domingo, junho 03, 2007

A sopa 06/46

Manhã de domingo. Sol.

Nunca escrevi louvações às manhãs de domingo da forma que fiz com as de sábado, até porque são bem diferentes as duas, apesar de compartilharem aquilo que chamamos de final de semana. As manhãs de sábado são um mundo de possibilidades que se abrem em nossa frente, enquanto as de domingo são mais lentas, preguiçosas, de recuperação do dia anterior. Personalidades diferentes, prazeres distintos. Domingo, para mim, significa almoço na casa dos meus pais, tradição antiga que remonta os domingos que almoçávamos na casa da minha avó, na cidade de Montenegro, aquela casa um mundo de possibilidades para um guri de dez anos, mais ou menos.

Falando de almoço, embarco no tema gastronômico, assim principal que gostaria de tratar hoje, com certa ênfase e tensão. Preocupação, na verdade. Deixa eu me arrumar na cadeira, ficar com a coluna ereta para assumir o tom sóbrio que preciso emprestar a essas palavras que vêm em seguida. O momento não é para brincadeiras.

Há algumas semanas, quando participei do evento ‘Mesa de Cinema’, evento em que assistimos a um filme e, após um debate, tivemos um almoço cujo tema era o filme assistido, a sobremesa – muito boa, mas isso não vem ao caso – era um sorvete de... tomilho. Tomilho! Ou uma outra erva qualquer que se usa para tempero e que eu NUNCA imaginei como ingrediente de um sorvete. Como disse, ficou bem bom, mas...

Argumente-se que isso é um dos deveres de um bom chef, criar pratos a partir de ingredientes algumas vezes surpreendentes. Até concordo, mas isso me levou a uma reflexão que uma conversa com a Jacque apenas confirmou: que fim levaram os bons e velhos pratos simples?

Explico.

Abra qualquer revista de culinária por aí e o que encontrará são receitas que geralmente combinam ingredientes insólitos, tipo carne de avestruz com creme de ervas daninhas, só para exemplificar. Ou sorvete de bacon. Sei lá. São misturas que podem até ficar boas, mas definitivamente são arriscadas. De novo, podem argumentar que cozinhar também é correr riscos, no que vou concordar.

Mas simplicidade também é uma qualidade. Até porque não se pode preparar um confit de canard para o almoço do dia-a-dia.

É hora de nos voltarmos para o simples.

Viva o feijão com arroz!

E o ovo frito!


Até.

Um comentário:

Rafael Reinehr disse...

Almoço de domingo: linguiça colonial com arroz integral. Sem salada. mas não espalha.

E o PSII, bombando?

Olha só Marcelo, passei a utilizar o feedburner como gerador de RSS, não se se estás recebendo os feeds adequadamente. Estou em fase de mudança de template e algumas instabilidades são previsíveis.

Um abraço,

Rafael Reinehr