sexta-feira, julho 31, 2020

Crônicas de uma Pandemia – Cento e Trinta e Oito Dias

Eu não sou jovem (4).

Entre as boa memórias que tenho do relativamente curto período em que trabalhei na indústria farmacêutica está a convivência com os chamados na empresa de Global Medical Experts, médicos – funcionários como eu – mas de renome internacional, e que viajavam o mundo dando aulas.  Mais experientes, com mais publicações científicas, era um grande aprendizado essa convivência.

Não só durante os horários de trabalho.

Durante os congressos internacionais dos quais participávamos, o grande grupo de médicos da empresa se reunia. Usualmente, dois dias antes do início do congresso, e das intermináveis reuniões estratégicas e de marketing, tínhamos um dia inteiro apenas falando de medicina. Era muito bom. Mas não só isso.

A empresa, por questões logísticas, procurava nos colocar no mesmo hotel, o que facilitava a convivência entre nós, principalmente nos horários de final de dia, quando conseguíamos nos reunir no bar do hotel, e as conversas iam longe, regadas a chopes e boas risadas. Muitas histórias e aprendizados.

Falemos novamente de Fortaleza, em agosto de 2017.

Era uma estada curta. 

Havia chegado num quarta-feira no final da tarde, teríamos o primeiro simpósio na quinta-feira ao meio-dia, o segundo na sexta-feira no mesmo horário e, logo após, iríamos direto ao aeroporto para retornar às nossas cidades. Tudo milimetricamente calculado.

Após o jantar no restaurante do cardápio manuscrito à lápis, marcamos de nos encontrar no café da manhã para uma reunião antes de irmos ao congresso. No dia seguinte, ficamos das 8h30 até 10h30 reunidos, e de lá fomos para o centro de eventos. Circulei pela área de exposição, encontrei alguns conhecidos, até o horário do simpósio. Durante o simpósio, na hora do almoço, sempre é oferecido um lanche ao público. Nós, que estávamos a trabalho, combinamos de almoçar após.

Saímos do centro de convenções tão logo terminou o simpósio, e fomos almoçar num restaurante italiano em um shopping de Fortaleza. Demoramos para encontrar, e eram quase três horas da tarde quando chegamos. Comida boa, conversa muito melhor. Ficamos ali quase três horas.

Éramos quatro no almoço, entre nós o professor inglês com quem jantáramos na noite anterior. Pelo grupo menor, pudemos todos conversar com mais calma, conversas mais pessoais, inclusive. Contamos histórias, lembramos eventos. Foi, disparado e sem sombra de dúvidas, o melhor que aconteceu no congresso.

Ainda jantamos juntos naquela mesma noite.

A sexta-feira começou muito cedo com reuniões de trabalho, seguidas do simpósio ao meio-dia em que eu era o moderador. De lá, saímos todos direto para o aeroporto, pois a volta – como eu disse – estava milimetricamente organizada. Seria perfeito, se estivéssemos na Suíça.

Mas estávamos no Brasil, e lidando com companhias aéreas.

Podem imaginar o que aconteceu...

Em breve, em breve.

Até. 

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