segunda-feira, março 07, 2022

Perdiditos en Uruguay (19)

 A Viagem, quinto dia.

 

Punta del Este. A noite hava sido boa, depois que consegui uma posição para dormir e os medicamentos fizeram efeitos em aliviar a dor excruciante que, de tempos em tempos, eu sentia, como se uma faca estivesse cravada em minha cervical e alguém fosse ali e a torcesse. Paciência. Nem isso tirava o meu (crescente) bom humor...

 

O café da manhã do hotel era bem bom, com as já tradicionais medias lunas e dulce de leche, entre outras atrações. Ao voltar para o quarto, dei um bom dia mais simpático que o normal ao funcionário da recepção talvez ainda me sentindo culpado pelo que acontecera na noite anterior.

 

Explico.

 

Naquele esquema de hotéis mais antigos, ao sair sempre deixamos a chave do quarto na recepção e a retiramos ao voltar. Acontece que a porta (a fechadura, especificamente) era antigo, daquele tipo em que para trancar temos que acionar a tranca por dentro, ainda com a porta aberta e, ao fechá-la, fica trancada. Eu sabia disso e lembrava de trancá-la todas as vezes que saíramos.

 

Só que quando chegamos, no final do dia, após jantar, eu fui primeiro para o quarto e a porta estava aberta! A primeira coisa que fiz foi entrar no quarto e verificar se não havíamos sido roubados (minha mochila com o notebook!). Aparentemente, não. Ato contínuo, fui à recepção conversar com o funcionário. Perguntei se alguém havia pegado a chave por engano, ou que ele me desse alguma explicação para o que tinha acontecido. Garantiu-me que nada acontecera, que não tinha como alguém ter pegado a chave, e o que podia ter acontecido é que alguém não tivesse trancado a porta. Eu disse que era impossível, já que era eu quem a trancava. A não ser que...

 

Olhei para a Jacque e perguntei se ela tinha ido no quarto (e saído) sem mim. Ela respondeu que sim, que havia, antes de sairmos para jantar, ido até o quarto buscar algo (que não lembro agora) e fechara o quarto. Perguntei como ela trancara, e ela disse que ‘com a chave’ (que, por óbvio, não trancava) ... 

 

Me desculpei com o funcionário e fomos dormir.  



                    

O Grupo 


Retomando nossa história, após o café da manhã, fomos caminhar em direção à região do porto. Seguimos caminhando e fotografando pela Rambla Gral Artigas, até chegarmos ao porto. O Puerto de Nuestra Señora de la Candelaria, mais conhecido como Porto de Punta del Este, está localizado no centro da cidade, na Península, e conta com bons restaurantes e bares, além de outros tipos de comércio. Oferece uma belíssima vista, em especial o pôr-do-sol no que já é o Rio da Prata.

 


O Porto

Ali, outra atração são os leões marinhos, que ficam à volta dos pescadores que ficam ali limpando peixes e jogando os restos para os leões comerem. Ficamos um tempinho ali observando-os, com a Roberta fazendo sua típica fala com animais diversos (até galinhas, veremos bem mais adiante) e chamando-os de “vida”, ou “filhos”. Nesse momento, a temperatura ambiente já estava alta e o sol brilhava inclemente no céu.

 

Decidimos, ao sair do porto, ir até o monumento Los Dedos, clássico ponto turístico de Punta del Este, na Praia Brava. Como estávamos na “ponta”de Punta, resolvemos que iríamos caminhando até lá. Não era longe, sabíamos, afinal a distância entre o porto e Los Dedos é de 2 (dois!) quilômetros, um trajeto – em condições normais – de cerca de 25 minutos. 

 

Porém havia o sol e estava MUITO quente. Devia ser próximo ao meio-dia, além de tudo. Forma, então, os mais longos dois quilômetros da história do mundo. Não tínhamos água conosco naquele momento (para desepero do Gabriel, que ainda não sabíamos naquela hora, é um dementador de água), não havia sombra, estávamos de chinelo. Foi uma experiência tipo no deserto, quase de ver miragens mesmo estando ao lado do mar. O único momento de alívio quando a Roberto e eu paramos na sombra de uma parada de ônibus para esperar os outros.


                  

Los Dedos e nós


Quando finalmente chegamos na Praia de Los Ingleses, na escultura Los Dedos, tudo o quisemos fazer foi tirar fotos rapidamente e sair dali, para a praia. Decidimos retornar ao hotel, beber água (antes que o Gabriel virasse uma passa) e ir ao supermercado comprar ingredientes para um piquenique. A volta foi rápida. Pegamos o carro, fomos ao supermercado, compramos o que precisávamos, e fomos em direção à praia Mansa, nosso destino.

 

Era hora do piquenique. 

 

Até. 

domingo, março 06, 2022

A Sopa (Los Perdiditos 18)

A Viagem, quarto dia (2).

 

Chegáramos, após passar por La Paloma e José Ignácio, a Punta del Este. Esta é o balneário mais ‘badalado’ do Uruguai, mesmo claramente não sendo o mais bonito, na minha opinião. Lojas de grife, restaurantes caros, e outras atrações mais ou menos acessíveis, Punta del Este é tanto para turistas de altíssimo poder aquisitivo quanto para outros de “menos posses”. É mais cara que outras cidades, e provavelmente até que Montevideo, a capital do país. 

 

Como o nome diz, é a ponta oriental (do leste) do Uruguai, a divisão Oceano Atlântico e o Rio da Prata. Tão ponta que as suas duas praias principais, a Brava e a Mansa, são respectivamente o mar e a baía, digamos assim. Nosso hotel ficava no início da península, próximo ao Muelle de Mailhos, a uma quadra da Rambla Gral. Artigas, uma ótima localização. Já havia estado duas vezes anteriormente em Punta, em 2012 e 2015, em feriados, e nas duas vezes havíamos ficado - como já referido - no Hotel Bonne Etoile, de tão boa localização quanto o San Diego.

 

Logo após o checkin, e de fazer a transferência do valor da primeira diária para o hotel em que ficaríamos em Villa Serrana, quando estivéssemos retornando de Colônia del Sacramento para o Brasil, voltamos para pegar o carro para nosso próximo “compromisso”: assistir ao pôr-do-sol na Casapueblo, em Punta Ballena.


                             

 


A Casapueblo - casa, museu, hotel, restaurante e café – foi idealizada e construída pelo artista Carlos Vilaró em Punta Ballena, a cerca de 13km de Punta del Este. Sua arquitetura e estilo podem ser equiparadas às casas da costa mediterrânea de Santorini, na Grécia. A construção demorou trinta e seis anos para ser terminada, e tem terraços que permitem uma vista perfeita do pôr-do-sol no Atlântico, na sua transição para o Rio da Prata.


                       

Casapueblo, Punta Ballena 


Sob a orientação do Waze, facilmente chegamos lá, que fica no alto de um promontório. Deixamos o carro estacionado e seguimos até Casapueblo. Tivemos tempo de visitar o Museu (belíssimo), repetir com a Marina a mesma foto que tiráramos em 2012 e chegar e conseguir lugar no café a tempo de assistir ao sol se pôr.


                                         

2012 x 2022

 

A Karina e a Jacque pediram um clericot, enquanto eu tomei refrigerante porque – obviamente – era o motorista, e as leis uruguais são bem rígidas quanto a isso. A hora em que o sol se põe encontra o café e todos os espaços disponíveis lotados, e nos minutos finais, quando o sol está sumindo nas águas, toca nos alto falantes um poema do Vilaró, na Cerimônia del Sol, que termina com:


                         

Esperando o pôr-do-sol


                            

Admirando o pôr-do-sol



                          


“Adiós Sol...! Mañana te espero otra vez.

Casapueblo es tu casa, 

por eso todos la llaman la casa del sol.

El sol de mi vida de artista.

El sol de mi soledad.

Es que me siento millonario en soles,

que guardo en la alcancía del horizonte. 

 


Um belo espetáculo, esse final de tarde, mas incrivelmente não seria o mais bonito da viagem, mas isso é história para mais adiante. Após o pôr-do-sol, voltamos para Punta del Este, para dar uma passeada. Acabamos jantando no La Pasiva na Gorleros, um lanche OK, nada mais.

 

Mais uma caminhada, olhando algumas vitrines, até a feira de artesanato. A noite estava agradável, exceto pela minha cervical, que incomodava progressivamente a medida que o dia avançava, chegando ao seu auge à noite, quando a sensação de que havia uma faca sendo enterrada na minha cervical e a dor irradiava para o ombro direito, então eu caminhava boa parte do caminho “segurando” ombro direito, em manobra para tentar diminuir a dor. A Karina já tinha me “doado” todos os relaxantes musculares que havia trazido, e que eu alternava com antiinflamatórios. Estranhamente, quando mais a dor piorava, dia após dia, eu ficava mais relaxado, mais de férias (e não era efeito das medicações...)

 

Voltamos ao hotel, porque o dia seguinte seria de caminhada e – se tudo corresse bem – praia.

Até.  

sábado, março 05, 2022

Sábado (e as sombras)

 Los Perdiditos, inscrição rupestre, Punta Del Diablo

            Bom sábado a todos.

           Até.

            

sexta-feira, março 04, 2022

Perdiditos en Uruguay (17)

A Viagem, quarto dia.

 

Dia dois de fevereiro de 2022.

 

Dia de deixar Punta del Diablo rumo à Punta del Este.

 

O dia começou com (já) tradicional ida até o Mercado Sandra, para comprar ingredientes para o café da manhã, em especial as maravilhosas medias lunas, comidas com abundante dulce de leche. Gosto de rotinas e tradição. Sou um conservador, podemos dizer.


                             

                                         Despedida de Punta Del Diablo


Após o café, arrumamos nossas coisas, carregamos o carro, nos despedimos da simpática e atenciosa responsável pelo lugar e deixamos Punta del Diablo, um lugar para certamente voltar. O plano de viagem do dia previa paradas em La Paloma e José Ignácio, antes de terminarmos o dia em Punta del Este. Passaríamos próximo a Cabo Polônio, mas acabamos não visitando por alguma razão que não saberia explicar, confesso.

 

A distância do total do dia, com as paradas, seria de cerca de 227km, em estradas planas e em boas condições, mesmo com a Ruta 9 com vários pontos de obras de manutenção. A saída foi comigo (tomando energético Monster Mango Loko) dirigindo, como sempre, o Gabriel (que não havia sido preso) de copiloto, Roberta atrás de mim, Jacque no meio, Karina atrás do Gabriel e Marina lá no final. 



As meninas no banco de trás

 


São 108km de Punta del Diabo até La Paloma, aproximadamente 1h25 de viagem. Chegamos lá com mais um dia de sol, céu sem nuvens e calor, e fomos pegar praia. Achamos um acesso ao mar, estacionamos e, por um curto trajeto de areia que estava já àquela hora MUITO quente, fomos aproveitar a praia. Ali, ficamos junto a um quiosque que fornecia cadeiras de praia (e até uma rede!). 

 

                      

La Paloma


 

O mar de um azul profundo em constrate com o sol e o céu compunha um espetáculo digno muitas fotos, como fizemos. Aproveitamos o quiosque para pedir as tradicionais bebidas, incluindo o licuado da Marina e coca-cola zero para mim, que estava dirigindo, e ficamos um bom tempo na praia. Até a Jacque, que não costuma fazer, entrou no mar e aproveitou. Eu, quando decidi entrar, talvez por estar muito quente de ficar no sol e por entrar rápido na água, senti a água MUITO fria, do tipo que dá um mal estar, um arrepio forte que quase paralisa. Saí rápido da água antes que morresse (não ia, mas é a sensação que dá) e voltei para me secar e esquentar no sol. Após curtirmos a praia, eu recuperado do choque térmico, decidimos ir para a próxima parada, José Ignacio.

 

                                            

Marina, na sombra, La Paloma


Mais uma hora de viagem, cerca de 108km, José Ignacio é uma praia conhecida pelo seu Farol e por ser uma vila de pescadores transformada em um resort de luxo, com ótimos (e caros) restaurantes. Visitamos a área do Farol (estava fechado pelo horário) e decidimos almoçar. O guardador de carros que estava ali nos deu a “dica”de um restaurante ali perto, onde acabamos indo.

 

                      

José Ignacio, onde "o golpe está aí, cai quem quer"...


Nesse momento, o dito ‘o golpe está aí, cai quem quer’ parece ser bem apropriado. Ele nos deu um cartão de desconto de 5%. Almoçamos um belo almoço, devo dizer (eu troquei de prato com o Gabriel porque o que ele pediu não agradou, o que me deixou com um crédito de poder trocar de prato com ele a qualquer momento que eu quiser, que AINDA não foi utilizado, e pode acontecer a qualquer momento...). O problema foi na hora da conta, que confesso que não conferi. Por nossas divisões, quem pagaria seria a Karina, que o fez em espécie. No final de contas, o valor foi maior do que a quase todas as refeições que fizemos na viagem, e claramente não era para tanto. Como eu digo, paciência.

 

Foi nesse momento que nos lembramos de que no Uruguai, para estimular o turismo, em hotéis e restaurantes pagos com cartão de crédito internacional, há o desconto referente ao IVA (de 22%), o que torna muito vantajoso pagar com o cartão, mesmo com o pagamento do IOF (que é de 6,38%). Mudamos nossa forma de pagar após isso, mas ficamos com a certea que havíamos visitado Vigário José Ignácio (piada fraca...).

 

De José Ignácio, seguimos para Punta del Este, uma viagem de quarenta minutos, e para o hotel San Diego, que havíamos reservado. Chegando lá, percebi que havia cometido um erro ao reservar: não conferi se teria estacionamento. Não tinha, mas poderia estacionar em frente ao hotel, rua tranquila e tal coisa. E foi assim, funcionou bem.

 

O Hotel San Diego é um bem localizado, perto da praia mansa e não muito longe do porto, com possibilidade de fazer quase todos os passeios caminhando. É um hotel antigo, cujas instalações são simples, mas com um bom café da manhã. O banheiro, como o hotel, é antigo, banheira e chuveirinho. Não íamos passar o dia no hotel, então o custo-benefício foi, afinal de contas, bom.

 

Fizemos o checkin e fomos até a Gorlero, avenida de comércio mais popular, para irmos até um agente bancário para a Roberta fazer a transferência do sinal para nossa última hospedagem no Uruguai, em Vila Serrana (lugar do qual eu nunca ouvira falar, confesso). Feito isso, voltamos ao hotel para ir ver o por-do-sol na Casapueblo, em Punta Ballena.

 

Conto isso adiante.

 

Até.

quinta-feira, março 03, 2022

Perdiditos en Uruguay (16)

A Viagem, terceiro dia.

 

Dia primeiro de fevereiro, Punta del Diablo, Uruguay.

 

Como de costume, acordei cedo, não tão cedo quanto em dia de trabalho, mas ainda pouco antes das 8h. Enquanto os outros acordavam ou dormiam mais um pouco, fui caminhando até o Sandra, o mercado próximo de onde estávamos para comprar ingredientes para o café da manhã. Café solúvel, adoçante, leite, pão, medias lunasdulce de leche, pelo menos.

 

Lidando efetivamente com o câmbio, finalmente, concluí ser inviável a máxima do ‘quem converte, não se diverte’. O câmbio de real para peso estava em cerca de R$ 1,00 valendo UYU 7,50. Então tudo, para saber o real valor das coisas, uma calculadora mostrou-se fundamental. A longo do tempo fomos nos acostumando com os valores em pesos de tudo.



O dia havia amanhecido com sol e absolutamente nenhuma nuvem no céu. Após o café da manhã, nos organizamos e fomos, finalmente, para a praia. O local escolhido foi a Praia dos Pescadores. Antes de sair, contudo, houve um momento ritual: a Jacque furou a orelha e colocou um brinco no Gabriel.

 

Não era a primeira vez dela: além de já ter furado a sua própria orelha muitos anos atrás, na sexta-feira em que entramos de férias e fechamos o consultório, ela havia feito o mesmo, a pedido, em nossa secretária. Sem falar que foi ela quem refez o furo na minha orelha há mais de vinte anos, quando iámos viajar para passar o Natal na Neve. Acabou inflamando minha orelha à época e tivemos que procurar uma farmácia em Roma para comprar ‘germo zero’, um produto para limpar e tratar... Correu tudo bem, não perdi a orelha, e com o Gabriel foi tranquilo também.

 

Voltando ao Uruguai.


Sol forte, areia quente, mar azul e, diferente do esperado, a água não estava gelada como esperado. Foi possível ficar um bom tempo dentro da água.

 

Por ser uma praia, digamos, mais “raiz”, com muitas ruas sem calçamento, um certo clima “bicho-grilo”, ou por não termos encontrado, não havia cadeiras de praia e/ou guarda-sóis para alugar. Levamos toalhas (ou algo do gênero, para sentar) e depois procuramos a sombra de um barco que estava na areia para nos proteger. Por termos ido relativamente cedo, na hora que quisemos comprar algo para beber, a maioria dos bares e quiosques ainda estava fechado. 

 



Pergunta aqui, pergunta ali, descobri um que estava QUASE abrindo, e fiquei esperando uns minutos para poder comprar caipirinha, mojito e licuado (um smoothie de frutas, para a Marina). Compradas as ‘encomendas’, ficamos ainda um tempo curtindo a praia. 

 

A seguir, saímos da praia e fomos direto ao Mercado El Vasco, onde minha missão era comprar carne para fazer em nossa parrilla. Era um desejo meu desde a primeira vez que eu estivera lá e é um desejo recorrente, sempre que vamos a um lugar eu pergunto se tem churrasqueira disponível. Enquanto eu escolhia as carnes, o grupo comprava o resto para o nosso almoço, com escolha de opções para a Roberta, vegetariana. Compraram pimentões vermelhos para fazer com queijo.

 

Voltamos para nossa casa e fui preparar o fogo.

 

Lembrando que, apesar de entusiasta, e por não ter churrasqueira em casa, eu me considero um amador em matéria de churrasco. Parrillas são um território ainda mais desafiador. Havia, disponível para uso, lenha para fazer o fogo e assar, mas – descobri logo – não o suficiente. Em meio à preparação, com o fogo já alto, decidimos que iriam buscar mais lenha (ou carvão) para podermos ir até o final. A Jacque, a Marina e o Gabriel buscaram, e então saiu a tão esperada parrilla. Seja pela carne uruguaia, pela lenha, pelo astral de férias, pela boa vontade de todos ou um misto de tudo isso, até agora consideraram a melhor parrilla da viagem. Eu gostei, admito meio constrangido...


 

             


Música, sol, um dia tranquilo, a parrilla, e a Karina sentada com um saquinho de chá de camomila no olho, para aliviar e poder enxergar, após cair protetor solar... O único porém da situação, mas que no final não atrapalhou de verdade, foram as moscas. Assim que começamos a assar a carne, surgiram milhares de moscas, vindas não sabemos de onde, mas que deram trabalho para nos livrarmos dela.

 

À tarde, após um tempo de descanso, saímos novamente para passear e tomar sorvete numa sorveteria que ficava em uma elevação e proporcionava uma linda visão da praia. Ótimos sorvetes e agradável passeio.

 




Fizemos nossa janta de despedida comendo uma pizza no que considerei o “centrinho nervoso”, perto da Praia dos Pescadores. Um lugar agradável, um jantar divertido, antes de voltarmos andando com “passinho shopping center”, como eu chamo, e que ao longo da viagem acabou contribuindo para a minha dor cervical e ao consumo de todos os antiinflamatórios do grupo... Antes de chegar em casa, ainda ligamos da rua, meio no escuro, para o Tio Vicente, de aniversário. Cantamos parabéns e gritamos uhuu...

 



No dia seguinte, seguiríamos para Punta del Este.


Até.  

quarta-feira, março 02, 2022

Perdiditos en Uruguay (15)

A Viagem, segundo dia (2).

 

Quase dezoito horas, o momento derradeiro para termos o resultado do PCR da Marina feito pela manhã em Pelotas. Se não saísse, teríamos que refazer os planos, provavelmente dormir por lá (eu já procurava opções de hospedagem) ou o Gabriel ser preso.

 

Terminávamos de comer, e olhávamos no celular se sairia o resultado do exame. A Roberta fazia “mandingas” para dar certo, do tipo “se sair um palito de dentro desse saleiro em que colocaram palitos, vai dar certo”, ou algo assim, quando eu vi no site do Laboratório Antonello que o resultado estava disponível. Cliquei para saber o resultado. Ao mesmo tempo, o Gabriel avisou a todos que o resultado sairia e, da mesma forma que eu, clicou para descobrir...

 

Positivo, para nós. Ou seja, negativo!

 

 

 

Fizemos uma festa, como se fosse um gol do Brasil em Copa do Mundo. Ninguém entendeu nada, óbvio, mas não importava, finalmente tínhamos a certeza de que entraríamos no Uruguai conforme o planejado, e não mudaríamos nada. 

 

Estávamos livres, e o Gabriel não seria preso, ao menos não agora...

 

Ainda no restaurante abri meu notebook, preenchi a declaração juramentada (que já sabia de cabeça), submeti-a, e recebi o e-mail confirmando. Pagamos a conta, voltamos ao carro, e seguimos direto para o posto da imigração, onde passamos – após mostrar nossos documentos de identidade – com tranquilidade.  Nem chegar a inspecionar o nosso carro por dentro, o que nos levou a penar que – se tivéssemos passado com a Marina escondida entre as bagagens, não daria nada. Por outro lado, havia – sim – o risco de decidirem nos inspecionar, descobrirem a Marina, e o Gabriel acabar preso. Foi melhor assim...


Após entrar no Uruguai, seguimos por mais cerca de 40 minutos pela Ruta 9 até Punta del Diablo, aonde chegamos por volta das 19h, para surpresa da responsável pelo Les Diabletes, porque eu a havia alertado por mensagem, ainda quando estávamos em Pelotas, que talvez chegássemos depois das 22h.

 



Ainda era dia claro, e pudemos caminhar pela praia ao pôr-do-sol fazendo reconhecimento da área. Compramos uns pães, queijos e vinho no Autoservice Sandra, o mercadinho perto de casa, e terminamos o dia em volta da mesa lembrando os momentos de tensão do dia, falando dos múltiplos sacos de supermercado que o Gabriel levava em sua bagagem para transportar seus itens de higiene pessoal, e da revolta da Roberta com o fato de eu ter encontrado um sabonete na pia do banheiro e o utilizado para tomar banho: usado o mesmo sabonete que ela limpara o rosto e as mãos para lavar “minhas partes”... Rimos muito, e fomos dormir descansados, pela primeira vez desde a noite anterior à viagem.

 


Final do dia, Punta Del Diablo

Uruguai, finalmente.

 

E o Gabriel não havia sido preso.

 

Começavam, de fato, nossas férias uruguaias. 

 

Até. 

 

 

 

 

terça-feira, março 01, 2022

Perdiditos en Uruguay (14)

A Viagem, segundo dia.

 

Segunda-feira, 31 de janeiro de 2022.

 

Já antes de dormir, na noite anterior, havíamos – a Jacque e eu - decidido, sob protestos da Marina que não queria, que ela coletaria um novo PCR para COVID logo cedo de manhã para ter o resultado ainda na segunda-feira para entrarmos no Uruguai no dia planejado. Assim fizemos.

 

Acordamos por volta das 7h e fomos nós três, ainda antes de tomar café da manhã, a um laboratório de análises clínicas em São Lourenço, para coletar na primeira hora e ter o resultado o mais cedo possível. Que seria no dia seguinte, segundo nos informaram quando chegamos no local. Talvez ficasse pronto, mas não poderiam prometer. Perguntei se caso coletássemos em Pelotas, cidade maior, a 74km de distância em direção sul, mais próximos do Uruguai, portanto. Responderam que era possível, já que todos os exames dali eram enviados no final da manhã para lá.

 

Estava decidido: iríamos à Pelotas coletar um novo PCR.

 

Voltamos ao hotel e, durante o café da manhã, a Roberta fez algumas ligações para serviços de informações sanitárias do governo uruguaio na tentativa de esclarecer nossa dúvida. Num espanhol impecável, e nós olhando encantados com sua fluência, não conseguiu descobrir o que queríamos a despeita do domínio da língua a ponto de quase brigar com o funcionário que não sabia sobre o que falava...

 

Carregamos o carro, nos despedimos do Tio Beto, e seguimos para Pelotas.

 

Chegando lá, fomos até uma das sedes do laboratório onde nos encaminharam para um drive thru de coleta. Ali, finalmente conseguimos coletar o exame. O detalhe era que TALVEZ ficasse pronto no mesmo dia. Mais certo mesmo era na manhã seguinte. Não tínhamos opção a não ser torcer para que ficasse pronto. Após a coleta, fomos até um Mac Donald’s para um lanche antes de seguirmos em direção mais ao sul, até a fronteira.

 

O trajeto de Pelotas até Chuí são mais três horas de viagem, via BR-471, passando pelo Estação Ecológica do Taim e Santa Vitória do Palmar, até chegar em Chuí, extremo sul do Brasil. É um trajeto plano, praticamente em linha reta, com pouco movimento. Pode dar sono, mas essa não era uma possibilidade em nossa viagem...



A estrada  


Ainda antes de chegar no Taim, paramos num autodenominado ‘último posto de gasolina’ em muitos quilômetros para ir ao banheiro, abastecer o carro pela primeira vez desde a saída (por garantia) e talvez comprar algum lanche. A “loja de conveniências” não era tudo aquilo, mas a Roberta comprou um salgadinho vegano sabor churrasco, o cúmulo da hipocrisia na minha revoltada avaliação, mas que não chegou a ser consumido porque foi encontrado, ainda antes de abri-lo, um cabelo “perdido” junto a eles...

 

Paramos no Taim para observar as capivaras e fazer fotografias, antes de seguir para o Chuí, nosso (esperávamos) último destino no Brasil, para descansar, olhar os Free Shops, procurar chips para usar o celular no Uruguai, e aguardar o resultado do PCR da Marina, na esperança de que saísse ainda naquela tarde e que – claro – fosse positivo para nós, ou seja, negativo. Estávamos nos últimos momentos de dúvida, mas a possibilidade de a Marina não poder entrar abriu um mar de possibilidades.

 

             

            As capivaras no Taim                                                     O Grupo


Se não desse, a deixaríamos nos esperando no Chuí e voltaríamos no dia seguinte para buscá-la; ou deixaríamos ela e o Gabriel lá e no dia seguinte eles entrariam juntos. Mas como justificar o Gabriel entrando no Uruguai com uma menor de idade, mesmo prima dela? Estariam fugindo. Ou ainda, para não ser problema, poderíamos emancipá-la e ela se casar com o Gabriel (a Julia que não estava com a gente não ia gostar muito dessa hipótese mesmo sendo um casamento fake...). De qualquer jeito, o Gabriel poderia ser preso por tráfico internacional de menores.

 

Imaginamos uma série de possibilidades, e em todas, de alguma maneira, o Gabriel acabaria preso. Achamos melhor esperar pelo resultado e decidir o que fazer depois.

 

Chegamos ao Chuí e deixei o carro estacionado no parking da America Free Shop, visitamos a loja, e saímos para passear. Naquele momento, eu já sentia uma dor na cervical que iria me acompanhar em toda viagem, em maior ou menor intensidade, e que me faria consumir todos os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares que a Karina e a Jacque haviam levado. Mas não seria isso que me derrubaria.

 

                                    

Free shop, Chuí


Eu havia perguntado para o segurança da loja onde eu poderia comprar o chip de celular para usar no Uruguai, fundamental para comunicação com o Brasil e para poder utilizar o Waze, que nos guiaria em nosso passeio. Ele indicou uma loja da Antel, aonde fomos e – para surpresa e alegria do grupo – eles vendiam um SIM Card da Antel para 10 dias (nosso tempo de estada lá) com 70 (setenta!) GB de internet. Compramos seis logo. Todos viajaríamos conectados...

 

Antes da viagem eu havia pesquisado a melhor forma de fazer, e nem o plano da minha operadora e nem os anúncios de chips internacionais me agradaram por serem – na minha opinião – caros. Havia decidido comprar no Chuí, o que se mostrou, além de acertado, uma pechincha. A internet era MUITO boa, e usamos direto, mas nem perto de gastar os 70GB...

 

Conectados, caminhamos um pouco por lá e decidimos para em uma parrilla para comer algo e passar o tempo. Eram aproximadamente 17h, e eles estavam entre refeições, sem fogo na parrilla. Comemos milanesas enquanto acessávamos o site do laboratório de cinco em cinco minutos, ansiosos pelo resultado. Nada.

 

O horário limite para o resultado era 18h, caso contrário somente na manhã seguinte, quando estariam vencendo as 72 horas dos nossos exames. E agora?

 

Conseguiríamos o resultado? Entraríamos no Uruguai sem problemas? O Gabriel passaria um tempo numa prisão Uruguai? Deixaríamos a Marina para trás? Nesse momento, eu estava por muito pouco para mandar tudo para o espaço e ir para Santa Catarina, numa viagem maluca de muitas horas. A tensão no grupo era evidente.

 

O que aconteceria?

 

Amanhã, amanhã...

 

Até.