Último domingo do ano, última Sopa no ano.
O que dizer de dois mil e vinte e cinco?
Aliás, volto à recorrente questão de como devemos avaliar a vida. A partir de quais critérios vamos julgar se estamos onde deveríamos estar ou – ao menos – no caminho daquilo que julgamos o nosso lugar? E mais, como encaixar o que queremos, ou planejamos, com o que o mundo espera de nós?
Como eu disse, volto a questões que - imaginava – não existiriam quando eu tivesse mais de cinquenta anos de idade, casado há quase trinta e com uma filha prestes a fazer dezoito anos. Deveria ter tudo resolvido, e apenas trilhando o caminho traçado a partir de minhas escolhas. Aquelas que comecei a fazer há mais de quarenta anos.
Bobagem.
O caminho é feito enquanto percorrido, e tudo aquilo que poderia ser visto como desvio são, em verdade, ajustes na rota que é construída. Assim vejo nossas trajetórias, como mapas que vamos desenhando.
Tento ser mais leve, e sei que nem sempre consigo. Sofro (sofrer é um termo exagerado, mas não achei outro no momento) eventualmente por consequências de decisões tomadas conscientemente, por situações das quais abri mão e, ao olhar de fora, por breve instantes penso ‘e se eu tivesse seguido, se eu tivesse feito...’, mas logo recobro a lucidez de saber que estou (cada vez mais) onde deveria e onde gostaria de estar.
Continuo tentando (e vez que outra falhando) não me comparar com os outros, porque trajetórias diferentes não são comparáveis. No geral, contudo, as coisas vão bem. Tive momentos em que me senti uma ilha, só em meio à multidão, outros em que quis estar sozinho. Nada diferente do usual.
Eu julgo meu ano pelos amigos que fiz e os que encontrei, os shows que fui, os churrascos que fizemos, os livros que li, as pessoas que pude ajudar, as conversas, os momentos em família, o trabalho. Os relacionamentos que se fortaleceram.
É a receita de uma boa vida.
Até.