domingo, junho 15, 2008

A Sopa 07/41

Há um mês, estive em Toronto.

Aproveito o dia de céu azul e sol, com o vento que sopra de noroeste deixando com aspecto encrespado o rio que não é rio e que banha essa cidade em que vivo ao sul do mundo, para preparar novamente uma Sopa de domingo, como há quase sete anos. Após uma breve pausa devido a uma viagem de trabalho e lazer e mais umas semanas de confusão e poeira seguidas de arrumação e organização que ainda não terminaram, volto ao trabalho aqui. Nesse contexto, a descrição da viagem – que já havia chegado em Paris e, portanto, em seus últimos dias, ficará para mais adiante.

Como dizia, então, estive em Toronto.

Após quase dois anos desde que fechei a porta do apartamento 2105 na 35 High Park Avenue, minha casa nos quase dois anos em que morei lá, voltei à cidade. Não sei se alguma vez cheguei a comentar aqui, mas, quando saí, deixei meu apartamento montado para os novos moradores, que ainda moraram lá por mais uns dois meses antes de encontrar a casa deles na cidade. Por isso, a minha experiência não foi a de final de ciclo, fim de etapa, como imagino que seria se tivesse entregado o apartamento vazio.

De qualquer maneira, voltei para o Brasil e, ao chegar, retomei a vida de onde tinha deixado, como se nunca tivesse saído. Não fiquei, depois de voltar, “choramingando” como era bom morar em Toronto, como seria melhor que morar no Brasil, etc. Até porque gosto daqui, como gostei de morar em Toronto. Sinto falta de lá? Claro que sim, como não sentiria? Acontece que as coisas que importam no mundo estão aqui. Logo...

Chegar em Toronto nunca foi fácil, principalmente porque, para chegar lá, eu sempre tinha que deixar pessoas aqui. Então, inevitável e lamentavelmente, ao menos ao chegar em Toronto eu tinha a sensação de estar sendo “privado” das pessoas que eu tinha deixado em Porto Alegre. Claro que depois tudo ficava bem e podia aproveitar o que o Canadá tinha a oferecer. Mas, de certa forma, o trauma ficou.

Por isso, a chegada em Toronto foi estranha. Fui tomado inicialmente pela estranha sensação de que estava “exilado” novamente. Sensação essa angustiante, mas que durou pouco. No ônibus que nos conduziu ao hotel (estava com um grupo de médicos indo a um congresso na cidade) comecei a servir de guia informal do grupo, dando dicas, contando histórias e mostrando locais, o que fez passar o estranhamento e passei então a me sentir novamente em casa. Toronto é e sempre será, afinal, também minha casa.

Ainda na sexta-feira em que chegara de volta à cidade, tinha marcado de rever os amigos Camila, Henrique, Rafael e Monique. Havíamos escolhido ir a um pub “do nosso tempo”, mas descobrimos que havia fechado, o que levou a uma mudança de planos de última hora. Obviamente, fomos a outro irlandês porque a Guiness era uma obrigação.

Reencontrar a turma do Éramos Cinco reforçou uma teoria antiga sobre amizade, a de que ‘amizade não tem hiatos’. Foi como se nunca tivéssemos estado separados, ou como se tivéssemos saído no final de semana anterior. Essa impressão, comentada por todos no dia seguinte, foi reforçada quando fomos almoçar no sábado na casa de Camila e Henrique em Mississauga, e nossos papos foram como nos “velhos tempos”, indo desde piadas russas até teletransporte. Quando nos despedimos no meio da tarde, ficou a sensação de que foi muito pouco tempo (foi mesmo) e que outros encontros certamente acontecerão.

E onde estão nossos amigos, lá também é nossa casa.

Até.

Um comentário:

Monique disse...

Puxa, seu post foi lindo de ler. E também achei que foi pouco tempo, mas te esperamos no "próximo final de semana", pois mesmo daqui a um ano, será o próximo fim de semana. abrcs,