segunda-feira, outubro 09, 2006

O mesmo

Durante a faculdade de medicina, no começo dos anos noventa do século passado, uma das disciplinas que cursávamos era Medicina Social, quando íamos para um posto de atendimento da Universidade localizado numa vila (favela) próxima. A universidade fornecia transporte. Uma Kombi que nos levava até lá. Ela tinha dois horários de “viagem”: ia até o local, voltava, e fazia nova viagem.

Quando perdíamos o primeiro horário, e éramos obrigado a esperar pela próxima viagem da Kombi, e alguém comentava que ia ir na “outra Kombi”, sempre se dizia “não é outra, é a mesma”. Sempre. Repetia-se isso, à exaustão e náusea. Pois é, lembrei disso semana passada.

Vinha eu, sexta à noite, voltando para casa de um compromisso de trabalho, quando liguei o cd-player do carro e – não lembrava – o CD que estava lá e começou a tocar era o da Banda da Sopa, que gravamos em 2004, e que eu tinha deixado ali mas não tinha começado a ouvir, e que não ouvia há um bom tempo. Pelo tempo que estava sem ouvir, provavelmente desde janeiro passado, foi como se ouvisse pela primeira vez.

E me emocionei.

Não só isso, entrei na pilha para tocar de novo – mesmo contra a minha decisão prévia de “abandonar a música” (a pergunta que sempre me faço ‘está querendo tocar, por que não aprende?’ é irrelevante nesse momento…). Em poucos minutos, tive várias idéias, planos e projetos, além de uma constatação que não tem nada a ver com a música.

Continuo o mesmo. E estou recuperando a velha forma.

Está na hora de botar pilhas de novo.

Até.

Um ano atrás (1)

DSCN4571
San Gimignano, Toscana
09 de outubro de 2005

domingo, outubro 08, 2006

A Sopa 06/12

Invejo a Daniela Cicarelli.

Antes tivesse eu que me preocupar com vídeo meu, feito por um amador, em que eu estivesse aproveitando a praia em todas suas potencialidades com uma modelo ou atriz e esse vídeo fosse parar na Internet. Levaria na boa, sem estresse. Para ser sincero, eu até queria ter esse tipo de preocupação. Mas não, sou obrigado a me preocupar com outras coisas.

O limbo, por exemplo.

O limbo tem me angustiado. Até porque ele está aí ameaçado de fechar. Vão acabar com o limbo. Está para ser assinado pelo papa um decreto (?) extinguindo o limbo. Você sabe, aquele lugar para onde vão as crianças que morrem antes de serem batizadas. Ou as pessoas que estão numa situação assim, nem lá nem cá. Nem no céu, nem no inferno. Não muito felizes, mas também não muito tristes. Aquelas que vivem vidas sem sal, que apenas sobrevivem, enquanto aguardam o dia do fim. Os comedidos. Pensando assim, o limbo está cheio de gente. E deve ser por isso que querem acabar com o limbo.

Lotação esgotada.

Sempre me perguntei o que acontece com as pessoas depois que vão para o limbo. Sim, porque o limbo era (ou é) um estágio intermediário, uma transição. Como se define quem sobe ou desce? Quanto tempo dura o estágio no limbo? Quando o limbo fechar, como ficarão aqueles que estão lá? Serão transferidos com que critérios? Ou ficarão presos lá para sempre? Alguém, digamos o São Pedro, vai trancar o portão do limbo por fora e jogar a chave fora?

Isso não angustia vocês? A mim, muito.

Até.

quinta-feira, outubro 05, 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

Qual é, São Paulo?

Não dá para entender o que acontece em São Paulo.

Como é que o Maluf é o deputado mais votado? O Maluf!

E o Genuíno, o Palocci, o João Paulo Cunha? E o Valdemar da Costa Neto???

Não sejamos injustos. Não é só em São Paulo que isso acontece.

O Collor está de volta ao Congresso.

Pelo menos o Severino Cavalcanti ficou de fora.

Memória, Brasil. Por favor, memória!

Até.

domingo, outubro 01, 2006

A Sopa 06/11

Casamento tem data de validade.

Sério. Verdade mesmo. Aquilo que a “tradição” diz, que é para sempre, que ‘até que a morte nos separe’, é tudo enrolação. Posso dizer, com a experiência de quem já está casado há mais de dez anos (dez anos e um mês), que TODO casamento tem prazo de validade.

Dez anos. É fato, não opinião.

Quem determina isso, revelo a vocês nesse momento, é a indústria de eletrodomésticos. Tudo é feito para que os casamentos durem, no máximo, dez anos. Não era assim, claro. Antes, acreditava-se que os casamentos eram para ser eternos e imortais, assim como as geladeiras e os fogões.

Eu, por outro lado, sou da velha guarda, um cara bem tradicional, do tipo que ainda manda flores, daqueles que até pijama de botões usam vez que outra. Quase um conservador. Tradição e família, essas coisas. Não aceitei esse limite de tempo. Luto contra, até. A Jacque também, afinal nós somos um casal afinado. Lutamos contra, então. Mas a indústria insiste que é tempo de terminarmos o casamento e seguirmos cada um para o seu lado, sem amarras, e começar uma nova vida. Do que falo? Não estão entendendo?

É o seguinte: desde o início do ano, justamente o ano em que completamos dez anos de casados, todos, eu disse TODOS, os eletrodomésticos aqui de casa começaram a se destruir. Primeiro foi o microondas que se imolou (incendiou-se). Depois, a máquina de lavar roupas que estragou e teve que ser trocada. Logo após, então, os aparelhos de som enlouqueceram e não funcionam mais. A mais recente, ocorrida no dia que embarcávamos para Buenos Aires, foi com a geladeira. A Jacque, momentos antes de sairmos para o aeroporto, foi tomar água. Abriu a geladeira e ficou com a porta na mão.

O pior de tudo é que não conseguíamos colocar a porta no lugar. Demorou mais de meia hora, pois havia quebrado um dos suportes que sustentam a porta. Foi difícil, mas conseguimos deixá-la fechada e viajar. Na volta, nova geladeira. O próximo é o fogão, que está pela bola sete…

Imagino que a idéia é que, ao chegar a esse tempo, os dois cônjuges joguem tudo fora e partam para outra.

Eles insistem, mas não vão conseguir nos separar…

Até.