terça-feira, janeiro 09, 2007

Eu e meus textos

De tempos em tempos, acabo envolvido em algum mal entendido por algo que eu escrevi aqui. Agora menos, claro, afinal a audiência desse blog diminui a olhos vistos. Entre as razões para tanto, imagino que "perdi a graça" por ter voltado do exílio. Não sou mais o cara morando longe de casa e se lamentando de saudades...

De qualquer maneira, não era disso que queria falar.

Republiquei ontem aqui um texto de 2005, em que dizia que não gostava de, ao invés de receber e-mails pessoais de amigos, receber essas correntes que terminavam dizendo "envie isso para seus amigos". Disse que eu não "era amigo suficiente".

Por coincidência, ou azar, eu acabara de receber um e-mail encaminhado por um amigo, que não era aqueles "de música e com fotos de flores ou nenês" que eu havia criticado, mas nem tinha lido. Aconteceu a coincidência dos eventos, ele enviar e eu publicar o texto. Uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Infelicidade minha, no fim das contas, porque ele leu o texto que publiquei e se sentiu atingido.

Não foi uma mensagem a ele, mas admito que ele tinha todo o direito de pensar que era. Uma sequência de eventos lógica, mas não necessariamente interligados. Quase como o caso em que saí de casa de chapéu e choveu. Não choveu porque eu saí de chapéu, mas a sequência de eventos ocorreu.

Não tinha como ele saber que uma coisa não teve relação com a outra.

Por isso, esclareci a ele por e-mail.

Como esclarecimento geral, apenas reafirmo que quando quero dar um recado a alguém através de um texto, eu sou direto e "dou nome aos bois".

Até.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

A Sopa 06/25

Vou parecer antipático hoje.

Não sou amigo o suficiente.

Há muito anos amigos, existe entre nós, Márcio, Radica e eu, assim como acontece com qualquer grupo de amigos de muito tempo, algumas expressões, piadas e brincadeiras que são características nossas. Não exclusivas e nem únicas, apenas típicas do nosso convívio. Normalmente são bem infantis, pois é justamente com os amigos que podemos ser muito infantis.

Como lá se vão vinte anos que convivemos, é natural que tenhamos muitas dessas expressões e brincadeiras e piadas. Algumas tornaram-se obsoletas e perderam a graça, outras continuam vivas e fortes. Uma delas tem relação com título deste texto, e é usada como forma de chantagem emocional ou apenas para incomodarmos um ao outro. Por exemplo, foi esta pergunta, “Será que és amigo o suficiente?” que usamos volta e meia como forma de chantagem para convencer uns aos outros a fazer algo ou mesmo apenas para implicarmos.

Pois bem, de um forma geral, acho que não sou amigo o suficiente.

Por quê?

Porque eu não gosto e não respondo àqueles e-mails que mandam com um arquivo do PowerPoint com uma apresentação que pode ter música (e em geral tem) fotos de paisagens e uma mensagem que varia do ‘tenha um bom dia’ ao ‘já abraçou sua família hoje?’, passando por frases retiradas de livrinho de auto-ajuda atribuídas ao Dalai Lama. E que invarialvemente terminam com a mensagem “mande essa mensagem a todos os seus amigos, se você recebeu é porque alguém acha você especial”.

Pois bem, eu não me sinto especial por receber uma mensagem que alguém mandou para todo o seu catálogo de endereços, por melhor que tenha sido sua intenção. Nem o meu dia se ilumina quando recebo um e-mail com fotos de criança e flores.

Aliás, na maioria da vezes, eu nem abro os anexos, excluo-os direto. Se alguém espera alguma resposta minha, ou que re-encaminhe esse tipo de e-mail, pode desistir, dificilmente vou fazer isso. Não digo que nunca vá fazer, até pode acontecer um dia, mas é muito difícil. Por quê?

Simplesmente porque sou extremamente pessoal. Ou seja, quando eu quero dizer o que sinto ou desejo ou penso de ou para alguém, eu faço isso ao vivo, cara a cara. Claro que às vezes, como agora, em que a geografia não favorece e, estando em hemisfério diferente, acabo utilizando o e-mail (pessoal, para quem recebe) ou até o telefone.

Se, ao contrário de uma mensagem impessoal que mais cem pessoas vão receber também, mandasse apenas um e-mail dizendo “Marcelo, tudo bem? Como estão as coisas? Por aqui…”, talvez aí realmente faria eu me sentir especial. E acho que não sou o único.

(Publicado originalmente em 29 de março de 2005)

Até.

sábado, janeiro 06, 2007

Sábado

desert

Não sei vocês, mas eu ando MUITO preocupado com o aquecimento global.

Bom sábado a todos.

Até.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Resoluções

A primeira das minhas resoluções de ano novo foi uma condicionada a determinado evento: resolvi que passaria os três primeiros meses e quatro dias do ano de dois mil e sete sem comer doces com a condição de que determinado time vermelho do sul do Brasil alcançasse determinada conquista lá pros lado do Japão. Como TODO O MUNDO sabe, a condição foi alcançada. Logo, entrei o ano e suspendi o consumo de doces.

Somado a isso, tinha o problema do meu peso. Estava MUITO acima do que eu gostaria e um POUCO acima do recomendado. Uni o útil ao agradável: entrei o ano sem doces e de dieta. Super na boa, super-motivado.

E o meu pedido de Natal, feito no final de novembro?

Que o time vermelho do sul do mundo fosse bi na Ásia em 2007...

Até.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Nem sempre é sábado

Existe um axioma que diz que “em medicina às vezes se cura, geralmente se alivia e sempre se conforta”. Muito verdadeiro. Trabalhar em medicina significa estar sempre sendo lembrado dos limites da ciência e – principalmente – de nossas próprias limitações.

Não somos deuses, evidentemente, e muitas vezes não conseguimos curar o paciente de seu mal, o que o motivou a procurá-lo, na esperança de uma ajuda. Se não podemos curar, certamente temos a obrigação de oferecer o melhor possível, atenção e conforto. Em determinadas situações, devemos deixar a natureza seguir seu curso, até para evitar sofrimento ao paciente.

Digo isso porque estive frente à frente com uma situação dessas nos últimos dias: uma paciente com uma doença incurável, irreversível, em que – em comum acordo com a família – decidimos não levá-la para uma UTI ou entubá-la e colocá-la num respirador, caso ela entrasse em insuficiência respiratória. Simplesmente porque prolongaria seu sofrimento e o da família, que ficaria afastada desses em seus últimos momentos, sozinha, num ambiente pouco acolhedor. Daríamos conforto, analgésicos se tivesse dor, e esperaríamos o desfecho inevitável.

Aconteceu hoje cedo, exatamente na hora em que eu chegava para vê-la, a tempo de constatar o óbito. Fiquei com a família enquanto os procedimentos burocráticos eram feitos.

Triste, mas certo de que cumpri com o meu dever como médico e ser humano.

Até.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Feriado

Passamos o final de semana prolongado de ano novo em casa, em Porto Alegre, enquanto o mundo parece ter ido ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Faltou água, gelo, o trânsito esteve caótico, a volta ontem foi um inferno.

E nós aqui, na boa.

Nem os spammers trabalharam: não chegou NENHUM email durante o final de semana.

Nunca tinha visto isso.

Até.

segunda-feira, janeiro 01, 2007