Manifestantes do MLST invadiram hoje à tarde o prédio da Câmara dos Deputados e um promoveram quebra-quebra, ferindo mais de 20 pessoas, sendo que um dos ferido está numa UTI com traumatismo craniano.
MLST é o Movimento de Libertação dos Sem Terra. É uma dissidência do MST, com quem não mantém ligação, apesar de alguns afirmarem que é o braço armado e violento desse. O MLST está organizado pricipalmente no estado de Pernambuco, e adota um discurso em defesa da revolução socialista com base nas teses do líder da revolução chinesa Mao Tse Tung.
Seu líder é Bruno Costa de Albuquerque Maranhão. Ao contrário do que seria esperado,
não é um camponês ou mesmo um agricultor. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco. É filho de um usineiro e mandou seus filhos estudarem nos Estados Unidos.
Atualmente integra a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores como responsável pelos "movimentos populares". O MLST nasceu organizado com cerca de cem assentamentos em oito estados, incluindo o Rio Grande do Sul, e já teve os seus integrantes recebidos no Palácio do Planalto pelo presidente da república (Fonte: clicRBS).
Bom, espera-se que depois de preso - o que já foi - responda pelo crime de destruição do patrimônio público, no mínimo. Provavelmente formação de quadrilha também. E que o PT o expulse de seus quadros. Qualquer coisa menos que isso é impunidade, omissão. Que é tão criminosa quanto a ação.
E que não venham me dizer - como aconteceu quando da invasão e destruição dos laboratórios de pesquisa da Aracruz, no RS - que não é bem assim, e tal. Tentar justificar violência é uma forma de incitá-la.
Até.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
terça-feira, junho 06, 2006
segunda-feira, junho 05, 2006
A Ilusão Perdida
A questão dos possíveis terroristas presos no final de semana aqui em Toronto é extremamente complexa. Todos são canadenses, nascidos aqui, segunda ou terceira geração de imigrantes (os pais ou os avós imigraram, eles são cidadãos canadenses desde o nascimento), e isso causa mais espanto ainda. Como enveredaram para o caminho do extremismo, todos se perguntam.
Não tenho conhecimento suficiente sobre o assunto e, mesmo que normalmente dê palpites sobre assuntos que não domino bem – sempre deixando claro que são palpites, não análises profundas – dessa vez acho complicado falar sobre o caso. Aliás, já falei sobre isso ano passado, quando dos atentados em Londres. A questão do multiculturalismo canadense, com seus prós e contras. Mas nem sei se isso tem relação com o que aconteceu (ou poderia ter acontecido e não aconteceu).
Mas, independente disso, imagino que o estrago está feito. Quebrou-se a ilusão de segurança. Mesmo que se dissesse que o Canadá era um provável alvo do terrorismo, isso passava como uma ameaça distante. Agora, não mais.
Sabemos que quase.
E nesse caso, o ‘quase’ é bem mais do que nada. O ‘quase’ é a perda dessa ilusão de segurança.
Nada deve mudar no dia-a-dia das pessoas. Continuaremos indo e vindo pela cidade, andando de transporte público, subindo em prédios altos. Como sempre todos fizeram. Mas duvido que, de vez em quando, lendo o seu jornal diário no metrô, ninguém irá pensar que são vulneráveis, que somos vulneráveis.
Até.
Não tenho conhecimento suficiente sobre o assunto e, mesmo que normalmente dê palpites sobre assuntos que não domino bem – sempre deixando claro que são palpites, não análises profundas – dessa vez acho complicado falar sobre o caso. Aliás, já falei sobre isso ano passado, quando dos atentados em Londres. A questão do multiculturalismo canadense, com seus prós e contras. Mas nem sei se isso tem relação com o que aconteceu (ou poderia ter acontecido e não aconteceu).
Mas, independente disso, imagino que o estrago está feito. Quebrou-se a ilusão de segurança. Mesmo que se dissesse que o Canadá era um provável alvo do terrorismo, isso passava como uma ameaça distante. Agora, não mais.
Sabemos que quase.
E nesse caso, o ‘quase’ é bem mais do que nada. O ‘quase’ é a perda dessa ilusão de segurança.
Nada deve mudar no dia-a-dia das pessoas. Continuaremos indo e vindo pela cidade, andando de transporte público, subindo em prédios altos. Como sempre todos fizeram. Mas duvido que, de vez em quando, lendo o seu jornal diário no metrô, ninguém irá pensar que são vulneráveis, que somos vulneráveis.
Até.
domingo, junho 04, 2006
A Sopa 05/46
Dois anos de blog.
Lá vem de novo, lá vem de novo… o fechamento de um ciclo. Pronto, falei. Azar. Eu avisei que nas próximas semanas eu ia utilizar muito essa expressão, e cumpro o anunciado…
Mas é adequada a conclusão.
Há dois anos, depois de praticamente quatro escrevendo ‘A Sopa’ e a enviando por e-mail para um grupo de assinantes, semanalmente, e às vésperas de vir para Toronto, decidi que uma forma mais interessante de comunicação com os amigos que ficariam geograficamente longe durante esse período seria criar um blog. ‘A Sopa’, porque era a referência, ‘A Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo’ criada em 1997 como uma brincadeira em que éramos oito jantando lá em casa e que em sua última edição no Brasil contou com mais de cinquenta participantes, e ‘no Exílio’ porque a minha vinda para o Canadá, além de representar um período de grande crescimento profissional e pessoal, não deixava de ser um exílio, pois estaria vivendo sozinho, longe das pessoas que eu mais amava na vida.
O blog, então, surgiu como uma forma também de me manter presente na vida das pessoas, ser “visto” para ser lembrado ou, melhor, não ser esquecido. De pensar, refletir, lembrar, sentir saudades. E escrever, claro. O que eu não esperava é que serviria também para conhecer pessoas e criar laços. Foi um bônus, sem dúvida, e muito bom.
Porque sou um ser social, basicamente. Ou me tornei um, com o passar do tempo. A partir do momento que percebi que – e lá vem mais um chavão – a vida é feita de histórias que vamos contar, sabia que a melhor forma de ter histórias era interagindo com as pessoas. Vivendo, em suma. E vir para cá foi um teste, que acho que passei.
Comecei do zero, sem conhecer ninguém, e consegui criar laços, relações, uma turma. E, conseqüentemente, histórias. E o blog (afinal, estamos falando dele, não de mim) foi o meio inicial de interação com uma parcela das pessoas com quem tive o prazer de conviver nesses quase dois anos e de quem certamente vou sentir saudades quando não mais estiver aqui. E as saudades são exatamente isso, o sentimento da distância de quem queremos bem. É dolorida, mas só sentimos falta de quem importa.
Normalmente, numa data dessas, eu ia escrever que talvez estivesse na hora de parar de escrever, encerrar o blog. Dessa vez, não. Quem eu quero enganar? Eu não consigo ficar sem escrever, sem falar. Provavelmente em algum momento no futuro eu encerre ou mude o blog, mas por enquanto não consigo. Adiante, então!
Ano passado, eu planejava mudar o blog, fazer melhorias e talicoisa. Esse ano, nem isso. As mudanças – grandes, até de país – não serão virtuais.
Continuo falando nisso nas próximas semanas.
#
Sobre a prisão dos possíveis terroristas em Toronto neste final de semana, quero ver se escrevo mais amanhã.
Até
Lá vem de novo, lá vem de novo… o fechamento de um ciclo. Pronto, falei. Azar. Eu avisei que nas próximas semanas eu ia utilizar muito essa expressão, e cumpro o anunciado…
Mas é adequada a conclusão.
Há dois anos, depois de praticamente quatro escrevendo ‘A Sopa’ e a enviando por e-mail para um grupo de assinantes, semanalmente, e às vésperas de vir para Toronto, decidi que uma forma mais interessante de comunicação com os amigos que ficariam geograficamente longe durante esse período seria criar um blog. ‘A Sopa’, porque era a referência, ‘A Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo’ criada em 1997 como uma brincadeira em que éramos oito jantando lá em casa e que em sua última edição no Brasil contou com mais de cinquenta participantes, e ‘no Exílio’ porque a minha vinda para o Canadá, além de representar um período de grande crescimento profissional e pessoal, não deixava de ser um exílio, pois estaria vivendo sozinho, longe das pessoas que eu mais amava na vida.
O blog, então, surgiu como uma forma também de me manter presente na vida das pessoas, ser “visto” para ser lembrado ou, melhor, não ser esquecido. De pensar, refletir, lembrar, sentir saudades. E escrever, claro. O que eu não esperava é que serviria também para conhecer pessoas e criar laços. Foi um bônus, sem dúvida, e muito bom.
Porque sou um ser social, basicamente. Ou me tornei um, com o passar do tempo. A partir do momento que percebi que – e lá vem mais um chavão – a vida é feita de histórias que vamos contar, sabia que a melhor forma de ter histórias era interagindo com as pessoas. Vivendo, em suma. E vir para cá foi um teste, que acho que passei.
Comecei do zero, sem conhecer ninguém, e consegui criar laços, relações, uma turma. E, conseqüentemente, histórias. E o blog (afinal, estamos falando dele, não de mim) foi o meio inicial de interação com uma parcela das pessoas com quem tive o prazer de conviver nesses quase dois anos e de quem certamente vou sentir saudades quando não mais estiver aqui. E as saudades são exatamente isso, o sentimento da distância de quem queremos bem. É dolorida, mas só sentimos falta de quem importa.
Normalmente, numa data dessas, eu ia escrever que talvez estivesse na hora de parar de escrever, encerrar o blog. Dessa vez, não. Quem eu quero enganar? Eu não consigo ficar sem escrever, sem falar. Provavelmente em algum momento no futuro eu encerre ou mude o blog, mas por enquanto não consigo. Adiante, então!
Ano passado, eu planejava mudar o blog, fazer melhorias e talicoisa. Esse ano, nem isso. As mudanças – grandes, até de país – não serão virtuais.
Continuo falando nisso nas próximas semanas.
#
Sobre a prisão dos possíveis terroristas em Toronto neste final de semana, quero ver se escrevo mais amanhã.
Até
sábado, junho 03, 2006
O terror não está longe
A RCMP prendeu ontem 17 pessoas ligadas a uma possível célula terrorista aqui em Toronto. Junto com as prisões, foram apreendidas três toneladas de nitrato de amônia, quantidade suficiente para um grande atentado. Parece que o plano era atacar prédios aqui mesmo.
Já faz tempo que o serviço secreto canadense alerta que as células terroristas dentro do Canadá são uma realidade e que um atentado não era improvável. Essa ação de ontem mostra que todos estão atentos.
Coisa louca, coisa louca.
Até.
Já faz tempo que o serviço secreto canadense alerta que as células terroristas dentro do Canadá são uma realidade e que um atentado não era improvável. Essa ação de ontem mostra que todos estão atentos.
Coisa louca, coisa louca.
Até.
sexta-feira, junho 02, 2006
Quatro
Semanas.
“Falta muito pouco tempo, eu sei
Mas quando a gente é pequeno
O tempo custa pra passar
Também a gente pode crescer”
Não sei se é exatamente assim a letra dessa música, que acho que se chama ‘Nos tempo do Julinho’ (na verdade se chama 'Armadilha', como lembrou a Jacque). Nelson Coelho de Castro. Porto Alegre. Da cidade e o autor eu tenho certeza, mas o resto é como minha memória determina que seja. E, por isso, pode não ser nada disso.
Julinho, nesse caso, é a Escola Estadual Júlio de Castilhos, Porto Alegre, claro, que sempre foi um emblema de educação pública de qualidade, e não o Julinho, primo do Beto e do Fernando, um dos integrantes dos Grupo dos Oito, o grupo que iniciou nossa turma da praia, lá nos anos oitenta. Nesse momento, lembranças se misturam, pessoas, fatos, causos e outras histórias.
Compreensível, afinal estou às portas de mais uma mudança grande na minha vida. Um ciclo se encerrará em breve. Parênteses. Vou usar essa expressão, final de ciclo, várias vezes nas próximas semanas, e espero que não a ponto de levá-los à náusea. Fecha parênteses.
Como é propício nessas fases de vida, é um bom momento para reflexões, avaliações. Uma boa hora para revisar a história, a minha história.
É o que farei, eventualmente, nas próximas semanas.
Entre festas de despedida, ansiedade pela volta, trabalho, trabalho e trabalho.
Até.
UPDATE - A Jacque, nos comentários, lembrou da letra como realmente é. Com vocês, 'Armadilha'.
Falta pouco tempo eu sei
mas quando a gente é pequeno
o tempo custa prá passar
também a gente pode crescer
Não é preciso que me digas
se tem algéum atrás da porta
esperando prá atacar
e cumprir, armadilha
e receber o beijo frio
da lâmina do coração
e como o hábito de ser
enxugo a lã, a lâmina
Não repara no cuspe que sai
no vento venta, a minha vontade
vamos botar no branco esse preto
cambada de fé, tá na mão
que sei da rima torta,
sei da lenha minha paixão...
“Falta muito pouco tempo, eu sei
Mas quando a gente é pequeno
O tempo custa pra passar
Também a gente pode crescer”
Não sei se é exatamente assim a letra dessa música, que acho que se chama ‘Nos tempo do Julinho’ (na verdade se chama 'Armadilha', como lembrou a Jacque). Nelson Coelho de Castro. Porto Alegre. Da cidade e o autor eu tenho certeza, mas o resto é como minha memória determina que seja. E, por isso, pode não ser nada disso.
Julinho, nesse caso, é a Escola Estadual Júlio de Castilhos, Porto Alegre, claro, que sempre foi um emblema de educação pública de qualidade, e não o Julinho, primo do Beto e do Fernando, um dos integrantes dos Grupo dos Oito, o grupo que iniciou nossa turma da praia, lá nos anos oitenta. Nesse momento, lembranças se misturam, pessoas, fatos, causos e outras histórias.
Compreensível, afinal estou às portas de mais uma mudança grande na minha vida. Um ciclo se encerrará em breve. Parênteses. Vou usar essa expressão, final de ciclo, várias vezes nas próximas semanas, e espero que não a ponto de levá-los à náusea. Fecha parênteses.
Como é propício nessas fases de vida, é um bom momento para reflexões, avaliações. Uma boa hora para revisar a história, a minha história.
É o que farei, eventualmente, nas próximas semanas.
Entre festas de despedida, ansiedade pela volta, trabalho, trabalho e trabalho.
Até.
UPDATE - A Jacque, nos comentários, lembrou da letra como realmente é. Com vocês, 'Armadilha'.
Falta pouco tempo eu sei
mas quando a gente é pequeno
o tempo custa prá passar
também a gente pode crescer
Não é preciso que me digas
se tem algéum atrás da porta
esperando prá atacar
e cumprir, armadilha
e receber o beijo frio
da lâmina do coração
e como o hábito de ser
enxugo a lã, a lâmina
Não repara no cuspe que sai
no vento venta, a minha vontade
vamos botar no branco esse preto
cambada de fé, tá na mão
que sei da rima torta,
sei da lenha minha paixão...
quinta-feira, junho 01, 2006
Primeiro de junho
O tempo realmente passa.
Parece que foi ontem, não?
Mas já entramos em junho, o que significa que falta muito pouco tempo.
Para a Copa do Mundo.
Não vou estar na Alemanha, como programado em 2002, mas tudo bem. Além disso, a Copa – para mim – começa no Canadá em termina no Brasil. Aliás, chego em Porto Alegre no dia do jogo do Brasil das quartas de final (contando que o Brasil vá estar nas quartas de final – claro que vai).
Ia chegar bem na hora que estará começando o jogo, e certamente teria que ir a pé do aerporto até em casa porque NINGUÉM estaria nas ruas, mas acabei de receber a confirmação da troca do vôo, antecipando minha chegada em duas horas e meia.
A tempo de tomar banho e preparar a pipoca.
Até.
Parece que foi ontem, não?
Mas já entramos em junho, o que significa que falta muito pouco tempo.
Para a Copa do Mundo.
Não vou estar na Alemanha, como programado em 2002, mas tudo bem. Além disso, a Copa – para mim – começa no Canadá em termina no Brasil. Aliás, chego em Porto Alegre no dia do jogo do Brasil das quartas de final (contando que o Brasil vá estar nas quartas de final – claro que vai).
Ia chegar bem na hora que estará começando o jogo, e certamente teria que ir a pé do aerporto até em casa porque NINGUÉM estaria nas ruas, mas acabei de receber a confirmação da troca do vôo, antecipando minha chegada em duas horas e meia.
A tempo de tomar banho e preparar a pipoca.
Até.
Assinar:
Postagens (Atom)