terça-feira, fevereiro 10, 2026

Nunca Gostei, Depois me Apaixonei

Gatos.

 

Eu nunca gostei e muito menos quis gatos em casa, confesso. Sempre fui, como chamam por aí, ‘cachorreiro’. Minha convivência com animais de estimação (‘pets’) era restrita aos cães, em casa e na casa de meus avós.

 

Bambi, era o nome do cachorro da minha avó materna, em Montenegro, e foi o primeiro cachorro com quem convivi. Depois, quando ganhamos – meu irmão e eu – uma cachorrinha, uma fox paulistinha, a batizamos de Bambina, em homenagem ao cachorro da minha avó. Mais adiante, uma namorada que eu tinha me presenteou com um cocker spaniel dourado, o Calvin, que fugiu de nossa casa na praia e nunca mais o encontramos (sempre imagino que foi adotado por outra família). Por um tempo, fomos tutores do Luke, quando os meus tios Giba e Cíntia se mudaram de Montenegro para São Paulo.

 

Desde que nos casamos, a Jacque sempre insistiu em que adotássemos um gato, mas eu dizia que não queria, pois não gostava. Tinha até nome, Dartagnan. Eu não abria a porta a essa possibilidade. Até que a Marina nasceu, e à medida que foi crescendo, tinha um enorme e infundado medo de animais.

 

Em um primeiro de maio, em 2018, o Gabriel, nosso sobrinho e afilhado honorário, e a Júlia encontraram abandonada na praia uma gatinha com cerca de dois meses de vida. Nos ligaram perguntando se não queríamos adotá-la. Pensando na Marina, em ajudá-la a superar o medo, decidimos que, sim, iríamos adotá-la. 

 

Foi quando a Hermione passou a fazer parte da família.


Mudamos.

 

A Marina deixou de ter medo de animais. Eu descobri que minha oposição a gatos era por não conhecer, por não conviver. Nos encantamos, nos apaixonamos por ela. A vida era muito boa com ela. Dois anos depois, adotamos o segundo, o Bigodinho. Viraram irmãos. Nos tornamos uma grande família. No Natal, cada um de nós tem uma meia com nossas iniciais que fica pendurada à espera do Papai Noel.

 

Ontem, a Hermi nos deixou.

 

Ficou doente, foi internada, a visitávamos todos os dias. Uma semana no hospital. O fígado entrou em insuficiência. Não resistiu. Nos despedimos dela ontem no final do dia. 

 

Foi muito amada.

 

Segue a vida, com ela em nossos corações.


Até.