quarta-feira, setembro 02, 2026

Um Resumo de Alguns Anos

Quando, em fevereiro de 2019, foi encerrado o meu contrato de trabalho com uma multinacional da indústria farmacêutica, o que eu planejava fazer, mas alguns meses antes do que eu imaginava, o que é outra história, como parte do pacote de rescisão contratual, me foi proporcionada uma consultoria de carreira e recolocação profissional. Eram sessões semanais com uma psicóloga com essa especialização, por – pelo que lembro – uns seis meses, e depois teríamos uma consulta de seguimento seis meses depois da última, mas aí entrou a pandemia e nunca houve essa atualização.

 

O nosso primeiro encontro foi interessante, afinal eu não era um desempregado em busca de novos desafios, ou oportunidades, profissionais. Eu era um médico que agora não estava mais trabalhando no mundo corporativo. Então, nesse primeiro dia, eu disse que não sabia se queria voltar a trabalhar no mundo corporativo. E nem sabia se queira voltar a ser professor. Claro que os benefícios eram muitos, como segurança financeira, férias remuneradas, décimo-terceiro salário, as viagens para congressos, o fato de estar em contato com colegas de diversos países, entre outros, mas havia – evidentemente – um preço a pagar por isso, e eu não sabia se estava disposto a, vamos dizer, vender minha autonomia e liberdade por esses benefícios.

 

Foi um período muito bom, não se enganem, profissional e pessoalmente. Estabeleci relações com muitas pessoas legais, algumas nem tanto, estudei muito, participei de discussões científicas em alto nível. Cresci profissionalmente. O lado que não foi tão bom esteve ali, e me fez depois pesar o que valia mais à pena, o que eu realmente queria para minha vida.

 

Depois desses anos todos, olhando para trás e olhando para como as coisas são agora, estou satisfeito com minhas escolhas, com minha vida, com quem faz parte dela. 

 

Era isso que eu queria dizer.


Até. 

terça-feira, setembro 01, 2026

Setembro

Agosto, mês cujo significado para mim mudou muito ao longo dos anos, migrando do mês difícil e chuvoso de inverno representado pelo acidente que tive, e que me deixou em uma UTI por treze dias, no longínquo ano de mil novecentos e noventa, para o mês em que nos casamos, a Jacque e eu, há trinta anos completados ontem, e em que nasceu a Marina, há dezoito, terminou. Normalmente, eu celebraria o final de agosto e depositaria minhas mais altas expectativas no mês de setembro e na primavera que chega por esses dias.

 

Não mais, ao menos no que se refere ao mês de agosto, que esse ano me pareceu passar muito rápido, afinal tornou-se um mês de celebrações pessoais, tornou-se um mês festivo, pessoalmente falando. Ainda assim, sempre é bom iniciar setembro com a promessa de vida em meu coração, como cantaram Tom e Elis, sabendo que, e talvez até porque, não é o final do verão, é o recomeço do ciclo que vai – justamente – desembocar no verão (de que gosto bem mais desde que voltei do inverno do Canadá, há vinte anos).

 

Gosto, como já disse, dessas simbologias, desses reinícios, desses novos olhares sobre a vida. Da perspectiva, da possibilidade que a vida proporciona, ou que criamos, de fazer diferente, de – na medida do possível – moldar a realidade, a nossa realidade, conforme desejamos ser, ou já somos.

 

Em breve, em breve.


Até.