruce Lee*. Para não deixar dúvidas, peremptória.

 

A melhor fase da vida é agora.

 

Até.

* 'Um Indio', Caetano Veloso

quarta-feira, abril 29, 2026

A Verdade

Há muito tempo, provavelmente bem no início dos anos dois mil, eu costumava dizer que ‘enquanto as pessoas podem ter suas opiniões, meu compromisso era com a verdade’. Em algum momento até acho que foi o slogan de algum jornal, mas não vem ao caso. Era brincadeira, claro, mas até ali. Eu tinha o objetivo pessoal de falar a verdade.

 

A minha verdade.

 

E podemos entrar em uma discussão filosófica sobre o que é a verdade, ou A Verdade, aquela em escrita com letra maiúscula, única, definitiva, peremptória. Ela existe, realmente? Como a encontramos? Precisamos, queremos encontrá-la? 

 

Aliás, alguém pensa nisso, em encontrar A Verdade?

 

Já pensei, não penso mais.

 

Sigo o fluxo da vida, vivendo as minhas verdades e procurando ser tolerante com e respeitar as verdades dos outros. Se cada um vivesse a sua vida, a sua verdade, sem querer interferir, sem “se atravessar” nas verdades e nas vidas dos outros, tudo seria mais fácil. O mesmo com a liberdade. A tua acaba quando começa a minha.

 

Respeitar os limites do outros.

 

Não é difícil.

 

Até.

segunda-feira, abril 27, 2026

Sobre Certezas

Talvez seja cíclico, não sei ao certo, mas durante um tempo eu tinha certezas sobre a vida e o mundo, até o momento em que deixar de ter. Assim, de repente, humildemente. Viver sem certezas absolutas foi viver em um mundo novo, de aprendizados diários e uma ânsia de conhecer.

 

Contudo, tudo tem seu tempo, e chegou a hora de reestabelecer alguma segurança, alguma estabilidade na vida. De caminhar tranquilo por aí sabendo que certos fatos não mudam, que podemos sempre confiar. Fiquei feliz ao voltar conviver com algumas verdades inabaláveis (para mim, para mim). Como o caso dos vegetais comestíveis excluindo-se as frutas. Tenho a minha escolha.

 

A cebola.

 

Sou fã inconteste da cebola. Em molhos, saladas, qualquer que seja seu uso ao cozinhar, sempre é bom.

 

Era isso o que eu precisava dizer.


Até. 

domingo, abril 26, 2026

A Sopa

Esses dias, enquanto buscava uma fotografia para publicar em minha galeria do Instagram, como parte do projeto #phootooftheday, em que durante um ano publicarei uma foto aleatória – como o nome diz – por dia. Faltam agora cerca de vinte dias, aliás.

 

Mas dizia que procurava uma foto e pensava em uma música como tema para a publicação. Normalmente escolho a imagem e depois a música temática, digamos assim. Essa vez, contudo, tinha uma música em mente, que claramente estava associada a determinada fotografia.

 

A música em questão era ‘Produção Urgente’, do Nei Lisboa, que tem um verso que diz:

 

 ‘O mundo é quem sobrar no fim da noite dos amigos’.

 

A fotografia em questão é de mais de vinte anos atrás, quando eu estava morando no Canadá e vim comemorar meu aniversário em Porto Alegre, e era o final de noite, quando todos haviam ido embora e sobramos poucos, em volta de uma mesa, contando histórias e falando da vida. Não pude publicar, pois metade dos casais nela havia se separado.

 

Não ia pegar bem.

 

Decidi, então procurar outra que representasse o mesmo, e tive dificuldades de encontrar. Não que não existam outras que representem o mesmo sentimento, é claro que existem, até bem mais recentes, mas pensei naqueles amigos que te acompanham há muito tempo, passaram por quase todas as fases de tua vida, estiveram sempre ali, a um toque de distância. Existem também, mas são poucos e vão diminuindo ao longo do tempo.

 

E retorna outro pensamento mais ou menos recorrente: conforme o tempo passa, vamos ficando sozinhos, e algumas conversas não podem mais acontecer porque quem entenderia (por conhecer a história completa, desde o início) já não está mais por perto ou não entende mais.

 

Ilhas, vamos nos tornando cada vez mais ilhas.

 

Até.

sábado, abril 25, 2026

Sábado (e eu acho que vi um gatinho...)

O novo membro da família...


Dartagnan (ou Dart, de onde derivo Darth Vader, mas esse sou eu, O Estranho).

MUITO pequeno ainda, mas muito fofinho...

Bom sábado a todos.

Até.

 

quarta-feira, abril 22, 2026

Não Vamos Saber de Tudo

Conversava esses dias com minha mãe, e lembrávamos do meu tempo de adolescente, quando – durante os verões na praia – saía quase todas as noites, e eles - meus pais - não tinham a menor ideia de onde meu irmão e eu andávamos. Por outro lado, em Porto Alegre, saía pouco até entrar na faculdade. Por isso, diferente de mim, não lembro do meu pai ter me levado ou buscado de festas ou shows. Era outro tempo, claro.

 

Lembro do show do Sting no Estádio Olímpico, em 1987, quando eu tinha quinze anos. Até acho que já contei essa história por aqui, mas vamos lá... Fui ao show com amigos, e foi muito legal. Quando terminou, saindo do estádio, todos moravam na zona norte e apenas eu na zona sul. Fiquei sozinho, quase meia-noite, pensando em como voltar para casa. Teria que caminhar, ou pegar um ônibus, até o centro de Porto Alegre e daí para a zona sul. Era o que eu tinha de fazer, e ia fazer de forma mais ou menos tranquila. Era o final dos anos oitenta, eu tinha quinze anos, tudo ia dar certo. Eu imaginava, ou torcia para que fosse assim.

 

Saí do estádio, segui pela Av. Carlos Barbosa até a Av. Azenha, onde em frente a uma agência de um banco que existia ali, quase ao lado de onde fora (ou era, não lembro) a Ferragem Toledo, de que meu pai de um dos donos, bem ali, esperando suas filhas, estava um grande amigo do meu pai. Ao vê-lo, não tive dúvidas: fui falar com ele e acabei arranjando uma carona para casa. Sorte, acaso.

 

Comentei com ela essa história, que não lembrava (ou não sabia). Assim como várias histórias que vivi que nunca chegaram ao conhecimento deles, para o seu próprio bem... Lembrando que eram tempos diferentes, e que a relação entre pais e filhos era diferente. Que nós, pais de hoje em dia, sabemos bem mais da vida de nossos filhos que nossos pais sabiam da nossa. 

 

É evidente que existem acontecimentos e histórias que acontecem com a Marina que eu não fico sabendo, e está tudo bem, deve ser mesmo assim. O importante é que ela sabe que estaremos sempre presentes quando ela precisar. Que confiamos nela e que ela pode contar conosco.


Até.