domingo, junho 20, 2010

A Sopa 09/45

No clima de Copa do Mundo, uma Sopa de quatro anos atrás, quando faltavam cerca de dez dias para voltar ao Brasil...

Eu sou do tempo do friquíqui.

Lembro de quando estava no colégio, primeiro grau, hoje ensino fundamental, lá no início dos anos 80. Jogávamos futebol sempre que possível, intervalos, antes e depois das aulas. Normalmente, futebol de campo, num campo de areia no colégio mesmo, ou na rua em frente, ou na frente da minha casa, que ficava a menos de uma quadra da escola.

Além disso, jogávamos futebol de salão. Havia um ginásio próximo, onde eventualmente jogávamos, assim como numa quadra junto ao salão paroquial da igreja onde eu fazia aulas preparatórias para a minha primeira comunhão. Foi nessa quadra, aliás, que após uma aula, consegui entrar num jogo “dos maiores” como goleiro. Na primeira bola, me atirei para defender e raspei com a cabeça na trave, o que fez um pequeno corte que levou a um grande sangramento.

Muito sangue. Minha camisa branca da escola ficou completamente vermelha do sangue escorrido, além de todo o alarme que causou, eu caminhando com a mão na cabeça e o sangue escorrendo. Praticamente indolor, mas de impacto visual…

Mas eu falava que jogávamos futebol de salão. Na época esse era o nome, não o futsal dos dias de hoje, e suas regras eram diferentes. Elas mudaram, assim como o fizeram com o vôlei, talvez para tornar o jogo mais interessante, ou para a transmissão da televisão, não sei. O fato é que o jeito que se joga futsal hoje é diferente do futebol de salão dos meus tempos de guri.

Naquele tempo, o goleiro não podia sair de dentro da área sob hipótese nenhuma, a não ser que fosse um jogo com goleiro-linha, uma versão (naquela época) não oficial. Jamais tocar na bola fora da área. Se não era friquíqui. Falta.

Nunca, naquela época, pensei o que queria dizer friquíqui. Depois, parei de jogar no colégio porque fui para o segundo grau, faculdade, residência médica e por aí afora. Nesse meio tempo, as regras mudaram e ao goleiro foi concedido o direito de sair jogando com os pés fora da área. Acabaram com o friquíqui.

O que eu não sei é quando foi o momento que me dei conta friquíqui era nada mais e nada menos que free kick, tiro livre.

Foi como o momento em que crescemos: não somos capazes de apontar, assim, um evento único, singular, que represente essa transformação, quando o nosso mundo passa a ser mais amplo que o espaço delimitado pela linha da área.

Até.

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