domingo, agosto 20, 2006

A Sopa 06/05

Há exatos dois anos, num dia 20 de agosto de manhã, iniciava-se o meu exílio canadense.

Dezenove de agosto de dois mil e quatro

Depois de um ano e meio de expectativas, ansiedades, frustrações – “Acho que não vai acontecer” – e descrenças, e após várias despedidas (família, amigos, família de novo, outra vez dos amigos, família) embarquei no vôo RG 2328 até São Paulo e aí no AC 0991 até Toronto. Mas não embarquei sozinho.

A derradeira despedida de todos foi no aeroporto: os meus pais, os pais da Jacque, o Magno, o Márcio e a Sônia foram até lá para dar um ‘tchau, até breve’. A parte difícil começou neste momento: ao passar pelo detector de metais e antes de entrar na sala de embarque, uma última olhada para trás. Todos abanando para mim, no último adeus. Confesso: bateu forte. E ainda faltava me despedir da Jacque, que ia comigo no vôo até São Paulo.

Foi um vôo cheio de emoções. Passamos o tempo todo abraçados, aproveitando cada instante antes de nos separarmos ao menos até dezembro, quando ela vem para passar o final de ano comigo. Nosso último momento foi quando ela embarcou na van que a levaria para o hotel em que ficaria para um curso. Nos despedimos, ela embarcou, e a última visão que tive dela foi seu vulto, através do vidro escurecido, abanando para mim, que abanava para ela.

Ali começou a cair a ficha. Senti o meu coração apertar, ficar pequeno dentro do peito, um vazio enorme tomou conta de mim, e me arrependi. Me senti um idiota por ficar longe da mulher que é tudo para mim, sem a qual nada mais importa. Mas não tinha mais volta… Embarquei no avião para o vôo que me manteria por meses longe da mulher que amo já com um enorme sentimento de culpa, que me acompanhou boa parte da noite, em que dormi sob o efeito de Dormonid...

Aterrisamos (o avião, comigo nele) em Toronto pouco depois das 6:00am. Um dia plúmbeo, com cara de poucos amigos. A passagem pela alfândega e pela imigração foi tranqüila, os funcionários todos muito atenciosos e educados. O que demorou foram as malas. Por um problema qualquer, sua chegada ao terminou atrasou uns quarenta minutos, aproximadamente. Mas chegaram inteiras as duas imensas malas que eu trouxe para esta longa estada.

Saindo do aeroporto, peguei um táxi.


Começava ali a minha história no Canadá.

Até semana que vem.

Um comentário:

Monique disse...

Pena que vc não ficou para comemorar 2 anos por aqui....brincadeira, sei que aí está muito melhor do lado da Jacque.
Por aqui tudo bem ,ão está mais aquele calorão. O verão foi bem curto. bjs,