Um esclarecimento.
Não, eu não vim para Montreal. Eu vim para um congresso em Montreal, o que é ligeiramente diferente. E mais, eu vim para um congresso clínico. Explico.
Estando fazendo pesquisa desde o ano passado, então voltar a ver clínica está sendo bem legal. De certa forma, é parte da minha preparação para voltar ao Brasil. Por isso, também, que estou sendo tão CDF aqui. Estou me preparando para voltar ao meu consultório.
Em resumo, é por isso que não vou se capaz de falar de Montreal.
Até porque não vou conhecer Montreal. No máximo, visitar alguns pontos turísticos. Isso se der.
Hoje, por exemplo, eu tentei.
Saí às duas da tarde do congresso para fazer turismo. Alguns raios de sol furavam as nuvens. Fui até o hotel, troquei de roupa, e fui para a rua. Andei 15 minutos. Começou a chover. Voltei ao hotel. Voltei ao centro de convenções. De volta ao congresso…
Mas tenho um impressão, sim.
Até aqui, Montreal foi a cidade do vento encanado.
O trajeto entre o hotel e o centro de convenções, na chuva, foi um exercício de habilidade. Tive que driblar as rajadas de vento que tentavam destruir o meu guarda-chuva.
Claro que Montreal é bem mais legal que isso.
Até.
PASSAGEM DO TEMPO: OITO.
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
terça-feira, novembro 01, 2005
Em Montreal
O concierge do hotel que eles estão hospedados respondeu, ao ser perguntado por uma indicação de restaurante italiano bom e não muito caro, que “não existem restaurantes bons e baratos”. Olhei para ele e agradeci. Palhaço, disse polidamente, e saí. Escolhemos um italiano, de aspecto simpático, na St Denis.
Ia continuar minha busca pelo spaguetti à carbonara perfeito, mas decidi adiar e comer algo diverso. Tomamos um tinto (comprado na loja da esquina) espanhol que podemos chamar de amplo (vinho que alia, na mais perfeita harmonia, sabor e bouquet, o que se traduz na degustação por sensações ricas e prolongadas), que me lembrou barris de carvalho, na primeira vez em que pude distinguir algo ao tomar um vinho. A conversa, leve, agradável.
Contei histórias, como gosto de fazer, longas e digeridas com calma. Falei da vida em Toronto, do trabalho, das saudades, do inverno. De como sou parte daqui e de como já preparo minha volta. Mas não só disso: perguntado, falei do passado, de quando vi (ou não) o outro lado, de como cheguei aqui.
Muitas histórias, que teriam durado a noite toda de conversa se não tivéssemos que voltar amanhã cedo para o congresso.
Antes de ir embora, o Pio, namorado da Jussara, minha mestre e guru, casal com o qual eu tinha jantado, me olhou e disse: és um sobrevivente.
Eu sou.
Até.
Ia continuar minha busca pelo spaguetti à carbonara perfeito, mas decidi adiar e comer algo diverso. Tomamos um tinto (comprado na loja da esquina) espanhol que podemos chamar de amplo (vinho que alia, na mais perfeita harmonia, sabor e bouquet, o que se traduz na degustação por sensações ricas e prolongadas), que me lembrou barris de carvalho, na primeira vez em que pude distinguir algo ao tomar um vinho. A conversa, leve, agradável.
Contei histórias, como gosto de fazer, longas e digeridas com calma. Falei da vida em Toronto, do trabalho, das saudades, do inverno. De como sou parte daqui e de como já preparo minha volta. Mas não só disso: perguntado, falei do passado, de quando vi (ou não) o outro lado, de como cheguei aqui.
Muitas histórias, que teriam durado a noite toda de conversa se não tivéssemos que voltar amanhã cedo para o congresso.
Antes de ir embora, o Pio, namorado da Jussara, minha mestre e guru, casal com o qual eu tinha jantado, me olhou e disse: és um sobrevivente.
Eu sou.
Até.
domingo, outubro 30, 2005
A Sopa 05/15
Esse final de semana foi marcante em muitos aspectos, e em diferentes enfoques do mundo. Do meu mundo.
Sexta-feira que passou foi a abertura da Feira do Livro de Porto Alegre, evento que ocorre há cinquenta e um anos sob os jacarandás da Praça da Alfândega, no centro da cidade. Tenho um afeto especial por essa época do ano, da feira, na qual muitos circulam pela praça, parando nas bancas, folheando os livros com desconto, os saldos no balaios, os lançamentos. A cidade passa por lá, e, confesso, ainda sonho com o dia que vou autografar um livro meu na feira. Um dia, quem sabe.
Mas antes ainda de sexta-feira, na terça chuvosa e fria de Toronto, percebi que eu me tornara um canadense: no período de cerca de dez minutos em que percorremos o trecho entre o laboratório onde eu vira um paciente e o hospital, só o que eu fiz foi me queixar do tempo. De como foi bom o verão e como já sinto falta dele. Mesmo que tenha passado o verão me queixando que estava muito quente… Mas essa é a primeira mudança que noto em mim, assim, mais evidente: eu gosto muito mais do verão agora que antes de vir para cá.
Sábado, já avançando no fim-de-semana, houve um evento no colégio em que estuda a Roberta, minha MUITO amada afilhada, em que a turma dela foi premiada pela edição de um jornal. Puxa, minha afilhada, uma jornalista. Esse é (mais) um daqueles eventos que perdi por estar aqui no norte e que lamento muito ter perdido, mas sei que outros ocorrerão no futuro e que não vou perder.
Além disso, sábado houve um almoço de reencontro da minha turma da faculdade. Foi um primeiro reencontro para organizar um maior no ano que vem, ao qual estarei presente, com certeza. Tive, ao saber do evento, uma primeira reação de choque, do tipo “Poxa, mas e eu?”, que se seguiu por uma sensação boa de saber que o pessoal ia se encontrar. Eu não posso estar lá? Tudo bem, faz parte, sem dramas.
E essa sensação boa aumentou muito no mesmo dia à noite, quando recebi uma foto do pessoal no reunido, e – junto de uma descrição do encontro – a afirmação de que eu fiz falta. Da mesma forma que umas semanas atrás recebi um e-mail do Márcio comentando como estavam os ensaios da banda para tocar no aniversário da querida amiga e afilhada Lúcia, que ocorreu justamente nesse sábado que passou, dizendo que eu estava fazendo falta.
E percebi que eu estava feliz por todos, por andarem na praça entre os livros, por se reunirem, por planejarem o futuro, por tocarem, por se divertirem, por festejarem. Porque eu não sentia mais aquele ciúme mesquinho e pequeno por não poder estar lá.
Até porque de certa forma eu estava entre eles.
Eu estou. E sempre estarei.
Até.
Sexta-feira que passou foi a abertura da Feira do Livro de Porto Alegre, evento que ocorre há cinquenta e um anos sob os jacarandás da Praça da Alfândega, no centro da cidade. Tenho um afeto especial por essa época do ano, da feira, na qual muitos circulam pela praça, parando nas bancas, folheando os livros com desconto, os saldos no balaios, os lançamentos. A cidade passa por lá, e, confesso, ainda sonho com o dia que vou autografar um livro meu na feira. Um dia, quem sabe.
Mas antes ainda de sexta-feira, na terça chuvosa e fria de Toronto, percebi que eu me tornara um canadense: no período de cerca de dez minutos em que percorremos o trecho entre o laboratório onde eu vira um paciente e o hospital, só o que eu fiz foi me queixar do tempo. De como foi bom o verão e como já sinto falta dele. Mesmo que tenha passado o verão me queixando que estava muito quente… Mas essa é a primeira mudança que noto em mim, assim, mais evidente: eu gosto muito mais do verão agora que antes de vir para cá.
Sábado, já avançando no fim-de-semana, houve um evento no colégio em que estuda a Roberta, minha MUITO amada afilhada, em que a turma dela foi premiada pela edição de um jornal. Puxa, minha afilhada, uma jornalista. Esse é (mais) um daqueles eventos que perdi por estar aqui no norte e que lamento muito ter perdido, mas sei que outros ocorrerão no futuro e que não vou perder.
Além disso, sábado houve um almoço de reencontro da minha turma da faculdade. Foi um primeiro reencontro para organizar um maior no ano que vem, ao qual estarei presente, com certeza. Tive, ao saber do evento, uma primeira reação de choque, do tipo “Poxa, mas e eu?”, que se seguiu por uma sensação boa de saber que o pessoal ia se encontrar. Eu não posso estar lá? Tudo bem, faz parte, sem dramas.
E essa sensação boa aumentou muito no mesmo dia à noite, quando recebi uma foto do pessoal no reunido, e – junto de uma descrição do encontro – a afirmação de que eu fiz falta. Da mesma forma que umas semanas atrás recebi um e-mail do Márcio comentando como estavam os ensaios da banda para tocar no aniversário da querida amiga e afilhada Lúcia, que ocorreu justamente nesse sábado que passou, dizendo que eu estava fazendo falta.
E percebi que eu estava feliz por todos, por andarem na praça entre os livros, por se reunirem, por planejarem o futuro, por tocarem, por se divertirem, por festejarem. Porque eu não sentia mais aquele ciúme mesquinho e pequeno por não poder estar lá.
Até porque de certa forma eu estava entre eles.
Eu estou. E sempre estarei.
Até.
sábado, outubro 29, 2005
A Semana
Semana corrida, muitas atividades e pouco tempo para pensar…
Terminou a conferência que participei, com muitas idéias, planos e perspectivas. Muita coisa a fazer, e logo. Valeu, claro. E, como bom globetrotter, já estou indo de novo: domingo, de trem, vou para Montreal, onde fico até quinta-feira num congresso. Vou escrever de lá, com certeza.
Agora à noite, no Duke of Argyle, pub ali na John quase com King st, conversávamos, Camilla, Henrique, Rafael, Monique, André (vindo de Porto Alegre para o congresso em Montreal) e eu. Entre as histórias lembradas, está a do Red Violin, que traduzido para japonês é Suzuki Vitara, e que traz uma maldição com ele.
Que eu não vou contar porque se o fizer não vou conseguir dormir.
Até.
Terminou a conferência que participei, com muitas idéias, planos e perspectivas. Muita coisa a fazer, e logo. Valeu, claro. E, como bom globetrotter, já estou indo de novo: domingo, de trem, vou para Montreal, onde fico até quinta-feira num congresso. Vou escrever de lá, com certeza.
Agora à noite, no Duke of Argyle, pub ali na John quase com King st, conversávamos, Camilla, Henrique, Rafael, Monique, André (vindo de Porto Alegre para o congresso em Montreal) e eu. Entre as histórias lembradas, está a do Red Violin, que traduzido para japonês é Suzuki Vitara, e que traz uma maldição com ele.
Que eu não vou contar porque se o fizer não vou conseguir dormir.
Até.
quinta-feira, outubro 27, 2005
Conversas
Sou meio antipático, eu sei.
Não, não é verdade. Eu me acho bem legal, mas isso não vem ao caso. O que quero dizer é que nem sempre eu fico conversando assim, à toa, com as pessoas. Veja o caso do meu cabelo: eu corto o cabelo, em Porto Alegre, no mesmo lugar e com a mesma pessoa há mais de dez anos. Até aí tudo bem. Acontece que um dia a Jacque foi cortar o cabelo com ele e, na volta me perguntou alguma coisa sobre o fato de ele ter tido um infarto.
Levantei a sobrancelha esquerda levemente, assumindo uma expressão meio curiosa e meio intrigado: “Que infarto?”, perguntei. E ela me contou não só sobre o infarto mas também sobre toda a vida dele, e percebeu que eu, em dez anos cortando o cabelo uma vez por mês, conhecia ele menos que ela.
Mulheres, você pode estar pensando, e tem razão. Mulheres são assim, sei lá, comunicativas. Ou sou eu que sou muito na minha. Mas acho que estou mudando.
Notei isso por causa das corridas de táxi entre o aerporto e aqui em casa, em Toronto. Não que eu faça isso assim toda hora, ir até o aeroporto e pegar um táxi de volta só para bater um papo com um taxista. Foram três vezes em que estava chegando de viagem e mais uma hoje.
Passei o dia hoje no Hotel Sheraton aeroporto numa conferência. Muito interessante, aliás, mas também não interessa. O fato é que cheguei às 7h15 da manhã e fui embora às 20h. Como estava cansado, e a organização do evento ia reembolsar o valor, voltei de táxi. Claro que conversando.
Primeiro, tive que ensinar o caminho, afinal o motorista estava só há duas semanas no emprego. Perguntou de onde eu era e, ao ouvir que eu era do Brasil, disse que gostava muito do Brasil, tinha baixado muitas músicas brasileiras no seu computador.Falou de um filme antigo que se passava no Rio de Janeiro, ‘Blame it, Rio’, ou algo assim, que inclusive eu tinha visto, acho que com o Micheal Caine, em que dois amigos viajam com suas filhas jovens para o Rio e durante a viagem uma das filhas se apaixona pelo pai da outra. Comentei que o Rio já não era aquele do filme, e ele disse que sabia.
Contou que era da Romênia, e que com a queda do regime comunista há 14 anos tinha fugido para a Suécia onde não o aceitaram como refugiado. Tentou o Canadá, que acreditou em sua história, depois de uma “polida” na mesma. Sua maior conquista na vida? Os dois filhos que terminaram a universidade aqui.
Perguntou de mim, por que eu iria voltar.
Disse que ia voltar porque, apesar de ser bom morar aqui, o meu lugar é no Brasil, onde está a minha esposa. Perguntou se ela confiava em mim aqui por dois anos. Quando eu disse que sim, e era mútuo o sentimento, concordou comigo.
Confiança é base de tudo. Sem confiança não há casamento.
Sabem tudo esses taxistas…
Até.
Não, não é verdade. Eu me acho bem legal, mas isso não vem ao caso. O que quero dizer é que nem sempre eu fico conversando assim, à toa, com as pessoas. Veja o caso do meu cabelo: eu corto o cabelo, em Porto Alegre, no mesmo lugar e com a mesma pessoa há mais de dez anos. Até aí tudo bem. Acontece que um dia a Jacque foi cortar o cabelo com ele e, na volta me perguntou alguma coisa sobre o fato de ele ter tido um infarto.
Levantei a sobrancelha esquerda levemente, assumindo uma expressão meio curiosa e meio intrigado: “Que infarto?”, perguntei. E ela me contou não só sobre o infarto mas também sobre toda a vida dele, e percebeu que eu, em dez anos cortando o cabelo uma vez por mês, conhecia ele menos que ela.
Mulheres, você pode estar pensando, e tem razão. Mulheres são assim, sei lá, comunicativas. Ou sou eu que sou muito na minha. Mas acho que estou mudando.
Notei isso por causa das corridas de táxi entre o aerporto e aqui em casa, em Toronto. Não que eu faça isso assim toda hora, ir até o aeroporto e pegar um táxi de volta só para bater um papo com um taxista. Foram três vezes em que estava chegando de viagem e mais uma hoje.
Passei o dia hoje no Hotel Sheraton aeroporto numa conferência. Muito interessante, aliás, mas também não interessa. O fato é que cheguei às 7h15 da manhã e fui embora às 20h. Como estava cansado, e a organização do evento ia reembolsar o valor, voltei de táxi. Claro que conversando.
Primeiro, tive que ensinar o caminho, afinal o motorista estava só há duas semanas no emprego. Perguntou de onde eu era e, ao ouvir que eu era do Brasil, disse que gostava muito do Brasil, tinha baixado muitas músicas brasileiras no seu computador.Falou de um filme antigo que se passava no Rio de Janeiro, ‘Blame it, Rio’, ou algo assim, que inclusive eu tinha visto, acho que com o Micheal Caine, em que dois amigos viajam com suas filhas jovens para o Rio e durante a viagem uma das filhas se apaixona pelo pai da outra. Comentei que o Rio já não era aquele do filme, e ele disse que sabia.
Contou que era da Romênia, e que com a queda do regime comunista há 14 anos tinha fugido para a Suécia onde não o aceitaram como refugiado. Tentou o Canadá, que acreditou em sua história, depois de uma “polida” na mesma. Sua maior conquista na vida? Os dois filhos que terminaram a universidade aqui.
Perguntou de mim, por que eu iria voltar.
Disse que ia voltar porque, apesar de ser bom morar aqui, o meu lugar é no Brasil, onde está a minha esposa. Perguntou se ela confiava em mim aqui por dois anos. Quando eu disse que sim, e era mútuo o sentimento, concordou comigo.
Confiança é base de tudo. Sem confiança não há casamento.
Sabem tudo esses taxistas…
Até.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Opinião de um canadense
A Lully e o Wander, pra quem não sabe, estão praticamente prontos para imigrarem para o Canadá. Apesar de ainda estarem no Brasil, já fazem parte há tempo da turma dos Blogueiros e Simpatizantes que formamos por aqui.
Bom, há mais ou menos uma semana eles mandaram um email para nós, os canadenses, discutindo uma dúvida deles e pedindo nossa opinião: eles estão se preparando para vir para Toronto, e queriam saber em que momento deveriam fazer a mudança. Esperar passar as festas de final de ano e vir, esperar passar as festas de final de ano e o pior do inverno e então vir, ou vir logo? Todos responderam, menos eu, primeiro porque estava viajando e depois, logo que cheguei, ainda me readaptando ao fuso e às coisas de trabalho. Mas agora vou dar minha opinião.
O que eu penso?
Falemos um pouco de mim, antes, só para variar…
Quando surgiu o convite e a oportunidade de eu vir para cá, em março de 2003, logo antes da SARS, o plano era eu vir o mais rápido possível. Com a doença, que colocou muitos em quarentena, fechou os hospitais, o economia local foi duramente atingida e, junto, a verba para a minha bolsa. O plano teve que ser adiado, e só acabei vindo um ano e meio depois.
Independente disso, conversando com um professor, que tinha morado aqui por dois anos, logo que surgiu a opção de vir, a primeira coisa que ele me recomendou foi não vir no inverno. Principalmente porque eu viria sozinho, e o início não é fácil, ainda mais sozinho. Segui o conselho dele, e cheguei aqui no último mês do verão do ano passado. Mesmo assim não foi fácil, pelas mais variadas razões, mas principalmente porque eu não estava me mudando para o Canadá, eu estava vindo morar por um tempo, o que é bem diferente.
Quando chegou o inverno, já estava adaptado, mas isso não importa. Sim, é frio. Sim, a neve no início é bonita mas com o passar dos dias ela vira um estorvo. Tudo isso é verdadeiro, mas o que torna o inverno aqui um saco é que é longo. Muito longo. Cansa. Enjoa. As pessoas ficam mais circunspectas, sorumbáticas.
Mas não é o fim do mundo. Dentro de casa é bem tranquilo, a gente acaba ficando pouco tempo exposto às intempéries. Tudo corre bem, no fim das contas.
O que eu faria, se fosse vocês?
Eu passaria o Natal e o Ano Novo com a família aí no Brasil, sem dúvidas. Quanto a quando vir, na boa, eu viria a partir de março. Em março ainda neva, ainda está frio, mas a cidade começa a mudar,o humor das pessoas melhora, o astral é outro.
Até acho que vocês já decidiram, mas achei que tinha que dar o meu palpite. Venham, que serão bem recebidos com certeza.
#
Se você é um daqueles que pensava em se reunir comigo e ver as fotos da viagem, e desistiu da idéia após saber que são 1.700, fique tranqüilo: eu tenho versões resumidas (beem resumidas) para mostrar e não levar ninguém ao suicídio de tédio.
Até.
Bom, há mais ou menos uma semana eles mandaram um email para nós, os canadenses, discutindo uma dúvida deles e pedindo nossa opinião: eles estão se preparando para vir para Toronto, e queriam saber em que momento deveriam fazer a mudança. Esperar passar as festas de final de ano e vir, esperar passar as festas de final de ano e o pior do inverno e então vir, ou vir logo? Todos responderam, menos eu, primeiro porque estava viajando e depois, logo que cheguei, ainda me readaptando ao fuso e às coisas de trabalho. Mas agora vou dar minha opinião.
O que eu penso?
Falemos um pouco de mim, antes, só para variar…
Quando surgiu o convite e a oportunidade de eu vir para cá, em março de 2003, logo antes da SARS, o plano era eu vir o mais rápido possível. Com a doença, que colocou muitos em quarentena, fechou os hospitais, o economia local foi duramente atingida e, junto, a verba para a minha bolsa. O plano teve que ser adiado, e só acabei vindo um ano e meio depois.
Independente disso, conversando com um professor, que tinha morado aqui por dois anos, logo que surgiu a opção de vir, a primeira coisa que ele me recomendou foi não vir no inverno. Principalmente porque eu viria sozinho, e o início não é fácil, ainda mais sozinho. Segui o conselho dele, e cheguei aqui no último mês do verão do ano passado. Mesmo assim não foi fácil, pelas mais variadas razões, mas principalmente porque eu não estava me mudando para o Canadá, eu estava vindo morar por um tempo, o que é bem diferente.
Quando chegou o inverno, já estava adaptado, mas isso não importa. Sim, é frio. Sim, a neve no início é bonita mas com o passar dos dias ela vira um estorvo. Tudo isso é verdadeiro, mas o que torna o inverno aqui um saco é que é longo. Muito longo. Cansa. Enjoa. As pessoas ficam mais circunspectas, sorumbáticas.
Mas não é o fim do mundo. Dentro de casa é bem tranquilo, a gente acaba ficando pouco tempo exposto às intempéries. Tudo corre bem, no fim das contas.
O que eu faria, se fosse vocês?
Eu passaria o Natal e o Ano Novo com a família aí no Brasil, sem dúvidas. Quanto a quando vir, na boa, eu viria a partir de março. Em março ainda neva, ainda está frio, mas a cidade começa a mudar,o humor das pessoas melhora, o astral é outro.
Até acho que vocês já decidiram, mas achei que tinha que dar o meu palpite. Venham, que serão bem recebidos com certeza.
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Se você é um daqueles que pensava em se reunir comigo e ver as fotos da viagem, e desistiu da idéia após saber que são 1.700, fique tranqüilo: eu tenho versões resumidas (beem resumidas) para mostrar e não levar ninguém ao suicídio de tédio.
Até.
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