Sem acentos, neste teclado do seculo passado e com configuracao para ingles do Canada. Visitando o site da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, fui lembrado que hoje eh o Dia Mundial Sem Tabaco. Nao podia deixar de comentar.
Ja me disseram, em tom meio de galhofa e meio serio, que eu deveria apoiar que as pessoas fumassem, pois garantiria os pacientes e o sustenyo da familia. Nem mesmo dentro raciocinio posso apoiar o tabagismo, porque se conseguissemos fazer todos os fumantes parar hoje, ainda teria trabalho pelos proximos 40 anos... Entao, nem nessa condicao posso sequer tolerar o tabagismo.
Falei na ultima 'A Sopa' sobre coisas que abomino. Pois eh, eu abomino o cigarro, e por extensao, quem fuma em lugares fechados ou perto de mim. Intolerancia? Com certeza, e com muito orgulho. Fumar em locais fechados eh de uma falta de educacao sem tamanho, pois obriga quem nao fuma e nao quer faze-lo a inalar a fumaca, o que tambem causa doencas, acredite-se ou nao.
E gravidas fumando? Pais fumando perto dos seus filhos pequenos?
O fim. Devia ser crime.
Ja se sabe que isso eh uma doenca, os fumantes sao adictos `a nicotina, isso eh condicionado geneticamente, etc, mas pais fumando perto dos seus filhos pequenos deveriam ser punidos exemplarmente. Coloca-los de castigo, sem televisao, sem sobremesa.
Em reincidentes, daria-se um pau neles, para aprenderem.
Sem radicalizacoes, claro.
Ate mais.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
terça-feira, maio 31, 2005
segunda-feira, maio 30, 2005
Método
Estou morando aqui em Toronto há nove meses e alguns dias. Sozinho, geograficamente longe daqueles que me são mais queridos. Isso todo mundo que já passou algumas vez por esse blog sabe, até porque está na abertura do blog e é um assunto recorrente. É uma das formas que tenho de lidar com as saudades.
Pois é. Sábado de noite, em Porto Alegre, a Jacque foi jantar na casa da Luciana e do Deco, nossos amigos, mais o Pedro e a Zeca, e me colocou embaixo do braço e fui junto com eles. Não foi uma novidade nestes tempo em que sou um marido virtual, de vez em quando ela me leva junto para um lugar ou outro para eu encontrar alguns dos nossos amigos. Desde que tenham um acesso com banda larga. Graças à tecnologia, e ao iChat. Nada de novo até aqui.
Conversando com o Pedro e a Zeca no sábado, eles perguntaram como iam as coisas aqui. Respondi que tudo vai bem, o trabalho está rendendo, estou muito bem adaptado ao hospital, à cidade e ao país. Que Toronto é outra cidade depois do inverno. Que estou procurando um bicicleta usada bem baratinha para poder aproveitar os finais de semana na beira do lago, etc.
Perguntaram se eu sentia falta de Porto Alegre. Comecei a dizer que não, que no fundo eu não sentia falta… fiquei em silêncio por um instante e confessei: “Quem eu quero enganar? É claro que eu morro de saudades de casa, da Jacque, da família, dos amigos!”. Sim, eu sinto saudades (como se isso não estivesse claro pelo que escrevo…). Que fique bem claro: não estou sofrendo aqui em Toronto. Pelo contrário, a vida aqui é muito boa. Mas evidentemente sinto saudades de tudo o que ficou no Brasil. É isso.
Mas como lidar com a saudade de tanta gente ao mesmo tempo?
Lembrando do meu tio Vilson, já falecido há vinte anos, desenvolvi uma técnica. Ele, em algumas vezes que viajamos de noite, dizia que podia dirigir a noite toda sem perigo de dormir, porque “descansava” um olho de cada vez. Aí olhavamos e lá estava ele com um olho fechado e o outro aberto enquanto o carro seguia pela estrada…
Pensando nisso, decidi sentir saudades das pessoas em etapas: cada dia, ou par de dias, de uma pessoa diferente. Nem sempre funciona exatamente como deveria.
Nos últimos dias, tenho insistemente sentido falta da Beta, minha muito amada afilhada.
Até.
domingo, maio 29, 2005
A Sopa 04/45
Tenho sido um homem angustiado.
Por causa do Abominável Homem das Neves.
Não, não tem nada a ver com o fato de eu estar no Canadá, teoricamente mais perto. Nem é porque não tenha nada mais importante ou mais interessante com o que me preocupar. Também não imagino que ele ande por Toronto nem que escale prédios, coisa e tal. Nada a ver. O que me intriga é algo um pouco diferente.
Yeti, uma imensa criatura bípede, não-humana, que viveria nas montanhas do Tibet, é também conhecido por Raksha, palavra em sânscrito que significa demônio. Hirsuta criatura, muito alta, com altura aproximada de 2,1 a 3 metros, pés duas vezes maiores do que os humanos, já foi “visto” também na China, no Nepal, Sibéria, e… Canadá. Mas, como já disse, não é isso que me preocupa.
Por que Abominável?
Pode ser pelo seu odor, dito desagradável, também possivelmente por sua hirsutez e não uso regular de xampus adequados ao seu tipo de cabelo, sei lá. Mas, de antemão, já sabemos que não vamos gostar de encontrá-lo: ele é abominável. Logo, vamos abominá-lo. Isso é grave, pesado.
Abominar algo ou alguém é coisa muito séria. Muito radical (nada pessoal, Radi), definitivo, até. Se abominas uma coisa, é sinal de que nunca vais gostar dela. Não há a menor chance. Se fosse o Desagradável Homem das Neves ou o Inconveniente Homem das Neves, tudo bem. Mas Abominável é definitivo. Ponto.
Fico imaginando o que ele fez para merecer esse epíteto. Comia de boca aberta, liberava sonoros e nauseabundos flatos enquanto à mesa, não tomava banho. O que pode ter feito ele para que se tornasse alguém que previamente sabemos que vamos abominar, mesmo antes do sermos pessoalmente apresentados?
Mais um dos mistérios desse mundo…
Eu, quando mais novo, abominava algumas coisas e até algumas pessoas. Hoje, já não perco tempo e/ou energia com esse tipo de sentimento. A indiferença é muito mais eficiente.
E você, abomina algo ou alguém?
Pensa e me diz…
Por causa do Abominável Homem das Neves.
Não, não tem nada a ver com o fato de eu estar no Canadá, teoricamente mais perto. Nem é porque não tenha nada mais importante ou mais interessante com o que me preocupar. Também não imagino que ele ande por Toronto nem que escale prédios, coisa e tal. Nada a ver. O que me intriga é algo um pouco diferente.
Yeti, uma imensa criatura bípede, não-humana, que viveria nas montanhas do Tibet, é também conhecido por Raksha, palavra em sânscrito que significa demônio. Hirsuta criatura, muito alta, com altura aproximada de 2,1 a 3 metros, pés duas vezes maiores do que os humanos, já foi “visto” também na China, no Nepal, Sibéria, e… Canadá. Mas, como já disse, não é isso que me preocupa.
Por que Abominável?
Pode ser pelo seu odor, dito desagradável, também possivelmente por sua hirsutez e não uso regular de xampus adequados ao seu tipo de cabelo, sei lá. Mas, de antemão, já sabemos que não vamos gostar de encontrá-lo: ele é abominável. Logo, vamos abominá-lo. Isso é grave, pesado.
Abominar algo ou alguém é coisa muito séria. Muito radical (nada pessoal, Radi), definitivo, até. Se abominas uma coisa, é sinal de que nunca vais gostar dela. Não há a menor chance. Se fosse o Desagradável Homem das Neves ou o Inconveniente Homem das Neves, tudo bem. Mas Abominável é definitivo. Ponto.
Fico imaginando o que ele fez para merecer esse epíteto. Comia de boca aberta, liberava sonoros e nauseabundos flatos enquanto à mesa, não tomava banho. O que pode ter feito ele para que se tornasse alguém que previamente sabemos que vamos abominar, mesmo antes do sermos pessoalmente apresentados?
Mais um dos mistérios desse mundo…
Eu, quando mais novo, abominava algumas coisas e até algumas pessoas. Hoje, já não perco tempo e/ou energia com esse tipo de sentimento. A indiferença é muito mais eficiente.
E você, abomina algo ou alguém?
Pensa e me diz…
sábado, maio 28, 2005
A Saga Continua
Toronto é dita a cidade mais multicultural do mundo.
Com isso em mente, e ainda com o intuito de ter uma experiência canadense completa, hoje prossegui em minha peregrinação pelos barbeiros do mundo. Sim, cortei o cabelo.
A primeira vez, em outubro passado, fui a um barbeiro italiano. Contei essa experiência aqui mesmo no blog. Foi curioso, ele só usava tesoura e não máquina mesmo eu insistindo para que ele o fizesse, aguardando o momento em que ele ia perder a paciência e passar a navalha no meu pescoço. Ficou mais ou menos.
A segunda vez que fui cortar o cabelo aqui em Toronto, no final de janeiro, escolhi um barbeiro iraquiano. Era justamente o final de semana de eleições no Iraque, e achei que seria uma homenagem adequada. Não comentei com ele porque não achei apropriado. Tive o cabelo cortado enquanto eu estava voltado para Meca. Ele não usava tesoura, apenas máquina. Também ficou mais ou menos.
Finalmente hoje decidi cortar pela terceira vez (nos intervalos entre um corte e outro, em dezembro e abril, cortei enquanto estava em Porto Alegre) e o escolhido foi um barbeiro português. E isso não é nenhuma piada, evidentemente. No final da manhã, peguei o bonde que faz o trajeto pela Dundas, atravessando o bairro português. No caminho, fiquei prestando atenção para encontrar um barbeiro. Encontrei, desci e entrei no estabelecimento.
Havia três pessoas sendo atendidas nas três cadeiras disponíveis, e sentei para esperar a minha vez. Numa das cadeiras, a que ficava à esquerda, um cliente tinha sua barba feita, com navalha. Lamentei ter feito a barba ontem, pois seria suuuper legal ter a barba feita… Na cadeira do meio, o barbeiro cortava o cabelo de um outro cliente, e na última, a da direita, uma mulher cortava o cabelo de outro. Após alguns momentos de observação, já sabia que a cabelereira da cadeira à minha direita era brasileira, e o dono, que estava trabalhando na cadeira do meio, era português.
Enquanto aguardava minha vez, peguei um jornal em português que estava à disposição. Folheei indiferente até encontrar a manchete sobre uma medicação anti-calvície que seria testada em humanos depois de passar pela fase das cobaias: “Em ratos funciona!”. Ia ler o corpo da matéria quando o barbeiro me chamou. Orientei-o em português e ele – que usa tesoura e máquina – cortou exatamente da forma que eu queria. Melhor que isso, só em Porto Alegre, no local onde corto há mais de dez anos e quando chego só preciso responder que sim, do mesmo jeito de sempre…
Vou voltar, afinal Portugal venceu a disputa de qual país cortaria o meu cabelo.
Até.
Com isso em mente, e ainda com o intuito de ter uma experiência canadense completa, hoje prossegui em minha peregrinação pelos barbeiros do mundo. Sim, cortei o cabelo.
A primeira vez, em outubro passado, fui a um barbeiro italiano. Contei essa experiência aqui mesmo no blog. Foi curioso, ele só usava tesoura e não máquina mesmo eu insistindo para que ele o fizesse, aguardando o momento em que ele ia perder a paciência e passar a navalha no meu pescoço. Ficou mais ou menos.
A segunda vez que fui cortar o cabelo aqui em Toronto, no final de janeiro, escolhi um barbeiro iraquiano. Era justamente o final de semana de eleições no Iraque, e achei que seria uma homenagem adequada. Não comentei com ele porque não achei apropriado. Tive o cabelo cortado enquanto eu estava voltado para Meca. Ele não usava tesoura, apenas máquina. Também ficou mais ou menos.
Finalmente hoje decidi cortar pela terceira vez (nos intervalos entre um corte e outro, em dezembro e abril, cortei enquanto estava em Porto Alegre) e o escolhido foi um barbeiro português. E isso não é nenhuma piada, evidentemente. No final da manhã, peguei o bonde que faz o trajeto pela Dundas, atravessando o bairro português. No caminho, fiquei prestando atenção para encontrar um barbeiro. Encontrei, desci e entrei no estabelecimento.
Havia três pessoas sendo atendidas nas três cadeiras disponíveis, e sentei para esperar a minha vez. Numa das cadeiras, a que ficava à esquerda, um cliente tinha sua barba feita, com navalha. Lamentei ter feito a barba ontem, pois seria suuuper legal ter a barba feita… Na cadeira do meio, o barbeiro cortava o cabelo de um outro cliente, e na última, a da direita, uma mulher cortava o cabelo de outro. Após alguns momentos de observação, já sabia que a cabelereira da cadeira à minha direita era brasileira, e o dono, que estava trabalhando na cadeira do meio, era português.
Enquanto aguardava minha vez, peguei um jornal em português que estava à disposição. Folheei indiferente até encontrar a manchete sobre uma medicação anti-calvície que seria testada em humanos depois de passar pela fase das cobaias: “Em ratos funciona!”. Ia ler o corpo da matéria quando o barbeiro me chamou. Orientei-o em português e ele – que usa tesoura e máquina – cortou exatamente da forma que eu queria. Melhor que isso, só em Porto Alegre, no local onde corto há mais de dez anos e quando chego só preciso responder que sim, do mesmo jeito de sempre…
Vou voltar, afinal Portugal venceu a disputa de qual país cortaria o meu cabelo.
Até.
sexta-feira, maio 27, 2005
Semeadura
Lacador
Originally uploaded by Marcelo Tadday.
Nós vamos prosseguir companheiro
Medo não há
No rumo certo da estrada
Unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro
O campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito
Feito para amar
Americana Pátria, morena
Quero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar
Nós vamos semear, companheiro
No coração
Manhãs e frutos e sonhos
Prum dia acabar com essa escuridão
Nós vamos preparar, companheiro
Sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura
Brotem das mãos
(Vitor Ramil/Fogaça)
quinta-feira, maio 26, 2005
Corpus Christi
Al Otro Lado Do Rio
Jorge Drexler
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
El día le irá pudiendo
poco a poco al frío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
En esta orilla del mundo
lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Yo muy serio voy remando
muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
creo que he visto una luz
al otro lado del río
Jorge Drexler
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
El día le irá pudiendo
poco a poco al frío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
En esta orilla del mundo
lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Yo muy serio voy remando
muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río
Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
creo que he visto una luz
al otro lado del río
quarta-feira, maio 25, 2005
Piadas e Bundas
Diz o dito popular que gosto é que nem pescoço: cada um tem o seu. Assim como piada é que nem bunda. Todo mundo tem uma, algumas são mais profundas, outras cabeludas, etc.
Escrevo isso em virtude dos comentários a respeito do Episódio III de Star Wars e, também, da minha relação com o cinema. Cada um, cada um, óbvio, e ninguém precisa justificar o seus gostos. Eu não me justifico mais por gostar desse ou daquele filme.
Lembrei, então, de uma época em que eu costumava dizer, olhando seriamente no olho da pessoa, com convicção, mas evidentemente brincando, que “As pessoas podem ter opiniões, eu não, tenho compromisso com a verdade”. Dava a entender que o que eu pensava era a verdade, aquilo que eu gostava era o certo, era eu quem sabia o que era bom.
Sempre foi brincadeira, claro, mas incomodava alguns. Por quê?
Porque eu dizia o que as pessoas pensavam e nunca haviam tido coragem de dizer! Porque todos pensam que os seus gostos são os melhores e os certos. Quem discorda do que gostam é porque está errado. Simples. Ninguém vai admitir que gosta de algo que não é o melhor, ou que possa estar errada. Se é que há certo ou errado em termos de gosto.
Aceitar a opinião dos outros – se esta opinião é diferente da sua – é tolerar que vivam um erro, uma mentira. Na sua opinião, evidentemente. Os outros acham que a sua opinião diferente da deles é que está errada. É assim.
A civilização está baseada na hipocrisia. Só assim é que evitamos transpor a tênue linha que nos separa da barbárie.
Quando essa fronteira é invadida, é que iniciam os conflitos. Religião, por exemplo. Não existe melhor exemplo de pessoas sendo violentas (os extremos) ao tentar impor aos outros suas crenças, suas verdades. A história da humanidade está aí para provar.
Alguns podem assistir um filme e ver apenas os caras bons brigando contra os maus com umas espadas coloridas, ou um bando de estranhos carregando um anel por um mundo diferente para ser destruído. Outros vêem muito mais que isso. Quem está certo? Todos, ninguém.
Não faz diferença.
Escrevo isso em virtude dos comentários a respeito do Episódio III de Star Wars e, também, da minha relação com o cinema. Cada um, cada um, óbvio, e ninguém precisa justificar o seus gostos. Eu não me justifico mais por gostar desse ou daquele filme.
Lembrei, então, de uma época em que eu costumava dizer, olhando seriamente no olho da pessoa, com convicção, mas evidentemente brincando, que “As pessoas podem ter opiniões, eu não, tenho compromisso com a verdade”. Dava a entender que o que eu pensava era a verdade, aquilo que eu gostava era o certo, era eu quem sabia o que era bom.
Sempre foi brincadeira, claro, mas incomodava alguns. Por quê?
Porque eu dizia o que as pessoas pensavam e nunca haviam tido coragem de dizer! Porque todos pensam que os seus gostos são os melhores e os certos. Quem discorda do que gostam é porque está errado. Simples. Ninguém vai admitir que gosta de algo que não é o melhor, ou que possa estar errada. Se é que há certo ou errado em termos de gosto.
Aceitar a opinião dos outros – se esta opinião é diferente da sua – é tolerar que vivam um erro, uma mentira. Na sua opinião, evidentemente. Os outros acham que a sua opinião diferente da deles é que está errada. É assim.
A civilização está baseada na hipocrisia. Só assim é que evitamos transpor a tênue linha que nos separa da barbárie.
Quando essa fronteira é invadida, é que iniciam os conflitos. Religião, por exemplo. Não existe melhor exemplo de pessoas sendo violentas (os extremos) ao tentar impor aos outros suas crenças, suas verdades. A história da humanidade está aí para provar.
Alguns podem assistir um filme e ver apenas os caras bons brigando contra os maus com umas espadas coloridas, ou um bando de estranhos carregando um anel por um mundo diferente para ser destruído. Outros vêem muito mais que isso. Quem está certo? Todos, ninguém.
Não faz diferença.
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