No dia das mães, um pouco sobre aborto.
Alguém disse, certa vez, que “política é importante demais para ser deixada para os políticos”. Pois é, e controle de natalidade, saúde da mulher e o tema do aborto em si, são importantes demais para darmos ouvido ao que falam as religiões.
E falo sério.Nada contra as religiões e as crenças de cada um, pelo contrário.
Todos temos o direito de acreditar em quem e no quê quisermos. O direito à fé é fundamental num mundo livre. Cada um é livre para acreditar em Deus, Alá, ou no coelhinho da páscoa, não importa. Parênteses. Não estou fazendo comparações nem julgamentos. Fecha parênteses. Tem o direito de professar sua fé. E o dever de respeitar as outras, evidentemente.
O que ninguém tem o direito é o de impor suas crenças aos outros.
É aqui que entra a questão do aborto e toda a hipocrisia que ronda o debate. Já falei em texto anterior, essa é uma questão individual de cada mulher, mas também é de saúde pública, afinal milhares de meninas morrem todos os anos em clínicas clandestinas, sem nenhuma condição de higiene, simplesmente porque o estado “fecha os olhos” para o assunto. Quem falou muito bem disso foi o tantas vezes criticado (muitas vezes com razão) Presidente da República, que disse que era contra o aborto, mas que era um problema de saúde público a ser encarado. O assunto voltou à tona esses dias em que o papa esteve pelo Brasil. Até porque a Igreja Católica é radicalmente contra o assunto, afinal sua posição é conhecida há muito tempo. Mas, como eu disse, esse assunto não deveria merecer comentário da igreja: é importante demais para ser tratado por não especialistas.
Eu sou contra o aborto, pessoalmente.
Mas sei que existem situações em que essa é a melhor alternativa para algumas mulheres, e não tenho o direito de ser contra.
Nem vocês.
Até.