Eu sou um cara simples, no sentido de gostos simples. Não preciso de muito para me sentir satisfeito com a vida, mesmo que tenha – sim – alguns desejos de opulência (quem nunca?).
Sei o que quero e o que preciso para ter uma vida boa, que é a grande questão filosófica para a qual busco resposta ao longo dos anos, e tenho “trabalhado” para chegar nesse ideal, que – óbvio – vale para mim. Todos os movimentos que tenho feito em termos de trabalho e pessoais são com esse objetivo, de levar uma vida boa e significativa (conforme meus critérios próprios, que valem para mim e não necessariamente para outrem).
Renunciei a algumas situações, dediquei meu tempo a outras, fui moldando os meus dias à forma que acho que devo viver, me associando a pessoas com mesma visão das coisas. Ainda há um caminho a ser percorrido, claro, mas já é mais claro, já vejo um horizonte. Pedras no caminho existem e continuarão existindo, e sei que seguirei independente delas.
Penso, também e eventualmente, que gostaria de morar no interior, mas em um interior do passado, um interior idílico, onde haveria cadeiras na calçada no final de tarde onde tomaríamos chimarrão e veríamos as pessoas passarem e todos nos saudaríamos porque nos conheceríamos porque seríamos parte da mesma comunidade, parte do todo. E lembro de Gente Humilde, do Chico Buarque...
São casas simplesCom cadeiras na calçadaE na fachadaEscrito em cima que é um larPela varandaFlores tristes e baldiasComo a alegriaQue não tem onde encostarE aí me dá uma tristezaNo meu peitoFeito um despeitoDe eu não ter como lutarE eu que não creioPeço a Deus por minha genteÉ gente humilde
Que vontade de chorar...
E ano quase terminou.
Até.