quarta-feira, março 04, 2026

Violência

Dizem que a masculinidade está em crise. 

Falem por vocês, eu estou bem tranquilo aqui no meu canto. 


Não incomodo ninguém, e não quero que me incomodem. Observo o que acontece pelo mundo, observo as pessoas. Confesso que algumas vezes me irrito com os exageros de uma lado e outro, quando ninguém está certo.

 

Não acredito que piadas possam ofender as pessoas. Para mim, não faz sentido isso. Se minhas convicções são fortes, não há piada que vá abalar isso. Posso não gostar, é meu direito, mas não posso me ofender e muito menos querer restringir o direito de quem quer que seja de fazê-la.

 

Sou casado há trinta anos (em agosto, em agosto) e pai de menina. Sou ‘minoria’ em casa, e está tudo bem. Aprendo todos os dias com elas. Só melhora.

 

Por isso, por essa minha experiência doméstica, que não entendo, não aceito e não tolero violência contra a mulher. Por isso que os feminicídios são (ainda mais) revoltantes. 

 

E voltamos à masculinidade em crise. A (necessária, óbvia) autonomia feminina, a perda da ‘força masculina’, o fato de o homem não ser mais necessariamente o provedor, a insegurança criada a partir disso, tudo isso leva, ou pode levar, ao que chamam de masculinidade tóxica, em que a violência é uma forma (abjeta) de autoafirmação.

 

O maior loser é o cara que – ao final de um relacionamento – parte para a violência. O ser mais desprezível é o que comete violência contra a mulher.

 

Para esse, não há perdão.


Até.