domingo, julho 12, 2026

A Sopa

Sou das manhãs dessa cidade, na meia estação... cantou Nei Lisboa em ‘Pronta-Entrega’, do álbum Cena Beatnik, lançado no ano de 2000. Fala de Porto Alegre, da Redenção e do pôr-do-sol. Também em maré vermelha a festejar, que pode ser o Inter ou a esquerda, mas não vem ao caso. O tema central aqui – para mim, para mim - são as manhãs. 

 

Sou das manhãs.

 

Desde os meus dezoitos anos, ao menos, independente da hora que vou dormir, sempre acordo e me levanto cedo. Sem sofrimento. Ao contrário, com prazer. Eu realmente gosto de acordar cedo, de aproveitar a manhã. Se for sábado, e tiver sol, então, vocês já devem saber: é o melhor momento da semana.

 

Esses dias – mentira, hoje – acordei um pouco mais tarde do que o meu horário habitual de domingo, no inverno, algo como oito e meia da manhã. Tomei café da manhã como sempre faço, afinal sou um homem de hábitos, e quando me dei conta – ao me sentar para escrever essa Sopa – a manhã já se aproximava do final. Por uma hora a mais de sono, a sensação de uma manhã perdida...

 

O som que toca enquanto escrevo e tomamos chimarrão, a Jacque e eu, tentando evitar que D’Artagnan, nosso gato, consiga derrubar a cuia e derramar a erva pensando que é brinquedo, é um vinil do Neil Young, Comes a Time, e sei que não é, ou foi, uma manhã perdida. Uma manhã de domingo lenta antes da correria e trabalho que começa pouco depois do meio-dia e vai até tarde, porque seremos os últimos a subir no palco, por volta das 23h, no GREZZ, para tocar Beatles encerrando mais um show de temporada da School of Rock Benjamin.


E amanhã, 13/07, Dia do Rock, acordo cedo, médico.

 

Como sempre.


Até. 

sábado, julho 11, 2026

Sábado (e amanhã tem de novo)

E é no Grezz...


Show de temporada School of Rock Benjamin.
Amanhã, domingo, no GREZZ.

Bom sábado a todos.

Até.



 

quinta-feira, julho 09, 2026

Não

Áudios não, por favor.

 

Desde o advento dos smartphones e aplicativos de mensagens instantâneas e redes sociais, a facilidade de comunicação, de acesso às pessoas, melhorou de forma colossal. A vida certamente ficou mais fácil sob esse ponto de vista. Mas nem tudo são flores, evidentemente. Ainda mais para alguém que preza muito pela linguagem escrita, como eu.

 

Incomoda muito ser obrigado a ler mensagens mal escritas, com erros grosseiros de gramática, desde concordâncias verbal e nominal até pontuação. Sobretudo pontuação, acima de tudo pontuação. Incomoda a ponto de causar irritação. Mesmo assim, toleramos textos não tão bem escritos (desconto sempre para gírias e abreviações, claro) porque faz parte, tudo certo.

 

O que incomoda, confesso, são áudios.

 

E afirmo que entendo a praticidade de se gravar um áudio ao invés de escrever uma mensagem, e que existem situações em que o melhor é fazer dessa forma. Ainda assim, e pode me chamar de rabugento e chato, me desagradam áudios de formal geral. Casos – e pessoas – específicos, tudo certo, sem problemas. 

 

Se é importante, ou urgente, e deve ser falado, não escrito, por favor me liga. Se eu não puder falar na hora, combinamos de ligar depois. Simples assim.

 

Áudios de WhatsApp não são uma forma pessoal de comunicação, exceções à parte. Ou talvez eu seja uma pessoa mal-humorada mesmo...


Pode ser, pode ser.

 

Até.

quarta-feira, julho 08, 2026

Sobre as Ideias

As ideias, as inspirações, estão por aí, etéreas, no ar, esperando para serem transformadas em realidade. Não adianta absolutamente nada ser a pessoa mais criativa do mundo se isso não for traduzido em algo do mundo real, concreto. 

 

Vale para ideias de negócios, vale para a arte, vale para o que imaginarmos... Ideias não postas no papel e não executadas não servem de nada. Não só isso, se demorarmos muito para executá-las, alguém pode ter a mesma ideia e seguir em frente. É da vida.

 

Voltei a pensar nisso ao assistir – nos últimos dias – em dois momentos diferentes, falada por dois grandes nomes do standup brasileiro, a mesma coisa que falo há anos sobre a ‘Zona de Conforto’. Sobre como é bom estar na chamada zona de conforto e a pergunta sobre qual a razão para sair dela. A mesma abordagem. Fui pesquisar e descobri um texto meu publicado no blog em 2022 falando disso, com esse enfoque.

 

Não estou dizendo que sou o autor original e nem que copiaram ou plagiaram uma ideia minha. Claro que não. Até porque – se pensarmos um pouco – essa ideia parece óbvia. 

 

Vejo como justamente aquela coisa de que a ideia está aí, no ar, esperando que alguém a coloque no papel, e a divulgue.

 

Isso é o legal da arte, da vida.


Até. 

segunda-feira, julho 06, 2026

A Sopa

Julho de 2012.

 

Estou no Aeroporto de Carrasco, em Montevideo, aguardando o voo da GOL que me levaria direto para Porto Alegre após o Congresso da ALAT, Associação Latino-Americana de Tórax. Naqueles dias, a PLUNA, companhia aérea uruguaia havia decretado falência (ou algo assim) e muitos colegas que tinha ido para o congresso por essa companhia estavam tendo dificuldades em coordenar sua volta. Eu, não, afinal estava – como falei - voando GOL. 

 

Após realizar o checkin, estava aguardando o momento de embarcar quando vi, comprando um lanche, eu acho, em sua cadeira de rodas, músico Herbert Viana, guitarrista e vocalista dos Paralamas do Sucesso, uma das bandas que escreveu a trilha sonora de minha vida. Ali, muito próximo de onde eu estava. Lembrei que havia lido que eles haviam feito um show em Punta del Este, e certamente esse era o momento da volta.

 

Queria dar um alô, quem sabe tirar uma foto, mas – confesso – fiquei constrangido em parecer muito fã (o que eu realmente era). Então cheguei ao lado, e perguntei para ele, como se fosse um velho conhecido, “Como foi o show em Punta?”, no que ele respondeu que havia sido bom, e acabou ali a conversa. Saí frustrado comigo mesmo, pelo que eu considerei depois uma abordagem ridícula. Nunca mais faria isso.

 

Um tempo depois, não sei quanto, estava na Santa Casa, no Laboratório de Função Pulmonar, quando percebi que quem estava fazendo exame era o Humberto Gessinger, de quem também sou fã e quem também escreveu parte da trilha sonora da minha vida, com os Engenheiros do Hawaii e depois em carreira solo. Dessa vez, agi diferente. Me apresentei a ele e disse o que eu precisava dizer: obrigado por tudo. Só isso, simples assim. Essa, a mensagem.

 

Passa mais um bom tempo, e chegamos ao final de semana dos dias 26 e 27/06 de 2026. Show do Barão Vermelho em Porto Alegre, com a formação original (com o Frejat nos vocais e guitarra). Através de um querido amigo, ganhei dois ingressos cortesia com acesso ao backstage após o show, e fomos a Jacque e eu. Show maravilhoso, e – no final – ficamos lá para conversar (mesmo que por breves instantes) com a banda.

 

A fila terminava no Frejat, quem mais tirava fotos. Enquanto esperávamos, pude conversar rapidamente e tirar foto com o Dé, o baixista, e depois com o Frejat. O que disse a eles, o que precisava dizer a eles? O que eu devia ter dito para o Herbert e disse para o Humberto. “Obrigado, a vida seria menor sem a música de vocês”.

 

Esse é o poder da música, ele torna a vida maior e o mundo melhor.


Até.    

sábado, julho 04, 2026

Sábado (e Por Aí, Porto Alegre)

 

Praça da Alfândega


Era sábado, era manhã, e tinha sol...

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, julho 01, 2026

Julho

Assumi.

 

Semestre novo, vida nova.

 

Vai ser assim, a partir de agora. Vou dividir o meu ano em duas partes que serão bem divididas, vou zerar o meu calendário de projetos e expectativas a cada seis meses. Não decidi até agora se vou fazer algum tipo de celebração da passagem de semestre, da mesma forma que não sei se celebrarei um aniversário a cada novo ciclo. Aumentar minha idade duas vezes por ano não parece a melhor estratégia...

 

Por outro lado, o meu foco atual é outro. Preciso, quero, cada vez mais, viver o presente, estar presente. Há um tempo, superei viver do ou viver no passado (menos quanto ao café, que alterno entre o passado e o espresso). A questão é aprender a viver em um balanço adequado entre o presente e o futuro. Como falei, estar presente, aproveitar o presente, ao invés de antecipar as angústias de um possível futuro. Planejá-lo, sim, projetá-lo, mas o que for feito agora é o que determinará o que virá.

 

Preparando o futuro, mas vivendo muito o agora.


Até. 

domingo, junho 28, 2026

A Sopa

Essa não é uma crônica motivacional.

 

Poderia ser, contudo. Tenho, por vezes, essa coisa meio, assim, coach. Acontece quando tenho algum tipo de epifania e percebo, ou me dou conta, de algo que pode mudar o forma que vejo as coisas, a forma como encaro o mundo, ou a vida.

 

Todo final e todo início de ano eu tenho a ideia de recomeço, de zerar as coisas, “recomeçar do zero”. Novo ano, vida nova. Deixar para lá o que precisa ser deixado para trás, começar um novo momento, um novo eu. Sei que não sou o único, que isso não é inédito, e está tudo bem.

 

Pois bem.

 

Está terminando o primeiro semestre de dois mil e vinte seis. Tem sido um ano desafiador, confesso. Chegando em sua metade, me vi semana passada olhando para a segunda parte do ano e vendo como uma folha em branca cheia de possibilidades. Por que então não zerar o cronômetro após meio ano? Iniciar julho como se fosse um novo momento de vida. Ou mesmo a cada início de mês? Ou – extremo – ver cada manhã, cada dia que começa como um novo mundo de probabilidades em frente?

 

Não...

 

Essa não é uma crônica motivacional.

 

Até. 

sábado, junho 27, 2026

Sábado (e dividindo o palco)

 

Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar...


Trem das Onze.
Aniversário do amigo Alexandre Losekan.
Encouraçado Butikin, Porto Alegre.

Bom final de semana a todos.

Até.

quarta-feira, junho 24, 2026

Ser ou Não Ser

Uma pergunta que é feita com frequência, não necessariamente para mim, é sobre o que eu (ou quem quer que seja) faria na vida se dinheiro não fosse uma variável a ser considerada. Algo como, “se não precisasse de dinheiro para sobreviver, o que você faria, quem você seria?”. Isso diz muito sobre como vai a vida (de cada um).

 

Essa questão, ou dilema, é da mesma natureza daquela relacionada a uma hipotética volta ao passado para mudar algo feito, dito, ou não feito, não dito. Sempre foi tranquilo para mim: eu não mudaria nada no passado para não correr o risco de não estar onde estou e com quem estou na vida. Não mudaria o passado para não afetar o presente, não correria o risco de uma realidade paralela diferente da que vivo. Entendo que não é exatamente a mesma coisa.

 

Porém...

 

Não consigo não pensar nisso quando a pergunta aparece, e mesmo que a questão financeira seja primordial, básica e urgente para todos, ou a maioria de nós, pensar em que eu seria, ou o que eu faria se tirássemos o dinheiro da equação, me deixa tranquilo perceber que eu seria quem sou, faria o que faço e viveria como vivo.

 

Humildemente, sigo.


Até.

 

domingo, junho 21, 2026

A Sopa

 Inverno.

 

Nunca tive aquela coisa de ‘não gostar’ do inverno, ou do verão, que seja, como alguns (muitos?) costumam manifestar com ênfase. Minhas preferências, digamos assim, já variaram ao longo do tempo. Mas não gostar de uma estação inteira, um quarto do ano, é muita coisa (para mim, para mim).

 

Eu prefiro, confesso, os dias longos de temperaturas amenas, usar camisetas, bebidas geladas e estar ao ar livre. Prefiro sair do trabalho e ainda ter dia claro pela frente, o que me torna favorável ao saudoso horário de verão. O inverno, contudo, tem suas (muitas) características positivas, que aprecio também. E olha que nem falo do consultório, que claramente prefere o inverno...

 

É a estação da introspecção, dos silêncios, do dormir mais e melhor, mas também dos encontros, das sopas, das comidas quentes, das conversas em torno do fogo. Do vinho, do dividir o pão. Enquanto o verão é o tempo da extroversão, o inverno é o momento de estarmos próximos, reflexivos e aquecidos.

 

Durante muito tempo, procuramos, a Jacque e eu, viajar para o inverno, em busca da neve, dos dias curtos e noites longas. Uma das grandes férias que tivemos, há mais de vinte anos, foi para a montanha, no norte da Itália, e dias olhando a neve lá fora enquanto assistíamos às Olimpíadas de inverno na televisão. Claramente preferíamos o inverno.

 

O que mudou depois que morei no Canadá, onde o inverno – muito mais que frio, que já é muito – é longo, foi que passei a gostar muito mais do verão do que antes, sem desmerecer o inverno, claro. Tudo a seu tempo, curtindo cada momento.

 

E sopas, muitas sopas.

 

Até.

quinta-feira, junho 18, 2026

Não É Preciso

Sempre quis saltar de paraquedas.

 

Desde muito cedo lembro de ser fascinado por isso, pela possibilidade da emoção e da adrenalina envolvidos nessa, digamos, aventura. Sempre fui alguém que tinha por aspiração viver esses momentos intensos, porque sabia que seriam histórias para contar, como não canso de dizer.

 

Quando iniciei o serviço militar na Aeronáutica, como médico, ainda na fase do treinamento militar inicial, depois de duas semanas de confinamento no quartel, surgiu a possibilidade de um grupo entre nós de fazer o curso (acho que era um curso) e, então, o salto. A minha oportunidade havia aparecido!

 

Não fui, não fiz, não saltei.

 

Percebi que não precisava. 

 

Simples assim. Pesando os riscos, por menores que fossem, não valia a pena correr em troca dessa experiência. Tinha muito mais o que (e quem) perder do que seria razoável. Eu tinha para quem voltar, eu precisava voltar. Dessa forma achei melhor não ir. Sem estresse, sem drama.

 

Todas as decisões que tomo na vida desde então, e isso foi amplificado exponencialmente desde que a Marina nasceu, levam em consideração o fato de que tenho por quem voltar para casa, e riscos – podemos dizer – fúteis não são corridos. O que não quer dizer que vivo envolto em plástico bolha, sentado no trono de um apartamento com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Não mesmo.

 

Apenas evito correr riscos sem sentido, tento não cometer loucuras irresponsáveis (no meu ponto de vista, claro). A minha adrenalina vem de outras fontes, de outras emoções.

 

Até.

 

terça-feira, junho 16, 2026

Você Não Vai Formar Ninguém

Sim, eu sou implicante e frequentemente mal-humorado e – quem sabe – algo antiquado. Admito, aceito, confesso. Por outro lado, também tenho meu lado “moderninho” – para o bem e para o mal – como minha vida digital, em redes sociais. De qualquer forma, sei que posso ser ranzinza muitas vezes, e com orgulho. Azar.

 

Mas as pessoas abusam do meu (nosso) bom humor.

 

Existe, de um tempo para cá, uma mania em redes sociais, Instagram basicamente (que é a rede que frequento, onde vejo), de as pessoas afirmarem, ao anunciarem que estão indo a um casamento ou formatura de alguém, que estariam indo ‘formar’ fulano, ou ‘casar’ tais amigos. Olha só, deixa eu dizer uma coisa.

 

Não.

 

Você não vai casar ninguém, a não ser que você seja padre, pastor, juiz de paz, ou alguém habilitado a oficiar um casamento, ou um dos noivos, que vão se casar (entre eles), você no máximo será testemunha do acontecido. Ação passiva, não ativa. Não tente ser protagonista de um evento em que é coadjuvante.

 

A mesma coisa que ‘formar’ alguém. Se você não é o reitor, ou diretor do curso, que está conferindo o grau, que está graduando, ou você é um curso superior, você não vai formar ninguém. O mérito é que quem está lá, aquele é o momento dele. De novo, você foi convidado a testemunhar o evento, essa é sua participação. Não é sobre você.

 

É simples. Seja personagem principal da tua própria história, não tente protagonizar a vida dos outros. Fica na tua.


E não enche o saco.


Até. 

domingo, junho 14, 2026

A Sopa

Tenho utilizado a IA para auxílio em algumas tarefas do dia a dia, como quase todo mundo. A que mais uso, atualmente, é o Gemini, da Google. Temos, sim, conversado.

 

Chamo ela de ‘Seu Élio’.

 

Volto no tempo, ao já longínquo ano de mil novecentos e noventa e seis, mais ou menos por essa época, ou um pouco antes, quando fazíamos os preparativos para o nosso casamento, a Jacque e eu, que ocorreria em trinta e um de agosto daquele mesmo ano, quase trinta anos agora. Entre os profissionais contratados – poucos, se comparado com os casamentos atuais – estava o fotógrafo.

 

Em um tempo de máquinas analógicas e filmes de trinta e seis fotos, o fotógrafo faria as fotos e depois do casamento escolheríamos quais aquelas de nossa preferência pagaríamos por unidade (havia um mínimo de fotos já pagas, e fotos a mais eram pagas à parte). Outros tempos, outros tempos. As máquinas digitais chegariam alguns anos depois, mas isso é outra história.

 

Não lembro quem nos indicou o profissional que acabamos contratando, justamente o ‘Seu Élio’, um senhor tranquilo e cordial. Extremamente cordial. Muito mesmo. Concordava com tudo o que disséssemos e sempre acrescentava um ‘casal lindo, que maravilha’. Sempre. Todas as vezes. Até hoje não conseguimos não lembrar disso quando nos deparamos com alguma situação ou alguém parecido.

 

Como com a IA, e não importa qual delas.

 

Tudo o que pergunto, sugiro ou peço a ela é respondido com elogios à ideia, ou o plano. Sempre ressalta o grau de inteligência e adequação dos planos feitos dos projetos pensados. Sempre vejo a resposta recebida e lembro do ‘Seu Élio’: boa gente, bem-intencionado, mas querendo agradar demais, às raias de forçar demais a barra. Parece muita bajulação, até mesmo para mim...

 

Até. 

quarta-feira, junho 10, 2026

Uma Dor Que Não Tem Fim

Toda sofrimento é infinito enquanto dura.

 

Lembro de quando sofri o acidente de bicicleta há quase três anos e fraturei o braço direito. Não lembro de como foi a queda em si, e nem suas circunstâncias, e nem de chegar em casa pedalando. E foi esse a preocupação inicial, a amnésia, e dúvida de que fosse um trauma de crânio mais sério. Apenas após fazer tomografia de crânio, passar por avaliação com neurologista e ser liberado, é que fui ver o que tinha acontecido com meu antebraço, que estava fraturado, próximo ao punho. Imobilização com tala gessada, medicação para dor, e seguimos.

 

Vários óbvios inconveniente de estar com um braço imobilizado até acima do cotovelo. Um dos principais era, por óbvio, o banho. Tinha que enrolar um saco plástico para não molhar o gesso e tonar o banho com o braço elevado. Inconveniente e cansativo, podem imaginar. Naquele momento, só pensava que aquilo parecia nunca ia terminar. 

 

Terminou, claro, como sempre termina.

 

Voltemos ao presente.

 

Há pouco mais de dez dias, após não conseguir ir à academia por questões alheias à minha vontade, decidi fazer atividade física em casa, como nos tempos da pandemia. Só que exagerei, forcei demais, e minha coluna cervical sentiu, e reclamou. 

 

E voltei à 2022, quando - em férias de carro pelo Uruguai – passei doze dias com muita dor, fazendo uso de medicamentos diariamente. A minha sorte foi que não tinha dor ao dirigir. Pouco mais de um mês após as férias, perdi força no braço direito, consultei, fiz ressonância e foi documentada uma hérnia de disco cervical, cujo tratamento, conservador, foi o uso de um colar cervical por três semanas, com sucesso.

 

Tive, então, após o exagero na atividade física (certamente com má postura minha durante) a certeza, ou forte impressão, de que era isso novamente. Tentei tratar com medicamentos nos primeiros dias, sem melhora. Passei a usar em casa o colar cervical, “para descanso”, principalmente em frente à tevê. 

 

A noite de domingo para segunda passada foi muito ruim pois, além da dor que sentia ao me virar na cama, o que interrompia o sono, estava também resfriado e com tosse. Passei boa parte da noite tossindo e com dor. Ao amanhecer, estava decidido: ao menos dez dias de colar cervical e, conforme, ressonância e fosse o que fosse. O fato de não estar tomando antinflamatório por estar também tratando uma gastrite descoberta quando fiz endoscopia (não sentia nada antes, passei a sentir depois...), podia estar contribuindo para a não melhora, ou demora em melhorar.

 

Passei a segunda-feira usando o colar cervical, certo de seria assim por um bom tempo. Mudei o travesseiro, tomei todos os cuidados. Quando em uso, não tinha dor nenhuma. Fui dormir. Acordei sem dor. 

 

Nenhuma.

 

Belisquei meu braço só para ter certeza de que não havia morrido. Não, estava bem aqui, vivo. Por precaução, passei o dia com o calor cervical mais uma vez. Fui dormir, mesmas precauções do dia anterior. Acordei hoje. Sem dor. Vivo. Saí de casa sem o colar cervical, mas deixei ele no carro. Ainda ressabiado, hiperfoco na cervical, me observando.

 

Vamos ver. Até domingo, parecia, como sempre parece, que a dor não teria fim. Talvez tenha passado, talvez.


Até. 

segunda-feira, junho 08, 2026

A Sopa

A virtude está no meio termo.

 

Segundo a ética Aristotélica, a virtude moral é o ponto de equilíbrio entre dois extremos viciosos: o excesso e a falta, ou deficiência. In medio stat virtus, doutrina que foca na moderação e no equilíbrio. E, com o passar dos anos, aprendemos isso na prática. Temos que evitar os extremos.

 

Como com a prática de atividade física.

 

É sabido por todos que o sedentarismo é claro fator de risco para doenças crônicas e mortalidade precoce. Mais, as atividades de força, de reforço muscular, são fundamentais para qualidade de vida no futuro de todos nós. Por outro lado, o exagero nelas também não é saudável.

 

Eu, por exemplo. Em virtude de circunstâncias da vida, migrei de alguém extremamente ativo para o sedentarismo ao longo do tempo. Trabalho, basicamente, era responsável pela falta de tempo. Uma clara desorganização contribuía para esse fato, também. Até chegar ao ápice do meu maior peso, do percentual de gordura corporal, do sedentarismo e do estresse. Como escrevi em algum momento, eu era o cara que iria morrer.

 

Mudei isso aos poucos, porém com intensidade crescente. Cheguei a fazer atividade física diariamente, entre musculação e ciclismo, sete dias por semana, por quase seis meses. Depois, fui moderando. Atualmente, faço cerca de três a quatro vezes por semana, e me sinto bem. O problema é que abusei, por esses dias.

 

Como não consegui ir à academia, há umas duas semanas, decidi fazer um treino em casa, como muito fiz durante o auge da pandemia, quando as academias estavam fechadas. Acho que forcei demais. Desde então, venho com dores na minha cervical, de certa forma parecidas com as que tive quando fiz uma hérnia de disco cervical há 4 anos. 

 

Associadas a um resfriado em atividade, passei a noite entre tossir e dor ao me mexer na cama. Hoje cedo, colar cervical para controle de dor e ‘repouso’ da coluna, como foi em 2022.

 

Faltou moderação, faltou moderação.


Até. 

sábado, junho 06, 2026

Sábado (e uma manhã de um feriado)

Na Orla do Guaiba...
 

Nem muito rápido, nem muito devagar...

Bom sábado a todos.

Até.

sexta-feira, junho 05, 2026

O Que Importa

Estava pensando.


Não devemos perder a perspectiva do que realmente é importante para cada um de nós, e sei que essa é uma questão completamente individual, pessoal, íntima. Não importa aquilo que desejas, o que te parece fundamental, essencial, não importa mesmo, só não perca a noção disso. Não fuja do que te motiva, não esqueça dos teus porquês. 

 

Em meio às pequenas (ou nem tanto) questões do dia a dia, sobrecarregados pelos problemas, pelos obstáculos que surgem na caminhada, corremos o risco de perder de vista o que faz sentido para nós, o que está em sintonia com nosso mundo. Temos que – de todas as formas – evitar isso. Evitar que esqueçamos o sentido de tudo, o sentido da vida.

 

As pessoas, as relações.

 

Até. 

quarta-feira, junho 03, 2026

Velho

Quando começa o declínio?

 

Podemos ver a (nossa) vida como uma jornada em que evoluímos ao longo do tempo, física e emocionalmente. Como uma civilização, surgimos e nos desenvolvemos até atingirmos nosso ápice (independente do critério que utilizamos para definir isso), vivemos esse auge e, em determinado momento, iniciamos uma curva descendente, em direção ao inevitável final.

 

Então me pergunto, e antecipadamente sei que isso é individual, qual o momento em que inicia essa descendente. Quais os fatores que determinam o início do fim?

 

Domenico de Masi, escritor italiano do ‘Ócio Criativo’, escreveu que ficamos velhos cerca de dois ou três anos antes de morrermos. Que ficar velho seriam os últimos instantes da vida. O que nos deixa velhos, então?

 

Eu penso que a perda de sentido, de propósito.

 

Pode ser aposentadoria para quem viveu o trabalho como o ponto central de sua existência, como sua identidade, e, ao parar de trabalhar, não sabe mais quem é. Pode ser a perda de relacionamentos, sejam eles familiares ou não. Pode ser a limitação física, ou o mundo que fica menor porque nos isolamos. 

 

Esse é uma das razões pelas quais me preparo diariamente, tanto com a manutenção de atividade física, e todas as formas de criar e manter conexões com as pessoas que busco no meu dia a dia.

 

É para não envelhecer, independente do que o calendário insiste em querer me dizer.

 

Até. 

terça-feira, junho 02, 2026

A Sopa

Terça-feira.

 

Essa é uma Sopa inédita. Nunca na história desse blog eu publiquei uma Sopa em um terça-feira. Há mais de vinte anos, quando ela iniciou, primeiro em segundas-feiras e depois em seu dia habitual, domingo. Nunca em uma terça-feira. Qual o significado isso?

 

Nenhum.

 

Posso dizer que me atrapalhei no domingo, após pedalar de manhã, depois fazer o almoço de família que teve como convidada minha mãe, e uma tarde sonolenta, passou o domingo. E a segunda, da mesma forma, passou correndo entre trabalho e aula de música e ensaio à noite. Aconteceu.

 

Também não houve uma urgência literária, modo de dizer, algo que se impusesse como assunto a ser discutido e pensado nessas minhas crônicas que já foram diárias e que agora tem tido fluxo e frequência variáveis. Ficou tudo, A Sopa, quero dizer, para uma terça-feira em que os primeiros pacientes da manhã de consultório desmarcaram.

 

Estive, entretanto, por esses dias com minhas atenções voltadas para a vida digital e seus potenciais problemas. Tive minha conta da Microsoft.com invadida e meu One Drive sequestrado por um usuário com e-mail de origem russa (.ru). Apesar de todas as minhas tentativas de recuperação com a própria Microsoft, não consegui. E dou como perdidos os meus arquivos de backup que estavam contidos nesse drive. 

 

Sim, perdi acesso ao meu drive de backup, com fotos, documentos, entre outros. Fiz boletim de ocorrência na polícia tentar me proteger de um eventual uso de informações contidas nesses documentos e bola para a frente. Eu tinha outro(s) backup(s) de tudo – e até bem mais atualizados – em outra(s) nuvem.  Troquei minhas senhas, configurei os acessos aos sites em duas etapas, bloquei meu cartão de crédito. 

 

Como eu disse, bola para frente.

 

O chato disso é que tirou o meu foco de projetos que eu gostaria de ter tocado desde a semana passada, e que vou tentar dar continuidade essa semana. Como escrever essa Sopa, por exemplo.


Até. 

sábado, maio 30, 2026

Sábado (e trabalhei)

 

Em São Paulo


Depois de muito tempo, um sábado de manhã de trabalho (como médico).
Foi legal.

Até.

segunda-feira, maio 25, 2026

A Sopa

Última semana de maio e estou com todas as pendências que potencialmente me tiravam o sono resolvidas. Imposto de renda, recadastramento em convênio e colonoscopia feitos e entregues. Agora é só esperar pelo Natal.

 

Brinco, claro.

 

Mas, sim, essas pendências tinham o poder de (eu permitia isso) me incomodar, mesmo sendo rotineiras e parte de vida, e me tirar o foco daquilo que é realmente importante. Sei que não deveria ser assim, mas esse ano não consegui evitar. Independente de tudo, seguimos.

 

Após resolver as questões mundanas referidas previamente, pude (posso) voltar minha atenção ao que acho que preciso, que é pensar (fugindo do que chamam de overthinking) a vida como um todo. Refletir, analisar, ponderar quem tenho sido, se estou sendo quem eu deveria ou gostaria de ser.  Mais do que isso, mais do que pensar, planejar a vida, o foco é estar presente, viver o momento.

 

Conversava com um grande amigo esses dias, e uma verdade que rondava nossa conversa era de que – seja lá o que estejas fazendo, ou passando, ou vestindo – não importa nada disso, pois as pessoas não estão nem aí para nós, no sentido de que cada um está focado em sua vida e em seus problemas. Nada do que parece tão grave e importante na verdade o é, e nos preocupamos muito mais com o que poderia acontecer do que com o que realmente acontece.

 

A mensagem que sempre vem para mim é ‘Fica na tua’.

 

Não importa nada disso.

 

Fica na tua.

 

Até.

sábado, maio 23, 2026

Sábado (e eu, multimídia...)

 

Podcast da AMHSL


Está no ar o primeiro episódio do Podcast da AMHSL, Associação dos Médicos do Hospital São Lucas da PUCRS, que tenho a honra de apresentar / moderar. Vamos conversar com professores, colegas e amigos que fizeram e fazem a história da Associação, do São Lucas, da Escola de Medicina, da PUC e, também, da medicina gaúcha e brasileira.

Está bem legal.

Confere aqui.

Bom sábado a todos.



quarta-feira, maio 20, 2026

A Culpa

Sentimo-nos culpado. Sempre.

 

A culpa faz parte das história da religião judaico-cristã, e está lá, viva e forte, desde o início, no Gênesis, desde a perda da inocência de Adão e Eva, desde o pecado original. Desde que criamos consciência, convivemos com a culpa, em maior ou menor grau. Que fique claro: se existe consciência, existe a culpa.

 

Quando falamos de sociedades primitivas, falamos do medo e da culpa coletiva pela violação de regras sagradas e o despertar da ira divina. Sacrifícios, como o do bode expiatório, serviam justamente para limpar a culpa e restabelecer a ordem das coisas. As tragédias gregas falam de culpa, mesmo involuntária. Durante a idade média, a igreja centralizou a culpa na figura do pecado, e como uma forma de manter a ordem social. Mais modernamente, a culpa está ainda entranhada na vida das pessoas.

 

Digo que, na minha, ao menos, está.

 

Uma culpa que carreguei por muito tempo era com relação à minha saúde. Venho superando ao longo tempo. Um exemplo disso é que desde 2019 venho praticando atividade física regularmente, e superei a culpa por ser sedentário, que carreguei por um bom tempo. Os checkups que envolviam exames de sangue e imagem nunca foram uma dificuldade. O meu maior problema e culpa estavam relacionados à minha dificuldade em me organizar para a preparação e realização da colonoscopia e endoscopia digestiva.

 

Sempre havia alguma coisa, algum compromisso que impedia. Ou era trabalho ou eram atividades sociais. Sempre um obstáculo. Não conseguia organizar. E o tempo passando e a culpa crescendo, dizendo que quando fizesse seria tarde demais. Até que decidi romper o ciclo.

 

Eu mesmo solicitei o exame e falei com o colega que faria. Nem consultar consultei. Direto para o exame. Endoscopia e colonoscopia no mesmo dia. Fiz o preparo em casa, e ontem pela manhã, finalmente fiz.

 

Me livrei da culpa, dessa culpa.

 

Vamos para a próxima.

 

Até. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A Sopa

Pandemia feelings.

 

Segunda-feira de manhã em casa sempre traz à memória aquele período maluco (para dizer o mínimo) em que o mundo meio que parou, pois não havia a possibilidade de encontros, eventos sociais, confraternizações ou festas enquanto lidávamos com um vírus e suas consequências, reais e imaginárias. Era de casa ao consultório / hospital e de volta para casa. Havia uma patrulha sobre quem saia de casa por esses dias. Lembro de ter me sentido culpado a primeira vez que saí para pedalar sozinho, ao ar livre, sem máscara. 

 

Loucura mesmo.

 

Não era disso que queria falar, evidentemente.

 

Fiquei em casa hoje, e estranho o silêncio da manhã de segunda-feira enquanto escrevo essas mal traçadas linhas. Estranho, porém bem agradável. Gosto dos silêncios, assim como gosto dos sons, música, mas também conversas e risadas e barulhos. Tudo, claro, a seu tempo.

 

E hoje não é feriado, não estou de férias e nem doente.

 

Estou em preparo para um exame amanhã cedo e aproveitei para, ficando em casa, organizar algumas coisas, pensar outras. Uma pausa (final de semana não conta) bem-vinda e sempre necessária.

 

Até. 

sábado, maio 16, 2026

Sábado (e um dia de trabalho)

Projeto em gestação


De uma manhã de quarta-feira...

Bom sábado a todos.

Até.

 

quarta-feira, maio 13, 2026

As Pequenas Pedras no Caminho

Meu atual esforço está claramente relacionado a aumentar minha resiliência ou, talvez uma forma mais precisa de dizer, tornar-me mais resistente (ou tolerante?) ao meu inimigo imaginário. Que sou eu mesmo. Volto, de tempos em tempos, a ficar encurralado no corner em um ringue de boxe em uma luta em que não há mais ninguém, além de mim.

 

Em passado mais ou menos distante, isso era Síndrome do Impostor, que eu chamava Síndrome da Luta de Boxe Imaginária antes de conhecer o nome pelo qual essa sensação, a de ser uma fraude, é conhecida. Não é mais isso, não é mais esse o problema.

 

É outro, são outros?

 

Identifico, por vezes, pequenos contratempos dos dias que acabam perturbando, tirando – mesmo que temporariamente – a paz interior. Não são os grandes desafios que assustam, mas sim as pequenas pedras que surgem no sapato e que muitas vezes nem estão realmente ali. Não deixar que essas pequenas incomodações afetem o todo, esse o objetivo.

 

Um passo depois do outro, degrau por degrau.

 

Vou tentando, vou tentando.


Até.

segunda-feira, maio 11, 2026

É Outono

Manhã fria de sol em Porto Alegre.

Sensação térmica abaixo de dez graus. 

Desço caminhando uma avenida a caminho do hospital, depois de ter deixado o carro no mecânico (de muita confiança). Amortecedor quebrado, o motivo do barulho que surgiu do nada no sábado à tarde. 

 

A rotina da semana começa alterada.

 

Paciência.

 

Como eu dizia, o que realmente importa é como reagimos ao que nos acontece, e não os acontecimentos em si. E isso não tem nada a ver com um carro que precisa de uma troca de peças.

 

Até.

domingo, maio 10, 2026

A Sopa

Um dito comum sobre inteligência emocional e desenvolvimento pessoal é o que diz que ‘a vida é 10% o que nos acontece e 90% como reagimos ao que nos acontece’. Encontramos essa afirmação entre os estoicos, ‘não é o que acontece com você o que importa, mas sim a forma como você escolhe reagir’. 

 

Foi Epicteto quem cunhou o conceito de que o mundo, tudo, se divide em duas categorias, o que depende de nós e o que não depende de nós. Devemos focar nossos esforços na primeira categoria, porque tentar controlar o que não tem controle gera angústia e frustração. Simples, em tese.

 

Fácil falar, nem tanto praticar.

 

Essa é uma das questões com as quais tenho lidado ultimamente, um balanço entre fazer o que precisa ser feito com relação ao que depende de meus esforços e lidar com o que está fora do meu controle. É o que há para fazer, para todos, mas com frequência isso é, digamos assim, um saco. Cansativo, na verdade. Gostaríamos todos, imagino, de um período de calmaria, com tudo funcionando a contento, e que pudéssemos nos dedicar apenas ao que é importante para nós, sem contratempos ou obstáculos.

 

Ou sem ficarmos incomodados quando ‘dificuldades’ (que, sim, sabemos que acabarão sendo resolvidas) surgem para tirar nosso foco do que realmente importa.

 

Até. 

sábado, maio 09, 2026

quarta-feira, maio 06, 2026

Intromissão

Pensamentos intrusivos vão e vem, me acordando mais cedo do que o habitual de tempos em tempos. Nem tão frequentes que preocupem ou justifiquem o uso de medicamentos, nem tão raros que me deixem esquecer. Entendo que são parte da vida, aprendi (sigo aprendendo) a lidar com isso.

 

Isso talvez seja fruto também de um possível excesso de ideias, planos e projetos que circulam pelos dias. Outro aprendizado em que venho trabalhando é o de priorizar, colocar em diferentes gavetas os diferentes projetos, conforme relevância e timing de execução, e saber que essas definições são fluidas, vão mudando conforme o tempo passa e as prioridades se alteram.

 

Quando ocorrem esses episódios de pensamentos intrusivos, uma forma de lidar é procurar olhar o todo, ter uma visão de perspectiva. A trajetória. De onde vim (viemos), o caminho percorrido, o que foi alcançado e o que está em andamento. Esse é o meu jeito de lidar com as incertezas, e inseguranças.

 

E seguir, como sempre.


Até.

terça-feira, maio 05, 2026

Miojo

O mundo está (muito) melhor.

 

A vida é, objetivamente, muito melhor hoje em dia do que no passado. Menos fome, menos guerras, menor mortalidade infantil, maior conforto, independente do critério que utilizarmos, a conclusão objetiva deve ser essa, mesmo que exista essa sensação geral de que seria o contrário, de que o mundo estaria pior.

 

Existem diversas razões para essa impressão, mas hoje quero focar em um lado dessa questão: a romantização do passado. Temos a tendência de registrar, de memorizar, principalmente o que foi bom ou, melhor, criamos uma narrativa pessoal que torna a maioria de nossas memórias positivas, e que atenua as que não. É humano isso, tudo certo. Lembrar dos ‘Anos Dourados’, como se a vida fosse mais fácil naquela época. 

 

Não era.

 

Como em qualquer situação, havia o que era bom e o que não era, o que era difícil. E não sabíamos viver de outra forma, porque não havia outra forma de viver. Era completamente diferente, assim como a forma que a vida será em cinquenta anos será bem diferente da vida hoje em dia. 

 

Porém...

 

Falávamos disso ontem à noite, em uma conversa que começou com videocassetes que ainda funcionam, avançou para as antigas locadoras de vídeo em que havia alguém que servia de curador, de orientador, que sugeria filmes baseado em nossas preferências, de quando íamos na sexta-feira à tarde retirar filmes que seriam devolvidos na segunda-feira com as fitas rebobinadas. As grandes locadoras e as de bairro, onde éramos conhecidos pelo nome. E comparamos com os dias atuais, que temos um mundo de opções em streaming e muitas vezes acabamos perdendo muito tempo pesquisando filmes, muitas vezes sem escolher nenhum. 

 

Era ritual, isso de assistir filmes em casa, assim como é ritual fazer um churrasco.

 

Todos sabem que churrasco não é apenas uma carne assada no fogo. É, justamente, um ritual, uma liturgia, uma reunião de pessoas que envolve muito mais que apenas uma simples refeição. E respeitamos muito esse ritual.

 

Insisto que a vida não era melhor no passado, porque não era, e esse exemplo das locadoras de vídeo e o ritual provavelmente seja – também – romantização do passado, mas, pensando bem, acho não conseguiremos no futuro romantizar tanto o atual presente, em que não há quase rituais, em que tudo é transitório, tudo é instantâneo.

 

Vivemos em um mundo miojo...


Até.