domingo, fevereiro 08, 2026

A Sopa

As piores férias de verão de todas.

 

Tradição nossa aqui em casa, sempre reservamos as duas primeiras semanas de fevereiro para fazer nosso período de férias para viajar, algumas vezes para o inverno, e nos últimos anos para o litoral norte do RS. Aproveitamos para fechar o consultório e darmos férias para nossa secretária.

 

Esse ano, contudo, por variadas razões, reservamos apenas a primeira semana, que seguiria ao feriado de Navegantes, segunda-feira, dia 02/02. O plano era irmos no meio da semana para o litoral e retornar no domingo dia 08. Fomos nos enrolando, surgiu um workshop de teatro musical que a Marina decidiu fazer justamente nessa semana, então abortamos qualquer ideia de viagem.

 

Foi, por assim dizer, sorte.

 

Sexta-feira, meu último dia de trabalho antes das curtas férias. Estou sozinho em Porto Alegre. A Marina foi passar a semana com as amigas na praia, e a Jacque está em São Paulo a trabalho. Desde o dia anterior, notamos que a Hermione, nossa gatinha de sete, quase oito anos, está mais quieta, mais parada, comendo menos e com a urina de cor bem amarelada. Na sexta de manhã mesmo, do trabalho, marco uma consulta na clínica veterinária para o sábado de manhã. Vou levar a gata para uma consulta ainda antes da Jacque voltar de viagem.

 

À medida que o dia passa, no começo da tarde, decido tentar antecipar a consulta. Reagendo para o final da tarde. Saio do consultório, vou em casa e daí à consulta: está desidratada, coleta exames, recebe soro e um estimulante do apetite. Volto para casa com ela aparentemente mais disposta, reclamando de estar na caixa de transporte. Ainda em casa, toma água e come um pouco. Fico mais tranquilo em esperar pela terça-feira quando deverá fazer mais exames. Sábado pela manhã, ainda come alguns petiscos que dou para ela. 

 

A Jacque retorna de viagem. Em casa, olhamos os exames e está com a provas de função hepática alteradas. Conversamos por mensagem com o veterinário. Nos orienta que, caso ela piore, devemos levá-la para atendimento, mas na clínica eles não tem plantão e nem internação. Ficamos em um dilema sobre levá-la naquele momento ou não.

 

Contudo, nossa atenção muda totalmente de foco porque a mãe da Jacque liga por não estar sentindo-se bem. A Jacque vai até a casa dela para vê-la, fica um tempo com ela, que se sente melhor e retorna para casa. Já tarde, levaremos a Hermione no hospital no dia seguinte, pois ela continua no mesmo estado, prostrada.

 

Quando estamos nos preparando para dormir, o telefone toca. A mãe da Jacque está se sentindo pior. Chamamos o atendimento de urgência e vamos para a casa dela. Lá, em uma primeira avaliação, tudo está bem, mas o mais prudente e adequado é fazer alguns exames no hospital. É transportada para o Hospital da PUC (vou de carro atrás). E é lá que ela e a Jacque passam a noite acordadas entre esperar, fazer e aguardar os resultados dos exames e serem liberadas.

 

Vou buscá-las antes da seis horas da manhã e retornamos – a Jacque e eu – para casa às 6h30. Remédio para dormir, e durmo até as 10h30. De resto tudo igual com a Hermione.

 

Vou almoçar com minha mãe e, na volta, início da tarde, decidimos levar a Hermi para consultar em uma emergência. Lá, é avaliada, e com o diagnóstico inicial de Tríade Felina, é solicitada uma ecografia abdominal que, justamente naquele dia, ele não tem à disposição. Indicam outra clínica, para onde vamos e – após aguardar mais de hora pelo exame – o diagnóstico é confirmado e ela interna, onde está desde domingo. A semana de férias, então, está sendo de visitas diárias a ela, com pioras e melhoras, estada em UTI e tal. 

 

Antes de adotarmos a Hermi, eu sempre dissera que não gostava e não queria que tivéssemos gatos. Adotamos a Hermione quando ela tinha uns dois meses no máximo porque queríamos que a Marina, que tinha muito medo de animais, superasse o medo. Deu certo. Logo depois, adotamos o Bigodinho. 

 

São parte da família desde então e sei que todos que passaram por isso entendem a angústia de ter um familiar (felino, canino, ou não) no hospital, sem ter certeza do prognóstico, de como as coisas vão se desenrolar. De ver o pobre bichinho recebendo soro EV e alimentação por sonda, a sensação de impotência em não poder fazer nada.

 

Como eu disse, as piores férias de verão da história.

 

Até.