domingo, janeiro 18, 2026

A Sopa

Os domingos de chuva despertam dois tipos de sentimentos em mim, desde o acordar, que invariavelmente será por volta das sete horas: a frustração por não poder ir para a rua para a atividade física habitual, que voltou a ser o pedalar, no qual ainda estou recuperando o condicionamento, e uma contida satisfação por poder ficar em casa, tomar café com calma, ler um pouco e escrever essa Sopa de todos os domingos. Como eu disse, sentimentos paradoxais, e um aprendizado antigo, que ensina que na vida nada é 100% bom ou ruim.

 

Não há só o preto e o branco, só o certo ou o errado.

 

A vida é mais complexa do que isso, com suas nuances, suas zonas cinzentas, suas contradições. Por isso é não é o mais prudente ser alguém pleno de certezas, de verdades inquestionáveis. Aliás, poucas são as verdades inquestionáveis na vida. Aceitar isso é o começo para uma boa convivência com os outros. E ouvir os outros lados, as outras versões.

 

Certamente está aí parte da explicação para os radicalismos e discussões e brigas virtuais ou não que vemos por todo lado. As pessoas perderam a capacidade de ouvir o outro, sem querer atacar de volta, sem agredir.

 

As pessoas perderam a capacidade de pensar.

 

Até.