sexta-feira, agosto 21, 2026

Errei

Ontem cedo, no trânsito, saindo de casa, fechei um carro que estava logo atrás de mim. Foi um vacilo, um erro, um descuido, uma afobação. Estava distraído. Logo eu, que procuro ser o mais correto e cortês no trânsito, logo eu, que me incomodo ao testemunhar as pessoas cometendo infrações voluntariamente pelas ruas diariamente. Logo eu...

 

Não tem justificativa.

 

Não provoquei nenhum acidente, não interrompi o trânsito, não houve consequências aparentes, exceto irritar – justificadamente – o motorista que foi fechado justamente ali, na esquina da André Puente com a Ramiro Barcelos. O nosso caminho era em parte o mesmo, então ele foi atrás de mim uma parte do caminho até passar ao meu lado, lentamente, baixar o vidro e me olhar com ares de reprovação, no que eu, atrás do vidro com película, apenas fiz sinal de me desculpar, de que eu havia errado. O pior: ao me desculpar, constrangido, eu o reconheci. Vizinho de rua, figura conhecida do rádio gaúcho, a quem ouço com frequência. Já estivemos juntos em eventos, mas sei que ele não lembra de mim.

 

O que não faz diferença no fato de que eu errei no trânsito e tentei me desculpar como faria com qualquer outro motorista a quem eu tivesse causado algum desconforto. Entendo a irritação dele ao ser ‘fechado’, porque eu também me incomodo quando acontece comigo, e é por isso que procuro sempre dirigir com todo o cuidado do mundo.

 

Ontem não, ontem eu vacilei, ontem eu errei...


Até.