Existe, sabemos, o que se chama de obsolescência programada, relacionada a produtos que seria uma estratégia de fabricantes para limitar a vida útil de produtos para estimular/forçar a troca dos mesmos e, consequentemente, o consumo e o lucro. Eletrodomésticos, computadores, telefones celulares.
Vinha eu pensando por esses dias naquilo que se torna obsoleto em nossas vidas, aquilo que uma vez nos foi habitual, corriqueiro, cotidiano, e que ao longo do tempo, mesmo que não de forma consciente, deixamos de – digamos assim – viver. Utensílios domésticos, hábitos, e até pessoas.
Como assistir novelas, ou ter interesse pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo. Houve um tempo em que era hábito assistir novelas na televisão em família, e lá se vão trinta, quarenta anos. Da mesma forma, havia interesse, curiosidade e até curiosidade pelo carnaval do Rio de Janeiro. De assistir até de madrugada alguns desfiles. Por influência da minha admiração pela música do Cartola, torcia pela Estação Primeira de Mangueira. Era legal assistir, depois, à apuração das notas do desfile.
Em algum momento, isso se perdeu.
O mesmo acontece, ou pode acontecer, com pessoas, devo dizer. A vida vai acontecendo para todos, vamos mudando conforme andamos, e, em algum momento, a sintonia, a conexão, se perdem. Tornamo-nos estranhos. E isso não é bom nem ruim, e não é ‘culpa’ de ninguém. Apenas é. Ponto.
Seguimos em frente, ou – melhor – devemos seguir, e sinto que devemos guardar, e honrar, a memória de bons tempos vividos.
Até.