quarta-feira, junho 10, 2026

Uma Dor Que Não Tem Fim

Toda sofrimento é infinito enquanto dura.

 

Lembro de quando sofri o acidente de bicicleta há quase três anos e fraturei o braço direito. Não lembro de como foi a queda em si, e nem suas circunstâncias, e nem de chegar em casa pedalando. E foi esse a preocupação inicial, a amnésia, e dúvida de que fosse um trauma de crânio mais sério. Apenas após fazer tomografia de crânio, passar por avaliação com neurologista e ser liberado, é que fui ver o que tinha acontecido com meu antebraço, que estava fraturado, próximo ao punho. Imobilização com tala gessada, medicação para dor, e seguimos.

 

Vários óbvios inconveniente de estar com um braço imobilizado até acima do cotovelo. Um dos principais era, por óbvio, o banho. Tinha que enrolar um saco plástico para não molhar o gesso e tonar o banho com o braço elevado. Inconveniente e cansativo, podem imaginar. Naquele momento, só pensava que aquilo parecia nunca ia terminar. 

 

Terminou, claro, como sempre termina.

 

Voltemos ao presente.

 

Há pouco mais de dez dias, após não conseguir ir à academia por questões alheias à minha vontade, decidi fazer atividade física em casa, como nos tempos da pandemia. Só que exagerei, forcei demais, e minha coluna cervical sentiu, e reclamou. 

 

E voltei à 2022, quando - em férias de carro pelo Uruguai – passei doze dias com muita dor, fazendo uso de medicamentos diariamente. A minha sorte foi que não tinha dor ao dirigir. Pouco mais de um mês após as férias, perdi força no braço direito, consultei, fiz ressonância e foi documentada uma hérnia de disco cervical, cujo tratamento, conservador, foi o uso de um colar cervical por três semanas, com sucesso.

 

Tive, então, após o exagero na atividade física (certamente com má postura minha durante) a certeza, ou forte impressão, de que era isso novamente. Tentei tratar com medicamentos nos primeiros dias, sem melhora. Passei a usar em casa o colar cervical, “para descanso”, principalmente em frente à tevê. 

 

A noite de domingo para segunda passada foi muito ruim pois, além da dor que sentia ao me virar na cama, o que interrompia o sono, estava também resfriado e com tosse. Passei boa parte da noite tossindo e com dor. Ao amanhecer, estava decidido: ao menos dez dias de colar cervical e, conforme, ressonância e fosse o que fosse. O fato de não estar tomando antinflamatório por estar também tratando uma gastrite descoberta quando fiz endoscopia (não sentia nada antes, passei a sentir depois...), podia estar contribuindo para a não melhora, ou demora em melhorar.

 

Passei a segunda-feira usando o colar cervical, certo de seria assim por um bom tempo. Mudei o travesseiro, tomei todos os cuidados. Quando em uso, não tinha dor nenhuma. Fui dormir. Acordei sem dor. 

 

Nenhuma.

 

Belisquei meu braço só para ter certeza de que não havia morrido. Não, estava bem aqui, vivo. Por precaução, passei o dia com o calor cervical mais uma vez. Fui dormir, mesmas precauções do dia anterior. Acordei hoje. Sem dor. Vivo. Saí de casa sem o colar cervical, mas deixei ele no carro. Ainda ressabiado, hiperfoco na cervical, me observando.

 

Vamos ver. Até domingo, parecia, como sempre parece, que a dor não teria fim. Talvez tenha passado, talvez.


Até.