quarta-feira, dezembro 31, 2025

O Último

O último dia do ano. O final de dois mil e vinte e cinco. Vamos para a segunde metade dessa década, tão longe de dois mil e cinquenta quanto do ano dois mil. Estou mais perto dos sessenta anos do que dos quarenta.

 

Por aqui, no Sul do Mundo, seguimos de recesso de final de ano. Ontem à noite, assistimos – a Marina, a Jacque e eu – ‘50 First Dates’, de 2004, com a Drew Barrymore e o Adam Sandler, filme de terror fantasiado de comédia romântica. 

 

Sim, filme de terror.

 

Ao menos para mim, é uma possibilidade assustadora. O centro da história (um filme de mais de vinte anos não tem spoiler) envolve a personagem da Drew que, após um acidente automobilístico, perdeu a capacidade de memória recente. No filme, ele lembra de tudo até momentos antes do acidente, mas, depois, nada. Vive em um ciclo de repetir o dia do acidente todos os dias.

 

Lembro, então, de um dos livros que li esse ano, ‘Alucinações Musicais’, do Oliver Sacks, em que ele conta diversos casos clínicos, a maior parte deles após traumas físicos ou  AVCs,  em que as pessoas, perdiam a memória prévia, ou a retenção de memórias, ou – pior – as duas. Se perdemos a memória do que vivemos, se não reconhecemos as pessoas, se não criamos memórias, não temos passado, referências, afetos, e nem futuro. É aterrorizante.

 

E lembro (que sorte essa, de lembrar) que há trinta e cinco anos estive envolvido em acidente de trânsito sério, com traumatismo craniano, treze dias em coma em uma UTI, e não fiquei com sequelas permanentes, além de manter minha a memória intacta. Lembro disso sempre que as coisas parecem complicadas. 

 

Sobrevivi, sobrevivemos.

 

Um Feliz Ano Novo a todos.


Até.