Acho espetacular o que ele faz com fotos antigas.
A Sopa no Exílio
Crônicas e depoimentos sobre a vida em geral. Antes o exílio; depois, a espera. Agora, o encantamento. A vida, afinal de contas, não é muito mais do que estórias para contar.
sábado, janeiro 03, 2026
Sábado (e das utilidades da IA)
Acho espetacular o que ele faz com fotos antigas.
sexta-feira, janeiro 02, 2026
Dois de Janeiro
Sexta-feira, e entramos nos últimos dias desse recesso de final de ano. Mesmo assim, mantenho minha rotina desse período, que envolve atividade física como início do dia, indo na academia no pedalando, seguida de trabalho em casa, que envolve a arrumação do depósito que fica onde originalmente seriam as dependências de empregada, algo do século passado.
Que é mais ou menos o tempo em que moro por aqui e o período em que não organizava esse ambiente. Então estou há dias nisso, entre retirar o que está guardado, descartar o que necessita ser descartado, aplicar um produto anticupim e esperar um tempo para secar e reorganizar as coisas. É um processo lento e minucioso, e vai longe, pois ainda falta muito para terminar.
Estou tranquilo, e satisfeito. É terapêutico, além de obviamente útil. Me sinto conectado com o mundo durante esse trabalho.
O ano de 2025 foi – conforme plano – de escrever e publicar todos os dias, de domingo à sexta, e sábado publicar uma fotografia. Consegui. A ideia é ou selecionar as melhores crônicas do ano ou publicar uma ano inteiro de Sopa no Exílio em livro. Ainda não sei o melhor, está em aberto. Aceito sugestões.
Se vou continuar escrevendo todos os dias?
Provavelmente.
Até.
quinta-feira, janeiro 01, 2026
quarta-feira, dezembro 31, 2025
O Último
O último dia do ano. O final de dois mil e vinte e cinco. Vamos para a segunde metade dessa década, tão longe de dois mil e cinquenta quanto do ano dois mil. Estou mais perto dos sessenta anos do que dos quarenta.
Por aqui, no Sul do Mundo, seguimos de recesso de final de ano. Ontem à noite, assistimos – a Marina, a Jacque e eu – ‘50 First Dates’, de 2004, com a Drew Barrymore e o Adam Sandler, filme de terror fantasiado de comédia romântica.
Sim, filme de terror.
Ao menos para mim, é uma possibilidade assustadora. O centro da história (um filme de mais de vinte anos não tem spoiler) envolve a personagem da Drew que, após um acidente automobilístico, perdeu a capacidade de memória recente. No filme, ele lembra de tudo até momentos antes do acidente, mas, depois, nada. Vive em um ciclo de repetir o dia do acidente todos os dias.
Lembro, então, de um dos livros que li esse ano, ‘Alucinações Musicais’, do Oliver Sacks, em que ele conta diversos casos clínicos, a maior parte deles após traumas físicos ou AVCs, em que as pessoas, perdiam a memória prévia, ou a retenção de memórias, ou – pior – as duas. Se perdemos a memória do que vivemos, se não reconhecemos as pessoas, se não criamos memórias, não temos passado, referências, afetos, e nem futuro. É aterrorizante.
E lembro (que sorte essa, de lembrar) que há trinta e cinco anos estive envolvido em acidente de trânsito sério, com traumatismo craniano, treze dias em coma em uma UTI, e não fiquei com sequelas permanentes, além de manter minha a memória intacta. Lembro disso sempre que as coisas parecem complicadas.
Sobrevivi, sobrevivemos.
Um Feliz Ano Novo a todos.
Até.
terça-feira, dezembro 30, 2025
Simples, Humilde
Eu sou um cara simples, no sentido de gostos simples. Não preciso de muito para me sentir satisfeito com a vida, mesmo que tenha – sim – alguns desejos de opulência (quem nunca?).
Sei o que quero e o que preciso para ter uma vida boa, que é a grande questão filosófica para a qual busco resposta ao longo dos anos, e tenho “trabalhado” para chegar nesse ideal, que – óbvio – vale para mim. Todos os movimentos que tenho feito em termos de trabalho e pessoais são com esse objetivo, de levar uma vida boa e significativa (conforme meus critérios próprios, que valem para mim e não necessariamente para outrem).
Renunciei a algumas situações, dediquei meu tempo a outras, fui moldando os meus dias à forma que acho que devo viver, me associando a pessoas com mesma visão das coisas. Ainda há um caminho a ser percorrido, claro, mas já é mais claro, já vejo um horizonte. Pedras no caminho existem e continuarão existindo, e sei que seguirei independente delas.
Penso, também e eventualmente, que gostaria de morar no interior, mas em um interior do passado, um interior idílico, onde haveria cadeiras na calçada no final de tarde onde tomaríamos chimarrão e veríamos as pessoas passarem e todos nos saudaríamos porque nos conheceríamos porque seríamos parte da mesma comunidade, parte do todo. E lembro de Gente Humilde, do Chico Buarque...
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar...
E ano quase terminou.
Até.
segunda-feira, dezembro 29, 2025
A Verdade da Galáxia
(Se algum dia o sol um dia vai derreter...*)
O que espero de dois mil e vinte e seis?
Estamos cercados por exemplos de pensamento mágico. Melhor dito, a vida – em grande parcela – é feita da criação de lendas, mitos (aqui sem nenhuma conotação política), superstições, crenças e fantasias. Talvez seja uma forma de tornar a aleatoriedade das coisas mais palatável. E o pensamento mágico não é exclusividade de nenhum grupo social, deixemos isso bem claro.
Não tem relação com classe social, nível educacional, status financeiro. Vemos crenças arraigadas em todos. Os esportes, futebol em especial, são um campo fértil para crendices, folclores, rezas, simpatias e promessas feitas. Entre médicos isso também é muito comum, como quando dizem que ‘ser médico ou familiar de médico é fator de risco para casos mais complexos ou maiores complicações de casos simples’.
Não é. Mesmo.
Apenas nos chama mais à atenção quando envolve alguém conhecido ou familiar de conhecido, não que seja mais frequente, porque não é mesmo. É um viés cognitivo, simplesmente. E mesmo professores ilustres, mestres do que fazem, eventualmente caem nessa armadilha mental. E está tudo bem, tudo certo. Eu não compactuo, sou muito racional para acreditar nisso.
Poderia citar diversos exemplos, mas fica para outra hora.
O que eu espero de 2026, você quer saber?
É um ano par, e anos pares são muito bons...
Até.
domingo, dezembro 28, 2025
A Sopa
Último domingo do ano, última Sopa no ano.
O que dizer de dois mil e vinte e cinco?
Aliás, volto à recorrente questão de como devemos avaliar a vida. A partir de quais critérios vamos julgar se estamos onde deveríamos estar ou – ao menos – no caminho daquilo que julgamos o nosso lugar? E mais, como encaixar o que queremos, ou planejamos, com o que o mundo espera de nós?
Como eu disse, volto a questões que - imaginava – não existiriam quando eu tivesse mais de cinquenta anos de idade, casado há quase trinta e com uma filha prestes a fazer dezoito anos. Deveria ter tudo resolvido, e apenas trilhando o caminho traçado a partir de minhas escolhas. Aquelas que comecei a fazer há mais de quarenta anos.
Bobagem.
O caminho é feito enquanto percorrido, e tudo aquilo que poderia ser visto como desvio são, em verdade, ajustes na rota que é construída. Assim vejo nossas trajetórias, como mapas que vamos desenhando.
Tento ser mais leve, e sei que nem sempre consigo. Sofro (sofrer é um termo exagerado, mas não achei outro no momento) eventualmente por consequências de decisões tomadas conscientemente, por situações das quais abri mão e, ao olhar de fora, por breve instantes penso ‘e se eu tivesse seguido, se eu tivesse feito...’, mas logo recobro a lucidez de saber que estou (cada vez mais) onde deveria e onde gostaria de estar.
Continuo tentando (e vez que outra falhando) não me comparar com os outros, porque trajetórias diferentes não são comparáveis. No geral, contudo, as coisas vão bem. Tive momentos em que me senti uma ilha, só em meio à multidão, outros em que quis estar sozinho. Nada diferente do usual.
Eu julgo meu ano pelos amigos que fiz e os que encontrei, os shows que fui, os churrascos que fizemos, os livros que li, as pessoas que pude ajudar, as conversas, os momentos em família, o trabalho. Os relacionamentos que se fortaleceram.
É a receita de uma boa vida.
Até.


