sexta-feira, junho 30, 2006

Fui

Pôr do sol POA

Mas sei que, não demora muito, os ventos vão me trazer de volta ao Canadá, ao menos para reencontrar os bons amigos que fiz aqui.

Casa*

Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Era só fechar os olhos
E deixar o corpo ir
No ritmo...
Depois era um vício
Uma intoxicacão
Me corroendo as veias
Me arrastando pelo chão
Mas sempre tinha a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez

Às vezes é tormenta
Fosse uma navegação
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussuro
Já impressos no colchão
Pois sempre tem a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra voce ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez

Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Logo mais era um vício
Me arrastando pelo chão
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não
Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Pois sempre tem a cama pronta
E rango no fogão
Luz acesa, me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez

* Lulu Santos

Deu Pra Ti *

Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau

Quando eu ando assim meio down
Vou pra Porto e...bah! Tri legal
Coisas de magia, sei lá
Paralelo 30

Alô tchurma do Bonfim
As gurias tão tri afim
Garopaba ou Bar João
Beladona e chimarrão

Que saudade da Redenção
Do Fogaça e do Falcão
Cobertor de orelha pro frio
E a galera do Beira-Rio

* Kleiton & Kledir


Amanhã escrevo de Porto Alegre.

Até mais, Canadá.

Fui.

quinta-feira, junho 29, 2006

É Amanhã

Praticamente tudo pronto.
Hoje, último dia de hospital.
Amanhã talvez ainda dê tempo de assistir Superman Returns...


Tô Voltando*

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar...
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar... pode se preparar porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar...
Quero lá… lá… lá… lá...
Porque eu tô voltando!

* Chico Buarque

Até

quarta-feira, junho 28, 2006

E Viva a Espanha!

Por causa disso.

Voltar pra querência

Alcei a perna no pingo
E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto
E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão
Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço
Clareando todo o rincão

DSCN1152

E a trotezito no mais
Fui aumentando a distância
Deixar o rancho da infância
Coberto pela neblina
Nunca pensei que minha sina
Fosse andar longe do pago
E trago na boca o amargo
Dum doce beijo de china

Sempre gostei da morena
É a minha cor predileta
Da carreira em cancha reta
Dum truco numa carona
Dum churrasco de mamona
Na sombra do arvoredo
Onde se oculta o segredo
Num teclado de cordeona

DSCN3715

Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor
E sinto um perfume de flor
Que brotou na primavera.
À noite, linda que era,
Banhada pelo luar
Tive ganas de chorar
Ao ver meu rancho tapera

Como é linda a liberdade
Sobre o lombo do cavalo
E ouvir o canto do galo
Anunciando a madrugada
Dormir na beira da estrada
Num sono largo e sereno
E ver que o mundo é pequeno
E que a vida não vale nada

DSCN3687

O pingo tranqueava largo
Na direção de um bolicho
Onde se ouvia o cochicho
De uma cordeona acordada
Era linda a madrugada
A estrela d’alva saía
No rastro das três marias
Na volta grande da estrada

Era um baile, um casamento
Quem sabe algum batizado
Eu não era convidado
Mas tava ali de cruzada
Bolicho em beira de estrada
Sempre tem um índio vago
Cachaça pra tomar um trago
Carpeta pra uma carteada

156 Por Sol 9

Falam muito no destino
Até nem sei se acredito
Eu fui criado solito
Mas sempre bem prevenido
Índio do queixo torcido
Que se amansou na experiência
Eu vou voltar pra querência
Lugar onde fui parido

* 'Deixando o Pago', música de Vitor Ramil sobre poema de João da Cunha Vargas.

segunda-feira, junho 26, 2006

domingo, junho 25, 2006

A Sopa 05/49

A última Sopa preparada no Canadá.

A Sopa, assim com esse nome, que está a poucas semanas de completar cinco anos, e que é servida uma vez por semana, originalmente às segundas-feiras e depois aos domingos, está sendo editada e publicada hoje em sua última edição no exílio. A próxima, domingo que vem, já será publicada de Porto Alegre. Claro que na próxima semana, de segunda à sexta-feira, publicarei no blog diariamente, na medida do possível, como de hábito.

Hoje, contudo, é a Sopa de encerramento desse “exílio” canadense, dos quase dois anos em que morei nessa cidade maravilhosa que é Toronto, e da qual eu vou sentir falta, sinceramente.

Hora de fazer um balanço, portanto.

Para quem não sabe, tudo começou em março de 2003, quando surgiu a oportunidade de vir para cá. Ao receber o convite, pedi quarenta e oito horas para pensar, mas ao sair da sala da minha orientadora – ainda atordoado pela idéia – eu já sabia que não poderia dizer não. Era uma daquelas situações na vida em que não se pode dizer não. A porta estava aberta, e certamente me arrependeria profundamente se não entrasse. Não era só eu quem sabia disso: a Jacque, na hora que contei a ela, também sabia que não havia como abrir mão da oportunidade, mesmo que ela soubesse que muito provavelmente não poderia vir para cá comigo, o que acabou se confirmando.

Logo após decidirmos que eu viria (foi uma decisão conjunta, minha e da Jacque, evidentemente) e fazer os primeiros contatos com o pessoal aqui em Toronto, “estorou” a SARS, epidemia que fez os hospitais aqui em Toronto ficarem fechados, de quarentena, por semanas, sem falar no enorme impacto na economia da cidade, e do laboratório para onde eu viria em especial. Com isso, a minha vinda, inicialmente planejada para setembro de 2003, foi adiada e acabou ocorrendo em agosto de 2004, com efetivo começo em setembro do mesmo ano. Enquanto esperava a situação se normalizar para vir para cá, acabei mudando minha tese de doutorado e, ao vir para cá, estava terminando de escrevê-la, o que fiz nos dois primeiros meses de Canadá, e que serviu – a defesa da tese – para a minha primeira volta para casa.

Já falei muito sobre como foi chegar aqui, conhecer a cidade, estabalecer conexões, fazer novos amigos. Falei quase à exaustão (ou náusea, como o leitor preferir) de como foi morar longe de casa, a saudade. Falei tanto que agora me sinto constrangido em voltar ao assunto, como se já tivesse esgotado a paciência dos leitores… É o mesmo com relação às despedidas e minhas impressões sobre mais esse partir: acho que já falei demais. A pergunta que fica, então, é uma, já feita por várias pessoas: valeu à pena?

Valeu, e muito.

Foi fácil?

Sim, e não. Foi tranqüilo porque acho que sou alguém que se adapta fácil às situações e às pessoas. Além disso, se adaptar ao Canadá não é nem um pouco complicado. Por outro lado, foi muito difícil porque ficar longe da Jacque – mesmo que tenhamos nos falado diariamente, via webcam – é uma coisa que não tenho intenção de repetir. Nunca mais.

E tenho certeza que ainda não tenho noção completa de tudo o que esse período morando aqui vai representar para o meu futuro, tanto em termos pessoais como profissionais. O que sei, contudo, é que tenho muitas histórias para contar.

Até.