domingo, maio 27, 2007

A Sopa 06/45

Outras Dimensões, um texto antigo.
Estava eu a surfar pela “blogosfera”, lendo blogs encontrados ao acaso, quando me deparei com a seguinte frase, em meio a um texto: “Perdeu-se no universo paralelo para onde vão as ex-paixões platônicas da puberdade”. Parei, pensei, e sorri. Boa frase, boa idéia.


Percebi que não se aplicava ao meu caso. Não de forma direta, ao menos. As grandes paixões platônicas da minha puberdade não se perderam em nenhuma outra dimensão. Tá, posso dizer que as duas principais (únicas?) paixões platônicas que eu tive, não se perderam. Uma foi desmistificada ainda enquanto éramos púberes, quando ela me disse que também havia gostado de mim na mesma época que eu gostara dela, e, depois de bater a cabeça na parede várias vezes por ter sido tão tímido de não falar o que sentia, fui obrigado a me conformar porque ela já não era o foco de meus sonhos juvenis (além, é claro, de ela estar namorando um carinha do segundo grau).

Esse, por sinal, foi um dos grandes mistérios da minha juventude, que já vejo longe no retrovisor: por que nunca era a nossa hora? Vocês sabem do que estou falando, certo? Quando estávamos no primeiro grau, as meninas eram encantadas pelos do segundo. Quando chegamos ao segundo, o que elas queriam – de verdade – eram os que estavam na faculdade… Tudo bem, um dia ia chegar nossa hora…

Mas eu falava das minhas paixões platônicas, ou das duas que foram significativas. A outra foi a menina mais linda do mundo. Era o que eu achava na época, claro, e mesmo depois, após outras namoradas e casos, ela era a referência de máxima beleza. O tempo passou, e a referência ficou fraca e distante. Ela virou uma mulher, e a menina ficou no passado. Hoje é minha amiga, distante, mas amiga.

Claro, não foram só essas duas histórias. Tenho uma mão cheia de histórias para contar, como quando passei anos tentando retomar uma relação com uma mulher que não existia no plano real, e – claro – nunca consegui. Mas, no fundo, não é de paixões platônicas do passado que quero falar. É das ex-namoradas, que – estas sim – são mandadas para universos paralelos.

Sim, universos. Tenho certeza de que existe mais de um universo paralelo, para onde vão as ex-namoradas. É até uma questão de lógica: não consigo imaginar todas as minhas ex-namoradas reunidas num mesmo ambiente, tramando contra mim, destilando mágoas. Não sei, pode ser que esteja passando uma imagem ruim das minhas ex-namoradas para você, estimado leitor. Não é minha intenção, mas é inevitável que haja mágoa no final de qualquer relacionamento.

Por que relacionamentos de verdade, intensos, terminam mal. Algumas vezes com sangue, até. Pratos quebrados, choros. Palavras duras e cruéis é o mínimo que se espera de um bom final de relação. Aquela coisa de “terminaram e continuaram amigos” é eufemismo para dizer “nunca se envolveram de verdade” ou “era tudo sexo e amizade”. Não venham com aquele papo de seres civilizados. Civilizados… aqui ó!

Paixão e civilização, apesar de rimarem, nunca estão juntas. São antípodas (é a segunda vez que uso “antípodas” num texto nos últimos dias, agora esgotei a cota). Quando nos apaixonamos, perdemos o senso e a razão. Somos ridículos, com muito orgulho ( e como bom é ser ridículo – eu sou até hoje, e feliz).

Até esqueci do que falava… ah, das ex-namoradas que vão para universos paralelos. Pois é, tenho certeza que sim. Pelo menos as minhas, as suas você manda para onde quiser. Nunca mais as encontro, mas se por ventura eu vejo uma delas em qualquer lugar que seja, um restaurante, por exemplo, sei que só pode ser um clone. A original está presa em alguma dimensão diferente.

Será que elas pensam o mesmo de mim? Será que, na verdade, eu vivo num universo paralelo? Será que a realidade é como eu vejo?

Matrix, matrix…

Um comentário:

Rafael Reinehr disse...

Ótimo texto, ótima reflexão. Estas reflexões metafísicas bem-humoradas sempre dão um bom caldo quando escritas com o coração. Me fizeste pensar nas minhas paixões platônicas, me fizeste lembrar da minha "menina mais bonita do mundo" e me deixaste com vontade de escrever sobre isso. Quando o fizer, te aviso e linko pra cá pro povo saber a origem do estímulo.