segunda-feira, março 16, 2026

Ir e Voltar

 Viajar é – para mim, para mim – sempre uma forma de me reinventar. Clichê dos clichês, nunca voltamos iguais de uma viagem. Não é exatamente isso a que me refiro, mas sim a intencionalmente ser diferente ao completar uma viagem.

 

Como se sumisse por um tempo e voltasse diferente.

 

Não como Robert Johnson, lá nos primeiros anos do século passado, que era um músico medíocre que implorava para tocar no intervalo de outros shows era vaiado e expulso dos lugares, e que sumiu por um ano e meio e, retornar ao convívio das gentes, havia se tornado um exímio músico, de técnica refinadíssima. Por isso, a lenda de que havia feito um pacto com o diabo. O que aconteceu realmente, segundo contam, é que ele passou esse tempo tendo aulas e praticando, muitas vezes em cemitérios, onde era mais calmo. Morreu envenenado por um marido ciumento aos 27 anos. Havia se tornado ele mesmo uma lenda.

 

Não é desse tipo de mudança que falo, mas até que seria bom passar uns dias fora e voltar um músico virtuoso. Quero dizer que os dias de viagem, mesmo que relativamente poucos e intensos em atividades, servem para – com o distanciamento da vida diária – repensar algumas coisas e planejar o que será colocado em prática na volta, em breve.

 

Até.