Ainda no (meu) espírito de final / início de ano, em que venho fazendo arrumações, organizações e descartes de itens que não faz sentido manter em casa, ontem foi momento de redescoberta de itens dados como perdidos. Com um arqueólogo da minha própria história, desencavei o passado. E foi bonito.
À tarde, ao voltar para casa do barbeiro, encontrei as meninas na sala com os CDs todos no chão, enquanto os organizavam e a Jacque procurava um em especial. Sentei-me junto a elas e olhei para onde fica a nossa televisão. Logo abaixo dela, há três nichos no móvel onde ela está. O superior é onde fica o decoder da TV a cabo, cada vez menos usado. No nicho intermediário está o aparelho de DVD, também bem pouco utilizado. E, no inferior, fica há certamente mais de quinze anos sem uso um aparelho de videocassete, presente que a Jacque e eu ganhamos no nosso casamento, há quase trinta anos. Sabia o que deveria fazer. Já vinha há algum tempo com a ideia de tentar fazê-lo funcionar novamente para descobrir se antigas fitas VHS ainda funcionariam.
Retirei-o do nicho e levei até o escritório, onde tenho um monitor de vídeo em minha área de trabalho, que eventualmente usava como monitor acessório com o meu notebook. Tirei o pó e fui atrás de cabos de força e de conexão com o monitor. Como eu já havia feito uma limpeza e organização no quarto de depósito, sabia onde encontrar. Incrivelmente, consegui ligá-lo! Era hora das fitas VHS.
No mesmo depósito, em outro armário, encontrei uma série delas guardadas. Fui testá-las, e as primeiras duas não rodaram. Fiquei em dúvida se o problema era no aparelho ou nas fitas. Voltei ao depósito, em outra parte do armário, encontrei outras fitas, guardadas com mais, digamos, cuidado.
Entre elas, a fita com a gravação do nosso casamento!
Coloquei no aparelho e começou a rodar. Evidentemente a qualidade não é aquela maravilha que gostaríamos, mas é uma gravação de trinta anos. Assistimos a várias dessas fitas, desde o início dos anos 80 (vídeos da família da Jacque), apresentações de dança da Jacque aos doze ou trezes anos, entre outras.
O nosso casamento na igreja, a festa no salão do Veleiros do Sul, o meu pai bem feliz após vários uísques dançando com minha mãe. Familiares que já não estão vivos há muitos anos. Os padrinhos de casamento, os colegas do hospital, diversos amigos. Me emocionei, confesso. Também as de formatura.
Legal foi o comentário da Marina em determinado momento, falando que os iPhones duram três, quatro anos, quando muito, e estávamos assistindo aquilo em um aparelho que tinha trinta anos e ainda funcionava.
Depois ainda, encontrei registros da Sopa de Ervilhas Anual do Marcelo e da Banda da Sopa, inclusive quando tocamos uma música autoral, composta por mim no final dos anos 80. Hoje, domingo, vou seguir pesquisando o passado através dessas fitas, e depois procurar um lugar para digitalizá-las e poder guardar melhor como memória.
Sinceramente, que legal mesmo!
Até.