Um dos grandes benefícios trazidos pelo verão de 2010 em Porto Alegre foi o fato de eu ter voltado a ter saudades dos invernos canadenses...
Até.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Nem tudo está perdido
Ainda sobre a "polêmica" sunga x bermudão, recebo o seguinte e-mail de uma amiga de Porto Alegre que agora mora em Recife:
Venha para Pernambuco!
Aqui, a maioria dos homens usa sunga. No máximo, um short. Usar bermudão é coisa de gente de fora. Na verdade, aqui, ninguém se importa muito com forma física na praia. A maior parte dos usadores de sunga não têm nenhuma preocupação com forma física, querem mais é ir para a praia e passar o dia tomando cerveja, comendo besteiras e conversandos com os amigos (também usuários de sunga). Além disso, os que se preocupam um pouco com a estética, compram o dito "sungão", uma sunga um pouco mais larga nas laterais. E só.
Esse estilo de vida também se reflete fora da praia. As pessoas aqui não se vestem para mostrar que são isto ou aquilo. É extremamente comum frequentar lugares "chiques" e encontrar pessoas vestidas de maneira simples e com grandes contas bancárias (justamente o contrário do que acontece no RS...). Dia desses, comemorando meu aniversário, fui jantar num restaurante oriental-tailandês àla Koh Pee Pee, que abriu recentemente em Boa Viagem (NIKKO). Todo metido a besta como diriam os gaúchos. E, realmente, o ambiente e o preço eram sofisticados. Lá estávamos, quando entrou um grupo de casais onde um dos homens vestia sandálias Havaianas. Entrou, sem nenhum constrangimento e parece que a única pessoa que reparou no acessório fui eu...a gaúcha.
Ainda tenho o que aprender por aqui.
Não abra mão da tua sunga!
Ainda resta esperança no mundo. E talvez se chame Pernambuco.
Até.
Venha para Pernambuco!
Aqui, a maioria dos homens usa sunga. No máximo, um short. Usar bermudão é coisa de gente de fora. Na verdade, aqui, ninguém se importa muito com forma física na praia. A maior parte dos usadores de sunga não têm nenhuma preocupação com forma física, querem mais é ir para a praia e passar o dia tomando cerveja, comendo besteiras e conversandos com os amigos (também usuários de sunga). Além disso, os que se preocupam um pouco com a estética, compram o dito "sungão", uma sunga um pouco mais larga nas laterais. E só.
Esse estilo de vida também se reflete fora da praia. As pessoas aqui não se vestem para mostrar que são isto ou aquilo. É extremamente comum frequentar lugares "chiques" e encontrar pessoas vestidas de maneira simples e com grandes contas bancárias (justamente o contrário do que acontece no RS...). Dia desses, comemorando meu aniversário, fui jantar num restaurante oriental-tailandês àla Koh Pee Pee, que abriu recentemente em Boa Viagem (NIKKO). Todo metido a besta como diriam os gaúchos. E, realmente, o ambiente e o preço eram sofisticados. Lá estávamos, quando entrou um grupo de casais onde um dos homens vestia sandálias Havaianas. Entrou, sem nenhum constrangimento e parece que a única pessoa que reparou no acessório fui eu...a gaúcha.
Ainda tenho o que aprender por aqui.
Não abra mão da tua sunga!
Ainda resta esperança no mundo. E talvez se chame Pernambuco.
Até.
domingo, fevereiro 21, 2010
A Sopa 09/28
Uma polêmica.
Tenho a impressão de que gaúcho, quando não tem mais nada a fazer, resolve criar uma polêmica. Está lá, de bobeira, na paz, e pensa: “Está tudo muito calmo, acho que vou me indispor com alguém...”. E, geralmente, compra briga com um vizinho ou outro conterrâneo qualquer. Não faz muito sentido, mas talvez se explique pelo nosso passado belicoso, tendo que defender fronteiras, essas coisas. E como agora não há mais inimigos externos contra os quais lutar, como não precisamos diuturnamente defender nosso território, voltamos nossas energias a discussões muitas vezes bobas e inúteis.
Pois domingo passado, ao abrir o jornal, me deparei com uma “polêmica” que se enquadra na categoria do “ninguém tem mais nada de importante a fazer?”. Faz todo o sentido, isso de tentar criar uma controvérsia no jornal de domingo de carnaval, afinal é uma época em que não existe outra pauta que não as pessoas atrás de trios elétricos, desfiles de escolas de samba, pessoas ditas “celebridades” freqüentando camarotes de cervejarias nos diferentes lugares do Brasil. Nada acontece. Sem falar que o jornal de domingo, principalmente os cadernos acessórios (não a parte principal) são fechados na quarta ou quinta-feira anterior ao domingo em que serão publicados.
Dessa forma, imagino um editor de um caderno de variedades tendo que encontrar um assunto que motive o leitor em pleno feriadão dos festejos carnavalescos. Não deve ser fácil. Até que algum gênio se sai com a idéia de publicar sobre uma polêmica que deve tirar o sono de muita gente (ironia, ironia): usar sunga ou bermudão na beira da praia? Convidam alguns autores a se posicionarem sobre o assunto e está feita a matéria.
Confesso que me senti atingido.
Por que sou um usuário de sunga.
Isso mesmo, estimado leitor, sou daquele grupo que usa sunga, caracterizado (com bom humor) pelos que opinaram como “o macho tenso e nervosinho”, “deselegante pra cacete”, “sujeito seguro, ainda que, muitas vezes, não tenha nenhuma razão para isso”, “se enquadra em uma das três categorias em que a sunga sempre cai bem: senhores de mais idade, gays ou o Paulo Zulu”, “passam protetor solar com aloe vera”, “geralmente mais chatos”, e “pessoal de pênis pequeno prefere sunga”.
De repente, me senti no mais baixo nível da escala social, quase a escória da sociedade. Eu, que achava que a praia era o lugar mais democrático possível, onde todos eram iguais (excluindo-se, claro, as praias privadas e os beach clubs), estava enganado. Há um código de postura, um traje adequado para ir ao mar, e eu estava assassinando impiedosamente o bom senso e as noções de estética e bom gosto. Eu era um pária.
Por isso, resolvi mudar.
Decidi nunca mais, na vida, usar sunga. A partir de agora, só bermudão, de preferência expondo ao sol apenas o meu tornozelo. Para o bem de todos e a felicidade geral da nação, decidi me vestir ao máximo quando for à praia. Pronto, superei essa polêmica, me rendi aos fatos, abandonei a liberdade de fazer o que tenho vontade em nome de um bem maior. Mas isso não é tudo, vou além. Começo aqui uma nova polêmica (não disse que gaúcho não vive sem polêmica?).
Biquíni ou camisetão?
Digo que em respeito ao bom gosto e ao senso de estética de quem frequenta praias, piscinas e locais de exposição ao sol, em geral, que não deveriam ser permitidas usar biquínis aquelas mulheres com medidas que fogem do padrão de beleza vigente. Essas iriam para a praia de camisetão. Tudo, claro, em nome da beleza e do bem geral. As afastaríamos do convívio geral assim como aqueles que usam sunga (deixando bem claro que abandonei o seu uso).
Que tal?
(ainda bem que a temporada de praia no sul do Brasil está no seu final, caso contrário eu seria hostilizado nas ruas e diria – enquanto apanhava e prestes a perder a consciência – “se não gostaram da mensagem, não matem o mensageiro”)
Até.
Tenho a impressão de que gaúcho, quando não tem mais nada a fazer, resolve criar uma polêmica. Está lá, de bobeira, na paz, e pensa: “Está tudo muito calmo, acho que vou me indispor com alguém...”. E, geralmente, compra briga com um vizinho ou outro conterrâneo qualquer. Não faz muito sentido, mas talvez se explique pelo nosso passado belicoso, tendo que defender fronteiras, essas coisas. E como agora não há mais inimigos externos contra os quais lutar, como não precisamos diuturnamente defender nosso território, voltamos nossas energias a discussões muitas vezes bobas e inúteis.
Pois domingo passado, ao abrir o jornal, me deparei com uma “polêmica” que se enquadra na categoria do “ninguém tem mais nada de importante a fazer?”. Faz todo o sentido, isso de tentar criar uma controvérsia no jornal de domingo de carnaval, afinal é uma época em que não existe outra pauta que não as pessoas atrás de trios elétricos, desfiles de escolas de samba, pessoas ditas “celebridades” freqüentando camarotes de cervejarias nos diferentes lugares do Brasil. Nada acontece. Sem falar que o jornal de domingo, principalmente os cadernos acessórios (não a parte principal) são fechados na quarta ou quinta-feira anterior ao domingo em que serão publicados.
Dessa forma, imagino um editor de um caderno de variedades tendo que encontrar um assunto que motive o leitor em pleno feriadão dos festejos carnavalescos. Não deve ser fácil. Até que algum gênio se sai com a idéia de publicar sobre uma polêmica que deve tirar o sono de muita gente (ironia, ironia): usar sunga ou bermudão na beira da praia? Convidam alguns autores a se posicionarem sobre o assunto e está feita a matéria.
Confesso que me senti atingido.
Por que sou um usuário de sunga.
Isso mesmo, estimado leitor, sou daquele grupo que usa sunga, caracterizado (com bom humor) pelos que opinaram como “o macho tenso e nervosinho”, “deselegante pra cacete”, “sujeito seguro, ainda que, muitas vezes, não tenha nenhuma razão para isso”, “se enquadra em uma das três categorias em que a sunga sempre cai bem: senhores de mais idade, gays ou o Paulo Zulu”, “passam protetor solar com aloe vera”, “geralmente mais chatos”, e “pessoal de pênis pequeno prefere sunga”.
De repente, me senti no mais baixo nível da escala social, quase a escória da sociedade. Eu, que achava que a praia era o lugar mais democrático possível, onde todos eram iguais (excluindo-se, claro, as praias privadas e os beach clubs), estava enganado. Há um código de postura, um traje adequado para ir ao mar, e eu estava assassinando impiedosamente o bom senso e as noções de estética e bom gosto. Eu era um pária.
Por isso, resolvi mudar.
Decidi nunca mais, na vida, usar sunga. A partir de agora, só bermudão, de preferência expondo ao sol apenas o meu tornozelo. Para o bem de todos e a felicidade geral da nação, decidi me vestir ao máximo quando for à praia. Pronto, superei essa polêmica, me rendi aos fatos, abandonei a liberdade de fazer o que tenho vontade em nome de um bem maior. Mas isso não é tudo, vou além. Começo aqui uma nova polêmica (não disse que gaúcho não vive sem polêmica?).
Biquíni ou camisetão?
Digo que em respeito ao bom gosto e ao senso de estética de quem frequenta praias, piscinas e locais de exposição ao sol, em geral, que não deveriam ser permitidas usar biquínis aquelas mulheres com medidas que fogem do padrão de beleza vigente. Essas iriam para a praia de camisetão. Tudo, claro, em nome da beleza e do bem geral. As afastaríamos do convívio geral assim como aqueles que usam sunga (deixando bem claro que abandonei o seu uso).
Que tal?
(ainda bem que a temporada de praia no sul do Brasil está no seu final, caso contrário eu seria hostilizado nas ruas e diria – enquanto apanhava e prestes a perder a consciência – “se não gostaram da mensagem, não matem o mensageiro”)
Até.
sábado, fevereiro 20, 2010
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Ainda o carnaval
Lamartine Babo. Esse é (ou, melhor, foi) o cara.
Lamartine de Azeredo Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre freqüentavam sua casa.
Começou a compor desde cedo, e sua obra é vasta e inclui diversos estilos musicais, desde foxtrot, operetas, marcha-rancho até marchinhas de carnaval, estilo que ajudou a popularizar e até sobrepor em importância o samba, durante um certo tempo. Era um gênio, podemos dizer, e sua importância na história da música brasileira é incontestável.
No clima de carnaval, então, transcrevo para vocês uma das mais famosas marchinhas de carnaval de todos os tempos que é de sua autoria:
O Teu Cabelo Não Nega
(Lamartine Babo e Irmãos Valença)
O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor...
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor
Tens um sabor
Bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha, meu amor
Fui nomeado
teu tenente interventor
Quem te inventou
Meu pancadão
Teve uma consagração.....
A lua te invejando fez careta
Porque mulata, tu não és deste planeta
Quando meu bem
Vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da Gama contra o batalhão naval
Mas não só as marchinhas de carnaval dele que fizeram sucesso estrondoso. Outra de suas composições, por exemplo, que foi gravada por muitos e que poucos sabem ser dele a letra (a melodia é do Ary Barroso), é a belíssima ‘No Rancho Fundo’, :
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade....
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos dӇgua
Pobre moreno
Que tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal deste moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite e nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
Que a última palmeira
Já morreu na cordilheira
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste essa tristeza
Enche de treva a natureza
Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
E tem gente que não gosta de música brasileira…
(Publicado em 05/02/2005)
Lamartine de Azeredo Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro de 1904. Décimo segundo filho do casal Leopoldo de Azeredo Babo e D.Bernardina Gonçalves Babo, teve contato com a música desde criança, pois sua mãe e uma irmã tocavam piano e o pai era amigo, entre outros, de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense, que sempre freqüentavam sua casa.
Começou a compor desde cedo, e sua obra é vasta e inclui diversos estilos musicais, desde foxtrot, operetas, marcha-rancho até marchinhas de carnaval, estilo que ajudou a popularizar e até sobrepor em importância o samba, durante um certo tempo. Era um gênio, podemos dizer, e sua importância na história da música brasileira é incontestável.
No clima de carnaval, então, transcrevo para vocês uma das mais famosas marchinhas de carnaval de todos os tempos que é de sua autoria:
O Teu Cabelo Não Nega
(Lamartine Babo e Irmãos Valença)
O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor...
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor
Tens um sabor
Bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha, meu amor
Fui nomeado
teu tenente interventor
Quem te inventou
Meu pancadão
Teve uma consagração.....
A lua te invejando fez careta
Porque mulata, tu não és deste planeta
Quando meu bem
Vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da Gama contra o batalhão naval
Mas não só as marchinhas de carnaval dele que fizeram sucesso estrondoso. Outra de suas composições, por exemplo, que foi gravada por muitos e que poucos sabem ser dele a letra (a melodia é do Ary Barroso), é a belíssima ‘No Rancho Fundo’, :
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade....
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as mágoas
Tendo os olhos rasos dӇgua
Pobre moreno
Que tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal deste moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite e nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
Que a última palmeira
Já morreu na cordilheira
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste essa tristeza
Enche de treva a natureza
Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
E tem gente que não gosta de música brasileira…
(Publicado em 05/02/2005)
domingo, fevereiro 14, 2010
A Sopa 09/27
Uma Sopa de carnaval, de cinco anos atrás.
Mais uma de carnaval.
Primeiro, deve ficar bem claro que não sinto falta do carnaval. Ao contrário de outras pessoas que – fora do Brasil – sentem-se “deprimidas”, para mim está tudo tranqüilo. Afinal, já não era um carnavalesco assim, assíduo. Ao contrário do que acontecia em outros tempos, já há muito passado.
Mas nem tanto. O último baile (isso, baile) de carnaval que fui foi há dois anos, na SAT (Sociedade de Amigos de Tramandaí), em Tramandaí, litoral do Rio Grande do Sul. Fomos em grupo. Não um bloco, mas uma turma. E foi bem legal, ficamos no baile até as cinco horas da manhã e depois terminamos a noite comendo um “xis” no Pica-Pau Lanches.
Explicações: o ‘xis’ (corruptela de cheeseburger, e que no Rio Grande do Sul é feito com um pão maravilhoso e com uma fartura de ingredientes como em nenhum outro lugar) do Pica-Pau era famoso pela sua qualidade, e tamanho, que incluía inclusive batatas fritas dentro, e era praticamente uma tradição terminar as noites de festa com uma passadinha lá.
Outras explicações: só participei de um bloco de carnaval nos tempos de folião assíduo. Foi o ‘Perversa’, e fomos nós que – em Imbé – começamos com o carnaval de rua na Av. Rio Grande. Explicação da explicação: lá por 1990, época em que Imbé era o centro da noite do litoral gaúcho, e a Av. Rio Grande era o centro da agitação com seus bares com música ao vivo, decidiram fazer um carnaval de rua que, na verdade, era num terreno ao lado de um dos bares. Nós, como bloco, fomos para lá.
No início, o pessoal ficava restrito ao terreno, enquanto carros passavam na avenida. Com o decorrer da noite, e num daqueles ‘trenzinhos’ característicos, que vai aumentando de tamanho à medida que vão passando e mais pessoas vão se juntando, começamos a atravessar a rua e a entrar em outros bares, chamando mais pessoas. E foi uma bola de neve, até que toda a rua foi invadida e carros não passavam mais. Nas noites seguintes e nos anos seguintes, a polícia antecipadamente bloqueava o espaço aos carros.
Aumentou muito em tamanho e número de pessoas com os anos, mas isso implicou – pelo fato de ser de rua e livre acesso – na presença de grupos dispostos a “esculhambar” muito mais que brincar. Assaltos e brigas foram o último estágio antes de o Imbé perder o posto de centro da noite no litoral para Atlântida, que desde então tem a principal noite do litoral gaúcho. Mas, nessa última fase, já não passávamos o carnaval lá. Nesta fase, já tínhamos nos mudado para os bailes de carnaval da SAT (a mesma que fomos, o Pedro, a Zeca, Jacque e eu, há dois anos).
Como falei outro dia, sou um fã dos carnavais de antigamente. Os carnavais das marchinhas, dos sambas-enredo das escolas de samba. Não daquelas festas de carnaval em que toca bate-estacas. Carnaval tem que ter música de carnaval, para o resto do ano temos as outras músicas. Ainda quero passar um carnaval em Salvador e um no Rio, desfilando numa das escolas, de preferência na Estação Primeira, do grande Cartola.
A música que publico hoje, do Chico Buarque, é uma obra-prima da música popular brasileira, composta em 1966.
Quem Te Viu, Quem Te Vê
(Chico Buarque)
Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
O meu samba se marcava na cadência dos seus passos
O meu sono se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza por que foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Até.
Mais uma de carnaval.
Primeiro, deve ficar bem claro que não sinto falta do carnaval. Ao contrário de outras pessoas que – fora do Brasil – sentem-se “deprimidas”, para mim está tudo tranqüilo. Afinal, já não era um carnavalesco assim, assíduo. Ao contrário do que acontecia em outros tempos, já há muito passado.
Mas nem tanto. O último baile (isso, baile) de carnaval que fui foi há dois anos, na SAT (Sociedade de Amigos de Tramandaí), em Tramandaí, litoral do Rio Grande do Sul. Fomos em grupo. Não um bloco, mas uma turma. E foi bem legal, ficamos no baile até as cinco horas da manhã e depois terminamos a noite comendo um “xis” no Pica-Pau Lanches.
Explicações: o ‘xis’ (corruptela de cheeseburger, e que no Rio Grande do Sul é feito com um pão maravilhoso e com uma fartura de ingredientes como em nenhum outro lugar) do Pica-Pau era famoso pela sua qualidade, e tamanho, que incluía inclusive batatas fritas dentro, e era praticamente uma tradição terminar as noites de festa com uma passadinha lá.
Outras explicações: só participei de um bloco de carnaval nos tempos de folião assíduo. Foi o ‘Perversa’, e fomos nós que – em Imbé – começamos com o carnaval de rua na Av. Rio Grande. Explicação da explicação: lá por 1990, época em que Imbé era o centro da noite do litoral gaúcho, e a Av. Rio Grande era o centro da agitação com seus bares com música ao vivo, decidiram fazer um carnaval de rua que, na verdade, era num terreno ao lado de um dos bares. Nós, como bloco, fomos para lá.
No início, o pessoal ficava restrito ao terreno, enquanto carros passavam na avenida. Com o decorrer da noite, e num daqueles ‘trenzinhos’ característicos, que vai aumentando de tamanho à medida que vão passando e mais pessoas vão se juntando, começamos a atravessar a rua e a entrar em outros bares, chamando mais pessoas. E foi uma bola de neve, até que toda a rua foi invadida e carros não passavam mais. Nas noites seguintes e nos anos seguintes, a polícia antecipadamente bloqueava o espaço aos carros.
Aumentou muito em tamanho e número de pessoas com os anos, mas isso implicou – pelo fato de ser de rua e livre acesso – na presença de grupos dispostos a “esculhambar” muito mais que brincar. Assaltos e brigas foram o último estágio antes de o Imbé perder o posto de centro da noite no litoral para Atlântida, que desde então tem a principal noite do litoral gaúcho. Mas, nessa última fase, já não passávamos o carnaval lá. Nesta fase, já tínhamos nos mudado para os bailes de carnaval da SAT (a mesma que fomos, o Pedro, a Zeca, Jacque e eu, há dois anos).
Como falei outro dia, sou um fã dos carnavais de antigamente. Os carnavais das marchinhas, dos sambas-enredo das escolas de samba. Não daquelas festas de carnaval em que toca bate-estacas. Carnaval tem que ter música de carnaval, para o resto do ano temos as outras músicas. Ainda quero passar um carnaval em Salvador e um no Rio, desfilando numa das escolas, de preferência na Estação Primeira, do grande Cartola.
A música que publico hoje, do Chico Buarque, é uma obra-prima da música popular brasileira, composta em 1966.
Quem Te Viu, Quem Te Vê
(Chico Buarque)
Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava, você era a mais brilhante
E se a gente se cansava, você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
O meu samba se marcava na cadência dos seus passos
O meu sono se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza por que foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista
Hoje o samba saiu procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Até.
sábado, fevereiro 13, 2010
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