sexta-feira, janeiro 13, 2006

ATENÇÃO

Saíremos do ar por breves instantes para a troca de equipamento.

Voltaremos ao ar a qualquer momento ou em edição extraordinária.

Medieval

Você me pede
Pra ser mais moderno
Que culpa que eu tenho
É só você que eu quero

Às vezes eu amo
E construo castelos
Às vezes eu amo tanto
Que tiro férias
E embarco num tour pro inferno

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova Idade Média
Na mídia da novidade média

Olha pra mim, me dê a mão
Depois um beijo
Em homenagem a toda
Distância e desejo
Mora em mim
Que eu deixo as portas sempre abertas
Onde ninguém vai te atirar
As mãos vazias nem pedras

Eu acredito nas besteiras
Que eu leio no jornal
Eu acredito no meu lado
Português, sentimental
Eu acredito em paixão e moinhos lindos
Mas a minha vida sempre brinca comigo
De porre em porre, vai me desmentindo

Será que eu sou medieval?
Baby, eu me acho um cara tão atual
Na moda da nova Idade Média
Na mídia da novidade média

(Cazuza / Rogério Meanda)

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Os Inseguros Xenófobos e Outras Idéias

Porto Alegre é o melhor lugar do mundo para se morar.

Ponto pacífico, não aberto a discussões.

Evidentemente que isso é uma verdade minha, e que só vale para mim, e por uma razão bem simples: eu nasci e cresci em Porto Alegre, e as minha principais referências de mundo estão lá. Se eu tivesse nascido em Recife, por exemplo, Recife seria o melhor lugar do mundo. Para mim, claro.

O que não quer dizer que eu ache os outros lugares ou pessoas piores que Porto Alegre ou os gaúchos só porque não são Porto Alegre ou gaúchos. Mais, o fato de eu abertamente declarar que gosto do lugar em que nasci e sempre vivi e que o acho o melhor lugar do mundo não significa que o resto é porcaria. Absolutamente nada a ver.

Nós gaúchos somos assim, gostamos do Rio Grande e de todas suas referências, tecemos loas ao nosso chão, e não em detrimento de outros pagos. Mas sempre tem os que não entendem isso.

Quando cheguei ao Canadá, por exemplo, resolvi entrar em uma comunidade do Orkut sobre o Rio Grande do Sul. Não fiquei dois dias. O problema é que volta e meia aparecia um imbecil afirmando que o RS era melhor do que todo o resto do Brasil ou dizendo que deveríamos nos separar do Brasil. Os argumentos? Obviamente preconceito e desinformação. E insegurança.

Foi então que me dei conta que uma pessoa é ou xenófoba por duas razões: ignorância ou insegurança.

É humano (no sentido de comum, não de justificável) temer o que não se conhece. É assim que a maioria se porta diante do novo, seja em que situação da vida for. Imagino que os maiores xenófobos são aqueles que nunca saíram do seu “mundinho” seguro. São aqueles que nunca viram e não gostam. Têm medo de que o diferente (novo, estrangeiro, como quiserem) venha alterar a estabilidade que possuem, de perder o que têm.

É uma visão de mundo limitada. E não é exclusiva, no Brasil, de uns poucos gaúchos. Tem gente em todo o Brasil que é assim. É o que chamamos de “bairrismo”, mas na sua pior forma.

Racismo, por outro lado, é das mais abjetas características (se é que posso chamar assim) humanas. E no Brasil existe, e muito, e da pior forma possível: velado, não falado, negado. A primeira condição para corrigirmos um erro é admitindo-o. Acho que está na hora.

*Escrevi esse texto a partir do que escreveu a Denise, lá no Síndrome de Estocolmo.

Easy Going

Não diretamente relacionado ao que escrevi, mas tem a ver.

Nunca me senti discriminado por ser brasileiro, em nenhum lugar. Mais: acho que nunca fui mal-tratado em lugar nenhum do mundo em que estive.

Por isso não entendo muito bem quando as pessoas falam que os franceses são antipáticos, os alemães são mal-humorados, os americanos são arrogantes, etc. Não tive problemas nem mesmo com agentes de imigração nos Estados Unidos. Sou um cara de sorte?

Até sou, mas não tem nada a ver com sorte essa minha experiência. Tudo é uma questão de levar as coisas na boa. E não se revoltar com o inevitável.

Ir no consulado em São Paulo tirar o visto americano?. Tirar os sapatos para entrar nos EUA, deixar as digitais?

Ficar revoltado para quê? Como diria meu pai, dois trabalhos: emburrar e desemburrar. Afinal, se eu quero entrar no país deles, tenho que seguir as regras deles. Assim é a vida, paciência.

E, claro, quem não deve, não teme.

Até.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Hoje não vou falar

Habitualmente, quando chego de volta à Toronto, escrevo sobre a sensação de voltar para cá depois de ter estado fora, de como é ruim me despedir de quem gosto, etc, mas recebi um comunicado da central de estatística deste blog dizendo que se eu escrevesse mais uma vez sobre isso o blog seria tirado do ar por excesso de sentimentalismo ou – mais provável – eu seria atropelado por uma manada de elefantes.

Então não vou falar sobre isso.

Vou fazer um anúncio: vou largar as drogas.

Ou melhor, vou trocar de droga.

Explico.

Normalmente, para tolerar as dez horas de vôo noturno na classe econômica, que são difíceis em virtude da minha altura, eu costumo tomar um comprimido para dormir. Nunca tive problemas com o que costumo usar, o midazolan (o popular dormonid). Mas está descrito que ele pode causar reação paradoxais, ou seja, efeito contrário ao de relaxamento e alívio de ansiedade.

Não, eu não tive uma crise e saí correndo pelado pelo avião como possam estar pensando.

Deixa eu contar do vôo São Paulo – Toronto da Air Canada.

Airbus A340 (eu acho). Võo lotadaço. Minha poltrona, 28C, corredor. A última fila antes dos banheiros do meio do avião. Me instalo, e constato: ela não reclina nem um mísero grau, o que quer dizer que vou ter que passar a noite num ângulo de 90º. Chamo a primeira comissário de bordo, que diz que devemos esperar o avião decolar para tentar ajeitar a situação.

Decola a avião, o aviso de apertar o cintos apaga, todos reclinam suas poltronas e eu fico lá tal qual um “L”, lendo. Bate o sono, largo o livro, e cochilo por alguns instantes. Servem a janta, e eu a 90º. Converso com a segunda comissária, que pede mais um tempo para tentar resolver a situação. Termina a janta e começa o filme. O filme se desenrola e eu lá, sentado reto, tal qual um nobre inglês, postura impecável.

Chamo o terceiro comissário. Em inglês explico que não pretendo dormir sentado daquele jeito. Ele tenta consertar. Nada feito. Diz que vai me dar um carta para reclamar da companhia. Acaba o filme, apagam-se as luzes. A segunda comissária me diz que o único assento vago é no meio, na fila de quatro, entre um senhor que aquela altura babava no travesseiro, literalmente, e um obeso. Digo pra ela que prefiro que uma manada de elefantes me atropele. Ela diz que nada pode fazer.

Volto ao meu lugar. Passam-se dez, quinze minutos. E eu lá, a 90º. Tenho que fazer algo.

Vou ao fundo do avião, onde estão os comissários reunidos. Converso com o terceiro comissário, que descubro ser português. Quando digo que sou brasileiro, diz que vai me ajudar, mas comenta que a classe executiva está lotada (e lá se vai por água abaixo minha experança de me dar bem). Comenta, finalmente, que um dos assentos reservados a eles, comissários, está vago e que se eu quiser posso dormir ali, mas é em frente ao banheiro e, portanto, barulhanto.

Para isso servem as drogas, penso. Isso, vou tomar o comprimido e dormir. Tomo o comprimido. Me acomodo no último assento do avião, corredor, em frente ao banheiro, luz acesa. É só esperar que medicação faça efeito e vou dormir umas três ou quatro horas, certo. Estou tranqüilo. Para melhorar, o comissário me oferece o assento da janela, já que ele tem plugs de ouvido e uma máscara para dormir. Perfeito.

Durmo até ser acordado com o anúncio do café da manhã. Volto ao meu assento original e terminou o vôo lá.

A única coisa é que o comissário passa por mim e comenta que – durante a noite – houve turbulência e que nesse momento comentei algo que ele não entendeu bem: eu disse, segundo ele (não lembro de nada, amnésia é um dos efeitos da medicação):

“Seguuura, peão!”…

Pronto, nunca mais tomo dormonid.

Até.

domingo, janeiro 08, 2006

A Sopa 05/25

Último dia do verão.

Amanhã, segunda-feira, embarco às 16h45 de Porto Alegre em direção à São Paulo e de lá para Toronto. A diferença de temperatura será grande, evidentemente, afinal saio do verão senegalesco de Porto Alegre e vou para o inverno polar de Toronto. Vanlá, então.

O que me faz pensar como só valorizamos algumas coisas quando as perdemos. O verão, por exemplo. Nunca gostei tanto dele como agora que vivi um inverno canadense.

A última semana, em especial, foi muito agradável. A estada na praia, na casa dos meus pais e com os pais da Jacque na praia ao lado, quinze minutos de carro, foi bem boa. Dias de sol sem nuvens, temperatura perfeita da água, mar azul. Tudo a favor. No meio da semana, uma vinda à Porto Alegre para um churrasco e uma formatura, além de resolver alguns assuntos e fazer contatos. Ontem, feijoada no almoço lá em casa e, à noite, churrasco de despedida na casa do Nelson, tio da Jacque.

Foram três semanas que pareceram meses, assim como quando cheguei aqui a sensação foi de nunca ter saído. Como eu já falei mais de mil vezes: mesmo Toronto sendo minha casa também, no fundo eu nunca saí do Rio Grande.

Dois mil e seis começa de verdade na terça-feira para mim.

E tenho muita, mas muita coisa para fazer antes de julho, quando volto para o Brasil.

Até.

domingo, janeiro 01, 2006

A Sopa 05/24

Ano-novo.

Significativamente, o ano – para mim - começou e vai terminar no Brasil. Mais significativo ainda, começa no litoral norte do Rio Grande do Sul, lugar onde passei todos os verões da minha vida (com exceção do último, que foi no hemisfério norte). Mas não é mais o mesmo.

A inevitabilidade da passagem do tempo mostra-se claramente neste pequeno espaço do sul do mundo, que durante um certo período – a infância, mais especificamente - foi o todo o nosso universo. De todos da velha turma, poucos continuam tendo casa por aqui, e até o velho muro do Adriano, onde passamos muitas noites falando da vida e que virou emblema de toda a turma, ‘A Turma do Muro’, já não existe mais.

O sentimento não é de tristeza nem de saudosismo, mas de resignação: é a vida, não há como nem por quê lutar contra. Aliás, não há nada mais inútil que lutar contra as inevitabilidades do mundo. Esse pode ser um objetivo para o novo ano: aceitar aquilo que não podemos mudar, lutar para mudar o que depende de nós, e saber discernir entre os dois. Não é uma nova idéia, eu sei, mas é boa, então tudo bem.

Viemos para cá, Imbé/RS, na sexta-feira no começo da tarde, dia de sol e muito calor, carro alugado sem ar condicionado. Tudo tranquilo, com exceção de ter chegado com o braço esquerdo (aquele que fica apoiado na janela com o vidro aberto) completamente vermelho – o chamado ‘braço de caminhoneiro’ – pela falta da camada de ozônio e de memória minha. Ao chegar aqui, caminhada na beira da praia e banho de mar – ah, saudades do Atlântico sul! – com água de temperatura agradabilíssima.

De volta do mar, banho frio na ducha no pátio dos fundos da casa. Se eu disse que quando morrer vou para Porto de Galinhas – que seria minha visão do paraíso – certamente a casa que terei lá será a mesma que temos aqui em Imbé…

Dois mil e seis, novamente um ano em dois hemisférios, mas - ao contrário de 2004 – dessa vez com duas primaveras. Será um outro ano de mudanças. De reencontro e recomeços. Depois da “morte” da ida para o “exílio”, o renascer da volta para casa.

Mudaram as estações, nada mudou…

Até.