Velho.
Não tenho problema com o envelhecer. Tenho questões com a ideia da morte, isso sim, mas isso é conversa para outro momento. O foco aqui e agora é o envelhecer.
Como disse, e esse é um fato com o qual lido diariamente como médico de muitas doenças associadas à idade, envelhecer é parte da vida, e sempre reforço a ideia de que quero chegar lá, afinal a outra opção, o não chegar a envelhecer, até hoje ninguém – ao menos de minhas relações – voltou para dizer que é melhor. Então, fato da vida, vou envelhecer. Biologicamente, ao menos.
Já fui muito mais velho que sou hoje em dia, admito.
Mais sério, mais circunspecto, me sentindo menos parte das coisas. O que não tem a ver com idade, eu sei, mas o fato é que, sim, já fui mais velho. Sempre acordei – e continuo acordando – cedo e de sempre gostei de dormir cedo. Em uma ou outra vez, adormeci em meio a festas, até ao lado de caixas de som. Era conhecido por isso.
Os últimos anos, contudo, testemunharam o fato de eu ter estado progressivamente me tornando mais jovem, mais leve muitas vezes. Com relação ao sono, ainda curto muito a ideia de dormir cedo, ainda mais no inverno, mas – no geral – tenho sido mais flexível neste aspecto, digamos assim.
Como comentei por esses dias, tenho agora uma filha de dezoito anos. Comemorou isso no final de semana passado, e quero falar do sábado à noite, em que alguns amigos dela foram lá em casa e, entre outras coisas, fizeram um karaokê. Foi divertido para eles, e a Jacque e eu demos espaço para que eles ficassem à vontade.
Por volta das vinte e três horas, fui dormir. Fechei a porta do quarto, deitei e apaguei a luz. Na sala, eles cantavam e riam, e o que eu mais ouvia eram as risadas deles. Antes do pegar sono, percebi que havia me tornado o pai que vai dormir enquanto os jovens se divertem na sala.
Velho, velho...
Foi bem legal.
Até.