domingo, fevereiro 15, 2026

A Sopa

Eu não gosto de café, descobri recentemente.

 

Confesso que me senti perdido, algo desorientado, meio que sem chão, até. Porque sempre achei que gostasse de café, aquela bebida que tomo várias vezes ao dia, principalmente em dias de trabalho. Isso há muitos anos, de verdade.

 

Começou quando passaram a dizer que eu não deveria adoçá-lo, que era uma heresia, praticamente um atentado violento ao pudor colocar algumas gotas de adoçante, ou um pouco de açúcar no meu cafezinho diário. Que eu deveria tomar o café sem adoçá-lo de nenhuma forma, para sentir o verdadeiro gosto do mesmo. Mais ainda, que o café que eu tomava era um café ruim, não era o “verdadeiro” café. 

 

As pessoas passaram a considerar um demonstração de virtude, isso de tomar café sem açúcar ou adoçante. Acabam por considerarem-se superiores por esse fato. Olham para os reles mortais, tomando seus cafés comuns, com desprezo. E ficam por aí, em redes sociais, clamando sua superioridade moral, quase como os veganos fazem com relação a quem – como parte de uma espécie onívora – come carne. 

 

Se faz bem para ti, por mim tudo bem.

 

Só fica na tua, por favor.

 

Se consideras que o único café que vale à pena é o Kopi Luwak, usando um exemplo extremo, feito com grãos colhidos das fezes de uma civeta, um pequeno mamífero, e que é o mais caro do mundo, ou o Café do Jacu, ave brasileira, que ingere os melhores frutos e, como o trânsito intestinal é muito rápido, o diferencial é a seleção natural da ave por frutos perfeitos, resultando em um sabor frutado, com notas de amora e morango, se achas que são esses os únicos cafés que valem, que bom para você. Gosto é algo individual. Só não fica enchendo o saco dos outros querendo impor regras quanto a isso. 

 

Se não, é você (junto com quem usa vape) que é um jacu.


Até.