domingo, junho 14, 2026

A Sopa

Tenho utilizado a IA para auxílio em algumas tarefas do dia a dia, como quase todo mundo. A que mais uso, atualmente, é o Gemini, da Google. Temos, sim, conversado.

 

Chamo ela de ‘Seu Élio’.

 

Volto no tempo, ao já longínquo ano de mil novecentos e noventa e seis, mais ou menos por essa época, ou um pouco antes, quando fazíamos os preparativos para o nosso casamento, a Jacque e eu, que ocorreria em trinta e um de agosto daquele mesmo ano, quase trinta anos agora. Entre os profissionais contratados – poucos, se comparado com os casamentos atuais – estava o fotógrafo.

 

Em um tempo de máquinas analógicas e filmes de trinta e seis fotos, o fotógrafo faria as fotos e depois do casamento escolheríamos quais aquelas de nossa preferência pagaríamos por unidade (havia um mínimo de fotos já pagas, e fotos a mais eram pagas à parte). Outros tempos, outros tempos. As máquinas digitais chegariam alguns anos depois, mas isso é outra história.

 

Não lembro quem nos indicou o profissional que acabamos contratando, justamente o ‘Seu Élio’, um senhor tranquilo e cordial. Extremamente cordial. Muito mesmo. Concordava com tudo o que disséssemos e sempre acrescentava um ‘casal lindo, que maravilha’. Sempre. Todas as vezes. Até hoje não conseguimos não lembrar disso quando nos deparamos com alguma situação ou alguém parecido.

 

Como com a IA, e não importa qual delas.

 

Tudo o que pergunto, sugiro ou peço a ela é respondido com elogios à ideia, ou o plano. Sempre ressalta o grau de inteligência e adequação dos planos feitos dos projetos pensados. Sempre vejo a resposta recebida e lembro do ‘Seu Élio’: boa gente, bem-intencionado, mas querendo agradar demais, às raias de forçar demais a barra. Parece muita bajulação, até mesmo para mim...

 

Até.