quarta-feira, setembro 13, 2006

O Que Mata

É a impunidade. E a estupidez.

Desde o surgimento dos controles eletrônicos de velocidade, chamados por aqui de pardais, vozes influentes (colunistas de jornal, deputados, etc) têm se levantado em revolta contra o que sempre chamaram de “indústria da multa”. O argumento principal dessas pessoas é que aquilo está lá apenas para multar, e que a melhor saída é a educação.

Talvez em virtude disso, não estou certo, foi que surgiram placas avisando que haveria, em determinado trecho de uma rodovia, por exemplo, os tais controladores. Todo início de mês, nos jornais, é publicada uma lista de pontos em que fiscais do trânsito estarão controlando a velocidade em cada dia do dito mês. Avançando no afrouxamento da lei, na liberalização de tudo, em breve deverão estar sinalizados os locais onde estão os tais pardais. A mensagem é clara: corra, mas diminua para logo ali na frente que tem controle.

Enquanto isso, a cada fevereiro ou feriado, comemoramos os mortos nas estradas.

Dentro da cidade, o trânsito é terra de ninguém.

Não se respeita o sinal vermelho, estaciona-se onde se bem entende, conversões proibidas são feitas sem o menor pudor ou constrangimento, o pedestre rezar por sua vida ao atravessar uma rua. Ninguém – ou quase ninguém - é inocente.

Sem dúvida, somos muito mal educados.

A resposta para o problema, certamente, está em educação. Os futuros motoristas devem ser “doutrinados” com relação ao respeito à vida, a sua, a dos passageiros e a de todos os outros a sua volta, pedestres ou motorizados. Só que esse é um trabalho para dez, vinte anos. As mortes ocorrem agora, hoje, nesse momento. Para estancar essa sangria (sangue jovem, principalmente, que mancha nossas ruas e avenidas num fluxo contínuo de vidas perdidas), a saída é uma só: uma ação firme e rigorosa de todos, estado e sociedade civil. Esta última deve – como já faz, aliás – insistir nas campanhas de conscientização no trânsito, tentando reduzir essa macabra associação entre o álcool e a direção.

Ao estado, por outro lado, cabe cumprir o seu papel, omisso que é em aspectos vitais da vida social, como segurança, saúde e educação. O estado deve fazer cumprir as leis, e punir com rigor quem descumpri-la. Multa elevada é um dos caminhos. Não pode haver tolerância: o mínimo desrespeito deve ser punido. A dita “indústria multa” é slogan eleitoreiro, afinal – no caso dos controladores eletrônicos de velocidade – só é multado quem ultrapassa o limite permitido por lei naquele trecho.

Sejamos sérios, por favor.

Até.

Um comentário:

Ana disse...

Os pardais sempre tiveram esse papel. Em Brasilia todo mundo corre e diminui perto dos pardais, ate eu ja fiz isso. Estudantes da UNB ja viraram os pardais de lado uma vez, HAHAHAHAH XD

Espero que esteja tudo bem ai.
A Alemanha foi otima, adorei aquela terra. Vou comprar meu cursinho de alemao e agora REALMENTE estudar, ja que eu notei que tenho um marido em casa que fala direitinho, uma sogra que pode me ajudar e um novo "vovo" adotado que e um amor e vai me dar apoio, mesmo que por telefone.

Beijao!