quarta-feira, agosto 02, 2006

Minha mais recente coluna no Brasil News

Como já falei mais de uma vez, sou colunista (agora correspondente internacional) do jornal Brasil News, de Toronto. Em português, é feito para as comunidades que falam a língua de Camões. Minha coluna se chama, obviamente, 'A Sopa no Exílio'.

Reproduzo abaixo a minha mais recente coluna.

A Volta

Não sei quanto a todos os outros milhares de brasileiros que, por qualquer razão, fizeram o caminho inverso ao habitual, quando se fala em Canadá, isto é, voltaram ao Brasil, mas – até aqui – tem sido um processo natural. Sem traumas ou dramas.

Certo, admito que minha situação é diferente de alguém que é obrigado a voltar ao Brasil contra sua vontade. Eu quis voltar para casa, mesmo já me sentindo em casa em Toronto depois de dois anos morando na cidade que é conhecida como a mais cosmopolita do mundo. Logo, voltar não foi um choque, um trauma. Foi a seqüência natural da minha história pessoal, afinal eu havia me mudado para Toronto em caráter transitório.

Todos diziam, contudo, que enfrentaria problemas de readaptação na volta. O Brasil estava muito pior: violência, corrupção, sujeira nas ruas, um povo mal-educado. Sempre ouvi tudo em silêncio, respeitando a opinião dos outros, mas me dando ao direito de discordar. Sim, eu sei que há violência, e que nesse momento vive-se uma acentuação dela (principalmente em São Paulo). O mesmo com relação à corrupção, mas minha impressão é que não está pior que antes, pois não sou hipócrita de pensar (e até dizer!) que antes não havia nada, ou que era em menor escala. Ou que o país está melhor que antes por causa dos últimos três anos e meio do governo atual, como tem gente por aí jurando de pés juntos.

Nem um extremo e nem outro: o Brasil continua mais ou menos igual a que era, com a diferença que se passaram dois anos desde que havia saído e, como disse o filósofo grego Heráclito, se não cruzamos duas vezes o mesmo rio, pois o rio (assim como nós) não é mais o mesmo, o país mudou nesse período. Mudanças sutis e lentas, como são as mudanças ao longo do tempo. Para melhor ou pior, podemos nos perguntar.

Depende de nós.

Até.

Um comentário:

Mauricio V. Almeida disse...

Sabe Sr. Sopa, foi exatamente essa a impressão que eu tive do Brasil nas minhas férias. Eu ouvi tanta coisa ruim, que tinha chegado no fim do poço e coisa e tal mas para mim tudo estava igualzinho... Nem pior, mas com certza nem melhor.
Um abraço.