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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Somos Tão Jovens?

Há um vídeo que volta e meia aparece para mim que é o George Harrison falando algo como ‘quarenta anos passam muito rápido’, um dia tens 17 e, como em um salto, está com 57 anos. O corpo envelhece, mas a mente, a alma, continuam jovens. Bom, não tenho cinquenta e sete anos ainda, mas estou perto e, sim, a mente continua jovem.

 

Me agradam diversas músicas com referências à passagem do tempo, e as cito com frequência, tanto como reforço de mensagem, de pensamento, quanto para não perder de perspectiva o fato de que o tempo passa e não volta, e devemos viver no presente sempre. Algumas dessas referências falam em juventude e, mesmo que o corpo não seja mais o mesmo, ainda me identifico com ela.

 

Como ‘Sapatos em Copacabana’, do Vitor Ramil, que vinha ouvindo hoje cedo no carro, e que diz ‘Sei que não tenho idade / Sei que não tenho nome / Só minha juventude, o que não é nada mal’. Já tenho alguma idade, e algum nome, eu sei, já vivi muitas estórias, mas mesmo que o espelho nem sempre concorde comigo, ainda me sinto jovem e com muito tempo em frente.

 

Poderia encadear várias outras músicas para marcar meu argumento, mas deixo para vocês pensar nas suas próprias.


Até.    

segunda-feira, dezembro 01, 2025

Terra de Gigantes

Em 1987, aos quinze anos, eu estava no segundo ano do hoje chamado Ensino Médio, no curso técnico de ‘Operador de Computador’ (que depois se chamaria Processamento de Dados) da Escola Técnica de Comércio da UFRGS, Campus Centro, logo atrás da Faculdade de Economia. Diariamente saía de ônibus da Zona Sul para ter aula no hoje chamado Centro Histórico.

 

Era dos mais novos da turma, como sempre calhou de ser por ter entrado na primeira série do primário logo antes de completar seis anos de idade. Havia iniciado o segundo grau com treze, quase quatorze anos. Recém adolescente, começando a crescer, podemos dizer.

 

Tudo o que eu queria ter – à época – era uma guitarra elétrica, e tinha uns amigos que tocariam comigo. E eu já sabia que, por mais que a gente crescesse, sempre haveria alguma coisa que a gente não conseguiria entender. Mas seguia (seguimos) em frente.

 

Isso há quase quarenta anos.

 

Ontem, enquanto levava a Marina para fazer o segundo dia de provas do vestibular da UFRGS, que está fazendo como teste para o ano que vem, já que terminou o segundo ano do Ensino Médio, ouvíamos música no carro. Quando estávamos quase chegando no Campus do Vale, onde ela faria a prova, colocou para ouvirmos justamente ‘Terra de Gigantes’, dos Engenheiros do Hawaii, e disse que gostaria que tocasse na cerimônia de formatura da escola, no ano que vem, justamente por seu significado.

 

Sorri. Por várias razões.

 

Porque deu tudo certo. Porque ela está traçando o caminho dela passo a passo, por estarmos, a Jacque e eu, aqui para apoiá-la incondicionalmente, porque tenho ensinado a ela o que acho importante, inclusive em termos de música. 

 

Porque a vida é bela.


Até. 

quarta-feira, setembro 03, 2025

As Minhas Unhas e o Tempo

Estamos sempre aprendendo, constantemente percebendo fatos e situações que anteriormente passavam despercebidas. Muitas delas, sim, nos facilitam a vida e, mesmo assim, leva tempo para as reconhecermos.

 

Como cortar as unhas usando óculos para leitura.

 

Eu sei que minha higiene pessoal não é de interesse de ninguém além de mim, exceto as pessoas que convivem próximas e que podem sofrer os efeitos de algum potencial desleixo meu nesse quesito. De qualquer forma, achei interessante comentar que aprendi, ou constatei, que é muito, mas muito melhor que eu corte as minhas unhas, ou excute outras atividade que requeiram reconhecer detalhes, fazendo o uso de óculos. Facilita a vida, mas pode ser visto como uma limitação que a idade traz, junto com a dificuldade em ler cardápios em locais de pouca luz, por exemplo. Lembro, então, que o passar do tempo, o avançar dos anos, traz limitações as quais temos que aceitar, aprender a viver com elas, e fazer o melhor possível dessas situações. 

 

Parei de jogar futebol há alguns anos.

 

Houve um período em que jogava uma ou duas vezes por semana, fazia parte de um grupo (detalhe sempre importante para mim), e era um momento também de conexões. As questões físicas foram lentamente se impondo sobre minha vontade e, por dores e lesões, me vi obrigado a parar com esse tipo de atividade. A última vez, a definitiva, foi em um momento em que estava em ótima forma física, fazendo musculação várias vezes por semana e ainda pedalando aos finais de semana. Mesmo assim, com vinte minutos de jogo, comecei com uma dor lombar que fez abandonar o jogo e que se revelaria três meses depois de idas e vindas com ela, em maior ou menor intensidade, uma hérnia de disco lombar que foi resolvida cirurgicamente meio que de emergência. A partir desse evento, entendi que futebol não era mais para mim.

 

E é assim em várias dimensões da vida.

 

O tempo traz limitações físicas, os olhos têm dificuldades em enxergar, não ouvimos tão bem quanto antes (digo que o meu objetivo é precisar usar aparelho auditivo só para desligá-lo) e não adianta ir contra, não podemos “bater de frente” com a natureza, com a passagem do tempo. Quanto mais tempo levamos para aceitá-las, pior para nós. 

 

Por outro lado, o tempo traz outras vantagens, como a sabedoria de entendermos o que realmente importa e priorizarmos aqueles que são de fé, que tornam a vida significativa. E de quem devemos estar perto.


Até.