quinta-feira, janeiro 19, 2006

Toronto, inverno

DSCN3548
(Absolutamente nada a ver com os últimos dias...)

O que estará acontecendo com o inverno em Toronto?

Não faz mais frio?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Diferente

Semana que vem, segunda-feira, tem eleição federal no Canadá.

O voto, aqui, é o chamado distrital, as pessoas votam no seu candidato local. Será, a partir daí, eleito o parlamento que vai indicar o novo Primeiro Ministro, cargo atualmente ocupado pelo Liberal Paul Martin, que tenta fazer maioria para continuar no cargo e ter alguma tranquilidade, o que parece que não vai acontecer. Os Conservadores estão na frente nas pesquisas, com seu líder Stephen Harper, afeto embotado, idéias alinhadas com o vizinho do sul, aquele do Texas, e que parece uma caricatura quando força um sorriso (nunca o vi sorrindo espontaneamente).

Normalmente, quem decide as eleições canadenses é a província de Ontário, por ter maior população e maior números de cadeiras no parlamento. Mesmo sendo em princípio liberal, dessa vez a província está mudando o voto. E ainda tem a terceira força, o NDP, o “Novo Partido Democrático”, que no final das contas é o fiel da balança na hora de dar apoio ou não ao governo.

Mas não era disso que eu queria falar, era da campanha.

Algumas coisas são bem parecidas, como os ataques entre os candidatos, comerciais na TV fazendo “terrorismo”, fazendo insinuações a respeito da integridade e/ou honestidade do outro. Os debates também, risíveis. Isso não surpreeende porque política partidária é assim.

Mas o que difere do Brasil chama à atenção.

Não existe horário eleitoral gratuito, e muito menos aquele mar de cartazes colados nos postes, muros pintados, lixo por todo o lado. Estava no bonde e me dei conta disso, quase não se nota, nas ruas, que é período pré-eleitoral. Mas tem o lado de que já ligaram aqui pra casa para pedir apoio a candidato, assim como vieram batendo de porta em porta com o mesmo objetivo.

Nestas horas, sorrio e digo:

“I’m not canadian, I cannot vote, sorry…”

Até.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Eu, múmia

DSCN4375
Metropolitan Museum, NY, Agosto, 2005

Insônia

Sábado que passou.

Após ficar o dia todo em silêncio, escrevendo algumas coisas, lendo outras, decidi ligar a televisão. Isso por volta das 11pm.

Como todo mundo sabe, assistir TV sábado à noite é deprimente, não pela idéia do que se poderia estar fazendo (certo, isso também é deprimente, mas não é esse o momento de falar nisso), mas pela falta de opções de programação. Independente de país, Brasil ou Canadá. De certa forma, deve ser para punir o telespectador, afinal de contas ficar vendo televisão num sábado de noite é crime que tem que ter alguma punição.

Bom, mas eu dizia que estava em casa, era sábado à noite, e eu comecei a ver TV. O frio serve como atenuante do meu “delito”…

Passei por alguns canais, até que – lá pelas 11:30 pm – encontrei um filme. Havia iniciado há cerca de meia hora, mas decidi continuar assistindo. Contava a história de um yuppie que conhecia uma menina “super-alternativa”, que havia largado sua empresa para viver a vida. Ela mostrava a ele o seu estilo de vida, ser mais “humano”, essas coisas.

Até que ele percebe que a vida é muito mais que correr atrás do vil metal, que as pessoas são mais importantes, qualidade de vida, felicidade, etc. Tem uma proposta de trabalho de uma grande empresa, mas cujo presidente é o arquétipo do workaholic, que diz que eles vão ter que abrir mão de suas vidas pessoais, mas rejeita o trabalho. Decide que vai mudar seu estilo de vida.

Volta para a casa da menina, conta para ela e a pede em casamento.

Ela diz que não pode casar com ele.

A partir daí, descobrimos (ele e o palhaço aqui, que estava assistindo o filme) que ela tem câncer, os tratamentos falharam e ela os abandonou. Está cheia de metástases e vai morrer, é apenaas uma questão de tempo. O filme termina com ela indo embora para morrer.

Vai dizer, é para querer se matar ou não?

Para compensar, logo após iniciou um outro filme, antigo ma non troppo, que se passa em Roma e na Costiera Amalfitana. Tive que ver.

Três da manhã, e eu ainda acordado...

Até.

domingo, janeiro 15, 2006

A Sopa 05/26

O primeiro final de semana do inverno.

Viver entre dois hemisférios é assim: saio segunda-feira do verão e chego terça no inverno. Ao menos era isso o que eu esperava, mas por uma concessão de seja lá que forças que regem o funcionamento do mundo, cheguei em Toronto no outono, evidentemente um outono fora de época. Acaso, sorte, benção, chamem como quiserem, foi uma surpresa agradável. E até certo ponto necessária.

Sim, porque não é simples deixar o verão para trás e ingressar assim, de súbito, num inverno rigoroso. É justamento para isso que foram feitas as estações intemediárias, primavera e outono. Para que nos preparemos para os extremos, para não sofrermos o “choque” da mudança.

O inverno, que deveria estar me esperando na saída do aeroporto e que benevolentemente deixou para aparecer somente ontem, é a estação da introspecção, dos silêncios, dos vinhos, dos chás quentes e das músicas melancólicas. Blues, a triste música dos escravos negros do Mississipi, é também o termo usado para caracterizar depressão, e o inverno tem a sua, the winter blues.

Mas não é disso que quero falar. Dizia eu que é preciso adaptação para receber o inverno, porque o estado anímico muda e ficamos, sim, mais introspectivos nos meses frios e de pouca luz, como é aqui no norte. Preocupava-me, então, chegar de repente no inverno.

Não aconteceu. Desde terça, quando cheguei, a temperatura vinha andando em torno dos 3 a 6ºC, alta para quem esperava vários graus negativos. E, como desde o dia da chegada – quando do aerporto fui direto para casa, rápido banho e para o hospitall – as coisas têm sido bem corridas (como vão ser até o final de junho), o sábado que passou foi o dia perfeito para entrar no clima de inverno.

Desde a madrugada, ventava muito, o que lembrou o Minuano, o vento frio e seco que sopra do oeste, e que “assobia” nas noites dos invernos gaúchos. Foi o vento quem me acordou, magrugada ainda, temperatura negativa, para me avisar que agora, sim, estou pronto para o Frio, aquele que se escreve com letra maiúscula e se trata por senhor, e que vem por aí. Se estou pronto, que venha, então, oigalê* tchê!

O sábado, portanto, foi de silêncios e leituras e pensamentos, como deve ser um bom sábado de inverno. Faltou o chimarrão e a milonga, mas foi por distração minha, o que não vai acontecer de novo.

* Oigalê é usado para exprimir admiração, espanto, alegria

Até.

sábado, janeiro 14, 2006

Viagem

Tem novidade no Perdidos na Espace:

Está começando uma nova viagem, e todos estão convidados para embarcar conosco.

Até.

2006


DSCN2796
Originally uploaded by Marcelo Tadday.
Estou de volta à Toronto mas já estou quase indo de novo.

Assim, rápido e inexorável, é o tempo. Não nos permite pensar muito no que acontece, porque os fatos, as histórias, se sucedem. Assim passam-se os anos. Foi ontem, ainda, que escrevi que precisava escrever minha retrospectiva pessoal de dois mil e quatro, um ano intenso, complicado, de emoções contraditórias, já se foi dois mil e cinco e dois mil e seis avança a passos largos.

Num piscar de olhos, esse período, que até pode ser considerado sabático, terá terminado. Há bem pouco, perguntavam como estava a minha adaptação ao país, à cidade e ao trabalho. Agora, contudo, já me perguntam como me sinto na iminência de voltar. Calma, deixa eu respirar um pouco.


Ontem, numa manhã de três reuniões em dois locais diferentes antes de voltar para o hospital para terminar o que tinha ficado para trás na quinta-feira (porque eu era o último a sair, meu pager tocava avisando que eu estava atrasado e que o pessoal do laboratório queria saber que cerveja eu iria tomar) e adiantar algumas coisas para a próxima semana, na reunião do meio, entre dez e onze e trinta da manhã, falando de vários projetos que temos que tocar nestes cinco meses e meio, foi justamente a pergunta que foi feita: como vai ser quando voltares?

Idéias, planos, projetos. Perspectivas, possibilidades.

Dois mil e seis é um mundo de possibilidades (e existe algo melhor que isso?).

Até.