segunda-feira, dezembro 07, 2009

A Sopa 09/17

(Uma Sopa requentada, de cinco anos atrás, enquanto lido com final de semestre e pacientes internados e reuniões e aniversários e outras correrias)

Em casa.

Foi longa a viagem até aqui. Saí de Toronto na sexta-feira às 7h15 (hora local) e fui chegar em Porto Alegre no sábado às 10h15, horário de Brasília. Acertando o fuso, foram 24 horas em trânsito.

Depois que consegui embarcar em Toronto, foi tranqüilo. Para tal, foi necessária uma longa espera numa muito longa fila para passar pela imigração. Parecia que todo mundo estava deixando a cidade em busca de temperaturas das mais amenas do sul. Havia chegado duas horas antes do horário no aeroporto, mas faltando cinco (!) minutos para a hora de saída eu ainda estava na fila para mostrar meu passaporte ao oficial da imigração e ter que explicar que eu iria parar em Miami apenas para esperar meu vôo seguinte e o que eu ia fazer no Brasil.

Após passar pela imigração, saí rapidamente em direção à próxima etapa, passar minha mochila pelo RX e ter que tirar as botas para passar no detector de metais. Passei, coloquei-as de volta e, sem amarrá-las, saí correndo em direção ao portão de embarque. No caminho, para não cair, parei para amarrar os cadarços. Neste momento, ouvi nos alto-falantes chamarem vários nomes, o meu incluído, como última chamada para embarque... Tudo certo, me acomodei, e ouvimos o recado do piloto dizendo que iríamos atrasar por culpa da imigração americana.

Vôo tranqüilo até Miami e, chegando lá, cerca de cinco ou seis horas de espera até o vôo para São Paulo. Não tive dúvidas: deixei minha mochila num depósito, peguei um táxi, e fui para Miami Beach.

Lá, dei umas voltas, observei o movimento de pessoas circulando com pouca roupa, sentadas nos restaurantes na Ocean Drive, tomando drinks coloridos, comendo lagostas e fumando charutos. Parece um chavão, ou um código de postura. Sexta-feira à tarde, de folga em Miami Beach, comer lagosta e fumar charuto. Tirei algumas fotografias, tomei um suco. Parecia um alienígena, carregando o meu casacão que dava calor só de olhá-lo, em contraste com os "locais" em trajes de verão bem mais compatíveis com os 26ºC de temperatura. Mas serviu para readaptar o olhar para o mundo latino, bem mais sensual do que o do norte da América...

De volta ao aeroporto, mais uma pequena espera para o vôo até São Paulo, que foi tranqüilo e, de certa forma rápido. Depois da espera em São Paulo, já no sábado de manhã, uma hora e quinze até Porto Alegre, passada relâmpago no free-shop a mala que demorou a sair do avião e passagem direta pela alfândega, sem nenhuma inspeção.

Ao sair, cartazes, balões, festa, fotos e sorrisos me esperando. Uma recepção muito melhor do que sequer imaginava, e a boa sensação de estar em casa, de onde parecia que nunca tinha saído.

Esse, um pensamento recorrente durante toda a viagem: de que o tempo, quando visto retrospectivamente, passa muito rápido. A estranha sensação de que nunca saí de casa, a impressão de que tudo - os últimos três meses e meio - não foi real.

Foi por isso que passei o dia ontem com uma camiseta comprada em Toronto. Para lembrar que isso tudo (e muito mais, o que vem pela frente) é bem real. E a certeza de que - não importa para onde a vida me leve, nem por quanto tempo - eu tenho um lugar para voltar. Eu tenho referências e uma história.

E nada pode ser maior que isso.

Até.

Um comentário:

Monique disse...

Nossa, o tempo voa....Parece que vc estava aqui ontem. abrçs,