quinta-feira, agosto 14, 2025

Por Esses Dias, Correr

Ando sentimental, eu sei. 

E sei qual a razão, e você certamente já percebeu, caro leitor: a lembrança de uma data significativa em minha história pessoal, a marca de trinta e cinco anos do acidente de trânsito em que estive envolvido, em agosto de mil novecentos e noventa. Lembrar disso traz outras lembranças também, em uma espiral de memórias quase contínua. Episódios ocorridos e pessoas.

 

Ontem à noite, por exemplo, ao ir buscar a Marina em uma aula, comecei a ouvir no carro músicas da Legião Urbana, que há tempos não fazem parte do que ouço regularmente em termos de música, tanto como trabalho (e agora trabalho também com música) ou como lazer. E, talvez pela primeira vez, ouvir algumas delas teve o mesmo efeito de viagem no tempo que as músicas do Cazuza, em especial aquelas do disco ‘Ideologia’, causam em mim. A diferença, e esse efeito continuou hoje cedo, enquanto dirigia para o trabalho, é que é de um tempo diferente, a música me transporta para outro momento no tempo.

 

Lembro de quem eu era, ou pensava que era, e quem eu gostaria de me tornar. O quê eu buscava, quais eram minhas ambições em termos de vida. Ao mesmo tempo, em tempo real, quase continuamente, faço essa reflexão, olhando quem sou e onde estou hoje. 

 

O que o Marcelo de treze anos de idade diria para o Marcelo de cinquenta e três anos? E o que o Marcelo de oitenta dirá do Marcelo de hoje? 

 

Depois de muito ‘correr na roda’, aquela dos ratos na gaiola, que correm sem sair do lugar, sem chegar a lugar nenhum, agora tenho tempo (e talvez maturidade) para pensar o caminho, ter um propósito, um sentido que não seja apenas correr.

 

Até.

quarta-feira, agosto 13, 2025

O Tempo Está Passando Rápido

Há trinta e cinco anos.

 

Foi em 1990, madrugada de doze de agosto, um domingo que seria Dia dos Pais, em que estive envolvido como carona em um acidente de trânsito, e tive traumatismo craniano e fiquei em coma por treze dias na UTI do Hospital da PUCRS, em Porto Alegre. Eu tinha dezoito anos, era estudante do segundo ano de medicina da PUCRS, tinha aula no hospital onde fiquei internado e uma boa parte dos meus médicos na época hoje em dia é colega e até alguns posso chamar de amigos, de nos encontrarmos para um café ao menos três vezes por semana.

 

Assunto recorrente meu, o tempo me fascina.

 

Fascina e assusta, confesso.

 

Quando voltei para casa pela primeira vez desde que havia ido para o Canadá, apenas quatro meses após ter partido, período em que ficara lá, morando sozinho, e dedicado quase que exclusivamente ao meu trabalho e a terminar minha tese de doutorado, esse período inicial difícil por estar só primeira vez na vida, após alguns anos já de casado, e tive a sensação ao chegar de nunca ter saído, e me bateu talvez pela primeira vez: o tempo olhado em retrospectiva passa muito rápido.

 

Assim como se passaram trinta e cinco anos do acidente de 1990, já estou com cinquenta e três, idade que meus professores tinham quando do acontecido, me sinto jovem, e – como pensei alto ontem – me pergunto se os mais novos me veem como me vejo, e sei que isso não é importante, no final das contas. Tenho mais o que pensar e viver.

 

Não consigo evitar, contudo, de tempos em tempos em pensar que os tempo está passando rápido, que já percorri boa parte do meu caminho e não sei quanto tempo, quanta estrada tenho pela frente. De qualquer forma, me cuido e me preparo para uma longa jornada em frente.

 

Com as pessoas certas, sempre com as pessoas certas.


Até. 

terça-feira, agosto 12, 2025

Um Sonho e uma Referência

Tenho um sonho recorrente.

 

E é sobre a nossa antiga casa da praia, em Imbé, onde passei a quase totalidade dos verões de minha infância e adolescência, lugar onde vivi as histórias da Turma do Muro, referência ao muro da casa do Adriano, em frente à casa da Stefania, onde passávamos muito tempo reunidos, das tardes de sol às madrugadas, vindos de festas. Sonho com frequência que estamos de volta à casa, mas sei – durante o sonho – que a casa não é mais nossa e invariavelmente me pergunto por que razão estamos ali, onde não deveríamos estar.

 

Essa noite passada sonhei novamente com a casa, sabia que não deveríamos estar ali, e que a casa precisava de reformas, pintura e tratamento para cupins, e no sonho minha mãe explicava que podíamos estar ali (conhecia os donos que haviam nos emprestado a casa). Até meu pai apareceu no sonho, acordando após a siesta da tarde. Havia sol, e eu estava deitado na rede que ficava na área em frente à casa.

 

Acordei e, ao folhar o jornal enquanto tomava café da manhã, passei os olhos pelo obituário e vi que recentemente morreu um professor meu de literatura do segundo grau, e que foi paraninfo da nossa turma de Operador de Computador Diurno da Escoa Técnica de Comércio de 1988. Faleceu aos 88 anos, e percebi que ele, na época em que foi nosso professor, era mais novo que sou agora, e parecia bem mais velho do que acho que pareço agora. Ou será que as pessoas me veem como bem mais velho que acho que pareço?

 

Chegando ao consultório, lembrei que tenho amanhã cedo uma reunião virtual de trabalho, e – ao me dar conta de que amanhã é dia treze de agosto, e por obviedade hoje dia doze de agosto, não pude de deixar de lembrar que há trinta e cinco (!) anos foi o acidente de trânsito que me deixou treze dias na UTI...

 

Muitas referências, muitas histórias, muitas memórias. 


Até. 

segunda-feira, agosto 11, 2025

Ser (ou Voltar a Ser) Quem Se É

Alguém escreveu, não sei quando, que levamos muito tempo para nos tornar quem realmente somos. Para ser honesto, não tenho nem certeza de que foi isso o que foi escrito, mas é uma ideia geral, digamos assim. Talvez quisesse dizer que precisamos de tempo e maturidade para entendermos aquilo que nos motiva, ou a nossa essência, não sei.

 

Eu sou alguém que ganha livros de presente.

 

Ontem, Dia dos Pais, o almoço de família foi lá em casa, uma tradição que a Jacque e eu fazemos questão de manter. Fizemos, ela e eu, em conjunto, o almoço, para os pais, o dela e o da Marina, no caso, eu... Foi bom.

 

A minha Mãe estava lá junto, claro, e – ao chegar – me deu de presente pela data um livro, que coloquei na mesa de cabeceira para ser o próximo a ser lido, logo que termine o que estou lendo atualmente, que na verdade é uma releitura: ‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’, lançado em 1774, dito o mais famoso romance da literatura alemã, escrito por J.W. Goethe, que li aos quatorze ou quinze anos. O próximo, então, será o que me foi presenteado.

 

Ao longo do dia, após todos terem ido para suas casas, ainda meio sonolento na tarde de sol que batia na janela do meu quarto, me dei conta: eu voltei a ser uma pessoa que ganha livros de presente, e isso diz muito sobre mim.

 

Passei o resto do dia satisfeito comigo mesmo...


Até. 

domingo, agosto 10, 2025

A Sopa

Coadjuvante da própria vida.

 

Tínhamos uma turma, na época da escola secundária, e sei como a expressão ‘escola secundária’ demonstra que isso foi no milênio passado, que – como todas as turmas adolescentes – viveu seus dramas internos, e esses dramas acabaram por afastar os envolvidos uns dos outros, o que também não é incomum. E, no processo, à época, muito se conversou e se debateu entre alguns de nós sobre o que havia causado. Nada demais, na verdade, coisa de adolescente.

 

O interessante é que – em meio ao que acontecia – uma colega que não estava diretamente envolvida, não fazia parte do grupo, se aproximou de nós e se envolveu na situação. Conversava com um, depois com outro, tornou-se confidente de outro ainda, enfim, tomou para si a “missão” de salvar grupo.

 

Não conseguiu, faz parte.

 

Lembro, nesse processo, de um dia estar conversando com ela enquanto ela fazia uma análise das coisas, citava fatos que ficara sabendo, até que – não lembro a situação exata – fiz um comentário ou pergunta que foi respondida com ‘se me perguntas isso, é porque és coadjuvante dessa história’. A conversa terminou nesse ponto. Como assim, eu era coadjuvante de uma história que era minha? Eu era coadjuvante da minha própria vida?

 

Bobagem, eu não era.

 

Hoje cedo, ao acordar, Dia dos Pais, lembrei dessa história e dessa expressão e percebi que – sim – algumas vezes somos coadjuvantes de histórias que são nossas. São situações e grupos com os quais convivemos em que não somos os personagens principais, não temos o protagonismo e está tudo bem, é assim que deveria ser. Nem sempre brilharemos, nem sempre seremos as estrelas principais e, de novo, está tudo bem, faz parte da dinâmica da vida, e isso não nos diminui.

 

Mesmo com o controle e o protagonismo que devemos ter sobre nossas próprias vidas, haverá situações em que naturalmente ficaremos mais atrás, olhando quem está no palco, brilhando, vivendo seu momento e aplaudiremos e ficaremos felizes por eles (filhos e amigos, por exemplo), pelo seu destaque.

 

Feliz Dia dos Pais.


Até. 

sábado, agosto 09, 2025

Sábado (e cuidado com a onda)

 

Peggy's Cove


           Olha a onda...

           Peggy's Cove, Nova Scotia.
           Canadá, Outubro de 2019.

           Bom sábado a todos.

           Até.

sexta-feira, agosto 08, 2025

Darwin e o Alarme do Celular

Apenas quem se adapta, sobrevive.

 

Esse um dos princípios, se não o principal, da teoria da evolução de Darwin. Seres que se adaptam ao ambiente, e às situações impostas a ele pelo meio são os que vão evoluir. E vale não apenas para a sobrevivência como um conceito geral.

 

Vale para a sobrevivência nos relacionamentos, assim como no mundo corporativo. Adaptabilidade, e flexibilidade, são algumas das ferramentas fundamentais para que possamos navegar pela vida. 

 

Até porque é ilusão (será que das novas gerações?) querer que o mundo se adapte aos seus desejos, suas vontades. Não somos (não devemos ser) crianças a vida toda. Melhor, devemos ser ensinados, desde cedo, que quase nada na vida não será exatamente do jeito que gostaríamos se não formos flexíveis, se não tivermos a capacidade de aceitar que nem tudo está sob nosso controle.

 

As coisa não saíram como o planejado?

 

Ao invés de ficar parado reclamando, lamentando, tome uma atitude e faça o melhor a partir da situação que se apresenta. É a melhor forma.

 

Como hoje cedo.

 

A Jacque está viajando para dar uma aula, e ficamos Marina e eu em casa. Normalmente elas colocam seus despertadores para alarmar às 6h30, e eu acordo por mim um pouco antes disso. Sem a Jacque em casa, mantive minha rotina. A Marina disse que colocou o alarme normalmente.

 

Acordamos às 7h...

 

Para sair às 7h30. Não despertou ou não ouvimos alarmar. Foi uma correria maluca, mas deu certo. Conseguimos, na correria, ajeitar tudo e sair no horário normal. Sem reclamações, sem resmungos.

 

Até deu tempo de chegar na Santa Casa e escrever esse texto.

 

Até.